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domingo, 8 de maio de 2016

Se Jesus fosse católico...

...A última ceia com os apóstolos teria sido diferente. Ele não teria partido o pão, mas distribuiria pequenos biscoitos redondos de massa finíssima e teria dito para os apóstolos não morderem, mas deixarem derreter na boca. E depois pegaria o cálice de vinho e beberia sozinho, sem dar nada para ninguém, estragando todo o simbolismo da cerimônia. (Lucas 22:17-20; I Coríntios 11:23-25)
Se Jesus fosse católico, não teria dito ao ladrão na cruz ao lado que estaria com ele no Paraíso naquele mesmo dia. Pelo contrário, teria afirmado que, por não ter sido batizado e portanto ser um pagão, o ladrão teria que cumprir uma longa jornada no purgatório, para só então pode ser purificado – pelo fogo, não pelo sangue que estava sendo derramado naquela mesma hora – e então, talvez, ser admitido no céu. (Lucas 23:43; I João 1:7)
Se Jesus fosse católico, teria dito também que, para garantir a entrada no céu, a família do ladrão deveria mandar rezar uma missa de corpo presente, antes do seu sepultamento. Depois de uma semana, mandariam rezar uma missa de sétimo-dia. O mesmo procedimento deveria ser feito após um mês e após um ano da morte do coitado. E todos os anos, no dia de finados, eles deveriam ir rezar pela alma do condenado. Assim talvez ele entrasse no céu.
Se Jesus fosse católico, nunca teria afirmado que tudo que pedíssemos em Seu Nome receberíamos, mas sim que deveriam esperar que todos os apóstolos morressem, e só então, os devotos poderiam começar a rezar para os falecidos apóstolos para que eles, mesmo mortos, recolhessem as preces e as levassem a Jesus. Talvez, alguns pedidos mais simples fossem atendidos pelos próprios apóstolos defuntos, outros seriam distribuídos aos santos - igualmente finados - como numa repartição pública; e os casos mais complicados seriam atendidos só mesmo depois de levados à sua santa mãe. Jesus mesmo só em último caso, pois Ele estaria sempre muito ocupado. (João 14: 13, 14; 16:23)
Se Jesus fosse católico, de forma alguma teria entrado em Jerusalém montado num jumento, mas sim numa carruagem moderna,  toda pintada de branco, com uma cabine de vidro à prova de flechas, doada pelo melhor fabricante de carruagens de todo o império romano. (Mateus 21:1-15)
Se Jesus fosse católico, não teria repreendido Pedro dizendo “para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens”; ele teria seguido à risca o palpite do apóstolo e não teria ido a Jerusalém morrer por todos nós. Ele teria dito a Pedro: “sim, santo padre, perdoai minha fraqueza”. (Mateus 16:23)
Se Jesus fosse católico, Ele diria claramente que a pedra de esquina sobre a qual se ergueria a Igreja era Pedro. (Mateus 16:16-18). Aliás, se Jesus fosse católico, Ele teria se ajoelhado diante de Pedro e beijado os seus pés.
Se Jesus fosse católico, não existiria Cristianismo, porque Ele teria obedecido todos os ditames do antigo Judaísmo, para não causar nenhum cisma na religião de seus pais. Afinal, o Judaísmo era mais antigo, mais tradicional e mais conhecido. Ele nascera no Judaísmo tradicional e portanto, morreria no Judaísmo tradicional, ensinando o Judaísmo tradicional. Ele não poderia se sujeitar a ser chamado de cismático. (Mateus 5:22, 28, 32, 34, 39, 44 etc.)
Se Jesus fosse católico, não diria que o maior deve servir ao menor. Mas ao contrário, Ele estabeleceria uma escala entre os apóstolos, sendo Pedro o chefe e os demais seus subordinados, numa espécie de colégio apostólico de rígida hierarquia. (Marcos 10:42-45)
Se Jesus fosse católico, nunca teria confrontado os escribas e fariseus, porque eles seriam os guardiões da Palavra escrita, e graças a eles as Escrituras eram preservadas através dos séculos. Quem era aquele simples carpinteiro para questionar o Sagrado Magistério, a quem cabia ler e interpretar a Lei e os Profetas? (Mateus 5:22, 28, 32, 34, 39, 44 etc.)
