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domingo, 31 de dezembro de 2017

Obituário 2017:


Este é um post triste.
Fala sobre aqueles que não estão mais aqui.
Como ...
1º de janeiro – 13 pessoas durante a festa de réveillon, em Campinas. E outros 39 numa festa de passagem de ano em Istambul, mortas por terroristas vestidos de Papai Noel.
11 de fevereiro, pelo menos 17 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em uma confusão num jogo de futebol em Angola, quando centenas de torcedores irromperam os portões do estádio, depois de não conseguir entrar antes do início da partida. Muitos caíram e foram pisoteados.
Um ano em que houve muitas mortes em atentados.
Jerusalém, em janeiro, quando um caminhão dirigido por um palestino avançou contra soldados israelenses, matando quatro cadetes.
Londres - Em 22 de março de 2017, o britânico Khalid Masood, de 52 anos, atacou pedestres na famosa ponte de Westminster, perto do Parlamento, matando cinco pessoas e ferindo outras 50, até ser morto pela polícia. O ataque foi reivindicado pelo EI.
Estocolmo - Em 7 de abril, um caminhão conduzido pelo uzbeque Rakhmat Akilov, de 39 anos, foi usado para atacar a mais movimentada rua de lojas. Cinco pessoas morreram, incluindo uma menina de 11 anos, e outras 15 ficaram feridas.
Segundo a polícia uzbeque, Akilov havia tentado se juntar ao Estado Islâmico em 2015.
Londres, mais duas vezes - Em 3 de junho, três homens e uma van avançaram contra pedestres nos arredores da London Bridge, deixando oito mortos. Os agressores, também com supostos elos com o EI, foram mortos pela polícia. Dias depois, o britânico Darren Osborne atacou fiéis com uma van perto de uma mesquita no norte de Londres, matando uma pessoa e ferindo 11. Osborne foi indiciado por terrorismo.
Paris, duas vezes - Em 19 de junho, o radical islâmico Adam Dzaziri, de 31 anos, foi morto depois de avançar com seu carro contra uma van policial no Champs-Elysees, na capital francesa. Ninguém ficou ferido. O carro de Dzaziri - que havia jurado lealdade ao EI - estava repleto de armas.  Em 19 de agosto, um argelino de 36 anos, identificado como Hamou B., dirigiu um BMW contra soldados que estavam perto de um mercado em um subúrbio parisiense. Seis pessoas ficaram feridas.
15 de agosto – Charlotsville, Estados Unidos - um nazista branco atropelou uma multidão, deixando 19 feridos e uma mulher morta;
Barcelona – 17 de agosto - um motorista atirou uma van contra uma multidão de pedestres na avenida Las Ramblas, um dos pontos turísticos mais importantes da cidade espanhola. Até a publicação deste texto, a polícia tinha confirmado 15 mortes. Outras cerca de 80 pessoas ficaram feridas, 15 delas com gravidade. As autoridades tratam o incidente como um “atentado terrorista”, e duas pessoas foram presas. Uma agência ligada ao Estado Islâmico afirma que o grupo radical reivindicou responsabilidade pelo episódio, dizendo que ele foi perpetrado por “soldados do EI”.
A crise no sistema prisional brasileiro foi horrível: No dia 1º de janeiro, foram 56 mortos no Compaj, em Manaus. No dia seguinte, mais quatro, em outra unidade prisional do Amazonas. Depois, no dia 4 de janeiro, duas mortes em Patos, no sertão da Paraíba. Dia 6, 33 na rebelião de Boa Vista, em Roraima. Dois dias depois: mais quatro em Manaus, naquela cadeia pública que foi reativada. Também foram dois mortos na Casa de Custódia de Maceió, e dois em Tupi Paulista, no estado de São Paulo. No sábado (14), foram 26 presos mortos na rebelião no Rio Grande do Norte. No mesmo dia, houve mais duas mortes em presídios de Santa Catarina e outras duas em uma penitenciária na região metropolitana de Curitiba. O número de mortes só em janeiro ultrapassou as 111 mortes do Massacre do Carandiru, em São Paulo, em 1992. E no Nordeste, o ano terminou como começou, trágico: pelo menos 12 pessoas mortas na onda de violência que se seguiu à greve dos policiais em Natal (RN).

