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sábado, 27 de janeiro de 2018

Duas caras, dois pesos, duas medidas

Na semana em que o Tribunal Federal Regional da 4ª Região, conhecido pela sigla TRF4, julgou o recurso do ex-presidente Lula e lhe impôs uma dura derrota, a comunidade dita cristã se dividiu em três lados. A imensa maioria, capitaneada pelos seus líderes sabidamente espertos em conduzir o rebanho sempre para a margem dos “vencedores”, comemorou. Uma pífia minoria se manteve mais independente da manada (porque não se pode mais chamar isso de “rebanho”) e preferiu se manifestar contra o que entendeu ser arbitrariedades do poder judiciário (falta de provas consistentes, pré-julgamento pela mídia, irregularidades no processo etc.). E uma outra parte, não pequena, preferiu manter a habitual pose de avestruz, enterrando a cabeça na areia e fingindo que não tem nada com isso. “Vamos orar”, é o mantra dessa parcela de crente chuchu, sem nenhuma personalidade. A popular “Maria-vai-com-as-outras”.
Sejamos honestos. O ex-presidente Lula não é nenhum santo. Em seu duplo mandato de presidente, fez muitas coisas boas e também errou – o que aliás, aconteceu com sua sucessora. Talvez o maior erro tenha sido em nome da governabilidade, se associar a velhas raposas que mais tarde lhe passaram a perna. Enfim, humano, com todas as virtudes e defeitos comuns à maioria de nós. Talvez alguns de nós, cristãos honrados, que frequentamos igrejas todo fim de semana, dizimistas, defensores da família e dos bons costumes, tivéssemos caído nos mesmos erros e pecados que ele. Bom, alguns com certeza, inclusive já cumprindo pena (supostamente, porque ninguém viu de uniforme laranja, cabeça raspada e muito menos com algemas nos pulsos e tornozelos).
E se realmente formos honestos, precisamos dizer com todas as letras que aquela imensa maioria acima citada, que comemorou com aleluias e glórias a sentença do petista, caminha por uma estrada que representa tudo, menos o Cristianismo ensinado por Aquele que dizem seguir.
Os cristãos que antagonizam Lula (resisto a dizer a palavra “inimigos”) se agruparam como moscas no esgoto ao redor do pretenso candidato Jair Bolsonaro. Essa pessoa representa o que há de mais abominável no ser humano, independente de posição sócio-econômica, credo religioso ou ideologia política. É grande a lista de suas qualidades negativas, amplamente conhecidas por todos:
- quase foi expulso do exército por insubordinação e por planejar atos terroristas, logo ele que diz ser adepto da disciplina e opositor ferrenho de “terroristas”;
- opinou que a mulher deve ganhar menos que o homem, “porque engravida, sai de licença por vários meses e dá prejuízo ao patrão”;
- afirmou em público que os negros de uma determinada comunidade são como animais de corte, gordos, vagabundos, que nada fazem;
- disse a uma colega parlamentar que só não a estuprava porque ela não merecia, era “muito feia”;
- declarou ser favorável à tortura;
- demonstrou ter nenhum conhecimento da função presidencial a que almeja, jogando a responsabilidade para seus futuros e eventuais ministros, ao dizer que não precisa saber nada de economia, nem de saúde, por exemplo (quem tem que saber isso é o ministro da pasta correspondente);
- está já por quase trinta anos como parlamentar, sem nunca ter produzido nem uma lei ou projeto relevante sequer, no máximo a nomeação de ruas e praças;
- arranjou uma forma de capitalizar para sua família vários cargos no governo, alguns eleitos na sua sombra, outros funcionários-fantasmas;
- acumulou patrimônio incompatível com sua renda declarada, da ordem de cerca de R$15 milhões, e se negou a explicar;
- disse com todas as letras que recebeu auxílio-moradia indevidamente durante vários anos, e que gastou o dinheiro para “comer gente” (sic).
Ora, aí eu pergunto: como pode um cristão apoiar esse tipo de candidato? Que personagem bíblico poderia ser associado a esse cidadão? Com certeza, nenhum dos apóstolos ou discípulos dos tempos bíblicos. No máximo, biblicamente falando, podemos compará-lo ao joio que foi semeado no campo junto com o trigo, se parece com trigo, mas é apenas mato, erva daninha. Note que não julgamos a pessoa (que cabe a Deus somente), mas as suas obras, seus atos (que cabe à Igreja, como já demonstrei antes aqui neste link).
Boa parte desse grupo de cristãos conservadores (sim, existem cristãos progressistas) costuma apoiar incondicionalmente aquele que é talvez o maior boquirroto da atualidade, a nível mundial – Donald Trump, um milionário que chegou a presidente dos Estados Unidos. Isso em função de dois ou três fatos:
- ele foi eleito com o apoio maciço da direita evangélica, a mesma que considerava o antecessor, Barack Obama, um comunista (por suas ideias relativamente inovadoras no campo da saúde, por exemplo) e até mesmo muçulmano (sinal de extrema desinformação, como ocorre aqui) por conta seu nome exótico para os padrões ianques;
- como retribuição a esse apoio eleitoreiro, abriu os cofres do tesouro para agradar aos pastores e missionários, dando continuidade à política de enviar missões que não apenas “evangelizam” outros povos com Bíblias, panfletos e hinos, mas também com toda uma cultura própria do interior americano, nas roupas, comportamento e o pior de tudo, na defesa do “modo de vida americano” que abomina tudo que não venha de lá;
- o agrado aos crentes inclui declarar Jerusalém como capital de Israel, sem se importar com as consequências desse ato para os diretamente envolvidos na linha de frente do conflito árabe-israelense;
- isso cria para os evangélicos brasileiros, que geralmente não examinam nada com profundidade, uma aura de messias que está abrindo as portas para a evangelização mundial e assim “apressando a volta de Jesus” (outro conceito que carece de base bíblica, que examinaremos em outra oportunidade);
- a posição claramente direitista, quase fascista, fascina os anti-Lula (quase escrevi “inimigos”).
Ora, aí eu pergunto mais uma vez: como pode um cristão simpatizar com esse tipo de pessoa? 
- um homem que desde muitos anos expõe sem o menor pudor o seu machismo, ao considerar as mulheres meros objetos;
- sabidamente racista, ao dizer que os países pobres são “buracos de m****”);
- divisionista e sectário, ao insistir na construção de um muro que impeça a entrada de imigrantes, esquecendo-se de que a América (a dele e a nossa) seriam muito diferentes não fosse a vinda de milhões e milhões de imigrantes de todas as partes do mundo. Veja a própria origem do nome de sua família, imigrantes do leste europeu cujos primeiros representantes tiveram até que mudar de nome para se “americanizar” (fonte).
De novo: como pode uma pessoa que se diz cristã, em nome da família, dos bons costumes e da moral, em nome “de Deus”, defender esse tipo de gente? Nem que seja como oposição ao ex-presidente Lula (que como disse acima, não é nenhum santo, que fique claro)? Qual é o ponto que norteia essa posição? Porque não gosto desta figura política, passo a apoiar qualquer coisa que se lhe oponha? Porque não gosto dessa pessoa, pouco me importam os critérios (ou falta deles) que influenciaram a sua condenação?
Bem, não vou insistir nessas perguntas porque você já sabe o que eu quero dizer. Já entendeu. Logo vão me chamar de comunista...
Na verdade, preciso dizer algo a você. A você que se considera “capitalista”, eu pergunto?
- você é dono de empresa? Tem funcionários que trabalham para você? É dono de algum banco? Possui fazendas? Se sim, ótimo. Se não...
- aplica dinheiro na Bolsa de Valores e em fundos de investimentos? Não? 
Então eu sou mais capitalista do que você... 
Mas... defendo posições que entendo serem progressistas. 
Defendo algumas bandeiras, desde muitos anos, que me custaram algumas “amizades” e várias pedradas vindas de dentro dos templos e denominações.
Defendo a soberania nacional (ao contrário do sr. Bolsonaro, que bateu continência para a bandeira americana) e a não-entrega do patrimônio da nação a potências estrangeiras, ainda mais a preço de banana como têm sido as propaladas privatizações (que nada resolvem e só servem para gerar caixa para o governo entreguista e comissão aos apadrinhados), enviando todo o lucro ao exterior (proveniente de gás, petróleo, minério de ferro e outros minerais, energia eólica e solar, indústrias de transformação);
Defendo direitos básicos para todos e para todas: trabalho, pão, terra, liberdade de ir e vir e de opinião.
Defendo oportunidades iguais para todos, na educação, na saúde, na segurança, nos transportes, na renda mínima digna.
Defendo o fim dos privilégios de classe, como por exemplo a taxação das grandes fortunas.
Se isso é ser socialista, o que eu posso dizer mais? Defender o contrário disto é que é o certo, como o sr. Bolsonaro e o sr. Trump, e sua corja de lacaios hoje encastelados na mídia, nas escolas, no legislativo e no judiciário, nos quartéis e nas igrejas? Este sim é o aparelhamento de que nos falam Antonio Gramsci e Louis Althusser. E que muitos se recusam a conhecer.
Caso se preocupassem em ter apenas uma cara, um peso e uma medida, como nos ensina a Bíblia, procurariam entender um pouco mais os mecanismos que os controlam, invisivelmente.
Ou então, permaneçam com suas duas caras, seus dois pesos, suas duas medidas, que absolvem uns e condenam outros, relativizando os motivos e as evidências.
Exatamente como fez uma certa seita judaica há dois mil anos. Desses, Jesus disse que eram “sepulcros caiados”.

