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domingo, 8 de maio de 2016

Se Jesus fosse católico...

...A última ceia com os apóstolos teria sido diferente. Ele não teria partido o pão, mas distribuiria pequenos biscoitos redondos de massa finíssima e teria dito para os apóstolos não morderem, mas deixarem derreter na boca. E depois pegaria o cálice de vinho e beberia sozinho, sem dar nada para ninguém, estragando todo o simbolismo da cerimônia. (Lucas 22:17-20; I Coríntios 11:23-25)
Se Jesus fosse católico, não teria dito ao ladrão na cruz ao lado que estaria com ele no Paraíso naquele mesmo dia. Pelo contrário, teria afirmado que, por não ter sido batizado e portanto ser um pagão, o ladrão teria que cumprir uma longa jornada no purgatório, para só então pode ser purificado – pelo fogo, não pelo sangue que estava sendo derramado naquela mesma hora – e então, talvez, ser admitido no céu. (Lucas 23:43; I João 1:7)
Se Jesus fosse católico, teria dito também que, para garantir a entrada no céu, a família do ladrão deveria mandar rezar uma missa de corpo presente, antes do seu sepultamento. Depois de uma semana, mandariam rezar uma missa de sétimo-dia. O mesmo procedimento deveria ser feito após um mês e após um ano da morte do coitado. E todos os anos, no dia de finados, eles deveriam ir rezar pela alma do condenado. Assim talvez ele entrasse no céu.
Se Jesus fosse católico, nunca teria afirmado que tudo que pedíssemos em Seu Nome receberíamos, mas sim que deveriam esperar que todos os apóstolos morressem, e só então, os devotos poderiam começar a rezar para os falecidos apóstolos para que eles, mesmo mortos, recolhessem as preces e as levassem a Jesus. Talvez, alguns pedidos mais simples fossem atendidos pelos próprios apóstolos defuntos, outros seriam distribuídos aos santos - igualmente finados - como numa repartição pública; e os casos mais complicados seriam atendidos só mesmo depois de levados à sua santa mãe. Jesus mesmo só em último caso, pois Ele estaria sempre muito ocupado. (João 14: 13, 14; 16:23)
Se Jesus fosse católico, de forma alguma teria entrado em Jerusalém montado num jumento, mas sim numa carruagem moderna,  toda pintada de branco, com uma cabine de vidro à prova de flechas, doada pelo melhor fabricante de carruagens de todo o império romano. (Mateus 21:1-15)
Se Jesus fosse católico, não teria repreendido Pedro dizendo “para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens”; ele teria seguido à risca o palpite do apóstolo e não teria ido a Jerusalém morrer por todos nós. Ele teria dito a Pedro: “sim, santo padre, perdoai minha fraqueza”. (Mateus 16:23)
Se Jesus fosse católico, Ele diria claramente que a pedra de esquina sobre a qual se ergueria a Igreja era Pedro. (Mateus 16:16-18). Aliás, se Jesus fosse católico, Ele teria se ajoelhado diante de Pedro e beijado os seus pés.
Se Jesus fosse católico, não existiria Cristianismo, porque Ele teria obedecido todos os ditames do antigo Judaísmo, para não causar nenhum cisma na religião de seus pais. Afinal, o Judaísmo era mais antigo, mais tradicional e mais conhecido. Ele nascera no Judaísmo tradicional e portanto, morreria no Judaísmo tradicional, ensinando o Judaísmo tradicional. Ele não poderia se sujeitar a ser chamado de cismático. (Mateus 5:22, 28, 32, 34, 39, 44 etc.)
Se Jesus fosse católico, não diria que o maior deve servir ao menor. Mas ao contrário, Ele estabeleceria uma escala entre os apóstolos, sendo Pedro o chefe e os demais seus subordinados, numa espécie de colégio apostólico de rígida hierarquia. (Marcos 10:42-45)
Se Jesus fosse católico, nunca teria confrontado os escribas e fariseus, porque eles seriam os guardiões da Palavra escrita, e graças a eles as Escrituras eram preservadas através dos séculos. Quem era aquele simples carpinteiro para questionar o Sagrado Magistério, a quem cabia ler e interpretar a Lei e os Profetas? (Mateus 5:22, 28, 32, 34, 39, 44 etc.)
Se Jesus fosse católico, jamais diria que os fariseus pecavam por darem mais valor às tradições humanas do que às Escrituras. Pelo contrário, ele os exaltaria como exemplo de manutenção de usos e costumes sem nenhuma relação com a Palavra de Deus. (Mateus 15:1-9; Marcos 7:1-13)
Se Jesus fosse católico, nunca teria dito a Maria “que tenho eu contigo?”, mas pediria a ela orientação de como agir naquela situação. E Maria nunca teria dito às pessoas “fazei tudo o que Ele vos disser”, mas teria ela mesma dado instruções para que o milagre fosse concretizado. (João 2:4, 5)
Se Jesus fosse católico, Ele não teria irmãos e irmãs, mas sim primos e primas. (Marcos 6:3)
Se Jesus fosse católico, não afirmaria que “o que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai” (Mateus 15:11; Marcos 7:15, 18-20). Ele teria dito que deveríamos observar dias em que não deveríamos comer carne, apenas peixe. (Lucas 5:33-34)
Se Jesus fosse católico, Ele teria dado o exemplo e seria o primeiro a chamar Pedro de “nosso papa”, e jamais teria afirmado que não deveríamos chamar ninguém de “pai”, a não ser Deus, que está nos céus. (Mateus 23:9)
Se Jesus fosse católico, ele teria sim onde recostar sua cabeça. Ele moraria num palácio bem ao lado do seu grande templo, com apartamentos privativos e uma sacada de onde falaria às multidões nos dias santos. Além disso, teria um castelo de verão para passar as férias, num local mais afastado e tranquilo. (Mateus 8:20)
Se Jesus fosse católico, Zaqueu não teria distribuído aos pobres o que roubara, mas teria doado tudo à santa e una igreja de Jesus como prova de submissão e penitência, e depois de raspar a cabeça, se tornaria um monge descalço que sobreviveria de esmolas. (Lucas 19:1-10)
Se Jesus fosse católico, nunca diria aos discípulos que eles seriam perseguidos, açoitados e levados a interrogatório diante dos reis e governantes deste mundo, mas profetizaria que eles seriam honrados pelos homens, levantados como líderes mundiais, como atalaias de nações e conselheiros de reis, para governar em nome de Deus. Diria que eles seriam os representantes de Deus na Terra, e como tais, teriam o direito divino de coroar e destronar reis e presidentes. (Marcos 13:9)
Se Jesus fosse católico, não pregaria nas sinagogas, nas praias e debaixo de árvores, mas sim no púlpito de bronze da recém-inaugurada sede mundial da “Igreja Una, Apostólica e Ecumênica”, ricamente decorada em mármore e pedras preciosas, construída com as ofertas dos fiéis e bens saqueados dos infiéis, incluindo ouro e prata das colônias e obras de arte de todos os cantos da Terra, sem falar nas doações dos governantes que quisessem ficar de boa com Ele.
Se Jesus fosse católico, nunca diria que não devemos nos assemelhar aos gentios (Mateus 6:8), nem que devemos ser sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13-16). Pelo contrário, ele diria que poderíamos continuar festejando aos deuses das nações idólatras, apenas mudando o nome deles para o nome dos mártires cristãos. Com isso teríamos um ano inteiro de dias santos e um calendário litúrgico com instruções especiais para cada festa.
Se Jesus fosse católico, ele defenderia a isenção de impostos para os líderes religiosos e seus templos (afinal, “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”). Com isso teria direito a um terreno no melhor lugar de cada cidade destinado à construção de um templo, nem que fosse ocupando o lugar de culto das outras religiões.
Se Jesus fosse católico, teria abençoado as galés romanas em suas missões de invasão em outros territórios, com a garantia de que os povos e países dominados fossem submetidos à fé cristã, e Roma deveria ter ciência de que era apenas beneficiária da terra que seria, de fato, posse de Cristo.
Agora, cá pra nós, se Jesus fosse católico, com toda certeza Ele reivindicaria a participação dos cristãos no Senado imperial. Ele diria no palanque, sob aplausos, que “a voz do povo é a voz de Deus”, e que um país só pode prosperar se for governado por pessoas justas e tementes a Deus.

