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domingo, 13 de julho de 2014

Ainda bem que Jesus não voltou

Ainda bem.
Eu teria ficado para trás, porque me distraí vendo todos os jogos de futebol que pude. Afinal, é empolgante assistir a toda a movimentação das torcidas antes, durante e depois dos jogos; ver os comentários dos mais abalizados jornalistas esportivos, e os palpites dos zé-manés que passavam pela rua, doidos para aparecer na televisão. Os vitoriosos comemorando e os derrotados chorando. A torcida aplaudindo e a torcida vaiando. Ah, sim, e também as análises dos entendidos depois, até tarde da noite, as resenhas, os replays dos lances mais perigosos, das faltas mais violentas,dos gols mais bonitos, das falhas mais clamorosas, dos impedimentos não marcados e dos penalties duvidosos, dos closes nos torcedores mais exaltados... ainda bem. Eu nem teria percebido que Jesus voltara.
Ainda bem que a trombeta não soou nesses últimos dias (eu acho). Eu não teria ouvido, pois estava muito ocupado discutindo a situação política do país. Eu precisava convencer os meus conhecidos de que a minha opção política é a melhor, e que eu sei a solução para todos os problemas. É claro que eu sei o nome de todos os corruptos, sei como resolver a questão da Educação, da Saúde, dos Transportes e da inflação. Eu tenho a solução para a crise econômica! É muito simples! Não sei como as pessoas ainda não sabem, por isso precisei gastar horas e horas em debates intermináveis explicando quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha. Fiquei aliviado quando me dei conta de que a trombeta ainda permanecia silenciosa (acho).
Respirei mais calmo quando pensei que o arrebatamento da Igreja não aconteceu nessas últimas semanas. Eu teria perdido o momento, pois precisava atualizar meus e-mails, meus posts no Facebook e no Twitter, e ver as mais recentes piadinhas da web e do WhatsApp. Precisava ver os últimos vídeos de gente idiota escorregando na rua, caindo na praia, capotando de balanços e escorregadores nos parques de diversão, e rir das pegadinhas mais bestas que se pode imaginar. Eu tinha que saber quais eram os memes da hora. Não podia correr o risco de ficar “por fora”, senão o que diriam os meus amigos?
Eu achei bom que o dia do retorno de Jesus a esta Terra ainda não chegou, porque eu teria perdido. É que eu precisava assistir aos últimos capítulos da novela. Sabe como é, o pessoal fala que é coisa do diabo e coisa e tal, mas se eu não sei o que as pessoas estão vendo e comentando, como posso interagir com elas? Como poderia haver melhor razão para iniciar um assunto do que o capítulo de ontem? É só fazer de conta que não tinha nenhuma cena de traição, de violência gratuita, ou de beijo gay. A gente passa por cima dessas coisas secundárias. O que importa é ter o que conversar com os outros.
Ainda bem que Jesus ainda não voltou, pois eu precisava assistir aquele DVD com o show gospel daqueles levitas adoradores que mandam a gente tirar o pé do chão e depois botar a cara no chão. É muita unção! Só de assistir ao vídeo a gente fica todo suado. Dizem que antigamente, na adoração a gente ficava arrepiado, mas agora são outros tempos... e também precisei ver aquele filme de super-heróis que há muito tempo anunciavam que ia estrear. Durante aquelas horas diante da telona pude descansar um pouco e me divertir com as aventuras rocambolescas e completamente fantasiosas, sem me importar em imaginar que, em sendo arrebatado aos céus, veria coisas muito além de qualquer imaginação humana. Se bem que naquela nova série de TV também apareceram algumas cenas tão cheias de efeitos especiais que nem sei se é possível haver algo mais esplendoroso.
Espero que Jesus ainda demore a voltar, pois ainda quero ir àquele show gospel, daquele cantor famoso que, aliás, estava no jogo do Brasil, ele até apareceu na televisão no meio da torcida, com camisa amarela e tudo. Ainda bem que ele não é daqueles antiquados que diziam que não deveríamos nos envolver com futebol. Imagina só... tantos jogadores e ex-jogadores que quando fazem gol levantam a mão para o céu... por isso eu quero ir no show gospel daquele cantor, ainda mais se for no estádio de futebol. Tudo bem que depois que o Brasil perdeu ele apagou de seu site as próprias fotos do dia do jogo e passou a falar que devemos orar por Israel, mas se ele vai ao estádio eu também posso.
Eu fiquei sossegado ao perceber que Jesus não havia voltado durante estes dias. Assim eu tive bastante tempo para postar nas redes sociais muitos selfies, como quando fui naquele restaurante bacana, e tirei foto da comida antes de partir para cima do prato. Todos os meus amigos viram, mas sei que alguns ficaram com inveja e não curtiram. Acho até que vou apagá-los da minha lista. Realmente são invejosos pois não custa nada dar um joinha nas fotos de sorvetes, bolos, cachorro-quente, sanduíche e até macarronada que eu posto! Tudo bem que foram muitos, mas o que é que tem? Achei que havia algo de errado e quando postei alguns versículos ninguém nem gostou. 
Por isso mudei de foco e retransmiti várias fotos de gatinhos e de paisagens com por-do-sol, praias e montanhas, flores e jardins com mensagens de auto-ajuda: aí sim, dessas o pessoal gostou... nem ligaram se são mensagens de Gandhi, do “papa”, de “madre” Tereza, de “são” Nicolau, de Lênin, de Jorge Amado, Dorival Caymmi, Zé Cabaleiro ou de Alan Kardec... e algumas que eu mesmo inventei.
