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sábado, 24 de outubro de 2015

"Santos" populares...

Vem aí mais um dia de “todos os santos”, e mais uma vez os templos católicos se encherão de devotos, a TV vai mostrar procissões como se fossem uma grande novidade, e usará expressões como “momento de fé e devoção” (porque é católico, se fosse evangélico seria “exploração da fé”,  “fanatismo”, “fundamentalismo” etc.). Mas nem “todos os santos” são assim conceituados e famosos. Existem alguns “santos populares’ que são exatamente iguais aos “canonizados” pela “santa madre igreja” de Roma. E então por que uma pessoa comum, e até mesmo aquelas com comportamentos reprováveis, se tornariam “santos”? O que elas têm em comum? Quem são seus seguidores e como elas são adoradas? Por que seus devotos são de maioria católica? O canal National Geographic transmitiu o documentário “Santos Populares”, contando a história de quatro “santos” populares que congregam milhares de devotos na América Latina: um gaúcho argentino, um cantor de cúmbia, um “santo” adorado pelos traficantes e um curandeiro mexicano. Mas nem mesmo a sociologia e a psicologia conseguem explicar a devoção das massas a esses “santos”.
Todo dia 8 de janeiro, mais de 500 mil pessoas se reúnem no santuário Cruz Gil, em Corrientes, Argentina, para venerar o “santo” mais popular do país: “Gauchito Gil”. Vestidos de vermelho, montados a cavalo, de bicicleta ou a pé, numa fila interminável, devotos se juntam ano após ano em frente ao local onde, segundo a lenda, ele foi executado há mais de um século. Eles deixam dinheiro, garrafas, jóias, fotografias e acendem velas vermelhas. Os devotos de Gauchito Gil celebram seu santo durante três dias. A cor vermelha, o álcool e o “chamamé” são símbolos indispensáveis desta festa. Antonio Mamerto Gil Nuñez, mais conhecido como “Gauchinho Gil” ou “Curuzu Gil”, é talvez um dos mais importantes representantes da hagiologia profana da Argentina.
Não há registros históricos sobre sua vida, porém, reza a lenda que teria nascido por volta de 1847 e morrido por volta de 1874 na província de Corrientes. De acordo com a tradição, ele se alistou como soldado na Guerra do Paraguai e participou ainda da guerra civil entre os federais e os unitários argentinos. Mais tarde, desertou do exército porque Deus teria lhe aparecido em sonhos, pedindo que ele não derramasse mais o sangue dos seus irmãos. Depois disso, se tornou um “gaúcho” marginal que conduzia o gado e praticava roubos, repartindo as sobras entre as famílias mais humildes. Porém, foi preso pela polícia e executado a oito quilômetros da cidade de Mercedes num certo 8 de janeiro.
Desde então, é considerado por alguns com um marginal e por outros como um santo. O certo é que, há mais de cem anos, o culto ao “Gauchinho Gil” vem crescendo na Argentina e já passa os limites da fronteira daquele país. É atualmente venerado por centenas de milhares de peregrinos que visitam o santuário construído no local onde sua tumba se encontra.
Quase um século depois da morte de Gauchito, também na Argentina, Miriam Alejandra Bianchi se tornou uma das santas populares contemporâneas mais famosas do país. Esta ex-professora morreu em um acidente , mas seus devotos garantem que ela já fazia milagres em vida.  Gilda, nome artístico de Miriam, era uma ex-professora nascida em 1961, que se tornou cantora de cúmbia (um ritmo popular em alguns países latino-americanos) no início da década de 1990. Gravou quatro discos e várias canções foram incorporadas por setores da classe média, sendo cantadas até mesmo por torcidas de futebol.
Em 7 de setembro de 1996, Gilda, a filha e a mãe, mais os músicos de sua banda, morreram num acidente rodoviário ao viajar para um show que ocorreria em Entre Rios. Gilda estava então no auge da carreira. Depois de sua morte, a figura de “santa” cresceu e se transformou num novo símbolo da religião popular argentina. Milhares de devotos e fanáticos procuram sua tumba, no cemitério de Chacarita (em Buenos Aires), e também ao santuário oficial, erguido no local do acidente, para cumprir promessas e pedir a concessão de graças. Todos esperam algo em troca. Saúde, trabalho, amor, um carro ou até mesmo uma casa estão entre os pedidos mais comuns. Enquanto alguns visitam seu túmulo, como forma de recordá-la, outros cantam em sua homenagem. Eles deixam cartas, fotos, rosários e santinhos com a imagem da própria Gilda.
No México, os traficantes de drogas também têm seu lado religioso. Jesús Malverde, um bandido que viveu no início do século XX, é adorado por pessoas comuns e pelos narcotraficantes da América do Norte. Em seu templo, situado em Culiacán, no estado de Sonaloa, chegam centenas de pessoas para lhe pedir um milagre, deixando flores, velas, bilhetes, fotos e até recipientes com camarão em agradecimento por uma boa pesca. De acordo com uma certidão de nascimento descoberta recentemente, Jesús Malverde nasceu em 15 de fevereiro de 1888. O resto faz parte da lenda. Segundo lenda, este jovem viveu no final do século XIX na cidade mexicana de Culiacán, onde ganhou popularidade por assaltar e roubar os fazendeiros ricos da região e repartir o produto do roubo entre os pobres da região. Depois de oferecer uma recompensa pela captura dele, o governo finalmente conseguiu prender Malverde, que foi condenado à morte na forca. Um decreto governamental proibiu o sepultamento de seus restos mortais, que ficaram expostos ao relento e ao escárnio público.
