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sábado, 20 de julho de 2019

1260 dias: a tribulação brasileira


A Bíblia é rica em simbologias. Muita gente se confunde ao ler textos dos profetas. Cheios de visões, às vezes enigmáticas, não é de hoje, mas principalmente hoje, causam algumas confusões. Principalmente quando cismam de ler Apocalipse – talvez um dos textos mais simbólicos já escritos – sem considerarem o contexto, e acabam fazendo interpretações confusas e não raro, bastante heréticas.
Não é a intenção aqui fazer interpretações ou soltar profetadas. Vou fazer apenas um exercício, do tipo “e se...”
Um símbolo profético muito interessante se refere, em Apocalipse, a um período de tempo contado em dias – 1260 dias. Em Apocalipse lemos que viria sobre a terra um período de grande dificuldade e eventos espantosos, a que Jesus já havia se referido anteriormente como “a tribulação” ou “a grande tribulação”. É importante notar que 1260 dias equivalem a três anos e meio, e também a quarenta e dois meses.
Veja por exemplo Apocalipse 12:6, onde lemos que “a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias”.
Apocalipse 12:14 completa: “E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente”.
Apocalipse 13:5 explica que “foi-lhe [à besta] dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses”.
Apocalipse 11:2 diz explicitamente: “pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses”.
Daniel 7:25, uma passagem que todos os estudiosos consideram ser uma conexão direta com esses trechos de Apocalipse, também faz essa referência ao período da tribulação “um tempo, e tempos, e a metade de um tempo”, ou seja, um ano + dois anos + meio ano. Três anos e meio = 42 meses = 1260 dias. Todas as passagens aludem com absoluta precisão ao tempo de duração desse período tenebroso.
Na data de hoje, 20 de julho de 2019, faltam exatos 1260 dias para terminar o atual governo. Temos pela frente exatos três anos e meio.
O atual presidente, eleito com massivo apoio dos setores conservadores e religiosos – e entre esses, a quase totalidade dos ditos cristãos evangélicos – foi guindado ao poder, como se sabe, com base na promessa de impedir o “comunismo”. Seja lá o que entendem por “comunismo”. 
Não vamos entrar em detalhes porque todos já sabem a história da facada, o uso indevido das redes sociais, o estranho processo contra seu principal oponente, etc. Vamos considerar apenas o que ele fez depois de eleito. É quase impossível perceber que a chegada desse homem ao palácio presidencial trouxe, em apenas seis meses de governo, uma série de situações extremamente preocupantes.
Senão, vejamos.
Defende porte de armas para a população como medida de proteção pessoal (assumindo o fracasso da política nacional de segurança), levando o país aos tempos do faroeste.
Foi a Israel e ao Muro das Lamentações, mas diferente de outros chefes de Estado, ignorou a comunidade palestina. Para piorar, prometeu mudar a embaixada brasileira de Telavive para Jerusalém, e causou mal-estar entre as nações árabes, que retaliaram boicotando as importações de bens brasileiros e prejudicando milhares de produtores aqui. Os filhos do presidente são um capítulo à parte. Um deles quis ser engraçadinho com o Hamas e já entrou no radar dos extremistas.
A declaração tacanha de sua ministra (evangélica) de que crianças têm que usar roupas de cores pré-determinadas (nem os regimes mais totalitários ousaram tal interferência na vida das pessoas).
Anunciou que vai acabar com a TV pública.
Cortou diversas verbas de caráter social, inclusive dispensando milhares de médicos cubanos que prestavam serviço à população carente em lugares onde outros médicos não iam, e onde falta o serviço público de saúde, mas aumentou em 63% os gastos com publicidade. Em três meses, foram gastos R$ 75,5 milhões com propaganda. A Record e o SBT lideram o ranking dos veículos que mais receberam dinheiro do governo.
Um ministro das relações exteriores que defende o contato com seres extraterrestres.
Presidente liberou estrangeiros de visto de entrada no país, e ainda por cima fez apologia do turismo sexual: “quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”. 
Um ministro da educação que afirma que as universidades devem ser varridas porque seriam antros de nudismo, orgias sexuais e consumo de drogas, além de defender a sua total privatização impedindo, assim, o acesso de milhões de jovens que não têm como pagar pelo ensino público.
Sem falar nas ligações cada vez mais claras com o crime organizado, milícias no Rio de Janeiro e tráfico internacional de drogas em avião presidencial.
Ações da Petrobras se desvalorizaram mais de 8% em um único dia, fazendo a empresa perder R$ 32 bilhões, porque o presidente interferiu na política de preços da companhia, desagradando ao mercado – exatamente o que ele acusava o governo anterior, e que prometeu não fazer.
Liberou centenas de agrotóxicos proibidos no resto do mundo. Nossos produtos agrícolas serão banidos lá fora, mas nós teremos que engolir isso – literalmente.
A “reforma” previdenciária vai retirar direitos históricos da população mais pobre, com o aumento absurdo da idade mínima, a redução dos valores das aposentadorias e pensões (inclusive das pessoas com deficiências). De R$ 1 trilhão “economizados”, mais de 80% serão retirados dos contribuintes que ganham até dois salários mínimos. Em síntese, os brasileiros terão que trabalhar mais e ganharão menos, desmentindo a propaganda oficial que fala em “fim dos privilégios”. Se esta fosse a intenção, o governo deveria trabalhar pela taxação de lucros e dividendos, imposto sobre grandes fortunas e heranças, cobrar as empresas devedoras (quase esse R$ 1 trilhão) e quem sabe, taxar a arrecadação das igrejas, que trariam um aporte significativo de recursos para equilibrar as contas.
Nomeou parentes para cargos públicos, com salários milionários – inclusive embaixadas importantes. Imagine se o ex-presidente Lula ou a ex-presidente Dilma indicassem filhos ou outros parentes para cargos públicos, ainda mais com relevância internacional como embaixadas. Os pastores estariam enlouquecidos em seus púlpitos e as ruas já teriam sido ocupadas pelas camisas amarelas...
E para terminar o rol das aberrações, assim como o anticristo de Apocalipse exerce o poder político mas tem um falso profeta que o ajuda, legitimando seus atos absurdos e o defendendo perante a opinião pública e principalmente junto ao segmento religioso, temos os tuítes diários de Silas Malafaia, cujo espírito crítico fui enterrado há anos junto com o seu chamado para pastorear o rebanho. Note mais uma vez: estudiosos são unânimes em dizer que a grande massa de religiosos deste planeta seguirá um líder asqueroso, hipnotizados por ele e por seu falso profeta.
Só se passaram seis meses e já vimos quase de tudo. Até vídeo pornográfico no Twitter do presidente.
Agora pense nos próximos 1260 dias.
Sabemos que a verdadeira tribulação apocalíptica ainda não se iniciou, porque será de proporções mundiais e não locais. Mas sabemos também que muitos antítipos do Anticristo têm surgido pelo mundo (cf. II João 1:7). Poderíamos citar várias figuras pela História (uma disciplina bem negligenciada ultimamente; se fosse estudada com mais afinco, pouparíamos muitos dissabores...), como Nero, Napoleão, Átila, Hitler, Stalin. Todos tinham algo de anticristo, algumas semelhanças, algumas atitudes, mas serviram apenas de aviso. De exemplo do que está por vir. Ainda não eram “O” anticristo de Apocalipse, mas uma amostra grátis. Uma degustação.
Talvez tenhamos, hoje, um exemplo bem forte e com muitos sinais proféticos.
Deus nos dê força para suportarmos essa “mini-tribulação” de 1260 dias.

