Mostrando postagens com marcador funk gospel. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador funk gospel. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de fevereiro de 2015

A música Gospel e o namoro com a

Li outro dia sobre um evento que pode provocar uma reflexão. A juventude evangélica de Porto Velho participou do “1º Gospel Show”, uma mistura de música religiosa com hip-hop – incluindo grupos de danças coreografadas e grupo de pagode gospel. Há alguns anos, isso seria impensável, pois a música evangélica era solenemente sacra e sem os embalos rítmicos que os conservadores costumavam tachar como “da carne” ou profanos, por incentivar o corpo ao balanço e ao requebrado. Mas atualmente, pagode, funk, rock, forró e até o hip-hop ganham versões gospel com letras que tentam pregar o evangelho. 
O teólogo Messias Alves (graduado pela UNACH – Universidade Adventista do Chile) diz que, principalmente no final dos anos 1980, começou se fazer uma mistura de ritmos com o propósito de evangelizar: “A princípio, a inserção de certos ritmos no campo da música gospel ou evangélica se deu sob muita resistência. Até hoje muitos evangélicos não aceitam os chamados Pagode Gospel, Rock Gospel e outros, por considerarem uma ‘mistura do santo e do profano’. No entanto, mesmo os mais conservadores podem constatar que tal revolução na música evangélica resultou numa maior aproximação dos jovens ao Evangelho e, conseqüentemente, em mudança de vidas”. Eu, particularmente, tenho minhas dúvidas. É fácil constatar que nos últimos vinte anos houve melhora no nível técnico, mas em relação ao conteúdo isso é bastante discutível.
Para o promotor do evento em Rondônia, Rosan Neves, a mistura de ritmos quebra paradigmas e abre oportunidades para os não alcançados pelo Evangelho. Rosan, que já teve casa de show em Porto Velho antes de ser evangélico, conta: “conheci muitos jovens músicos que tocavam pagode e enchiam a cara de drogas. Agora tenho reencontrado esses mesmos jovens tocando pagode e adorando a Jesus – vivendo um estilo de vida saudável e muito melhor para si e suas famílias”.
Será? D. M. Lloyd-Jones, um dos grandes teólogos do século XX, explica o que significa o louvor, a adoração e a ação de graças, que são o padrão para a Igreja Cristã. Por que devemos cantar? O que devemos cantar? Como devemos cantar? O canto sempre foi importante para o povo de Deus. Baseado em Efésios 5:18-20, Lloyd-Jones trata da maneira como os crentes devem expressar suas vidas cheias do Espírito na igreja e em seu viver diário. Ele define salmos, hinos e cânticos espirituais e dá atenção referente ao cântico de salmos, discute o lugar da melodia no culto e nos faz lembrar que o cristão, sempre, e em todas as áreas da vida, deve cantar ao Senhor, pois Ele é bom e a Sua misericórdia dura para sempre.
O tipo de música que atualmente escorre das rádios e livrarias evangélicas corresponde ao padrão bíblico? Esse “gospel show” expressa a misericórdia de Deus, traz alguém ao arrependimento, à mudança de vida, ou é apenas uma noite de diversão e rebolado em nome de Jesus? Será que o pessoal lá sabe cantar o hino “Santo, Santo, Santo”? E mesmo que saiba, será que alguém cantaria tal melodia num evento desses?
