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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Iemanjá: rainha do mar?

A novela “Porto dos Milagres”, exibida pela Rede Globo em 2001, se passava um cenário paradisíaco, em Comandatuba (Bahia), mas era baseada em um conteúdo no mínimo discutível, como tudo que a Globo produz. A trama original é de Jorge Amado, que na maioria de seus escritos faz apologia a cultos de origem africana e a Iemanjá, com capítulos inteiros dedicados à “rainha do mar”.
Causa espanto a quantidade de obras desse autor baiano adaptadas pela Globo: “Tenda dos Milagres” (de 1985; não confundir com “Porto dos Milagres”, de 2001), “Gabriela” (em 1975 e requentada em 2012), “Terras do Sem Fim”, “Tieta”, “Tereza Batista”, “Dona Flor”, “Pastores da Noite”, “Mar Morto” e “A Descoberta da América pelos Turcos” –as duas últimas misturadas em “Porto dos Milagres”, onde o personagem “Guma” é salvo de um naufrágio e acredita que sobreviveu graças à proteção de Iemanjá; por isso se torna “devoto” dela. E nem falamos de Dias Gomes, outro notório adepto de um terreiro e adjacências.
O que tem de especial essa entidade que parece seduzir tantas pessoas, ainda mais as que se acham esclarecidas e cheias de lógica? O que hipnotiza de maneira tão profunda esses “formadores de opinião”, que hoje parecem muito sensatos e amanhã expressam devoção cega à entidade de um culto animista, como Tupã, Araci ou Kurupi dos antigos indígenas?
Iemanjá é um “orixá” africano, em forma de uma linda mulher, por vezes com os seios descobertos simbolizando a maternidade espiritual, e é uma das mais lendárias entidades das religiões “afro-brasileiras”. Seu nome deriva da expressão Yeye omo eja (na língua yorubá, “mãe cujos filhos são peixes”, pois yeye=mãe; e eja=peixe”). É aparentada com a sereia européia e a Yara dos índios tupis. Curiosamente, seu outro nome – Janaína – não é indígena como pode parecer, mas ibérico. Em certas regiões de Portugal e Espanha jana designa uma espécie de sereia ou ninfa dos rios.
Por aqui, no dia 2 de fevereiro milhares se vestem de branco e vão a locais com água – praias, rios, lagos e até praças com fontes – para depositar oferendas “... amontoados num imenso cesto: sabão, perfumes, flores naturais ou artificiais, velas, lenços de renda, cortes de tecidos, colares, braceletes, dinheiro... [e] cartas com súplicas dos fiéis, que pedem uma graça. Tudo é lançado ao mar... para que tais oferendas sejam aceitadas [sic] por Iemanjá, devem ser mergulhadas nas águas. Se boiarem é sinal de recusa e descontentamento. Será preciso então fazer novos sacrifícios e novas oferendas para que o ofertante alcance a proteção da entidade” [1]. Os adeptos se aproveitam de praticamente toda e qualquer festividade que tenha água por perto: misturam-se com os católicos no dia de “nossa senhora” dos Navegantes, e com todo mundo no “réveillon”, emporcalhando tudo com suas quinquilharias. O engraçado é que a dita “grande imprensa” não reclama dessa sujeira, e só grita quando acontece algum evento evangélico... mas... prossigamos. Trata-se de uma “deusa vaidosa” (comum entre os “orixás”) que “gosta” de produtos de beleza, bijuterias e perfumes – ou seja, é uma entidade carnal, sensual, que incentiva a vaidade e o culto do corpo.
Abguar Bastos[2] explica que esses cultos usam nomes diferentes, mas pouco se distinguem nos ritos ou nas entidades cultuadas. Por isso, “macumba” no Rio é “candomblé” na Bahia; “xangô” no Nordeste é “canjerê” em Minas, Pará, Rio Grande do Sul, etc. E os mitos também variam: conta-se que Iemanjá (as águas) se casou com Aganju (terra firme). Dessa união nasceu Orugan (o ar e as alturas). Mas, certo dia, na ausência do pai, Orugan violentou a própria mãe. Após o ato, que até parece coisa do rei Édipo, Iemanjá morreu e de seu ventre nasceram os demais “orixás”. É por isso que ela é “a mãe de todos os orixás”.