Depois de sua morte, que ocorreu, segundo os fieis, em 3 de maio de 1909, as pessoas começaram a atribuir a Valverde uma série de milagres e graças. Mais tarde, começou a ser conhecido como o “padroeiro” dos narcotraficantes, e disseram que ele até salvou da morte o filho de um chefe do tráfico. Desde então, vários traficantes passaram a visitar a capela dedicada a Malverde em busca de sua proteção. Algo assim como se Pablo Escobar fosse canonizado.
Outro “santo” famoso do México é o menino Fidencio, um famoso curandeiro. José Fidencio Síntora Constantino nasceu em 13 de novembro de 1898 no Vale das Covas, em Guanajuato. Porém, foi no povoado de Espinazo, uma pequena cidade interiorana, que começou a ficar conhecido como curandeiro. Fidencio atendia a todos os tipos de casos, incluindo câncer, lepra, cegueira e paralisia. Era conhecido como menino devido à voz afinada. Os métodos de cura aplicados que o Menino Fidencio aplicava incluíam desde um balanço usado para balançar os doentes para curá-los até afundar os pacientes num lamaçal conhecido como Charquinho, que segundo os devotos tinha propriedades curativas. Um dia, o Menino Fidencio anunciou aos seus seguidores que voltaria depois da morte, e os fieis acreditam que ele realmente retorna na forma de espírito a cada vez que é invocado. Assim, atualmente, os fiéis de Fidencio buscam a cura através do espírito de Fidencio (que morreu em 1938). Ou seja, uma forma de espiritismo!
Estes “santos” são apenas alguns exemplos, porque os mexicanos mantém outras devoções. Uma delas é a adoração a La Santa Muerte, por exemplo, uma estátua de esqueleto coberta com um capuz e com uma foice nas mãos, ou seja, a tradicional figura da morte. Os altares e o culto da Santa Muerte podem ser encontrados em todo o México.
Assim vemos que essas devoções populares no México, na Argentina e outros lugares - poderíamos incluir nessa lista, a devoção ao Padre Cícero e outros “santos tupiniquins” - são degenerações do sentimento religioso que cada ser humano possui. Todos possuem uma sede espiritual. Todos anseiam em ter comunhão com um poder superior a si mesmo. Neste afã, vão procurar mitigar esta sede em fontes poluídas, e aí entra o engano de demônios conforme a Palavra de Deus adverte. Jesus disse que Satanás é o pai da mentira (João 8:44) e de que ele, sendo o príncipe deste mundo (14:30) seria obviamente atuante em enganar os seres humanos, mantendo os mesmos longe da verdadeira adoração a Deus.
Se você estudar os “santos” católicos, a imensa maioria surgida durante  a Idade Média européia, verá que as coincidências são alarmantes. O ambiente era muito parecido, e o processo de “canonização” também: primeiro, a crendice popular aumenta, mas a hierarquia do Vaticano resiste. Depois, temendo perder os fieis para o misticismo exagerado e o espiritismo, Roma acaba por aceitar tais figuras como “santos” oficiais, incorporando (eepa) o milagroso ao seu panteão. Assim, fica tudo “elas por elas”, todo mundo sai ganhando. Não duvido que com o tempo o traficante virará “são” Malverde, o médium de Espinazo será “são” Fidencio e assim por diante. Talvez demore, mas é o fluxo natural do catolicismo: não importam os meios, importa apenas o fim, que é o aumento das suas fileiras, seja a que preço for. Misticismo, mediunidade, comunicação com os mortos, mistura com o paganismo e crenças populares – tudo, menos a Bíblia.
Foi assim com “são” Francisco: o “papa” de sua época chegou a repreendê-lo e ameaçar colocar seus seguidores, os “franciscanos”, na clandestinidade; mas depois, devido à pressão popular, acabou guindando-o ao status de “santo”.
Joana D’Arc era considerada bruxa e louca, sendo queimada na fogueira igual aos outros hereges, como os protestantes e judeus (sim, a igreja católica fez isso e só parou porque hoje isso é feio e a imprensa às vezes denuncia seus erros). Depois, mudou de idéia e disse que não, a bruxa herege era, na verdade, uma “santa”. Há vários outros exemplos, mas o espaço é pequeno.
Se os católicos lessem a Bíblia, e a obedecessem, veriam que é inútil pedir bênçãos aos que já morreram, porque Jesus disse: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás (Mateus 4:10). O anjo disse a João: Adora somente a Deus (Apocalipse 19:10; 22:9). O próprio apóstolo Pedro, aos pés de cuja estátua muitos se ajoelham hoje, recusou ser adorado por Cornélio (Atos 10:25,26). E em termos de intercessão a nosso favor, ninguém – nem mesmo Maria – mas somente Jesus Cristo tem o poder de advogar por nós: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (I Timóteo 2:5).
Espero que você pare para pensar sobre isto.