Se Jesus fosse católico, jamais diria que os fariseus pecavam por darem mais valor às tradições humanas do que às Escrituras. Pelo contrário, ele os exaltaria como exemplo de manutenção de usos e costumes sem nenhuma relação com a Palavra de Deus. (Mateus 15:1-9; Marcos 7:1-13)
Se Jesus fosse católico, nunca teria dito a Maria “que tenho eu contigo?”, mas pediria a ela orientação de como agir naquela situação. E Maria nunca teria dito às pessoas “fazei tudo o que Ele vos disser”, mas teria ela mesma dado instruções para que o milagre fosse concretizado. (João 2:4, 5)
Se Jesus fosse católico, Ele não teria irmãos e irmãs, mas sim primos e primas. (Marcos 6:3)
Se Jesus fosse católico, não afirmaria que “o que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai” (Mateus 15:11; Marcos 7:15, 18-20). Ele teria dito que deveríamos observar dias em que não deveríamos comer carne, apenas peixe. (Lucas 5:33-34)
Se Jesus fosse católico, Ele teria dado o exemplo e seria o primeiro a chamar Pedro de “nosso papa”, e jamais teria afirmado que não deveríamos chamar ninguém de “pai”, a não ser Deus, que está nos céus. (Mateus 23:9)
Se Jesus fosse católico, ele teria sim onde recostar sua cabeça. Ele moraria num palácio bem ao lado do seu grande templo, com apartamentos privativos e uma sacada de onde falaria às multidões nos dias santos. Além disso, teria um castelo de verão para passar as férias, num local mais afastado e tranquilo. (Mateus 8:20)
Se Jesus fosse católico, Zaqueu não teria distribuído aos pobres o que roubara, mas teria doado tudo à santa e una igreja de Jesus como prova de submissão e penitência, e depois de raspar a cabeça, se tornaria um monge descalço que sobreviveria de esmolas. (Lucas 19:1-10)
Se Jesus fosse católico, nunca diria aos discípulos que eles seriam perseguidos, açoitados e levados a interrogatório diante dos reis e governantes deste mundo, mas profetizaria que eles seriam honrados pelos homens, levantados como líderes mundiais, como atalaias de nações e conselheiros de reis, para governar em nome de Deus. Diria que eles seriam os representantes de Deus na Terra, e como tais, teriam o direito divino de coroar e destronar reis e presidentes. (Marcos 13:9)
Se Jesus fosse católico, não pregaria nas sinagogas, nas praias e debaixo de árvores, mas sim no púlpito de bronze da recém-inaugurada sede mundial da “Igreja Una, Apostólica e Ecumênica”, ricamente decorada em mármore e pedras preciosas, construída com as ofertas dos fiéis e bens saqueados dos infiéis, incluindo ouro e prata das colônias e obras de arte de todos os cantos da Terra, sem falar nas doações dos governantes que quisessem ficar de boa com Ele.
Se Jesus fosse católico, nunca diria que não devemos nos assemelhar aos gentios (Mateus 6:8), nem que devemos ser sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13-16). Pelo contrário, ele diria que poderíamos continuar festejando aos deuses das nações idólatras, apenas mudando o nome deles para o nome dos mártires cristãos. Com isso teríamos um ano inteiro de dias santos e um calendário litúrgico com instruções especiais para cada festa.
Se Jesus fosse católico, ele defenderia a isenção de impostos para os líderes religiosos e seus templos (afinal, “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”). Com isso teria direito a um terreno no melhor lugar de cada cidade destinado à construção de um templo, nem que fosse ocupando o lugar de culto das outras religiões.
Se Jesus fosse católico, teria abençoado as galés romanas em suas missões de invasão em outros territórios, com a garantia de que os povos e países dominados fossem submetidos à fé cristã, e Roma deveria ter ciência de que era apenas beneficiária da terra que seria, de fato, posse de Cristo.
Agora, cá pra nós, se Jesus fosse católico, com toda certeza Ele reivindicaria a participação dos cristãos no Senado imperial. Ele diria no palanque, sob aplausos, que “a voz do povo é a voz de Deus”, e que um país só pode prosperar se for governado por pessoas justas e tementes a Deus.

