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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Senhora? Não, obrigado.

O culto aos santos só começou depois de cem anos, aproximadamente, depois da mor­te de Jesus, como uma tímida veneração aos mártires. A primeira oração dirigida expressamente a Maria é do fim do século III ou mais provavelmente no início do IV, o que implica que a veneração dos santos não faz parte do patrimônio original do Cristianismo. Se o culto aos santos e a Maria fosse correto, João, que escreveu o último evangelho, no fim do primeiro século certamente falaria sobre o assunto e incentivaria tal prática. Ele, porém, nos adverte: Filhinhos, guardai-vos dos ídolos (I João 5:21).
Mas para justificar o culto às imagens os católicos apresentam a teoria da “pedagogia divina”.
Se um dos objetivos da igreja católica é ensinar a Bíblia ao povo através das imagens, especialmente aos menos alfabetizados, surgem algumas perguntas: por que se faz culto a elas, se o objetivo é ensinar a Bíblia? Por que depois de tantos séculos, com milhares de católicos alfabetizados, ainda insistem em manter as imagens? Se realmente a imagem fosse o livro dos que não sabem ler, por que os católicos alfabetizados são tão devotos e apegados às imagens? Será que podemos desobedecer a Bíblia para superar uma deficiência de entendimento? Onde está a base bíblica para esta “teoria da pedagogia divina”?
 
A igreja católica apresenta basicamente duas fontes para justificar o culto às imagens: a tradição e as opiniões de seus líderes. Em resumo: opinião dos homens. Citam a Bíblia quando existe alguma possibilidade de apoio às suas doutrinas. Esquecem o ensino do famoso Padre Vieira: As palavras de Deus prega­das no sentido em que Deus as disse, são palavras de Deus; mas pregadas no sentido em que nós queremos, não são palavras de Deus, antes podem ser palavras do demônio (em “Sermões”, Ed. Lello & Irmãos, Porto, Portugal). A Palavra de Deus condena o culto às imagens!
Os argumentos a favor das imagens fazem-nos lembrar de um rei chamado Saul, que quis agra­dar a Deus com sua opinião, mesmo contrariando a Palavra de Deus (I Samuel 15:1-23). O catolicismo, de modo semelhante, contrariando a Bíblia, entende que a imagem é o livro daqueles que não sabem ler. Saul achava que oferecer sacrifícios era melhor, mais lógico, mais correto, mais racional. Acreditava que estava prestando um grande serviço a Deus (I Samuel 15:20-21). Deus, no entanto, o reprovou, dizendo: Tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à sua palavra? Obedecer é melhor do que sacrificar (I Samuel 15:22). Deus proíbe terminantemente o culto a ídolos e imagens (Êxodo 20:1-6; Levítico 26:1; Números 33:52; Deuteronômio 27:15; II Reis 21:11; Salmo 115:3-9; 135:15-18; Isaías 2:18; 41:29; Ezequiel 8:9-12; Atos 15:20; 21:25; II Coríntios 6:16).
O catolicismo inventa uma teoria contrária à Bíblia, e insiste que ajuda a obra de Deus. Mas o culto a imagens será sempre uma abominação. É a marca e a continuidade do paganismo. Cristianismo é a fé exclusiva na obra do Senhor Jesus (João 3:16; Romanos 5:8; Efésios 2:8-9; I Timóteo 2:5; Tito 2:11). E adoração exclusiva a Deus: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mateus  4:11; Lucas 4:8).
 