Certamente, se Jesus fosse católico, não sofreria tanto.
Se Jesus fosse católico, ele não morreria por mim e por você. Em vez disso, Ele nos mandaria fazer milhares de penitências para pagarmos o nosso débito com Deus.

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sexta-feira, 11 de março de 2016

Três coisas que muitos pensam estar na Bíblia...



... Mas não estão!

Todo mundo conhece a Bíblia, ou pelo menos deveria. Afinal, ela é o livro mais famoso da História, assim como o vendido e o mais roubado no mundo, e existem traduções dela em mais de 2,4 mil línguas. No entanto, são poucos os que realmente conhecem a Bíblia e o seu conteúdo profundamente. Tanto que não faltam mal-entendidos com respeito aos textos e às suas interpretações, e, como você verá a seguir, inúmeras coisas que muita gente pensa estar nas Sagradas Escrituras não estão!  
1 - O purgatório. Basicamente, a ideia é de que os bons vão para o céu, os maus para o inferno e os “mais ou menos” vão passar uma temporada no Purgatório para purificar suas almas antes de serem despachados para o “andar de cima”. No entanto, embora esse lugarzinho sombrio seja pra lá de popular entre os seguidores do catolicismo, na Bíblia não existe nenhuma descrição literal sobre ele. 
Na realidade, a existência do purgatório foi introduzida no século XVI pelo Concílio de Florença como forma de explicar aos fiéis o que acontece com aqueles que morrem e não se qualificam imediatamente para ir para o paraíso - ou para o inferno - porque, apesar de terem sido boas pessoas, eles precisam ser submetidos a um período de punição para se livrar de todos os pecados que cometeram em vida. Uma baita heresia, porque a Bíblia explica que a salvação não é pelas obras, mas pela graça de Deus. Ver Efésios 2:8-9 (“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”); Atos 15:11 (“Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também”); e Romanos 3:24 (“sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”). Mais claro do que isso, impossível. 
A lenda do purgatório surgiu porque a Bíblia não trata da questão de para onde foram as almas das pessoas tementes a Deus que perderam suas vidas antes da vinda de Cristo, nem do que acontece com os bebês que faleceram sem batismo (veja este link sobre batismo infantil). Nesse caso, inventaram ainda outro purgatoriozinho “light”, chamado “limbo”, que seria o lugar que abriga essas almas “perdidas” antes do advento de Cristo e as crianças falecidas. Esse negócio foi absorvido pelo catolicismo, e também surgiu após a Bíblia ser escrita. Resumindo: se você precisa se purificar (“purgar”) pelo fogo, ou pelo sofrimento, ou por qualquer outro meio que não seja o Sangue de Jesus, então o sacrifício Dele na cruz foi incompleto, insuficiente, incapaz de salvar. Cristo então teria falhado em Sua missão! 
2 - A prostituta Maria Madalena. Quem nunca ouviu a história de Maria Madalena, a prostituta que encontrou Jesus e, após se arrepender de seus pecados, pediu perdão e se tornou uma de Suas mais fiéis seguidoras? Ela é um dos mais famosos personagens bíblicos e, segundo muitos acreditam (especialmente os que leram “O Código Da Vinci” de Dan Brown), Maria Madalena foi a única “apóstola” mulher e favorita de Cristo - dando origem a lendas do tipo “eles se casaram e até tiveram filhos”. 
Entretanto, apesar de Maria Madalena aparecer na Bíblia como sendo uma discípula - disso não restam duvidas, o nome dela está lá! - em nenhum lugar está escrito que ela foi a única, muito menos que era prostituta. Aparentemente, essa história surgiu depois que a pobre mulher começou a ser confundida com outras personagens bíblicas que também se chamavam Maria. E, como você deve saber, não faltam Marias nas Sagradas Escrituras.
Uma das teorias é que, por conta de tantos personagens com o mesmo nome - sem falar das muitas mulheres não identificadas que aparecem na Bíblia - Maria Madalena acabou se transformando em um emaranhado de todas elas. E, para complicar ainda mais a situação, o “papa” Gregório I declarou que Maria Madalena era a mesma mulher que todas as demais chamadas Maria que aparecem nas Sagradas Escrituras, exceto pela mãe de Jesus. Para você como esses “infalíveis” falam e fazem besteiras há séculos...
 
