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sábado, 24 de outubro de 2015

"Santos" populares...

Vem aí mais um dia de “todos os santos”, e mais uma vez os templos católicos se encherão de devotos, a TV vai mostrar procissões como se fossem uma grande novidade, e usará expressões como “momento de fé e devoção” (porque é católico, se fosse evangélico seria “exploração da fé”,  “fanatismo”, “fundamentalismo” etc.). Mas nem “todos os santos” são assim conceituados e famosos. Existem alguns “santos populares’ que são exatamente iguais aos “canonizados” pela “santa madre igreja” de Roma. E então por que uma pessoa comum, e até mesmo aquelas com comportamentos reprováveis, se tornariam “santos”? O que elas têm em comum? Quem são seus seguidores e como elas são adoradas? Por que seus devotos são de maioria católica? O canal National Geographic transmitiu o documentário “Santos Populares”, contando a história de quatro “santos” populares que congregam milhares de devotos na América Latina: um gaúcho argentino, um cantor de cúmbia, um “santo” adorado pelos traficantes e um curandeiro mexicano. Mas nem mesmo a sociologia e a psicologia conseguem explicar a devoção das massas a esses “santos”.
Todo dia 8 de janeiro, mais de 500 mil pessoas se reúnem no santuário Cruz Gil, em Corrientes, Argentina, para venerar o “santo” mais popular do país: “Gauchito Gil”. Vestidos de vermelho, montados a cavalo, de bicicleta ou a pé, numa fila interminável, devotos se juntam ano após ano em frente ao local onde, segundo a lenda, ele foi executado há mais de um século. Eles deixam dinheiro, garrafas, jóias, fotografias e acendem velas vermelhas. Os devotos de Gauchito Gil celebram seu santo durante três dias. A cor vermelha, o álcool e o “chamamé” são símbolos indispensáveis desta festa. Antonio Mamerto Gil Nuñez, mais conhecido como “Gauchinho Gil” ou “Curuzu Gil”, é talvez um dos mais importantes representantes da hagiologia profana da Argentina.
Não há registros históricos sobre sua vida, porém, reza a lenda que teria nascido por volta de 1847 e morrido por volta de 1874 na província de Corrientes. De acordo com a tradição, ele se alistou como soldado na Guerra do Paraguai e participou ainda da guerra civil entre os federais e os unitários argentinos. Mais tarde, desertou do exército porque Deus teria lhe aparecido em sonhos, pedindo que ele não derramasse mais o sangue dos seus irmãos. Depois disso, se tornou um “gaúcho” marginal que conduzia o gado e praticava roubos, repartindo as sobras entre as famílias mais humildes. Porém, foi preso pela polícia e executado a oito quilômetros da cidade de Mercedes num certo 8 de janeiro.
Desde então, é considerado por alguns com um marginal e por outros como um santo. O certo é que, há mais de cem anos, o culto ao “Gauchinho Gil” vem crescendo na Argentina e já passa os limites da fronteira daquele país. É atualmente venerado por centenas de milhares de peregrinos que visitam o santuário construído no local onde sua tumba se encontra.
Quase um século depois da morte de Gauchito, também na Argentina, Miriam Alejandra Bianchi se tornou uma das santas populares contemporâneas mais famosas do país. Esta ex-professora morreu em um acidente , mas seus devotos garantem que ela já fazia milagres em vida.  Gilda, nome artístico de Miriam, era uma ex-professora nascida em 1961, que se tornou cantora de cúmbia (um ritmo popular em alguns países latino-americanos) no início da década de 1990. Gravou quatro discos e várias canções foram incorporadas por setores da classe média, sendo cantadas até mesmo por torcidas de futebol.
Em 7 de setembro de 1996, Gilda, a filha e a mãe, mais os músicos de sua banda, morreram num acidente rodoviário ao viajar para um show que ocorreria em Entre Rios. Gilda estava então no auge da carreira. Depois de sua morte, a figura de “santa” cresceu e se transformou num novo símbolo da religião popular argentina. Milhares de devotos e fanáticos procuram sua tumba, no cemitério de Chacarita (em Buenos Aires), e também ao santuário oficial, erguido no local do acidente, para cumprir promessas e pedir a concessão de graças. Todos esperam algo em troca. Saúde, trabalho, amor, um carro ou até mesmo uma casa estão entre os pedidos mais comuns. Enquanto alguns visitam seu túmulo, como forma de recordá-la, outros cantam em sua homenagem. Eles deixam cartas, fotos, rosários e santinhos com a imagem da própria Gilda.
No México, os traficantes de drogas também têm seu lado religioso. Jesús Malverde, um bandido que viveu no início do século XX, é adorado por pessoas comuns e pelos narcotraficantes da América do Norte. Em seu templo, situado em Culiacán, no estado de Sonaloa, chegam centenas de pessoas para lhe pedir um milagre, deixando flores, velas, bilhetes, fotos e até recipientes com camarão em agradecimento por uma boa pesca. De acordo com uma certidão de nascimento descoberta recentemente, Jesús Malverde nasceu em 15 de fevereiro de 1888. O resto faz parte da lenda. Segundo lenda, este jovem viveu no final do século XIX na cidade mexicana de Culiacán, onde ganhou popularidade por assaltar e roubar os fazendeiros ricos da região e repartir o produto do roubo entre os pobres da região. Depois de oferecer uma recompensa pela captura dele, o governo finalmente conseguiu prender Malverde, que foi condenado à morte na forca. Um decreto governamental proibiu o sepultamento de seus restos mortais, que ficaram expostos ao relento e ao escárnio público.