Este texto tem 1260 palavras.

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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

FAKE NEWS!

Recentemente, popularizou-se a expressão “fake news”, que significa literalmente “notícias falsas”. Uma descrição um pouco mais detalhada, que se pode conseguir em qualquer dicionário online, diz que “fake news” são
a distribuição deliberada de desinformação ou boatos via jornal impresso, televisão, rádio, ou ainda online, como nas mídias sociais. Este tipo de notícia é escrito e publicado com a intenção de enganar, a fim de se obter ganhos financeiros ou políticos, muitas vezes com manchetes sensacionalistas, exageradas ou evidentemente falsas para chamar a atenção. O conteúdo intencionalmente enganoso e falso é diferente da sátira ou paródia. Estas notícias, muitas vezes, empregam manchetes atraentes ou inteiramente fabricadas para aumentar o número de leitores, compartilhamento e taxas de clique na Internet, independentemente da veracidade das histórias publicadas. (...) o aumento da polarização política e da popularidade das mídias sociais, principalmente a linha do tempo do Facebook, têm implicado na propagação de notícias deste gênero. A quantidade de sites com notícias falsas anonimamente hospedados e a falta de editores conhecidos também vêm crescendo, porque isso torna difícil processar os autores por calúnia. A relevância dessas notícias aumentou em uma realidade política "pós-verdade" (...) Este tipo de notícia, encontrada em meios tradicionais, mídias sociais ou sites de notícias falsas, não tem nenhuma base na realidade, mas é apresentado como sendo factualmente corretas. (fonte)
Apesar de parecer recente, a prática é antiga.
- O político e general romano Marco Antônio cometeu suicídio motivado por notícias falsas (em 31 a.C.). Haviam dito a Marco Antonio que sua mulher, Cleópatra, havia cometido suicídio.
- No século VIII, a Doação de Constantino foi uma história forjada, em que supostamente Constantino havia transferido sua autoridade sobre Roma e a parte oeste do Império Romano para o Papa. Isto serviu de base para a posterior reivindicação dos reis franceses sobre grandes territórios.
- Poucos anos antes da Revolução Francesa, vários panfletos eram espalhados em Paris com notícias, muitas vezes contraditórias entre si, sobre o estado de falência do governo. Eventualmente, com vazamento de informações do governo, informações reais sobre o estado financeiro do pais foram a público.
- Benjamin Franklin escreveu notícias falsas sobre índios assassinos que supostamente trabalhavam para o Rei George III, com o intuito de influenciar a opinião pública a favor da independência americana.
- Em 1835 o jornal The New York Sun publicou notícias falsas usando o nome de um astrônomo real e um colega inventado sobre a descoberta de vida na lua. O propósito das notícias era aumentar as vendas do jornal. No mês seguinte o jornal admitiu que os artigos eram apenas boatos.
- Uma contribuição valiosa para a vitória de Eurico Gaspar Dutra na eleição presidencial de 1945 veio de Hugo Borghi, que distribuiu milhares de panfletos acusando o candidato Eduardo Gomes de ter dito: ''Não preciso dos votos dos marmiteiros''. O que Eduardo pronunciou na verdade, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 19 de novembro (menos de um mês antes do pleito, ocorrido em 2 de dezembro), foi: "Não necessito dos votos dessa malta de desocupados que apoia o ditador para eleger-me presidente da República". (fonte)