Ainda bem que Jesus não voltou enquanto eu pensava nessas coisas. Eu não teria forças nem para ver o que estava acontecendo, porque ainda estou cansado da festa junina que teve na minha igreja. Tudo para Jesus, é claro.
Havia bandeirinhas enfeitando tudo, todo mundo usava calça remendada e camisa xadrez! Só cantamos o louvorzão em ritmo de forró e country. A adoração atingiu o ápice quando todo mundo dançou em roda, em volta de uma fogueira de mentirinha, feita de papel celofane e cartolina. E no final do culto todos comeram canjica, pipoca, milho assado e pamonha. Não houve tempo para pregação nem evangelização, e ninguém se decidiu ao lado de Jesus, mas no nosso coração temos certeza de que foi tudo feito para glória de Deus e para manter os jovens na igreja. Mesmo que por trás de tudo estivessem as festas de “são” João.
Estou feliz de que Jesus não tenha aparecido nas nuvens ainda. Não tenho tido tempo de ler a Bíblia, nem de estudar o que Ele falou sobre o fim dos tempos. Não tenho paciência para ler livros cristãos: eles são muito profundos e me fazem pensar demais. Eles me deixam preocupado. Eles vivem me cobrando mais responsabilidade, mais vida cristã, mais testemunho. Me contento em saber que meu pastor disse que ninguém sabe direito sobre esse negócio de arrebatamento, e que a volta de Jesus pode ser interpretada de forma simbólica. Ele falou que é para a gente não se preocupar com essas coisas. Aí sim fico mais sossegado e posso me concentrar em outras coisas.
Me deu um certo alívio ao ver que a maioria das pessoas da igreja ainda está por aqui, teclando nas redes sociais e mandando torpedos, atualizando perfis, compartilhando piadinhas! Isso prova que Jesus não voltou, senão as teria arrebatado. São pessoas tão boas! Quase nunca faltam aos cultos, estão sempre nas atividades da igreja, dão o dízimo toda semana, participam da ceia, tocam no louvor, e as que não tocam no louvor, dançam! Não poderiam ficar para trás. Se elas sumissem de repente, eu acreditaria que Jesus voltou. A menos que elas não sejam o que parecem ser...
Ainda bem que Jesus não voltou nesses últimos dias.
Ou voltou???

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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Dia de "são" João, "são" Pedro, "santo" Antonio...

24 de junho é o dia que os católicos dedicam a “são” João. Um dos “santos” mais festejados em diversos países, especialmente os de fala latina, em sua “honra” fazem festas, soltam fogos de artifício, sobem em troncos lubrificados, preparam comidas típicas, pulam fogueiras, cantam e dançam em roda até cair... e evidentemente, seguem procissões atrás da imagem do dito cujo, antes e depois de celebrarem suas missas.  É uma festa já tão tradicional que se torna extremamente difícil separar o que é cultural do religioso. Uma vez que a religião  muitas vezes molda a cultura, não se pode falar em uma celebração de cunho meramente “folclórico”.
Por exemplo – o aspecto cultural pode ser explicado pelo vasto processo de miscigenação que formou o povo brasileiro, ao longo dos séculos. A “dança da quadrilha”, tão popular nessa época do ano, herdou o nome de uma dança de salão francesa para quatro pares, a “quadrille”, em voga na França entre o início do século XIX e a I Guerra Mundial. A “quadrille”, por sua vez, já era um desenvolvimento da “contredanse”, popular nos meios aristocráticos franceses do século XVIII, a qual veio de uma dança inglesa de origem campesina, surgida provavelmente por volta do século XIII, e que se popularizara em toda a Europa. A “quadrille” veio para o Brasil seguindo o interesse por tudo que fosse a última moda de Paris (da criação da academia de letras ao uso do cavanhaque, tudo que era francês era “chic”).
Depois disso, como sempre, veio a mistura e a dança se fundiu com outras danças e se modificou, com o aumento do número de pares e o abandono de passos e ritmos franceses. Em contato com diferentes danças, a quadrilha sofreu influências regionais, daí surgindo muitas variantes: “Quadrilha Caipira” (São Paulo, Minas Gerais), “Saruê” (corruptela do termo francês “soirée”, no Brasil Central), “Baile Sifilítico” (é isso mesmo! Na Bahia), “Mana-Chica” (Rio de Janeiro), etc.
Ainda que inicialmente adotada pela elite urbana brasileira, esta é uma dança que teve o seu maior florescimento no Brasil rural (daí o vestuário “caipira”). O nacionalismo folclórico marcou as ciências sociais tanto no Brasil como na Europa, entre os começos do Romantismo e a II Guerra Mundial. A quadrilha, como outras danças, foi sistematizada e divulgada por igrejas e clubes, sendo defendida por professores e praticada por alunos em colégios e escolas como expressão da cultura cabocla e da república brasileira. Esse folclorismo acadêmico e ufanista explica de certo modo o aspecto “matuto” (mas artificial) da quadrilha.
Outro aspecto interessante é composto pelas comidas típicas, consumidas por uma razão muito simples: o meio do ano é a época da colheita do milho, daí as comidas como pipoca, pamonha, e semelhantes (canjica etc.).
