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domingo, 22 de fevereiro de 2015

A música Gospel e o namoro com a

Li outro dia sobre um evento que pode provocar uma reflexão. A juventude evangélica de Porto Velho participou do “1º Gospel Show”, uma mistura de música religiosa com hip-hop – incluindo grupos de danças coreografadas e grupo de pagode gospel. Há alguns anos, isso seria impensável, pois a música evangélica era solenemente sacra e sem os embalos rítmicos que os conservadores costumavam tachar como “da carne” ou profanos, por incentivar o corpo ao balanço e ao requebrado. Mas atualmente, pagode, funk, rock, forró e até o hip-hop ganham versões gospel com letras que tentam pregar o evangelho. 
O teólogo Messias Alves (graduado pela UNACH – Universidade Adventista do Chile) diz que, principalmente no final dos anos 1980, começou se fazer uma mistura de ritmos com o propósito de evangelizar: “A princípio, a inserção de certos ritmos no campo da música gospel ou evangélica se deu sob muita resistência. Até hoje muitos evangélicos não aceitam os chamados Pagode Gospel, Rock Gospel e outros, por considerarem uma ‘mistura do santo e do profano’. No entanto, mesmo os mais conservadores podem constatar que tal revolução na música evangélica resultou numa maior aproximação dos jovens ao Evangelho e, conseqüentemente, em mudança de vidas”. Eu, particularmente, tenho minhas dúvidas. É fácil constatar que nos últimos vinte anos houve melhora no nível técnico, mas em relação ao conteúdo isso é bastante discutível.
Para o promotor do evento em Rondônia, Rosan Neves, a mistura de ritmos quebra paradigmas e abre oportunidades para os não alcançados pelo Evangelho. Rosan, que já teve casa de show em Porto Velho antes de ser evangélico, conta: “conheci muitos jovens músicos que tocavam pagode e enchiam a cara de drogas. Agora tenho reencontrado esses mesmos jovens tocando pagode e adorando a Jesus – vivendo um estilo de vida saudável e muito melhor para si e suas famílias”.
Será? D. M. Lloyd-Jones, um dos grandes teólogos do século XX, explica o que significa o louvor, a adoração e a ação de graças, que são o padrão para a Igreja Cristã. Por que devemos cantar? O que devemos cantar? Como devemos cantar? O canto sempre foi importante para o povo de Deus. Baseado em Efésios 5:18-20, Lloyd-Jones trata da maneira como os crentes devem expressar suas vidas cheias do Espírito na igreja e em seu viver diário. Ele define salmos, hinos e cânticos espirituais e dá atenção referente ao cântico de salmos, discute o lugar da melodia no culto e nos faz lembrar que o cristão, sempre, e em todas as áreas da vida, deve cantar ao Senhor, pois Ele é bom e a Sua misericórdia dura para sempre.
O tipo de música que atualmente escorre das rádios e livrarias evangélicas corresponde ao padrão bíblico? Esse “gospel show” expressa a misericórdia de Deus, traz alguém ao arrependimento, à mudança de vida, ou é apenas uma noite de diversão e rebolado em nome de Jesus? Será que o pessoal lá sabe cantar o hino “Santo, Santo, Santo”? E mesmo que saiba, será que alguém cantaria tal melodia num evento desses?
C. H. Fischer escreve que, “da mesma forma que no mundo secular há várias sub-culturas (...) existe uma nova sub-cultura, a aberrante Cultura da Música Cristã. Ela se desenvolveu imitando o padrão satânico da indústria de entretenimento secular, ao qual ela busca igualar-se. A música secular e a indústria de entretenimento também têm sub-culturas que seguem as regras da sociedade, e parece que grande parte da cultura da Música Cristã Contemporânea (MCC) desenvolveu a mesma tendência. Este fato é sem precedentes nos tempos modernos, uma vez que a música sempre foi vista como um braço da Igreja, sob sua autoridade e direção. Hoje, porém, ela se desenvolveu numa cultura autônoma de pessoas, as quais resistem audaciosamente a qualquer tentativa da liderança da Igreja de questionar seu estilo de vida ou monitorar seus métodos e estilos. Embora os níveis de liderança ainda estejam sob a proteção da regulação e aprovação da Igreja, a aberrante Cultura da Música Cristã é comandada por pessoas seculares, operando num formato frouxo, liberal, onde o pecado e o erro são aceitos, desde que um rótulo de ‘cristão’ seja afixado frouxamente sobre ela”. Leia mais aqui.
