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domingo, 7 de abril de 2013

O silêncio profético

O atual ocupante do trono do Vaticano, Jorge Bergoglio, a.k.a. “papa” Francisco I (doravante abreviado neste blog para F1), disse, por ocasião de sua posse, que há momentos em que parece que Deus está em silêncio. Referia-se à existência do mal no mundo e à aparente impunidade reinante, apesar de Deus ser justo. Eu gostaria que ele lesse este link, mas é provável que isso não ocorra. Mas já houve épocas em que as pessoas diriam que Deus estava ausente. Sabemos de pelo menos dois períodos assim: o tempo compreendido entre o final de Gênesis (quando os descendentes de Jacó desceram ao Egito) e o início de Êxodo (quando então já são escravos dos egípcios); e entre o final de Malaquias (último livro do Antigo Testamento) e o inicio do Evangelho de Mateus (primeiro livro do Novo Testamento). Ambos os períodos coincidem pelo menos na duração: 430 anos cada.
Fato é que, antigamente, as Bíblias vinham com quatro páginas em branco, entre o Antigo e o Novo Testamentos. Essas páginas simbolizavam quatro séculos, o tempo em que “Deus permaneceu em silêncio”, conhecido como “O Silêncio Profético”. “Esse intervalo [depois de Malaquias] pode ser melhor compreendido se levarmos em consideração que nenhum profeta inspirado ergueu-se em Israel, pois o Antigo Testamento já estava completo aos olhos dos judeus”, informa a professora Cristina Santiago, da Faculdade Batista Brasileira de Salvador, Bahia.
Sabemos que nesse tempo ocorreram grandes, profundas e significativas mudanças tanto no panorama geral da humanidade (gentios) e dos judeus em particular, nos aspectos geo-políticos, culturais e religiosos. Você pode consultar uma enciclopédia para observar certos fatos – a maioria deles preditos pelos profetas, em especial Daniel – como por exemplo a sucessão de potências (impérios) dominantes. Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma se sucederam, e sob o governo dessas potências estrangeiras o povo judeu foi sendo moldado para o maior advento da História até então – a vinda do Messias. Eu destacaria como fatos cruciais dessa época, e que podem ter algum paralelo com os nossos dias:
Nos últimos 100 anos do Velho Testamento e até um pouco mais adiante, Israel esteve sob controle persa (entre 532 e 332 a.C.). Um tempo de relativa paz, pois os persas até deram permissão para reconstruir o templo (IICrônicas 36:22-23; Esdras 1:1-5). Mas muitos judeus permaneceram na Pérsia: é dessa época o livro de Ester. Os que voltaram a Israel se reorganizaram sob a liderança de Esdras, Neemias, Ageu, Zacarias, o sacerdote Josué e, mais tarde, Malaquias. Num primeiro momento, houve um reavivamento (Esdras 10; Neemias 10 a 13). Os judeus abandonaram a antiga tendência à idolatria, mas passaram a valorizar demais o formalismo e à religiosidade, sem a verdadeira essência espiritual. O império persa é a segunda potência profetizada por Daniel anos antes (ver Daniel 7:5, 17; 8:20), pois o reino babilônico (o primeiro animal) já fora substituído e seu último rei, Belsazar, derrotado pelos medo-persas (Daniel 5:31-31 e 9:1);
A ascensão dos gregos, chefiados pelo macedônio Alexandre “o grande”. Ex-aluno do filósofo Aristóteles e um mestre da política, promovia a cultura grega em todo território conquistado. Como resultado, o Velho Testamento hebraico foi traduzido para o grego, gerando a tradução conhecida como “Septuaginta”. Nota importante. Aqui começa a inclusão de livros não inspirados no Cânon Hebraico. Isto aconteceu porque seus tradutores, judeus liberais, estavam mais interessados em enriquecer o acervo do que era, na época, a maior biblioteca do mundo, em Alexandria, no Egito, e de agradar a Alexandre, “o grande”. A versão “Septuaginta” (ou “dos 70”, alusão ao número de escribas que trabalharam nela), e os tais livros inseridos jamais foram aceitos pelos judeus ortodoxos. Esses livros refletem duas correntes rabínicas (“halákica” ou jurídica, e “hagádica” ou histórica, esta inclinando-se para o apocalíptico), e formam mais ou menos três grupos:
Históricos (Livro dos Jubileus; Vida de Adão e Eva; Ascensão de Isaías; III Esdras; O Testamento de Moisés; Eldade e Medade; e mais tarde Macabeus e a História de João Hircano); Didáticos (Testamento dos Doze Patriarcas; Salmos de Salomão; Ode de Salomão; Oração de Manassés; e depois IV Macabeus); e os Apocalípticos (Livro de Enoque; Ascensão de Moisés; IV Esdras; Apocalipse de Baruque; Apocalipse de Elias; Apocalipse de Ezequiel; e Oráculos Sibilinos). Voltaremos aos apócrifos mais adiante.