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sábado, 25 de maio de 2013

Os saduceus modernos

Quando falamos sobre o período de
silêncio profético, descobrimos que durante aqueles 400 anos ou mais, no alvorecer do Novo Testamento,surgem vários grupos que não existiam em Israel no tempo dos profetas. Assim que vemos nos relatos dos evangelistas os fariseus, saduceus, herodianos, zelotes, escribas e doutores da lei; e também sabemos que haviam os essênios, apesar de não mencionados nos Evangelhos. Descrevemos algumas características de cada grupo, e nos desafiamos a ver em nós algumas delas. Olhando no espelho, vemos em nós muitas práticas dos fariseus, que Jesus condenou, de modo que precisamos fazer a cada dia uma séria reflexão.
O fariseu da parábola disse: “Graças te dou, ó Deus, porque não sou como esse publicano; e por isso foi repreendido. Hoje, o fariseu se tornou símbolo de tudo que é detestável e indesejável na vida cristã. Até apareceu recentemente uma pesquisa - diga-se de passagem, tendenciosa, com perguntas capciosas e direcionadas - que pretendia identificar se os cristãos de hoje se parecem mais com Jesus ou com os fariseus. Polêmica à parte, eu acho que muitos cristãos se parecem mais mesmo é com os saduceus. Veja se concorda.
Como vimos antes, na época do domínio grego em Israel houve uma forte influência do estio de vida helênico sobre os judeus, uma verdadeira ameaça humanística e mundana. A revolta dos macabeus também foi, em parte, uma reação a esse mundanismo. Em Jerusalém fora construído um teatro do tipo grego, e também um estádio para esportes, no mesmo esquema do famoso Circus Maximus de Roma, um hipódromo em formato oblongo. Ali os jovens judeus começaram a ser seduzidos pelo esporte, e começaram a abandonar as práticas mais
ascéticas de seus pais. Como os atletas competiam nus, os judeus, com medo e vergonha de serem discriminados, começaram a fazer uma espécie de “cirurgia plástica” para disfarçar a circuncisão!
Pior ainda, como o estádio ficava num plano inferior ao Templo, numa encosta de Jerusalém, as pessoas se debruçavam na amurada do local sagrado para assistir às competições, virando as costas para o santuário!
Não sei se os saduceus chegavam a tanto, mas é fato que se orgulhavam de ser modernos, ao absorver a filosofia e a cultura gregas. Eram como uma sombra dos gregos, a quem admiravam. Eram o oposto dos fariseus, que eram nacionalistas e exclusivistas. De qualquer forma, o paralelo com nossos dias não é difícil de ser traçado.
Os nossos saduceus começaram a pulular depois da grande expansão evangélica dos últimos vinte ou trinta anos. Começaram sua caminhada ao ver que o aumento do número de congregados poderia ser acelerado, não com a pregação do Evangelho, o anúncio das Boas Novas de salvação, conforme acontecia desde o século XIX em terras tupiniquins. De repente, descobriram na outra América as técnicas de marketing e de propaganda. Pastores e outros líderes mandaram seus filhos e filhas - herdeiros do feudo de papai e de vovô - estudarem nos “States” para aprender com  o Tio Sam as últimas novidades do mercado eclesiástico. Começaram a adquirir cada vez mais horários em rádio e televisão, não para pregar a Palavra de Deus, mas para vender quinquilharias – CDs e DVDs toscos de cantores toscos, camisetas, livretes toscos de autores toscos. É preciso atender à demanda do mercado... e que mercado!
Sob a iluminação bruxuleante de “novas revelações”, criaram aberrações supostamente baseadas na Bíblia, e assim surgem esquemas de pirâmide como G12 ou M12, copiados de modelos de falcatruas mundanas. “É moderno”, dizem. “A igreja cresce rápido”, defendem. E não se importam se a igreja parece uma panela de pipoca, grande, vistosa, esparramando pelas beiradas, mas sem nenhum valor nutricional. 
Vivi uma época em que a música tocada nas igrejas era bastante amadora, do ponto de vista instrumental e técnico. Ansiávamos por uma melhoria dos músicos – que na época ainda não eram chamados de “levitas”. Batalhávamos para conseguir instrumentos melhores, estudamos Música, ensaiávamos até a exaustão. Aí apareceu uma nova geração que de fato melhorou o nível de execução musical. A globalização ajudou a diminuir a diferença de preços entre as guitarras Giannini (que já então faziam excelentes cópias das Fender e Gibson) e as sonhadas Ibanez. E então conseguíamos comprar violões Ovation, baixos Rickenbaker, baterias Tama, amplificadores Peavey. Microfones Shure!
Mas se o nível técnico e instrumental subiu, em contrapartida a qualidade das letras caiu vertiginosamente, a ponto de ouvirmos hoje em dia pérolas como “Filho meu, você me rejeitou, porta na cara doeu... Ontem eu me lembrei de uma antiga oração que você fez... tenho promessas arquivadas te esperando, filho...a gente vence junto essa parada” (Thalles Roberto). Ou És Deus de perto, e não de longe (Apascentar). Ou “não posso deixar que sigas sem me perceber” (Toque no Altar)... ou “E Ele vem saltando sobre os montes / Incendeia, Senhor, a Tua noiva” (David Quinlan)... por aí vai... Quanta heresia! Quanta bobagem! Ai que saudade dos Vencedores por Cristo, Logos e Jovens da Verdade! Hoje só temos, praticamente, “vendedores de cristo”! 
Tocam muito bem! Não fazem cultos, nem pregam mais nas praças, colégios e universidades, mas seus shows são uma beleza, uma maravilha tecnológica, com técnicos importados, como sempre, da outra América... já o conteúdo... “pula, dança, tira o pé do chão”... lembrei outra vez da panela de pipoca.
E como os judeus de séculos passados, tentam esconder sua circuncisão. Um certo “levita” foi a um programa de TV apropriadamente chamado “Caldeirão” e, perguntado sobre como era sua música, não disse que era cristã, evangélica ou adoração (como diria um “levita” de verdade). Disse que era música moderna “sem setorizar... rap de contexto social positivo”... escondeu a marca que mostrava que ele era diferente!
Os saduceus demoliram os muros que separavam o templo do ginásio. E aí passaram a promover lutas dentro dos prédios que um dia abrigaram reuniões de oração. Dizem que luta-livre e boxe na igreja não tem nada de mais. Se você acha que estou exagerando, clique aqui, aqui, aqui e aqui. Dizem que é para atrair os jovens que gostam desse esporte.
E se “os jovens” gostarem de fazer sexo sem compromisso, o que farão para atraí-los? Bem, já tem meio caminho andado: já existe “nudismo gospel; criaram “boate gospel” pra fazer “balada gospel (aqui também) regada a “cerveja gospel; já funciona a sex-shop gospel (onde deve ter “camisinha gospel” para vender, pois filme “pornô gospel também já tem). “Pole-dance gospel” também já está na praça! Só falta o “motel gospel”. Tudo para “manter o jovem na igreja”: festa junina gospel, carnaval gospel, Halloween gospel... Não deveríamos nos espantar, pois até garota-de-programa (prostituta)gospel já tem - e é até dizimista!
Os saduceus também defendem acordos com o mundo: acham que se os cristãos evangélicos se associarem a emissoras de TV, ganharão tratamento diferenciado. Os “levitas” foram pioneiros nessa mutreta!
Admiram a “cultura moderna”, a “música moderna”, a “moda moderna”, os cabelos, as roupas, as tatuagens e piercings. Irmãs que vão “à igreja” de blusa “frente-única” e calça de academia. Ou então usam vestidos que parecem camisolas, e minissaias que parecem abajures. Homens usando brinco. Pastores fazendo implante de cabelo, delineando a sobrancelha, fazendo lipo-aspiração e redução do estômago. Pastores gastrônomos. Estão aí mesmo, agora mesmo, numa igreja perto de você. Avançados, integrados na cultura e na sociedade. Pós-modernos. Saduceus!
E por vezes, até se confundem com os herodianos. Envolvidos com o mundo político, freqüentam os gabinetes das autoridades. Franqueiam o púlpito aos candidatos, à destra e à sinistra. Negociam verbas, horários na televisão, emissoras de rádio, cargos no governo. Até fazem oração para Deus proteger o fornecedor da propina. Não raro acabam investigados pela Polícia Federal e pela Receita. Mas sempre voltam, apoiando o candidato em quem meteram o pau na eleição passada, ou metendo o pau em quem apoiaram antes.
Os saduceus criticam os fariseus por sua política isolacionista, exclusivista; e agem de maneira diametralmente oposta.  Escondem os sinais da circuncisão e adotam os costumes mundanos, promovendo banquetes faraônicos em suas mansões nababescas em homenagem a políticos, mesmo sabendo que esses “homenageados” são a escória da política nacional.
E como se não bastasse, realizam “cultos” em suas “igrejas” para mostrar publicamente sua íntima ligação com essas figuras abomináveis!
Outros são mais sutis. Adotam uma filosofia liberal e para serem bem-vistos pelo populacho, pela mídia e pelas celebridades, evitam falar qualquer coisa que possa “ofender” os pecadores. Dizem que não são como os fariseus, separados. Não, dizem que Jesus andava com bêbados e prostitutas, então o que é que tem a gente andar com bêbados e prostitutas? Jesus acolhia a todos, e disse à mulher pega em adultério “não te condeno”! Por que condenaríamos essas pessoas desassistidas? Convenientemente, esquecem-se de que Jesus disse àquela mulher: “vai, e não peques mais”. Não, isso não podemos dizer, soaria farisaico demais!
Então, passam a usar música de John Lennon como tema de “pregação”, ainda que ela diga que “não existe céu nem inferno”.  Começam a apoiar militantes homossexuais, para receber aplausos. Aceitam pastores divorciados (também aqui) - ver I Coríntios 7:10-11. Negam a volta de Cristo (também aqui neste link). Negam a soberania de Deus. Como no tempo de Jesus, saduceus não crêem no mundo espiritual: “os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito” (Atos 23:8). Esse aqui também não; e nem esse aqui, e nem esse. Talvez por isso fazem o que fazem!
Posso ficar até a semana que vem dando exemplos de saduceus modernos. Mas vou parar aqui: prefiro que você mesmo(a) procure à sua volta. Ou dentro de você.
Das duas uma: ou dizemos como o fariseu da parábola – “Graças te dou ó Deus, porque não sou como esse pessoal aí” – ou assumimos nosso saduceísmo.
Espero que o povo de Deus faça uma reflexão e veja se não está adotando a cultura dominante hoje na sociedade. Se não estamos com vergonha, escondendo a nossa circuncisão. “A circuncisão que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus” (Romanos 2:20).

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sábado, 27 de abril de 2013

Eu sou um fariseu

Desde que fiz a matéria sobre o silêncio profético, fiquei com uma pulga atrás da orelha. Vimos ali que no período inter-testamentário surgiram os fariseus, os saduceus, os herodianos, os essênios, os macabeus, os zelotes, os escribas e “doutores da lei”. Fiz um apelo a que cada um de nós se olhasse no espelho e procurasse saber com que tipo de gente se identifica. Fiz a minha parte. Olhei no espelho. E descobri: eu sou um fariseu.