Entre os famosos, alguns que partiram foram...
Atores: 
3 de janeiro - Vida Alves, atriz e escritora. Ela protagonizou o primeiro beijo da televisão brasileira, com o ator Walter Foster, na novela “Sua vida me pertence”, na TV Tupi, em 1951. Mas não foi a única ousadia de Vida exibido em rede nacional. Em 1963, ela quebrou paradigmas também ao dar o primeiro beijo gay transmitido em rede nacional (em um dos episódios do programa “TV de vanguarda”, também na Tupi). Teve importância crucial por seu trabalho nos bastidores: abrigou, por 13 anos, o Museu da Televisão dentro de sua casa, em São Paulo, onde expunha diversos itens raros dos primórdios da TV no Brasil. Ela fez o caminho natural dos pioneiros da época: começou no rádio e migrou para a TV quando ela começou a se popularizar, participando de várias novelas e programas de humor. Contracenou com grandes nomes como Tarcísio Meira e Eva Wilma. Atuou também no cinema, em filmes como “Paixão tempestuosa”, de 1954, e “A pequena órfã”, de 1973Aos 88 anos, de falência múltipla dos órgãos.
25 de janeiro - Mary Tyler Moore americana, aos 80 anos de idade. Ela estava internada em estado grave em um hospital de Connecticut. Vencedora de um prêmio Emmy, Mary começou a sua carreira na década de 50 em publicidade, mas rapidamente começou a obter papéis mais relevantes na TV até ter sido escolhida para fazer da mulher de Dick Van Dyke, em 1961. A atriz é conhecida como um dos primeiros nomes femininos da televisão americana e seu trabalho de maior destaque foi no “The Mary Tyler Moore Show”, que ficou no ar entre 1970 e 1977. Já no cinema, sua maior atuação foi em “Ordinary People”, quando ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz. Seu último trabalho no cinema foi em “Cheats”, de 2002.
26 de fevereiro - Bill Paxton, que participou de mais de 50 filmes, como “Terminator” (1986), “Titanic” (1997), “Aliens - O resgate” (1983), “Tornado” e “Apollo 13” (1995) e ganhou um Emmy pela participação na série “Hatfields and McCoys”. Aos 62 anos, após complicações em uma cirurgia cardíaca.
25 de abril - Jonathan Demme, cineasta. Nascido no Kansas, em 1944, ainda jovem fez vários filmes como “Celas em Chamas” (1974), “Loucura da Mamãe” (1975), “Pelos Meus Direitos” (1976) e “Nas Ondas do Rádio” (1977). Embora figurasse no âmbito musical e de filmes de humor, foram os filmes sérios que o consagraram. “ O Silêncio dos Inocentes” (1991) é um dos três filmes na história do Oscar a conseguir ganhar as estatuetas nas categorias de melhor diretor, filme, ator, atriz e roteiro. O projeto do ano seguinte, “Filadélfia”, com Tom Hanks e Denzel Washington, jogou luz à problemática epidemia de HIV e garantiu o Oscar para Hanks. Morreu aos 73 anos em Nova York, sucumbindo a um câncer de esôfago e uma doença cardíaca. Ele já havia sido tratado em 2010 e voltou a ter problemas em 2015. Seu mais recente trabalho foi “Ricki and the Flash: De Volta Para Casa” (2015), estrelado por Meryl Streep.
27 de janeiro - John Hurt, aos 77 anos. Ele protagonizou uma das cenas mais icônicas de “Alien: O Oitavo Passageiro”, quando o filhote de xenomorfo explode da barriga de Kane. Já as gerações mais novas o conheceram como o Sr. Olivaras de “Harry Potter”. Em 2013, participou do especial de 50 anos de “Doctor Who”, vivendo a encarnação de guerra do Doutor. Outros papéis marcantes dele foram na adaptação cinematográfica de 1984, “V de Vingança” e “O Homem Elefante”. Seu último trabalho foi na peça “The Entertainer”, em Londres. Hurt foi nomeado Cavaleiro da Ordem Britânica em julho de 2015.