Na época dos gregos houve forte influência do estilo de vida helênico, uma ameaça humanística e mundana a Israel. A Grécia foi o terceiro animal predito por Daniel (8:20-22). Aqui surgem os Macabeus.  Antíoco IV “Epifânio” (175-164 a.C.), descendente de um dos generais de Alexandre, odiava os judeus e destituiu o sumo sacerdote, proibiu o sacrifício diário e erigiu um altar a Zeus dentro do templo, chegando a sacrificar ali um porco. Em 167 a.C., Matatias, um sacerdote, rebelou-se. Seus filhos Judas, Simão e Eleazar (conhecidos como “os Macabeus” ou “Hasmoneus”), depois de muitas batalhas conquistaram Jerusalém e purificaram do templo, instituindo a festa “da dedicação” para comemorar a tomada da Cidade Santa e a consagração da Casa de Deus (Hannukah, “festa das luzes”, João 10:22).  A revolta dos macabeus fortaleceu o nacionalismo e fomentou grupos como os zelotes, que “zelavam” pela observância da lei e odiavam os estrangeiros, usavam de violência e promoviam até mesmo atentados e assassínios. A esse grupo pertencera Simão, discípulo de Jesus (Mateus 10:4; Lucas 6:15; Marcos3:18; Atos 1:13).
A chegada dos romanos, o quarto e terrível animal de Daniel 7:7, 19, é a profecia que se cumpriu parcialmente entre 63 a.C. (quando o general Pompeu conquista a Judéia) e 70 d.C. (quando Tito incendeia o templo construído por Herodes – que está sendo replicado agora mesmo em São Paulo). Parcialmente porque parte disto se completará quando vier o Anticristo, mas isto é outro assunto. Sob o domínio romano se dá o ressurgimento da esperança messiânica, quando aparecem os essênios, não mencionados na Bíblia, mas que professavam uma vida austera de separação quase monástica, abstinência, meditação, trabalho zeloso, comunidade de bens e celibato. Nas cavernas do Mar Morto, em 1948 d.C., se encontraram muitos dos seus escritos, onde se nota seu interesse apocalíptico, e diversas porções das Escrituras que permitem comprovar que não houve alteração no texto sagrado desde aquele tempo. Para desgosto dos agnósticos e críticos da Bíblia.
Durante o período greco-romano, surgiram outros grupos políticos e religiosos relevantes. Os antecedentes dos fariseus foram os reformadores dos tempos de Esdras e Neemias. Quando Matatias revoltou-se, os “hassidim” (“piedosos”) o apoiaram e, mais tarde foram denominados “perushim” (“separados”). Os fariseus adicionaram à Lei de Moisés a tradição oral – eventualmente considerando suas próprias interpretações mais importantes que o próprio texto original (veja Marcos 7:1-23), e se tornaram legalistas e sem compaixão.
Um outro grupo era o dos saduceus, ricos e aristocratas, que tinham poder no Sinédrio (um tipo de parlamento ou Suprema Corte, que assim como as sinagogas, se consolidou durante esses séculos). O nome “saduceu” possivelmente vem de Zadoque, o sumo sacerdote dos tempos de Davi (II Samuel 8:17  e 15:24). Rejeitavam todos os livros do Velho Testamento menos os mosaicos. Ensinavam que não há ressurreição, nem galardão, nem castigo, como os atenienses de Atos 17:32, talvez por estarem cansados de ver tantas desgraças. Negavam a existência de espíritos e anjos; enfatizavam a liberdade da vontade humana. Enquanto os fariseus eram nacionalistas, a tendência dos saduceus era absorver a filosofia e a cultura grega. Eram como uma sombra dos gregos, a quem admiravam.