Sou fariseu quando me escondo atrás da ortodoxia – que tem seu lado bom porque te dá uma base onde você pode se firmar. Mas sou fariseu quando me firmo na ortodoxia fria, dura, a “letra que mata”. A ortodoxia que está mais próxima da lei do que da graça. Uma ortodoxia que acaba servindo de parede, uma parede branqueada (Atos 23:3) com cal, a mesma cal que é usada para fazer de um túmulo caiado uma verdadeira maravilha arquitetônica (Mateus 23:27), daquelas que causam admiração nas pessoas que passeiam pelo cemitério. “Olha só que túmulo bonito”!
Sou fariseu porque na aparência, na sociedade, posso ser visto como uma pessoa legal, um cara bacana, que conversa e escuta, mas que quando olha para dentro de si só vê um cadáver putrefato, um zumbi, um morto-vivo que se recusa a ser crucificado e insiste em se levantar da cova e andar por aí, empesteando tudo e todos com cheiro de morte. Uma criatura disforme que contamina tudo, que não faz nada certo, nem andar anda direito. Um zumbi que deveria ter o destino daqueles dos filmes, levar um tiro de escopeta na cabeça para assim parar de perturbar os vivos.
Sou fariseu porque, como aqueles do tempo de Jesus, não matei ninguém fisicamente, mas diante de Deus estou sentado ao lado de Bola e Macarrão, acusado de homicídio culposo (como dizem os repórteres, “quando há intenção de matar”). No fundo, eu bem que gostaria de ver algumas pessoas pulverizadas, tipo aqueles chatos do trabalho que vivem sem fazer nada, só me passando o serviço que deveriam fazer. Sempre sobra para mim. Quando desejo que o prédio onde trabalho pegue fogo e torre todos os diretores da firma, que não me promovem de cargo, mas dão aumento de salário a seus amigos incompetentes. Aquele chefe que um dia me sacaneou, bem que podia acontecer um acidente de avião quando ele for a Miami pela décima vez gastar o seu gordo salário, enquanto eu me viro aqui para pagar as contas do mês. Aquele taxista que me fechou no trânsito, bem que podia passar um caminhão por cima dele na próxima esquina. O torcedor do outro time? A arquibancada podia desabar em cima deles todos. Podia dar um curto circuito naquele barzinho que toca música até de madrugada e não me deixa ver televisão em paz.
Viro membro honorário do Sinédrio quando canto aquela música “eu te amo meu irmão, somos um no amor do Senhor” só da boca para fora, pois durante a semana toda detestei todos aqueles que discordam da minha linha doutrinária, e fiz da palavra “raca” (Mateus 5:22) o meu mantra.
Sou fariseu sim, como aqueles a quem Jesus repreendeu, porque se não adulterei fisicamente, deixei meus olhos passearem pelo corpo da mulher que passava na calçada. Ou na praia. Ou na novela. Ou na fila do banco. Ou no shopping. Ou na internet. Ou na igreja. É, na igreja. As irmãzinhas bem que podiam ajudar e usar roupas mais decentes, mas... talvez também sejam fariséias (será que é assim o feminino de fariseu?)...
O farisaísmo cresce quando falo em alto e bom som que o problema do país é a corrupção, mas peço a Deus para ninguém me oferecer propina, pois na situação em que andam as finanças, provavelmente eu aceitaria...
Sou fariseu quando denuncio deputados por esconderem dinheiro na cueca, mas só porque não fui convidado. Se eu tivesse recebido um punhado de dólares (ou euros), talvez não falasse tanto que isso tudo é um absurdo.
Eu desço o bambu nos deputados cristãos que mudam de partido a cada eleição, demonstrando não ter nenhuma ideologia ou linha política. Mas talvez porque eu não tenha recebido nem um voto sequer, nenhum partido me convidou para a sua bancada, e não consigo me eleger nem como síndico.
Sou fariseu porque detesto  cantores “gospel” que só fazem ganhar dinheiro vendendo suas musiquinhas melosas para milhões cantarem todo domingo nas igrejas, para jogadores do momento pedirem para tocar no Fantástico, para irem no Faustão, no Raul Gil e no Ratinho, e tocar na trilha da novela. Só para vender CD, DVD, camiseta, sutiã e calcinha com a foto estampada do “levita”... mas fico irado porque não fui eu que descobri essa mina de ouro antes! Talvez, se eu estivesse com meu CD nas paradas de sucesso, tocando sem parar nas rádios piratas evangélicas, com meu nome tatuado nos pulsos das mocinhas histéricas pedindo meu autógrafo, “bombando” no Facebook e no Youtube, convidado para o Caldeirão do Huck e a Ilha de Caras, não estivesse tão preocupado com a qualidade bíblica das letras. Diria, provavelmente, que “temos que ter liberdade na adoração” e que “precisamos manter o jovem na igreja”. Poderia até dar um dízimo maior - claro que para “tuitar” logo em seguida. Eu seria fariseu do mesmo jeito. Só que mais rico.
Sou fariseu, como aquela turma que Jesus malhou quando disse que não deveriam se esquecer da justiça, da misericórdia e da fé (Mateus 23:23), pois sob o pretexto de moralizar os outros, desço a madeira nos que ainda não têm conhecimento. Quando deixo de ter misericórdia daqueles que ainda estão no erro e no engano, que ainda não tiveram tempo de aprender o que a misericórdia de Deus me concedeu. Misericórdia que só é boa quando é para mim. Para os outros, o rigor da lei.
Sou fariseu quando vou à frente levar uma oferta para todos verem, em vez de praticar a misericórdia para com os verdadeiros necessitados, e nem mesmo me lembro de buscar a reconciliação com aqueles com quem tenho discórdia e pendências – e que não são poucos (Mateus 5:23, 24).
Sou um fariseu daqueles graúdos quando me orgulho de saber de cor e salteado uma montanha de versículos, mas na hora de aplicar à vida diária finjo que não é comigo e que quando foram escritos o contexto era outro. No grego e no hebraico isso quer dizer outra coisa. Isso era específico para aqueles  para quem a epístola foi escrita, lá no primeiro século. Não é para nós hoje. Não se aplica aos nossos dias. É da outra dispensação.

A minha sorte é que alguns fariseus acusaram o golpe.

