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sábado, 24 de outubro de 2015

"Santos" populares...

Vem aí mais um dia de “todos os santos”, e mais uma vez os templos católicos se encherão de devotos, a TV vai mostrar procissões como se fossem uma grande novidade, e usará expressões como “momento de fé e devoção” (porque é católico, se fosse evangélico seria “exploração da fé”,  “fanatismo”, “fundamentalismo” etc.). Mas nem “todos os santos” são assim conceituados e famosos. Existem alguns “santos populares’ que são exatamente iguais aos “canonizados” pela “santa madre igreja” de Roma. E então por que uma pessoa comum, e até mesmo aquelas com comportamentos reprováveis, se tornariam “santos”? O que elas têm em comum? Quem são seus seguidores e como elas são adoradas? Por que seus devotos são de maioria católica? O canal National Geographic transmitiu o documentário “Santos Populares”, contando a história de quatro “santos” populares que congregam milhares de devotos na América Latina: um gaúcho argentino, um cantor de cúmbia, um “santo” adorado pelos traficantes e um curandeiro mexicano. Mas nem mesmo a sociologia e a psicologia conseguem explicar a devoção das massas a esses “santos”.
Todo dia 8 de janeiro, mais de 500 mil pessoas se reúnem no santuário Cruz Gil, em Corrientes, Argentina, para venerar o “santo” mais popular do país: “Gauchito Gil”. Vestidos de vermelho, montados a cavalo, de bicicleta ou a pé, numa fila interminável, devotos se juntam ano após ano em frente ao local onde, segundo a lenda, ele foi executado há mais de um século. Eles deixam dinheiro, garrafas, jóias, fotografias e acendem velas vermelhas. Os devotos de Gauchito Gil celebram seu santo durante três dias. A cor vermelha, o álcool e o “chamamé” são símbolos indispensáveis desta festa. Antonio Mamerto Gil Nuñez, mais conhecido como “Gauchinho Gil” ou “Curuzu Gil”, é talvez um dos mais importantes representantes da hagiologia profana da Argentina.
Não há registros históricos sobre sua vida, porém, reza a lenda que teria nascido por volta de 1847 e morrido por volta de 1874 na província de Corrientes. De acordo com a tradição, ele se alistou como soldado na Guerra do Paraguai e participou ainda da guerra civil entre os federais e os unitários argentinos. Mais tarde, desertou do exército porque Deus teria lhe aparecido em sonhos, pedindo que ele não derramasse mais o sangue dos seus irmãos. Depois disso, se tornou um “gaúcho” marginal que conduzia o gado e praticava roubos, repartindo as sobras entre as famílias mais humildes. Porém, foi preso pela polícia e executado a oito quilômetros da cidade de Mercedes num certo 8 de janeiro.
Desde então, é considerado por alguns com um marginal e por outros como um santo. O certo é que, há mais de cem anos, o culto ao “Gauchinho Gil” vem crescendo na Argentina e já passa os limites da fronteira daquele país. É atualmente venerado por centenas de milhares de peregrinos que visitam o santuário construído no local onde sua tumba se encontra.
Quase um século depois da morte de Gauchito, também na Argentina, Miriam Alejandra Bianchi se tornou uma das santas populares contemporâneas mais famosas do país. Esta ex-professora morreu em um acidente , mas seus devotos garantem que ela já fazia milagres em vida.  Gilda, nome artístico de Miriam, era uma ex-professora nascida em 1961, que se tornou cantora de cúmbia (um ritmo popular em alguns países latino-americanos) no início da década de 1990. Gravou quatro discos e várias canções foram incorporadas por setores da classe média, sendo cantadas até mesmo por torcidas de futebol.
Em 7 de setembro de 1996, Gilda, a filha e a mãe, mais os músicos de sua banda, morreram num acidente rodoviário ao viajar para um show que ocorreria em Entre Rios. Gilda estava então no auge da carreira. Depois de sua morte, a figura de “santa” cresceu e se transformou num novo símbolo da religião popular argentina. Milhares de devotos e fanáticos procuram sua tumba, no cemitério de Chacarita (em Buenos Aires), e também ao santuário oficial, erguido no local do acidente, para cumprir promessas e pedir a concessão de graças. Todos esperam algo em troca. Saúde, trabalho, amor, um carro ou até mesmo uma casa estão entre os pedidos mais comuns. Enquanto alguns visitam seu túmulo, como forma de recordá-la, outros cantam em sua homenagem. Eles deixam cartas, fotos, rosários e santinhos com a imagem da própria Gilda.
No México, os traficantes de drogas também têm seu lado religioso. Jesús Malverde, um bandido que viveu no início do século XX, é adorado por pessoas comuns e pelos narcotraficantes da América do Norte. Em seu templo, situado em Culiacán, no estado de Sonaloa, chegam centenas de pessoas para lhe pedir um milagre, deixando flores, velas, bilhetes, fotos e até recipientes com camarão em agradecimento por uma boa pesca. De acordo com uma certidão de nascimento descoberta recentemente, Jesús Malverde nasceu em 15 de fevereiro de 1888. O resto faz parte da lenda. Segundo lenda, este jovem viveu no final do século XIX na cidade mexicana de Culiacán, onde ganhou popularidade por assaltar e roubar os fazendeiros ricos da região e repartir o produto do roubo entre os pobres da região. Depois de oferecer uma recompensa pela captura dele, o governo finalmente conseguiu prender Malverde, que foi condenado à morte na forca. Um decreto governamental proibiu o sepultamento de seus restos mortais, que ficaram expostos ao relento e ao escárnio público.