Há 150 anos Spurgeon já dizia: “O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão é prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo. A igreja abandonou a pregação ousada, como a dos puritanos; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões”. Seu sermão “Alimentando as Ovelhas ou Divertindo os Bodes?” pode ler lido aqui
Voltando especificamente à questão musical, hoje em dia esquece-se que para ser chamada de música a composição precisa necessariamente ter melodia, ritmo e harmonia. Verificamos que a maioria dessas “canções modernas” não atende a esse requisito básico. O hip-hop e o rap, por exemplo, possuem apenas ritmo (aliás, rap é uma sigla para “rythm and poetry”, ritmo e poesia – ou letra, em inglês). Isso quando tem letra. Veja essa pérola do “músico gospel” Adriano Gospel Funk:
“Pras irmã e pros irmão, que curte o som pancadão
Eu mando assim ó: Vem pro gospel funk
Pra se divertir com Jesus no coração
Você vai ser feliz então, vem pro gospel funk (2x)
A juventude, os adultos, os coroa e as crianças, 
então pula e agora dança (2x)
A juventude, os adultos, os coroa e as crianças, (2x)
Vem pro gospel funk pra se divertir...”
Ô Adriano, tá me ouvindo? Sem comentários essa sua “letra” hein...
Quando há algo além do ritmo, vemos que muitas harmonias são defeituosas, pois são em tons menores ou usam dissonâncias, mensagem subliminar que destoa da letra dita “cristã”. Como pode uma mensagem cristã ser distorcida ou dissonante? Psicologicamente estabelece-se um conflito na mente de quem ouve.
E a letra? Aí é está o pior, se é que algo pode ser ruim, péssimo ou pior. Poucas letras sobrevivem a um exame bíblico, isso quando não trazem ensinos bíblicos pela metade e até heresias. Por exemplo, “quero ser como Zaqueu” parece bacana. Mas quem quer distribuir seus bens aos pobres? Leia Lucas 19:8. 
“És Deus de perto, e não de longe”. Mas a Bíblia diz que Ele é Deus de perto e de longe também. Jeremias 23:23. 
“Derrama a tua shekinah sobre nós”. Se perguntarmos o que significa esta palavra, todos dirão: “a glória de Deus”. Mas a palavra “shekinah” não é encontrada em nenhum lugar das Escrituras! E “glória” no hebraico é “kavod” (o peso da glória de Deus). “Shekinah” vem da raiz “shakhan” que significa: habitar, fazer morada. Esta idéia de “skekinah”=glória aparece somente na literatura rabínica: os judeus cabalistas é que começaram a usá-la a partir do séc XIII. 
Há muitas outras pérolas, tão distantes do padrão bíblico como o Oriente do Ocidente. Muita gente há de discordar; tudo bem, o país é democrático.
Tem música que é para adoração e louvor, e tem música que é apenas entretenimento. Se essa distinção fosse levada a sério, haveria uma seleção do que cantar na igreja e do que colocar no carro, do que ouvir enquanto se faz caminhada, em festas, acampamentos, nas raves gospel que algumas igrejas promovem, shows, funk evangélicos, pagodes etc. Por que no dia em que se entender que isso é apenas meio de vida, uma forma de expressão “até-certo-ponto-mais-ou-menos-quase” artística, um produto à venda no mercado e que portanto nada tem a ver com Deus e Seu Reino, acaba a confusão se isso é de Deus ou não, se é mundano ou não, se aquilo outro é do homem ou do Diabo (http://bit.ly/9NcLnK). E a gente para de ver micos como este e este...