Ainda bem que, como alguns fariseus, percebi que quando Jesus dizia certas parábolas, era deles que Ele falava (Mateus 21:45). Quando Ele falou todas essas coisas, era para mim que Ele estava olhando.
Nicodemos foi alcançado por essa ventura, ao ouvir do próprio Jesus que tudo aquilo que ele achava saber não valia nada, e que era necessário nascer de novo. O velho fariseu precisava morrer – e ficar morto. O sepulcro caiado precisava ser selado e lacrado, para o defunto não se levantar. Isso é que é importante: “importa-vos nascer de novo”. Preciso aprender e viver que para nascer de novo é preciso morrer antes, uma morte de cruz. Como diz Tozer, 
“a cruz sempre cumpre sua finalidade destruindo um padrão estabelecido, o da vítima, e criando outro padrão, o seu próprio. Assim, as coisas sempre saem como ela quer. Ela vence ao derrotar seu oponente e impor sua vontade sobre ele. A cruz sempre domina. Nunca entra em acordos, nunca faz trocas nem concessões, nunca cede um ponto a favor da paz. Ela não se importa com a paz; importa-se apenas em terminar mais rapidamente possível a oposição contra ela.
A cruz não somente trouxe um fim à vida de Cristo, mas também à primeira vida, a vida velha, de cada um dos seus verdadeiros seguidores. A cruz destrói o padrão antigo, o padrão de Adão, na vida do crente e o traz a um fim. Então, o Deus que ressuscitou Cristo dos mortos, ressuscita o crente, e uma nova vida começa. Isso, e nada menos, é o verdadeiro cristianismo. Em relação à cruz, só podemos fazer uma de duas coisas - fugir dela, ou morrer nela”
Acho que Nicodemos entendeu, morreu e nasceu de novo. E se isso aconteceu com ele, eu, como também sou fariseu, também posso passar por isso.
Marcos 15:43 e Lucas 23:50 dizem que outro fariseu, membro importante do Sinédrio, esperava o reino de Deus” e era “discípulo de Jesus”. Ainda posso ser como José de Arimatéia, ao discernir que as Escrituras que ele amava estavam se cumprindo ali, diante de seus olhos.
Minha esperança é ser como aquele outro fariseu, que se orgulhava de sua ortodoxia, de seu currículo, até de seus antigos mestres. Era “o cara”, tanto que um dia caiu do cavalo - nos sentidos literal e figurado - e teve seus olhos abertos por Jesus. Daí para a frente se tornou outra pessoa. Mudou até de nome, de Saulo para Paulo.
Peço a Deus que um dia possa ser como esses, ex-fariseus, descer do pedestal e dizer como o publicano: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador”.