Já sabemos que o mito da fogueira se originou de uma mentira católica. Para “cristianizar” um costume pagão, a igreja de Roma inventou que o antigo costume de acender fogueiras no começo do verão europeu tinha suas raízes em um acordo feito por Maria e Isabel. Para avisar Maria sobre o nascimento de seu filho João, e assim ter seu auxílio após o parto, Isabel teria de acender uma fogueira sobre um monte. Pura bobagem. Quando João nasceu, Maria já havia ficado em companhia de Isabel por três meses, mas já havia voltado para casa logo antes de o menino nascer (ver Lucas 1:56-58). Maria então já estava grávida de Jesus e precisava ir cuidar de si e do bebê que nasceria em breve. Pelo relato bíblico, quando João nasceu, não houve nenhuma fogueira. Esse negócio de fogueiras foi herdado das religiões pagãs da Europa medieval, que celebravam essa ocasião acendendo fogueiras e dançando ao redor delas, exatamente como nas “quadrilhas”. Não foi o contrário, isto é, a origem das fogueiras seriam cristãs. Não: são pagãs, doa a quem doer.
A festa pagã do solstício de verão na Europa (ou do inverno, no hemisfério sul), era celebrada no dia 24 de junho, segundo o calendário juliano (pré-gregoriano). Leia mais aqui.
Outro mito extremamente sem cabeça é “são” João nascendo em junho, um tremendo chute. Como foi convencionado que Jesus teria nascido em 25 de dezembro, a lógica exige que João Batista tenha vindo ao mundo em 24 de junho. Na verdade é um erro em conseqüência de outro. Já vimos aqui que Jesus dificilmente teria nascido em dezembro. Se olharmos bem o que diz a Bíblia, a única fonte de informações confiável, veremos que Jesus nasceu de fato entre setembro e outubro (no mês de etanim), o que coloca o nascimento de João Batista em março (mês de abibe). Assim cai por terra a data de 24 de junho, ficando provado, mais uma vez, que o único motivo da festa é a adoção de uma celebração pagã.
Aliás, há outros “santos” populares celebrados nesta mesma época: “santo” Antônio (no dia 13) e “são” Pedro e “são” Paulo (no dia 29, supostamente data da execução dos dois apóstolos). Essas celebrações são particularmente importantes no norte da Europa - Dinamarca, Estônia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Lituânia, Noruega e Suécia - mas são encontrados também na Irlanda, na Galícia (norte da Espanha e Portugal), partes do Reino Unido (especialmente na Cornualha), França, Itália, Malta, Ucrânia, e em outros lugares como Canadá, Estados Unidos, Porto Rico e até na Austrália.
Especialmente na “festa de santo Antônio”, multiplicam-se as chamadas “simpatias”, uma forma “light” de bruxaria, como por exemplo enterrar a imagem de cabeça para baixo até que o pedido de arranjar marido seja atendido (claramente uma forma de macumba). E também pendurar fitas em certas partes da imagem, lembrando rituais pagãos em honra a Príapo, também “suavizados” ou, se preferir, “cristianizados”... Quem quiser que pesquise depois.
Ficam duas advertências. A primeira, àqueles que ainda se apegam às tradições de “santos”, religiosidade e festas “folclóricas” juninas.
É  impossível participar de uma “festa junina” sem estar “honrando o santo padroeiro”, que é o principal motivo dessas ocasiões. Fazer celebração a “santos” é idolatria, pois a Bíblia proíbe até mesmo fazer qualquer tipo de imagem, quanto mais festa em honra delas ou do que elas supostamente representam. Muitos já disseram que uma imagem esconde demônios que recebem as homenagens, orações e oferendas, e assim o que as homenageiam longe de agradar a Deus ou ao “santo”, presta um culto ao demônio. Doa a quem doer.
E querer misturar lendas, mitos, contos da carochinha de várias origens com a fé cristã, é o cúmulo do absurdo - até jacaré de asa a cristandade já tem agora. Acho que a única regra de fé e prática para quem diz acreditar em Deus tinha que ser a própria Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada e mais nada, que deveria ser lida e ensinada nos templos que se pretendem cristãos. Repito o que já escrevi acerca de outros “santos”.
A Bíblia é clara. É simples: a oração é uma forma de culto. E foi o Senhor Jesus quem disse: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele darás culto” (Mateus 4:10). Se prestamos “homenagem” a qualquer entidade que não Cristo ressurreto, seja com orações, procissões, festas “juninas” e coisas do tipo, cometemos idolatria, que Deus abomina e rejeita:
- Não farás para ti imagens esculpidas, nem qualquer imagem do que existe no alto dos céus, ou do que existe embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, por debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto (Êxodo 20:4);
- Não vos voltareis para os ídolos, nem fareis para vós deuses de fundição. Eu sou o Senhor vosso Deus (Levítico 19:4);
- Não fareis para vós ídolos, nem para vós levantareis imagem de escultura nem estátua, nem poreis figura de pedra na vossa terra para inclinar-vos diante dela. Eu sou o Senhor vos­so Deus (Levítico 26:1);
- Confundidos sejam todos os que adoram imagens de esculturas, que se gloriam de ído­los inúteis. (Salmo 97:7);
- Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos do homem. Têm boca, mas não fa­lam, têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem, têm nariz, mas não cheiram; têm mãos, mas não apalpam, têm pés, mas não andam; nem som algum sai da sua gar­ganta; Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem, e todos os que neles confiam (Salmo 115:4-9 e 135:15-18).
E finalmente, deixemos que outro “são” João - o apóstolo - fale: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (I João 5:25).
E também erram os evangélicos que tentam adaptar a suas igrejas, congregações e denominações esses costumes mundanos. Hoje é tristemente comum nas igrejas ditas evangélicas a realização de festas “jesuínas” e outras aberrações do tipo. Procure no Google e ficará abismado(a) - ou não... Mas lembre-se de que Israel pecou muito, no passado, por se misturar aos povos pagãos que o cercavam. Os israelitas adotaram festas e costumes dos filisteus, dos amonitas e outros povos, sendo duramente castigados por Deus, que de antemão os advertira: veja Deuteronômio 12:29-31.
