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domingo, 8 de maio de 2016

Se Jesus fosse católico...

...A última ceia com os apóstolos teria sido diferente. Ele não teria partido o pão, mas distribuiria pequenos biscoitos redondos de massa finíssima e teria dito para os apóstolos não morderem, mas deixarem derreter na boca. E depois pegaria o cálice de vinho e beberia sozinho, sem dar nada para ninguém, estragando todo o simbolismo da cerimônia. (Lucas 22:17-20; I Coríntios 11:23-25)
Se Jesus fosse católico, não teria dito ao ladrão na cruz ao lado que estaria com ele no Paraíso naquele mesmo dia. Pelo contrário, teria afirmado que, por não ter sido batizado e portanto ser um pagão, o ladrão teria que cumprir uma longa jornada no purgatório, para só então pode ser purificado – pelo fogo, não pelo sangue que estava sendo derramado naquela mesma hora – e então, talvez, ser admitido no céu. (Lucas 23:43; I João 1:7)
Se Jesus fosse católico, teria dito também que, para garantir a entrada no céu, a família do ladrão deveria mandar rezar uma missa de corpo presente, antes do seu sepultamento. Depois de uma semana, mandariam rezar uma missa de sétimo-dia. O mesmo procedimento deveria ser feito após um mês e após um ano da morte do coitado. E todos os anos, no dia de finados, eles deveriam ir rezar pela alma do condenado. Assim talvez ele entrasse no céu.
Se Jesus fosse católico, nunca teria afirmado que tudo que pedíssemos em Seu Nome receberíamos, mas sim que deveriam esperar que todos os apóstolos morressem, e só então, os devotos poderiam começar a rezar para os falecidos apóstolos para que eles, mesmo mortos, recolhessem as preces e as levassem a Jesus. Talvez, alguns pedidos mais simples fossem atendidos pelos próprios apóstolos defuntos, outros seriam distribuídos aos santos - igualmente finados - como numa repartição pública; e os casos mais complicados seriam atendidos só mesmo depois de levados à sua santa mãe. Jesus mesmo só em último caso, pois Ele estaria sempre muito ocupado. (João 14: 13, 14; 16:23)
Se Jesus fosse católico, de forma alguma teria entrado em Jerusalém montado num jumento, mas sim numa carruagem moderna,  toda pintada de branco, com uma cabine de vidro à prova de flechas, doada pelo melhor fabricante de carruagens de todo o império romano. (Mateus 21:1-15)
Se Jesus fosse católico, não teria repreendido Pedro dizendo “para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens”; ele teria seguido à risca o palpite do apóstolo e não teria ido a Jerusalém morrer por todos nós. Ele teria dito a Pedro: “sim, santo padre, perdoai minha fraqueza”. (Mateus 16:23)
Se Jesus fosse católico, Ele diria claramente que a pedra de esquina sobre a qual se ergueria a Igreja era Pedro. (Mateus 16:16-18). Aliás, se Jesus fosse católico, Ele teria se ajoelhado diante de Pedro e beijado os seus pés.
Se Jesus fosse católico, não existiria Cristianismo, porque Ele teria obedecido todos os ditames do antigo Judaísmo, para não causar nenhum cisma na religião de seus pais. Afinal, o Judaísmo era mais antigo, mais tradicional e mais conhecido. Ele nascera no Judaísmo tradicional e portanto, morreria no Judaísmo tradicional, ensinando o Judaísmo tradicional. Ele não poderia se sujeitar a ser chamado de cismático. (Mateus 5:22, 28, 32, 34, 39, 44 etc.)
Se Jesus fosse católico, não diria que o maior deve servir ao menor. Mas ao contrário, Ele estabeleceria uma escala entre os apóstolos, sendo Pedro o chefe e os demais seus subordinados, numa espécie de colégio apostólico de rígida hierarquia. (Marcos 10:42-45)
Se Jesus fosse católico, nunca teria confrontado os escribas e fariseus, porque eles seriam os guardiões da Palavra escrita, e graças a eles as Escrituras eram preservadas através dos séculos. Quem era aquele simples carpinteiro para questionar o Sagrado Magistério, a quem cabia ler e interpretar a Lei e os Profetas? (Mateus 5:22, 28, 32, 34, 39, 44 etc.)