Revendo as evidências da Bíblia, fica claro que Maria Madalena é identificada como pecadora - mas os textos não especificam se, com “pecadora”, ela era prostituta. Essa dedução é por conta de cada um. E por que a Igreja teria deixado que ela ficasse conhecida dessa forma? Alguns estudiosos acreditam que isso ocorreu porque a instituição queria usar as poucas e confusas “sugestões” sobre Maria Madalena para manter as mulheres fora do clero.
As passagens que dão alguns poucos detalhes sobre Maria Madalena dizem que “algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios” (Lucas 8:2, confirmado por Marcos 16:9). Depois é narrado que Jesus apareceu a ela depois de ressurreto, mais nada.
3 - Sete pecados capitais. Gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e soberba (ou vaidade). Todo mundo já ouviu falar a respeito dos sete pecados capitais, ou seja, as piores transgressões que podemos cometer. No entanto, apesar de eles serem super-famosos - e tão conhecidos como os Dez Mandamentos - em sua forma atual, eles não se encontram na Bíblia. Pode procurar, se você quiser! 
Se você parar para pensar, os sete pecados consistem em condições humanas bem comuns - e difíceis de evitar - e essa classificação de “vícios” (por assim dizer), surgiu antes do cristianismo. A listinha foi tomada emprestada pela Igreja Católica durante a Idade Média e levemente reformulada para que ela pudesse ser utilizada com o objetivo de proteger, educar e controlar os fiéis.
Assim, primeiro no século IV, o teólogo e monge grego Evágrio do Ponto apresentou uma lista contendo oito pecados (gula, avareza, luxúria, ira, melancolia, preguiça, orgulho e vanglória) e, mais tarde, no século VI, o “papa” Gregório I definiu uma nova classificação, que consistia em sete crimes — orgulho, inveja, ira, indolência, avareza, gula e luxúria.
Depois, no século XIII, Tomás de Aquino propôs que a transgressão da melancolia fosse substituída pela preguiça, e foi então que a lista tomou a forma como conhecemos hoje em dia. Mas os sete pecados só foram se tornar famosos pra valer depois da publicação da “Divina Comédia” de Dante, que divide o inferno em sete círculos que correspondem aos crimes capitais.
Vale mencionar ainda que o “papa” Bento XVI sugeriu a inclusão de sete pecados modernos, que seriam: a pressa, a manipulação genética, ser muito rico, usar drogas, causar injustiça social, interferir no meio ambiente e causar a pobreza.
O que eu posso dizer a você é: melhor largar mão dessas superstições que, embora surgidas de boas intenções, mais atrapalham do que ajudam. Fique só com a Bíblia e jogue fora lendas, mitos e tradições humanas.


Fontes
VIA – BLOG VOCÊ SABIA?

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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Não seria melhor existir uma só religião?