Os católicos tentam fazer distinção entre idolatria e veneração, com base no significado dos sufixos “latria” e “dulia”: “latria”, seria “adoração a Deus”; “dulia”, “devoção aos santos e anjos”, e “hiperdulia” seria a devoção a Maria. Mas é óbvia a dificuldade para justificar essa teoria. Se se limitassem a exaltar os heróis da fé, e a propô-los como modelo a ser seguido, não haveria problema. Assim agem também os cristãos genuínos. Mas infelizmente, não é isso que acontece.
  Por mais que líderes católicos se esforcem em suas infindáveis apologias ou explicações, são tentativas vãs e superficiais. Exemplo: qual a diferença que pode haver entre dulia e hiperdulia? Qual a diferença das duas com a latria? A verdade é que os três termos se confundem. Os termos dulia e hiperdulia podem estar envolvidos com a latria e tudo se torna uma distinção que não distingue coisa alguma. As pessoas que se prostram diante de uma imagem de Aparecida, “são” João, “são” Sebastião ou de Jesus sabem que estão cultuando em níveis diferentes? Não seria tudo a mesma coisa?
Imagine um católico romano bem instruí­do que vai à igreja. Primeiramente ele pretende cultuar “são” João. Dobra então seus joelhos diante da imagem e pratica a dulia. Depois, irá prestar culto a Maria, deixando, nesse momento, de praticar a dulia e passando a praticar a hiperdulia. Finalmente, para cultuar a Deus, ele pratica a latria... Não acreditamos que o povo católico saiba diferenciar a dulia, a hiperdulia e a latria, e mesmo que soubesse, dificilmente conseguiria respeitar os limites de cada uma.
Há diferença entre adorar e prestar culto? Se prostrar-se diante de alguém, dirigir-lhe orações e ações de graça, fazer-lhe pedidos, cantar-lhe hinos de louvor não for adoração, fica difícil saber o que o catolicismo romano entende por adoração. Chamar isso de veneração é subestimar a inteligência humana. Analisando essas práticas católicas à luz da Bíblia e da história, fica claro que são práticas pagãs. O “papa” Bonifácio IV, em 610, celebrou pela primeira vez a festa a todos os santos e substituiu o panteão romano (templo dedicado a todos os deuses pagãos) por um templo cristão para que as relíquias dos santos fossem ali colocadas. Dessa forma o culto aos santos e a Maria substituiu o culto aos deuses do paganismo (Atlas Histórico do Cristianismo, de Andréa Dué, Ed. Santuário/Vozes [editora católica] pg.72). 
Os católicos dizem que Maria não é reconhecida como deusa no catolicismo, mas os fatos falam por si mesmos. O livro “Glórias de Maria”, publicado em mais de 80 línguas, da autoria de Afonso Maria de Ligório, “canoniza­do” pelo “papa”, atribui a Maria toda honra e glória que a Bíblia confere ao Senhor Jesus Cristo. Chama Maria de onipotente, além de mencionar outros atributos divinos:
Sois onipotente, ó Maria, visto que vosso Filho quer vos honrar, fazendo sem demora tudo quanto vós quereis (pg 100). Os pecadores só por intercessão de Maria obtém o per­dão
(pg. 76)... Ó mãe de Deus, vossa proteção traz a imortalidade; vossa intercessão, a vida (pg. 27)... Em vós, Senhora, tendo colocado toda a minha esperança e de vós espero minha salvação... Maria é toda a esperança de nossa salvação, acolhei-nos sob a vossa proteção se salvos nos quereis ver; pois só por vosso intermédio esperamos a salvação (pg. 47).  Se isso não é uma divindade, não sei o que seria! Isso é igualar Maria a Deus! É fazer de Maria uma deusa!
O culto aos santos e a adoração a Maria, à luz da Bíblia, não apresentam o catolicismo como religião cristã, mas como idolatria (I João 5:21). Jesus disse: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás (Mateus 4:10). O anjo disse a João: Adora somente a Deus (Apocalipse 19:10; 22:9). O próprio apóstolo Pedro, aos pés de cuja estátua muitos se ajoelham hoje, recusou ser adorado por Cornélio (Atos 10:25,26).
Embora a igreja católica apostólica romana declare que aquela imagem de barro seja “padroeira e senhora do Brasil”, consagrando o dia 12 de outubro a esse culto estranho às Escrituras Sagradas, os cristãos verdadeiros, alicerçados na autoridade da Bíblia Sagra­da, declaram como Paulo: E toda língua confesse que JESUS CRISTO E O SENHOR, para glória de Deus Pai (Filipenses 2:11).  Se você, que segue o catolicismo, quer agradar a Maria, faça o que ela determina no evangelho de João 2:5 – Façam tudo o que Jesus mandar!

E finalizando, a igreja católica precisa entender que o estado é laico, e não estamos mais no tempo do padroado. Roma não manda mais no Brasil. Se aquela procuradorazinha que anda dizendo aos quatro ventos que o estado é laico, aquela que quer acabar com a bancada evangélica, se fosse uma pessoa séria, acabaria com o feriado de 12 de outubro, mandaria retirar os crucifixos das repartições públicas e mandaria cessar o jorro de dinheiro público para patrocínio de festas religiosas (também aqui e aqui).

Fonte: CACP
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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Idolatria não, obrigado...