E decida se apóia ou não “festa junina”.

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domingo, 1 de julho de 2012

Pescadores de homens

Tenho visto com freqüência cada vez maior a realização de eventos supostamente evangélicos, tendo como tema “caipiras” (festas “juninas” ou, “pentecostalizando” o termo, festas “jesuínas”). Também já vi convites para festas “dos anos 60”: uma espécie de “festa à fantasia”, onde se comparece a caráter, usando roupas e adereços espalhafatosos, valendo até perucas. E para não perder tempo descrevendo essas bizarrices, vou logo para o supra-sumo do absurdo, que é a realização de lutas violentas dentro de templos ditos evangélicos. 
Isso que se convencionou chamar de esporte, o qual é identificado por uma sopa de letrinhas – MMA (mixed martial arts), UFC (ultimate fighting championship) e outras siglas – já é altamente duvidoso enquanto esporte, pois seus benefícios, se é que existem, são questionáveis, e seus prejuízos são notórios. E agora vêm pretensos evangélicos defender a sua prática, dentro das igrejas, ainda por cima.
Eu poderia aqui traçar um paralelo com a Igreja Primitiva, aquela que ainda não havia ainda se contaminado com os costumes pagãos, e perguntar se alguma vez Pedro, Paulo ou qualquer outro apóstolo teria a cara de pau de promover uma luta de gladiadores, “para evangelizar”.
Imaginemos uma epístola dizendo que, para atrair a atenção dos jovens, deveriam ser apoiadas e estimuladas sessões de pancadaria, findas as quais os gladiadores – sem dentes, braços quebrados, contusões generalizadas – se confraternizariam, dando glória a Deus. Então haveria uma pregação, enquanto os diáconos limpariam o sangue da arena. Afinal, é isso que estão propondo, e repetindo à exaustão, para tentar criar uma aura de “normalidade”. Apenas quero dizer que Paulo, quando teve oportunidade de escrever a um jovem, no caso Timóteo, deu-lhe um conselho um tanto diferente do que se prega hoje. Paulo, depois de enumerar uma série de práticas e costumes que observara, escreveu: Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão (I Timóteo 6:11).
Ou os cristãos, ignorando esse mandamento - fugir dessas coisas - imitariam os pagãos? Será que na época da colheita das uvas, quando os romanos celebravam suas festas em honra ao deus do vinho, os cristãos também fariam uma festa como as bacanais romanas? O que você diria se aqueles cristãos fizessem um festival na mesma data das bacanais”, regada a vinho, mas em honra de Jesus? Poderiam até dar um nome quase” cristão, quem sabe “jesuscristália”?  Se fosse hoje, a turma provavelmente se sairia com diversas teorias para justificar tal prática: afinal de contas, Jesus dissera que o vinho era parte da Santa Ceia. Os cristãos deveriam então aproveitar e fazer encenações teatrais, versando sobre temas evangélicos, obviamente para atrair os pagãos. Assim, esses não estranhariam a ocasião, afinal, teria tudo a ver com o que eles já estavam acostumados. A bem da verdade, foi mais ou menos o que fizeram, adotando a ocasião da “saturnália” para comemorar a suposta data do nascimento de Cristo. Que nem mesmo nasceu em dezembro!
Por aqui, fazem mais ou menos a mesma coisa das bacantes de outrora. Aproveitam a época da colheita do milho e celebram festas “juninas”, com danças, quadrilhas, e obviamente, consumindo comidas à base de milho (pipoca, pamonha etc.). Tudo para a “glória de Deus”. Para “evangelizar”.
Métodos humanos. Não é o que fazem hoje? Pegam passagens fora de contexto (por exemplo, “fiz-me grego para assim ganhar os gregos”, I Coríntios 9) e tentam aplicar às suas extravagâncias.
Com essa passagem isolada e fora de contexto, abrem a porta para atrações variadas como shows de hip-hop, desfile de moda gospel, luta de vale-tudo, balada gospel, blocos carnavalescos, bailes de máscaras, e o que mais aparecer. Lembremos que já existem várias “igrejas” para gays; é para se assustar só de imaginar o que ainda pode ser “criado” por essas mentes doentias.
Na verdade, é um método muito antigo, esse de criar eventos para atrair multidões. Rômulo, um dos fundadores de Roma, “para conseguir ocasião e local favoráveis [para raptar mulheres e assim povoar a cidade recém-fundada], ocultou seu ressentimento [por causa do desprezo dos outros povos pelo seu convite] e preparou jogos solenes em honra a Netuno Equestre [o deus Conso], os quais denominou Consualia. Mandou então anunciar o espetáculo aos povos vizinhos e revestiu-o de todo o aparato possível na época, a fim de torná-lo atraente e despertar curiosidade” (de acordo com o historiador romano Tito Lívio, em “Ab Urbe Condita”, cit. em História de Roma. Tradução de Paulo Matos Peixoto, SP:Ed. Paumape, 1989, p. 32). O que seguiu depois foi o “rapto das sabinas”. Vejam como a arte de criar pirotecnias para distrair os tolos é antiga.
Já critiquei antes as tais “festas juninas evangélicas” e outras invenções “gospel”. Alguns querem justificar essas esquisitices dizendo que “para pescar é preciso usar a minhoca certa no anzol”, talvez tentando fazer uma alusão ao que Jesus disse aos seus primeiros discípulos: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mateus 4:19).