E antes que se conteste dizendo que muitos grupos de rock gospel promovem transformação de vidas, digo que concordo em parte. Bandas como Stryper e Petra, que no início escandalizaram os santarrões de plantão, fizeram mais pelo Evangelho do que os fariseus que os malharam. Mas as letras dessas bandas são Bíblia pura! E em suas vidas pessoais tem bem menos badalação e estrelismo que são a tônica nos atuais pop-stars gospel. E também eles sabiam a diferença entre show e igreja. Um dos trabalhos mais inspirados do Petra é justamente o CD “Em Adoração” (que tem uma versão em espanhol, “En Alabanza”) com músicas que se podem cantar tranquilamente na igreja. Ou músicas de bandas como Third Day. Essa é a diferença.
E então leio a espantosa notícia de que um tal Luiz Arcanjo (foto da figuraça aqui ao lado), vocalista da banda “Trazendo a Arca” – incríveis esses nomes tirados do Velho Testamento! – lança seu CD solo, no qual “investiu trazendo os melhores músicos do meio secular”! Leia aqui. Ou seja, institucionalizou-se o jugo desigual (ou talvez não seja tão desigual assim). Depois que o Diante do Trono se associou à Rede Globo, tudo é possível. Até juntar “levita” com “baalita” para oferecer adoração ao Senhor. A menos que não seja “para o Senhor”; aí, tudo bem.
Tomara que eu esteja enganado, mas pessoas como esse Rosan Neves, de Porto Velho, que já teve casa de show como ele mesmo afirma, apenas mudaram seu público alvo. E como ele, um monte de “artistas” gospel que pululam por aí. Doa a quem doer.

Nota: esta matéria foi publicada originalmente em 27/02/2010. Republiquei agora porque houve um problema e ela perdeu toda a formatação.

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domingo, 13 de julho de 2014

Ainda bem que Jesus não voltou

Ainda bem.
Eu teria ficado para trás, porque me distraí vendo todos os jogos de futebol que pude. Afinal, é empolgante assistir a toda a movimentação das torcidas antes, durante e depois dos jogos; ver os comentários dos mais abalizados jornalistas esportivos, e os palpites dos zé-manés que passavam pela rua, doidos para aparecer na televisão. Os vitoriosos comemorando e os derrotados chorando. A torcida aplaudindo e a torcida vaiando. Ah, sim, e também as análises dos entendidos depois, até tarde da noite, as resenhas, os replays dos lances mais perigosos, das faltas mais violentas,dos gols mais bonitos, das falhas mais clamorosas, dos impedimentos não marcados e dos penalties duvidosos, dos closes nos torcedores mais exaltados... ainda bem. Eu nem teria percebido que Jesus voltara.
Ainda bem que a trombeta não soou nesses últimos dias (eu acho). Eu não teria ouvido, pois estava muito ocupado discutindo a situação política do país. Eu precisava convencer os meus conhecidos de que a minha opção política é a melhor, e que eu sei a solução para todos os problemas. É claro que eu sei o nome de todos os corruptos, sei como resolver a questão da Educação, da Saúde, dos Transportes e da inflação. Eu tenho a solução para a crise econômica! É muito simples! Não sei como as pessoas ainda não sabem, por isso precisei gastar horas e horas em debates intermináveis explicando quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha. Fiquei aliviado quando me dei conta de que a trombeta ainda permanecia silenciosa (acho).
Respirei mais calmo quando pensei que o arrebatamento da Igreja não aconteceu nessas últimas semanas. Eu teria perdido o momento, pois precisava atualizar meus e-mails, meus posts no Facebook e no Twitter, e ver as mais recentes piadinhas da web e do WhatsApp. Precisava ver os últimos vídeos de gente idiota escorregando na rua, caindo na praia, capotando de balanços e escorregadores nos parques de diversão, e rir das pegadinhas mais bestas que se pode imaginar. Eu tinha que saber quais eram os memes da hora. Não podia correr o risco de ficar “por fora”, senão o que diriam os meus amigos?