C. H. Fischer escreve que, “da mesma forma que no mundo secular há várias sub-culturas (...) existe uma nova sub-cultura, a aberrante Cultura da Música Cristã. Ela se desenvolveu imitando o padrão satânico da indústria de entretenimento secular, ao qual ela busca igualar-se. A música secular e a indústria de entretenimento também têm sub-culturas que seguem as regras da sociedade, e parece que grande parte da cultura da Música Cristã Contemporânea (MCC) desenvolveu a mesma tendência. Este fato é sem precedentes nos tempos modernos, uma vez que a música sempre foi vista como um braço da Igreja, sob sua autoridade e direção. Hoje, porém, ela se desenvolveu numa cultura autônoma de pessoas, as quais resistem audaciosamente a qualquer tentativa da liderança da Igreja de questionar seu estilo de vida ou monitorar seus métodos e estilos. Embora os níveis de liderança ainda estejam sob a proteção da regulação e aprovação da Igreja, a aberrante Cultura da Música Cristã é comandada por pessoas seculares, operando num formato frouxo, liberal, onde o pecado e o erro são aceitos, desde que um rótulo de ‘cristão’ seja afixado frouxamente sobre ela”. Leia mais aqui.
Há 150 anos Spurgeon já dizia: “O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão é prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo. A igreja abandonou a pregação ousada, como a dos puritanos; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões”. Seu sermão “Alimentando as Ovelhas ou Divertindo os Bodes?” pode ler lido aqui
Voltando especificamente à questão musical, hoje em dia esquece-se que para ser chamada de música a composição precisa necessariamente ter melodia, ritmo e harmonia. Verificamos que a maioria dessas “canções modernas” não atende a esse requisito básico. O hip-hop e o rap, por exemplo, possuem apenas ritmo (aliás, rap é uma sigla para “rythm and poetry”, ritmo e poesia – ou letra, em inglês). Isso quando tem letra. Veja essa pérola do “músico gospel” Adriano Gospel Funk:
“Pras irmã e pros irmão, que curte o som pancadão
Eu mando assim ó: Vem pro gospel funk
Pra se divertir com Jesus no coração
Você vai ser feliz então, vem pro gospel funk (2x)
A juventude, os adultos, os coroa e as crianças, 
então pula e agora dança (2x)
A juventude, os adultos, os coroa e as crianças, (2x)
Vem pro gospel funk pra se divertir...”
Ô Adriano, tá me ouvindo? Sem comentários essa sua “letra” hein...
Quando há algo além do ritmo, vemos que muitas harmonias são defeituosas, pois são em tons menores ou usam dissonâncias, mensagem subliminar que destoa da letra dita “cristã”. Como pode uma mensagem cristã ser distorcida ou dissonante? Psicologicamente estabelece-se um conflito na mente de quem ouve.
E a letra? Aí é está o pior, se é que algo pode ser ruim, péssimo ou pior. Poucas letras sobrevivem a um exame bíblico, isso quando não trazem ensinos bíblicos pela metade e até heresias. Por exemplo, “quero ser como Zaqueu” parece bacana. Mas quem quer distribuir seus bens aos pobres? Leia Lucas 19:8. 
“És Deus de perto, e não de longe”. Mas a Bíblia diz que Ele é Deus de perto e de longe também. Jeremias 23:23. 
“Derrama a tua shekinah sobre nós”. Se perguntarmos o que significa esta palavra, todos dirão: “a glória de Deus”. Mas a palavra “shekinah” não é encontrada em nenhum lugar das Escrituras! E “glória” no hebraico é “kavod” (o peso da glória de Deus). “Shekinah” vem da raiz “shakhan” que significa: habitar, fazer morada. Esta idéia de “skekinah”=glória aparece somente na literatura rabínica: os judeus cabalistas é que começaram a usá-la a partir do séc XIII. 
Há muitas outras pérolas, tão distantes do padrão bíblico como o Oriente do Ocidente. Muita gente há de discordar; tudo bem, o país é democrático.
Tem música que é para adoração e louvor, e tem música que é apenas entretenimento. Se essa distinção fosse levada a sério, haveria uma seleção do que cantar na igreja e do que colocar no carro, do que ouvir enquanto se faz caminhada, em festas, acampamentos, nas raves gospel que algumas igrejas promovem, shows, funk evangélicos, pagodes etc. Por que no dia em que se entender que isso é apenas meio de vida, uma forma de expressão “até-certo-ponto-mais-ou-menos-quase” artística, um produto à venda no mercado e que portanto nada tem a ver com Deus e Seu Reino, acaba a confusão se isso é de Deus ou não, se é mundano ou não, se aquilo outro é do homem ou do Diabo (http://bit.ly/9NcLnK). E a gente para de ver micos como este e este...