Certamente, se Jesus fosse católico, não sofreria tanto.
Se Jesus fosse católico, ele não morreria por mim e por você. Em vez disso, Ele nos mandaria fazer milhares de penitências para pagarmos o nosso débito com Deus.

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sexta-feira, 11 de março de 2016

Três coisas que muitos pensam estar na Bíblia...



... Mas não estão!

Todo mundo conhece a Bíblia, ou pelo menos deveria. Afinal, ela é o livro mais famoso da História, assim como o vendido e o mais roubado no mundo, e existem traduções dela em mais de 2,4 mil línguas. No entanto, são poucos os que realmente conhecem a Bíblia e o seu conteúdo profundamente. Tanto que não faltam mal-entendidos com respeito aos textos e às suas interpretações, e, como você verá a seguir, inúmeras coisas que muita gente pensa estar nas Sagradas Escrituras não estão!  
1 - O purgatório. Basicamente, a ideia é de que os bons vão para o céu, os maus para o inferno e os “mais ou menos” vão passar uma temporada no Purgatório para purificar suas almas antes de serem despachados para o “andar de cima”. No entanto, embora esse lugarzinho sombrio seja pra lá de popular entre os seguidores do catolicismo, na Bíblia não existe nenhuma descrição literal sobre ele. 
Na realidade, a existência do purgatório foi introduzida no século XVI pelo Concílio de Florença como forma de explicar aos fiéis o que acontece com aqueles que morrem e não se qualificam imediatamente para ir para o paraíso - ou para o inferno - porque, apesar de terem sido boas pessoas, eles precisam ser submetidos a um período de punição para se livrar de todos os pecados que cometeram em vida. Uma baita heresia, porque a Bíblia explica que a salvação não é pelas obras, mas pela graça de Deus. Ver Efésios 2:8-9 (“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”); Atos 15:11 (“Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também”); e Romanos 3:24 (“sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”). Mais claro do que isso, impossível. 
A lenda do purgatório surgiu porque a Bíblia não trata da questão de para onde foram as almas das pessoas tementes a Deus que perderam suas vidas antes da vinda de Cristo, nem do que acontece com os bebês que faleceram sem batismo (veja este link sobre batismo infantil). Nesse caso, inventaram ainda outro purgatoriozinho “light”, chamado “limbo”, que seria o lugar que abriga essas almas “perdidas” antes do advento de Cristo e as crianças falecidas. Esse negócio foi absorvido pelo catolicismo, e também surgiu após a Bíblia ser escrita. Resumindo: se você precisa se purificar (“purgar”) pelo fogo, ou pelo sofrimento, ou por qualquer outro meio que não seja o Sangue de Jesus, então o sacrifício Dele na cruz foi incompleto, insuficiente, incapaz de salvar. Cristo então teria falhado em Sua missão! 
2 - A prostituta Maria Madalena. Quem nunca ouviu a história de Maria Madalena, a prostituta que encontrou Jesus e, após se arrepender de seus pecados, pediu perdão e se tornou uma de Suas mais fiéis seguidoras? Ela é um dos mais famosos personagens bíblicos e, segundo muitos acreditam (especialmente os que leram “O Código Da Vinci” de Dan Brown), Maria Madalena foi a única “apóstola” mulher e favorita de Cristo - dando origem a lendas do tipo “eles se casaram e até tiveram filhos”. 
Entretanto, apesar de Maria Madalena aparecer na Bíblia como sendo uma discípula - disso não restam duvidas, o nome dela está lá! - em nenhum lugar está escrito que ela foi a única, muito menos que era prostituta. Aparentemente, essa história surgiu depois que a pobre mulher começou a ser confundida com outras personagens bíblicas que também se chamavam Maria. E, como você deve saber, não faltam Marias nas Sagradas Escrituras.
Uma das teorias é que, por conta de tantos personagens com o mesmo nome - sem falar das muitas mulheres não identificadas que aparecem na Bíblia - Maria Madalena acabou se transformando em um emaranhado de todas elas. E, para complicar ainda mais a situação, o “papa” Gregório I declarou que Maria Madalena era a mesma mulher que todas as demais chamadas Maria que aparecem nas Sagradas Escrituras, exceto pela mãe de Jesus. Para você como esses “infalíveis” falam e fazem besteiras há séculos...
 
Revendo as evidências da Bíblia, fica claro que Maria Madalena é identificada como pecadora - mas os textos não especificam se, com “pecadora”, ela era prostituta. Essa dedução é por conta de cada um. E por que a Igreja teria deixado que ela ficasse conhecida dessa forma? Alguns estudiosos acreditam que isso ocorreu porque a instituição queria usar as poucas e confusas “sugestões” sobre Maria Madalena para manter as mulheres fora do clero.
As passagens que dão alguns poucos detalhes sobre Maria Madalena dizem que “algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios” (Lucas 8:2, confirmado por Marcos 16:9). Depois é narrado que Jesus apareceu a ela depois de ressurreto, mais nada.
3 - Sete pecados capitais. Gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e soberba (ou vaidade). Todo mundo já ouviu falar a respeito dos sete pecados capitais, ou seja, as piores transgressões que podemos cometer. No entanto, apesar de eles serem super-famosos - e tão conhecidos como os Dez Mandamentos - em sua forma atual, eles não se encontram na Bíblia. Pode procurar, se você quiser! 
Se você parar para pensar, os sete pecados consistem em condições humanas bem comuns - e difíceis de evitar - e essa classificação de “vícios” (por assim dizer), surgiu antes do cristianismo. A listinha foi tomada emprestada pela Igreja Católica durante a Idade Média e levemente reformulada para que ela pudesse ser utilizada com o objetivo de proteger, educar e controlar os fiéis.
Assim, primeiro no século IV, o teólogo e monge grego Evágrio do Ponto apresentou uma lista contendo oito pecados (gula, avareza, luxúria, ira, melancolia, preguiça, orgulho e vanglória) e, mais tarde, no século VI, o “papa” Gregório I definiu uma nova classificação, que consistia em sete crimes — orgulho, inveja, ira, indolência, avareza, gula e luxúria.
Depois, no século XIII, Tomás de Aquino propôs que a transgressão da melancolia fosse substituída pela preguiça, e foi então que a lista tomou a forma como conhecemos hoje em dia. Mas os sete pecados só foram se tornar famosos pra valer depois da publicação da “Divina Comédia” de Dante, que divide o inferno em sete círculos que correspondem aos crimes capitais.
Vale mencionar ainda que o “papa” Bento XVI sugeriu a inclusão de sete pecados modernos, que seriam: a pressa, a manipulação genética, ser muito rico, usar drogas, causar injustiça social, interferir no meio ambiente e causar a pobreza.
O que eu posso dizer a você é: melhor largar mão dessas superstições que, embora surgidas de boas intenções, mais atrapalham do que ajudam. Fique só com a Bíblia e jogue fora lendas, mitos e tradições humanas.