19 de abril - Neuza Amaral, que trabalhou em diversas novelas, como “Irmãos coragem” (1970), “Selva de pedra” (1972) e “Os ossos do barão” (1973). Um de seus primeiros papéis na TV Globo foi em “A grande mentira”, em que viveu uma vilã. Seu último ano ativo na TV foi em 2006, quando participou de “Pé na Jaca”, “Páginas da vida”, “Cobras & lagartos” e “Linha direta”. Neuza Amaral também teve atuação política, chegando a se eleger vereadora no Rio, nos anos 1990. Ela estreou no cinema em 1967, em “A lei do cão”, de Jece Valadão. A partir daí, apareceria em mais de 20 títulos, entre eles “Pra frente, Brasil” (1982), de Roberto Farias, “As duas faces da moeda” (1969), de Domingos Oliveira, e “O que é isso, companheiro?” (1997), de Bruno Barreto.  Aos 86 anos, de embolia pulmonar.

14 de maio - Powers Boothe, conhecido por seus papéis no filme “Sin City” e na série “Agentes da S.H.I.E.L.D”, aos 68 anos de causas naturais. Ganhou um prêmio Emmy em 1980 como melhor ator em série ou especial, por sua atuação como Jim Jones no telefilme “Jim Jones, O Pastor do Diabo”, que conta a história do líder de uma seita que levou milhares de pessoas a cometerem suicídio. Também teve papéis memoráveis como o implacável dono do bar Cy Tolliver em “Deadwood” e o atirador Curly Bill Brocius em “Tombstone”, e atuou no filme britânico “A Floresta de Esmeraldas”, dirigido por John Boorman, em 1985, rodado inteiramente no Brasil com a participação de vários atores brasileiros, como Dira Paes e Gracindo Júnior.
22 de maio - Roger Moore, ator britânico famoso por interpretar James Bond nos anos 60 e 70, morreu na Suíça, aos 89 anos de idade, após uma curta batalha contra o câncer. Moore assumiu o papel do espião mais famoso do mundo após a saída de Sean Connery do papel. Ele atuou em sete filmes, incluindo “O Espião que Me Amava”, “007 contra o Homem com a Pistola de Ouro” e “Octopussy”. Desde 1991 embaixador do UNICEF, foi condecorado, em 1999 como Cavaleiro do Império Britânico por suas ações humanitárias.
9 de junho - Adam West, que usou a icônica fantasia de Batman na série clássica nos anos 1960, aos 88 anos. West, cujo personagem se tornou um dos símbolos da cultura pop, estreou sua carreira artística em 1957, no filme “Voodoo Island”, mas não teve seu nome creditado. Após isso, participou de inúmeros seriados, mas ganhou reconhecimento ao interpretar Batman na série homônima de 1966 a 1968. West parecia não levar muito a sério o personagem, o que fica evidente nas cenas em que ele faz o milionário Bruce Wayne, que vira Batman quando veste a roupa de morcego. Nunca conseguiu sucesso em outro papel, mas acabou imortalizado como o Homem-Morcego. Ao ganhar uma estrela com o nome dele na Calçada da Fama, lembrou que bateu o recorde de ator que representou Batman mais vezes: foram mais de 170. Espirituoso, disse que o sucesso da série se devia ao humor. “Embora não fosse nada engraçado usar a roupa de Batman 18 horas por dia. Coçava muito”, ele brincou.
31 de julho – Sam Shepard, ator, cineasta, escritor, roteirista e autor de teatro, com uma carreira de mais de 50 anos, autor de 44 peças de teatro, contos, ensaios e memórias. No cinema, atuou em “Falcão Negro em Perigo” (2001) e “Os eleitos” (1983), pelo qual recebeu uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante. Sofria de esclerose lateral amiotrófica e morreu em sua casa no Kentucky (EUA), cercado pela família, aos 73 anos.