Se Jesus fosse católico, jamais diria que os fariseus pecavam por darem mais valor às tradições humanas do que às Escrituras. Pelo contrário, ele os exaltaria como exemplo de manutenção de usos e costumes sem nenhuma relação com a Palavra de Deus. (Mateus 15:1-9; Marcos 7:1-13)
Se Jesus fosse católico, nunca teria dito a Maria “que tenho eu contigo?”, mas pediria a ela orientação de como agir naquela situação. E Maria nunca teria dito às pessoas “fazei tudo o que Ele vos disser”, mas teria ela mesma dado instruções para que o milagre fosse concretizado. (João 2:4, 5)
Se Jesus fosse católico, Ele não teria irmãos e irmãs, mas sim primos e primas. (Marcos 6:3)
Se Jesus fosse católico, não afirmaria que “o que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai” (Mateus 15:11; Marcos 7:15, 18-20). Ele teria dito que deveríamos observar dias em que não deveríamos comer carne, apenas peixe. (Lucas 5:33-34)
Se Jesus fosse católico, Ele teria dado o exemplo e seria o primeiro a chamar Pedro de “nosso papa”, e jamais teria afirmado que não deveríamos chamar ninguém de “pai”, a não ser Deus, que está nos céus. (Mateus 23:9)
Se Jesus fosse católico, ele teria sim onde recostar sua cabeça. Ele moraria num palácio bem ao lado do seu grande templo, com apartamentos privativos e uma sacada de onde falaria às multidões nos dias santos. Além disso, teria um castelo de verão para passar as férias, num local mais afastado e tranquilo. (Mateus 8:20)
Se Jesus fosse católico, Zaqueu não teria distribuído aos pobres o que roubara, mas teria doado tudo à santa e una igreja de Jesus como prova de submissão e penitência, e depois de raspar a cabeça, se tornaria um monge descalço que sobreviveria de esmolas. (Lucas 19:1-10)
Se Jesus fosse católico, nunca diria aos discípulos que eles seriam perseguidos, açoitados e levados a interrogatório diante dos reis e governantes deste mundo, mas profetizaria que eles seriam honrados pelos homens, levantados como líderes mundiais, como atalaias de nações e conselheiros de reis, para governar em nome de Deus. Diria que eles seriam os representantes de Deus na Terra, e como tais, teriam o direito divino de coroar e destronar reis e presidentes. (Marcos 13:9)
Se Jesus fosse católico, não pregaria nas sinagogas, nas praias e debaixo de árvores, mas sim no púlpito de bronze da recém-inaugurada sede mundial da “Igreja Una, Apostólica e Ecumênica”, ricamente decorada em mármore e pedras preciosas, construída com as ofertas dos fiéis e bens saqueados dos infiéis, incluindo ouro e prata das colônias e obras de arte de todos os cantos da Terra, sem falar nas doações dos governantes que quisessem ficar de boa com Ele.
Se Jesus fosse católico, nunca diria que não devemos nos assemelhar aos gentios (Mateus 6:8), nem que devemos ser sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13-16). Pelo contrário, ele diria que poderíamos continuar festejando aos deuses das nações idólatras, apenas mudando o nome deles para o nome dos mártires cristãos. Com isso teríamos um ano inteiro de dias santos e um calendário litúrgico com instruções especiais para cada festa.
Se Jesus fosse católico, ele defenderia a isenção de impostos para os líderes religiosos e seus templos (afinal, “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”). Com isso teria direito a um terreno no melhor lugar de cada cidade destinado à construção de um templo, nem que fosse ocupando o lugar de culto das outras religiões.
Se Jesus fosse católico, teria abençoado as galés romanas em suas missões de invasão em outros territórios, com a garantia de que os povos e países dominados fossem submetidos à fé cristã, e Roma deveria ter ciência de que era apenas beneficiária da terra que seria, de fato, posse de Cristo.
Agora, cá pra nós, se Jesus fosse católico, com toda certeza Ele reivindicaria a participação dos cristãos no Senado imperial. Ele diria no palanque, sob aplausos, que “a voz do povo é a voz de Deus”, e que um país só pode prosperar se for governado por pessoas justas e tementes a Deus.