O terceiro segmento era o dos herodianos, uma espécie de elite social religiosa que apareceu, obviamente, no reinado de Herodes. Tinha muitos sacerdotes, que davam apoio ao rei e aos costumes romanos, para com isso conseguir vantagens (Mateus 22:16-18; Marcos 3:6). 
Outro grupo era o dos escribas, da tribo de Levi como os sacerdotes, sendo também escrivães e escritores. Nos tempos de Cristo eram conhecidos como os “doutores da lei”, aceitos como autoridades na interpretação da lei mosaica. Pertenciam à seita dos fariseus, mas eram uma classe à parte. 
Qual é o paralelo com nossos dias? Quem são os fariseus de hoje? Talvez não seja difícil identificá-los. Podemos facilmente associar alguns conhecidos nossos à imagem de santarrão, o popular “santo-do-pau-oco”. Só não devemos os esquecer de olhar no espelho de vez em quando.
Mas, e os saduceus? Será que ainda existem por aí? Acho que sim. Admiram a “cultura moderna”, os métodos modernos de administração e crescimento, de arrecadação de recursos; a “música moderna”, a “moda moderna”, os cabelos, as roupas, as tatuagens e piercings. Irmãs que vão “à igreja” de blusa “frente-única” e calça de academia de ginástica. Homens usando brinco. Pastores fazendo implante de cabelo, delineando a sobrancelha, pintando as unhas, fazendo depilação, lipo-aspiração e redução do estômago. Pastores gastrônomos. Líderes evangélicos que apoiam união homossexual. Estão aí mesmo, agora mesmo, numa igreja perto de você. Avançados, integrados na cultura e na sociedade.  Igrejas “inclusivas”. Louvam a Deus na “balada” com funk  e hip-hop “para Jesus”. Dizem que luta-livre e boxe na igreja não tem nada de mais. Modernos. Não crêem no mundo espiritual nem têm certeza da Eternidade. Pós-modernos.
E os herodianos? Ah, é fácil. Envolvidos com o mundo político, freqüentam os gabinetes das autoridades, em troca de apoio. Franqueiam o púlpito aos candidatos, à destra e à sinistra. Negociam verbas, horários na televisão, emissoras de rádio, cargos no governo. Até fazem oração para Deus proteger o fornecedor da propina. Não raro acabam investigados pela Polícia Federal e pela Receita. Mas sempre voltam, apoiando o candidato em quem meteram o pau na eleição passada, ou metendo o pau em quem apoiaram antes.
Não sei se existem zelotes. Pelo menos não são idênticos aos dos tempos bíblicos: não cometem atentados, ao que se saiba. Na essência, até que seria bom haver alguns que “zelassem” pela Palavra com ardor, rejeitando as profetices apócrifas de falsos apóstolos, e que não permitissem que “estrangeiros” tivessem preeminência entre o povo de Deus. Que abominassem acordos com os cananeus. Que lutassem contra os abusos com a mesma garra e obstinação dos macabeus, até que a Casa de Deus seja limpa de todo sacrifício impuro, e o fogo estranho seja apagado do altar.
Essênios, que mesmo sem precisar ir morar longe dos outros, preservassem um modo de vida separado do mundo, e que aguardassem esperançosamente a Vinda do Messias.
Vivemos os últimos dias. Como os hebreus no Egito, e os judeus sob o governo de Roma, somos pressionados pelas leis do Faraó e de César. Os governantes deste mundo não aceitam que tenhamos outro Senhor, ainda mais poderoso do que eles próprios. Também sabemos que não há novas revelações: a Palavra de Deus está completa, e nenhum profeta – se ainda os há – por mais ungido que seja, não pode acrescentar nada a ela. Temos que agir como os filhos de Jacó: nos agarrarmos à promessa da libertação. Deus não está surdo; Ele apenas aguarda o momento certo para agir. Temos que permanecer atentos ao toque da trombeta que anunciará o instante de levantarmos acampamento e partirmos para a Terra Prometida.