Outra lenda diz que Iemanjá se sentia sozinha e abandonada pelos filhos. Então, ela decidiu correr mundo e, chegando em Okerê, o rei se apaixonou por ela. Mas Iemanjá fugiu, sendo encurralada, durante a fuga, por Okê (as montanhas). Iemanjá caiu e de seus enormes seios nasceram os rios, tornando-se, assim, rainha das águas. Cá pra nós: isto parece o “Hobbit” ou algo que o valha... mas celebridades e intelectualóides levam a sério!
Esses cultos vieram dos africanos que, por natureza, são extremamente religiosos. Sem dúvida, muitos deles só conseguiram resistir ao massacre colonizador devido a suas crenças. Dos escravos, veio uma vasta riqueza cultural expressa nas cores, na música, na culinária, nas artes, na linguagem e nos usos e costumes. E vieram também seus rituais religiosos; invocação de “espíritos da natureza” e dos mortos, e uma mitologia peculiar, que inclui Iemanjá.
Cuja popularização pode ser creditada em grande parte à Rede Globo. Já não se trata mais de estatuetas da “rainha do mar” em lojas de artigos de umbanda, mas de um fenômeno pretensamente cultural, que graças à TV se espalha por cenários diversos, como shows de axé, o carnaval ou as tais novelas. Eu não vou nem citar aqui as músicas de inúmeros artistas que são verdadeiras invocações a entidades da macumba: Toquinho e Vinícius, Caetano, Gil, Martinho da Vila, Ivete... você se quiser procure depois. Talvez seja essa vertente – a “cultural” – a seduzir autores globais, que disfarçam de “arte” e “dramaturgia” sua religião primitiva. Note que há pouco tempo a Globo lançou mais uma série, agora escrita por Nelson Motta, outro queridinho da mídia. Trata-se de “O Canto da Sereia”, onde a personagem Sereia (Ísis Valverde), uma cantora de axé bissexual, acaba assassinada. Como não poderia deixar de ser, papel de destaque é dado a uma “mãe de santo” (Fabíula Nascimento, como “Marina de Oxum”)... É a mesma Globo que vem desde sempre ridicularizando e descendo a ripa nos evangélicos. A mesma à qual alguns pastores evangélicos vêm se associando
E a retardada da Glória Perez, uma mulher cheia de ódio e ressentimento, que tem a ousadia de se auto-denominar “escritora, ainda quer ridicularizar os evangélicos que boicotam esse lixo global. Veja o twitt dela aqui ao lado. Mas o que me deixa mais triste é ver que muitos artistas gospelagora vão a programas na Globo e em vez de  darem o recado de Deus, apenas cantam, dançam e dizem que sua música é de cunho social positivo... Resultado: pessoas continuam indo para o inferno, como o Huck na foto ali em cima. Doa a quem doer... dona Ana Paula, pregadorLuo e muitos outros levitasterão que prestar contas do tempo perdido (e das almas perdidas).
Como se não bastasse a idolatria local, ainda fizeram uma infeliz alegoria dessa entidade para simbolizar o Brasil no encerramento da Olimpíada de Londres, envergonhando e afrontando milhões de cristãos, de Norte a Sul do país.
Mas o que ninguém diz, longe das belas cenas de novelas, coreografias olímpicas e espetáculos para turistas, é que uma vez introduzidos no culto, os adeptos ficam presos, por obrigação, ao “orixá”. Uma vez comprometidos, não podem mais desobedecer à entidade; caso contrário, sofrerão represálias e punições, como doenças, perda de emprego, mortes na família, loucura, falência etc. Tornam-se escravos dos “orixás” e obrigados a praticar rituais nada agradáveis. O filósofo Baruch de Espinoza disse: “Não há instrumento mais poderoso para manter a dominação sobre os homens do que o medo, e para conservá-los no medo, nada melhor do que mantê-los na ignorância”. No candomblé não é diferente.
Respeitamos os devotos de Iemanjá enquanto seres humanos, mas não se pode deixar de dizer que estão equivocados. O Deus da Bíblia não age assim, como um terrorista. Ninguém é obrigado a seguir a Cristo, porque o Senhor não deseja que ninguém O sirva por medo, mas por amor. E ainda que falhemos, Ele está sempre pronto a nos perdoar, “porque grandioso é em perdoar” (Isaías 55:7). Deus nos atrai com amor, e não com ameaças: “Atraí-os ... com laços de amor, e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas, e lhes dei mantimento” (Oséias 11:4).