A Bíblia também nos fala de “fake news”. Talvez a mais famosa dessas notícias falsas, espalhadas deliberadamente, tenha sido a de que o corpo de Jesus tinha sido roubado e escondido pelos discípulos após a ressurreição: “E, quando iam, eis que alguns da guarda, chegando à cidade, anunciaram aos príncipes dos sacerdotes todas as coisas que haviam acontecido.
E, congregados eles com os anciãos, e tomando conselho entre si, deram muito dinheiro aos soldados,
Dizendo: Dizei: Vieram de noite os seus discípulos e, dormindo nós, o furtaram.
E, se isto chegar a ser ouvido pelo presidente, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança.
E eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. E foi divulgado este dito entre os judeus, até ao dia de hoje”
(Mateus 28:11-15).
Outra história que se espalhou por um entendimento errado foi a de que o apóstolo João não morreria:
“Vendo Pedro a este (o discípulo João), disse a Jesus: Senhor, e deste que será?
Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu.
Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?
(João 21:21-23).
Em Marcos 3:22, os escribas, indignados com a popularidade de Jesus, diziam que Ele operava milagres pelo poder de Satanás: “E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: Tem Belzebu, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios.
Paulo foi preso várias vezes, vitimado por “fake news”. Em Filipos, a acusação era contra ele e Silas: E, apresentando-os aos magistrados, disseram: Estes homens, sendo judeus, perturbaram a nossa cidade,
E nos expõem costumes que não nos é lícito receber nem praticar, visto que somos romanos.
E a multidão se levantou unida contra eles, e os magistrados, rasgando-lhes as vestes, mandaram açoitá-los com varas.
(Atos 16:20-22)
Em Jerusalém, os judeus da Ásia, vendo-o (Paulo) no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele, clamando: Homens israelitas, acudi; este é o homem que por todas as partes ensina a todos contra o povo e contra a lei, e contra este lugar; e, demais disto, introduziu também no templo os gregos, e profanou este santo lugar.
Porque tinham visto com ele na cidade a Trófimo de Éfeso, o qual pensavam que Paulo introduzira no templo.E alvoroçou-se toda a cidade, e houve grande concurso de povo; e, pegando Paulo, o arrastaram para fora do templo, e logo as portas se fecharam. E, procurando eles matá-lo, chegou ao tribuno da coorte o aviso de que Jerusalém estava toda em confusão. (Atos 21:27-31)
Esta confusão só foi parcialmente desfeita quando o tribuno responsável pela segurança de Paulo escreveu uma carta ao governador esclarecendo tudo (Atos 23). Mas lemos no capítulo seguinte que os judeus continuavam a insistir na notícia falsa: “Verificamos que este homem é uma peste: suscita tumultos entre todos os judeus do mundo inteiro e é um chefe do partido dos nazareus. Tentou mesmo profanar o Templo; nós então o prendemos” .
Vemos, portanto, que as “fake news” são uma lástima. O pior disso tudo é ver cristãos praticando esta desgraça, diariamente, fazendo o serviço de Satanás, o pai da mentira. A USP (Universidade de São Paulo) fez um estudo onde apontava os principais produtores de notícias falsas no Brasil. O campeão das mentiras era o MBL, a mesma organização que teve centenas de páginas e perfis (próprios e vinculados) suspensos pelo Facebook, justamente por espalhar notícias falsas.
Já a revista Época, na sua edição 1034, fez um levantamento onde o site cristão de notícias “Gospel Prime” - cujo slogan é “o cristão bem informado” - foi denunciado como “o maior fabricante de notícias falsas”, devido à técnica de distorcer informações verdadeiras com mentiras. Um exemplo é a notícia da liberação de recursos do governo brasileiro para ajudar na reforma da Basílica da Natividade, local do nascimento de Jesus, hoje sob domínio da Autoridade Palestina (frequentemente referida no portal como “terroristas islâmicos”). Trata-se de uma medida que fere o Estado laico, porque o governo não pode subsidiar entidades religiosas, mesmo no exterior. Mas o Gospel Prime não lembrou que o Brasil é um Estado laico, como era de se esperar, mas, sem qualquer prova, divulgou que o dinheiro estava sendo “enviado a terroristas palestinos”.  O alegado fato foi reproduzido em redes sociais, principalmente por evangélicos, incluindo o pastor/deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR), líder da Frente Parlamentar Evangélica, que gravou um vídeo comentando a “grave denúncia”. Este pastor, aliás, é o mesmo que apresentou um projeto de lei que previa descontar o dízimo na folha de pagamento dos empregados.
A jornalista Helena Borges, da “Época”, descobriu que deputados evangélicos usaram dinheiro de cota parlamentar para pagar ao Gospel Prime por “textos jornalísticos”. Pelo menos seis notas fiscais provam que os deputados Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) e Geovania de Sá (PSDB-SC) compraram textos elogiosos do Gospel Prime, entre 2015 e 2016, ao preço de R$ 250 cada um (fonte). Um dos textos publicado no período diz que “Sóstenes Cavalcante é o deputado mais atuante do RJ”. Obviamente os responsáveis pelo site e um grande número de seus leitores esbravejaram. As reações vão desde “imprensa comunista” (!) até “perseguição de Satanás” (fonte).
Esta reação exagerada é compreensível, mas não deve ser tolerada, principalmente em tempos de polarização política. Notícias que exaltam candidatos conservadores como Bolsonaro e Cabo Daciolo no referido site recebem comentários elogiosos, ao passo que quando se fala de Lula, Haddad, Manuela D’Ávila e Guilherme Boulos, os mais à esquerda, apenas os estômagos mais fortes conseguem ler o que se comenta.
Por outro lado, uma matéria recente que dizia que Lula tinha muitos votos entre o povo evangélico foi tachada de ... “fake news”Isto não é “fake news”. Você discordar de uma matéria não a torna automaticamente “fake”. “Fake news”, ao contrário, são mentiras.
Por exemplo, algumas “fake news” que ouvimos dos púlpitos e que foram espalhadas aos quatro ventos, foram:
- Se o Lula for eleito, ele vai fechar as igrejas evangélicas (2002)
- Lula vai confiscar o dinheiro que os brasileiros têm no banco (2002)
- A Bolívia, o Equador e a Venezuela vão invadir o Brasil (2003)
- O PT vai implantar o socialismo e transformar o Brasil numa nova Cuba (2002, uma versão requentada da mesma balela de 1964)
- Jesus vai voltar num sábado de 2007 (2006)
- Se a Dilma for eleita, ela vai perseguir os pastores (2010)
- Dilma aprovou a identificação de todos os cidadãos com microchip (2011)
- Marina Silva foi escolhida por Deus para ser presidente do Brasil e transformar a nação (2010, 2014 – veja aqui e aqui -, e 2018 - aqui)
- Jair Bolsonaro foi escolhido por Deus para ser presidente do Brasil e transformar a nação (2018).
- Existe um plano para implementar a URSAL (União das Repúblicas Socialistas da América Latina). Você já ouviu mais coisas assim, não preciso dar mais exemplos.
Você, cristão (ã) que não quer ser instrumento do pai da mentira, deveria seguir alguns conselhos básicos para