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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

As 7 igrejas do Apocalipse (II)

Anteriormente, falamos da doutrina dos nicolaítas, a qual vem se infiltrando na Igreja desde o primeiro século, como podemos ver a partir do alerta de Jesus às igrejas de Éfeso e Pérgamo. Em Apocalipse 2:6, 15, somos informados de que Jesus odeia os “nicolaítas” de Éfeso; o Senhor elogia aquela igreja, que também os odiava. E na igreja de Pérgamo vemos que esse pessoal também já estava alojado,  e que Jesus os odiava igualmente.
Também vimos que, numa igreja aqui bem pertinho de você, estão fazendo cerimônias estranhas, que mais se assemelham a eventos maçônicos e católicos, tal a papagaiada que arranjam com vestimentas especiais para os líderes, diáconos e outros, numa clara demonstração de diferenciação entre o “clero” (“sacerdócio”) e o povo em geral – os leigos.
Vimos que cada igreja de Apocalipse representa uma fase do Cristianismo. E que, enquanto as três primeiras não mais existem, elementos característicos das quatro últimas ainda convivem conosco: Tiatira (igreja católica, medieval, que estudaremos agora); Sardes (igreja reformada, mas formal, fria, intelectualizada); Filadélfia (igreja missionária) e Laodicéia.
Pois bem, como falamos antes, Éfeso e Pérgamo enfrentaram o problema do governo, ou controle, de uma classe sacerdotal, sobre os chamados “leigos”. Mas em Tiatira há um outro governo, e embora também identificamos ali os nicolaítas, não é como Laodicéia (a igreja onde o povo manda). Em Tiatira, quem dá as ordens é uma mulher, identificada como Jezabel.
Quem é essa Jezabel? Seria a mesma Jezabel do tempo do profeta Elias? Ou é outra com o mesmo nome? Precisamos primeiro saber quem foi a Jezabel original, pois Jesus está se referindo a alguém com as mesmas características da rainha má do tempo do profeta Elias.
Alguns cristãos, quando ouvem o nome “Jezabel”, pensam numa mulher cheia de jóias, pintada, maquiada, sedutora, atraente. Esta visão minimalista de Jezabel baseia-se em II Reis 9:30, mas a Bíblia não relata se ela vivia se embelezando. Alguns estudiosos crêem que Jezabel tenha se pintado e adornado para tentar seduzir Jeú e assim escapar ao seu destino. A Bíblia também não diz nada sobre sua beleza, mas possivelmente ela era bonita e atraente, pois o Rei Acabe, um homem poderoso e que poderia ter muitas mulheres aos seus pés, se apaixonou por ela e a tornou sua rainha. Outros chegam a afirmar que Jezabel teria sido a inventora da maquiagem, um absurdo pois a maquiagem já existia milhares de anos antes.
Uma outra corrente associa Jezabel a um “espírito” ou “demônio autoritário, que tenta exercer domínio e poder; como quando a esposa manda no marido ou no caso de “pastoras” que assumem o governo de igrejas.
Mas para destrinchar o mistério de Jezabel e por que ela é mencionada em Apocalipse precisamos buscar a personagem real, para entender a simbologia. Diz a advertência à igreja de Tiatira que “tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos; e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição” (Apocalipse 2:20 e seguintes).