Depois de sua morte, que ocorreu, segundo os fieis, em 3 de maio de 1909, as pessoas começaram a atribuir a Valverde uma série de milagres e graças. Mais tarde, começou a ser conhecido como o “padroeiro” dos narcotraficantes, e disseram que ele até salvou da morte o filho de um chefe do tráfico. Desde então, vários traficantes passaram a visitar a capela dedicada a Malverde em busca de sua proteção. Algo assim como se Pablo Escobar fosse canonizado.
Outro “santo” famoso do México é o menino Fidencio, um famoso curandeiro. José Fidencio Síntora Constantino nasceu em 13 de novembro de 1898 no Vale das Covas, em Guanajuato. Porém, foi no povoado de Espinazo, uma pequena cidade interiorana, que começou a ficar conhecido como curandeiro. Fidencio atendia a todos os tipos de casos, incluindo câncer, lepra, cegueira e paralisia. Era conhecido como menino devido à voz afinada. Os métodos de cura aplicados que o Menino Fidencio aplicava incluíam desde um balanço usado para balançar os doentes para curá-los até afundar os pacientes num lamaçal conhecido como Charquinho, que segundo os devotos tinha propriedades curativas. Um dia, o Menino Fidencio anunciou aos seus seguidores que voltaria depois da morte, e os fieis acreditam que ele realmente retorna na forma de espírito a cada vez que é invocado. Assim, atualmente, os fiéis de Fidencio buscam a cura através do espírito de Fidencio (que morreu em 1938). Ou seja, uma forma de espiritismo!
Estes “santos” são apenas alguns exemplos, porque os mexicanos mantém outras devoções. Uma delas é a adoração a La Santa Muerte, por exemplo, uma estátua de esqueleto coberta com um capuz e com uma foice nas mãos, ou seja, a tradicional figura da morte. Os altares e o culto da Santa Muerte podem ser encontrados em todo o México.
Assim vemos que essas devoções populares no México, na Argentina e outros lugares - poderíamos incluir nessa lista, a devoção ao Padre Cícero e outros “santos tupiniquins” - são degenerações do sentimento religioso que cada ser humano possui. Todos possuem uma sede espiritual. Todos anseiam em ter comunhão com um poder superior a si mesmo. Neste afã, vão procurar mitigar esta sede em fontes poluídas, e aí entra o engano de demônios conforme a Palavra de Deus adverte. Jesus disse que Satanás é o pai da mentira (João 8:44) e de que ele, sendo o príncipe deste mundo (14:30) seria obviamente atuante em enganar os seres humanos, mantendo os mesmos longe da verdadeira adoração a Deus.
Se você estudar os “santos” católicos, a imensa maioria surgida durante  a Idade Média européia, verá que as coincidências são alarmantes. O ambiente era muito parecido, e o processo de “canonização” também: primeiro, a crendice popular aumenta, mas a hierarquia do Vaticano resiste. Depois, temendo perder os fieis para o misticismo exagerado e o espiritismo, Roma acaba por aceitar tais figuras como “santos” oficiais, incorporando (eepa) o milagroso ao seu panteão. Assim, fica tudo “elas por elas”, todo mundo sai ganhando. Não duvido que com o tempo o traficante virará “são” Malverde, o médium de Espinazo será “são” Fidencio e assim por diante. Talvez demore, mas é o fluxo natural do catolicismo: não importam os meios, importa apenas o fim, que é o aumento das suas fileiras, seja a que preço for. Misticismo, mediunidade, comunicação com os mortos, mistura com o paganismo e crenças populares – tudo, menos a Bíblia.
Foi assim com “são” Francisco: o “papa” de sua época chegou a repreendê-lo e ameaçar colocar seus seguidores, os “franciscanos”, na clandestinidade; mas depois, devido à pressão popular, acabou guindando-o ao status de “santo”.
Joana D’Arc era considerada bruxa e louca, sendo queimada na fogueira igual aos outros hereges, como os protestantes e judeus (sim, a igreja católica fez isso e só parou porque hoje isso é feio e a imprensa às vezes denuncia seus erros). Depois, mudou de idéia e disse que não, a bruxa herege era, na verdade, uma “santa”. Há vários outros exemplos, mas o espaço é pequeno.
Se os católicos lessem a Bíblia, e a obedecessem, veriam que é inútil pedir bênçãos aos que já morreram, porque Jesus disse: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás (Mateus 4:10). O anjo disse a João: Adora somente a Deus (Apocalipse 19:10; 22:9). O próprio apóstolo Pedro, aos pés de cuja estátua muitos se ajoelham hoje, recusou ser adorado por Cornélio (Atos 10:25,26). E em termos de intercessão a nosso favor, ninguém – nem mesmo Maria – mas somente Jesus Cristo tem o poder de advogar por nós: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (I Timóteo 2:5).
Espero que você pare para pensar sobre isto.