(a)  Não acreditar em notícias falsas, e
(b)  Não divulgar mentiras. Desconfie sempre de:
1.        Sites registrados com domínio .com ou .org (sem o .br no final), o que dificulta a identificação de seus responsáveis com a mesma transparência que os domínios registrados no Brasil.
2.       Sites que não possuem qualquer página identificando seus administradores, corpo editorial ou jornalistas. Quando existe, a página ‘Quem Somos’ não diz nada que permita identificar as pessoas responsáveis pelo site e seu conteúdo.
3.       As “notícias” não são assinadas.
4.       As “notícias” são cheias de opiniões e discursos de ódio (“haters”), termos preconceituosos e depreciativos (“comunistas”, “petralhas”, “terroristas” etc.).
5.       Intensiva publicação de novas “notícias” a cada poucos minutos ou horas.
6.       Possuem nomes parecidos com os de outros sites jornalísticos ou blogs autorais já bastante difundidos.
7.       Seus layouts deliberadamente poluídos e confusos fazem-lhes parecer grandes sites de notícias, o que lhes confere credibilidade para usuários mais leigos.
8.      São repletas de propagandas, o que significa que a cada nova visualização o dono do site recebe alguns centavos (estamos falando de páginas cujos conteúdos são compartilhados dezenas ou centenas de milhares de vezes por dia no Facebook).
Agindo contra esses “robôs” do mal, você estará contribuindo para melhorar o ambiente na Internet e por extensão, na sociedade. 
Não seja como os fariseus dos tempos bíblicos. Espalhe a verdade.