Um papel atribuído a Iemanjá é mediadora de favores. Por isso pedem a ela paz, segurança e outras coisas. Ora, isto contraria frontalmente a Palavra de Deus, como o catolicismo idólatra ao atribuir tais prerrogativas a Maria. Paulo, escrevendo a Timóteo, declara: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (I Timóteo 2:5). O mesmo apóstolo diz que o único meio de obtermos paz é através de Jesus Cristo: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5:1).
Por todo lado se vêem imagens de Iemanjá. Mas imagens não são nada mais do que idolatria. O Senhor declara: “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima dos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra” (Êxodo 20:4). O profeta Ezequiel diz: “E tomaste as tuas jóias de enfeite, que eu te dei do meu ouro e da minha prata, e fizeste imagens de homens, e te prostituístes com elas” (Ezequiel 16:17). Deus disse a Isaías: “Eu sou o Senhor...  não darei o meu louvor às imagens de escultura” (Isaías 42:8). E a Moisés: “Não virareis para os ídolos nem vos fareis deuses de fundição” (Levítico 19:4).Em I Coríntios 10:20-21, o apóstolo Paulo escreve: “Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios”. E também: “Portanto meus amados, fugi da idolatria” (10:14). Tanto os adeptos de Iemanjá quanto de outras entidades estão na ignorância, em trevas espirituais; “mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam” (Atos 17:30). Necessitam de um relacionamento direto e pessoal com Jesus Cristo, “porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).
A humanidade sempre foi seduzida por divindades femininas. Por isso, não faltam advertências, por parte do profeta Jeremias, aos devotos de uma suposta “rainha”: “Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres preparam a massa, para fazerem bolos à rainha dos céus, e oferecem libações a outros deuses, para me provarem à ira” (Jeremias 7:18 e 44:19). A diferença aqui é somente a posição da “rainha”: em vez de céu, é o mar. O salmista coloca o ídolo como algo inerte: “Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos dos homens. Têm boca, mas não falam; olhos têm, mas não vêem. Têm ouvidos, mas não ouvem; narizes têm, mas não cheiram. Têm mãos, mas não apalpam; pés têm, mas não andam; nem som algum sai de sua garganta. A eles se tornam semelhantes os que o fazem, assim como todos os que neles confiam” (Salmo 115:4-8). Quem deseja seguir a Deus com sinceridade deve ouvir o conselho do apóstolo João, que diz: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (I João 5:21).
Outro aspecto é o sacrifício de animais. Quando questionados, umbandistas dizem que Moisés também sacrificava animais. Havia sim sacrifícios no Antigo Testamento, mas eram símbolos do sacrifício perfeito de Jesus Cristo no calvário, e por isso foram abolidos há 2000 anos! Hebreus 10:12 diz: “Mas este [Jesus] havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus”. Isto torna qualquer outro sacrifício inútil! E sobre isto, o próprio Moisés disse: “Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus” (Deuteronômio 32:17). De novo, o apóstolo Paulo: “Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios” (I Coríntios 10:20).
Assim, não há sintonia entre as crenças africanas – Iemanjá inclusive – e o culto a Deus. Muitos que desejam abandonar a umbanda temem ameaças de “orixás”. Mas quem desejar encontrar a verdadeira liberdade em Jesus Cristo deve fazer isso sem medo, pois “para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” (I João 3:8). Foi o próprio Jesus quem disse: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32).