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A lavagem do Bonfim

Sincretismo, tô fora.
A Festa do Bonfim é uma celebração religiosa que acontece na cidade de Salvador, capital do estado da Bahia, Brasil. É no segundo domingo depois do “Dia de Reis”, no mês de janeiro; mas na quinta-feira imediatamente anterior ocorre a “Lavagem do Bonfim”, celebração de cultura eminentemente africana, com grande participação do povo, carroças enfeitadas puxadas por animais e as tradicionais baianas com seus vasos com água perfumada (ou “água de cheiro”). Diz-se que  em 1745 Teodósio Rodrigues de Farias, oficial da Armada Portuguesa, trouxe de Lisboa uma imagem de Cristo, com grande pompa, para a igreja da Penha, em Itapagipe. Em 1754 a imagem foi transferida em procissão para a sua própria igreja, na Colina Sagrada, onde a atribuição de milagres tornou o “Senhor do Bonfim” objeto de devoção popular e centro de peregrinação mística e sincrética. Foram então introduzidos motivos profanos e supersticiosos no culto.
A tal lavagem é um desses desdobramentos. Ela acontece na manhã da quinta-feira, com o tradicional cortejo de baianas indo da igreja de “nossa senhora” da Conceição da Praia até o alto do Bonfim, para lavar com vassouras e “água de cheiro” as escadarias e o átrio da igreja. Todos se vestem de branco, a cor de Oxalá”. O ponto alto da festa ocorre quando cerca de 200 baianas despejam a água ao som de palmas, batuques e cânticos de origem africana. Depois a festa continua com mais batucadas, danças, bebidas e comidas típicas.
O interessante disso tudo é que não se trata de uma atividade original. Na Roma antiga, havia um festival semelhante, em honra da deusa Vesta, cujo templo, hoje arruinado, pode ser visto perto do Fórum. As sacerdotisas (as “Vestais”) também faziam um ritual de lavagem do templo, chamado “Vestália”, quando o templo (aedes Vestae) era aberto para as mulheres de Roma - o acesso era proibido aos homens. Normalmente só quem entrava eram as Vestais e o pontifex maximus (o chefe supremo da religião de Roma, que, não por acaso, ainda usa o mesmo título...). Mas ele não podia entrar no penus Vestae, o recinto secreto da deusa, localizado no podium do templo, em uma cavidade onde se guardavam os objetos sagrados que asseguravam a grandeza de Roma, e que não podiam ser vistos por ninguém além das sacerdotisas.
Nos dias da Vestália as mulheres casadas entravam no templo descalças e com os cabelos soltos para orar e pedir pelo bem de sua casa e sua família. Em épocas de seca, vinham a Júpiter pedir por chuva. Elas costumavam levar para o templo pratos com várias iguarias e as Vestais lhe ofereciam a mola salsa (farinha de trigo moída, torrada e salgada pelas virgens vestais para serem utilizadas em todos os sacrifícios oficiais). As Vestais também realizam rituais de limpeza em conexão com a Vestália. Ovídio conta que os eventos religiosos começavam com a faxina. O lixo era posto fora da cidade ou na encosta do monte Capitólio, ou jogado no rio Tibre. Este era um dia “nefasto” (proibia todas as atividades menos as religiosas) e, depois de um ato religioso concreto, passava a ser “fasto” (permitiam-se atividades). Esse dia se chama D.S.D.F. (em latim, “dies stercus delatum fas”), que é quando se poderia carregar a sujeira para fora do templo.
Eu não sei como esses costumes da antiguidade romana passaram a fazer parte do calendário afro-brasileiro. O que eu sei é que o catolicismo, em sua ânsia de abraçar o mundo, acolheu muitas dessas “festividades” entre as suas datas litúrgicas. Muito já se discutiu sobre essa miscigenação, e muitos são a favor dela, enquanto outro tanto é contra.  
Intelectualóides, celebridades e globais procuram justificar tudo isso sob o prisma cultural: um dos grandes feitos do cinema brasileiro versa justamente sobre isso, o filme “O Pagador de Promessas”, de 1962, dirigido por Anselmo Duarte e baseado na peça teatral homônima de Dias Gomes. Ganhador da Palma de Ouro (melhor filme) no Festival de Cannes (França), vencedor como melhor filme do ano no Festival de Cartagena (Colômbia) e no San Francisco International Film Festival, como melhor filme e melhor trilha sonora (Gabriel Migliori), e indicado ao Oscar de 1963 na categoria de melhor filme estrangeiro. Esse currículo mostra o quanto a “intelligentsia” aprecia o sincretismo cultural e adora malhar a igreja católica... mas pelos motivos errados. No filme, o protagonista Zé do Burro é o dono de um pequeno pedaço de terra no Nordeste do Brasil. Quando seu animal de carga adoece, Zé faz uma promessa a uma “mãe-de-santo”: se o burro se recuperar, ele dividirá sua terra igualmente entre os mais pobres e carregará uma cruz até a igreja de Santa Bárbara em Salvador, onde a oferecerá ao padre local. O burro se recupera, e Zé dá início à sua jornada.
Ele chega à catedral de madrugada com a esposa Rosa. O padre o rejeita após ouvir as circunstâncias em que a promessa foi feita. A noticia se espalha e aproveitadores tentam tirar vantagem do ingênuo Zé. Umbandistas querem usá-lo como líder contra a discriminação que sofrem da igreja católica, os jornais transformam a promessa de terra aos pobres em slogan revolucionário. A polícia é chamada para prevenir a entrada de Zé na Igreja, e ele acaba morto no confronto entre policiais e manifestantes. Na última cena, populares colocam o corpo de Zé na cruz e entram à força na catedral.