Enquanto muitos se digladiam na Internet e especialmente nas redes sociais por conta de eleições, outros fatos vão passando despercebidos pela maioria dos cristãos. Por exemplo, temos visto quase toda semana, senão quase todo dia, notícias sobre a intensificação dos esforços do Vaticano, na pessoa do “papa” Francisco, para integrar as diversas religiões no que ele chama de “diálogo”. Primeiro ele recebeu Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla. Em seguida, esteve com o bispo metropolitano russo, Hilarion, “ministro dos negócios estrangeiros” do Patriarcado de Moscou. Na Sala Clementina do Vaticano, ocorreu outra reunião com os líderes e representantes de outras religiões. E a última audiência foi com o diretor executivo do Congresso Judaico Latino-americano, Claudio Epelman (fonte). Também se encontrou com o líder da Igreja Copta (cristãos egípcios) Tawandros II.
Já houve reuniões com protestantes e mórmons, incluindo os badalados Joel Osteen e Kenneth Copeland; com rabinos em Roma, com os muçulmanos na Itália. Aliás, os muçulmanos parecem ter aceitado Francisco muito bem. E agora, esteve na Coréia para não apenas marcar o território com a presença católica, mas também lançar mais uma vez o seu já batido discurso em prol da união.
Há pouco tempo, o ex-primeiro-ministro espanhol saiu-se com esta: “a criação de uma autoridade religiosa global para zelar pela paz mundial”.
Um pouco antes, em 2010, o “ex-papa” B16 já pedia “a união das religiões”. Aliás, o Vaticano já prega abertamente uma “união monetária mundial”, para resolver o problema das crises econômicas globais. E curiosamente, desde 2010 uma comissão da ONU esteve empenhada no que chama de esforços para a unificação das religiões.
Já sei, há quem diga que isto é normal e até desejável: líderes religiosos se encontrarem em busca de objetivos comuns, que seriam a paz mundial, o fim dos conflitos de cunho religioso, a convivência pacífica das diversas comunidades etc. Poderia até ser, se tudo isso não tivesse uma motivação mais política do que religiosa, entendendo-se por “política”, latu sensu:
- o poder ideológico, com base na influência que as idéias da pessoa investida de autoridade exerce sobre a conduta dos demais: deste tipo de condicionamento nasce a importância social daqueles que sabem, quer os sacerdotes das sociedades arcaicas, quer os intelectuais ou cientistas das sociedades evoluídas. É por eles, pelos valores que difundem ou pelos conhecimentos que comunicam, que ocorre a socialização necessária à coesão e integração do grupo;
- e o poder político propriamente dito, onde se pretende alcançar (pela ação dos políticos, em cada situação) as prioridades do grupo (ou classe, ou segmento nele dominante): nas convulsões sociais, a unidade do Estado; em tempos de estabilidade interna e externa, o bem-estar, a prosperidade; em tempos de opressão, a liberdade, direitos civis e políticos; em tempos de dependência, a independência nacional (Fonte dessas definições).
Esses vieses político-ideológicos podem ser facilmente identificados. A jornalista e escritora Berit Kjos relata ter participado em 1996 de uma conferência da ONU na Turquia (Habitat II), sobre assentamentos humanos, que definia políticas muito suspeitas em relação às diversas práticas religiosas. A lista dos 21 membros do painel incluía personalidades globais: Federico Mayor, diretor-geral da UNESCO; Maurice Strong, líder da ONU; Ismail Serageldin, vice-presidente do Banco Mundial; Millard Fuller, fundador de Habitat pela Humanidade. Junto com outros dignatários globalistas, eles falaram sobre uma “base espiritual para uma ética global evolutiva” para uma futura comunidade planejada. A jornalista relatou que a Conferência usou enormes galpões nas proximidades das docas de Istambul para expor modelos de cidades planejadas. Não havia igrejas: mas cada modelo tinha um grande local central de reuniões para comunhão e iluminação coletiva.
“O que é necessário é um centro interfé em cada cidade do globo”, disse James Morton, ex-deão da Catedral Episcopal de São João Divino, em Nova York. “Os novos centros interfé honrarão os rituais de todas as tradições: Islã, Hinduísmo, Jainismo, Cristianismo... e fornecerão oportunidades para a expressão sagrada necessária para vincular os povos do planeta em uma solidariedade viável, significativa e sustentável”.
Parece estranho? Só que esse “novo modo de pensar” – na prática, uma nova ideologia – já permeou todos os segmentos da sociedade: educação, empresas, governo, a mídia, as artes e a cultura. John Lennon já cantava há mais de 30 anos na sua célebre “Imagine” como seria bom se não existissem religiões (obviamente ele também queria que não existisse céu nem - principalmente - inferno...). Hoje em dia o maior defensor da união das religiões é Bono, do grupo U2.
Mas o Movimento de Crescimento de Igrejas, incluindo as que seguem o modelo Propósitos, também aderiu ao esquema. O ex-pastor Caio Fábio é um que usa a música do ex-beatle em suas pregações. E promovendo a transformação em todos esses setores estão os programas de treinamento de líderes que seguem a visão dos gurus da Administração, como Peter Drucker, Peter Senge e Ken Blanchard. A parte central de seu ensino é a “Teoria Geral dos Sistemas”, ou “Pensamento Sistêmico”. Em resumo, tudo está interconectado, portanto, tudo é Um e todas as divisões e fronteiras precisam ser eliminadas, de modo a estabelecer a “Vizinhança Global” – isto é, a Nova Ordem Mundial. Líderes emergentes, como Brian McLaren, chamam isto de “o Reino de Deus”.
Na edição de 18 de fevereiro de 2012, o Wall Street Journal publicou um artigo – “Religião Para Todos” – que se encaixa perfeitamente bem com a visão de mundo da ONU. O autor, Alain de Botton, apresenta um plano para uma unidade social que atenda às exigências da agenda global. Misturando tradições religiosas de todo o mundo, o plano moldaria nossas mentes, transformaria as comunidades e estabeleceria novas regras e rituais para todos (menos para o Cristianismo bíblico). Diz o artigo (ênfases acrescentadas):