31 de julho – Jeanne Moreau, com 89 anos, a grande dama do cinema francês, que trabalhou com os maiores diretores da cinematografia francesa, como François Truffaut, Louis Malle e André Téchiné, e foi considerada “a melhor atriz do mundo”, segundo Orson Welles, e a primeira mulher acadêmica de Belas Artes na história da França. Fez parte da nouvelle vague e musa de Luis Buñuel, com quem trabalhou em “O Diário de uma Camareira” (1964). Nascida em 23 de janeiro de 1928, de pai francês e mãe britânica, Jeanne Moreau estreou no teatro em 1947, aos 19 anos, com a peça La Terrasse de Midi, apresentada no Festival de Avignon. Ela integrou a Comédie-Française e participou no primeiro Festival de Avignon em 1947, sob a direção artística de Jean Vilar (ela retornou ao mesmo evento, 60 anos mais tarde). A protagonista de “Jules e Jim – Uma Mulher para Dois” (1962) e de “A Noiva Estava de Preto” (1968), de Truffaut, teve uma ampla trajetória, na qual se destacam, entre mais de cem filmes, longas belíssimos como “A Noite” (1961), de Michelangelo Antonioni, e “Duas Almas em Suplício” (1960), de Peter Brook, que lhe valeu o prêmio de melhor interpretação feminina em Cannes. Atriz poliglota e internacional, que se destacou também como cantora, Jeanne ganhou o César, o Oscar da França, de melhor atriz em 1992 por “La Vieille qui Marchait dans a Mer”, de Laurent Heynemann, e presidiu o júri de Cannes em 1975 e 1995, e também o júri da Seção Oficial do 54º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, em 2006. Em 1998, recebeu um Oscar honorário pelo conjunto de sua carreira das mãos de Sharon Stone. Dez anos depois recebeu um Super César, uma homenagem da Academia de Cinema francesa. Seu talento, beleza fora do comum e voz profunda fascinaram grandes cineastas, como Joseph Losey (“Eva”), Wim Wenders (“Até o Fim do Mundo”) e Orson Welles (“História Imortal”).  Trabalhou até os 87 anos.

Músicos:
18 de março – Chuck Berry, Charles Edward Anderson Berry, compositor, cantor e guitarrista. Embora não se possa garantir que criou o rock and roll sozinho, já que o estilo foi produto de um contexto do pós-guerra nos Estados Unidos e da mistura feita por vários músicos afro-americanos, é considerado um dos pioneiros do estilo justamente por ter feito a mistura funcionar. Foi eleito pela revista Rolling Stone o 5º maior artista da música de todos os tempos e o sétimo melhor guitarrista do mundo. Envolto em polêmicas e problemas com a polícia, encarnava a alma rebelde e contestadora que acompanha o rock desde os primórdios. Ele gravou mais de trinta sucessos a aparecerem no Top Ten, e suas canções ganharam versões de centenas de músicos de blues, country e rock and roll. Entre seus clássicos estão “Roll Over Beethoven”, “Sweet Little Sixteen”, “Route 66”, “Memphis, Tennessee”, “Johnny B. Goode” (que possui provavelmente a mais famosa introdução de guitarra da história do rock), d entre outras. Como exemplo de sua influência, podemos lembrar das bandas inglesas dos anos 60. The Beatles, Animals, Rolling Stones, entre outros, regravaram suas músicas. Os Rolling Stones literalmente basearam seu estilo de tocar rock 'n' roll no dele. Chuck Berry teve seis de suas músicas incluidas na lista das 500 melhores canções de sempre da revista Rolling Stone. “Johnny B. Goode”, é um dos sons humanos levados pelas naves Voyager 1 e 2 para o espaço, caso haja contato com seres extraterrestres. Morreu em sua casa, de causas naturais, aos 90 anos.