Quem foi Jezabel? Era filha de um rei chamado de Etbaal (“com Baal”), conf. I Reis 16:31. Segundo Flávio Josefo, Etbaal tomou o trono assassinando o antecessor, e era sacerdote de Astarte (deusa fenícia da fertilidade, também conhecida sob os nomes de Aserate ou Astaroth). Registros históricos mencionam Etbaal como rei de Tiro e Sidom (que formavam a nação dos fenícios, na região que hoje é o Líbano). O fato de Etbaal ser sacerdote de Baal e Astarte pode ter influenciado no zelo religioso da filha Jezabel, segundo alguns, tia-avó de Dido, fundadora de Cartago (citada por Virgílio na “Eneida”). Há quem diga que o nome “Jezabel” significa “montão de lixo”, mas eu discordo frontalmente dessa idéia, mesmo não entendendo de línguas antigas.
É simples. Muitos nomes fenícios terminavam com “bel” ou “bal”, referência ao deus Baal (como os heróis cartagineses Aníbal – “dádiva de Baal” – e Asdrúbal – “auxílio de Baal”, ou “Baal é meu ajudador”). Então, “Jezabel”, como nome de princesa, nunca poderia significar “lixo”, obviamente uma tentativa tosca de associá-la à impureza. Ou então, como descobri em um site de “batalha espiritual”, “o nome Jezabel significa ‘sem coabitação’... um espírito que se move de um lugar para outro, de uma geração para outra”. É óbvio que isso é forçar a barra.
Na verdade, “Jezabel” se assemelha muito a “Isabel” (no hebraico, “Izebel”, casta, pura), a forma reduzida de “Elizabeth” (no hebraico Elishebba, “dedicada a Deus” ou, segundos alguns, “Deus é meu juramento”). Portanto é bem possível que “Jezabel” seja “dedicada a Baal”, o que explicaria o seu zelo. Mas a tradução mais coerente que encontrei foi esta: “Yez-Baal, Baal é exaltado”.
A união de Acabe e Jezabel ratificou uma aliança entre Tiro e Israel, pela qual Onri (pai de Acabe) se fortaleceu (I Reis 16:16-28). Determinada e independente, Jezabel não tinha escrúpulos para conquistar os seus objetivos, como no episódio da vinha de Nabote (I Reis cap. 21). Quando o profeta Elias soube do acontecido, profetizou uma morte terrível para a rainha.
Mas até esse dia chegar, Jezabel seguiu causando danos, tanto para o reino de Israel, como para Judá (21:1-29), pois sob sua influência, o rei e o povo foram atraídos para Baal (16:31-33). A rainha não apenas adorava os seus deuses, mas combatia Jeová. Para isso, recorreu ao tesouro público para sustentar 450 profetas (ou sacerdotes) de Baal e mais 400 da deusa Aserate (a mesma Astarote dos filisteus, e Ishtar para os babilônios), que cultuavam nos bosques e comiam à sua mesa (18:19). Jezabel também construiu um templo a Baal, anexo ao palácio real. Como se sabe, as religiões semíticas envolviam não apenas práticas sexuais (ritos de fertilidade), mas também sacrifício de crianças (Jeremias 19:5), uma abominação para os israelitas fiéis a Jeová.
É possível que a imoralidade que caracterizava esses cultos (II Reis 9:22) seja um dos motivos da referência a Jezabel em Apocalipse. A vida impudica de Jezabel, que se deduz desse versículo, associou o seu nome, para sempre, à imoralidade e à prostituição, tolerância ao pecado, etc. É com esse sentido e também pelo ocultismo e falsos ensinos que Jezabel é citada em Apocalipse. Por ter sido sedutora e sem escrúpulos, todos aqueles que são maliciosos, astuciosos, vingativos e cruéis se espelham nela. Como Faraó, foi perseguidora dos santos de Deus: os sacerdotes e profetas israelitas que não foram eliminados por ela, fugiram (I Reis 18:4 e 19:2).