“Uma das mais sentidas perdas da sociedade moderna é a de um sentido de comunidade. Tendemos a imaginar que existia antigamente um nível de proximidade que foi substituído pelo cruel anonimato... Ao tentar compreender o que erodiu nosso senso de comunidade, os historiadores atribuem um importante papel à privatização da crença religiosa que ocorreu na Europa e nos EUA no século 19. Eles sugeriram que começamos a desconsiderar os vizinhos ao nosso redor, ao mesmo tempo que deixamos de honrar nossos deuses como uma comunidade  [...] acredito que seja possível recuperar nosso senso de comunidade... sem ter de construir sobre um alicerce religioso  [...] Em um mundo sitiado por fundamentalistas, tanto da variedade secular quanto religiosa, precisa ser possível balancear uma rejeição da fé religiosa com uma reverência seletiva para rituais e conceitos religiosos  [...] as comunidades religiosas [...] usam tipos específicos de alimento e bebida para representar conceitos abstratos, dizendo aos cristãos, por exemplo, que o pão representa o corpo sagrado de Cristo.... e ensinando aos zen-budistas que suas xícaras com chá em lenta infusão são símbolos da natureza transitória da felicidade em um mundo flutuante  [...] tomando seus assentos em um Restaurante Ágape, os convidados encontrariam diante de si livros de orientações [...] Ninguém seria deixado sozinho para encontrar seu caminho para uma conversa interessante com outra pessoa... O Livro do Ágape instruiria os convidados a conversarem uns com os outros por períodos pré-determinados de tempo e a respeito de tópicos também pré-determinados” [...]
Ora, se isso não é uso de religião – mesmo uma coisa estranha como essa religião “ecumênica” – com fins políticos, então não sei mais do que se trata. E ninguém melhor para exercer o papel aglutinador desse movimento global do que o maior líder religioso do planeta, o Sr. Jorge Bergoglio, que chefia nada menos do que 1 bilhão ou mais de pessoas. Ele tem todas as ferramentas para acertar onde outros falharam.
A Maçonaria tentou juntar todos os gatos num balaio só, mas esbarra no fato de ser demasiadamente misteriosa e elitista, e sua aura de mistério chega a causar repulsa aos que a olham de fora. Símbolos, gestos e rituais estranhos não são exatamente apropriados a uma estratégia de globalização, e acho que nem eles querem isso. A exclusividade é uma característica de que os membros mais abastados não abririam mão.
Já o catolicismo, embora também tenha seus rituais e “mistérios”, atua na direção oposta, isto é, quanto mais gente, melhor. Por isso, desde o seu início, lá pelo século III ou IV, começou seu caminho rumo ao sincretismo, ou seja, a aceitação de elementos originalmente estranhos, com o objetivo de se tornar mais atraente aos diversos povos e civilizações com quem entrava em contato. Vêm daí os mitos e lendas de santos, as cerimônias elaboradas, o sacerdócio altamente organizado em hierarquias, etc.
17 séculos depois, ao experimentar um lento mas consistente declínio, ao lado da diluição das doutrinas e costumes protestantes (outrora radicalmente opostos) e do aumento das tensões entre cristãos e muçulmanos (principalmente nos países islâmicos), uma boa estratégia é vender a imagem de conciliador, de “bom pastor”, e da alegada necessidade de união e cooperação.
É evidente que isso interessa a quem já defende, de longa data, um governo global unificado. E nesse objetivo de controle total, a ONU e a igreja católica parecem caminhar de mãos dadas.
Não podemos esperar disso nada mais nada menos do que o renascimento da política medieval de união do poder civil e do poder religioso, uma estrutura miscigenada da qual não se pode fugir. Um poder tão forte que não dará a nenhum ser humano a opção de o rejeitar – só morrendo.
O citado Ismail Serageldin, ex vice-presidente do Banco Mundial, disse: “Vamos garantir que a mudança social e a transformação ocorram na direção certa... A mídia precisa atuar como parte do processo educativo que combata o individualismo”.
Incrível é que isso que hoje se desenha estava previsto há quase 2.000 anos, pois podemos ler nas páginas da Bíblia que [...] vi subir do mar uma besta [...] e deu-se-lhe autoridade sobre toda tribo, e povo, e língua e nação. E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra...” (Apocalipse 13:1, 7, 8);
e que [...] vi subir da terra outra besta [...] Também exercia toda a autoridade da primeira besta na sua presença; e fazia que a terra e os que nela habitavam adorassem a primeira besta [...] E operava grandes sinais, de maneira que fazia até descer fogo do céu à terra, à vista dos homens; [...] e enganava os que habitavam sobre a terra e lhes dizia que fizessem uma imagem à besta [...] E fez que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, lhes fosse posto um sinal na mão direita, ou na fronte, para que ninguém pudesse comprar ou vender, senão aquele que tivesse o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome”(idem, vs. 11-17). 
O que mais isso poderia significar? Para mim é simples: a primeira “besta” (no sentido de uma coisa terrível, inominável) exerce poder político de forma global (autoridade sobre toda tribo, e povo, e língua e nação) e a segunda “besta” é o braço religioso que apóia a primeira “besta” (exercia toda a autoridade da primeira besta; fazia com que todos a adorassem; operava grandes sinais; patrocinou a imagem para adoração) que por fim se funde à primeira com o poder econômico (fez com que a todos fosse posto um sinal, sem o qual a pessoa se torna um pária).
Não caminhamos a passos largos para essas coisas? Ou você se rende a esse sistema político-religioso-econômico que está em curso, ou será posto à margem.
Será que você está preparado(a) para o que poderá ser realidade em muito pouco tempo?