Tudo isto soa muito bonito e nobre: luta contra o preconceito, reforma agrária, lutas populares, um “Cristo do povo” bem ao gosto dos teólogos da libertação. Deixamos isso de lado, pois já foi debatido ad nauseam. Dias Gomes escreveu montes de coisas no mesmo tom. Como “Roque Santeiro”, expondo a manipulação do povo pela igreja católica em conluio com o meio político e empresarial, e o duelo entre padres progressistas e conservadores. Ou “Mandala”, onde “atualiza” o mito de Édipo, com a profecia sobre o infeliz monarca (agora uma figura do high society carioca) vindo não do oráculo de Delfos, mas - pasme - de uma “mãe-de-santo” (!).
O que eu gostaria de dizer aqui é que, doa a quem doer, o padre da história original do “Pagador” até que estava certo. Na sua ortodoxia, embora ignorante das coisas do Evangelho, raciocinou corretamente: disse a Zé do Burro como diria Vanderley Luxemburgo, “cada qual com seu cada qual” – a bem da verdade, não faz sentido o sujeito fazer uma promessa no terreiro de macumba e cumpri-la no altar da igreja. De um ponto de vista neo-pentecostal e no contexto de batalha espiritual, a diferença entre os “santos” católicos e os do candomblé são muito tênues, se é que as há. Leia sobre isso aqui e aqui. Mas no ponto de vista da manifestação religiosa enquanto expressão popular, é óbvio que são espaços diferentes, apesar de os teólogos modernos dizerem que “o espaço do divino deve ser compartilhado com o espaço do humano” e outras baboseiras.
Mas você sabe como é o mercado: é preciso cada vez mais clientes, e esses têm que ser mantidos satisfeitos ou irão atrás de outro produto. Assim funciona o catolicismo. Depois de séculos assistindo o crescimento das religiões africanas, resolveram que o melhor a fazer era não combatê-las, mas sim incorporá-las (eeepa!). Por isso aceitaram numa boa a tal “lavagem do Bonfim”, e de novo fizeram como nos tempos de Constantino: acolheram práticas estranhas ao Cristianismo puro e original. Você já sabe disto.
Agora, assustados com o crescimento das igrejas evangélicas, e depois de pegarem elementos de todas a correntes que havia, copiam modos e hábitos, caras e bocas, músicas, estilo de pregação e até os mega-templos (também aqui). Estão aí os “padres-pop” Marcelo Rossi e Fábio de Melo, e as músicas evangélicas cantadas em missas – quando não são as mesmas, cantores católicos seguem a fórmula: ritmo de música romântica, melodia pegajosa e letras fúteis; sem conteúdo bíblico, mas com grande poder emocional. Resultado: gente chorando, “erguei as mãos” e até mesmo transes com direito a “línguas estranhas” e curas espirituais, ao melhor estilo pentecostal. Tomara que nessa clonagem desenfreada comecem a pregar a Palavra de Deus e abandonem as tradições humanas, aprendendo diretamente da Bíblia como deve ser a vida do cristão. Que aprendam a viver “Sola Scriptura...
Resumindo essa história toda, eu penso que está em curso um grande processo de globalização religiosa. Vai chegar um dia em que conceitos como “diversidade”, “tolerância”, “respeito às diferenças”, “coexist” (como gosta o U2) e outros serão a lei, e invadirão os templos. Talvez uma “boa causa” unifique as religiões; ou quem sabe algum acontecimento dramático de proporções planetárias... É evidente que ainda existem bolsões impermeáveis, como o islamismo, o judaísmo ortodoxo e certos rincões pentecostais; mas no grosso, percebe-se uma osmose mútua entre o catolicismo, as religiões africanas e as chamadas “orientais”, que desde os anos 1960 apresentam crescimento exponencial no Ocidente ex-cristão. Veja mais aqui e aqui.
A Bíblia nos dá a entender que durante o futuro governo mundial exercido pelo Anticristo, o seu principal aliado não será um general, um hábil político ou um grupo de banqueiros e financistas. Esses instrumentos de dominação ideológica e econômica existirão, mas o braço direito do ditador mundial será um religioso. Apocalipse o chama de “o falso profeta”, ou “a besta que emerge da terra”. Da terra, porque não foi enviado por Deus. Falso, porque apesar de fascinar multidões crédulas, seus milagres, por mais maravilhosos que sejam, não levam ninguém a glorificar a Deus; pelo contrário. É falso, porque o próprio Jesus Cristo advertiu que surgiriam “falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos” (Mateus 24:11, 24; Marcos 13:22). Também o apóstolo Pedro avisou sobre essas pessoas: “... entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição” (II Pedro 2:1). 
Por isso podemos e devemos considerar como falsos milagres todos os que não glorificam a Deus, no final das contas, mesmo que façam “descer fogo do céu à terra, à vista dos homens” (Apocalipse 13:11-14). Ainda que sejam eventos de valor cultural e folclórico, como “folia de reis”, “congado”, “lavagem do Bonfim” ou o “círio de Nazaré”; sejam prodigiosas curas de médiuns e umbandistas, ou intrigantes “graças” alcançadas com o acender velas e pagar promessas. Pergunte a algum desses sobre o que Pedro advertiu; pergunte a algum deles se “o Senhor os resgatou”. Eu dou um ano do meu salário se algum deles disser que sim, que Jesus Cristo o resgatou e somente a Ele deve ser dada toda a glória, “para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:10, 11).
Não se deixe enganar.