Sua morte está em II Reis 9:30-37. Acabe reinou 22 anos, de 874 a 853 a.C., e morreu em batalha. Seu filho (e de Jezabel) Jorão, sucedeu Ocozias, filho mais velho que reinou apenas dois anos (853-852) e morreu de um acidente banal, uma queda da sacada (II Reis 1:2, 16, 17). Jorão reinou 12 anos e foi morto por Jeú em 841 a.C., provável data da morte de Jezabel e no mesmo dia em que morreu seu neto Ocozias II, então rei de Judá (filho de Atalia). Quando a rainha soube que Jeú se aproximava do palácio, pintou os olhos e adornou a cabeça, desafiando Jeú da janela, mas por ordem dele foi atirada lá de cima e morreu na queda. Seu corpo ficou abandonado por algum tempo, sendo devorado por cães, cumprindo a profecia de Elias. Jeú ordenou que ela fosse sepultada, pois se tratava da filha de um rei. Mas os servos do palácio apenas encontraram o seu crânio, os pés e as mãos. Não há consenso se ela queria seduzir Jeú ou apenas morrer de maneira “digna”. O que é real e concreto é que, sete anos após sua morte, sua linhagem estava praticamente extinta; apenas Joás sobreviveu, graças a uma tia que o havia escondido.
Jezabel causou inúmeros prejuízos a Israel como nação, à sua família e por fim, a si mesma. Sua filha Atalia a imitou em crueldade. Dada em casamento a Jorão, rei de Judá, com a intenção de promover união entre Israel e Judá, seu filho Ocozias II foi morto no mesmo dia em que morreu sua mãe Jezabel. Quando soube da morte do filho, e vendo que Jezabel era morta, Atalia mandou matar todos os descendentes da família real, inclusive seus netos, e governou Judá sozinha durante seis anos (842-837 a.C.). Não se perca no meio dessa mortandade toda numa só família, até mesmo porque os nomes são parecidos. A Bíblia diz que Judá somente teve paz depois que Atalia morreu à espada, no seu próprio palácio. Só então, com o fim de Jezabel e a extinção de sua linhagem, o povo começou a retornar ao culto de Jeová (o único sobrevivente, Joás, filho de Ocozias II que fora escondido pela tia, mais tarde se tornou um bom rei).
Entretanto, a separação dos reinos do Sul e do Norte se aprofundou nessa época. O isolamento de Samaria levou a profundas divisões e antipatias que vararam séculos. No tempo de Jesus, os judeus (como passaram a se chamar os do reino do Sul, Judá) e os samaritanos do Norte não se bicavam.
Agora que já sabemos quem foi a Jezabel histórica, teremos condições de analisar melhor a Jezabel profética, que aparece em Apocalipse como sendo “profetisa” na igreja de Tiatira.
Mas só na próxima semana.
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Curiosidade: encontrado anel pertencente a Jezabel
A análise que confirmou a associação da rainha com o sinete, feito de opala e repleto de desenhos e inscrições, foi feita por Marjo Korpel, especialista da Universidade de Utrecht. O objeto é muito maior que os outros da mesma época e possui símbolos associados à realeza e ao sexo feminino: uma esfinge com coroa, serpentes e falcões. A tradução das inscrições revela claramente as letras [l’] yzbl. Jezabel e seu marido Acabe reinaram numa época em que o antigo reino israelita estava dividido em duas partes rivais: Judá, no sul, cuja capital era Jerusalém e cujo povo deu origem aos atuais judeus; e Israel, no norte, onde o casal governava e a capital era Samaria. O sinete parece mostrar que a rainha de fato era muito influente: ele era usado para ratificar documentos, o que significa que ela podia "despachar" por conta própria em seu palácio. (Fonte)