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domingo, 5 de novembro de 2017

Protestantes x evangélicos

Há algum tempo tive o desejo de escrever algo sobre o aniversário de 500 anos da Reforma Protestante. Meio milênio atrás, Martinho Lutero pregou suas famosas “95 teses” na porta de uma igreja no interior da Alemanha e mudou a História da civilização ocidental. Mas acabei desistindo da empreitada por absoluta falta de tempo e porque inúmeros outros autores também se dedicaram a esse tema. 
A maioria deles, devo dizer, foi superficial. Limitaram-se a fatos já conhecidos e a dizer “que bom que hoje podemos ter a liberdade de estudar a Biblia” e por aí vai. Ficou nisso.
Também há algum tempo eu vinha pensando sobre a razão de o protestantismo evangélico estar hoje tão distante dos ideais dos reformadores – não apenas Lutero, mas seus precursores como Wycliffe, Huss, talvez Savonarola, seus contemporâneos como Calvino e Zwinglio, e seus sucessores, como Knox. Onde se perdeu a chama renovadora? Em que momento abandonamos os “cinco Solas” e adotamos doutrinas questionáveis, muitas até heréticas, como a teologia da prosperidade, o dominionismo, a batalha espiritual? Por que um evangélico brasileiro ou americano é tão diferente de um presbiteriano escocês, um luterano alemão ou um metodista inglês? Por que as igrejas evangélicas parecem prosperar na América Latina e na África enquanto na Europa templos estão sendo vendidos para empresas criarem cinemas e teatros?
A resposta não é fácil, nem simples, nem é uma só.
Começo fazendo uma pequena reflexão.
Há evangélicos.
E há protestantes. Peraí... há mesmo? Ainda existe protestante? Pelo menos aqui no Brasil, ainda existe? Houve algum dia?
Há uma enorme diferença entre esses dois termos. Veja esta breve explicação, que pode ser encontrada na Internet após poucos “clicks”:

O termo "protestante" é geralmente usado para se referir às Igrejas oriundas direta e contemporaneamente da Reforma Protestante, como a Luterana, a Presbiteriana, a Anglicana, a Metodista, e a Congregacional; o termo "evangélico" é usado para se referir tanto a essas, com exceção da Anglicana, quanto àquelas indiretamente e/ou posteriormente oriundas da reforma, como as pentecostais e as neopentecostais. Existem também igrejas que já existiam antes da reforma protestante, por isso seria incorreto chamá-las de protestantes. Um exemplo são as Igrejas Batistas (...)  Adeptos dessas também são chamados de protestantes, embora, no Brasil, por preferência de nomenclatura, não costumem se denominar assim, preferindo a nomenclatura evangélicos. Todo protestante é evangélico, mas nem todos os evangélicos são protestantes. (grifos nossos)