Fontes
VIA – BLOG VOCÊ SABIA?

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O que está por trás dos dias de

A igreja católica romana tem como premissa o culto aos chamados “santos”, pessoas virtuosas que são “canonizadas” após a morte e, por estarem próximos a Deus, poderiam realizar milagres. O Brasil, apesar de ser considerado o país mais católico do mundo (cerca de 64% da população, segundo pesquisa), só tem dois “santos” nativos; mas, além do montão dos canonizados oficialmente, existem inúmeros outros, como a alegada “padroeira”. Para homenagear essa santaiada toda é que existe o dia “de todos os santos”.
Através dessa comemoração Roma pretende aproximar seus fiéis de Deus, com o seguinte arrazoado: como os “santos” foram pessoas de carne e osso, que tiveram condutas exemplares, todos têm potencial para tornarem-se santos. A “homenagem aos santos” geralmente é no dia do aniversário de suas mortes, mas como há mais “santos” do que dias no ano, os menos famosos que caem na mesma data de um “best-seller” acabam ofuscados. Para resolver esse problema, o “papa” Bonifácio IV criou uma espécie de aniversário coletivo, para acender velinha para todo mundo numa batelada só. Isso foi no século VII, e a data escolhida foi 13 de maio. No século seguinte, mais precisamente no ano 835, o “papa” da hora, Gregório III, atropelou a norma que diz que o “papa” é infalível em assuntos eclesiásticos, decretou que Boni 4 estava errado e o certo era 1º de novembro.
Dizem os historiadores – veja bem, não sou eu que estou dizendo, depois não digam que estou acusando, fazendo fofoca, intriga, que sou “cismático” etc. – historiadores afirmam que o principal objetivo da mudança da data foi para que ela passasse a coincidir com o Samhain – o ano-novo dos bruxos (que deu origem ao Halloween), e dessa forma atrair pagãos (possíveis novos fiéis) para a fé católica. Para o 13 de maio colocaram Maria no lugar, e de quebra disseram que esse agora era o dia “das mães”.
Como dizia uma lenda, no 1º de novembro demônios e espíritos malignos andavam livres pelo mundo, voltando às regiões abissais à meia-noite do “finados”. Assim o dia “das bruxas”, Halloween, como véspera “de todos os santos”, seria uma espécie de preparação para enfrentar e repelir o mal no dia seguinte. Confira a informação aqui. E assim a crença da “volta dos mortos” foi incorporada (hum hum mizinfi!) ao folclore católico, como veremos adiante.
Essa celebração mezzo-cristã/mezzo-pagã – como, aliás, é a maioria das festas católicas, um mix de cristianismo com paganismo, doa a quem doer – aproveita e homenageia a granel todos que “morreram em estado de graça” e não foram canonizados, e portanto, não têm um dia específico. Aliás, vou escrever um artigo sobre como surgem as crendices que transformam personagens bizarros e lendários em “santos” (como estes dois aqui), e como a igreja católica acaba patrocinando esquisitices, aceitando misturas até com religiões africanas. Aguarde que tem mais.
Olha só que curioso: em Portugal, no dia “de todos os santos”, crianças saem à rua a pedir o “pão-por-Deus” de porta em porta, recitando versos e recebendo em troca pão, broas, bolos e frutas como nozes, amêndoas e castanhas, que guardam em sacolas. Lembra alguma coisa? É também costume em algumas regiões oferecerem um bolo, o “Santoro”, e nesses lugares a data também é conhecida como “dia dos bolinhos”.
“Todos os santos” não é feriado, mas muitos tiram o dia para ir a “missas especiais” em honra dos “santos”, e até aproveitam para dar uma esticada ao cemitério limpar sepulturas, levar flores e aprontar tudo para o dia seguinte, 2 de novembro, “finados”.
Assim, vemos que o dia “de finados” é mais um resultado da mixórdia católica que, desde longa data, vem bolando estratégias de marketing para atrair e manter fiéis a qualquer custo. Mesmo que o crescimento numérico comprometa a sã doutrina – e agora os neo-evangélicos adotam essa tenebrosa barganha: desde a fusão da igreja cristã ao Estado romano, foram adotados crenças estranhas e costumes de vários povos. Rezar pelos antepassados junto aos seus túmulos é apenas um exemplo: no século XI isto foi oficializado pelos “papas” Silvestre II, João XVIII e Leão IX. Eles disseram que era para dedicar um dia por ano aos mortos, e o 2 de novembro foi institucionalizado a partir do século XIII como o dia “dos finados”.