Acontece que:
1 – a pesca com anzol, usando minhoca ou qualquer outra isca, é, para dizer a verdade, um engodo, um engano. Engana-se o peixe com uma “comida falsa”, ou uma comida que significa a sua ruína. O peixe morde a isca  pensando que vai se alimentar, mas no fim acaba se dando mal. Será que é isso que queremos quando “evangelizamos”? Oferecemos um engodo aos incrédulos, uma “comida falsa”, uma mentira? Bem, eu acho que é isso o que muitas “igrejas” estão fazendo. Oferecem promessas vãs, prosperidade financeira, vitória em todas as áreas, até casamento e “sorte no amor”... isso até o cara cair na real e, desiludido, abandonar a fé, se é que um dia chegou a ter fé. Se é que um dia chegou a ser instruído nos caminhos de Deus. Se é que um dia conheceu a Deus e Seu plano de salvação.
2 – Ao contrário dos pescadores de anzol, os discípulos entenderam perfeitamente o que Jesus queria dizer com ser “pescadores de homens”, “porque eram pescadores” (Mateus 4:18). Até por que Jesus contou depois a parábola do Reino, o qual é “semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanhou toda espécie de peixes. E, quando cheia, puxaram-na para a praia; e, sentando-se, puseram os bons em cestos; os ruins, porém, lançaram fora. Assim será no fim do mundo: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 13:47-50).
E no final, Jesus perguntou: “Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe eles: Entendemos” (v. 51). Mas parece que os “apóstolos” modernos e seus seguidores não entenderam ainda.
Nós somos os pescadores. Cabe-nos lançar a rede, não anzóis com minhocas e iscas. Vem todo tipo de peixe, e não nos é dada ordem para fazer mais nada. Os anjos separarão os peixes que prestam dos que não prestam, “os bons e os maus” (da mesma forma que separarão o joio do trigo). Não precisamos enganar, jogar iscas, engabelar ninguém. Não precisamos armar presepadas, shows, festa junina, escola de samba, luta livre, mágica, equilibrista, mulher barbada, atrações variadas, “para atrair os peixes”. Não precisamos fazer da igreja um circo. A Palavra de Deus deveria ser suficiente para que as pessoas desejassem ir à igreja!
Mas muitos preferem os métodos humanos, cheios de criatividade, e vazios da Palavra de Deus. Se pudermos ir ainda mais longe, para buscar a origem da “teoria da minhoca”, chegaremos ao Éden, onde a serpente apresentou a Eva uma espécie de “minhoca”, ou um engodo, uma isca, sem esclarecer o que viria depois.  O que nos permite concluir que usar de engano nem é mais um método humano, mas satânico. Por que haveríamos de fazer a mesma coisa?
A única coisa que transforma o Homem e o traz para o Reino de Deus é a pregação do Evangelho, da “boa nova”, da “boa noticia”.
Qual é essa “boa noticia”? Diante de tanta coisa ruim que vemos todo dia nos jornais, a crise, o desemprego, seqüestros, assassinatos, motorista bêbado atropelando inocentes, banco quebrando, protestos, roubalheiras, CPI, corrupção, a bolsa caindo e o dólar subindo... deveria ser uma ótima noticia saber que nossas dívidas podem ser canceladas, perdoadas, totalmente zeradas. Saber que devíamos uma quantia que nunca poderia ser paga, mas que Alguém veio e disse: “Pode deixar, Eu pago tudo. Você não deve mais nada. Está resolvido... está consumado. Quem não gostaria de receber uma noticia dessas?
Isso não dizemos aos incrédulos. Preferimos dizer: “olha, vai lá na minha igreja hoje, vai ter uma apresentação de grupo de jovens, uma coreografia; vai ter a cantata do coral, é muito bonita; o cantor fulano vai cantar, a banda tal vai tocar; depois vai ter uma canjicada, uma feijoada, uma batatada”. Outros vão além: “vamos lá ver a luta de MMA, vamos na balada gospel, na ‘arena jovem’, no funk gospel, o barato vai ser doido, mano, véio. Mas nunca dizemos “vamos lá hoje, vai ter uma pregação sobre a Palavra de Deus, e você vai aprender que precisa entregar sua vida a Jesus, senão você vai para o inferno; o pastor vai explicar por que precisamos largar o pecado e seguir a Jesus como os discípulos fizeram, largaram tudo e O seguiram. Vamos orar para que Deus liberte as pessoas e mude seus corações”. Não; preferimos a minhoca.
É isso – só isso – que devemos fazer para que as pessoas venham para o Reino de Deus: mostrar a Palavra, sem rodeios, sem chantilly em cima, para adoçar ou enfeitar. É isso que precisamos anunciar para que os peixes saltem para dentro da rede, sem precisar ser enganados por minhocas pegajosas, moscas de borracha e peixinhos de plástico colorido.

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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Festa junina gospel?

A Mansão do Louvor receberá os caipiras gospel numa noite de puro forró, com as bandas 'Expresso Louvadeira', 'Turma do Balaio', 'Forrozão Suave Louvor', entre outras atrações”. Assim se define mais um "Arraiá com Jesus", a intitulada “festa jenuína [sic] do povo de Deus”.
Hoje em dia é comum vermos igrejas adotando novos modismos:  balada gospel, reggae gospel, bregospel, boate gospel, tudo gospel. Tudo para diversão da “galera gospel”, tudo para “manter os jovens na igreja”. Não importam as origens das festas e baladas, ou se vão de encontro ao que a Bíblia ensina. A única diferença entre essas festas e as “do mundo” é que “na igreja” tudo leva o nome “Jesus”, como se isso bastasse para que Ele aprovasse tudo. Forró até o amanhecer, danças de quadrilha, vestes típicas e os outros detalhes peculiares são a tônica.