E antes que se conteste dizendo que muitos grupos de rock gospel promovem transformação de vidas, digo que concordo em parte. Bandas como Stryper e Petra, que no início escandalizaram os santarrões de plantão, fizeram mais pelo Evangelho do que os fariseus que os malharam. Mas as letras dessas bandas são Bíblia pura! E em suas vidas pessoais tem bem menos badalação e estrelismo que são a tônica nos atuais pop-stars gospel. E também eles sabiam a diferença entre show e igreja. Um dos trabalhos mais inspirados do Petra é justamente o CD “Em Adoração” (que tem uma versão em espanhol, “En Alabanza”) com músicas que se podem cantar tranquilamente na igreja. Ou músicas de bandas como Third Day. Essa é a diferença.
E então leio a espantosa notícia de que um tal Luiz Arcanjo (foto da figuraça aqui ao lado), vocalista da banda “Trazendo a Arca” – incríveis esses nomes tirados do Velho Testamento! – lança seu CD solo, no qual “investiu trazendo os melhores músicos do meio secular”! Leia aqui. Ou seja, institucionalizou-se o jugo desigual (ou talvez não seja tão desigual assim). Depois que o Diante do Trono se associou à Rede Globo, tudo é possível. Até juntar “levita” com “baalita” para oferecer adoração ao Senhor. A menos que não seja “para o Senhor”; aí, tudo bem.
Tomara que eu esteja enganado, mas pessoas como esse Rosan Neves, de Porto Velho, que já teve casa de show como ele mesmo afirma, apenas mudaram seu público alvo. E como ele, um monte de “artistas” gospel que pululam por aí. Doa a quem doer.

Nota: esta matéria foi publicada originalmente em 27/02/2010. Republiquei agora porque houve um problema e ela perdeu toda a formatação.

598.520

sábado, 25 de maio de 2013

Os saduceus modernos

Quando falamos sobre o período de
silêncio profético, descobrimos que durante aqueles 400 anos ou mais, no alvorecer do Novo Testamento,surgem vários grupos que não existiam em Israel no tempo dos profetas. Assim que vemos nos relatos dos evangelistas os fariseus, saduceus, herodianos, zelotes, escribas e doutores da lei; e também sabemos que haviam os essênios, apesar de não mencionados nos Evangelhos. Descrevemos algumas características de cada grupo, e nos desafiamos a ver em nós algumas delas. Olhando no espelho, vemos em nós muitas práticas dos fariseus, que Jesus condenou, de modo que precisamos fazer a cada dia uma séria reflexão.
O fariseu da parábola disse: “Graças te dou, ó Deus, porque não sou como esse publicano; e por isso foi repreendido. Hoje, o fariseu se tornou símbolo de tudo que é detestável e indesejável na vida cristã. Até apareceu recentemente uma pesquisa - diga-se de passagem, tendenciosa, com perguntas capciosas e direcionadas - que pretendia identificar se os cristãos de hoje se parecem mais com Jesus ou com os fariseus. Polêmica à parte, eu acho que muitos cristãos se parecem mais mesmo é com os saduceus. Veja se concorda.
Como vimos antes, na época do domínio grego em Israel houve uma forte influência do estio de vida helênico sobre os judeus, uma verdadeira ameaça humanística e mundana. A revolta dos macabeus também foi, em parte, uma reação a esse mundanismo. Em Jerusalém fora construído um teatro do tipo grego, e também um estádio para esportes, no mesmo esquema do famoso Circus Maximus de Roma, um hipódromo em formato oblongo. Ali os jovens judeus começaram a ser seduzidos pelo esporte, e começaram a abandonar as práticas mais
ascéticas de seus pais. Como os atletas competiam nus, os judeus, com medo e vergonha de serem discriminados, começaram a fazer uma espécie de “cirurgia plástica” para disfarçar a circuncisão!