23 de abril - Jerry Adriani, um dos grandes ídolos da Jovem Guarda. Nascido em 1947, em São Paulo, Jair Alves de Souza tornou-se conhecido pelo nome de Jerry Adriani em 1964, quando lançou o LP “Italianíssimo” - descendente de italianos, ele aprendeu a cantar em italiano com a avó. No mesmo ano, lançou o álbum “Credi a me”. Mas foi em 1965 que sucesso com “Um grande amor”, seu primeiro disco gravado em português. Na mesma época, Adriani apresentou o programa “Excelsior a go go” pela TV Excelsior. Entre 1967 e 68, apresentou “A grande parada”, na TV Tupi, ao lado de Neyde Aparecida, Zélia Hoffmann, Betty Faria e Marilia Pera, exibido ao vivo e trazendo grandes nomes da MPB. No cinema, o músico fez três filmes como ator/cantor: “Essa gatinha é minha”, “Jerry, a grande parada”, e “Jerry em busca do tesouro”. Ele foi o responsável pela vinda de Raul Seixas para o Rio - eles haviam se tornado amigos em Salvador. “Raulzito e os Panteras” formavam a banda de apoio que tocou com Adriani durante 3 anos. Nos anos 1970, gravou discos e fez shows em países como Venezuela, Peru, Estados Unidos, México e Canadá. Em 1985, lançou “Tempos felizes”, com antigos sucessos da Jovem Guarda, como “Festa de arromba”, “O bom rapaz” e “Quero que vá tudo pro inferno”. Seguiu gravando discos e novelas nos anos 90 e em 2007, gravou seu primeiro DVD, “Jerry Adriani Acústico ao vivo”, também lançado em CD, com releituras de sucessos e canções inéditas. Em 2014 completou 50 anos de carreira com um show com seus maiores sucessos. Jerry tinha 70 anos e sofria de câncer.
30 de abril – Belchior, compositor, cantor brasileiro, nascido na cidade cearense de Sobral, filho de um bodegueiro, 13° entre 23 irmãos, era “apenas um rapaz latino-americano”. Um garoto “sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior”, com audácia para virar, com ironia, a página do Tropicalismo de Caetano Veloso (citado na letra como “um velho compositor baiano”). Com duas canções popularizadas por Elis Regina (“Velha roupa colorida” e “Como nossos pais”) e outras igualmente fortes, como “Sujeito de sorte” e “Como o diabo gosta”), “Alucinação” foi a obra-prima do cantor, disco em que ele exprimiu a urgência do jovem brasileiro entre a violência do estado e o fim dos sonhos de liberdade representados pela revolução contra-cultural. Belchior começou a carreira apresentando-se em festivais de música no Nordeste. Durante certo tempo, fez parte de uma cena de cantores e compositores, o Pessoal do Ceará, junto com nomes como Fagner e Ednardo. Em 1971, inscreveu-se no IV Festival Universitário da Canção, no Rio, e ganhou o primeiro lugar com “Hora do almoço”. O compositor da inquietude da juventude aos poucos cederia ao romantismo e à sensualidade, no LP “Todos os sentidos” (1978) e, no ano seguinte, voltaria a fazer grande sucesso com a canção “Medo de avião”. Em 1982, Belchior lançou o LP “Paraíso”, no qual gravou canções de um Arnaldo Antunes pré-Titãs (“Ma” e “Estranheleza”) e de Guilherme Arantes (“A cor do cacau”). O último disco de canções inéditas de Belchior foi “Baihuno”, de 1993, no qual a pesquisadora da USP Josely Teixeira Carlos afirma que ele fez “um sumário das ideias que apresentou ao longo da carreira, de rapaz latino-americano, ‘baiano’ (uma referência a como os nordestinos são chamados em São Paulo) e ‘huno’ (o povo bárbaro da Ásia Central que migrou para a Europa nos séculos IV e V em busca de novos pastos)”. Depois de um último disco, independente e de regravações, em 2003, Belchior foi se retirando de cena. Em 2006, dividiu o palco com o grupo Los Hermanos (que regravara a sua “A palo seco”) e, três anos depois, fez sua última aparição pública em um show de Tom Zé, em Brasília. Desde então, envolvido com dívidas, ele desapareceu, evitando contato com a imprensa ou com seus fãs. Belchior de rompimento da aorta, em Santa Cruz, no Rio Grande do Sul, onde vivia desde 2000. Tinha 70 anos.