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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Roupa nova para velhas heresias (3)

Um trecho bastante curioso da Bíblia, que suscita uma discussão bem interessante, é Apocalipse 2:6, 15. Aqui temos notícia de que Jesus odeia os “nicolaítas” que havia em Éfeso; mas o Senhor elogia aquela igreja, que também odiava esses tais “nicolaítas”. E na Igreja de Pérgamo somos informados de que ali estava alojado esse mesmo pessoal, e Jesus os odiava igualmente, um dos motivos pelos quais Ele repreende aquela igreja.
Assim, também deveríamos nos precaver desses “nicolaítas”. Mas afinal de contas, quem são? Será que é uma advertência para aqueles dias somente, quando Deus instruiu João a escrever para aquelas igrejas, ou o fenômeno se perpetuou e ainda podemos identificá-lo em nosso meio?
Para começo de conversa precisamos acabar com bobagens. Já ouvi gente séria dizer que nicolaíta é aquele tipo de crente que comemora o Natal com Papai Noel, pois essa figura era, originariamente, um “santo” católico chamado “Nicolau”, ou “são Nicolau”, tanto é que nos países de língua inglesa é conhecido como “Santa Klaus”... dificilmente haverá besteira maior do que essa. Até concordo que “Papai Noel” não tem nada a ver com o nascimento de Jesus, mas daí a chamar o pessoal de nicolaíta por causa disso já é demais.
Outros associam a palavra “nicolaíta” aos seguidores de “um certo Nicolau”, um misterioso herege dos primeiros tempos da Igreja. Tomam como ponto de partida o Nicolau citado em Atos 6:5 como sendo escolhido para servir como diácono. Uma vez que a Bíblia não nos dá mais detalhes, entra em cena a imaginação e criam-se as lendas.
Diz uma delas, divulgada por Epifânio de Salamis, que Nicolau começou a pregar heresias, fundou uma seita, e gradualmente afundou na mais grotesca impureza, com idéias gnósticas e libertinas. A lenda diz que ele tinha uma bela esposa, mas se absteve de relações sexuais acreditando ser a vontade de Deus. Mas depois, não controlando o desejo, envergonhado da sua derrota e suspeitando ter sido descoberto, dizia que “não terá a vida eterna aquele que não copular todos os dias” - Epifânio, Panarion (Haer., 25:1). Tenho para mim que essa bobajada toda foi inventada para justificar o celibato dos sacerdotes, idéia que persiste no catolicismo atual.
Tanto é que Jerônimo e outros escritores do século IV acreditam piamente nesse relato, pelo menos em parte. Mas ele é irreconciliável com a visão tradicional dada a Nicolau por Clemente de Alexandria (150-215), autor mais antigo e criterioso que Epifânio. Ele diz que Nicolau levou vida casta e criou seus filhos na pureza. Mas numa certa ocasião, repreendido pelos apóstolos por ser um marido ciumento, respondeu oferecendo sua mulher como candidata a esposa de qualquer outro; e repetia um ditado atribuído ao evangelista Mateus: “É o nosso dever lutar contra a carne e abusar dela”. Suas palavras foram perversamente interpretadas pelos “nicolaítas” como apoio às suas práticas imorais.  Teodoreto repete o argumento de Clemente e acusa os “nicolaítas” de falsidade ao usar o nome do diácono. Louis-Sébastien Le Nain de Tillemont (teólogo francês do século XVII) conclui que, se o diácono Nicolau não foi o verdadeiro fundador dessa suposta seita, faltou-lhe sorte, pois deu motivo para fundação de uma heresia. Já August Neander (teólogo alemão do século XIX) argumenta que o fundador foi outro Nicolau. (fonte)
Tem mais: Vitorino de Pettau diz que eles comiam oferendas dos ídolos. O “venerável” Beda, notório inventor de moda e mal informado sobre o que disse Clemente de Alexandria (acima), afirmou que Nicolau permitia que muitos homens possuíssem sua esposa.  Tomás de Aquino era da opinião que Nicolau incentivava a poligamia ou o hábito de ter esposas em comum, e por fim, a interpretação católica virou tudo ao contrário e agora diz que “nicolaíta” é aquele que defende o casamento do clero. Não falei que isso tudo pretendia justificar o celibato?