Desde então as pessoas vão ao cemitério levar flores, acender velas, rezar pelos defuntos, em missas em nome dos falecidos – um grande negócio para a igreja, pois essas missas costumam ser cobradas, não são baratas, e como todo mundo quer seus parentes livres do “purgatório”, imagine só a indústria de exploração da fé que se formou. Por isso os homens de preto mantêm como pilar sagrado esse “purgatório”, pois no dia que o povo descobrir que é uma balela sem fundamento bíblico, a casa cai. E com ela o comércio paralelo de velas, flores, lanches, terços, imagens, bibelôs, enfeites, camisetas, cartõezinhos... um lucro enorme vai para o saco.
Vela, por exemplo, uma bobagem. Os católicos crêem que o testemunho daquele que morreu fica como luz acesa no coração de quem continua a peregrinação. Por isso acendem velas no dia “de finados”, para celebrar e perpetuar a luz do falecido.
No México fazem uma verdadeira festa e preparam um banquete. Segundo a tradição, nos dias 1º e 2 de novembro, Deus deixa os mortos visitarem seus familiares ainda vivos, e lhes permite comer e beber aquilo de que mais gostavam. No dia 1º chegam as crianças falecidas, e por isso chamam a data de “dia dos santos inocentes”: preparam um altar com doces, brinquedos e velas para iluminar o seu caminho de volta à terra. No dia 2 chegam os adultos. Para ter a certeza de que encontrarão o caminho do cemitério até suas casas, espalham pétalas de flores e velas pelas ruas. No altar preparado pela família, o morto encontrará as oferendas feitas pelos seus parentes, com os seus pratos favoritos em vida. 
Se isso é cristianismo, então danou-se.
A igreja católica aceita tudo isto como válido, e é por isso que eu digo que ela não é cristã. Ou uma coisa, ou outra. A base do ensino cristão é a Bíblia, e a Bíblia não ensina nada disto! Pelo contrário, somos instruídos a evitar esse tipo de mistura:
Nada de orações a quem já morreu: “Não vos voltareis para os que consultam os mortos nem para os feiticeiros; não os busqueis para não ficardes contaminados por eles. Eu sou o Senhor vosso Deus” (Levítico 19:31);
[não haverá entre vós] nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos (Deuteronômio 18:11).
Devemos seguir um único caminho: “E Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; mas se Baal, segui-o” (I Reis 18:21);
“O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Deuteronômio 30:19);
“Vós sabeis que, quando éreis gentios, vos desviáveis para os ídolos mudos, conforme éreis levados” (I Coríntios 12:2).
Nada de oferecer coisas a mortos: “Nós pecamos, como nossos pais; cometemos a iniqüidade, andamos perversamente. Nossos pais não atentaram para as tuas maravilhas no Egito, não se lembraram da multidão das tuas benignidades; antes foram rebeldes contra o Altíssimo junto ao Mar Vermelho... Também se apegaram a Baal-Peor, e comeram sacrifícios oferecidos aos mortos. Assim o provocaram [a Deus] à ira com as suas ações; e uma praga rebentou entre eles... se misturaram com as nações, e aprenderam as suas obras (Salmo 106:6, 7, 28,29, 35).
Não invente “rainha do céu” nem ofereça “homenagens”: “Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha para fazerem bolos à rainha do céu, e oferecem libações a outros deuses, a fim de me provocarem à ira (Jeremias 7:18).
Deus abomina os ídolos – e no fundo, esses “santos” são ídolos: “... porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos entre vós, e como vos convertestes dos ídolos a Deus, para servirdes ao Deus vivo e verdadeiro” (I Tessalonicenses 1:9);
“Os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras das suas mãos, para deixarem de adorar aos demônios, e aos ídolos de ouro, de prata, de bronze, de pedra e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar (Apocalipse 9:20).
Quer mais? Clique aqui.

Insistir nessas práticas é querer inimizade com Deus.
Doa a quem doer.