Eu achei bom que o dia do retorno de Jesus a esta Terra ainda não chegou, porque eu teria perdido. É que eu precisava assistir aos últimos capítulos da novela. Sabe como é, o pessoal fala que é coisa do diabo e coisa e tal, mas se eu não sei o que as pessoas estão vendo e comentando, como posso interagir com elas? Como poderia haver melhor razão para iniciar um assunto do que o capítulo de ontem? É só fazer de conta que não tinha nenhuma cena de traição, de violência gratuita, ou de beijo gay. A gente passa por cima dessas coisas secundárias. O que importa é ter o que conversar com os outros.
Ainda bem que Jesus ainda não voltou, pois eu precisava assistir aquele DVD com o show gospel daqueles levitas adoradores que mandam a gente tirar o pé do chão e depois botar a cara no chão. É muita unção! Só de assistir ao vídeo a gente fica todo suado. Dizem que antigamente, na adoração a gente ficava arrepiado, mas agora são outros tempos... e também precisei ver aquele filme de super-heróis que há muito tempo anunciavam que ia estrear. Durante aquelas horas diante da telona pude descansar um pouco e me divertir com as aventuras rocambolescas e completamente fantasiosas, sem me importar em imaginar que, em sendo arrebatado aos céus, veria coisas muito além de qualquer imaginação humana. Se bem que naquela nova série de TV também apareceram algumas cenas tão cheias de efeitos especiais que nem sei se é possível haver algo mais esplendoroso.
Espero que Jesus ainda demore a voltar, pois ainda quero ir àquele show gospel, daquele cantor famoso que, aliás, estava no jogo do Brasil, ele até apareceu na televisão no meio da torcida, com camisa amarela e tudo. Ainda bem que ele não é daqueles antiquados que diziam que não deveríamos nos envolver com futebol. Imagina só... tantos jogadores e ex-jogadores que quando fazem gol levantam a mão para o céu... por isso eu quero ir no show gospel daquele cantor, ainda mais se for no estádio de futebol. Tudo bem que depois que o Brasil perdeu ele apagou de seu site as próprias fotos do dia do jogo e passou a falar que devemos orar por Israel, mas se ele vai ao estádio eu também posso.
Eu fiquei sossegado ao perceber que Jesus não havia voltado durante estes dias. Assim eu tive bastante tempo para postar nas redes sociais muitos selfies, como quando fui naquele restaurante bacana, e tirei foto da comida antes de partir para cima do prato. Todos os meus amigos viram, mas sei que alguns ficaram com inveja e não curtiram. Acho até que vou apagá-los da minha lista. Realmente são invejosos pois não custa nada dar um joinha nas fotos de sorvetes, bolos, cachorro-quente, sanduíche e até macarronada que eu posto! Tudo bem que foram muitos, mas o que é que tem? Achei que havia algo de errado e quando postei alguns versículos ninguém nem gostou. 
Por isso mudei de foco e retransmiti várias fotos de gatinhos e de paisagens com por-do-sol, praias e montanhas, flores e jardins com mensagens de auto-ajuda: aí sim, dessas o pessoal gostou... nem ligaram se são mensagens de Gandhi, do “papa”, de “madre” Tereza, de “são” Nicolau, de Lênin, de Jorge Amado, Dorival Caymmi, Zé Cabaleiro ou de Alan Kardec... e algumas que eu mesmo inventei.
Ainda bem que Jesus não voltou enquanto eu pensava nessas coisas. Eu não teria forças nem para ver o que estava acontecendo, porque ainda estou cansado da festa junina que teve na minha igreja. Tudo para Jesus, é claro.