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O que está por trás dos dias de

A igreja católica romana tem como premissa o culto aos chamados “santos”, pessoas virtuosas que são “canonizadas” após a morte e, por estarem próximos a Deus, poderiam realizar milagres. O Brasil, apesar de ser considerado o país mais católico do mundo (cerca de 64% da população, segundo pesquisa), só tem dois “santos” nativos; mas, além do montão dos canonizados oficialmente, existem inúmeros outros, como a alegada “padroeira”. Para homenagear essa santaiada toda é que existe o dia “de todos os santos”.
Através dessa comemoração Roma pretende aproximar seus fiéis de Deus, com o seguinte arrazoado: como os “santos” foram pessoas de carne e osso, que tiveram condutas exemplares, todos têm potencial para tornarem-se santos. A “homenagem aos santos” geralmente é no dia do aniversário de suas mortes, mas como há mais “santos” do que dias no ano, os menos famosos que caem na mesma data de um “best-seller” acabam ofuscados. Para resolver esse problema, o “papa” Bonifácio IV criou uma espécie de aniversário coletivo, para acender velinha para todo mundo numa batelada só. Isso foi no século VII, e a data escolhida foi 13 de maio. No século seguinte, mais precisamente no ano 835, o “papa” da hora, Gregório III, atropelou a norma que diz que o “papa” é infalível em assuntos eclesiásticos, decretou que Boni 4 estava errado e o certo era 1º de novembro.
Dizem os historiadores – veja bem, não sou eu que estou dizendo, depois não digam que estou acusando, fazendo fofoca, intriga, que sou “cismático” etc. – historiadores afirmam que o principal objetivo da mudança da data foi para que ela passasse a coincidir com o Samhain – o ano-novo dos bruxos (que deu origem ao Halloween), e dessa forma atrair pagãos (possíveis novos fiéis) para a fé católica. Para o 13 de maio colocaram Maria no lugar, e de quebra disseram que esse agora era o dia “das mães”.
Como dizia uma lenda, no 1º de novembro demônios e espíritos malignos andavam livres pelo mundo, voltando às regiões abissais à meia-noite do “finados”. Assim o dia “das bruxas”, Halloween, como véspera “de todos os santos”, seria uma espécie de preparação para enfrentar e repelir o mal no dia seguinte. Confira a informação aqui. E assim a crença da “volta dos mortos” foi incorporada (hum hum mizinfi!) ao folclore católico, como veremos adiante.
Essa celebração mezzo-cristã/mezzo-pagã – como, aliás, é a maioria das festas católicas, um mix de cristianismo com paganismo, doa a quem doer – aproveita e homenageia a granel todos que “morreram em estado de graça” e não foram canonizados, e portanto, não têm um dia específico. Aliás, vou escrever um artigo sobre como surgem as crendices que transformam personagens bizarros e lendários em “santos” (como estes dois aqui), e como a igreja católica acaba patrocinando esquisitices, aceitando misturas até com religiões africanas. Aguarde que tem mais.
Olha só que curioso: em Portugal, no dia “de todos os santos”, crianças saem à rua a pedir o “pão-por-Deus” de porta em porta, recitando versos e recebendo em troca pão, broas, bolos e frutas como nozes, amêndoas e castanhas, que guardam em sacolas. Lembra alguma coisa? É também costume em algumas regiões oferecerem um bolo, o “Santoro”, e nesses lugares a data também é conhecida como “dia dos bolinhos”.
“Todos os santos” não é feriado, mas muitos tiram o dia para ir a “missas especiais” em honra dos “santos”, e até aproveitam para dar uma esticada ao cemitério limpar sepulturas, levar flores e aprontar tudo para o dia seguinte, 2 de novembro, “finados”.
Assim, vemos que o dia “de finados” é mais um resultado da mixórdia católica que, desde longa data, vem bolando estratégias de marketing para atrair e manter fiéis a qualquer custo. Mesmo que o crescimento numérico comprometa a sã doutrina – e agora os neo-evangélicos adotam essa tenebrosa barganha: desde a fusão da igreja cristã ao Estado romano, foram adotados crenças estranhas e costumes de vários povos. Rezar pelos antepassados junto aos seus túmulos é apenas um exemplo: no século XI isto foi oficializado pelos “papas” Silvestre II, João XVIII e Leão IX. Eles disseram que era para dedicar um dia por ano aos mortos, e o 2 de novembro foi institucionalizado a partir do século XIII como o dia “dos finados”.