Há quase um século, o Brasil entrou debaixo de um jugo do qual vai ser difícil se livrar. Em 1929, um bando de padres se reuniu em congresso e depois de receberem sinal verde do “papa” Pio XI, aclamaram a “virgem de Aparecida” como “padroeira do Brasil”. Isto como se o Brasil fosse propriedade da igreja de Roma, pois não se tem noticia de consulta a outros credos se aceitariam ser “padronizados” (sei lá como se chama quem tem padroeiro ou se submete a isso) pela “virgem de Aparecida”.
Desde então o país se acostumou com mais esse ranço do romanismo e consagrou o dia 12 de outubro como feriado nacional, dedicado à idolatria explícita de uma estátua de barro, de gosto, estilo e qualidade  “artística” bastante discutíveis, coberta de pano azul, como se algo fosse.
Se você chegou até aqui, haverá de saber a razão da acidez do texto: é que, doa a quem doer, esperneie quem quiser espernear, o culto cristão é refratário a imagens de qualquer tipo. Não vou repetir aqui os mitos e lendas que cercam o achado dessa imagem; se quiser saber ou relembrar clique aqui. Hoje quero mostrar apenas que imagem, como objeto de culto, é uma abominação aos olhos de Deus e aqueles que as veneram estão no mesmo patamar dos devassos, avarentos, maldizentes, beberrões, ladrões (I Coríntios 5:11);  adúlteros, sodomitas (10:9); medrosos, abomináveis, homicidas, feiticeiros, mentirosos (Apocalipse 21:8).
Vão todos para o inferno, e não fui eu quem inventou isso, está na Bíblia Apocalipse 21:8 e 22:15. Leia, se o “sagrado magistério” permitir. E para ninguém dizer que eu estou falando isso e aquilo, vou deixar a Bíblia falar por si. Antes, porém, uma breve definição de dicionário:
Ídolo. S.m. 1. Estátua ou simples objeto cultuado como deus ou deusa, 2. Objeto no qual se julga habitar um espírito, e por isso venerado. 3. Fig. Pessoa a quem se tributa respeito ou afeto excessivo. Idólatra. Adj. 2 g. 1. Respeitante à, ou próprio da idolatria. 2. Que adora ídolos. 3. Idolátrico (2). * s. 2 g. 4. Pessoa que adora ídolos; Idolatrar. V t. d. 1. Prestar idolatria (1) a; amar com idolatria (1); adorar, venerar. 2. Amar com idolatria (2), com excesso, cegamente. Int. 3. adorar ídolos; praticar a idolatria (1). Idolatria. SE. 1. Culto prestado a ídolos. 2. Amor ou paixão exa­gerada, excessiva9. Idolatria- 1. Essa palavra vem do grego, eídolon, ídolo, e latreúein, adorar. Esse termo refere-se à adoração ou veneração a ídolos ou imagens, quando usado em seu sentido primário. Porém, em um sentido mais lato, pode indicar veneração ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição etc, que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos (Enciclopédia de Norman Champlin-SP. Vol 3, p. 206).
Agora sim, a Bíblia:
Não farás para ti imagens esculpidas, nem qualquer imagem do que existe no alto dos céus, ou do que existe embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, por debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto (Êxodo 20:4);
Não vos voltareis para os ídolos, nem fareis para vós deuses de fundição. Eu sou o Senhor vosso Deus (Levítico 19:4);
Não fareis para vós ídolos, nem para vós levantareis imagem de escultura nem estátua, nem poreis figura de pedra na vossa terra para inclinar-vos diante dela. Eu sou o Senhor vos­so Deus (Levítico 26:1);
Confundidos sejam todos os que adoram imagens de esculturas, que se gloriam de ído­los inúteis. (Salmo 97:7);
 
Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos do homem. Têm boca, mas não fa­lam, têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem, têm nariz, mas não cheiram; têm mãos, mas não apalpam, têm pés, mas não andam; nem som algum sai da sua gar­ganta; Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem, e todos os que neles confiam (Salmo 115:4-9 e 135:15-18);
A tua terra está cheia de ídolos, inclina­ram-se perante a obra das suas mãos, diante daquilo que fabricaram os seus dedos. Pelo que o homem será abatido, e a humanidade humilhada; não lhes perdoes! (Isaías 2:8-9);
Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Mateus 4.11; Lucas 4:8);
Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em si mesmo vendo a cidade tão entregue à idolatria (Atos 17:16);
Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus (I Coríntios 6:10-11; Efésios 5:5);
Não vos façais idólatras, como alguns deles; como está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar (I Coríntios 10:7);
E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Pois vós sois santuários do Deus vivente (II Coríntios 12:2).
As obras da carne são conhecidas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras pelejas, dissensões, facções, invejas, bebedices, orgias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos preveni, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus (Gálatas 5:5);
Filhinhos, guardai-vos dos ídolos (I João 5:21);
Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda mor­te (Apocalipse 21:8);
Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo aquele que ama e pratica a mentira (Apocalipse 22: 5).
Deus proibiu a confecção e o culto a imagens, estátuas etc, visto que os povos pagãos atribuíam a esses artefatos de barro, madeira ou outro material um caráter religioso. Acreditavam, além do mais, que a divindade se fazia presente por meio dessa prática. Deus ensinou seu povo a não cultuar imagens. Sua palavra era tão poderosa no coração do seu povo, que, embora muitos homens santos, profetas e sacerdotes, homens exemplares, com todas as virtudes para serem canonizados (os heróis da Bíblia), não são pretexto para serem adorados ou cultuados, nem fizeram suas imagens e nem lhes prestaram culto.
A citação dos querubins na arca (Êxodo 25:18-20), advogada pelos teólogos católicos, não se sustenta, pois não existe na Bíblia uma passagem sequer em que um judeu esteja dirigindo suas orações aos querubins, ou depositando sua fé neles, ou lhes pagando promessas, ou acendendo velas para eles.
Algumas imagens que Deus mandou fazer não tinham por objetivo elevar a piedade de Israel e nem ser­viam de modelo para reflexão ou conduta. Eram apenas símbolos decorativos e representativos. Deus mandou fazer a Arca da Aliança, com figuras de querubins no Tabernáculo e no Templo, entre outros utensílios (I Reis 6:23-29; I Crônicas 22:8-13; I Reis 7:23-26), e outros ornamentos (I Reis 7:23-28). Essas figuras, porém, jamais foram adoradas ou veneradas, ou objeto de culto. Se Israel tivesse adorado, cultuado ou venerado esses objetos, sem dúvida, Deus mandaria destruí-los. Foi o que aconteceu com a serpente de bronze, levantada por Moisés no deserto, quando se tornou objeto de culto (II Reis 18:4). 
Em algumas sinagogas do século III e até hoje encontramos pinturas de heróis da fé em seus vitrais: jamais, entretanto, veremos judeus orando, cultuando ou invocando Moisés, Abraão ou Esdras, as figuras mais respeitadas da história judaica.  E assim como no Velho Testamento, não encontramos argumento algum que justifique o culto, veneração ou a fabricação de imagens no Novo Testamento. Pelo contrário, a Bíblia mostra que o apóstolo Paulo sofria por ver o povo entregue a idolatria: Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria (Atos 17:16).
Paulo foi atacado pelos artífices, ourives e comerciantes de imagens: Certo ourives, por nome Demétrio, que fazia de prata miniaturas do templo de Diana, dava não pouco lucro aos artífices. Eles os ajuntou, bem como os oficiais de obras semelhantes, e disse: Senhores, vós bem sabeis que desta indústria vem nossa prosperidade. E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que fazem com as mãos. Não somente há perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram. Ouvindo isto, encheram-se de ira, e clamaram: Grande é a Diana dos efésios! (Atos 19:24-28).
Se fosse hoje, certos canais de TV diriam que Paulo estaria incitando à discriminação, à intolerância e provocando uma “guerra santa”!
Agora, imagine se alguém aparecesse em Aparecida do Norte, pregando contra a idolatria, e grande parte da população local aceitasse essa mensagem, largando mão de estatuazinhas, da “santa”, lembrancinhas, miniaturas do templo, parando de comprar velas, fitinhas, camisetas, etc. O que os comerciantes fariam?
Qualquer semelhança com o que aconteceu em Éfeso não seria mera coincidência.