Pior ainda, como o estádio ficava num plano inferior ao Templo, numa encosta de Jerusalém, as pessoas se debruçavam na amurada do local sagrado para assistir às competições, virando as costas para o santuário!
Não sei se os saduceus chegavam a tanto, mas é fato que se orgulhavam de ser modernos, ao absorver a filosofia e a cultura gregas. Eram como uma sombra dos gregos, a quem admiravam. Eram o oposto dos fariseus, que eram nacionalistas e exclusivistas. De qualquer forma, o paralelo com nossos dias não é difícil de ser traçado.
Os nossos saduceus começaram a pulular depois da grande expansão evangélica dos últimos vinte ou trinta anos. Começaram sua caminhada ao ver que o aumento do número de congregados poderia ser acelerado, não com a pregação do Evangelho, o anúncio das Boas Novas de salvação, conforme acontecia desde o século XIX em terras tupiniquins. De repente, descobriram na outra América as técnicas de marketing e de propaganda. Pastores e outros líderes mandaram seus filhos e filhas - herdeiros do feudo de papai e de vovô - estudarem nos “States” para aprender com  o Tio Sam as últimas novidades do mercado eclesiástico. Começaram a adquirir cada vez mais horários em rádio e televisão, não para pregar a Palavra de Deus, mas para vender quinquilharias – CDs e DVDs toscos de cantores toscos, camisetas, livretes toscos de autores toscos. É preciso atender à demanda do mercado... e que mercado!
Sob a iluminação bruxuleante de “novas revelações”, criaram aberrações supostamente baseadas na Bíblia, e assim surgem esquemas de pirâmide como G12 ou M12, copiados de modelos de falcatruas mundanas. “É moderno”, dizem. “A igreja cresce rápido”, defendem. E não se importam se a igreja parece uma panela de pipoca, grande, vistosa, esparramando pelas beiradas, mas sem nenhum valor nutricional. 
Vivi uma época em que a música tocada nas igrejas era bastante amadora, do ponto de vista instrumental e técnico. Ansiávamos por uma melhoria dos músicos – que na época ainda não eram chamados de “levitas”. Batalhávamos para conseguir instrumentos melhores, estudamos Música, ensaiávamos até a exaustão. Aí apareceu uma nova geração que de fato melhorou o nível de execução musical. A globalização ajudou a diminuir a diferença de preços entre as guitarras Giannini (que já então faziam excelentes cópias das Fender e Gibson) e as sonhadas Ibanez. E então conseguíamos comprar violões Ovation, baixos Rickenbaker, baterias Tama, amplificadores Peavey. Microfones Shure!
Mas se o nível técnico e instrumental subiu, em contrapartida a qualidade das letras caiu vertiginosamente, a ponto de ouvirmos hoje em dia pérolas como “Filho meu, você me rejeitou, porta na cara doeu... Ontem eu me lembrei de uma antiga oração que você fez... tenho promessas arquivadas te esperando, filho...a gente vence junto essa parada” (Thalles Roberto). Ou És Deus de perto, e não de longe (Apascentar). Ou “não posso deixar que sigas sem me perceber” (Toque no Altar)... ou “E Ele vem saltando sobre os montes / Incendeia, Senhor, a Tua noiva” (David Quinlan)... por aí vai... Quanta heresia! Quanta bobagem! Ai que saudade dos Vencedores por Cristo, Logos e Jovens da Verdade! Hoje só temos, praticamente, “vendedores de cristo”! 