Desde então as pessoas vão ao cemitério levar flores, acender velas, rezar pelos defuntos, em missas em nome dos falecidos – um grande negócio para a igreja, pois essas missas costumam ser cobradas, não são baratas, e como todo mundo quer seus parentes livres do “purgatório”, imagine só a indústria de exploração da fé que se formou. Por isso os homens de preto mantêm como pilar sagrado esse “purgatório”, pois no dia que o povo descobrir que é uma balela sem fundamento bíblico, a casa cai. E com ela o comércio paralelo de velas, flores, lanches, terços, imagens, bibelôs, enfeites, camisetas, cartõezinhos... um lucro enorme vai para o saco.
Vela, por exemplo, uma bobagem. Os católicos crêem que o testemunho daquele que morreu fica como luz acesa no coração de quem continua a peregrinação. Por isso acendem velas no dia “de finados”, para celebrar e perpetuar a luz do falecido.
No México fazem uma verdadeira festa e preparam um banquete. Segundo a tradição, nos dias 1º e 2 de novembro, Deus deixa os mortos visitarem seus familiares ainda vivos, e lhes permite comer e beber aquilo de que mais gostavam. No dia 1º chegam as crianças falecidas, e por isso chamam a data de “dia dos santos inocentes”: preparam um altar com doces, brinquedos e velas para iluminar o seu caminho de volta à terra. No dia 2 chegam os adultos. Para ter a certeza de que encontrarão o caminho do cemitério até suas casas, espalham pétalas de flores e velas pelas ruas. No altar preparado pela família, o morto encontrará as oferendas feitas pelos seus parentes, com os seus pratos favoritos em vida. 
Se isso é cristianismo, então danou-se.
A igreja católica aceita tudo isto como válido, e é por isso que eu digo que ela não é cristã. Ou uma coisa, ou outra. A base do ensino cristão é a Bíblia, e a Bíblia não ensina nada disto! Pelo contrário, somos instruídos a evitar esse tipo de mistura:
Nada de orações a quem já morreu: “Não vos voltareis para os que consultam os mortos nem para os feiticeiros; não os busqueis para não ficardes contaminados por eles. Eu sou o Senhor vosso Deus” (Levítico 19:31);
[não haverá entre vós] nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos (Deuteronômio 18:11).
Devemos seguir um único caminho: “E Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; mas se Baal, segui-o” (I Reis 18:21);
“O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Deuteronômio 30:19);
“Vós sabeis que, quando éreis gentios, vos desviáveis para os ídolos mudos, conforme éreis levados” (I Coríntios 12:2).
Nada de oferecer coisas a mortos: “Nós pecamos, como nossos pais; cometemos a iniqüidade, andamos perversamente. Nossos pais não atentaram para as tuas maravilhas no Egito, não se lembraram da multidão das tuas benignidades; antes foram rebeldes contra o Altíssimo junto ao Mar Vermelho... Também se apegaram a Baal-Peor, e comeram sacrifícios oferecidos aos mortos. Assim o provocaram [a Deus] à ira com as suas ações; e uma praga rebentou entre eles... se misturaram com as nações, e aprenderam as suas obras (Salmo 106:6, 7, 28,29, 35).
Não invente “rainha do céu” nem ofereça “homenagens”: “Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha para fazerem bolos à rainha do céu, e oferecem libações a outros deuses, a fim de me provocarem à ira (Jeremias 7:18).
Deus abomina os ídolos – e no fundo, esses “santos” são ídolos: “... porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos entre vós, e como vos convertestes dos ídolos a Deus, para servirdes ao Deus vivo e verdadeiro” (I Tessalonicenses 1:9);
“Os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras das suas mãos, para deixarem de adorar aos demônios, e aos ídolos de ouro, de prata, de bronze, de pedra e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar (Apocalipse 9:20).
Quer mais? Clique aqui.