Havia bandeirinhas enfeitando tudo, todo mundo usava calça remendada e camisa xadrez! Só cantamos o louvorzão em ritmo de forró e country. A adoração atingiu o ápice quando todo mundo dançou em roda, em volta de uma fogueira de mentirinha, feita de papel celofane e cartolina. E no final do culto todos comeram canjica, pipoca, milho assado e pamonha. Não houve tempo para pregação nem evangelização, e ninguém se decidiu ao lado de Jesus, mas no nosso coração temos certeza de que foi tudo feito para glória de Deus e para manter os jovens na igreja. Mesmo que por trás de tudo estivessem as festas de “são” João.
Estou feliz de que Jesus não tenha aparecido nas nuvens ainda. Não tenho tido tempo de ler a Bíblia, nem de estudar o que Ele falou sobre o fim dos tempos. Não tenho paciência para ler livros cristãos: eles são muito profundos e me fazem pensar demais. Eles me deixam preocupado. Eles vivem me cobrando mais responsabilidade, mais vida cristã, mais testemunho. Me contento em saber que meu pastor disse que ninguém sabe direito sobre esse negócio de arrebatamento, e que a volta de Jesus pode ser interpretada de forma simbólica. Ele falou que é para a gente não se preocupar com essas coisas. Aí sim fico mais sossegado e posso me concentrar em outras coisas.
Me deu um certo alívio ao ver que a maioria das pessoas da igreja ainda está por aqui, teclando nas redes sociais e mandando torpedos, atualizando perfis, compartilhando piadinhas! Isso prova que Jesus não voltou, senão as teria arrebatado. São pessoas tão boas! Quase nunca faltam aos cultos, estão sempre nas atividades da igreja, dão o dízimo toda semana, participam da ceia, tocam no louvor, e as que não tocam no louvor, dançam! Não poderiam ficar para trás. Se elas sumissem de repente, eu acreditaria que Jesus voltou. A menos que elas não sejam o que parecem ser...
Ainda bem que Jesus não voltou nesses últimos dias.
Ou voltou???

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quarta-feira, 10 de março de 2010

Socorro, eles voltaram!


Como tirados de folhas amareladas pelo tempo, eles ressurgem... São os “levitas”, os “grandes” homens e mulheres que “ministram o louvor”. Um pouquinho só de conhecimento bíblico já nos faz ver que por trás disso tudo há um grande equívoco.
Quem se diz levita não sabe o que está dizendo. Pode ser que o desejo de ser levita surja de uma vontade de possuir títulos, o que é bem comum em nosso meio. Apóstolos, Bispas e Bispos, que assim se auto-denominam, são comuns, assim como quem busca no Velho Testamento coisas que já foram abolidas há pelo menos 2.000 anos. As pessoas precisam disso; afinal, ser levita é ser especial, ser diferente da massa que assiste ao culto (isso mesmo: as pessoas não participam, assistem ao culto). Ser levita é ser parte do grupo seleto, pessoas que surgiram lá no Antigo Testamento, ficaram omissos por 2.000 anos e agora ressurgem assustadoramente.
Primeiramente, perguntamos: na igreja de Jesus tem levita? Paulo ensina que não há “nem grego nem judeu”; quanto mais levita, que, como se sabe, é um descendente de Israel, a tribo que Deus consagrou para Seu serviço.
Ocorre que no culto cristão não há esse ministério especial, pelo menos não há registro dele nas cartas de Paulo, nem na História da Igreja Primitiva. Pelo contrário, a carta aos Hebreus é explícita ao dizer que o ministério levítico acabou quando Jesus, na Sua morte, rasgou o véu do Templo...
Segundamente, se alguém insiste em ser chamado por este “título”, que fique claro que deve cumprir os rituais concernentes a tal posição, qual sejam: ser mesmo judeu, descendente de Levi; ser circuncidado; não tocar em coisas impuras, incluindo mulher menstruada, animais mortos e alimentos não permitidos pela Lei Mosaica; não fazer nenhum trabalho no sábado; não cortar o cabelo de forma arredondada; não danificar a ponta da barba; não misturar na sua roupa forro de lã e de linho; e mais uns seiscentos mandamentos, mais ou menos. Feito isso, tudo bem, é levita.