19 de maio - Kid Vinil, cantor, apresentador e radialista, morreu depois de mais de um mês internado. Ele passou mal depois de um show em Conselheiro Lafaiete (MG), e foi levado a um centro médico da cidade. Depois, foi transferido para São Paulo, onde morreu. Antônio Carlos Senefonte, com o apelido Kid Vinil se destacou com trabalhos como cantor, radialista, jornalista, VJ e DJ. Ganhou fama no cenário do rock nacional nos anos 80 com a banda Magazine, ex-Verminose. O Magazine lançou hits como “Tic Tic Nervoso”, “Sou Boy” e “A Gata Comeu”, mas encerrou suas atividades em 2004. Kid saiu e retornou para a banda várias vezes, sempre com projetos musicais paralelos. Em uma dessas idas e vindas, criou o projeto Kid Vinil e os Heróis do Brasil, e por fim se dedicou ao projeto Kid Vinil Xperience, cujo último trabalho, o EP Kid Vinil Xperience, foi lançado em 2014.

Escritores e jornalistas:
12 de janeiro - William Peter Blatty, escritor e cineasta, mais conhecido como o autor do best-seller “O exorcista”, de 1971. Quando foi lançado, em 1971, o livro “ se tornou um sucesso estrondoso e permaneceu durante 57 semanas na lista dos livros mais vendidos do jornal “The New York Times”. Em 1974, Blatty ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de melhor roteiro adaptado quando a história se tornou um filme e, em 1990, escreveu e dirigiu uma das sequências, “O exorcista 3”. Ele morreu aos 89 anos, em Bethesda, nos Estados Unidos, onde morava. Segundo o jornal britânico “The Guardian”, a viúva do autor e cineasta, Julie Alicia Blatty, informou que ele sofria de mieloma múltiplo, um tipo de câncer no sangue.
26 de abril – Carlos Chagas, jornalista, advogado e escritor, um dos nomes mais expressivos do jornalismo brasileiro e professor da Universidade de Brasília (UnB) durante 25 anos. Ao longo de sua carreira, ele passou pelo Estadão, O Globo, SBT, Manchete, RedeTV, CNT, entre outros. No período da ditadura militar, foi assessor de imprensa da Pre¬si-dência da República no governo do general Costa e Silva, e dessa experiência nasceu o livro “A Ditadura Militar e os Golpes Dentro do Golpe: 1964-1969”, onde conta os bastidores do golpe de 1964. Aos 79 anos, de um aneurisma.
29 de dezembro – José Louzeiro, escritor, roteirista e jornalista maranhense. Ele ingressou no jornalismo aos 16 anos de idade, como estagiário e aos 21 mudou-se para o Rio onde trabalhou como repórter policial, em importantes jornais e revistas. Estreou na literatura em 1958 mas o reconhecimento geral veio em 1976, quando lançou “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia”, baseado em casos famosos da crônica policial. Foram quase 40 livros no gênero, entre os quais destacam-se “Infância dos Mortos” (que mais tarde serviu de argumento para o filme “Pixote, a Lei do Mais Fraco”, de Hector Babenco), e “Em Carne Viva” (o drama da estilista Zuzu Angel e de seu filho Stuart, morto pela ditadura militar na década de 70). Além de Pixote, assinou o roteiro de vários filmes, entre os quais “O Homem da Capa Preta”, e diversas novelas. Aos 85 anos em sua residência no Rio de Janeiro.

Atletas e esportistas:
7 de junho - Eduardo Maluf, 61 anos, ex-atleta e ex-diretor de futebol. Passou pelo Cruzeiro, onde foi um dos organizadores do time que conquistou 13 títulos - dentre eles, campeão brasileiro e da Copa do Brasil, e pelo Atlético, onde conquistou 8 títulos. No primeiro semestre de 2016, Maluf foi diagnosticado com câncer no estômago. Ele precisou se submeter a um tratamento intensivo de quimioterapia, tentou voltar a suas funções no Atlético mas sucumbiu à doença em Belo Horizonte, onde morava.