Certamente, se Jesus fosse católico, não sofreria tanto.
Se Jesus fosse católico, ele não morreria por mim e por você. Em vez disso, Ele nos mandaria fazer milhares de penitências para pagarmos o nosso débito com Deus.

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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Corpus Christi

O feriado de Corpus Christi é uma das festas tradicionais dos católicos. Sua data é estabelecida a partir da Páscoa, a qual é comemorada no primeiro domingo depois da lua cheia de 21 de março.  Antes tem a “Quaresma” (período que compreende os 40 dias que antecedem a Páscoa; leia mais aqui) e o “Domingo de Ramos”,  que antecede o domingo “de Páscoa”. Depois vem o “Pentecostes”, 50 dias depois da Páscoa, e aí sim, o “Corpus Christi”, a quinta-feira após o domingo de Pentecostes. Ufa! Quinta-feira porque se crê que Jesus celebrou a última ceia numa quinta-feira, véspera da “sexta-feira da paixão”. Leia mais sobre isto aqui.
A celebração da data teve início em 1193, por iniciativa de uma freira belga, Juliana de Cornillon, que disse ter visto a Virgem Maria pedindo para que ela realizasse uma grande festa para “honrar o corpo de Jesus na eucaristia”.  Anos mais tarde, em 1264, o “papa” Urbano IV através da “bula”Transituru do Mundo, decretou a celebração oficial, com a finalidade de honrar Jesus Cristo, pedir perdão pelo que foi feito a Ele e protestar contra os que negavam a presença de Deus na “hóstia sagrada”.
A crença diz que, no momento em que o sacerdote proclama as palavras “Isto é o meu corpo e isto é o meu sangue” (em latim, “hoc est corpus meus”), ocorreria a transubstanciação, um fenômeno por meio do qual a substância do pão e a do vinho (neste caso, a hóstia e vinho) se transformam no corpo e sangue de Cristo (apenas como curiosidade, essa expressão latina se transformou com o tempo na fórmula de bruxaria e feitiços,“hocus-pocus”).
A base para essa crendice é buscada nas palavras de Jesus, quando falou a respeito do pão que abençoara: “Tomai e comei, este é o meu corpo”, e do cálice: “bebei dele todos, pois este é o meu sangue” (Mateus 26:26, 28). Mas forçar um significado literal  nessas palavras cria numerosos problemas de interpretação e tende a subestimar o que a Bíblia comumente usa como expressões figuradas.
Por exemplo, quando alguns homens de Davi arriscaram suas vidas para trazer-lhe água de Belém, ele a recusou dizendo: “beberia eu o sangue dos homens que foram a risco de sua vida?” (II Samuel 23:17). A Bíblia fala de Jesus como sendo uma “porta”, a “vinha”, a “rocha” (João 10:9; 15:5; I Coríntios 10:4). Todos reconhecem essas afirmações como sendo entendidas em sentido figurado. Isto também é verdade em relação ao pão e ao vinho: são símbolos do corpo e do sangue. Cristo prometeu estar presente quando “dois ou três estiverem reunidos em Meu Nome”; e assim, rejeitar a idéia de que Ele se torna literalmente presente em pedaços de pão ou dentro de um cálice não significa rejeitar a Sua presença espiritual entre os crentes.  São duas coisas completamente diferentes. Jesus não precisa de algo físico para manifestar Sua presença entre nós, conforme atestam Suas aparições aos apóstolos e aos discípulos em Emaús, por exemplo. Não foi necessário nenhuma cerimônia especial para que Ele aparecesse entre os que o seguiam.
O corpo e o sangue: depois que Jesus abençoou o pão e o vinho, eles não foram transformados em Seu corpo e sangue, uma vez que Ele literalmente ainda estava ali. Ele não sumiu para reaparecer na forma de pão e vinho. Depois de abençoar o vinho, ele ainda o chamou de “fruto da vide”, não sangue literal! Ver Mateus 26:29. Quando Ele bebeu o vinho, Ele bebeu Seu próprio sangue? Se o vinho se tornasse sangue, bebê-lo teria sido um sacrilégio e uma abominação, de acordo com Deuteronômio 12:16 (“não comerás do sangue; sobre a terra o derramarás como água”) e Atos 15:20 (“que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue”).
De fato, crer que os elementos da Ceia se transformam literalmente na carne e sangue de Cristo cria inúmeros problemas. Tertuliano conta que os sacerdotes de seu tempo tinham muito cuidado para que nenhuma migalha de pão caísse no chão, para não machucar o corpo de Cristo. Na Idade Média, gastou-se muito tempo discutindo o que fazer se alguém, após “receber a comunhão”, vomitasse; ou se um cachorro ou rato tivesse oportunidade de roubar um pedaço de Jesus. No Concílio de Constança, por exemplo, debateu-se se algum homem derramasse o sangue de Cristo sobre sua barba, se deveriam queimar a barba do homem ou queimar o homem e sua barba juntos!
Mesmo com todos esses problemas, até o momento sem respostas lógicas e escriturísticas, este é o momento mais importante da celebração de Corpus Christi – as hóstias até então não consagradas, tornam-se consagradas. E assim o sacerdote sacrifica de novo o próprio Cristo, como assevera o Concílio de Trento “Se alguém disser que na missa um verdadeiro e apropriado sacrifício não é oferecido... que seja amaldiçoado”.
E a coisa vai mais além:  entender que a cada missa Cristo é novamente oferecido em sacrifício é claramente contrário que o próprio Jesus afirmou sobre sua morte na cruz: “Está consumado”! Está feito, acabado, terminado; não precisa ser feito de novo! Hebreus 10:10-14 esclarece essa questão de forma cabal: “É nessa vontade dele que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre. Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados;  mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus, daí por diante esperando, até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados”.
É por isso que a Bíblia ensina que o partilhar do pão e do vinho é um ato em memória do que Jesus fez por nós: um memorial, uma recordação, um marco, para que não seja esquecido aquele episódio! Foi isso que Jesus disse: “E tomando pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim (Lucas 22:19).
E também os apóstolos reafirmaram esse entendimento, cf.  Paulo em I Coríntios 11:23- 25, que, ao explicar à Igreja como deveria ser celebrado esse momento, repetiu letra por letra o que o próprio Jesus dissera anos atrás: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou pão;  e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.
Este é o mesmo relato de Mateus cap. 26 e Marcos cap. 14. Nada de fórmulas mágicas, mistérios, transformações miraculosas, misticismo. Apenas uma reunião para lembrar a morte de Cristo em nosso lugar, como o cordeiro que era sacrificado para remissão dos pecados do povo. E o corpo partido e o sangue derramado são simbolizados pelo pão e pelo vinho. Qual a dificuldade em se entender isto? Qual a necessidade de se mistificar e criar um ritual complicado para essa ocasião?
Dessa forma, só me resta terminar citando não uma lenda ou estorinhas, mas a própria Escritura, que adverte que, repetindo o que não necessita de repetição, inventando mitos sobre a morte de Jesus, muitos “estão crucificando de novo o Filho de Deus, e o expondo novamente ao vitupério” (Hebreus 6:6). Cabe a você decidir se vai seguir os preceitos da Santa Palavra de Deus, ou as tradições toscas e semi-pagãs dos homens.