Isto deve ser o suficiente para acender uma lâmpada na nossa cabeça.
Ora, a denominação “protestante” surgiu com Lutero, quando ele se opôs às práticas vigentes do catolicismo, que foram consideradas extra-bíblicas, e portanto, se fazia necessário um retorno às práticas primitivas, dos tempos apostólicos. Lutero e seus apoiadores foram perseguidos pela máquina católica, e por isso fizeram protestos em nome da liberdade religiosa e contra a tirania papal.
Dentre as práticas que deveriam ser abandonadas estavam – todos já sabem – a venda de indulgências (uma espécie de perdão pelos pecados a troco de dinheiro), as superstições e o misticismo misturados ao culto, a rígida hierarquia eclesiástica e outras coisas. Lutero e seus apoiadores lutaram contra isso.
Agora corta para o século XXI. Você entra numa igreja evangélica e nada de protestante existe ali dentro. Não há imagens de santos nem velas, mas você tem:
- uma rígida estrutura eclesiástica que além do pastor agora já tem bispo, apóstolo e até patriarca;
- se você ainda não pode comprar o perdão dos pecados por uma soma de dinheiro, pelo menos pode alcançar (dizem) a prosperidade financeira, a saúde física e emocional, o matrimônio, o emprego dos sonhos, se depositar fielmente e religiosamente uma certa quantia no gazofilácio ou outra coisa para isso destinada;
- pode também depositar sua fé em objetos mágicos como rosas ungidas, sabonetes abençoados, vassoura orada e travesseiro consagrado, para não falar de outros tipos de benzeduras mais inusitadas, como na carteira, no talão de cheques, na chave do carro ou no aparelho genital.
- se preferir, participe de rituais cabalísticos como dar sete voltas ao redor do seu bairro, ou atirar pedras em gigantes imaginários, derramar água, sal, vinho ou o que a sua criatividade declarar como profético, nas encruzilhadas, morros, praias e rios que achar melhor. Benzer a casa com azeite de oliva também é bem comum hoje em dia.
- a mistura com o mundo é tão clara que, por exemplo, se sua vida sexual estiver meio fraca, além de abençoar a cueca e a calcinha você pode adquirir produtos “cristãos” no sex-shop “cristão” para “apimentar a relação”, assim que sair do “baile funk gospel” ou da festa junina gospel, ou do Halloween gospel bem ali ao lado.
Nada mais distante da Reforma Protestante pela qual inúmeros deram suas vidas.
Isso é o evangélico. Não o protestante.
O protestante tem suas raízes fincadas em Wittenberg, naquele protesto explícito contra heresias; mas sobretudo, está embasado pela Bíblia Sagrada. Não se deixa enganar por falsas interpretações que contradizem os Evangelhos. Não embarca em novas revelações, nem em novidades teológicas e modernizações doutrinárias que extrapolam o ensino apostólico.
O protestante sabe quais são as 95 Teses de Lutero, e embora algumas delas possam até parecer datadas – pois Lutero não pensava em “cisma” e sim em reforma – elas são o cerne de uma vida cristã livre e dependente apenas das Escrituras.
O protestante tem cinco premissas – as “Cinco Solas”:
- Sola scriptura (Somente a Escritura) - a Bíblia tem primazia em relação à tradição legada pelo magistério da Igreja, quando os princípios doutrinários entre esta e aquela forem conflitantes. O historiador William Sweet sugeriu que isso posteriormente originou o direito fundamental de liberdade religiosa, bem como a própria ideia de democracia. 
- Sola gratia (Somente a Graça ou Salvação Somente pela Graça) - a salvação é pela graça de Deus apenas, e que nós somos resgatados de Sua ira apenas por Sua graça. A graça de Deus em Cristo não é meramente necessária, mas é a única causa eficiente da salvação. Esta graça é a obra sobrenatural do Espírito Santo que nos traz a Cristo por nos soltar da servidão do pecado e nos levantar da morte espiritual para a vida espiritual.
- Sola fide (Somente a Fé ou Salvação Somente pela Fé) - a justificação é através da fé somente, pois pela fé em Cristo que Sua justiça é imputada a nós como a única satisfação possível da perfeita justiça de Deus.
- Solus Christus (Somente Cristo) - a salvação é encontrada somente em Cristo e que unicamente Sua vida sem pecado e expiação substitutiva são suficientes para nossa justificação e reconciliação com Deus o Pai.
- Soli Deo gloria (Glória somente a Deus) - a salvação é de Deus, e foi alcançada por Deus apenas para Sua glória. Acredito que mui poucos evangélicos conheçam essas declarações.
Muitos pastores evangélicos dizem ser inútil e desnecessário estudar para exercer o ministério. Bastaria um “dom” ou um “chamado”.  Mas os reformadores, ao contrário, foram pessoas de vasta cultura teológica e humanista: Calvino estudou em Sorbonne e seu pai era bispo; Lutero foi professor universitário de teologia; Zwinglio era sacerdote e humanista. Muitos eram professores universitários, respeitados em sua época, e se correspondiam com os grandes filósofos seus  contemporâneos. Como Erasmo de Roterdam, eles buscaram nas fontes da antiguidade cristã as bases para uma renovação religiosa. Lendo a Bíblia e retornando aos Pais da Igreja, descobriram uma visão da fé e uma doutrina bíblica cristocêntrica há muitos séculos esquecidas. Desafio a qualquer um enumerar uma lista de grandes pensadores evangélicos brasileiros, respeitados fora do redil, que não sejam ridicularizados como retrógrados, pedantes ou tacanhos. Existem, felizmente, mas são poucos.
Neste 31 de outubro de 2017, alguns de nós comemoraram 500 da Reforma Protestante.
Mas muitos nem sabiam do que se tratava. Estavam mais preocupados com o Halloween, gospel ou não.
Os reformadores, se porventura tivessem uma visão da situação atual, talvez teriam ganas de voltar à Terra e refazer todo o trabalho, porque vai se esfarelando a sua preciosa herança.
Nesta estranha classificação entre protestantes e evangélicos, prefiro ser protestante. Até porque há quem diga que a certidão de nascimento dos “evangélicos” de hoje está datada em algum ponto dos anos 1950 – e você pode especular um pouco mais neste link. Mas isto é assunto para outro dia.
Como disse Lutero, “A menos que vocês provem para mim pela Escritura e pela razão que eu estou enganado, eu não posso e não me retratarei. Minha consciência é cativa à Palavra de Deus. Ir contra a minha consciência não é correto nem seguro. Aqui permaneço eu. Não há nada mais que eu possa fazer. Que Deus me ajude. Amém”.