23 de julho - Waldir Peres, ex-goleiro do São Paulo e da Seleção Brasileira, entre as décadas de 70 e 80. Considerado pela imprensa paulista um dos goleiros mais importantes do futebol brasileiro, era apenas mediano e engoliu um frango homérico na estréia do Brasil na Copa de 1982. Defendeu o São Paulo de 1973 a 1984 e a seleção brasileira em três Copas do Mundo (1974, 1978 e 1982). Passou por América-RJ, Guarani, Corinthians, Portuguesa, Santa Cruz e Ponte Preta, onde pendurou as chuteiras em 1989. Em 11 anos de São Paulo, Waldir fez 617 partidas, ficando atrás apenas de Rogério Ceni como atleta com mais atuações pelo clube. Em 1991, ele iniciou sua carreira de treinador, comandando o São Bento, de Sorocaba. Nunca vingou nesta função, em times modestos do interior, sem destaque. Entre seus títulos mais importantes estão o Brasileirão de 1977 e quatro conquistas do Paulistão, sendo três pelo São Paulo e uma pelo Corinthians. Longe do futebol há alguns anos, Waldir Peres tentou se eleger vereador pela cidade de São Paulo em 2016, mas não conseguiu - no pleito, ele recebeu apenas 1.341 votos. Depois de se aposentar dos gramados no fim da década de 80, o ex-goleiro tentou a carreira de treinador, mas não conseguiu trabalhar em clubes de grande expressão. Ele deixa dois filhos e uma filha. Ele sofreu um infarto fulminante. Tinha 66 anos.

Religiosos:
1ºde junho - Severino Vilarindo Lima, pastor evangélico. Pernambucano, enfrentou dificuldades na infância, e passou por fome e maus tratos nas ruas. Acolhido pela dona de uma alfaiataria, aprendeu a costurar e trabalhou na oficina de confecção até ingressar na Marinha, aos 18 anos, em Natal. Para garantir sua permanência nas Forças Armadas, ocultou dos superiores seu casamento. Convertido ao Evangelho, ministrava cultos e formou-se em administração e jornalismo. Anos depois, o presidente Geisel solicitou que Vilarindo fosse para Brasília, para assumir um cargo nas Forças Armadas (Emfa), e dirigente da alfaiataria oficial da Marinha, confeccionando fardas para autoridades Essa mudança de cidade foi encarada pelo pastor como um propósito divino, como ele contava de Deus lhe dissera numa visão: “Você irá para a cidade de edifícios deitados”. Ao abrir as janelas do apartamento para onde se mudou em 1969, Vilarindo percebeu que a previsão se concretizara. Na capital, foi convidado a frequentar os cultos da Igreja Batista Central (IBC), que à época contava com 16 membros. Depois, passou a dirigir os cultos e se tornou presidente da denominação em 1971. Nos últimos anos não podia mais ministrar cultos devido ao Alzheimer, mas ainda frequentava a igreja que agora é dirigida por seu neto. O pastor estava internado por complicações de uma pneumonia e não resistiu ao comprometimento de outros órgãos, aos 90 anos.

Outras figuras:
20 de março – o bilionário e filantropo David Rockefeller, o último de sua famosa família, sexto filho de John D. Rockefeller Jr. e neto de John D. Rockefeller, co-fundador da Standard Oil, que foi a maior empresa de produção, refino e transporte de petróleo desde o fim do século XIX e grande parte do século XX. Com a morte de seus irmãos mais velhos, Rockefeller estava à frente de uma vasta rede de interesses familiares, tanto empresariais quanto filantrópicos, da conservação ambiental às artes. Ele também comandou o que hoje é o banco JP Morgan Chase. Para comemorar seu 100º aniversário em 2015, ele doou 4 mil quilômetros quadrados de terra a um parque nacional do Maine. Aos 101 anos enquanto dormia em sua casa, em Pocantico Hills, Nova York.