Depois de sua morte, que ocorreu, segundo os fieis, em 3 de maio de 1909, as pessoas começaram a atribuir a Valverde uma série de milagres e graças. Mais tarde, começou a ser conhecido como o “padroeiro” dos narcotraficantes, e disseram que ele até salvou da morte o filho de um chefe do tráfico. Desde então, vários traficantes passaram a visitar a capela dedicada a Malverde em busca de sua proteção. Algo assim como se Pablo Escobar fosse canonizado.
Outro “santo” famoso do México é o menino Fidencio, um famoso curandeiro. José Fidencio Síntora Constantino nasceu em 13 de novembro de 1898 no Vale das Covas, em Guanajuato. Porém, foi no povoado de Espinazo, uma pequena cidade interiorana, que começou a ficar conhecido como curandeiro. Fidencio atendia a todos os tipos de casos, incluindo câncer, lepra, cegueira e paralisia. Era conhecido como menino devido à voz afinada. Os métodos de cura aplicados que o Menino Fidencio aplicava incluíam desde um balanço usado para balançar os doentes para curá-los até afundar os pacientes num lamaçal conhecido como Charquinho, que segundo os devotos tinha propriedades curativas. Um dia, o Menino Fidencio anunciou aos seus seguidores que voltaria depois da morte, e os fieis acreditam que ele realmente retorna na forma de espírito a cada vez que é invocado. Assim, atualmente, os fiéis de Fidencio buscam a cura através do espírito de Fidencio (que morreu em 1938). Ou seja, uma forma de espiritismo!
Estes “santos” são apenas alguns exemplos, porque os mexicanos mantém outras devoções. Uma delas é a adoração a La Santa Muerte, por exemplo, uma estátua de esqueleto coberta com um capuz e com uma foice nas mãos, ou seja, a tradicional figura da morte. Os altares e o culto da Santa Muerte podem ser encontrados em todo o México.
Assim vemos que essas devoções populares no México, na Argentina e outros lugares - poderíamos incluir nessa lista, a devoção ao Padre Cícero e outros “santos tupiniquins” - são degenerações do sentimento religioso que cada ser humano possui. Todos possuem uma sede espiritual. Todos anseiam em ter comunhão com um poder superior a si mesmo. Neste afã, vão procurar mitigar esta sede em fontes poluídas, e aí entra o engano de demônios conforme a Palavra de Deus adverte. Jesus disse que Satanás é o pai da mentira (João 8:44) e de que ele, sendo o príncipe deste mundo (14:30) seria obviamente atuante em enganar os seres humanos, mantendo os mesmos longe da verdadeira adoração a Deus.
Se você estudar os “santos” católicos, a imensa maioria surgida durante  a Idade Média européia, verá que as coincidências são alarmantes. O ambiente era muito parecido, e o processo de “canonização” também: primeiro, a crendice popular aumenta, mas a hierarquia do Vaticano resiste. Depois, temendo perder os fieis para o misticismo exagerado e o espiritismo, Roma acaba por aceitar tais figuras como “santos” oficiais, incorporando (eepa) o milagroso ao seu panteão. Assim, fica tudo “elas por elas”, todo mundo sai ganhando. Não duvido que com o tempo o traficante virará “são” Malverde, o médium de Espinazo será “são” Fidencio e assim por diante. Talvez demore, mas é o fluxo natural do catolicismo: não importam os meios, importa apenas o fim, que é o aumento das suas fileiras, seja a que preço for. Misticismo, mediunidade, comunicação com os mortos, mistura com o paganismo e crenças populares – tudo, menos a Bíblia.
Foi assim com “são” Francisco: o “papa” de sua época chegou a repreendê-lo e ameaçar colocar seus seguidores, os “franciscanos”, na clandestinidade; mas depois, devido à pressão popular, acabou guindando-o ao status de “santo”.
Joana D’Arc era considerada bruxa e louca, sendo queimada na fogueira igual aos outros hereges, como os protestantes e judeus (sim, a igreja católica fez isso e só parou porque hoje isso é feio e a imprensa às vezes denuncia seus erros). Depois, mudou de idéia e disse que não, a bruxa herege era, na verdade, uma “santa”. Há vários outros exemplos, mas o espaço é pequeno.
Se os católicos lessem a Bíblia, e a obedecessem, veriam que é inútil pedir bênçãos aos que já morreram, porque Jesus disse: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás (Mateus 4:10). O anjo disse a João: Adora somente a Deus (Apocalipse 19:10; 22:9). O próprio apóstolo Pedro, aos pés de cuja estátua muitos se ajoelham hoje, recusou ser adorado por Cornélio (Atos 10:25,26). E em termos de intercessão a nosso favor, ninguém – nem mesmo Maria – mas somente Jesus Cristo tem o poder de advogar por nós: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (I Timóteo 2:5).
Espero que você pare para pensar sobre isto.

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