Com informações de Rocha Ferida e CACP


[1] Iemanjá, Mãe dos Orixás, Zora A. Seljan, Editora Afro-brasileira, São Paulo, 1973, p. 32.
[2] Os Cultos Mágico-Religiosos no Brasil, Abguar Bastos, Editora Hucitec, São Paulo, 1979, p. 29,30

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terça-feira, 17 de abril de 2012

Salve Jorge!


No dia 23 de abril há uma grande movimentação na esfera espiritual. De acordo com a tradição, essa é a data da morte de um soldado romano que virou santo e teria morrido nesse dia, mas é celebrado também em 3 de novembro (reconstrução da igreja dedicada a ele, onde estariam suas supostas relíquias). “Padroeiro” da Inglaterra, Portugal, Geórgia, Lituânia, Catalunha,  Moscou e, extra-oficialmente, do Rio de Janeiro (o oficial é “são” Sebastião), também é “patrono” dos escoteiros e da cavalaria do Exército Brasileiro. Trata-se de “são” Jorge”, um dos “santos” mais populares do mundo, cultuado em imagens, figuras, medalhas e até em tatuagens. Sua imagem é vista em templos católicos, bares, clubes de futebol, prostíbulos, padarias, bancas de revista e delegacias do Oiapoque ao Chuí.
Celebridades declaram sua “devoção” a essa entidade: Zeca Pagodinho gravou a música “Ogum”, cheia de sincretismo, com a oração de “são” Jorge no final feita por Jorge Benjor (que também compôs “Jorge da Capadócia”, interpretada por Caetano Veloso, Fernanda Abreu e Racionais MC’s). Moacyr Luz e Aldir Blanc também prestaram sua “homenagem” em “Medalha de São Jorge”, gravada por Maria Bethânia. Artistas que são verdadeiras figurinhas carimbadas nos terreiros e encruzilhadas deste país.
A banda Angra também usou a imagem do “santo” no seu álbum “Temple of Shadows”, e é até comum ouvir por aí a expressão “vestido com as armas de Jorge”, como fórmula mágica ou vacina contra malefícios. As tatuagens com o “santo” estão entre as que fazem mais sucesso no Brasil. “São” Jorge é “padroeiro” do Corinthians, que fez uma camisa especial com sua imagem.
A famigerada Rede Globo levou ao ar em 2012 uma novela, escrita pela insuportável Glória Perez, com título “Salve Jorge”. A cúpula global despistou dizendo que o enredo não tratava de religião, mas sim de “assuntos como tráfico de pessoas, tendo como ambiente o morro do Alemão e a Turquia”. A auto-denominada “escritora” da trama filosofou no twitter que “a fé nele [‘São’ Jorge] existe e vamos mostrar: a fé na força que temos para vencer os dragões que a vida nos reserva”. A emissora até cogitou alterar o título “para não desagradar o público que não crê no santo católico” (leia-se “evangélico”).
Todo esse rebuliço começou lá na Capadócia (atual Turquia), onde o “santo” teria nascido quase no fim do terceiro século da era cristã. Não se sabe como, ele foi parar em Israel com sua mãe, Lida. Seguiu a carreira militar e logo virou capitão na corte imperial em Nicomédia – de novo sem explicação, reapareceu na Turquia. Também não se explica como ele se converteu, e resumindo, na perseguição movida pelo imperador Diocleciano contra os cristãos no ano 303, o jovem capitão se recusou a venerar as estátuas dos antigos ídolos (suprema ironia!), e foi torturado até a morte. A história é mais ou menos a mesma de Cosme e Damião: duzentos anos depois construíram uma capela para ele e começou a idolatria ao seu redor.