Voltando ao início, a origem da palavra “nicolaíta” é a língua grega. A partícula nike significa “conquistar”, “vencer” (daí vem a famosa marca de artigos esportivos, cujo logotipo evoca a “asa da deusa da vitória”). Já a partícula laos (λαος) identifica “pessoas” ou “povo”, de onde vem também a palavra “leigo” (laikos -  a plebe, aquele que não tem conhecimento em determinada área); daí, o nome grego Nikolaos (de onde deriva “nicolaíta”) pode significar “conquistador das pessoas” ou “dominador sobre o povo”, sobre os “leigos”.
Eu tendo a concordar com Cyrus Scofield. Em seu livro “Notas sobre a Bíblia”, seguindo o pensamento dispensacionalista, sugere que as cartas de Apocalipse prenunciam as várias eras da história Cristã e que o termo “nicolaíta” “refere-se à primeira forma da noção de ordem clerical, ou 'clero', que depois dividiu igualmente a irmandade entre 'padres' e 'leigos'”.
De fato, é difícil discordar do fato histórico de que na época de Constantino já havia uma visível hierarquia que desvirtuou os ofícios – bíblicos – de bispos, diáconos, presbíteros e apóstolos, que passaram da categoria de dons ou capacitações para exercer determinadas funções na Igreja para títulos nobiliárquicos, em muitos casos. Foi isso que proporcionou, logo, a criação de um cargo que ficasse acima de todos, uma espécie de “gerente-geral” da organização, ou seja, o “papa”.
O poder crescente despertou nos líderes das igrejas o desejo carnal de domínio, soberba e torpe ganância de posição e riquezas. Especialmente entre os pastores das grandes igrejas, nos grandes centros, com congregações numerosas, tornou-se uma tentação ostentar o poder sobre o rebanho e outros pastores de rebanhos menores – exatamente como no protestantismo de hoje! Foi assim que se criou o “centro da igreja” e o “trono do papa” em Roma. Como capital e maior centro urbano de sua época, seus pastores criaram uma imagem de mais poderosos e importantes que os demais. É claro que, com o apoio de Constantino (no começo do séc. IV), o bispo de Roma conquistou a supremacia. Não fosse o “nicolaísmo”, não existiria o erro de uma igreja universal, com sede em algum lugar! Nem mesmo a primeira Igreja, formada por Jesus pessoalmente, em Jerusalém, tinha autoridade sobre as demais! Veja em Atos 15 os apóstolos Pedro e Tiago (que estavam em Jerusalém e não em Roma): não pretenderam dominar a Igreja, mas serviram como conselheiros junto a ela sob a orientação do Espírito Santo.
Portanto, temos que já no fim da era apostólica (início do século II) surgem os falsos mestres sobre os quais Jesus, Paulo, Pedro e João já haviam alertado. Começa uma deturpação das doutrinas originais, e se podemos chamá-la assim, a “doutrina nicolaíta” está na origem de uma casta especial e superior na Igreja, o chamado “clero”. Indo além, formou-se uma hierarquia eclesiástica dentro deste mesmo clero. Há uma grande probabilidade, lógica e historicamente, de que esses nicolaítas, dos quais (afinal) muito pouco se sabe, sejam os formadores do pensamento católico romano e, portanto, seus antecessores. Eles já estavam, no final do século I, infiltrados nas igrejas de Cristo, como podemos ver no texto de Apocalipse. Voltando à interpretação de Scofield, os elogios e reprimendas do Senhor em Apocalipse 2 e 3 servem para todos os cristãos de maneira direta, e simbolicamente formam o quadro geral da História da Igreja, a saber:
(1) Éfeso (Apocalipse 2:1-7), havia abandonado o seu primeiro amor (anos 70 a 170 d.C.); representa a Igreja primitiva pós-apostólica, começando a esquecer as doutrinas dos apóstolos.
(2) Esmirna (Ap. 2:8-11), perseguida pelos imperadores romanos (anos 170 a 312 d.C.).
(3) Pérgamo (Apocalipse 2:12-17), precisava se arrepender (anos 312 e início da Idade Média); é a igreja clerical ou estatal, apoiada pelo poder político.
(4) Tiatira (Ap. 2:18-29), tinha uma falsa profetisa (igreja medieval), uma mulher é quem dá as cartas...
(5) Sardes (Ap. 3:1-6), representa a era da Reforma, onde “alguns não se contaminaram”. Esta fase, como a de Tiatira, coexiste com a Igreja que será arrebatada (3:3).
(6) Filadélfia (Ap. 3:7-13), a igreja perseverante (v. 8 e 10).
(7) Laodicéia (Ap. 3:14-22), a igreja morna. É a decadência do fim dos tempos, que vemos hoje: liberal aos costumes mundanos, mais preocupada com bens materiais do que espirituais (fonte). (Prometo que em outra ocasião entrarei em mais detalhes sobre cada uma delas)
Nicolaitas, não são portanto, como muitos pensam, “seguidores de Nicolau”, nem do “Papai Noel”, mas quem defende hierarquia dentro da Igreja. O termo vem da junção de duas palavras gregas que significam dominar o povo, e está na origem do sistema hierárquico católico. E para nossa tristeza, o fermento dessa doutrina herética está também nas igrejas evangélicas, principalmente depois que, de uns anos para cá, virou moda usar títulos pomposos. Começou com “bispos”, depois surgiram “apóstolos”, depois “patriarcas” e agora até “bispo-primaz” já apareceu no meio evangélico (aqui, aqui, aqui, etc.).
Há os que defendem, inclusive, o uso de vestimentas diferenciadas, para distinguir o “clero” dos “leigos”, o “nike” do “laos”. Diga-me se isto é ou não é um desejo de ser especial, ser diferente, se distinguir “do povão”. Veja aqui alguns links que defendem essa papagaiada, usando basicamente os mesmos argumentos (parece que usaram o velho “copiar/colar”): link 1, link 2, link 3 (existem muitos outros, clones uns dos outros).
Como disse George Orwell, “todos são iguais; mas uns são mais iguais do que os outros”. Só essa frase do livro “A revolução dos bichos” já seria suficiente para condenarmos toda e qualquer tentativa de dominação, de impor hierarquia e diferenciação no meio do povo de Deus. Mas existe a máxima do próprio Senhor da Igreja:
“Na cadeira de Moisés se assentam os escribas e fariseus... Todas as suas obras eles fazem a fim de serem vistos pelos homens... gostam do primeiro lugar nos banquetes, das primeiras cadeiras nas sinagogas, das saudações nas praças, e de serem chamados pelos homens: Rabi [Mestre]. Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi; porque um só é o vosso Mestre, e todos vós sois irmãos. E a ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque um só é o vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem queirais ser chamados guias; porque um só é o vosso Guia, que é o Cristo. Mas o maior dentre vós há de ser vosso servo. Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado” (Mateus 23:2-12).
“Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20:25-28).
Com o que Paulo concordou: “Que em tudo tenha Cristo a primazia” (Colossenses 1:18), “e nós tenhamos nossos irmãos em consideração como superiores a nós mesmos” (Filipenses 2:3).
Era necessário que houvesse apóstolos, pastores, mestres, pregadores e evangelistas, mas não como uma cadeia hierárquica onde um manda no outro. Cada um deles tem autoridade, mas só aquela concedida, não pelo título que ostenta, mas pela Igreja, de acordo com o que o Espírito Santo lhe concede pela Palavra. Todo ministro de Deus deve ser respeitado como líder e condutor espiritual da Igreja e como um irmão que seja um bom exemplo ao rebanho (Hebreus 13.7 e 17). Mas isto não faz de ninguém o “senhor do castelo”.