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domingo, 17 de abril de 2011

Entrevista com o Diabo

Seu Diabo, pode nos dizer de onde veio?
Lúcifer: Fui criado pelo próprio Deus, bem antes da existência do homem. [Ezequiel 28:15]


Como você era quando foi criado?
Lúcifer: Vim à existência já na forma adulta e, como Adão, não tive infância. Eu era um símbolo de perfeição, cheio de sabedoria e formosura e minhas vestes foram preparadas com pedras preciosas. [Ezequiel 28:12,13]


Onde você morava?
Lúcifer: No Jardim do Éden e caminhava no brilho das pedras preciosas do monte Santo de Deus. [Ezequiel 28:13]


Qual era sua função no Reino de Deus?
Lúcifer: Como querubim da guarda, ungido e estabelecido por Deus, minha função era guardar a Glória de Deus e conduzir os louvores dos anjos. Um terço deles estava sob o meu comando. [Ezequiel 28:14; Apocalipse 12:4]

Alguma coisa faltava a você?
Lúcifer, reflexivo: Não... nada. [Ezequiel 28:13]
 

O que aconteceu que o afastou da função de maior honra que um ser vivo poderia ter?
Lúcifer: Isso não aconteceu de repente. Um dia eu me vi nas pedras (como espelho) e percebi que sobrepujava os outros anjos  - bem, talvez não a Miguel ou Gabriel - em beleza, força e inteligência. Comecei então a pensar como seria ser adorado como deus e passei a desejar isto no meu coração. Do desejo passei para o planejamento, estudando como firmar o meu trono acima das estrelas de Deus e ser semelhante a Ele. Num determinado dia tentei realizar meu desejo, mas a coisa toda deu errado... e acabei expulso do Santo Monte de Deus. [Isaías 14:13,14; Ezequiel 28: 15-17]


O que detonou finalmente a sua rebelião?
Lúcifer: Quando percebi que Deus estava para criar alguém semelhante a Ele e, por conseqüência, superior a mim, não consegui aceitar o fato. Manifestei então os verdadeiros propósitos do meu coração. [Isaías 14:12-14]

O que aconteceu com os anjos que estavam sob o seu comando?
Lúcifer: Eles me seguiram e também foram expulsos. Formamos juntos o império das trevas. [Apocalipse 12:3,4]

Como você encara o homem?
Lúcifer: Com raiva! Tenho ódio da raça humana e faço tudo para destruí-la, pois eu a invejo. Eu é que deveria ser semelhante a Deus! [1Pedro 5:8]


Quais são suas estratégias para destruir o homem?
Lúcifer: Meu objetivo maior é afastá-los de Deus. Eu estimulo a praticar o mal. Eu confundo suas idéias com um mar de filosofias, dando-lhes ideias que cada vez os levam a pensar mais em si mesmos do que em Deus. Assopro pensamentos em suas mentes de forma que eles pensam que são criativos e inteligentes... Faço-os inventar religiões cheias de mentiras, misturadas com algumas verdades; religiões de todo tipo, desde aquelas que negam totalmente o que Deus ensinou como aquelas
que parecem atender à vontade do Eterno. Envio meus mensageiros travestidos de anjos da luz, para confundir aqueles que querem buscar a Deus. Torno a mentira parecida com a verdade, induzindo o homem ao engano e a ficar longe de Deus, achando que está perto dele. E tem mais. Faço com que a mensagem de Jesus pareça uma tolice anacrônica! Sei como estimular o orgulho, a soberba, o egoísmo, a inimizade e o ódio dos homens. Trabalho arduamente com o meu séquito para enfraquecer a Igreja, lançando divisões, desânimo, calúnias infundadas aos líderes, fofocas, adultérios, mágoas, friezas espirituais, avareza e falta de compromisso. Ensino doutrinas que não estão na Bíblia. Sei que meu império não prevalecerá contra a Igreja, mas jogo no meio dela tantas heresias e ensinos falsificados, que a apostasia vai fazer o pêndulo virar para o meu lado... pelo menos é o que parece, no momento... vou levar muita gente comigo! Isso eu vou! É fácil destruir a vida dos líderes e pastores, principalmente com o sexo, ingratidão, falta de tempo para Deus, amor ao dinheiro, e orgulho. Uma boa tática também é deixá-los acreditar que eu não existo. [1Pedro 5:8; Tiago 4:7; Gálatas 5:19-21; 1 Corintios 3:3; 2 Pedro 2:1; 2 Timóteo 3:1-8; Apocalipse 12:9]

E sobre o futuro?
Lúcifer: Sejamos realistas... Eu sei que não posso vencer a Deus e me resta pouco tempo para ir ao lago de fogo, minha prisão eterna. Mas apesar disto, eu e meus anjos trabalharemos com afinco para levarmos o maior número possível de pessoas conosco. [Ezequiel 28:19; Judas 6; Apocalipse 20:10,15]

(Recebido por e-mail. Texto elaborado com base unicamente em versículos bíblicos; ilustrações de Gustave Doré, na obra "Paraíso Perdido", de John Milton).

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