Com informações de Editores HowStuffWorks Brasil e Ralph Woodrow, “Babilônia, religião de mistérios – antiga e moderna”.

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quinta-feira, 5 de abril de 2012

As relíquias do romanismo parte II

A semana chamada santa é pródiga em manifestações emocionais. Procissões, templos cheios de gente e de velas, muita pompa e circunstância, tudo regado com lágrimas incontidas de pessoas com pena de Jesus, que, coitado, era tão bom e sofreu tanto na mão dos malvados romanos e judeus. A procissão do “Senhor Morto”, então”, costuma ser o ápice da tristeza, como se Jesus não tivesse ressurgido da tumba em três dias. Muitos templos exibem suas relíquias, sejam autênticas ou não, e aumentam em muito o clima de emoção, como é o caso da peça de tecido conhecida como “Sudário de Turim” (a suposta mortalha de Jesus), sobre a qual você pode ler aqui.
Mas ao lado do “Sudário” há outro artefato que acabou se transformando numa das mais controversas relíquias que existem – ou não. Trata-se do “Santo Cálice”, também denominado “Santo Graal”, a taça que teria sido utilizada por Jesus na Santa Ceia. Embora esse objeto não tenha sua autenticidade confirmada, especialistas se reuniram na cidade de Valência, no leste da Espanha, em um “Congresso Internacional” pelo 1750º aniversário de sua suposta chegada à Espanha.
Tema de inúmeras lendas, livros de estudiosos, misticismos de todas as tendências e até de filmes como Excalibur e Indiana Jones, a taça na qual Jesus teria tomado vinho com seus discípulos, pouco antes de ser crucificado, tem sua posse reivindicada também por outras cidades ao redor do mundo, passando por Santiago de Compostela e a badalada capela de Rosslyn, na Escócia. No entanto, a pesquisadora americana Janice Benett e o historiador alemão Michael Hessemann afirmam que ela está de fato na catedral de Valência desde 1424. A igreja católica por enquanto não reconhece oficialmente esta relíquia, mas Bento XVI celebrou uma missa com o “Santo Cálice” quando visitou Valência em 2006. (http://noticias.gospelmais.com.br/valencia-quer-provar-que-tem-o-santo-graal.html)
Veja aqui quanta baboseira as pessoas levam a sério! Esta lenda já virou uma espécie de ímã para todo tipo de lixo cultural e teorias estapafúrdias. Por isso, é bom colocar tudo em pratos limpos: o famoso cálice não tem nada a ver com Maria Madalena, Cavaleiros Templários ou sociedades secretas. E, aliás, o Graal também não tem nada a ver com Jesus Cristo.
A existência de um suposto cálice milagroso onde o sangue do Messias teria sido recolhido não passa de uma invenção da Idade Média – uma história bolada pelo poeta mais famoso da época e, desde então, aumentada por autores posteriores. A lenda fez muito sucesso simplesmente por juntar duas grandes paixões do público medieval: cavalaria e fé. E foi sendo repaginada pelos séculos dos séculos – inclusive as teorias da conspiração tão populares no fim do XX e começo do XXI.
Poucos historiadores hoje duvidam de que Jesus e seus apóstolos realmente celebraram uma última ceia. Os Evangelhos narram a cerimônia. Sabemos até como era a bebida servida nessa época. Quanto às condições materiais do suposto Graal, podemos dizer que Indiana Jones estava certo – ao menos num quesito. No filme o arqueólogo escolhe como o verdadeiro Graal “o cálice de um carpinteiro”, feito de madeira e de aparência humilde. De fato, judeus das camadas populares provavelmente bebiam em recipientes de cerâmica ou madeira.
Pareciam simples cuias, como os da região de Qumran, no mar Morto, como este da foto. No entanto, é muito pouco provável que os utensílios de mesa utilizados por Jesus em sua refeição final tenham sido preservados. Para começar, como afirma o Novo Testamento, a sala onde a ceia aconteceu era alugada.
Além disso, o hábito de guardar relíquias começou cerca de um século após a morte de Jesus. Para os primeiros seguidores de Cristo, o importante não era preservar seus objetos pessoais, mas sim espalhar sua palavra. Mas aí, diante da narrativa um tanto lacônica e resumida dos Evangelhos, surgiram histórias de caráter popular e gnóstico, como o Evangelho de Nicodemos, do fim do século IV, que  narra como José de Arimatéia e Nicodemos deram um enterro digno ao corpo de Jesus, e como o soldado romano Longino feriu Cristo com uma lança. Logo começaram a circular lendas sobre as relíquias do Sangue Santo – que José de Arimatéia e Nicodemos teriam recolhido do corpo de Jesus – e sobre a lança sagrada, dois elementos que voltariam depois na história do Santo Graal.
A lenda estava mais ou menos nesse pé quando surgiu o escritor francês Chrétien de Troyes. Ninguém sabe exatamente de onde Chrétien de Troyes tirou a inspiração para seus romances, por volta do ano 1180. Ele já fazia sucesso com histórias sobre os cavaleiros da Távola Redonda, especialmente Lancelote, o mais valoroso deles. É então que ele decide escrever uma nova saga sobre Percival, um jovem nobre que perde o pai e é criado pela mãe.