Mas por que tanta repreensão, dirão os fariseus de sempre. O quê que tem os jovens se divertirem? É melhor do que saírem da igreja, argumentarão. É melhor organizar um forró santo do que ficar aí só criticando, dirão outros.
A razão é simples.
As festas juninas são uma homenagem a “santos” católicos: “santo” Antônio, “são” João e “são” Pedro. Tradicionalmente, fazem parte das manifestações populares mais praticadas no Brasil. Mas seriam tais festas folclore ou religião? Até onde podemos distinguir? Até onde podemos pegar coisas sacrificadas a ídolos e simplesmente rotular de “evangélicas”?
A palavra folclore é formada dos termos ingleses folk (gente) e lore (sabedoria popular ou tradição) e significa “o conjunto das tradições, conhecimentos ou crenças populares expressas em provérbios, contos ou canções; ou estudo e conhecimento das tradições de um povo, expressas em suas lendas, crenças, canções e costumes”.
Como se sabe, as tradições religiosas ibéricas se incorporaram em nossas terras, conservando seu aspecto folclórico. Sob essa base é que escolas promovem, em nome do ensino, as festividades juninas. Também fazem isso com o Halloween, para mostrar o folclore americano.
Os católicos dizem que a fogueira é sinal de bom presságio. Conta uma lenda que Isabel, prima de Maria, na noite do nascimento de João Batista, acendeu uma fogueira para avisar a novidade à prima. Por isso a tradição é acendê-las na hora da Ave Maria (às 18h).
Você sabia ainda que cada uma das três festas exige um arranjo, diferente de fogueira? Na de “santo” Antonio, as lenhas são atreladas em formato quadrangular; na de “são” Pedro, em formato triangular e na de “são” João possui formato arredondado na base mas semelhante à pirâmide na construção, que lembra um cone. De onde vêm esses costumes? Talvez na origem da festa, mais ao norte e mais antiga.
Na Europa pagã já aconteciam festas no solstício de verão (o dia mais longo do ano), as quais marcavam o início da colheita. Dos dias 21 a 24 de junho, diversos povos, como os celtas e os bascos, e até mesmo egípcios e sumérios, faziam rituais de invocação da fertilidade para trazer o crescimento e a fartura nas colheitas, e atrair chuvas. Ofereciam-se comidas, bebidas e animais aos vários deuses em que acreditavam. As pessoas dançavam e faziam fogueiras para espantar os maus espíritos. Por exemplo: as cerimônias realizadas em Cumberland, na Escócia e na Irlanda, na véspera do “são” João, consistiam em oferecer bolos ao sol, e algumas vezes em passar crianças pela fumaça de fogueiras. Pesquise sobre Stonehenge, o monumento megalítico da Inglaterra, e veja se estou exagerando.
Mas a comemoração também passa por Roma, nos cultos à deusa Juno. As homenagens a ela eram denominadas “junônias”. Daí temos uma das procedências do atual nome “festas juninas”. Como o catolicismo não conseguiu extinguir as comemorações, elas foram adaptadas para o calendário “cristão”, cada vez mais sincrético e misturado com o paganismo que ainda sobrevivia à sua volta. E já que a data coincidia com a comemoração de “são” João, um anunciador da vinda de Cristo, foram chamadas de “joaninas”: os primeiros paises a comemorá-las foram França, Itália, Espanha e Portugal.
Os jesuítas portugueses trouxeram os festejos joaninos para o Brasil, mas o curioso é que antes disso os índios também faziam festas ligadas à agricultura, na mesma época do ano! Os rituais tinham canto, dança e comida. O frade Vicente do Salvador, por volta de 1600, se referiu aos nativos da seguinte forma: “os índios acudiam a todos os festejos dos portugueses com muita vontade, porque são muito amigos de novidade, como no dia de São João Batista, por causa das fogueiras e capelas”.
Vemos portanto que as festas juninas têm um caráter religioso. Nelas ocorrem rezas, canções e missas; comidas e doces são oferecidos a esses “santos” - claro que os que comem não são os santos, mas os que participam dela. “Oferecer comida aos santos” é muito parecido aos despachos espíritas nos cemitérios e encruzilhadas; talvez a diferença seja o local da “festa”. Então, como separar o folclore da religião se ambas estão intrinsecamente ligadas? Israel abraçou costumes pagãos e foi criticado pelos profetas de Deus. O profeta Elias desafiou o povo a escolher entre Jeová e Baal: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o” (I Reis 18:21).
Como observadores e seguidores da Palavra de Deus, devemos tomar cuidado com práticas herdadas do paganismo e com a mistura de costumes religiosos, impróprios à luz da Bíblia, adotada por alguns evangélicos.
É recomendável lembrar as palavras do apóstolo Paulo:
“Portanto, meus amados, fugi da idolatria. Falo como a criteriosos; julgai vós mesmos o que digo. Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo. Considerai o Israel segundo a carne; não é certo que aqueles que se alimentam dos sacrifícios são participantes do altar? Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou provocaremos zelos no Senhor? Somos, acaso, mais fortes do que ele?” (I Coríntios 10:14-22).
Aqui Paulo trata da participação dos cristãos em refeições realizadas em meio a rituais pagãos (Bíblia de Estudo de Genebra, p. 1357). Sua convicção é que a idolatria produz uma ligação espiritual — um vínculo com os demônios. Para ele, os crentes depreciavam sua comunhão com Deus, na Ceia, ou seja, agiam de modo inconsistente com a aliança, e, deste modo, provocavam o “zelo” do Senhor (I Coríntios 10:18-22).