Para gente assim, sugiro uma leitura rápida (nem precisa ser muito profunda) do livro de Hebreus. Se restar alguma dúvida, leia novamente... mas se ainda tiver alguma dúvida, que procure a Sinagoga mais próxima.
Depois ficam indignados e dizem que não tem nada a ver com o judaísmo. Mas então por que os nomes desses conjuntos são sempre tirados do Velho Testamento? “Trazendo a Arca” (de onde para onde?), “Toque no Altar” (esqueceram de avisar pra eles que na igreja não tem altar, só no Templo de Jerusalém), “Aliança do Tabernáculo” (ai, ai), “Exodus”, “Elias & Enock”, etc. Uma exceção talvez seja “Amigos do Noivo”. Quer dizer então que eles não fazem parte da Noiva? Ou então, são apaixonados, coisa que o NT não recomenda, pois a paixão é da carne e passageira...
Esse movimento de levitas é um caso clássico. Pessoas que mal chegam a estar na frente da igreja dirigindo cânticos, e já se sentem “levitas”.
Nosso meio musical passa por momentos terríveis. É uma enxurrada de coisas de baixa qualidade (que alguns insistem em chamar de música), tanto nas rádios que se dizem evangélicas, como nas igrejas idem. Há cânticos que não dizem absolutamente nada. Cantamos porque o ritmo é gostoso, às vezes agitado, às vezes meloso, mas não dizem nada! A coisa é séria.
Que pena não se ouvir mais Vencedores Por Cristo, Logos, Sergio Pimenta, João Alexandre, Jorge Camargo, Guilherme Kerr etc. Gente comprometida não só com a qualidade da melodia, mas também com letras sadias, bíblicas, que nos fazem bem. Engraçado é que nenhum deles quer o título de “levitas”. Não precisam! São sérios, comprometidos... não vivem atrás de títulos, nomes, caras e bocas.
Danilo Fernandes, do blog Genizah (http://www.genizahvirtual.com/2009/09/carreira-muicai-ministerios-de-louvor-e.html), diz o seguinte a respeito dos modernos levitas profissionais:
“Os artistas cristãos são profissionais com carreiras. Carreiras, não ministérios... se o artista quer ser ministro de louvor e quer ter um ministério, não pode cobrar para cantar em púlpitos e, principalmente, deve se comportar como tal, se preparar e se dedicar com temor e tremor à Obra do Senhor. Seu comportamento como ministros será observado, como se faz e se exige dos obreiros na casa do Senhor. Sua vida deve ser reta e exemplo para os irmãos. As letras de suas músicas devem ser bíblicas, escrutinadas pela Igreja. O que não dá é querer agir como artista de carreira quando se trata de dinheiro e vida pessoal, pregar sem estar preparado, usar o palco como púlpito ou plataforma política, desfilando doutrinas vazias, abusando dos atos proféticos, das jam sessions com o “espirito” (sabe-se lá de quem), usando um falso ministério como escudo ungido e selado. Fuja deste! Quem faz assim não é ministro de outro senão de Baal. É prostituto cultual. Este quer enganar. Explorar a fé alheia”.
Hoje, muitas igrejas não têm ministros de louvor, têm animadores. “Levante as mãos”, “feche seus olhos”, “diga para o irmão que está ao seu lado”, “faça isso”, “faça aquilo”... e lá ficam eles, levitas, mandando e desmandando no auditório, achando que isso é ministrar o louvor. Lembram um antigo comercial em que o animador falava: “agora, só os homens... agora, só as mulheres... agora, só os baixinhos”...
O louvor, ainda que manifestação coletiva na reunião dos salvos, é algo pessoal. Cada um tem seu jeito, seu “estilo”; mas nós queremos a uniformidade de gestos, atos e palavras, verdadeiros robôs levíticos, porque na verdade desconhecemos a profundidade do louvor e da sua força naquele que louva, seja de que jeito for. Ora, às vezes é bom um louvor mais “carismático”, às vezes um mais tranqüilo, e ainda que o cântico seja agitado, nem sempre a pessoa quer bater palmas, ou levantar as mãos. Isso é de cada um, e não devemos julgar quem levanta ou não as mãos, porque isso não foi, não é, e nunca será, parâmetro de espiritualidade.