“Percival é uma espécie de bom selvagem, não sabe se comportar em sociedade por ter sido criado no meio da mata”, afirma José Rivair Macedo, especialista em história medieval da UFRGS. Numa outra versão Percival era um brucutu que, ao encontrar um grupo de cavaleiros na floresta fica tão fascinado que parte para a corte do rei Arthur, torna-se cavaleiro e sai em busca de aventuras. E é aí que o Graal finalmente entra em cena. Percival chega ao castelo do Rei Pescador, onde presencia uma tal procissão do Graal, e vê uma lança que sangra (a lança de Longino?) e “um graal” - a palavra é usada de modo genérico por Chrétien.
Uma passagem do filme “Excalibur” (dirigido por John Boorman em 1981) mostra de forma emblemática e cheia de imagens sub-liminares que a descoberta do significado do Graal (uma sabedoria gnóstica?) liberta o homem dos seus medos e lhe dá liberdade. Noutra passagem o mago Merlin diz ao Rei Arthur: “A era dos deuses acabou... agora é o tempo dos homens e seus feitos”. O segredo do Graal tornaria os homens superpoderosos.
“A tradução para o português seria escudela”, diz Macedo - uma travessa, do tipo usada hoje para servir peixes ou carnes. Ironia das ironias: o Graal original não é um cálice, mas um prato! Chrétien dá a entender que o Graal carregava uma única hóstia, que servia de alimento para o pai do Rei Pescador, gravemente ferido. Depois que Percival deixa o castelo, encontra um eremita, que lhe diz que o Graal é “uma coisa muito santa”, e a história termina aí, sem final. Há quem ache que Chrétien tenha morrido antes de concluí-la.
Os autores que vieram depois de Chrétien juntaram o mistério do Graal com o Evangelho de Nicodemos e as imagens religiosas da época para sugerir que, na verdade, a “coisa muito santa” era o prato (ou o cálice) onde José de Arimatéia e Nicodemos teriam recolhido o sangue de Jesus.
Embora as histórias incorporem elementos da mitologia celta, seu pano de fundo é basicamente católico.
O Graal funciona como um símbolo da Eucaristia, o sacramento da transformação do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo. Beber (ou comer) do objeto restaura a saúde do rei e, de quebra, leva o cavaleiro direto para o Paraíso – exatamente os atributos da doutrina da Eucaristia.
Com a popularidade do mito, várias igrejas passaram a reivindicar a posse do cálice, como Valência, na Espanha, e Gênova, na Itália (o mais provável é que sejam objetos de origem árabe, do começo da Idade Média). Um outro, descoberto na Síria no começo do século 20 (o “cálice de Antioquia”) chegou a ser tido como o Graal original até se descobrir que não passava de uma lâmpada a óleo.
Código da bobagem - A lenda do Graal atingiu popularidade recente graças ao livro “O Código Da Vinci”, que afirma que o Santo Graal na verdade seria o sang real – o “sangue real” dos filhos de Jesus com Maria Madalena, que teriam migrado para a França, protegidos ao longo dos séculos pelo chamado Priorado de Sião.
Tudo isso é bobagem, usada pelo escritor americano Dan Brown (e outros antes dele) para aumentar a popularidade de seus livros. Primeiro, as evidências de que Jesus e Maria Madalena tenham casado e tido filhos são nulas (assim como as de uma suposta viagem dela para a França). O Priorado de Sião é uma fraude criada por um vigarista francês no princípio do século XX (assim como o livro falso chamado “Os Protocolos dos Sábios de Sião”, usado como pretexto para perseguir judeus por todo o mundo). E a expressão sang real é só uma leitura equivocada da expressão san greal, “Santo Graal”, por alguns escritores do século XV. E portanto, uma igreja reivindicar a posse de um artefato lendário é a maior bobagem que se pode conceber. Até agora.
O pior de tudo é que o catolicismo, em sua sanha de misturar toda e qualquer besteira lendária com suas histórias de santos e milagres, a fim de arrecadar novos adeptos, manter os antigos sempre alienados e resgatar os que escaparam de suas garras, acoberta tais fraudes sob o manto da piedade e do zelo religioso, em nome da tradição. Leia mais sobre este tema clicando aqui. Melhor fariam se seguissem o que os apóstolos, que eles dizem obedecer, escreveram séculos atrás:
“Porque não seguimos fábulas engenhosas quando vos fizemos conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, pois nós fôramos testemunhas oculares da sua majestade” (I Pedro 1:16).
Contra todas essas lendas, homens corajosos e que amavam a Palavra de Deus acima de tudo, mais até do que suas próprias vidas, disseram “não” a esse estado de coisas e abandonaram o cipoal de maracutaias em que se tornou a igreja. Queriam eles apenas reformar o que estava errado, e por isso ficaram conhecidos como reformadores. E em razão de seu protesto contra a ditadura espiritual, o movimento ganhou o nome de Reforma Protestante, em um 31 de outubro, quase quinhentos anos atrás.