Temos que ser como os poucos judeus que, apesar da tirania de César, não perderam a esperança e aguardaram a chegada do Messias prometido. Havia muito tempo que não aparecia um profeta novo, o último fora Malaquias. Mas, firmes na promessa, perseveraram e viram a vinda do Filho de Deus. Simeão, Natanael, Ana, e mesmo os magos do Oriente, não se deixaram impressionar pela grandiosidade de Roma, pelo poder de Herodes, pela magnificência do Templo. Não estavam nem aí para a erudição dos fariseus, para o humanismo e a modernidade dos saduceus; não se contaminaram com a cultura dominante e “chique” dos gregos; não foram seduzidos pelo poder como os herodianos.
Sejamos como Simeão, Natanael, Ana e os magos do Oriente. Fiquemos firmes na promessa!

continua...

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domingo, 3 de abril de 2011

Por que não sou católico (final)

Já recebi as primeiras cacetadas romanistas, dizendo que eu deveria tirar primeiro o argueiro do meu olho. Bem, se não  perceberam, é o que tenho feito nesses dois anos e tal de blog. 
Descemos a borduna a torto e a direito, à destra e à sinistra, em tudo aquilo que se desvia da Palavra. É por isso, aliás, que o blog tem o nome que tem. Basta ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, para resumir. E como as penitências da “semana santa” se avolumam e já se sente o cheiro de vela no ar, prossigamos na análise fria da ideologia romana, doa a quem doer. Só pra constar, incompetente é quem lê e não entende, olha e não enxerga; deve ser pelo tamanho da trave... Assim, sem mais delongas, liguemos a escavadeira e arranquemos a trave dos olhos católicos, porque o meu argueiro já foi pro espaço:
3 – Maria: João 2:5 (Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser); 3:13 (Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem); Lucas 1:38 (Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela), 46, 47 (Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador);
Atos 4:11, 12 (Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos); I Timóteo 2:5 (Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem); Romanos 1:25 (pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente); 
8:26 (Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis), 34 (...Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós) – lição prática: Maria foi escolhida para ser a mãe carnal do Salvador, mas ela própria carecia dessa salvação; disse que nós O obedecêssemos em tudo, não é mediadora e nem intercessora junto ao Pai, e como criatura, não deve receber adoração que só é devida ao Criador.
4 – Procissões: Isaías 45:20 (Congregai-vos, e vinde; chegai-vos juntos, os que escapastes das nações; nada sabem os que conduzem em procissão as suas  imagens de escultura, feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar) – lição prática: o versículo é explícito!
5 – Missa: Hebreus 9:24-26 (Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo); 
10:11-12 (Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados; mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus) – lição prática: o sacrifício de Jesus foi único e suficiente, não precisa ser repetido todos os dias!
6 – Purgatório: Lucas 16:19-23 (Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente. Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras; o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras. Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio); 
23:39-43 (Então um dos malfeitores que estavam pendurados, blasfemava dele, dizendo: Não és tu o Cristo? salva-te a ti mesmo e a nós. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça; porque recebemos o que os nossos feitos merecem; mas este nenhum mal fez. Então disse: Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso); 
Hebreus 9:27 (E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo...) – os textos deixam claro que não há local intermediário entre o céu e o inferno. Ademais, se houvesse, era para lá que o ladrão deveria ter ido, pois não houve tempo para “purgar” todos os seus crimes; mas não, Jesus disse que ele iria direto para o Paraíso, naquele mesmo dia!
7 – Salvação e boas obras: Efésios 2:5,8-9 (estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo - pela graça sois salvos - ... Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie); Romanos 5:1-2; 10:9 (Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus... Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo) – mais claro que isso, impossível: a salvação independe das obras, mas é pela graça de Deus somente (graça significa algo que não se faz por merecer).
8 – Celibato dos sacerdotes: I Timóteo 3:2-4 (É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, temperante, sóbrio, ordeiro, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, mas moderado, inimigo de contendas, não ganancioso; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com todo o respeito); 4:1-3 (Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade) – o bispo deve ser casado, proibir o casamento é uma apostasia.
9 – Rezas: Mateus 6:7 (E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos) – sem comentários.