(continua)

Fonte: (http://www.cacp.org.br/catolicismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=131&cont=1&menu=2&submenu=3
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sábado, 24 de setembro de 2011

Cosme e Damião

Cosme e Damião são dois “santos” muito populares em todo o Brasil. Todos os anos, ao se aproximar o dia 27 de setembro, data dedicada pelos católicos e umbandistas a esses personagens, é comum a distribuição de balas e doces às crianças, e na Bahia, é forte a tradição de dar esmolas para a preparação do “caruru dos santos”, uma comida à base de quiabo e azeite de dendê, para a “festa”. Evidentemente, crendices com raízes nos cultos africanos. Mas a igreja católica apregoa que esses santos são protetores das crianças, dos gêmeos e padroeiros dos médicos. Também é costume católico a distribuição de balas e doces para as crianças no dia 26 de setembro. Segundo o padre Michelino Roberto, “pelo calendário oficial da igreja, a festa é celebrada no dia 26. Mas o povo prefere 27, data da inauguração da basílica que o papa Félix IV mandou erguer para os dois em Roma, no ano 500”. 
Afinal de contas, quem foram esses personagens?
Será que há algum mal em permitirmos as crianças receberem doces ou balas? O que há de tão errado nisso? São apenas crianças se divertindo. Afinal, Cosme e Damião não foram santos, cristãos que perderam a vida por amor a Cristo?
Cosme e Damião eram irmãos gêmeos que, desde cedo, se envolveram com medicina, indo estudar na Síria. A data de seu nascimento, no século III, é incerta. Não se sabe ao certo as circunstâncias que os levaram a ter contato com o cristianismo. Reza a lenda que, por onde andavam, os gêmeos não cobravam pelos serviços que prestavam como médicos, porque tinham como prioridade a conversão dos pagãos à fé cristã. Na verdade, eram outras riquezas que os atraíam. Devido ao fato de não se prostrarem diante dos ídolos e deuses pagãos, o governo imperial ordenou a prisão dos dois médicos, acusados de inimigos da religião do império – já parou para pensar que ironia, dois cristãos que detestavam estátuas de ídolos serem cultuados sob a forma de estátuas? Bem, ainda segundo a lenda, os dois irmãos morreram como mártires cerca do ano 300, possivelmente na perseguição movida pelo imperador Diocleciano. Por volta do ano 530, o imperador Justiniano, gravemente ferido, mandou construir, em Constantinopla, um grande templo em honra desses mártires.
Embora o culto aos gêmeos tenha-se originado em longínqua data e em vários pontos da Europa, foi no Brasil, no entanto, especialmente na Bahia, que a fé nos “santos” ganhou mais força, juntando-se às devoções das raças branca e negra. Clique aqui para ver a ligação entre o culto católico e o culto africano. É sabido que os africanos, ao serem trazidos como escravos para o Brasil, foram proibidos de cultuar seus deuses. Para burlar a vigilância de seus senhores, passaram a associar suas entidades aos santos católicos, o que chamamos de sincretismo. Para que pudessem festejar seus “ibejis” ou “erês” (que significa “criança que gosta de oferendas”), os escravos encontraram nos “santos gêmeos” a analogia perfeita, e é por isso que Cosme e Damião, até hoje, são associados a crianças, e no seu dia se oferecem comidas como o tradicional caruru, balas e doces.
Para que se tenha uma idéia de como é forte a crendice popular em torno desses dois irmãos, veja o que publicou o jornal “O Estado de S. Paulo” em 26 de setembro de 1998:
“Salvador, o bairro da liberdade, o mais populoso da capital baiana, terá um domingo de festa, amanhã, com a comemoração do dia dos santos Cosme e Damião. Haverá missas de uma hora na igreja que leva o nome dos gêmeos. Às 16 horas, uma procissão percorrerá as ruas. Os santos são muitos populares entre os adeptos do candomblé e os devotos do catolicismo. No candomblé, os santos correspondem aos ibejis ou erês, espíritos de crianças, considerados mensageiros dos orixás. Segundo a tradição, quem nasce neste dia tem a obrigação de oferecer caruru, todos os anos, a sete meninos”.
Veja só o que é o sincretismo, mistura-se de tudo sem a menor cerimônia. É costume no catolicismo transformar centenas de cristãos sinceros, que se têm revelado ao longo da história da Igreja, em personagens de devoção religiosa para uma massa de fiéis que possui zelo de Deus mas nenhum conhecimento de sua Palavra. Paulo disse em sua carta aos romanos: “Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento” (Romanos 10:2).
Conclui-se que uma grande parcela dos fiéis, tanto do candomblé quanto do catolicismo, busca uma relação sincera com Deus. Mas, por terem aprendido que Cosme e Damião podem influenciar a vida deles e a de seus filhos, recorrem, ao precisarem de ajuda, aos ensinamentos que ouviram. São sinceros no que fazem, por assim dizer, mas não agem “com entendimento”.