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O que está por trás dos dias de

A igreja católica romana tem como premissa o culto aos chamados “santos”, pessoas virtuosas que são “canonizadas” após a morte e, por estarem próximos a Deus, poderiam realizar milagres. O Brasil, apesar de ser considerado o país mais católico do mundo (cerca de 64% da população, segundo pesquisa), só tem dois “santos” nativos; mas, além do montão dos canonizados oficialmente, existem inúmeros outros, como a alegada “padroeira”. Para homenagear essa santaiada toda é que existe o dia “de todos os santos”.
Através dessa comemoração Roma pretende aproximar seus fiéis de Deus, com o seguinte arrazoado: como os “santos” foram pessoas de carne e osso, que tiveram condutas exemplares, todos têm potencial para tornarem-se santos. A “homenagem aos santos” geralmente é no dia do aniversário de suas mortes, mas como há mais “santos” do que dias no ano, os menos famosos que caem na mesma data de um “best-seller” acabam ofuscados. Para resolver esse problema, o “papa” Bonifácio IV criou uma espécie de aniversário coletivo, para acender velinha para todo mundo numa batelada só. Isso foi no século VII, e a data escolhida foi 13 de maio. No século seguinte, mais precisamente no ano 835, o “papa” da hora, Gregório III, atropelou a norma que diz que o “papa” é infalível em assuntos eclesiásticos, decretou que Boni 4 estava errado e o certo era 1º de novembro.
Dizem os historiadores – veja bem, não sou eu que estou dizendo, depois não digam que estou acusando, fazendo fofoca, intriga, que sou “cismático” etc. – historiadores afirmam que o principal objetivo da mudança da data foi para que ela passasse a coincidir com o Samhain – o ano-novo dos bruxos (que deu origem ao Halloween), e dessa forma atrair pagãos (possíveis novos fiéis) para a fé católica. Para o 13 de maio colocaram Maria no lugar, e de quebra disseram que esse agora era o dia “das mães”.
Como dizia uma lenda, no 1º de novembro demônios e espíritos malignos andavam livres pelo mundo, voltando às regiões abissais à meia-noite do “finados”. Assim o dia “das bruxas”, Halloween, como véspera “de todos os santos”, seria uma espécie de preparação para enfrentar e repelir o mal no dia seguinte. Confira a informação aqui. E assim a crença da “volta dos mortos” foi incorporada (hum hum mizinfi!) ao folclore católico, como veremos adiante.
Essa celebração mezzo-cristã/mezzo-pagã – como, aliás, é a maioria das festas católicas, um mix de cristianismo com paganismo, doa a quem doer – aproveita e homenageia a granel todos que “morreram em estado de graça” e não foram canonizados, e portanto, não têm um dia específico. Aliás, vou escrever um artigo sobre como surgem as crendices que transformam personagens bizarros e lendários em “santos” (como estes dois aqui), e como a igreja católica acaba patrocinando esquisitices, aceitando misturas até com religiões africanas. Aguarde que tem mais.
Olha só que curioso: em Portugal, no dia “de todos os santos”, crianças saem à rua a pedir o “pão-por-Deus” de porta em porta, recitando versos e recebendo em troca pão, broas, bolos e frutas como nozes, amêndoas e castanhas, que guardam em sacolas. Lembra alguma coisa? É também costume em algumas regiões oferecerem um bolo, o “Santoro”, e nesses lugares a data também é conhecida como “dia dos bolinhos”.
“Todos os santos” não é feriado, mas muitos tiram o dia para ir a “missas especiais” em honra dos “santos”, e até aproveitam para dar uma esticada ao cemitério limpar sepulturas, levar flores e aprontar tudo para o dia seguinte, 2 de novembro, “finados”.
Assim, vemos que o dia “de finados” é mais um resultado da mixórdia católica que, desde longa data, vem bolando estratégias de marketing para atrair e manter fiéis a qualquer custo. Mesmo que o crescimento numérico comprometa a sã doutrina – e agora os neo-evangélicos adotam essa tenebrosa barganha: desde a fusão da igreja cristã ao Estado romano, foram adotados crenças estranhas e costumes de vários povos. Rezar pelos antepassados junto aos seus túmulos é apenas um exemplo: no século XI isto foi oficializado pelos “papas” Silvestre II, João XVIII e Leão IX. Eles disseram que era para dedicar um dia por ano aos mortos, e o 2 de novembro foi institucionalizado a partir do século XIII como o dia “dos finados”.