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domingo, 3 de abril de 2011

Por que não sou católico (final)

Já recebi as primeiras cacetadas romanistas, dizendo que eu deveria tirar primeiro o argueiro do meu olho. Bem, se não  perceberam, é o que tenho feito nesses dois anos e tal de blog. 
Descemos a borduna a torto e a direito, à destra e à sinistra, em tudo aquilo que se desvia da Palavra. É por isso, aliás, que o blog tem o nome que tem. Basta ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, para resumir. E como as penitências da “semana santa” se avolumam e já se sente o cheiro de vela no ar, prossigamos na análise fria da ideologia romana, doa a quem doer. Só pra constar, incompetente é quem lê e não entende, olha e não enxerga; deve ser pelo tamanho da trave... Assim, sem mais delongas, liguemos a escavadeira e arranquemos a trave dos olhos católicos, porque o meu argueiro já foi pro espaço:
3 – Maria: João 2:5 (Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser); 3:13 (Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem); Lucas 1:38 (Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela), 46, 47 (Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador);
Atos 4:11, 12 (Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos); I Timóteo 2:5 (Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem); Romanos 1:25 (pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente); 
8:26 (Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis), 34 (...Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós) – lição prática: Maria foi escolhida para ser a mãe carnal do Salvador, mas ela própria carecia dessa salvação; disse que nós O obedecêssemos em tudo, não é mediadora e nem intercessora junto ao Pai, e como criatura, não deve receber adoração que só é devida ao Criador.
4 – Procissões: Isaías 45:20 (Congregai-vos, e vinde; chegai-vos juntos, os que escapastes das nações; nada sabem os que conduzem em procissão as suas  imagens de escultura, feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar) – lição prática: o versículo é explícito!
5 – Missa: Hebreus 9:24-26 (Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo); 
10:11-12 (Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados; mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus) – lição prática: o sacrifício de Jesus foi único e suficiente, não precisa ser repetido todos os dias!
6 – Purgatório: Lucas 16:19-23 (Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente. Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras; o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras. Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio); 
23:39-43 (Então um dos malfeitores que estavam pendurados, blasfemava dele, dizendo: Não és tu o Cristo? salva-te a ti mesmo e a nós. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça; porque recebemos o que os nossos feitos merecem; mas este nenhum mal fez. Então disse: Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso); 
Hebreus 9:27 (E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo...) – os textos deixam claro que não há local intermediário entre o céu e o inferno. Ademais, se houvesse, era para lá que o ladrão deveria ter ido, pois não houve tempo para “purgar” todos os seus crimes; mas não, Jesus disse que ele iria direto para o Paraíso, naquele mesmo dia!
7 – Salvação e boas obras: Efésios 2:5,8-9 (estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo - pela graça sois salvos - ... Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie); Romanos 5:1-2; 10:9 (Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus... Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo) – mais claro que isso, impossível: a salvação independe das obras, mas é pela graça de Deus somente (graça significa algo que não se faz por merecer).
8 – Celibato dos sacerdotes: I Timóteo 3:2-4 (É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, temperante, sóbrio, ordeiro, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, mas moderado, inimigo de contendas, não ganancioso; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com todo o respeito); 4:1-3 (Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade) – o bispo deve ser casado, proibir o casamento é uma apostasia.