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domingo, 7 de abril de 2013

O silêncio profético

O atual ocupante do trono do Vaticano, Jorge Bergoglio, a.k.a. “papa” Francisco I (doravante abreviado neste blog para F1), disse, por ocasião de sua posse, que há momentos em que parece que Deus está em silêncio. Referia-se à existência do mal no mundo e à aparente impunidade reinante, apesar de Deus ser justo. Eu gostaria que ele lesse este link, mas é provável que isso não ocorra. Mas já houve épocas em que as pessoas diriam que Deus estava ausente. Sabemos de pelo menos dois períodos assim: o tempo compreendido entre o final de Gênesis (quando os descendentes de Jacó desceram ao Egito) e o início de Êxodo (quando então já são escravos dos egípcios); e entre o final de Malaquias (último livro do Antigo Testamento) e o inicio do Evangelho de Mateus (primeiro livro do Novo Testamento). Ambos os períodos coincidem pelo menos na duração: 430 anos cada.
Fato é que, antigamente, as Bíblias vinham com quatro páginas em branco, entre o Antigo e o Novo Testamentos. Essas páginas simbolizavam quatro séculos, o tempo em que “Deus permaneceu em silêncio”, conhecido como “O Silêncio Profético”. “Esse intervalo [depois de Malaquias] pode ser melhor compreendido se levarmos em consideração que nenhum profeta inspirado ergueu-se em Israel, pois o Antigo Testamento já estava completo aos olhos dos judeus”, informa a professora Cristina Santiago, da Faculdade Batista Brasileira de Salvador, Bahia.
Sabemos que nesse tempo ocorreram grandes, profundas e significativas mudanças tanto no panorama geral da humanidade (gentios) e dos judeus em particular, nos aspectos geo-políticos, culturais e religiosos. Você pode consultar uma enciclopédia para observar certos fatos – a maioria deles preditos pelos profetas, em especial Daniel – como por exemplo a sucessão de potências (impérios) dominantes. Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma se sucederam, e sob o governo dessas potências estrangeiras o povo judeu foi sendo moldado para o maior advento da História até então – a vinda do Messias. Eu destacaria como fatos cruciais dessa época, e que podem ter algum paralelo com os nossos dias:
Nos últimos 100 anos do Velho Testamento e até um pouco mais adiante, Israel esteve sob controle persa (entre 532 e 332 a.C.). Um tempo de relativa paz, pois os persas até deram permissão para reconstruir o templo (IICrônicas 36:22-23; Esdras 1:1-5). Mas muitos judeus permaneceram na Pérsia: é dessa época o livro de Ester. Os que voltaram a Israel se reorganizaram sob a liderança de Esdras, Neemias, Ageu, Zacarias, o sacerdote Josué e, mais tarde, Malaquias. Num primeiro momento, houve um reavivamento (Esdras 10; Neemias 10 a 13). Os judeus abandonaram a antiga tendência à idolatria, mas passaram a valorizar demais o formalismo e à religiosidade, sem a verdadeira essência espiritual. O império persa é a segunda potência profetizada por Daniel anos antes (ver Daniel 7:5, 17; 8:20), pois o reino babilônico (o primeiro animal) já fora substituído e seu último rei, Belsazar, derrotado pelos medo-persas (Daniel 5:31-31 e 9:1);
A ascensão dos gregos, chefiados pelo macedônio Alexandre “o grande”. Ex-aluno do filósofo Aristóteles e um mestre da política, promovia a cultura grega em todo território conquistado. Como resultado, o Velho Testamento hebraico foi traduzido para o grego, gerando a tradução conhecida como “Septuaginta”. Nota importante. Aqui começa a inclusão de livros não inspirados no Cânon Hebraico. Isto aconteceu porque seus tradutores, judeus liberais, estavam mais interessados em enriquecer o acervo do que era, na época, a maior biblioteca do mundo, em Alexandria, no Egito, e de agradar a Alexandre, “o grande”. A versão Septuaginta” (ou “dos 70”, alusão ao número de escribas que trabalharam nela), e os tais livros inseridos jamais foram aceitos pelos judeus ortodoxos. Esses livros refletem duas correntes rabínicas (halákica” ou jurídica, e hagádica” ou histórica, esta inclinando-se para o apocalíptico), e formam mais ou menos três grupos:
Históricos (Livro dos Jubileus; Vida de Adão e Eva; Ascensão de Isaías; III Esdras; O Testamento de Moisés; Eldade e Medade; e mais tarde Macabeus e a História de João Hircano); Didáticos (Testamento dos Doze Patriarcas; Salmos de Salomão; Ode de Salomão; Oração de Manassés; e depois IV Macabeus); e os Apocalípticos (Livro de Enoque; Ascensão de Moisés; IV Esdras; Apocalipse de Baruque; Apocalipse de Elias; Apocalipse de Ezequiel; e Oráculos Sibilinos). Voltaremos aos apócrifos mais adiante.
Na época dos gregos houve forte influência do estilo de vida helênico, uma ameaça humanística e mundana a Israel. A Grécia foi o terceiro animal predito por Daniel (8:20-22). Aqui surgem os Macabeus.  Antíoco IV “Epifânio” (175-164 a.C.), descendente de um dos generais de Alexandre, odiava os judeus e destituiu o sumo sacerdote, proibiu o sacrifício diário e erigiu um altar a Zeus dentro do templo, chegando a sacrificar ali um porco. Em 167 a.C., Matatias, um sacerdote, rebelou-se. Seus filhos Judas, Simão e Eleazar (conhecidos como “os Macabeus” ou “Hasmoneus”), depois de muitas batalhas conquistaram Jerusalém e purificaram do templo, instituindo a festa “da dedicação” para comemorar a tomada da Cidade Santa e a consagração da Casa de Deus (Hannukah, “festa das luzes”, João 10:22).  A revolta dos macabeus fortaleceu o nacionalismo e fomentou grupos como os zelotes, que “zelavam” pela observância da lei e odiavam os estrangeiros, usavam de violência e promoviam até mesmo atentados e assassínios. A esse grupo pertencera Simão, discípulo de Jesus (Mateus 10:4; Lucas 6:15; Marcos3:18; Atos 1:13).
A chegada dos romanos, o quarto e terrível animal de Daniel 7:7, 19, é a profecia que se cumpriu parcialmente entre 63 a.C. (quando o general Pompeu conquista a Judéia) e 70 d.C. (quando Tito incendeia o templo construído por Herodes – que está sendo replicado agora mesmo em São Paulo). Parcialmente porque parte disto se completará quando vier o Anticristo, mas isto é outro assunto. Sob o domínio romano se dá o ressurgimento da esperança messiânica, quando aparecem os essênios, não mencionados na Bíblia, mas que professavam uma vida austera de separação quase monástica, abstinência, meditação, trabalho zeloso, comunidade de bens e celibato. Nas cavernas do Mar Morto, em 1948 d.C., se encontraram muitos dos seus escritos, onde se nota seu interesse apocalíptico, e diversas porções das Escrituras que permitem comprovar que não houve alteração no texto sagrado desde aquele tempo. Para desgosto dos agnósticos e críticos da Bíblia.