Desde então as pessoas vão ao cemitério levar flores, acender velas, rezar pelos defuntos, em missas em nome dos falecidos – um grande negócio para a igreja, pois essas missas costumam ser cobradas, não são baratas, e como todo mundo quer seus parentes livres do “purgatório”, imagine só a indústria de exploração da fé que se formou. Por isso os homens de preto mantêm como pilar sagrado esse “purgatório”, pois no dia que o povo descobrir que é uma balela sem fundamento bíblico, a casa cai. E com ela o comércio paralelo de velas, flores, lanches, terços, imagens, bibelôs, enfeites, camisetas, cartõezinhos... um lucro enorme vai para o saco.
Vela, por exemplo, uma bobagem. Os católicos crêem que o testemunho daquele que morreu fica como luz acesa no coração de quem continua a peregrinação. Por isso acendem velas no dia “de finados”, para celebrar e perpetuar a luz do falecido.
No México fazem uma verdadeira festa e preparam um banquete. Segundo a tradição, nos dias 1º e 2 de novembro, Deus deixa os mortos visitarem seus familiares ainda vivos, e lhes permite comer e beber aquilo de que mais gostavam. No dia 1º chegam as crianças falecidas, e por isso chamam a data de “dia dos santos inocentes”: preparam um altar com doces, brinquedos e velas para iluminar o seu caminho de volta à terra. No dia 2 chegam os adultos. Para ter a certeza de que encontrarão o caminho do cemitério até suas casas, espalham pétalas de flores e velas pelas ruas. No altar preparado pela família, o morto encontrará as oferendas feitas pelos seus parentes, com os seus pratos favoritos em vida. 
Se isso é cristianismo, então danou-se.
A igreja católica aceita tudo isto como válido, e é por isso que eu digo que ela não é cristã. Ou uma coisa, ou outra. A base do ensino cristão é a Bíblia, e a Bíblia não ensina nada disto! Pelo contrário, somos instruídos a evitar esse tipo de mistura:
Nada de orações a quem já morreu: “Não vos voltareis para os que consultam os mortos nem para os feiticeiros; não os busqueis para não ficardes contaminados por eles. Eu sou o Senhor vosso Deus” (Levítico 19:31);
[não haverá entre vós] nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos (Deuteronômio 18:11).
Devemos seguir um único caminho: “E Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; mas se Baal, segui-o” (I Reis 18:21);
“O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Deuteronômio 30:19);
“Vós sabeis que, quando éreis gentios, vos desviáveis para os ídolos mudos, conforme éreis levados” (I Coríntios 12:2).
Nada de oferecer coisas a mortos: “Nós pecamos, como nossos pais; cometemos a iniqüidade, andamos perversamente. Nossos pais não atentaram para as tuas maravilhas no Egito, não se lembraram da multidão das tuas benignidades; antes foram rebeldes contra o Altíssimo junto ao Mar Vermelho... Também se apegaram a Baal-Peor, e comeram sacrifícios oferecidos aos mortos. Assim o provocaram [a Deus] à ira com as suas ações; e uma praga rebentou entre eles... se misturaram com as nações, e aprenderam as suas obras (Salmo 106:6, 7, 28,29, 35).
Não invente “rainha do céu” nem ofereça “homenagens”: “Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha para fazerem bolos à rainha do céu, e oferecem libações a outros deuses, a fim de me provocarem à ira (Jeremias 7:18).
Deus abomina os ídolos – e no fundo, esses “santos” são ídolos: “... porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos entre vós, e como vos convertestes dos ídolos a Deus, para servirdes ao Deus vivo e verdadeiro” (I Tessalonicenses 1:9);
“Os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras das suas mãos, para deixarem de adorar aos demônios, e aos ídolos de ouro, de prata, de bronze, de pedra e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar (Apocalipse 9:20).
Quer mais? Clique aqui.