Isso pode ser transposto à questão das festas juninas por meio de um argumento de quatro pontos, qual seja:
1 - Festas juninas, ligadas à veneração dos santos romanistas, são idólatras.
2 - Veneração a “santos” fere I Timóteo 2:5 e Êxodo 20:3-6 – é idolatria.
3 - O cristão, de acordo com I Coríntios 10:14, deve fugir da idolatria.
4 - Portanto, o cristão deve fugir das festas juninas.
E há o problema da associação. Ao participar de uma festa junina gospel, são inevitáveis as associações com o evento original, de origem e significado pagãos — queiramos ou não, festas juninas estão ligadas às crenças católico-pagãs. Assim, festas juninas gospel estão entre aquelas coisas que o apóstolo Paulo chama de lícitas, mas inconvenientes e não-edificantes (I Coríntios 10:23).
Ninguém é contra comer bolo de milho, ou canjica, ou pé-de-moleque. Desfrutemos dessas coisas, porém, na privacidade de nossos lares ou fora do contexto de festas caipiras nos meses de junho e julho. Não porque tais iguarias sejam pecaminosas em si, mas para evitar associações indesejáveis.
Somos livres para participar de festas juninas? Não. Ao participarmos de tais festas, nos ligamos em idolatria. 
Devemos realizar eventos caipiras gospel? Devemos participar de tais eventos? Também não, doa a quem doer. “Pelo que, despojando-vos de toda sorte de imundícia e de toda aparência do mal, recebei com mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas” (Tiago 1:21).
Que o nosso arraial seja movido pelo Espírito Santo em vez da sanfona e do forró.

Fonte de consultas: Defesa da Fé - junho de 2002 nº 45; Jornal Folha de Rio Preto, 22/06/2003; Revista Galileu Junho 2003 nº 143; Artigo do CACP - "As Maldições das Festas Juninas", Pr. Afonso Martins; http://www.misaelbn.com/tag/festas-juninas/

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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Mais um absurdo:

Festa junina gospel
Outro dia o portal de notícias Gospel + publicou uma matéria polêmica. Era para saber o que os leitores achavam das festas juninas, e se os evangélicos podiam ou não participar. Naturalmente apareceram opiniões extremamente variadas: alguns acham que não tem nada a ver, outros acham que vale tudo, outros ainda vieram com a batida desculpa de que devemos “nos fazer de gregos para ganhar os gregos”, etc.
Há os que entendem as festas juninas como celebrações cristãs. Afirmam que são ligadas a personagens bíblicos como João Batista, Pedro e outros, o que legitimaria tais festas como integrantes do calendário cristão. Posição defendida pela igreja católica, que ensina que “Nossa Senhora [Maria, mãe de Jesus] e Santa Isabel [mãe de João Batista] eram muito amigas. Por esse motivo, costumavam visitar-se com freqüência... Um dia, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora para contar uma novidade: estava esperando um bebê ao qual daria o nome de João Batista. Ela estava muito feliz por isso! Mas naquele tempo, sem muitas opções de comunicação, Nossa Senhora queria saber de que forma seria informada sobre o nascimento do pequeno João Batista... Santa Isabel combinou que acenderia uma fogueira bem grande que pudesse ser vista à distância. Combinou com Nossa Senhora que mandaria erguer um grande mastro com uma boneca sobre ele. O tempo passou e, do jeitinho que combinaram, Santa Isabel fez. Lá de longe Nossa Senhora avistou o sinal de fumaça, logo depois viu a fogueira. Ela sorriu e compreendeu a mensagem. Foi visitar a amiga e a encontrou com um belo bebê nos braços, era dia 24 de junho. Começou, então, a ser festejado São João com mastro, fogueira e outras coisas bonitas, como foguetes, danças e muito mais!”.
Vemos aqui uma descrição extremamente pueril, justamente para que alcance as crianças.
Mas um gra
nde número de cristãos entende que deve afastar-se das festas juninas mas, ao mesmo tempo abre espaço para a realização de arraiais gospel - festas caipiras evangélicas. Posição defendida por evangélicos neo-pentecostais. Entretanto, é recomendável lembrar as palavras do apóstolo Paulo:
“Portanto, meus amados, fugi da idolatria. Falo como a criteriosos; julgai vós mesmos o que digo. Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos somos unicamente um pão, um só corpo. Considerai o Israel segundo a carne; não é certo que aqueles que se alimentam dos sacrifícios são participantes do altar? Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou provocaremos zelos no Senhor? Somos, acaso, mais fortes do que ele?” (1 Coríntios 10:14-22).
No texto, Paulo trata da participação dos cristãos em rituais pagãos (Bíblia de Estudo de Genebra, p.1357). Sua convicção é que a idolatria produz uma ligação espiritual - um vínculo com demônios. Para o apóstolo, o problema não era se sujeitar à opressão demoníaca ao comer coisas ligadas a ídolos, mas sim depreciar sua comunhão com Deus, ou seja, agir de modo inconsistente com a aliança com Jesus, e, deste modo, provocar o “zelo” do Senhor (1 Coríntios 10:18-22). Isto pode ser transposto à questão das festas juninas por meio de um argumento de quatro pontos:
- Veneração a santos fere não apenas a recomendação de 1 Timóteo 2:5, mas também Êxodo 20:3-6: é idolatria.
- As festas juninas, ligadas à veneração de santos, são idólatras.
- O cristão, de acordo com 2 Coríntios 10:14, deve fugir da idolatria.
- Portanto, o cristão deve fugir das festas juninas.