10 – Quaresma: I Timóteo 4:1,3-5 (Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios... ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade; pois todas as coisas criadas por Deus são boas, e nada deve ser rejeitado se é recebido com ações de graças; porque pela palavra de Deus e pela oração são santificadas) – proibir alimentos é heresia e apostasia, pode comer carne o dia que quiser, ‘sexta-feira da paixão” inclusive!
11 – Filhos de Deus: João 1:12 (Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus) – nem todos são filhos de Deus! A pessoa é uma criatura de Deus, mas para se tornar filho precisa receber a Jesus e crer no Seu Nome, como Senhor e Salvador, conf. Romanos 10:9 (“Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo”). Não tem essa de “todo mundo é filho de Deus”.
12 – Rezar pelos mortos – há uma passagem em II Macabeus 12:43-46 que parece apoiar esta doutrina: “Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis porque ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas”. Entretanto, é preciso lembrar que doutrinas estranhas vieram sendo acrescentadas ao Cristianismo durante séculos, e muitas tinham como base justamente os livros apócrifos: velas, oferendas nos túmulos, rezas repetitivas, clero diferenciado, etc. 
A palavra “apócrifo” originalmente significava “oculto”, mas com o tempo, passou a significar “espúrio, estranho”. Os livros apócrifos, ao contrário dos “canônicos”, não são considerados de inspiração divina, nem mesmo por alguns de seus autores, tanto que nunca foram citados por Jesus nem pelos apóstolos. Só vieram a fazer parte da Bíblia editada pelo Vaticano após o concílio realizado na cidade de Trento, Itália, entre 1545 e 1563, com parte do movimento conhecido como Contra Reforma (o nome já diz tudo). E nesse contexto, os “sábios” romanistas se saíram com esta explicação: “O general Judas Macabeu (160 a.C.), herói do povo judeu, faz uma grande coleta e a envia para Jerusalém, para que os sacerdotes ofereçam um sacrifício de expiação pelos pecados de alguns soldados mortos. Fica claro no texto que os judeus oravam pelos seus mortos e por eles ofereciam sacrifícios. Fica claro também que os sacerdotes hebreus já naquele tempo aceitavam e ofereciam sacrifícios em expiação dos pecados dos falecidos. E que esta prática estava apoiada sobre a crença na ressurreição dos mortos. Subentende este texto que as almas dos soldados mortos, estavam em algum local ou ‘estado’ de purificação, pois se estivessem nos céus, as orações dos vivos eram desnecessárias, e se, por outro lado estivessem no inferno, toda oração seria inútil. E como o livro dos Macabeus pertence ao cânon dos livros inspirados, aqui também está uma base bíblica para a oração em favor dos falecidos” (ênfase acrescentada). Faltou o ilustre exegeta lembrar que muitas práticas dos judeus não são usadas hoje em dia, e que eles também criam em fantasmas, acreditavam que o Messias iria ser um libertador político, e muitas outras coisas que a igreja católica não ensina. Porque adotar justamente uma entre várias crendices populares e elevá-la ao nível de dogma inquestionável? Porque justifica um rio de dinheiro que corre do bolso dos enlutados diretamente para os cofres de Roma! Faltou também mostrar que a posição protestante de não se orar pelas almas dos mortos está explicada no texto acima: “se estivessem nos céus, as orações dos vivos eram desnecessárias, e se, por outro lado estivessem no inferno, toda oração seria inútil”.
Vê-se como um pequeno texto retirado de um livro não-autorizado pretende justificar todo um sistema doutrinário, o qual pode levar à perdição eterna, com base em uma esperança vã, incluída só de pirraça no Cânon Sagrado. A doutrina do purgatório só foi oficializada no reinado do “papa” Gregório, por volta do ano 593 d.C. Ou seja, antes disso, para onde iam as almas mezzo-salvas/mezzo-perdidas?
Irineu de Lyon, que viveu aproximadamente entre os anos 130 e 200 d.C., já havia alertado: “O erro nunca se apresenta em toda sua nua crueza, a fim de não ser descoberto. Antes, veste-se elegantemente, para que os incautos creiam que é mais verdadeiro do que a própria verdade”.
Eu só acrescentaria:

Doa a quem doer.

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