Insistir nessas práticas é querer inimizade com Deus.
Doa a quem doer.

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domingo, 3 de abril de 2011

Por que não sou católico (final)

Já recebi as primeiras cacetadas romanistas, dizendo que eu deveria tirar primeiro o argueiro do meu olho. Bem, se não  perceberam, é o que tenho feito nesses dois anos e tal de blog. 
Descemos a borduna a torto e a direito, à destra e à sinistra, em tudo aquilo que se desvia da Palavra. É por isso, aliás, que o blog tem o nome que tem. Basta ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, para resumir. E como as penitências da “semana santa” se avolumam e já se sente o cheiro de vela no ar, prossigamos na análise fria da ideologia romana, doa a quem doer. Só pra constar, incompetente é quem lê e não entende, olha e não enxerga; deve ser pelo tamanho da trave... Assim, sem mais delongas, liguemos a escavadeira e arranquemos a trave dos olhos católicos, porque o meu argueiro já foi pro espaço:
3 – Maria: João 2:5 (Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser); 3:13 (Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem); Lucas 1:38 (Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela), 46, 47 (Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador);
Atos 4:11, 12 (Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos); I Timóteo 2:5 (Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem); Romanos 1:25 (pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente); 
8:26 (Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis), 34 (...Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós) – lição prática: Maria foi escolhida para ser a mãe carnal do Salvador, mas ela própria carecia dessa salvação; disse que nós O obedecêssemos em tudo, não é mediadora e nem intercessora junto ao Pai, e como criatura, não deve receber adoração que só é devida ao Criador.
4 – Procissões: Isaías 45:20 (Congregai-vos, e vinde; chegai-vos juntos, os que escapastes das nações; nada sabem os que conduzem em procissão as suas  imagens de escultura, feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar) – lição prática: o versículo é explícito!
5 – Missa: Hebreus 9:24-26 (Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo); 
10:11-12 (Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados; mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus) – lição prática: o sacrifício de Jesus foi único e suficiente, não precisa ser repetido todos os dias!
6 – Purgatório: Lucas 16:19-23 (Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente. Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras; o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras. Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio); 
23:39-43 (Então um dos malfeitores que estavam pendurados, blasfemava dele, dizendo: Não és tu o Cristo? salva-te a ti mesmo e a nós. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça; porque recebemos o que os nossos feitos merecem; mas este nenhum mal fez. Então disse: Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso); 
Hebreus 9:27 (E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo...) – os textos deixam claro que não há local intermediário entre o céu e o inferno. Ademais, se houvesse, era para lá que o ladrão deveria ter ido, pois não houve tempo para “purgar” todos os seus crimes; mas não, Jesus disse que ele iria direto para o Paraíso, naquele mesmo dia!
7 – Salvação e boas obras: Efésios 2:5,8-9 (estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo - pela graça sois salvos - ... Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie); Romanos 5:1-2; 10:9 (Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus... Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo) – mais claro que isso, impossível: a salvação independe das obras, mas é pela graça de Deus somente (graça significa algo que não se faz por merecer).
8 – Celibato dos sacerdotes: I Timóteo 3:2-4 (É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, temperante, sóbrio, ordeiro, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, mas moderado, inimigo de contendas, não ganancioso; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com todo o respeito); 4:1-3 (Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade) – o bispo deve ser casado, proibir o casamento é uma apostasia.
9 – Rezas: Mateus 6:7 (E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos) – sem comentários.
10 – Quaresma: I Timóteo 4:1,3-5 (Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios... ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade; pois todas as coisas criadas por Deus são boas, e nada deve ser rejeitado se é recebido com ações de graças; porque pela palavra de Deus e pela oração são santificadas) – proibir alimentos é heresia e apostasia, pode comer carne o dia que quiser, ‘sexta-feira da paixão” inclusive!
11 – Filhos de Deus: João 1:12 (Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus) – nem todos são filhos de Deus! A pessoa é uma criatura de Deus, mas para se tornar filho precisa receber a Jesus e crer no Seu Nome, como Senhor e Salvador, conf. Romanos 10:9 (“Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo”). Não tem essa de “todo mundo é filho de Deus”.
12 – Rezar pelos mortos – há uma passagem em II Macabeus 12:43-46 que parece apoiar esta doutrina: “Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis porque ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas”. Entretanto, é preciso lembrar que doutrinas estranhas vieram sendo acrescentadas ao Cristianismo durante séculos, e muitas tinham como base justamente os livros apócrifos: velas, oferendas nos túmulos, rezas repetitivas, clero diferenciado, etc. 
A palavra “apócrifo” originalmente significava “oculto”, mas com o tempo, passou a significar “espúrio, estranho”. Os livros apócrifos, ao contrário dos “canônicos”, não são considerados de inspiração divina, nem mesmo por alguns de seus autores, tanto que nunca foram citados por Jesus nem pelos apóstolos. Só vieram a fazer parte da Bíblia editada pelo Vaticano após o concílio realizado na cidade de Trento, Itália, entre 1545 e 1563, com parte do movimento conhecido como Contra Reforma (o nome já diz tudo). E nesse contexto, os “sábios” romanistas se saíram com esta explicação: “O general Judas Macabeu (160 a.C.), herói do povo judeu, faz uma grande coleta e a envia para Jerusalém, para que os sacerdotes ofereçam um sacrifício de expiação pelos pecados de alguns soldados mortos. Fica claro no texto que os judeus oravam pelos seus mortos e por eles ofereciam sacrifícios. Fica claro também que os sacerdotes hebreus já naquele tempo aceitavam e ofereciam sacrifícios em expiação dos pecados dos falecidos. E que esta prática estava apoiada sobre a crença na ressurreição dos mortos. Subentende este texto que as almas dos soldados mortos, estavam em algum local ou ‘estado’ de purificação, pois se estivessem nos céus, as orações dos vivos eram desnecessárias, e se, por outro lado estivessem no inferno, toda oração seria inútil. E como o livro dos Macabeus pertence ao cânon dos livros inspirados, aqui também está uma base bíblica para a oração em favor dos falecidos” (ênfase acrescentada). Faltou o ilustre exegeta lembrar que muitas práticas dos judeus não são usadas hoje em dia, e que eles também criam em fantasmas, acreditavam que o Messias iria ser um libertador político, e muitas outras coisas que a igreja católica não ensina. Porque adotar justamente uma entre várias crendices populares e elevá-la ao nível de dogma inquestionável? Porque justifica um rio de dinheiro que corre do bolso dos enlutados diretamente para os cofres de Roma! Faltou também mostrar que a posição protestante de não se orar pelas almas dos mortos está explicada no texto acima: “se estivessem nos céus, as orações dos vivos eram desnecessárias, e se, por outro lado estivessem no inferno, toda oração seria inútil”.
Vê-se como um pequeno texto retirado de um livro não-autorizado pretende justificar todo um sistema doutrinário, o qual pode levar à perdição eterna, com base em uma esperança vã, incluída só de pirraça no Cânon Sagrado. A doutrina do purgatório só foi oficializada no reinado do “papa” Gregório, por volta do ano 593 d.C. Ou seja, antes disso, para onde iam as almas mezzo-salvas/mezzo-perdidas?
Irineu de Lyon, que viveu aproximadamente entre os anos 130 e 200 d.C., já havia alertado: “O erro nunca se apresenta em toda sua nua crueza, a fim de não ser descoberto. Antes, veste-se elegantemente, para que os incautos creiam que é mais verdadeiro do que a própria verdade”.
Eu só acrescentaria:

Doa a quem doer.

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