9 – Rezas: Mateus 6:7 (E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos) – sem comentários.
10 – Quaresma: I Timóteo 4:1,3-5 (Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios... ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade; pois todas as coisas criadas por Deus são boas, e nada deve ser rejeitado se é recebido com ações de graças; porque pela palavra de Deus e pela oração são santificadas) – proibir alimentos é heresia e apostasia, pode comer carne o dia que quiser, ‘sexta-feira da paixão” inclusive!
11 – Filhos de Deus: João 1:12 (Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus) – nem todos são filhos de Deus! A pessoa é uma criatura de Deus, mas para se tornar filho precisa receber a Jesus e crer no Seu Nome, como Senhor e Salvador, conf. Romanos 10:9 (“Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo”). Não tem essa de “todo mundo é filho de Deus”.
12 – Rezar pelos mortos – há uma passagem em II Macabeus 12:43-46 que parece apoiar esta doutrina: “Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis porque ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas”. Entretanto, é preciso lembrar que doutrinas estranhas vieram sendo acrescentadas ao Cristianismo durante séculos, e muitas tinham como base justamente os livros apócrifos: velas, oferendas nos túmulos, rezas repetitivas, clero diferenciado, etc. 
A palavra “apócrifo” originalmente significava “oculto”, mas com o tempo, passou a significar “espúrio, estranho”. Os livros apócrifos, ao contrário dos “canônicos”, não são considerados de inspiração divina, nem mesmo por alguns de seus autores, tanto que nunca foram citados por Jesus nem pelos apóstolos. Só vieram a fazer parte da Bíblia editada pelo Vaticano após o concílio realizado na cidade de Trento, Itália, entre 1545 e 1563, com parte do movimento conhecido como Contra Reforma (o nome já diz tudo). E nesse contexto, os “sábios” romanistas se saíram com esta explicação: “O general Judas Macabeu (160 a.C.), herói do povo judeu, faz uma grande coleta e a envia para Jerusalém, para que os sacerdotes ofereçam um sacrifício de expiação pelos pecados de alguns soldados mortos. Fica claro no texto que os judeus oravam pelos seus mortos e por eles ofereciam sacrifícios. Fica claro também que os sacerdotes hebreus já naquele tempo aceitavam e ofereciam sacrifícios em expiação dos pecados dos falecidos. E que esta prática estava apoiada sobre a crença na ressurreição dos mortos. Subentende este texto que as almas dos soldados mortos, estavam em algum local ou ‘estado’ de purificação, pois se estivessem nos céus, as orações dos vivos eram desnecessárias, e se, por outro lado estivessem no inferno, toda oração seria inútil. E como o livro dos Macabeus pertence ao cânon dos livros inspirados, aqui também está uma base bíblica para a oração em favor dos falecidos” (ênfase acrescentada). Faltou o ilustre exegeta lembrar que muitas práticas dos judeus não são usadas hoje em dia, e que eles também criam em fantasmas, acreditavam que o Messias iria ser um libertador político, e muitas outras coisas que a igreja católica não ensina. Porque adotar justamente uma entre várias crendices populares e elevá-la ao nível de dogma inquestionável? Porque justifica um rio de dinheiro que corre do bolso dos enlutados diretamente para os cofres de Roma! Faltou também mostrar que a posição protestante de não se orar pelas almas dos mortos está explicada no texto acima: “se estivessem nos céus, as orações dos vivos eram desnecessárias, e se, por outro lado estivessem no inferno, toda oração seria inútil”.
Vê-se como um pequeno texto retirado de um livro não-autorizado pretende justificar todo um sistema doutrinário, o qual pode levar à perdição eterna, com base em uma esperança vã, incluída só de pirraça no Cânon Sagrado. A doutrina do purgatório só foi oficializada no reinado do “papa” Gregório, por volta do ano 593 d.C. Ou seja, antes disso, para onde iam as almas mezzo-salvas/mezzo-perdidas?
Irineu de Lyon, que viveu aproximadamente entre os anos 130 e 200 d.C., já havia alertado: “O erro nunca se apresenta em toda sua nua crueza, a fim de não ser descoberto. Antes, veste-se elegantemente, para que os incautos creiam que é mais verdadeiro do que a própria verdade”.
Eu só acrescentaria:

Doa a quem doer.

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sábado, 9 de maio de 2009

É bíblico o batismo infantil?

A igreja católica administra a seus fiéis os “sacramentos” – batismo, confirmação (ou crisma), confissão/penitência, eucaristia (na “missa” ou comunhão), ordenação (para os sacerdotes), o matrimônio e a extrema-unção.
Segundo o “Catecismo”, os “sacramentos” são "sinais sensíveis e eficazes da graça ... mediante os quais nos é concedida a vida divina” (nº. 224), e “não apenas supõem a fé como também, através das palavras e elementos rituais, a alimentam, fortificam e exprimem. Ao celebrá-los, a Igreja confessa a fé apostólica” (nº. 228).
Os “sacramentos” têm suas justificativas, expressas em compêndios, tratados, concílios e encíclicas, homilias, bulas e outros arrazoados filosóficos pseudo-apostólicos, sem falar em milhões de sermões pretensamente bíblicos.
Na verdade, apenas o batismo e aquilo que os católicos preferem chamar de comunhão (o compartilhamento do pão e do vinho na ceia do Senhor) são bíblicos, e verdadeiramente foram instituídos por Jesus. Mas os homens de preto – sempre eles – cercaram a ceia de misticismo, numa cerimônia extra-bíblica, a “missa”, resolvendo que o vinho é só para o sacerdote; mais uma interpretação diferente da Palavra de Deus. Nem Jesus nem os discípulos celebraram missas, erguendo o cálice, etc. E como no batismo também tinham que inventar alguma coisa, senão não ficariam satisfeitos, passaram a batizar recém-nascidos. Só que não se tem notícia de crianças sendo batizadas na Bíblia.
Para justificar esse costume, usam até textos bíblicos. Afirmam que o carcereiro de Filipos (Atos 16:19-34) foi batizado com “toda a sua casa” e provavelmente havia crianças pequenas, num exercício de imaginação, suposição e presunção, e não com uma exegese ou interpretação correta. Por exemplo, eu posso ir amanhã ao cinema “com toda a minha casa”: eu, minha esposa e meu filho adolescente. Não existe nenhuma “criança pequena” envolvida, como se poderia supor.
Na verdade, batizar crianças começou muito mais tarde, e quem o faz erra redondamente. “Santo” Agostinho, lá pelo ano 400, leu Marcos 16:16 (“O que crer e for batizado será salvo; o que, porém, não crer, será condenado”) e deduziu que as crianças que morressem sem batismo iriam para o inferno. Anselmo pensava que isto não era pior do que o estado de escravidão de crianças filhas de escravos – o que ele considerava razoável. A igreja católica depois suavizou essa doutrina criando, além do “purgatório”, um “departamento especial” para abrigar crianças falecidas sem batismo! Elas iriam para o tal “limbo” (infernus puerorum), e não para o inferno, e seu único sofrimento seria a dor da perda do paraíso. (Will Durant, in “A Idade da Fé” (História da Civilização, vol. IV), pág. 656, Ed. Record, 2ª edição). O limbo também foi defendido por Gregório, “o Teólogo”, e Tomás de Aquino: um lugar de “felicidade natural”, porém afastado da presença de Deus. Em 1905 Pio X afirmou textualmente que o limbo existia e as almas das crianças não-batizadas estavam lá. Mas, apesar de dizerem que o “papa” é infalível, esse aí vacilou, pois Bento XVI decretou que o limbo foi abolido; não existe mais. Ele acabou com o que nunca existiu; e quem estava lá, agora vai para onde? Vai entender... Desse “vô-num-vô” romanista, devemos sair fora!
O fato é que o Evangelho realmente ensina que “quem não crer será condenado”. Entretanto, criança não tem como exercer fé. Dessa forma, não pode crer nem receber batismo; e por oposição, a criança não pode “não crer” e por isso ser condenada. Basta ler Mateus 19:14 (também Marcos 10:13 e Lucas 18:16), quando Jesus explicou a situação das crianças: “Deixai os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino dos céus”. Ou seja, as crianças têm por assim dizer um “lugar garantido” no céu, até que atingem certa idade e deixam de ser crianças, adquirindo consciência do certo e do errado, do bem e do mal, da virtude e do pecado, exatamente como Adão e Eva. É aí que o homem deixa o estado de inocência, opta por ser independente de Deus e O rejeita; e o contato com Deus só pode ser restabelecido através de Jesus Cristo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, e ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6).
O ato seguinte ao de se reconhecer esta verdade é o batismo. Obviamente, crianças não podem decidir acerca dessas coisas, e por isso Deus providenciou a elas um tratamento diferente. A salvação é individual e depende de decisão pessoal!
“A alma que pecar, essa morrerá... mas se o ímpio se converter de todos os seus pecados que cometeu e guardar os meus estatutos e fizer juízo e justiça, certamente viverá; não morrerá... portanto, eu vos julgarei a cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor Jeová; vinde, e convertei-vos de todas as vossas transgressões, e a iniquidade não vos servirá de tropeço. Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e criai em vós um coração novo e um espírito novo; pois por que razão morreríeis, ó casa de Israel? Porque não tenho prazer na morte do que morre, diz o Senhor; convertei-vos, pois, e vivei” – Ezequiel 18:4, 21 e 30-32; todo o capítulo 18 fala sobre esse assunto). Não tenho como tomar uma decisão por outros, mandando batizar outra pessoa para garantir a salvação dela, e ela depois que “confirme” essa decisão. Isto não é bíblico. Por isso não posso impor a uma criança uma fé que ela talvez não queira exercer mais tarde. Podemos, sim ensiná-la a decidir de acordo com o que é correto (“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e até quando for velha não se desviará” – Provérbios 22:6). Mas não podemos decidir por ela.
Além do mais, o ensino de que o Espírito Santo nos regenera no batismo não tem base bíblica. Não existe Escritura que apóie essa doutrina.
O batismo infantil, que se pretende equivocadamente comparar com a circuncisão, não tem nada a ver. A circuncisão era feita independentemente se os meninos quisessem ou não; além do mais, se fôssemos seguir esse costume não batizaríamos as meninas.... Já o batismo é diferente: a pessoa é quem escolhe ser batizada. E isso só se faz conscientemente; por isto a Bíblia está cheia dos apelos “arrependei-vos” e “convertei-vos”. Pedro, que alguns insistem ter sido “papa”, e outros discípulos, foram unânimes em pregar essa mesma mensagem, cf. Atos 2:38: “Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados”, e 8:35-38: “Então Filipe tomou a palavra e, começando por esta escritura, anunciou-lhe a Jesus. E indo eles caminhando, chegaram a um lugar onde havia água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Felipe: é lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e Filipe o batizou”.
Se você foi batizado(a) quando era recém-nascido(a), sinto muito: não valeu nada. Você não estava crendo em nada naquela hora. Mas aí, por isso os homens de preto criaram mais uma invenção: a “confirmação” ou “crisma”, que também não existe na Bíblia... um abismo chama outro abismo...

DOA A QUEM DOER!