Falta percepção maior do que realmente estão fazendo. Se você não levantar as mãos, o irmãozinho do lado já faz cara feia: “Esse deve estar em pecado”. O “levita” despeja umas gracinhas: “tem gente que não levanta a mão... tá cansado... tá derrotado...” . Isso nos rouba a individualidade e a comunhão pessoal desse momento do culto, o momento em que nos rendemos inteiramente na presença de Deus.
E ainda há os que pedem uma “resposta” da “platéia”. O “levita” puxa a música: “Quem tá feliz diga amém!!” e a platéia grita “Améééém!” ...e o indivíduo que perdeu seu emprego, descobriu uma doença, viu ruir seu casamento, descobriu que seu melhor amigo lhe traiu, enfim por qualquer motivo que nos faça tristes (afinal ainda somos humanos!) se vê num dilema terrível: ou ele grita “amééém!” e mente diante daquele a quem se deve adorar não só em espírito, mas em verdade, ou não grita nada e sai de lá com dois problemas, o que ele já trazia de casa e a sensação de que é o único que não está “ligado” com o Senhor. Como se esquecêssemos que o próprio Mestre chegou a declarar em um momento que sua alma estava “angustiada até a morte”, e garanto que nesse momento ele (Jesus) não responderia “amééém!” aos convites irresponsáveis dos “levitas” de hoje.
O louvor deve ser visto com mais cuidado pelos líderes. Nossas igrejas caminham por mares perigosos na área musical: heresias e desvios bíblicos, sutilmente, vão se alastrando, e quando percebemos é tarde demais, pois a cultura já está enraizada. E a cada dia novas aberrações surgem, como podemos perceber.
Em algumas reuniões o momento máximo é quando se toca o shophar, instrumento feito com um chifre de carneiro, que segundo os seus “usuários” tem poderes nas regiões celestiais. Qual o problema de se tocar um instrumento judaico em nossos cultos? Nenhum. Desde que seja apenas mais um instrumento, que sirva para harmonizar ou então enriquecer a música que se canta em apresentação ao nosso Grande Deus. É aqui que surge o problema. O shophar não é apenas um instrumento, ele é O instrumento. Desenvolveu-se uma "teologia" para o uso do shophar: um instrumento espiritual que anula o poder do demônio; para alguns, é a própria voz de Deus na terra. Qualquer evento tem que ter shophar, senão não é abençoado, não está na "unção". O shophar virou a "galinha dos ovos de ouro" dos levitas. Todos querem tocá-lo, todos querem seu poder e unção.
"Grandes nomes" estão difundindo a cultura do shophar; já se escreveu por aí que o shophar faz os poderes celestiais tremerem; Mike Shea, o “apóstolo do louvor”, tem tocado o shophar em vários eventos. Em um CD, o shophar foi tocado por um "espírito" que uns dizem ser de Deus: o som “divino” do shophar "apareceu" na gravação, o que mereceu, nas notas técnicas a seguinte informação dos instrumentistas: "Shophar - ?".
Isso está acontecendo em nosso meio. O toque do shophar é um toque bonito. Nada contra. Mas que seja apenas mais um instrumento como o violão, o teclado, a bateria, a castanhola, o clavicórdio, o xilofone ou a marimba, pois o que faz a diferença não é o instrumento, mas quem o toca. Com consagração, vida cristã no altar, coração aquecido, até tocar "caixinha de fósforo" chegará ao céu como cheiro suave, oferta viva ao que é digno de receber o melhor.
Louvai ao Senhor com todos os instrumentos! Principalmente, com santidade de vida, sacrifício vivo, santo e agradável a Deus - nosso culto racional!


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