E como se não bastasse a ironia do “mártir-que-combate-a-idolatria-mas-se-torna-ídolo”, ainda há o disparate do dragão. Antes de prosseguir, pergunto: quem aí com mais de 6 anos de idade ainda acredita em dragões? É que o “santo” é sempre retratado lutando com esse bicho imaginário. Pergunto qual o devoto que toparia deixar o mito de lado e aceitaria o “são” Jorge sem dragão. Mesmo que se faça um grande exercício de interpretação e se diga, por exemplo, que o dragão significa a maldade, as coisas ruins, as más energias, até mesmo o Diabo, não se pode negar que o cerne da crença é um conto de fadas hollywoodiano, popularesco e embebido em sincretismo de alta octanagem – precioso ao clero católico, pois permite pescar um número maior de incautos.
Uma vertente do mito diz que, assim como o nórdico caçador de dragões Sigurd, Jorge era filho de um senhor feudal. Sua mãe morreu e o recém-nascido foi roubado pela Dama do Bosque (eu já tinha ouvido sobre a Dama do Lago, aquela que dá a espada Excalibur para o rei Artur, mas essa do Bosque pra mim foi novidade: outro plágio?). Crescido, foi lutar contra os sarracenos e, depois de aventuras por terra e mar, foi para Sylén, na Líbia, onde encontrou um pobre eremita que lhe relatou estar toda a cidade em sofrimento, pois um dragão de hálito venenoso e cuja pele não podia ser perfurada ia matar todo mundo. O monstro todos os dias exigia o sacrifício de uma bela donzela (dragão exigente esse; mas exigia como, por sinais de
fumaça?)... Bom, como na lenda do Minotauro, a bola da vez era a filha do rei, e lá se foi o herói enfrentar a fera. Resumindo, Jorge matou o dragão – não se sabe como, pois a pele do bicho era impenetrável, lembra? – levou a princesa para a Inglaterra, e todos foram felizes para sempre.
Outra variante diz que Jorge – dessa vez um marinheiro – acampou com sua armada numa cidade onde havia um crocodilo alado (é isso mesmo) que comia gente, e ninguém podia entrar ou sair, pois o hálito da criatura matava todo mundo (o bafo venenoso impressionava, pois é citado nas duas versões). Os habitantes começaram a sacrificar crianças para aplacar o jacarezão. Até aí tudo bem, só que quando chegou a vez da filha do rei, uma garota de 14 anos, trataram de arranjar um herói para salvar o couro da princesa. É sempre assim, quando o pobre está no rolo ninguém liga, mas vai mexer com a elite... logo colocam a tropa na rua. Enfim, o bacana foi lá, resolveu a parada, e ainda faturou a princesa. Vejam que a pedofilia é antiga no catolicismo, pois a princesa tinha só 14 anos.
A semelhança com a Bela Adormecida revela a origem medieval dessa mixórdia toda. Pensa-se que os cruzados ingleses foram os primeiros a levar “são” Jorge para Portugal, quando ajudaram Dom Afonso Henriques tomar Lisboa dos mouros em 1147. Tanto que o ponto mais alto da cidade é ocupado por um castelo dessa época que leva o nome do “santo”. Não há consenso, porém, sobre como teria se tornado “padroeiro” da Inglaterra. Acredita-se que foi escolhido quando o rei Artur fez bandeiras com a cena do “santo” e o dragão.
Mas o “santo guerreiro” perdeu pontos por lá recentemente. A rádio BBC perguntou aos ingleses qual o seu preferido, e o eleito foi “santo” Alba! Talvez por que o “papa” Leão XIII (em 1893) trocou o capadócio por “são” Pedro como “padroeiro” da Inglaterra, recomendação que perdura até hoje, ou então por ter sido rebaixado por Paulo VI a “santo menor de terceira categoria” (segundo a hierarquia católica). Ou seja, seu culto seria opcional e não universal. Nesse meio tempo, o político polonês Karol Wojtila, que atendia pela alcunha de João Paulo II e reinou no Vaticano no fim do século passado, o reabilitou como figura de primeira instância e “arcanjo”.