Insistir nessas práticas é querer inimizade com Deus.
Doa a quem doer.

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terça-feira, 19 de maio de 2009

Eu pensei que tinha acabado.

Eu pensei que o estudo sobre o batismo infantil seria o último, pelo menos por ora, sobre o assunto “catolicismo”. Afinal, não quero ficar batendo indefinidamente nessa tecla. Pode parecer que estou querendo “pegar no pé” deles, o que não é o caso. Mas nesta semana aconteceu algo que tenho que comentar.
Outro dia estava passando os canais aleatoriamente na TV e dei de cara com um canal católico. Fiquei curioso com a mensagem que estava sendo “pregada”. O padre dizia algo sobre “chamar o Espírito Santo” para dentro de si, e as pessoas na audiência pareciam estar entendendo bem a mensagem. Muitos de olhos fechados balbuciavam o que pareciam ser orações ou preces. Então o padre disse: “Ore assim comigo... Senhor, vem habitar em mim... livra-me das tentações do inimigo...” etc. Não me lembro de tudo, mas era mais ou menos isso. Então o “ministério de louvor” começou um cântico meloso, de ritmo lento e letra repetitiva, bem ao estilo evangélico, e as pessoas acompanhavam em voz embargada. O cântico foi repetido várias vezes, e pensei comigo: “Só falta alguém falar em línguas”.
Dito e feito. O padre começou com um blablalarapatatalararai, que não era bem uma “língua estranha”, estava mais para um “dialeto esquisito”... mas foi acompanhado nesse lero-lero por várias pessoas da assistência. Depois de mais algum blábláblá, na hora de erguer o cálice e a hóstia, ele disse que havia recebido uma visão de Deus, onde haviam muros sendo derrubados. Segundo ele, isto queria dizer que muitas pessoas que até aquele dia estavam fechadas para Deus agora estavam livres para viver uma vida de consagração e santidade. Mudei de canal e fiquei pensando.
Se tirarmos disso tudo os paramentos que o padre usava, as imagens de Jesus e Maria ao fundo e os elementos nitidamente católicos (cálice, hóstia, sacristão), qual a diferença para um culto evangélico? Tudo era “muito igual”! A mensagem, a expressão dos fiéis, as tais “línguas estranhas”, a música... onde chegamos? Onde vamos chegar? Como analisar esse fenômeno?
Fiz um curso certa vez em que um dos instrutores sempre dizia: “Não tente ser Deus”. Com isso ele queria dizer que, para analisar determinado fato, nunca devemos tentar saber a solução com antecedência. Devemos, como ele dizia, “problematizar” ao máximo, isto é, tentar esgotar todas as possibilidades antes de começar a pensar na resposta. Não sei se é o caso aqui. Aqui, penso, há algumas explicações. Ralph Woodrow já disse em um seu livro que o grande problema do catolicismo através da História foi a mistura promovida pelo cristianismo com o paganismo.
Muitas tradições e costumes católicos, conforme vimos nas últimas semanas, se originaram dessa mistura, afastando-se cada vez mais do ensino escriturístico. Da inconformidade com essa mistura, com esse sistema de coisas, surgiu a Reforma Protestante, como uma tentativa de retornar às origens do cristianismo puro. E agora, onde se encontra a igreja evangélica? Estaríamos nos aproximando novamente do catolicismo, ou o catolicismo é quem tenta se apropriar de práticas evangélicas como as que descrevi acima, em busca do que insistem em chamar de “ovelhas desgarradas”? Particularmente acho que essa é a resposta.
Isso é bom ou ruim?
Acho que é ruim.
É ruim porque confunde as pessoas. Quem não tiver discernimento suficiente facilmente pode concluir que “é tudo igual”; que “Deus está em todo lugar”; afinal, toda a mensagem (pelo menos a parte a que assisti) girava em torno de Deus, Espírito Santo, santidade, consagração...
É ruim porque é uma imitação barata de algo que já não está muito bom.
Vejamos.
O padre mandou repetir a oração com ele. "Diga assim..."... Quantas vezes não ouvimos isso em nossos cultos? Repetições...
A música era fraca. Lembrem-se do que escrevi: “um cântico meloso, de ritmo lento e letra repetitiva, repetido várias vezes, as pessoas com a voz embargada”. As “músicas” que são cantadas hoje nas igrejas evangélicas são ou não assim, na maioria?
E as “línguas”, claramente “decoradas”? A gente sabe o que é “língua estranha” e o que é “dialeto esquisito”... Hoje algumas igrejas evangélicas também não estão assim, com “línguas” decoradas?
A “visão” do padre foi mesmo uma revelação de Deus? Quantas visões e revelações acontecem hoje em cultos evangélicos que são na verdade fruto da imaginação dos “videntes”?
E a mensagem do padre, embora aparentemente bíblica, será que causou transformação na vida de alguém? Houve algum “apelo” para que alguém recebesse a salvação em Jesus? Não sei dizer. Acho que não, pois o pessoal estava caminhando para a fila da hóstia...
Mas quantos cultos evangélicos hoje terminam com um apelo ao pecador para que entregue sua vida a Jesus? Quantos cultos terminam com as pessoas se rendendo aos pés do Senhor, fazendo compromisso de segui-Lo até o fim, e não apenas até terminarem as “sete semanas da campanha tal” ou conseguirem essa ou aquela bênção, geralmente de caráter financeiro?
A quem se quer enganar? As pessoas simples, que não conseguem discernir entre o culto a um Deus Vivo e um culto semi-cristão?
O que houve com nossos cultos, que estão assim tão parecidos com uma missa? O que houve com nosso louvor e nossa adoração, nossos hinos e nossos cânticos, vazios e sem sentido, que podem ser cantados por um grupo católico sem nenhum problema?
“No meu tempo” nunca pensaria em ver uma paróquia católica cantando “Ao Deus de Abraão Louvai”, ou “Santo Santo Santo”, ou outro hino qualquer do Cantor Cristão. Mas hoje não. Hoje está diferente. Todo mais moderno. Mais contemporâneo. Mais globalizado.
Posso me lembrar do dia em que soube que um pastor de uma grande igreja, famosa em todo o Brasil, “resolveu” por sua conta modificar os hinos do CC que, segundo ele, eram muito difíceis. O povo não entendia. Assim ele projetou sua própria burrice e ignorância da Língua Portuguesa para todo “o povo”, desconsiderando toda a história de vida dos homens santos que escreveram esses hinos. Um dia vou escrever sobre isso. Mas desse dia infeliz até as “músicas” vazias de hoje foi um passo rápido.
Agora, até bandas ditas evangélicas cantam em eventos católicos, sedimentando a mistura. Duvida? Leia aqui: http://noticias.gospelmais.com.br/artistas-gospel-envolvidos-com-o-escandalo-da-farra-das-passagens-aereas-exclarecem-o-ocorrido.html . Note a frase “temos relacionamento também com irmãos da Igreja Católica que sempre nos convidam para eventos em SP”, e veja quem a proferiu.
O que houve com a igreja evangélica, que é assim tão facilmente copiada e imitada? A quem queremos enganar?

Acautelai-vos, que ninguém vos engane. Mateus 24:4.

DOA A QUEM DOER.

domingo, 15 de março de 2009

Verdadeira igreja?