Tocam muito bem! Não fazem cultos, nem pregam mais nas praças, colégios e universidades, mas seus shows são uma beleza, uma maravilha tecnológica, com técnicos importados, como sempre, da outra América... já o conteúdo... “pula, dança, tira o pé do chão”... lembrei outra vez da panela de pipoca.
E como os judeus de séculos passados, tentam esconder sua circuncisão. Um certo “levita” foi a um programa de TV apropriadamente chamado “Caldeirão” e, perguntado sobre como era sua música, não disse que era cristã, evangélica ou adoração (como diria um “levita” de verdade). Disse que era música moderna “sem setorizar... rap de contexto social positivo”... escondeu a marca que mostrava que ele era diferente!
Os saduceus demoliram os muros que separavam o templo do ginásio. E aí passaram a promover lutas dentro dos prédios que um dia abrigaram reuniões de oração. Dizem que luta-livre e boxe na igreja não tem nada de mais. Se você acha que estou exagerando, clique aqui, aqui, aqui e aqui. Dizem que é para atrair os jovens que gostam desse esporte.
E se “os jovens” gostarem de fazer sexo sem compromisso, o que farão para atraí-los? Bem, já tem meio caminho andado: já existe “nudismo gospel; criaram “boate gospel” pra fazer “balada gospel (aqui também) regada a “cerveja gospel; já funciona a sex-shop gospel (onde deve ter “camisinha gospel” para vender, pois filme “pornô gospel também já tem). “Pole-dance gospel” também já está na praça! Só falta o “motel gospel”. Tudo para “manter o jovem na igreja”: festa junina gospel, carnaval gospel, Halloween gospel... Não deveríamos nos espantar, pois até garota-de-programa (prostituta)gospel já tem - e é até dizimista!
Os saduceus também defendem acordos com o mundo: acham que se os cristãos evangélicos se associarem a emissoras de TV, ganharão tratamento diferenciado. Os “levitas” foram pioneiros nessa mutreta!
Admiram a “cultura moderna”, a “música moderna”, a “moda moderna”, os cabelos, as roupas, as tatuagens e piercings. Irmãs que vão “à igreja” de blusa “frente-única” e calça de academia. Ou então usam vestidos que parecem camisolas, e minissaias que parecem abajures. Homens usando brinco. Pastores fazendo implante de cabelo, delineando a sobrancelha, fazendo lipo-aspiração e redução do estômago. Pastores gastrônomos. Estão aí mesmo, agora mesmo, numa igreja perto de você. Avançados, integrados na cultura e na sociedade. Pós-modernos. Saduceus!
E por vezes, até se confundem com os herodianos. Envolvidos com o mundo político, freqüentam os gabinetes das autoridades. Franqueiam o púlpito aos candidatos, à destra e à sinistra. Negociam verbas, horários na televisão, emissoras de rádio, cargos no governo. Até fazem oração para Deus proteger o fornecedor da propina. Não raro acabam investigados pela Polícia Federal e pela Receita. Mas sempre voltam, apoiando o candidato em quem meteram o pau na eleição passada, ou metendo o pau em quem apoiaram antes.
Os saduceus criticam os fariseus por sua política isolacionista, exclusivista; e agem de maneira diametralmente oposta.  Escondem os sinais da circuncisão e adotam os costumes mundanos, promovendo banquetes faraônicos em suas mansões nababescas em homenagem a políticos, mesmo sabendo que esses “homenageados” são a escória da política nacional.
E como se não bastasse, realizam “cultos” em suas “igrejas” para mostrar publicamente sua íntima ligação com essas figuras abomináveis!
Outros são mais sutis. Adotam uma filosofia liberal e para serem bem-vistos pelo populacho, pela mídia e pelas celebridades, evitam falar qualquer coisa que possa “ofender” os pecadores. Dizem que não são como os fariseus, separados. Não, dizem que Jesus andava com bêbados e prostitutas, então o que é que tem a gente andar com bêbados e prostitutas? Jesus acolhia a todos, e disse à mulher pega em adultério “não te condeno”! Por que condenaríamos essas pessoas desassistidas? Convenientemente, esquecem-se de que Jesus disse àquela mulher: “vai, e não peques mais”. Não, isso não podemos dizer, soaria farisaico demais!