O ensinamento de que o homem deve recorrer aos mortos para receber ajuda é amplamente divulgado pelo espiritismo e outras seitas por todo o mundo. É costume entre os católicos afirmarem: “Por que as pessoas que foram tão boas não podem nos ajudar?”...
A Bíblia tem resposta a essa questão.
Rezar para “santos”, seja de que quilate forem, é, em última instância, tentativa de comunicação com os mortos, doa a quem doer. Os “santos” já morreram, certo? E a tentativa de comunicação com os mortos é proibida por Deus. Deuteronômio 18:10-12 diz: “Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor, e é por causa destas abominações que o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti”.
Logo, quem pratica a comunicação com os mortos não está em comunhão com a Palavra de Deus. Isaías 8:19-20 diz: “...acaso a favor dos vivos consultará os mortos? A Lei e ao Testemunho! se eles [a Lei e o testemunho, isto é, a Palavra de Deus escrita na Bíblia] não falarem segundo esta palavra, nunca lhes raiará a alva”. Aí está consignada a aproximação do catolicismo com a umbanda e também com o espiritismo, pois todas essas crenças procuram contato com entidades que não pertencem ao mundo dos vivos, e portanto estão afastadas de Deus!
E os mortos – santos, espíritos desencarnados, Maria – não são nossos mediadores, conforme lemos em I Timóteo 2:5 – “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”.
Outros motivos dizem respeito ao fato de que não precisamos auxílio de “santos”. Vejamos porquê:
- Temos a confiança de que podemos nos aproximar diante de Deus e sermos socorridos pelo Senhor (Hebreus  4:16);
- Jesus é o nosso intercessor (I Timóteo 2:5, acima);
- Todo aquele que é nascido de novo pela fé é chamado santo (Romanos 1:7; Efésios 3;8; 4:11-12);
- Cristo está o tempo todo intercedendo por nós (Hebreus 7:25).
Quando recorremos ao auxílio de algum “santo” (neste caso, Cosme e Damião), isso implica que Cristo é insuficiente, tanto para salvar como para abençoar as nossas crianças e os profissionais da área da medicina.

A oração é uma forma de culto. E foi o Senhor Jesus quem disse: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto” (Mateus 4:10). Não devemos ser levados por filosofias vãs (Colossences 2:8, “Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”), antes, prestar o nosso culto racional a Deus (Romanos 12:1, “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”). Devemos, isso sim, nos desvencilhar dos preceitos de homens (Marcos 7:6,7, “Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim;  mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”), para que não ofereçamos a Deus um culto vão (I Coríntios 10:19-20, “Mas que digo? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o ídolo é alguma coisa? Antes digo que as coisas que eles sacrificam, sacrificam-nas a demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios”).
Sabe qual é a má notícia? Cosme e Damião não podem nos ajudar!
Sabe qual é a boa notícia? Cristo “é o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6).