A igreja católica define a si mesma como “a verdadeira igreja”. Em 5 de setembro de 2000, João Paulo II, em sua encíclica "Dominus Iesus", determinou que a igreja católica é a única Igreja de Cristo, e que os cristãos do mundo inteiro devem estar em comunhão com ela, e que incorrem em grave erro os que não reconhecem sua autoridade.
Será que ele tinha razão? Se pararmos para pensar um pouco sobre isso, veremos que há quase 500 anos certas verdades bíblicas foram proclamadas claramente por um padre alemão, para quem quisesse ver e ouvir. Mas até hoje os católicos ainda não se debruçaram seriamente sobre elas, e nem apresentaram a refutação bíblica que justifique a sua rejeição.
Os quatro fundamentos principais das 95 Teses de Martinho Lutero, afixadas em 1517 na porta do Castelo de Wittenberg, onde eram pregados os avisos da Universidade Católica em que lecionava Teologia Bíblica, são estes:
I - Só pela Bíblia. Autoridade absoluta da Palavra de Deus. Não ao sincretismo - a incorporação de tradições, geralmente advindas de fontes pagãs, então aceitas pela igreja.
II - Só pela fé. “... sois salvos, por meio da fé...” (Efésios 2:8).
III - Só pela graça. “Porque pela graça sois salvos...” (Efésios 2:8). ...mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6.23); “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9). Obras não são condição para a salvação, mas sim reflexo daquele que é salvo e as pratica como fruto do amor.
IV - Só por Jesus. Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim (João 14:6). Aquele que crê no Filho tem a vida eterna... (João 3:36). “Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem”. (1 Timóteo 2:5).
O desejo de Lutero não era romper com a igreja, mas transformá-la e fazê-la voltar a esses princípios bíblicos. Porém basta uma pequena olhada nas páginas da História para notar que, de fato, a igreja católica é quem vem há muito tempo se distanciando da Palavra de Deus, com a introdução de práticas e doutrinas estranhas ao Evangelho, que se tornaram “dogmas” (ou seja, devem ser aceitos sem contestação, por mais absurdos que sejam). Veja algumas invenções – nenhuma delas respaldada pela Bíblia – que se incorporaram ao catolicismo com o passar do tempo:
- orações pelos mortos e entrega de oferendas nos cemitérios, por volta do ano 310 depois de Cristo;
- cerca do ano 313: começa o costume de procissões, copiado de religiões pagãs e de cerimônias bizantinas; introduz-se o batismo de recém-nascidos; imagens e esculturas nas igrejas se tornam comuns, a princípio como peças decorativas ou didáticas, e mais tarde objetos de culto em si mesmas;
- séculos III e IV depois de Cristo (entre os anos 200 e 400): o bispo da cidade de Roma começa a ser considerado o maioral entre todos, dando origem à instituição do papado;
- acender velas nos templos, por volta do ano 320;
- adoração de santos: bárbaros recém “cristianizados” transformam seus costumes pagãos de louvar antigos heróis em “culto a santos” cristãos, cerca do ano 375;
- a partir de 590, são introduzidos, aos poucos, a “veneração” de Maria; o “sacrifício da missa” (a cada cerimônia celebrada pelo sacerdote, o sacrifício de Jesus se repete); orações dirigidas aos “santos” se tornam comuns; começa-se a imaginar um purgatório como lugar intermediário entre o céu e o inferno, onde as almas vão sofrer e se purificar antes de entrar no paraíso.
- uso de água benta, no ano 840;
- canonização de santos, em 993;
- celibato imposto aos sacerdotes, em 1074;
- populariza-se a reza do terço, no ano 1090, copiada de práticas orientais;
- instituição dos “sete sacramentos” (atividades obrigatórias para ministrar uma graça especial às almas); no ano 1140 (batismo infantil, crisma ou confirmação, penitência, eucaristia/missa, matrimônio, ordenação aos sacerdócio, extrema-unção aos moribundos);
- venda de indulgências, no ano 1190;
- dogma da transubstanciação e o confessionário, em 1215 (a hóstia se transformaria misteriosamente no corpo real de Cristo).;
- a reza da Ave-Maria, em 1316;
- 1343: indulgências (os “santos” alcançaram tanto mérito na Terra que o excedente, guardado num tesouro no céu, poderia ser “sacado” pelo papa em favor dos vivos, mediante o pagamento em dinheiro, sem necessidade de arrependimento do penitente);
- o cálice da comunhão é só para o clero, no ano 1415;
- adotada oficialmente a doutrina dos sete sacramentos obrigatórios e a criação do purgatório, em 1439;
- 1476: as indulgências são estendidas aos que já morreram, originando as missas de 7º dia e similares;
- 1545/1563: os sete livros apócrifos são incluídos na Bíblia católica. De autoria incerta, contendo lendas e poesias da antiguidade judaica, são cheios de erros, repetições, acréscimos e cópias de trechos tradicionais, como 'Judite', que imita a história de Jael e Sísera, contada originalmente no livro de Juízes. Contêm ensinos espúrios que pretendem embasar doutrinas como a da intercessão pelos mortos, adoração aos anjos, o livramento das almas após a morte e o valor das boas obras para a salvação, dentre outras, sem falar no cunho humanista e filosófico de cores helenísticas. Com isso, a Bíblia deixou de ser considerada única regra de fé e prática (pois os graves erros históricos e geográficos contidos nos apócrifos desautorizam todo o conjunto), e assim a “tradição” ou interpretação dos “sábios” católicos passou a ser equivalente à Palavra de Deus em autoridade;
- a conceição imaculada da virgem Maria anunciada, em 1854 (Maria, para poder gerar a Jesus, também deveria ter sido gerada sem pecado);
- 1863: anuncia-se que fora da igreja católica não é possível haver salvação;
- infalibilidade do Papa, em 1870; o bispo de Roma não erra quando usa autoridade eclesiástica, (como quando obrigou Galileu a afirmar que o Sol girava em torno da Terra);
- 1891: Maria, a partir dessa data, foi promovida a co-redentora da humanidade e mediadora entre Cristo e os homens;
- a ascensão de Maria, no ano 1950 (por não ter pecado, Maria não teria conhecido a morte, mas teria sido levado por anjos – com a casa onde morava e tudo – e coroada “rainha dos céus”).
Então, sobre ser “a verdadeira igreja”, guiada por homens infalíveis, lemos na Bíblia: “...sempre seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso” (Romanos 3:4). Infalível, só Deus, o imutável Deus de amor e de justiça: o mesmo ontem, hoje, e eternamente (Salmo 90:2; Isaías 40:28; 41:4; 43:10-13; Hebreus 9:14; 13:8).
Cabe a cada um decidir se segue a Palavra de Deus, infalível e imutável, ou a tradição tosca de homens venais. O leitor verifique onde está a verdadeira Noiva do Cordeiro, Igreja Gloriosa, sem mácula nem ruga, mas santa e irrepreensível (de acordo com Efésios 5:27).

DOA A QUEM DOER.

Fontes: Earle Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, Ed. Vida Nova, 2ª ed., p. 208/209; Ankerberg & Weldon, Os Fatos Sobre o Catolicismo Romano, Obra Miss. Chamada da Meia Noite, 1ª ed., 1997, p. 22-23, 42, 58, 68. Fausto Rocha, artigo publicado na Revista Defesa da Fé. Publicado anteriormente no Boletim da Igreja Batista da Renascença, Belo Horizonte, maio de 1998.