Então, passam a usar música de John Lennon como tema de “pregação”, ainda que ela diga que “não existe céu nem inferno”.  Começam a apoiar militantes homossexuais, para receber aplausos. Aceitam pastores divorciados (também aqui) - ver I Coríntios 7:10-11. Negam a volta de Cristo (também aqui neste link). Negam a soberania de Deus. Como no tempo de Jesus, saduceus não crêem no mundo espiritual: “os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito” (Atos 23:8). Esse aqui também não; e nem esse aqui, e nem esse. Talvez por isso fazem o que fazem!
Posso ficar até a semana que vem dando exemplos de saduceus modernos. Mas vou parar aqui: prefiro que você mesmo(a) procure à sua volta. Ou dentro de você.
Das duas uma: ou dizemos como o fariseu da parábola – “Graças te dou ó Deus, porque não sou como esse pessoal aí” – ou assumimos nosso saduceísmo.
Espero que o povo de Deus faça uma reflexão e veja se não está adotando a cultura dominante hoje na sociedade. Se não estamos com vergonha, escondendo a nossa circuncisão. “A circuncisão que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus” (Romanos 2:20).

224080

domingo, 1 de julho de 2012

Pescadores de homens

Tenho visto com freqüência cada vez maior a realização de eventos supostamente evangélicos, tendo como tema “caipiras” (festas “juninas” ou, “pentecostalizando” o termo, festas “jesuínas”). Também já vi convites para festas “dos anos 60”: uma espécie de “festa à fantasia”, onde se comparece a caráter, usando roupas e adereços espalhafatosos, valendo até perucas. E para não perder tempo descrevendo essas bizarrices, vou logo para o supra-sumo do absurdo, que é a realização de lutas violentas dentro de templos ditos evangélicos. 
Isso que se convencionou chamar de esporte, o qual é identificado por uma sopa de letrinhas – MMA (mixed martial arts), UFC (ultimate fighting championship) e outras siglas – já é altamente duvidoso enquanto esporte, pois seus benefícios, se é que existem, são questionáveis, e seus prejuízos são notórios. E agora vêm pretensos evangélicos defender a sua prática, dentro das igrejas, ainda por cima.
Eu poderia aqui traçar um paralelo com a Igreja Primitiva, aquela que ainda não havia ainda se contaminado com os costumes pagãos, e perguntar se alguma vez Pedro, Paulo ou qualquer outro apóstolo teria a cara de pau de promover uma luta de gladiadores, “para evangelizar”.
Imaginemos uma epístola dizendo que, para atrair a atenção dos jovens, deveriam ser apoiadas e estimuladas sessões de pancadaria, findas as quais os gladiadores – sem dentes, braços quebrados, contusões generalizadas – se confraternizariam, dando glória a Deus. Então haveria uma pregação, enquanto os diáconos limpariam o sangue da arena. Afinal, é isso que estão propondo, e repetindo à exaustão, para tentar criar uma aura de “normalidade”. Apenas quero dizer que Paulo, quando teve oportunidade de escrever a um jovem, no caso Timóteo, deu-lhe um conselho um tanto diferente do que se prega hoje. Paulo, depois de enumerar uma série de práticas e costumes que observara, escreveu: Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão (I Timóteo 6:11).