Fonte: Revista Defesa da Fé, nº 39, Ano 5, outubro/2001

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domingo, 3 de abril de 2011

Por que não sou católico (final)

Já recebi as primeiras cacetadas romanistas, dizendo que eu deveria tirar primeiro o argueiro do meu olho. Bem, se não  perceberam, é o que tenho feito nesses dois anos e tal de blog. 
Descemos a borduna a torto e a direito, à destra e à sinistra, em tudo aquilo que se desvia da Palavra. É por isso, aliás, que o blog tem o nome que tem. Basta ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, para resumir. E como as penitências da “semana santa” se avolumam e já se sente o cheiro de vela no ar, prossigamos na análise fria da ideologia romana, doa a quem doer. Só pra constar, incompetente é quem lê e não entende, olha e não enxerga; deve ser pelo tamanho da trave... Assim, sem mais delongas, liguemos a escavadeira e arranquemos a trave dos olhos católicos, porque o meu argueiro já foi pro espaço:
3 – Maria: João 2:5 (Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser); 3:13 (Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem); Lucas 1:38 (Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela), 46, 47 (Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador);
Atos 4:11, 12 (Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos); I Timóteo 2:5 (Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem); Romanos 1:25 (pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente); 
8:26 (Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis), 34 (...Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós) – lição prática: Maria foi escolhida para ser a mãe carnal do Salvador, mas ela própria carecia dessa salvação; disse que nós O obedecêssemos em tudo, não é mediadora e nem intercessora junto ao Pai, e como criatura, não deve receber adoração que só é devida ao Criador.
4 – Procissões: Isaías 45:20 (Congregai-vos, e vinde; chegai-vos juntos, os que escapastes das nações; nada sabem os que conduzem em procissão as suas  imagens de escultura, feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar) – lição prática: o versículo é explícito!
5 – Missa: Hebreus 9:24-26 (Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo); 
10:11-12 (Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados; mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus) – lição prática: o sacrifício de Jesus foi único e suficiente, não precisa ser repetido todos os dias!
6 – Purgatório: Lucas 16:19-23 (Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente. Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras; o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras. Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio); 
23:39-43 (Então um dos malfeitores que estavam pendurados, blasfemava dele, dizendo: Não és tu o Cristo? salva-te a ti mesmo e a nós. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça; porque recebemos o que os nossos feitos merecem; mas este nenhum mal fez. Então disse: Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso); 
Hebreus 9:27 (E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo...) – os textos deixam claro que não há local intermediário entre o céu e o inferno. Ademais, se houvesse, era para lá que o ladrão deveria ter ido, pois não houve tempo para “purgar” todos os seus crimes; mas não, Jesus disse que ele iria direto para o Paraíso, naquele mesmo dia!
7 – Salvação e boas obras: Efésios 2:5,8-9 (estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo - pela graça sois salvos - ... Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie); Romanos 5:1-2; 10:9 (Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus... Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo) – mais claro que isso, impossível: a salvação independe das obras, mas é pela graça de Deus somente (graça significa algo que não se faz por merecer).
8 – Celibato dos sacerdotes: I Timóteo 3:2-4 (É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, temperante, sóbrio, ordeiro, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, mas moderado, inimigo de contendas, não ganancioso; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com todo o respeito); 4:1-3 (Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade) – o bispo deve ser casado, proibir o casamento é uma apostasia.
9 – Rezas: Mateus 6:7 (E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos) – sem comentários.
10 – Quaresma: I Timóteo 4:1,3-5 (Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios... ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade; pois todas as coisas criadas por Deus são boas, e nada deve ser rejeitado se é recebido com ações de graças; porque pela palavra de Deus e pela oração são santificadas) – proibir alimentos é heresia e apostasia, pode comer carne o dia que quiser, ‘sexta-feira da paixão” inclusive!
11 – Filhos de Deus: João 1:12 (Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus) – nem todos são filhos de Deus! A pessoa é uma criatura de Deus, mas para se tornar filho precisa receber a Jesus e crer no Seu Nome, como Senhor e Salvador, conf. Romanos 10:9 (“Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo”). Não tem essa de “todo mundo é filho de Deus”.
12 – Rezar pelos mortos – há uma passagem em II Macabeus 12:43-46 que parece apoiar esta doutrina: “Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis porque ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas”. Entretanto, é preciso lembrar que doutrinas estranhas vieram sendo acrescentadas ao Cristianismo durante séculos, e muitas tinham como base justamente os livros apócrifos: velas, oferendas nos túmulos, rezas repetitivas, clero diferenciado, etc. 
A palavra “apócrifo” originalmente significava “oculto”, mas com o tempo, passou a significar “espúrio, estranho”. Os livros apócrifos, ao contrário dos “canônicos”, não são considerados de inspiração divina, nem mesmo por alguns de seus autores, tanto que nunca foram citados por Jesus nem pelos apóstolos. Só vieram a fazer parte da Bíblia editada pelo Vaticano após o concílio realizado na cidade de Trento, Itália, entre 1545 e 1563, com parte do movimento conhecido como Contra Reforma (o nome já diz tudo). E nesse contexto, os “sábios” romanistas se saíram com esta explicação: “O general Judas Macabeu (160 a.C.), herói do povo judeu, faz uma grande coleta e a envia para Jerusalém, para que os sacerdotes ofereçam um sacrifício de expiação pelos pecados de alguns soldados mortos. Fica claro no texto que os judeus oravam pelos seus mortos e por eles ofereciam sacrifícios. Fica claro também que os sacerdotes hebreus já naquele tempo aceitavam e ofereciam sacrifícios em expiação dos pecados dos falecidos. E que esta prática estava apoiada sobre a crença na ressurreição dos mortos. Subentende este texto que as almas dos soldados mortos, estavam em algum local ou ‘estado’ de purificação, pois se estivessem nos céus, as orações dos vivos eram desnecessárias, e se, por outro lado estivessem no inferno, toda oração seria inútil. E como o livro dos Macabeus pertence ao cânon dos livros inspirados, aqui também está uma base bíblica para a oração em favor dos falecidos” (ênfase acrescentada). Faltou o ilustre exegeta lembrar que muitas práticas dos judeus não são usadas hoje em dia, e que eles também criam em fantasmas, acreditavam que o Messias iria ser um libertador político, e muitas outras coisas que a igreja católica não ensina. Porque adotar justamente uma entre várias crendices populares e elevá-la ao nível de dogma inquestionável? Porque justifica um rio de dinheiro que corre do bolso dos enlutados diretamente para os cofres de Roma! Faltou também mostrar que a posição protestante de não se orar pelas almas dos mortos está explicada no texto acima: “se estivessem nos céus, as orações dos vivos eram desnecessárias, e se, por outro lado estivessem no inferno, toda oração seria inútil”.
Vê-se como um pequeno texto retirado de um livro não-autorizado pretende justificar todo um sistema doutrinário, o qual pode levar à perdição eterna, com base em uma esperança vã, incluída só de pirraça no Cânon Sagrado. A doutrina do purgatório só foi oficializada no reinado do “papa” Gregório, por volta do ano 593 d.C. Ou seja, antes disso, para onde iam as almas mezzo-salvas/mezzo-perdidas?
Irineu de Lyon, que viveu aproximadamente entre os anos 130 e 200 d.C., já havia alertado: “O erro nunca se apresenta em toda sua nua crueza, a fim de não ser descoberto. Antes, veste-se elegantemente, para que os incautos creiam que é mais verdadeiro do que a própria verdade”.
Eu só acrescentaria:

Doa a quem doer.

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domingo, 15 de março de 2009

Verdadeira igreja?

A igreja católica define a si mesma como “a verdadeira igreja”. Em 5 de setembro de 2000, João Paulo II, em sua encíclica "Dominus Iesus", determinou que a igreja católica é a única Igreja de Cristo, e que os cristãos do mundo inteiro devem estar em comunhão com ela, e que incorrem em grave erro os que não reconhecem sua autoridade.
Será que ele tinha razão? Se pararmos para pensar um pouco sobre isso, veremos que há quase 500 anos certas verdades bíblicas foram proclamadas claramente por um padre alemão, para quem quisesse ver e ouvir. Mas até hoje os católicos ainda não se debruçaram seriamente sobre elas, e nem apresentaram a refutação bíblica que justifique a sua rejeição.
Os quatro fundamentos principais das 95 Teses de Martinho Lutero, afixadas em 1517 na porta do Castelo de Wittenberg, onde eram pregados os avisos da Universidade Católica em que lecionava Teologia Bíblica, são estes:
I - Só pela Bíblia. Autoridade absoluta da Palavra de Deus. Não ao sincretismo - a incorporação de tradições, geralmente advindas de fontes pagãs, então aceitas pela igreja.
II - Só pela fé. “... sois salvos, por meio da fé...” (Efésios 2:8).
III - Só pela graça. “Porque pela graça sois salvos...” (Efésios 2:8). ...mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6.23); “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9). Obras não são condição para a salvação, mas sim reflexo daquele que é salvo e as pratica como fruto do amor.
IV - Só por Jesus. Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim (João 14:6). Aquele que crê no Filho tem a vida eterna... (João 3:36). “Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem”. (1 Timóteo 2:5).
O desejo de Lutero não era romper com a igreja, mas transformá-la e fazê-la voltar a esses princípios bíblicos. Porém basta uma pequena olhada nas páginas da História para notar que, de fato, a igreja católica é quem vem há muito tempo se distanciando da Palavra de Deus, com a introdução de práticas e doutrinas estranhas ao Evangelho, que se tornaram “dogmas” (ou seja, devem ser aceitos sem contestação, por mais absurdos que sejam). Veja algumas invenções – nenhuma delas respaldada pela Bíblia – que se incorporaram ao catolicismo com o passar do tempo:
- orações pelos mortos e entrega de oferendas nos cemitérios, por volta do ano 310 depois de Cristo;
- cerca do ano 313: começa o costume de procissões, copiado de religiões pagãs e de cerimônias bizantinas; introduz-se o batismo de recém-nascidos; imagens e esculturas nas igrejas se tornam comuns, a princípio como peças decorativas ou didáticas, e mais tarde objetos de culto em si mesmas;
- séculos III e IV depois de Cristo (entre os anos 200 e 400): o bispo da cidade de Roma começa a ser considerado o maioral entre todos, dando origem à instituição do papado;
- acender velas nos templos, por volta do ano 320;
- adoração de santos: bárbaros recém “cristianizados” transformam seus costumes pagãos de louvar antigos heróis em “culto a santos” cristãos, cerca do ano 375;
- a partir de 590, são introduzidos, aos poucos, a “veneração” de Maria; o “sacrifício da missa” (a cada cerimônia celebrada pelo sacerdote, o sacrifício de Jesus se repete); orações dirigidas aos “santos” se tornam comuns; começa-se a imaginar um purgatório como lugar intermediário entre o céu e o inferno, onde as almas vão sofrer e se purificar antes de entrar no paraíso.
- uso de água benta, no ano 840;
- canonização de santos, em 993;
- celibato imposto aos sacerdotes, em 1074;
- populariza-se a reza do terço, no ano 1090, copiada de práticas orientais;
- instituição dos “sete sacramentos” (atividades obrigatórias para ministrar uma graça especial às almas); no ano 1140 (batismo infantil, crisma ou confirmação, penitência, eucaristia/missa, matrimônio, ordenação aos sacerdócio, extrema-unção aos moribundos);
- venda de indulgências, no ano 1190;
- dogma da transubstanciação e o confessionário, em 1215 (a hóstia se transformaria misteriosamente no corpo real de Cristo).;
- a reza da Ave-Maria, em 1316;
- 1343: indulgências (os “santos” alcançaram tanto mérito na Terra que o excedente, guardado num tesouro no céu, poderia ser “sacado” pelo papa em favor dos vivos, mediante o pagamento em dinheiro, sem necessidade de arrependimento do penitente);
- o cálice da comunhão é só para o clero, no ano 1415;
- adotada oficialmente a doutrina dos sete sacramentos obrigatórios e a criação do purgatório, em 1439;
- 1476: as indulgências são estendidas aos que já morreram, originando as missas de 7º dia e similares;
- 1545/1563: os sete livros apócrifos são incluídos na Bíblia católica. De autoria incerta, contendo lendas e poesias da antiguidade judaica, são cheios de erros, repetições, acréscimos e cópias de trechos tradicionais, como 'Judite', que imita a história de Jael e Sísera, contada originalmente no livro de Juízes. Contêm ensinos espúrios que pretendem embasar doutrinas como a da intercessão pelos mortos, adoração aos anjos, o livramento das almas após a morte e o valor das boas obras para a salvação, dentre outras, sem falar no cunho humanista e filosófico de cores helenísticas. Com isso, a Bíblia deixou de ser considerada única regra de fé e prática (pois os graves erros históricos e geográficos contidos nos apócrifos desautorizam todo o conjunto), e assim a “tradição” ou interpretação dos “sábios” católicos passou a ser equivalente à Palavra de Deus em autoridade;
- a conceição imaculada da virgem Maria anunciada, em 1854 (Maria, para poder gerar a Jesus, também deveria ter sido gerada sem pecado);
- 1863: anuncia-se que fora da igreja católica não é possível haver salvação;
- infalibilidade do Papa, em 1870; o bispo de Roma não erra quando usa autoridade eclesiástica, (como quando obrigou Galileu a afirmar que o Sol girava em torno da Terra);
- 1891: Maria, a partir dessa data, foi promovida a co-redentora da humanidade e mediadora entre Cristo e os homens;
- a ascensão de Maria, no ano 1950 (por não ter pecado, Maria não teria conhecido a morte, mas teria sido levado por anjos – com a casa onde morava e tudo – e coroada “rainha dos céus”).
Então, sobre ser “a verdadeira igreja”, guiada por homens infalíveis, lemos na Bíblia: “...sempre seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso” (Romanos 3:4). Infalível, só Deus, o imutável Deus de amor e de justiça: o mesmo ontem, hoje, e eternamente (Salmo 90:2; Isaías 40:28; 41:4; 43:10-13; Hebreus 9:14; 13:8).
Cabe a cada um decidir se segue a Palavra de Deus, infalível e imutável, ou a tradição tosca de homens venais. O leitor verifique onde está a verdadeira Noiva do Cordeiro, Igreja Gloriosa, sem mácula nem ruga, mas santa e irrepreensível (de acordo com Efésios 5:27).

DOA A QUEM DOER.

Fontes: Earle Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, Ed. Vida Nova, 2ª ed., p. 208/209; Ankerberg & Weldon, Os Fatos Sobre o Catolicismo Romano, Obra Miss. Chamada da Meia Noite, 1ª ed., 1997, p. 22-23, 42, 58, 68. Fausto Rocha, artigo publicado na Revista Defesa da Fé. Publicado anteriormente no Boletim da Igreja Batista da Renascença, Belo Horizonte, maio de 1998.