Durante o período greco-romano, surgiram outros grupos políticos e religiosos relevantes. Os antecedentes dos fariseus foram os reformadores dos tempos de Esdras e Neemias. Quando Matatias revoltou-se, os “hassidim” (“piedosos”) o apoiaram e, mais tarde foram denominados “perushim” (“separados”). Os fariseus adicionaram à Lei de Moisés a tradição oral – eventualmente considerando suas próprias interpretações mais importantes que o próprio texto original (veja Marcos 7:1-23), e se tornaram legalistas e sem compaixão.
Um outro grupo era o dos saduceus, ricos e aristocratas, que tinham poder no Sinédrio (um tipo de parlamento ou Suprema Corte, que assim como as sinagogas, se consolidou durante esses séculos). O nome saduceu possivelmente vem de Zadoque, o sumo sacerdote dos tempos de Davi (II Samuel 8:17  e 15:24). Rejeitavam todos os livros do Velho Testamento menos os mosaicos. Ensinavam que não há ressurreição, nem galardão, nem castigo, como os atenienses de Atos 17:32, talvez por estarem cansados de ver tantas desgraças. Negavam a existência de espíritos e anjos; enfatizavam a liberdade da vontade humana. Enquanto os fariseus eram nacionalistas, a tendência dos saduceus era absorver a filosofia e a cultura grega. Eram como uma sombra dos gregos, a quem admiravam.
O terceiro segmento era o dos herodianos, uma espécie de elite social religiosa que apareceu, obviamente, no reinado de Herodes. Tinha muitos sacerdotes, que davam apoio ao rei e aos costumes romanos, para com isso conseguir vantagens (Mateus 22:16-18; Marcos 3:6). 
Outro grupo era o dos escribas, da tribo de Levi como os sacerdotes, sendo também escrivães e escritores. Nos tempos de Cristo eram conhecidos como os “doutores da lei”, aceitos como autoridades na interpretação da lei mosaica. Pertenciam à seita dos fariseus, mas eram uma classe à parte. 
Qual é o paralelo com nossos dias? Quem são os fariseus de hoje? Talvez não seja difícil identificá-los. Podemos facilmente associar alguns conhecidos nossos à imagem de santarrão, o popular “santo-do-pau-oco”. Só não devemos os esquecer de olhar no espelho de vez em quando.
Mas, e os saduceus? Será que ainda existem por aí? Acho que sim. Admiram a “cultura moderna”, os métodos modernos de administração e crescimento, de arrecadação de recursos; a “música moderna”, a “moda moderna”, os cabelos, as roupas, as tatuagens e piercings. Irmãs que vão “à igreja” de blusa “frente-única” e calça de academia de ginástica. Homens usando brinco. Pastores fazendo implante de cabelo, delineando a sobrancelha, pintando as unhas, fazendo depilação, lipo-aspiração e redução do estômago. Pastores gastrônomos. Líderes evangélicos que apoiam união homossexual. Estão aí mesmo, agora mesmo, numa igreja perto de você. Avançados, integrados na cultura e na sociedade.  Igrejas “inclusivas”. Louvam a Deus na “balada” com funk  e hip-hop “para Jesus”. Dizem que luta-livre e boxe na igreja não tem nada de mais. Modernos. Não crêem no mundo espiritual nem têm certeza da Eternidade. Pós-modernos.
E os herodianos? Ah, é fácil. Envolvidos com o mundo político, freqüentam os gabinetes das autoridades, em troca de apoio. Franqueiam o púlpito aos candidatos, à destra e à sinistra. Negociam verbas, horários na televisão, emissoras de rádio, cargos no governo. Até fazem oração para Deus proteger o fornecedor da propina. Não raro acabam investigados pela Polícia Federal e pela Receita. Mas sempre voltam, apoiando o candidato em quem meteram o pau na eleição passada, ou metendo o pau em quem apoiaram antes.
Não sei se existem zelotes. Pelo menos não são idênticos aos dos tempos bíblicos: não cometem atentados, ao que se saiba. Na essência, até que seria bom haver alguns que “zelassem” pela Palavra com ardor, rejeitando as profetices apócrifas de falsos apóstolos, e que não permitissem que “estrangeiros” tivessem preeminência entre o povo de Deus. Que abominassem acordos com os cananeus. Que lutassem contra os abusos com a mesma garra e obstinação dos macabeus, até que a Casa de Deus seja limpa de todo sacrifício impuro, e o fogo estranho seja apagado do altar.
Essênios, que mesmo sem precisar ir morar longe dos outros, preservassem um modo de vida separado do mundo, e que aguardassem esperançosamente a Vinda do Messias.
Vivemos os últimos dias. Como os hebreus no Egito, e os judeus sob o governo de Roma, somos pressionados pelas leis do Faraó e de César. Os governantes deste mundo não aceitam que tenhamos outro Senhor, ainda mais poderoso do que eles próprios. Também sabemos que não há novas revelações: a Palavra de Deus está completa, e nenhum profeta – se ainda os há – por mais ungido que seja, não pode acrescentar nada a ela. Temos que agir como os filhos de Jacó: nos agarrarmos à promessa da libertação. Deus não está surdo; Ele apenas aguarda o momento certo para agir. Temos que permanecer atentos ao toque da trombeta que anunciará o instante de levantarmos acampamento e partirmos para a Terra Prometida.
Temos que ser como os poucos judeus que, apesar da tirania de César, não perderam a esperança e aguardaram a chegada do Messias prometido. Havia muito tempo que não aparecia um profeta novo, o último fora Malaquias. Mas, firmes na promessa, perseveraram e viram a vinda do Filho de Deus. Simeão, Natanael, Ana, e mesmo os magos do Oriente, não se deixaram impressionar pela grandiosidade de Roma, pelo poder de Herodes, pela magnificência do Templo. Não estavam nem aí para a erudição dos fariseus, para o humanismo e a modernidade dos saduceus; não se contaminaram com a cultura dominante e “chique” dos gregos; não foram seduzidos pelo poder como os herodianos.
Sejamos como Simeão, Natanael, Ana e os magos do Oriente. Fiquemos firmes na promessa!