Ou os cristãos, ignorando esse mandamento - fugir dessas coisas - imitariam os pagãos? Será que na época da colheita das uvas, quando os romanos celebravam suas festas em honra ao deus do vinho, os cristãos também fariam uma festa como as bacanais romanas? O que você diria se aqueles cristãos fizessem um festival na mesma data das bacanais”, regada a vinho, mas em honra de Jesus? Poderiam até dar um nome quase” cristão, quem sabe “jesuscristália”?  Se fosse hoje, a turma provavelmente se sairia com diversas teorias para justificar tal prática: afinal de contas, Jesus dissera que o vinho era parte da Santa Ceia. Os cristãos deveriam então aproveitar e fazer encenações teatrais, versando sobre temas evangélicos, obviamente para atrair os pagãos. Assim, esses não estranhariam a ocasião, afinal, teria tudo a ver com o que eles já estavam acostumados. A bem da verdade, foi mais ou menos o que fizeram, adotando a ocasião da “saturnália” para comemorar a suposta data do nascimento de Cristo. Que nem mesmo nasceu em dezembro!
Por aqui, fazem mais ou menos a mesma coisa das bacantes de outrora. Aproveitam a época da colheita do milho e celebram festas “juninas”, com danças, quadrilhas, e obviamente, consumindo comidas à base de milho (pipoca, pamonha etc.). Tudo para a “glória de Deus”. Para “evangelizar”.
Métodos humanos. Não é o que fazem hoje? Pegam passagens fora de contexto (por exemplo, “fiz-me grego para assim ganhar os gregos”, I Coríntios 9) e tentam aplicar às suas extravagâncias.
Com essa passagem isolada e fora de contexto, abrem a porta para atrações variadas como shows de hip-hop, desfile de moda gospel, luta de vale-tudo, balada gospel, blocos carnavalescos, bailes de máscaras, e o que mais aparecer. Lembremos que já existem várias “igrejas” para gays; é para se assustar só de imaginar o que ainda pode ser “criado” por essas mentes doentias.
Na verdade, é um método muito antigo, esse de criar eventos para atrair multidões. Rômulo, um dos fundadores de Roma, “para conseguir ocasião e local favoráveis [para raptar mulheres e assim povoar a cidade recém-fundada], ocultou seu ressentimento [por causa do desprezo dos outros povos pelo seu convite] e preparou jogos solenes em honra a Netuno Equestre [o deus Conso], os quais denominou Consualia. Mandou então anunciar o espetáculo aos povos vizinhos e revestiu-o de todo o aparato possível na época, a fim de torná-lo atraente e despertar curiosidade” (de acordo com o historiador romano Tito Lívio, em “Ab Urbe Condita”, cit. em História de Roma. Tradução de Paulo Matos Peixoto, SP:Ed. Paumape, 1989, p. 32). O que seguiu depois foi o “rapto das sabinas”. Vejam como a arte de criar pirotecnias para distrair os tolos é antiga.
Já critiquei antes as tais “festas juninas evangélicas” e outras invenções “gospel”. Alguns querem justificar essas esquisitices dizendo que “para pescar é preciso usar a minhoca certa no anzol”, talvez tentando fazer uma alusão ao que Jesus disse aos seus primeiros discípulos: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mateus 4:19).
Acontece que:
1 – a pesca com anzol, usando minhoca ou qualquer outra isca, é, para dizer a verdade, um engodo, um engano. Engana-se o peixe com uma “comida falsa”, ou uma comida que significa a sua ruína. O peixe morde a isca  pensando que vai se alimentar, mas no fim acaba se dando mal. Será que é isso que queremos quando “evangelizamos”? Oferecemos um engodo aos incrédulos, uma “comida falsa”, uma mentira? Bem, eu acho que é isso o que muitas “igrejas” estão fazendo. Oferecem promessas vãs, prosperidade financeira, vitória em todas as áreas, até casamento e “sorte no amor”... isso até o cara cair na real e, desiludido, abandonar a fé, se é que um dia chegou a ter fé. Se é que um dia chegou a ser instruído nos caminhos de Deus. Se é que um dia conheceu a Deus e Seu plano de salvação.