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sábado, 25 de maio de 2013

Os saduceus modernos

Quando falamos sobre o período de
silêncio profético, descobrimos que durante aqueles 400 anos ou mais, no alvorecer do Novo Testamento,surgem vários grupos que não existiam em Israel no tempo dos profetas. Assim que vemos nos relatos dos evangelistas os fariseus, saduceus, herodianos, zelotes, escribas e doutores da lei; e também sabemos que haviam os essênios, apesar de não mencionados nos Evangelhos. Descrevemos algumas características de cada grupo, e nos desafiamos a ver em nós algumas delas. Olhando no espelho, vemos em nós muitas práticas dos fariseus, que Jesus condenou, de modo que precisamos fazer a cada dia uma séria reflexão.
O fariseu da parábola disse: “Graças te dou, ó Deus, porque não sou como esse publicano; e por isso foi repreendido. Hoje, o fariseu se tornou símbolo de tudo que é detestável e indesejável na vida cristã. Até apareceu recentemente uma pesquisa - diga-se de passagem, tendenciosa, com perguntas capciosas e direcionadas - que pretendia identificar se os cristãos de hoje se parecem mais com Jesus ou com os fariseus. Polêmica à parte, eu acho que muitos cristãos se parecem mais mesmo é com os saduceus. Veja se concorda.
Como vimos antes, na época do domínio grego em Israel houve uma forte influência do estio de vida helênico sobre os judeus, uma verdadeira ameaça humanística e mundana. A revolta dos macabeus também foi, em parte, uma reação a esse mundanismo. Em Jerusalém fora construído um teatro do tipo grego, e também um estádio para esportes, no mesmo esquema do famoso Circus Maximus de Roma, um hipódromo em formato oblongo. Ali os jovens judeus começaram a ser seduzidos pelo esporte, e começaram a abandonar as práticas mais
ascéticas de seus pais. Como os atletas competiam nus, os judeus, com medo e vergonha de serem discriminados, começaram a fazer uma espécie de “cirurgia plástica” para disfarçar a circuncisão!
Pior ainda, como o estádio ficava num plano inferior ao Templo, numa encosta de Jerusalém, as pessoas se debruçavam na amurada do local sagrado para assistir às competições, virando as costas para o santuário!
Não sei se os saduceus chegavam a tanto, mas é fato que se orgulhavam de ser modernos, ao absorver a filosofia e a cultura gregas. Eram como uma sombra dos gregos, a quem admiravam. Eram o oposto dos fariseus, que eram nacionalistas e exclusivistas. De qualquer forma, o paralelo com nossos dias não é difícil de ser traçado.
Os nossos saduceus começaram a pulular depois da grande expansão evangélica dos últimos vinte ou trinta anos. Começaram sua caminhada ao ver que o aumento do número de congregados poderia ser acelerado, não com a pregação do Evangelho, o anúncio das Boas Novas de salvação, conforme acontecia desde o século XIX em terras tupiniquins. De repente, descobriram na outra América as técnicas de marketing e de propaganda. Pastores e outros líderes mandaram seus filhos e filhas - herdeiros do feudo de papai e de vovô - estudarem nos “States” para aprender com  o Tio Sam as últimas novidades do mercado eclesiástico. Começaram a adquirir cada vez mais horários em rádio e televisão, não para pregar a Palavra de Deus, mas para vender quinquilharias – CDs e DVDs toscos de cantores toscos, camisetas, livretes toscos de autores toscos. É preciso atender à demanda do mercado... e que mercado!
Sob a iluminação bruxuleante de “novas revelações”, criaram aberrações supostamente baseadas na Bíblia, e assim surgem esquemas de pirâmide como G12 ou M12, copiados de modelos de falcatruas mundanas. “É moderno”, dizem. “A igreja cresce rápido”, defendem. E não se importam se a igreja parece uma panela de pipoca, grande, vistosa, esparramando pelas beiradas, mas sem nenhum valor nutricional. 
Vivi uma época em que a música tocada nas igrejas era bastante amadora, do ponto de vista instrumental e técnico. Ansiávamos por uma melhoria dos músicos – que na época ainda não eram chamados de “levitas”. Batalhávamos para conseguir instrumentos melhores, estudamos Música, ensaiávamos até a exaustão. Aí apareceu uma nova geração que de fato melhorou o nível de execução musical. A globalização ajudou a diminuir a diferença de preços entre as guitarras Giannini (que já então faziam excelentes cópias das Fender e Gibson) e as sonhadas Ibanez. E então conseguíamos comprar violões Ovation, baixos Rickenbaker, baterias Tama, amplificadores Peavey. Microfones Shure!
Mas se o nível técnico e instrumental subiu, em contrapartida a qualidade das letras caiu vertiginosamente, a ponto de ouvirmos hoje em dia pérolas como “Filho meu, você me rejeitou, porta na cara doeu... Ontem eu me lembrei de uma antiga oração que você fez... tenho promessas arquivadas te esperando, filho...a gente vence junto essa parada” (Thalles Roberto). Ou És Deus de perto, e não de longe (Apascentar). Ou “não posso deixar que sigas sem me perceber” (Toque no Altar)... ou “E Ele vem saltando sobre os montes / Incendeia, Senhor, a Tua noiva” (David Quinlan)... por aí vai... Quanta heresia! Quanta bobagem! Ai que saudade dos Vencedores por Cristo, Logos e Jovens da Verdade! Hoje só temos, praticamente, “vendedores de cristo”! 