27 de abril - Hugh Hefner – milionário americano criador da revista Playboy, morreu de causas naturais aos 91 anos em sua casa, a Mansão Playboy, e deixou quatro três filhos, Cooper, Christie, David e Marston, além da mulher Crystal Harris, sua terceira e 60 anos mais jovem, com quem ele vivia desde 2012. Lançada em 1953, a revista Playboy logo se tornou sinônimo de revista masculina ao associar mulheres nuas ao estilo de vida americano. A primeira edição, em dezembro de 1953, teve Marilyn Monroe na capa. As fotos, tiradas quatro anos antes, foram compradas a preço baixíssimo. As 50 mil cópias da revista se esgotaram rapidamente, fazendo com que a Playboy se tornasse um sucesso instantâneo. Nas décadas seguintes, centenas de mulheres, famosas ou não, posaram para a publicação. Hefner virou uma celebridade e se mudou para uma mansão, sempre rodeado de “coelhinhas”. Playboy chegou ao Brasil no final da década de 70 e logo se consagrou como a revista masculina mais popular do país, com entrevistas, entretenimento e ensaios com mulheres famosas e outras nem tanto. Entrou em crise, anunciou o fim das fotos de mulheres nuas, e depois deixou de ser publicada pela Editora Abril. Os novos donos da marca no Brasil querem tentar resgatar o glamour que a revista teve no passado – uma tarefa possível, mas bastante complicada. Nos EUA, a marca também mudou, deixando de trazer mulheres nuas – o atributo pela qual ela ficou mais conhecida. A publicação irá se transformar numa revista de “Lifestyle”. Um reposicionamento tão agressivo que pode fazer com que a marca não sobreviva.
21 de dezembro – Francelino Pereira, político. Foi governador de Minas Gerais entre 1979 e 1983 indicado pelo governo militar, e também deputado federal entre 1963 e 1979 e senador entre 1995 e 2003.  Quando presidente nacional da Arena, entre as suas inúmeras declarações de apoio ao regime militar, notabilizou-se pela indagação, em 1976, que inspirou Renato Russo: “Que país é este”? A0s 18 anos migrou do interior do Piauí para Belo Horizonte onde, com dificuldades, completou os estudos e formou-se em direito. Em 1950, recém-casado, redator de política na Rádio Inconfidência, foi eleito vereador e apresentou o projeto de criação da Escola Técnica de Comércio Municipal – que em 1961 passou a se denominar Instituto Municipal de Administração e Ciências Contábeis (Imaco). Assumiu, em 1961, cargo no governo Magalhães Pinto. Eleito deputado federal, anunciou o rompimento de Minas Gerais com o governo de João Goulart, prelúdio do golpe militar de 1964, liderado no estado por Magalhães Pinto. Com o golpe, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), de sustentação ao regime. Como recompensa, em abril de 1978, por decisão de Geisel e de Figueiredo, foi indicado ao governo estadual, quando procurou com realizações e obras públicas – como o Aeroporto de Confins - esconder a péssima imagem do regime decadente. Seu último cargo foi de senador pelo PFL, aos 72 anos, em 1994. Ocupava a cadeira 25 da Academia Mineira de Letras. Nos últimos anos, teve uma postura reclusa: pouco a pouco foi perdendo a visão e a audição. Aos 96 anos, em Belo Horizonte, de causas naturais.

Este longo obituário podia ser maior ainda. Estima-se que, atualmente, morrem mais de 50 milhões de pessoas por ano, em todo o mundo.
Isto nos faz parar para pensar.
Onde estaremos daqui a um ano?
Será que vamos fazer parte dessa longa lista de desaparecidos?
E se sim, será que deixaremos saudade? As pessoas sentirão falta de nós? Chorarão nossa perda?
E, caso não estejamos mais aqui, onde estaremos?
Vivendo uma nova, eterna e melhor vida ao lado de Jesus – como ele prometeu ao ladrão na cruz, “ainda hoje estarás comigo no paraíso”? Ou estaremos numa terrível expectativa de um julgamento do qual não sairemos com veredito favorável? Quantos desses mais de 5o milhões descansam em paz hoje? Quantos já sentem o calor e o cheiro de enxofre?
É para pensar. Pensar e agir, enquanto ainda temos o fôlego da vida e oportunidade para escolher onde queremos passar a Eternidade.

850.320

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