continua...

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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Dez verdades que pregamos...

...ou dez mentiras que praticamos?
Certo pastor estava buscando levar a igreja à prática da comunhão e da devoção experimentadas pela igreja primitiva (conforme descrita em Atos dos Apóstolos). Logo recebeu um comunicado de seus superiores:
- Estamos preocupados com a forma como você vem conduzindo seu trabalho ministerial. Você foi designado para tomar conta dessa igreja e a fez retroceder, pelo menos, uns 40 anos! O quê está acontecendo?
O pastor respondeu:
- 40 anos? Pois então lamento muitíssimo! Minha intenção era fazê-la retroceder uns 2.000 anos!
Atualmente
vemos um retrocesso da vivência e prática cristãs. Mas, infelizmente, não é um retrocesso como o da introdução acima. Algumas das verdades cristãs têm sido negadas na prática. Muitos de nós somos crentes teóricos, entretanto, ateus práticos. Segue-se uma pequena lista dos TOP TEN das verdades que pregamos (na teoria) acerca das mentiras que vivemos (na prática):
1 - “Só Jesus salva” é o que dizemos crer. Mas o que ouvimos dizer é que só é salvo, salvo mesmo, quem é freqüente à igreja, quem dá o dízimo direitinho, quem “toma a santa ceia”, quem ganha almas para Jesus, quem fala língua estranha, quem tem unção, quem tem poder, quem é batizado, quem se livrou de todo vício, quem está com a vida no altar, quem fez o Encontro, o pré-encontro, o pós-encontro, o re-encontro, o desencontro, quem foi na Clínica Espiritual, etc, etc. Resumindo: em nosso conceito de salvação, só é salvo aquele que não nos escandaliza.
2 - “Não existe pecadinho nem pecadão” é o que dizemos crer. Mas, diante da igreja, o único pecado é o sexo fora do casamento. Quando um irmão é pego em adultério, é comum ouvirmos o comentário: “O irmão fulano caiu...”. Ou seja, adultério é visto como uma “queda”. Mas a fofoca que leva a notícia do adultério de ouvido a ouvido é permitida (embora, na Bíblia haja mais referências ao mexeriqueiro do que ao adúltero). Estar com o nome “sujo” no SPC é permitido, embora a Bíblia condene o endividamento. Ser glutão é permitido, a “panelinha” é permitida, sonegar imposto de renda é permitido (embora seja mentira e roubo), comprar produto pirata é permitido (embora seja crime), construir igreja em terreno público é permitido (embora seja invasão). Copiar texto e imagem do blog dos outros também é roubo...
3 - “Autoflagelação é sacrifício de tolo”. Condenamos o sujeito que faz procissão de joelhos, que sobe escadarias para pagar promessas. Ainda assim praticamos um masoquismo espiritual que se expõe em frases do tipo:
- Chore que Deus responde...
- A hora em que seu estômago está doendo mais é a hora em que Deus está recebendo seu jejum...
- Quando for orar de madrugada, tem que sair da cama quentinha e ir para o chão gelado...
- Tem que pagar o preço...
- Tem que botar a cara no chão e chorar...
- Tem que botar a boca no pó...
4 - “Espírito de adivinhação é diabólico”
é o que dizemos crer, mas vivemos praticando isso nas igrejas, dentro dos templos e durante os cultos:
- Olha só a cara do pastor. Deve ter brigado com a esposa...
- A irmã Fulana não tomou a ceia. Deve estar em pecado...
- Olha o irmão no boteco. Deve estar bebendo...
- Olha só o jeito que a irmã ora. É só para se mostrar...
- Olha a irmã lá pegando carona no carro do irmão. Hum, aí tem...

5 - “Deus usa quem ele quer”. Mas também dizemos: “Deus não pode usar quem está em pecado”; “Deus não usa ‘vaso sujo’ ”; “Como é que Deus vai usar uma pessoa cheia de maquiagem, parecendo uma prostituta?”.
6 - “Deus abomina a idolatria”
. Mas esquecemos que idolatria é tudo o que se torna o objeto principal de nossa preocupação, lealdade, serviço ou prazer. Como renda, bens, futebol, sexo ou qualquer outra coisa. A questão é: quem ou o quê regula o meu comportamento? Deus ou um substituto? Há até muitas esposas, por exemplo, que oram pela conversão do marido ao ponto disso tornar-se numa obsessão idolátrica:
- Tenho que servir bem a Deus, para ele converter meu marido...
- Não posso deixar de ir a igreja senão Deus não salva meu marido...
- Preciso orar pelo meu marido, jejuar pelo meu marido, fazer campanhas pelo meu marido, deixar de pecar pelo meu marido...
Ou seja, a conversão do marido tornou-se o objetivo final e Deus apenas o meio para alcançar esse objetivo. E isso também é idolatria.
7 -
A Bíblia é a única regra de fé e prática cristãs”.
- Eu sei que a Bíblia diz, mas o Estatuto da Igreja rege...
- Eu sei que a Bíblia diz, mas nossa denominação não entende assim...
- Eu sei que a Bíblia diz, mas a profeta revelou que é assim que tem que ser...
- Eu sei que a Bíblia diz, mas o homem de Deus teve um sonho...
- Eu sei que a Bíblia diz, mas isso é coisa do passado...