Já no Brasil, onde a mistureba católica atinge níveis inacreditáveis de contaminação, a forte influência da cultura africana ofusca o mito do mártir cristão. No candomblé e na umbanda, ele é associado ora a Ogum, ora a Oxossi, “orixá da lua”. A tradição diz que as manchas na Lua representam o “santo” a cavalo, pronto para defender seus devotos.
As religiões afro seguem uma cosmogonia particular, animista e mais parecida com os cultos indígenas e orientais, mas daí o cristão adotar tudo isto como verdade e ainda insistir que é normal, já é demais. O interessante, que o católico comum parece não enxergar, é que 99% dos cristãos do terceiro século foram torturados e mortos justamente por rejeitar a devoção, a veneração, as homenagens e cultos a – pasmem os senhores – ídolos, deuses, heróis, heroínas . . . representados por imagens!
Mesmo que parte da história seja verdade, o grosso é lenda. Como, aliás, ocorre com a maioria dos mártires. E querer misturar lendas, mitos, contos da carochinha de várias origens com a fé cristã, é o cúmulo do absurdo - até jacaré de asa a cristandade já tem agora. Acho que a única regra de fé e prática para quem diz acreditar em Deus tinha que ser a própria Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada e mais nada, que deveria ser lida e ensinada nos templos que se pretendem cristãos.
E a Bíblia é clara quanto a “santos” e assemelhados, doa a quem doer. É simples: se os “santos” já morreram, e se a tentativa de comunicação com os mortos é proibida (Deuteronômio 18:10-12, “Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor, e é por causa destas abominações que o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti”), logo, quem tenta comunicação com defuntos não está em comunhão com Deus. Isaías 8:19 pergunta: “...acaso a favor dos vivos consultará os mortos?”
E os mortos – “santos”, espíritos “desencarnados”, Maria – não são nossos mediadores, como lemos em I Timóteo 2:5 – “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”. Pedir auxílio de um “santo”, um morto, um defunto, significa dizer que Cristo é insuficiente!
A oração é uma forma de culto. E foi o Senhor Jesus quem disse: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele darás culto” (Mateus 4:10). Se prestamos homenagem e pedimos graças a qualquer entidade que não Cristo ressurreto, cometemos idolatria, que Deus abomina e rejeita:
- Não farás para ti imagens esculpidas, nem qualquer imagem do que existe no alto dos céus, ou do que existe embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, por debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto (Êxodo 20:4);
- Não vos voltareis para os ídolos, nem fareis para vós deuses de fundição. Eu sou o Senhor vosso Deus (Levítico 19:4);
- Não fareis para vós ídolos, nem para vós levantareis imagem de escultura nem estátua, nem poreis figura de pedra na vossa terra para inclinar-vos diante dela. Eu sou o Senhor vos­so Deus (Levítico 26:1);
- Confundidos sejam todos os que adoram imagens de esculturas, que se gloriam de ído­los inúteis. (Salmo 97:7);
- Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos do homem. Têm boca, mas não fa­lam, têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem, têm nariz, mas não cheiram; têm mãos, mas não apalpam, têm pés, mas não andam; nem som algum sai da sua gar­ganta; Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem, e todos os que neles confiam (Salmo 115:4-9 e 135:15-18).