Tocam muito bem! Não fazem cultos, nem pregam mais nas praças, colégios e universidades, mas seus shows são uma beleza, uma maravilha tecnológica, com técnicos importados, como sempre, da outra América... já o conteúdo... “pula, dança, tira o pé do chão”... lembrei outra vez da panela de pipoca.
E como os judeus de séculos passados, tentam esconder sua circuncisão. Um certo “levita” foi a um programa de TV apropriadamente chamado “Caldeirão” e, perguntado sobre como era sua música, não disse que era cristã, evangélica ou adoração (como diria um “levita” de verdade). Disse que era música moderna “sem setorizar... rap de contexto social positivo”... escondeu a marca que mostrava que ele era diferente!
Os saduceus demoliram os muros que separavam o templo do ginásio. E aí passaram a promover lutas dentro dos prédios que um dia abrigaram reuniões de oração. Dizem que luta-livre e boxe na igreja não tem nada de mais. Se você acha que estou exagerando, clique aqui, aqui, aqui e aqui. Dizem que é para atrair os jovens que gostam desse esporte.
E se “os jovens” gostarem de fazer sexo sem compromisso, o que farão para atraí-los? Bem, já tem meio caminho andado: já existe “nudismo gospel; criaram “boate gospel” pra fazer “balada gospel (aqui também) regada a “cerveja gospel; já funciona a sex-shop gospel (onde deve ter “camisinha gospel” para vender, pois filme “pornô gospel também já tem). “Pole-dance gospel” também já está na praça! Só falta o “motel gospel”. Tudo para “manter o jovem na igreja”: festa junina gospel, carnaval gospel, Halloween gospel... Não deveríamos nos espantar, pois até garota-de-programa (prostituta)gospel já tem - e é até dizimista!
Os saduceus também defendem acordos com o mundo: acham que se os cristãos evangélicos se associarem a emissoras de TV, ganharão tratamento diferenciado. Os “levitas” foram pioneiros nessa mutreta!
Admiram a “cultura moderna”, a “música moderna”, a “moda moderna”, os cabelos, as roupas, as tatuagens e piercings. Irmãs que vão “à igreja” de blusa “frente-única” e calça de academia. Ou então usam vestidos que parecem camisolas, e minissaias que parecem abajures. Homens usando brinco. Pastores fazendo implante de cabelo, delineando a sobrancelha, fazendo lipo-aspiração e redução do estômago. Pastores gastrônomos. Estão aí mesmo, agora mesmo, numa igreja perto de você. Avançados, integrados na cultura e na sociedade. Pós-modernos. Saduceus!
E por vezes, até se confundem com os herodianos. Envolvidos com o mundo político, freqüentam os gabinetes das autoridades. Franqueiam o púlpito aos candidatos, à destra e à sinistra. Negociam verbas, horários na televisão, emissoras de rádio, cargos no governo. Até fazem oração para Deus proteger o fornecedor da propina. Não raro acabam investigados pela Polícia Federal e pela Receita. Mas sempre voltam, apoiando o candidato em quem meteram o pau na eleição passada, ou metendo o pau em quem apoiaram antes.
Os saduceus criticam os fariseus por sua política isolacionista, exclusivista; e agem de maneira diametralmente oposta.  Escondem os sinais da circuncisão e adotam os costumes mundanos, promovendo banquetes faraônicos em suas mansões nababescas em homenagem a políticos, mesmo sabendo que esses “homenageados” são a escória da política nacional.
E como se não bastasse, realizam “cultos” em suas “igrejas” para mostrar publicamente sua íntima ligação com essas figuras abomináveis!
Outros são mais sutis. Adotam uma filosofia liberal e para serem bem-vistos pelo populacho, pela mídia e pelas celebridades, evitam falar qualquer coisa que possa “ofender” os pecadores. Dizem que não são como os fariseus, separados. Não, dizem que Jesus andava com bêbados e prostitutas, então o que é que tem a gente andar com bêbados e prostitutas? Jesus acolhia a todos, e disse à mulher pega em adultério “não te condeno”! Por que condenaríamos essas pessoas desassistidas? Convenientemente, esquecem-se de que Jesus disse àquela mulher: “vai, e não peques mais”. Não, isso não podemos dizer, soaria farisaico demais!
Então, passam a usar música de John Lennon como tema de “pregação”, ainda que ela diga que “não existe céu nem inferno”.  Começam a apoiar militantes homossexuais, para receber aplausos. Aceitam pastores divorciados (também aqui) - ver I Coríntios 7:10-11. Negam a volta de Cristo (também aqui neste link). Negam a soberania de Deus. Como no tempo de Jesus, saduceus não crêem no mundo espiritual: “os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito” (Atos 23:8). Esse aqui também não; e nem esse aqui, e nem esse. Talvez por isso fazem o que fazem!
Posso ficar até a semana que vem dando exemplos de saduceus modernos. Mas vou parar aqui: prefiro que você mesmo(a) procure à sua volta. Ou dentro de você.
Das duas uma: ou dizemos como o fariseu da parábola – “Graças te dou ó Deus, porque não sou como esse pessoal aí” – ou assumimos nosso saduceísmo.
Espero que o povo de Deus faça uma reflexão e veja se não está adotando a cultura dominante hoje na sociedade. Se não estamos com vergonha, escondendo a nossa circuncisão. “A circuncisão que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus” (Romanos 2:20).

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