Nesta época do ano as escolas, em nome da “cultura", incentivam tais festas nos trabalhos escolares. A criança não tem como se defender e aceita, pois deve respeitar a professora que lhe impõe estes trabalhos, e em alguns casos é até mesmo ameaçada com notas baixas, porque a professora é devota de algum santo, simpatizante ou praticante da religião católica etc. Neste momento quando se mistura folclore e religião, a criança - inocente por natureza - rapidamente se envolve com as músicas, brincadeiras e doces. Aliás, não existiria a festa não fosse a religião, nem a competição entre clubes, famílias ou grupos para realizarem a maior ou a melhor festa junina da rua, do bairro, da fazenda etc. Alguns argumentam que é ruim dizer que uma criança não deve participar dos festejos juninos de sua escola, porque ela não entendera, seria discriminada pelos coleguinhas etc. as não seria melhor os pais cristãs explicarem à criança as razões pelas quais ela não participará da festa junina? Seria mais instrutivo, bíblico e edificante... embora a falta de sabedoria e de coragem talvez nos impeçam de agir assim.
Mas, o que dizer da “alma caipira” que reside em nós, que nos motiva a acender fogueira, assar mandioca e batata-doce e comer bolo de fubá? Qual o problema, por exemplo, de realizar uma noite caipira ao som de “xote santo” e, quem sabe, até brincar inocentemente de quadrilha gospel? Ou criar uma “Festa dos Estados”, com barracas de comidas típicas ou algo semelhante, quem sabe até como estratégia para atrair visitantes?
É que, de fato, a produção de versões gospel das festas juninas não é recomendável. Primeiro, porque o evangelicalismo está saturado de versões gospel: baladas gospel, axé gospel e até o “créu” gospel. Chega de baboseiras! Não fomos chamados a imitar o mundo e sim a transformá-lo (1 João 2:15-17).
Segundo, há o problema da associação. É possível que, ao participar de uma festa junina gospel, sejam feitas associações com o evento original, de origem e significado pagãos; queiramos ou não, festas juninas estão ligadas às crenças católicas. Cristãos sensíveis podem sentir um desconforto inexplicável diante disso. Visitantes interessados nas crenças e práticas evangélicas exigirão explicações mais detalhadas sobre as razões da realização de uma noite caipira “calvinista”.
Sendo assim, é mais adequado considerar as festas juninas gospel entre as coisas que o apóstolo Paulo chama de lícitas, mas inconvenientes e não-edificantes (1 Coríntios 10:23). Nessa questão, pensemos primeiramente nos interesses do corpo de Cristo, e não nos nossos (1Coríntios 10:24). Não se trata de ser contra comer bolo de milho, canjica ou pé-de-moleque. Desfrutemos dessas coisas, porém, na privacidade de nossos lares ou fora do contexto de festas caipiras nos meses de junho e julho. Não porque essas comidas sejam pecaminosas em si, mas para evitar associações indesejáveis.
A Bíblia não prescreve nenhuma festa ligada a profetas ou apóstolos, muito menos a ninguém “canonizado”. Não há espaço para crença em santos mediadores. Segundo as Escrituras, “há um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Timóteo 2:5).
Somos livres para participar de festas juninas?
Não. Ao participarmos de tais festas, nos ligamos com a idolatria.
Devemos realizar eventos caipiras gospel?
Devemos participar de tais eventos?
Também não. Não porque haja idolatria envolvida, mas porque são associações indesejáveis. O ideal é que fortaleçamos nossa identidade cristã, bíblica, desvinculando-nos da aparência do mal (1 Tessalonicenses 5:22).
Os que defendem que os cristãos devem participar dessas festas dizem que Jesus “andava com bêbados, prostitutas e pessoas do povo”, que transformou água em vinho e portanto aprovava festas populares. Até em baladas Jesus ia, diz a “pastora” da bolha de neve. Argumentos bastante inconsistentes, pois, de fato, Jesus foi de enterro a casamento, mas não há nenhum relato dEle em festa de Moloque ou Baal, ou se preferirem, Júpiter ou Vênus, mesmo com o louvável intuito de pregar.
Nunca.
Paulo e Barnabé não procuraram participar de festas “populares”, mas quando confrontados com uma situação dessas... (Atos 14):
“14 Quando, porém, os apóstolos Barnabé e Paulo ouviram isto, rasgaram as suas vestes e saltaram para o meio da multidão, clamando
15 e dizendo: Senhores, por que fazeis estas coisas? Nós ... vos anunciamos o evangelho para que destas práticas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar, e tudo quanto há neles;
16 o qual nos tempos passados permitiu que todas as nações andassem nos seus próprios caminhos.
17 Contudo não deixou de dar testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos chuvas do céu e estações frutíferas, enchendo-vos de mantimento, e de alegria os vossos corações.
18 E dizendo isto, com dificuldade impediram as multidões de lhes oferecerem sacrifícios”.
Essa posição deve ser a defendida pelos cristãos bíblicos. "Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos...não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa de demônios" (Atos 15:29).
“Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o” (l Reis 18:21).
“Odeio, desprezo as vossas festas” (Amós 5:21).
E, de mais a mais, João Batista nem mesmo nasceu em junho (veja aqui: http://doa-a-quem-doer.blogspot.com/2008/12/quando-nasceu-jesus.html). Todo mundo – inclusive os “devotos” do “santo” – já está careca de saber que a data de 24 de junho faz parte das festividades solstício de verão no hemisfério norte (o dia mais longo do ano), desde a mais remota antiguidade pagã. E tem gente querendo levar isto para dentro das igrejas...
Doa a quem doer.