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sábado, 3 de agosto de 2013

Francisco não me representa

O “papa” F1 visitou a cidade brasileira de Aparecida do Norte, onde se presta culto a uma das versões de Maria, no caso a nossa senhora de Aparecida. Acho que depois que a poeira baixa, é momento de fazer umas reflexões. Alguns procuraram justificar a gastança de dinheiro público em benefício dos fiéis de uma religião, em detrimento de todas as outras. Alegam que “o papa é chefe de estado”. Sim, mas também esteve no Brasil o então presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad; nem por isso os muçulmanos fizeram requisição de dinheiro aos cofres públicos.
Circularam as mais variadas opiniões, capitaneadas por aquelas que exaltam o “pontífice”: é um homem humilde, simples, gosta de contato com o povão. Vai reformar “a igreja”, agora vai ser diferente. Etc, etc. Ora, pode até ser um “bom homem”, embora o próprio Jesus Cristo tenha dito que “ninguém é bom, senão o Pai que está nos céus”; mas daí a todas as outras assertivas, vai uma grande distância.
Por exemplo: tecem comparações com o seu antecessor, dizendo que F1 usa uma roupa branca, enquanto B16 preferia uma cheia de jóias, paramentos e outros badulaques. F1 usa uma cruz de prata, “simples”, enquanto a do outro era toda cravejada de rubis. B16 usava uns sapatos vermelhos, extravagantes, sentava num trono que parecia obra de Bernini de tantos relevos que tinha, sobre um tapete de veludo vermelho. Mas F1 usa os mesmos sapatos velhos desde quando era seminarista e ia aos jogos do seu time, o San Lorenzo, no velho estádio do Gasômetro em Buenos Aires, senta num trono simples (desde quando sentar em trono é sinnal de simplicidade, eu não sei) e sem tapete... vejam os senhores se isto é sinal de “reforma” ou apenas uma ação de marketing bem planejada, para mudar a imagem e a percepção do papado, do Vaticano e da igreja católica.
Eu fico com a segunda opção e digo que #FranciscoNãoMeRepresenta, pelo seguinte:
Continua o Banco do Vaticano servindo de lavagem de dinheiro. Dizer que vai substituir os administradores não quer dizer que mudará a política de uso dos vastos recursos escondidos nos cofres obscuros. Sinal de reforma seria publicar um balanço constando as operações contábeis, as reservas para provisionamento de prejuízos, as entradas e saídas, as despesas com salários, etc... como qualquer outro banco faria. Caso contrário, continua como sempre, servindo de cenário para filmes de mafiosos, conspirações secretas e marcando presença constante nas páginas policiais de todo o mundo.
Continua a proibição de casamento de sacerdotes (um absurdo: como o sujeito pode aconselhar casais se ele nem sabe o que é casamento; e muito menos mulher, ou pelo menos na teoria não deveria saber, já que é celibatário)...
Talvez em decorrência da proibição do casamento dos sacerdotes, continua sem solução à vista o eterno problema dos padres gays e pedófilos. Aí vem o “papa” e dá uma entrevista onde não diz nem que sim nem que não, ficando em cima do muro. Disse F1 (mais ou menos) que “se a pessoa é gay mas busca o Senhor, temos que perdoar”. Ora, vejam a incoerência. Se “a pessoa é gay e “busca o Senhor”, obviamente deixará de ser gay, como disse o apóstolo Paulo na primeira carta aos Coríntios, cap. 6, versos 9 a 11: “Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis... nem os sodomitas... herdarão o reino de Deus. E tais fostes alguns de vós; mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (grifo acrescentado). A pessoa “foi”, não é mais, deixou de ser. Ou seja, F1 faz o jogo dos militantes LGBT, que gostam de citar que Jesus não condenou a mulher adúltera (“nem eu te condeno”, João 8:11); mas espertamente omitem o fim do mesmo versículo, onde Jesus recomenda “vai e não peques mais”.
Continua a proibição do sacerdócio feminino. Não obstante várias religiões de orientação protestante tenham resolvido essa questão há muitos anos, até mesmo a título de uma “modernização” que pode até ser questionável, a posição de Roma é inflexível e contrasta com o suposto alinhamento com os “novos tempos”.
Francisco e a instituição que ele representa continuarão a explorar a fé dos mais humildes com essas procissões, romarias a Aparecida, a Roma, a Juazeiro do Norte, ao Círio de Nazaré, a Fátima, a Lourdes, a Medjugorje e mais outras centenas de lugares onde ocorreram “aparições”, ou se diz que ocorreram. Colocam fardos no lombo do povo, como os fariseus no tempo de Jesus. Não têm vergonha de atrair milhares, milhões até, a peregrinações que nenhum proveito têm, a não ser “para a satisfação da carne” (Colossenses 2:23) e para lucro dos comerciantes, que obviamente, depositarão o dízimo na caneca do padre como “oferta de gratidão”. Ou estou errado? Estou exagerando?
Como é que eu posso apoiar um jesuíta, membro da ordem religiosa das mais furiosas, que mais combateu aqueles que ousaram um dia pensar que a “santa madre igreja” poderia estar equivocada em suas políticas? Como posso concordar com um homem que escolhe o nome de um personagem conhecido pela humildade e simplicidade, só para esconder a ferocidade dos inquisidores debaixo de um manto branco? Não é possível entrar em acordo com o representante de uma facção cruel e sedenta de poder como os jesuítas. Leia mais neste link e neste outro também.
Esse Francisco não me representa porque a jogada de marketing não vai parar. Vai continuar a canonização de “santos populares”, principalmente naqueles países onde o catolicismo vem declinando fragorosamente. Foi assim dos anos 1990 em diante, quando o finado JP2 canonizava a granel, de batelada, enchendo tanto o panteão que hoje tem mais santo do que dias no calendário, e eles se amontoam até três ou quatro por dia. Nisso a igreja se modernizou, pois antes cada dia tinha um santo, hoje o freguês pode escolher entre vários no mesmo dia. Um verdadeiro supermercado com várias prateleiras. F1 está só repetindo a fórmula do finado JP2, que foi a receita que funcionou, a que deu certo.
Acham que modernização significa copiar o que dá certo em outras religiões, aliás, uma prática que acompanha o catolicismo desde a sua institucionalização lá no distante século IV depois de Cristo. Todo mundo sabe o que é o sincretismo, como começou e onde chegou; todo mundo sabe de onde vem tanto santo, tanta festa e tanto costume que nada tem a ver com a simplicidade do Cristianismo e do Evangelho. Se você não sabe, experimente clicar aqui, aqui, aqui, e aqui.
Nesse processo de cópia desenfreada, estão copiando os evangélicos que tanto desprezam, fazendo missas com muita cantoria, violão, batendo palmas, falando e ensinando “línguas estranhas”, imposição de mãos para curar doentes, pedindo dízimo...
F1 não me representa de jeito nenhum, porque ainda no avião que o levava do Brasil para Roma, depois da visita a Aparecida do Norte, disse em alto e bom som que “nossa senhora é mais importante que os apóstolos”. Quem quiser que procure a entrevista, que foi ao ar – lógico – na Globo. Ora, isto é um absurdo teológico monstruoso, uma vez que não existe nenhuma doutrina ou ensinamento de “nossa senhora” que regule o funcionamento da Igreja, que nos traga algum esclarecimento ou iluminação sobre a Palavra de Deus. Uma das poucas falas de Maria registrada nas Escrituras é mandando obedecer a Jesus em tudo: “Fazei tudo quanto ele vos disser” (João 2:5). Nesse aspecto, os evangélicos obedecem a Maria melhor do que os católicos, porque fazem o que Jesus disse. Já os católicos, se apóiam em lendas e mitos, com seus evangelhos apócrifos de Maria, nas lendas de santos e dogmas no mínimo extra-bíblicos como a Imaculada Conceição e a Ascenção de Maria. Se essas lendas são mais importantes do que os escritos e ensinos apostólicos, então F1 está maluco. Pois Jesus mesmo disse que “todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha... Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia” (Mateus 7:24, 26). Vejam os senhores se “o papa” está sendo prudente.
Outras pragas que ele não exterminará serão aquelas contidas nos livros apócrifos e suas lendas: anjos mentindo, ensino de bruxaria (Tobias 5:18 e 6:8), mentira e sedução (Judite 10:2-4; 11-13); intercessão de santos e reza pelos mortos (II Macabeus 15:12-16; 12:45). Aliás, vem daí o ensino espúrio sobre o purgatório e a necessidade de “purificar algum pecado remanescente”, como se o sangue de Jesus fosse insuficiente, em flagrante contraste com a escritura (I João 1:9 diz explicitamente: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça – grifo acrescentado).
Eu podia ficar aqui listando mais um monte motivos pelos quais o “papa” Francisco não me representa. Mas já foi explicado suficientemente.
E para a falar a verdade, doa a quem doer, Francisco não representa nem mesmo a Cristo, de quem ele diz ser “o vigário” (substituto).
São muito diferentes, em que pese o esforço de marketing para tentar vender a imagem de santo.
Falta muito ainda para um “papa” dizer que “renovou a igreja”... na boa... é só marketing pra recuperar o cliente perdido.

Como leitura adicional, sugiro este brilhante artigo de Michelson Borges em Criacionismo.com
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