Cuidado com as suas devoções!

Atualizado em 12/03/2014

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sábado, 24 de setembro de 2011

Cosme e Damião

Cosme e Damião são dois “santos” muito populares em todo o Brasil. Todos os anos, ao se aproximar o dia 27 de setembro, data dedicada pelos católicos e umbandistas a esses personagens, é comum a distribuição de balas e doces às crianças, e na Bahia, é forte a tradição de dar esmolas para a preparação do “caruru dos santos”, uma comida à base de quiabo e azeite de dendê, para a “festa”. Evidentemente, crendices com raízes nos cultos africanos. Mas a igreja católica apregoa que esses santos são protetores das crianças, dos gêmeos e padroeiros dos médicos. Também é costume católico a distribuição de balas e doces para as crianças no dia 26 de setembro. Segundo o padre Michelino Roberto, “pelo calendário oficial da igreja, a festa é celebrada no dia 26. Mas o povo prefere 27, data da inauguração da basílica que o papa Félix IV mandou erguer para os dois em Roma, no ano 500”. 
Afinal de contas, quem foram esses personagens?
Será que há algum mal em permitirmos as crianças receberem doces ou balas? O que há de tão errado nisso? São apenas crianças se divertindo. Afinal, Cosme e Damião não foram santos, cristãos que perderam a vida por amor a Cristo?
Cosme e Damião eram irmãos gêmeos que, desde cedo, se envolveram com medicina, indo estudar na Síria. A data de seu nascimento, no século III, é incerta. Não se sabe ao certo as circunstâncias que os levaram a ter contato com o cristianismo. Reza a lenda que, por onde andavam, os gêmeos não cobravam pelos serviços que prestavam como médicos, porque tinham como prioridade a conversão dos pagãos à fé cristã. Na verdade, eram outras riquezas que os atraíam. Devido ao fato de não se prostrarem diante dos ídolos e deuses pagãos, o governo imperial ordenou a prisão dos dois médicos, acusados de inimigos da religião do império – já parou para pensar que ironia, dois cristãos que detestavam estátuas de ídolos serem cultuados sob a forma de estátuas? Bem, ainda segundo a lenda, os dois irmãos morreram como mártires cerca do ano 300, possivelmente na perseguição movida pelo imperador Diocleciano. Por volta do ano 530, o imperador Justiniano, gravemente ferido, mandou construir, em Constantinopla, um grande templo em honra desses mártires.
Embora o culto aos gêmeos tenha-se originado em longínqua data e em vários pontos da Europa, foi no Brasil, no entanto, especialmente na Bahia, que a fé nos “santos” ganhou mais força, juntando-se às devoções das raças branca e negra. Clique aqui para ver a ligação entre o culto católico e o culto africano. É sabido que os africanos, ao serem trazidos como escravos para o Brasil, foram proibidos de cultuar seus deuses. Para burlar a vigilância de seus senhores, passaram a associar suas entidades aos santos católicos, o que chamamos de sincretismo. Para que pudessem festejar seus “ibejis” ou “erês” (que significa “criança que gosta de oferendas”), os escravos encontraram nos “santos gêmeos” a analogia perfeita, e é por isso que Cosme e Damião, até hoje, são associados a crianças, e no seu dia se oferecem comidas como o tradicional caruru, balas e doces.
Para que se tenha uma idéia de como é forte a crendice popular em torno desses dois irmãos, veja o que publicou o jornal “O Estado de S. Paulo” em 26 de setembro de 1998:
“Salvador, o bairro da liberdade, o mais populoso da capital baiana, terá um domingo de festa, amanhã, com a comemoração do dia dos santos Cosme e Damião. Haverá missas de uma hora na igreja que leva o nome dos gêmeos. Às 16 horas, uma procissão percorrerá as ruas. Os santos são muitos populares entre os adeptos do candomblé e os devotos do catolicismo. No candomblé, os santos correspondem aos ibejis ou erês, espíritos de crianças, considerados mensageiros dos orixás. Segundo a tradição, quem nasce neste dia tem a obrigação de oferecer caruru, todos os anos, a sete meninos”.
Veja só o que é o sincretismo, mistura-se de tudo sem a menor cerimônia. É costume no catolicismo transformar centenas de cristãos sinceros, que se têm revelado ao longo da história da Igreja, em personagens de devoção religiosa para uma massa de fiéis que possui zelo de Deus mas nenhum conhecimento de sua Palavra. Paulo disse em sua carta aos romanos: “Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento” (Romanos 10:2).
Conclui-se que uma grande parcela dos fiéis, tanto do candomblé quanto do catolicismo, busca uma relação sincera com Deus. Mas, por terem aprendido que Cosme e Damião podem influenciar a vida deles e a de seus filhos, recorrem, ao precisarem de ajuda, aos ensinamentos que ouviram. São sinceros no que fazem, por assim dizer, mas não agem “com entendimento”.