2 – Ao contrário dos pescadores de anzol, os discípulos entenderam perfeitamente o que Jesus queria dizer com ser “pescadores de homens”, “porque eram pescadores” (Mateus 4:18). Até por que Jesus contou depois a parábola do Reino, o qual é “semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanhou toda espécie de peixes. E, quando cheia, puxaram-na para a praia; e, sentando-se, puseram os bons em cestos; os ruins, porém, lançaram fora. Assim será no fim do mundo: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 13:47-50).
E no final, Jesus perguntou: “Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe eles: Entendemos” (v. 51). Mas parece que os “apóstolos” modernos e seus seguidores não entenderam ainda.
Nós somos os pescadores. Cabe-nos lançar a rede, não anzóis com minhocas e iscas. Vem todo tipo de peixe, e não nos é dada ordem para fazer mais nada. Os anjos separarão os peixes que prestam dos que não prestam, “os bons e os maus” (da mesma forma que separarão o joio do trigo). Não precisamos enganar, jogar iscas, engabelar ninguém. Não precisamos armar presepadas, shows, festa junina, escola de samba, luta livre, mágica, equilibrista, mulher barbada, atrações variadas, “para atrair os peixes”. Não precisamos fazer da igreja um circo. A Palavra de Deus deveria ser suficiente para que as pessoas desejassem ir à igreja!
Mas muitos preferem os métodos humanos, cheios de criatividade, e vazios da Palavra de Deus. Se pudermos ir ainda mais longe, para buscar a origem da “teoria da minhoca”, chegaremos ao Éden, onde a serpente apresentou a Eva uma espécie de “minhoca”, ou um engodo, uma isca, sem esclarecer o que viria depois.  O que nos permite concluir que usar de engano nem é mais um método humano, mas satânico. Por que haveríamos de fazer a mesma coisa?
A única coisa que transforma o Homem e o traz para o Reino de Deus é a pregação do Evangelho, da “boa nova”, da “boa noticia”.
Qual é essa “boa noticia”? Diante de tanta coisa ruim que vemos todo dia nos jornais, a crise, o desemprego, seqüestros, assassinatos, motorista bêbado atropelando inocentes, banco quebrando, protestos, roubalheiras, CPI, corrupção, a bolsa caindo e o dólar subindo... deveria ser uma ótima noticia saber que nossas dívidas podem ser canceladas, perdoadas, totalmente zeradas. Saber que devíamos uma quantia que nunca poderia ser paga, mas que Alguém veio e disse: “Pode deixar, Eu pago tudo. Você não deve mais nada. Está resolvido... está consumado. Quem não gostaria de receber uma noticia dessas?
Isso não dizemos aos incrédulos. Preferimos dizer: “olha, vai lá na minha igreja hoje, vai ter uma apresentação de grupo de jovens, uma coreografia; vai ter a cantata do coral, é muito bonita; o cantor fulano vai cantar, a banda tal vai tocar; depois vai ter uma canjicada, uma feijoada, uma batatada”. Outros vão além: “vamos lá ver a luta de MMA, vamos na balada gospel, na ‘arena jovem’, no funk gospel, o barato vai ser doido, mano, véio. Mas nunca dizemos “vamos lá hoje, vai ter uma pregação sobre a Palavra de Deus, e você vai aprender que precisa entregar sua vida a Jesus, senão você vai para o inferno; o pastor vai explicar por que precisamos largar o pecado e seguir a Jesus como os discípulos fizeram, largaram tudo e O seguiram. Vamos orar para que Deus liberte as pessoas e mude seus corações”. Não; preferimos a minhoca.
É isso – só isso – que devemos fazer para que as pessoas venham para o Reino de Deus: mostrar a Palavra, sem rodeios, sem chantilly em cima, para adoçar ou enfeitar. É isso que precisamos anunciar para que os peixes saltem para dentro da rede, sem precisar ser enganados por minhocas pegajosas, moscas de borracha e peixinhos de plástico colorido.

156567