O ensinamento de que o homem deve recorrer aos mortos para receber ajuda é amplamente divulgado pelo espiritismo e outras seitas por todo o mundo. É costume entre os católicos afirmarem: “Por que as pessoas que foram tão boas não podem nos ajudar?”...
A Bíblia tem resposta a essa questão.
Rezar para “santos”, seja de que quilate forem, é, em última instância, tentativa de comunicação com os mortos, doa a quem doer. Os “santos” já morreram, certo? E a tentativa de comunicação com os mortos é proibida por Deus. Deuteronômio 18:10-12 diz: “Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor, e é por causa destas abominações que o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti”.
Logo, quem pratica a comunicação com os mortos não está em comunhão com a Palavra de Deus. Isaías 8:19-20 diz: “...acaso a favor dos vivos consultará os mortos? A Lei e ao Testemunho! se eles [a Lei e o testemunho, isto é, a Palavra de Deus escrita na Bíblia] não falarem segundo esta palavra, nunca lhes raiará a alva”. Aí está consignada a aproximação do catolicismo com a umbanda e também com o espiritismo, pois todas essas crenças procuram contato com entidades que não pertencem ao mundo dos vivos, e portanto estão afastadas de Deus!
E os mortos – santos, espíritos desencarnados, Maria – não são nossos mediadores, conforme lemos em I Timóteo 2:5 – “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”.
Outros motivos dizem respeito ao fato de que não precisamos auxílio de “santos”. Vejamos porquê:
- Temos a confiança de que podemos nos aproximar diante de Deus e sermos socorridos pelo Senhor (Hebreus  4:16);
- Jesus é o nosso intercessor (I Timóteo 2:5, acima);
- Todo aquele que é nascido de novo pela fé é chamado santo (Romanos 1:7; Efésios 3;8; 4:11-12);
- Cristo está o tempo todo intercedendo por nós (Hebreus 7:25).
Quando recorremos ao auxílio de algum “santo” (neste caso, Cosme e Damião), isso implica que Cristo é insuficiente, tanto para salvar como para abençoar as nossas crianças e os profissionais da área da medicina.

A oração é uma forma de culto. E foi o Senhor Jesus quem disse: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto” (Mateus 4:10). Não devemos ser levados por filosofias vãs (Colossences 2:8, “Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”), antes, prestar o nosso culto racional a Deus (Romanos 12:1, “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”). Devemos, isso sim, nos desvencilhar dos preceitos de homens (Marcos 7:6,7, “Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim;  mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”), para que não ofereçamos a Deus um culto vão (I Coríntios 10:19-20, “Mas que digo? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o ídolo é alguma coisa? Antes digo que as coisas que eles sacrificam, sacrificam-nas a demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios”).
Sabe qual é a má notícia? Cosme e Damião não podem nos ajudar!
Sabe qual é a boa notícia? Cristo “é o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6).

Fonte: Revista Defesa da Fé, nº 39, Ano 5, outubro/2001

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