8 -
Deus me deu esta benção!...
- Mas eu paguei o preço.
- Mas eu fiz por onde merecê-la.
- Mas não posso dividir com você porque posso estar interferindo na vontade de Deus. Vai que Ele não quer que você tenha...
- Se você quiser, pague o preço como eu paguei.
9 - Não se deve julgar pelas aparências. As aparências enganam”... mas freqüentemente nos deixamos levar por elas para emitir juízos acerca dos outros. Julgamos pela roupa, pelo corte de cabelo, pelo tamanho da saia, pelo tipo de maquiagem (ou a falta dela), pelo jeito de andar, de falar, pelo aperto de mão, pela procedência. Freqüentemente, falamos ou ouvimos alguém falar: “Como você é diferente do que eu imaginava. Minha primeira impressão era de que você era outro tipo de pessoa”.
10 -
A santificação é um processo de dentro para fora – mas na prática não basta ser santo, tem que parecer santo. Se a tal “santificação” não se manifestar logo em um comportamento pré-estabelecido, num jeito de falar, andar, vestir e de se comportar é porque o sujeito não se “converteu de verdade”...

Que possamos transformar nossas falas em prática, deixando de lado a hipocrisia e a falsidade. Esse negócio de “faça o que eu digo e não o que eu falo” não funciona mais!

(editado a partir de um texto que recebi por e-mail)
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domingo, 22 de agosto de 2010

Apontar o erro é pecado?

Qualquer pessoa que desenvolva um trabalho apologético enfrenta uma série de oposições. Para os que não estão familiarizados com o termo, Apologia é a arte e a ciência de defender a fé cristã. Nos tempos dos gregos, quando alguém era acusado de alguma infração, tinha a oportunidade de prestar sua “apologia”. Para os cristãos, isso poderia significar responder à pergunta: “Por que vocês acreditam em Jesus? Será que Deus é Deus mesmo?”, ou “Por que os cristãos acham que só eles têm a verdade?”.
Dessa forma, apologia é em primeiro lugar uma defesa, mas também implica desafiar crenças diferentes para que se determine qual delas possui elementos válidos e críveis, capazes de merecer nossa atenção e consideração. O apóstolo Paulo ressaltou este ministério como “defesa e confirmação do evangelho” (Filipenses 1:17). Pedro concordou, ao dizer que deveríamos estar “sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (I Pedro 3:15). Ou seja, devemos saber em que e por que cremos, tendo a Palavra infalível de Deus como parâmetro.
Mas, quando nos deparamos, aqui do lado da gente, com práticas e costumes que nada têm a ver com o verdadeiro cristianismo, tais como velas, santos, procissões, missas, hóstia, batismo de criança? Quando vemos igrejas evangélicas consagrando patriarcas, apóstolos, bispas, usando shofar, pedindo dízimos, oferta alçada, de primícias, construindo réplicas de templos judaicos? Cantores evangélicos fotografados bebendo em festas, outros dizendo que Jesus poderia ser líder de banda gospel, pastores vendendo Bíblias de R$900 e gastando fortunas em aviões e carros de luxo? Quando aparece igreja promovendo balada gospel, festa junina, luta livre, apoiando nudismo evangélico, casamento gay? Pastores vendendo seus púlpitos, seu rebanho, seus votos, a candidatos de ocasião?
Podemos julgar tais atos? Muitos se sentem ofendidos e citam Mateus 7:1 - "Não julgueis, para que não sejais julgados" - em sua própria defesa. Então perguntamos:
Estamos cometendo pecado ao apontar os erros das pessoas? Será que só mesmo Deus pode julgar?
A resposta direta é: podemos – e devemos – julgar as atitudes dos outros sim, com a autoridade que Deus nos dá por Sua Palavra. 
Mário Persona alerta para que tomemos cuidado para não misturar duas coisas:
1. Julgar as pessoas, seu coração, intenções etc., cabe somente a Deus;
2. Julgar as ações e práticas, pecados, erros etc., cabe a cada um de nós. Para o primeiro caso temos passagens como Mateus 7:1
"Não julgueis, para que não sejais julgados".

Para sabermos de que tipo de julgamento Jesus proibiu nesta passagem vamos analisar o contexto. “Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (versos 2 a 5).

Analisando o contexto podemos ver claramente que Jesus proíbe especificamente o “julgamento hipócrita”. Jesus diz aos judeus no versículo 1 que eles não devem julgar. No versículo 2, ele dá a razão pela qual eles não devem julgar: o padrão que eles usam para julgar os outros será o mesmo padrão que os outros usarão para julgá-los. Eles não devem ignorar seus próprios pecados, enquanto condenando os mesmos pecados nos outros. Fazer isto é julgar com um “padrão Duplo”, ou seja, julgar hipocritamente.
Não é hipócrita condenar o irmão por uma pequena falta, ou mesmo tentar ajudá-lo a sobrepujá-la, quando você mesmo é culpado de uma falta maior? Esta é a grande questão que Jesus estava colocando diante do povo nesta passagem.
Outra passagem bastante utilizada é João 8:7-11. O contexto é a história da mulher que foi pega no próprio ato de adultério e trazida a Jesus pelos escribas e fariseus. No versículo 7, Jesus diz aos acusadores: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra”. E no versículo 11 ele fala para a mulher: “Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais”. Os defensores da tolerância usam estas palavras para argumentar que ninguém deveria condenar outras pessoas, pois não é melhor que elas. 
Para o segundo caso - julgar as ações e práticas, pecados, erros etc. - temos "JULGUEIS" em várias situações:
João 7:24 "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça".
I Coríntios 6:2-5
"Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois, porventura, indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? Para vos envergonhar o digo: Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos?"
I Coríntios 5:12-13
"Porque que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo".
I Coríntios 14:29
"E falem dois ou três profetas, e os outros julguem" (o que foi falado).
Todo aquele que crê em Cristo como Salvador e Senhor é salvo, independente de onde está congregado e de seu modo de adorar a Deus. Mas cabe àqueles que se importam com esses irmãos ajudá-los a entender as Escrituras. Veja o que dizem os apóstolos inspirados pelo Espírito Santo: Romanos 12:8 "o que exorta, use esse dom em exortar".
Tito 2:6-15 "Exorta semelhantemente os jovens a que sejam moderados... Fala disto, e exorta, e repreende com toda a autoridade".
II Timóteo 4:2-3 "... que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não sofrerão [suportarão] a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências".

A apostasia é o abandono da verdade. Existe uma diferença entre aquele que deliberadamente abandona a verdade e aquele que ignora que esteja na prática errada. Lucas 12:47 diz que "o servo que soube a vontade do seu senhor e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites". A passagem mostra como é importante andarmos conforme aquilo que o Senhor nos tem mostrado. Será que cada um deve agir de acordo com o que achar melhor?
Juízes 21:25 "Naqueles dias, não havia rei em Israel, porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos". Temos respaldo das Escrituras para avisar àquela pessoa que não temos hoje um altar como antigamente, ou que deve tirar o ídolo dali.
Ciro Zibordi escreve que “devemos julgar tudo com bom senso (I Coríntios 14:33; Atos 9:10,11). Você pode me julgar, analisar o que eu escrevo, examinar, contestar, sabia? Mas com bom senso, à luz da Palavra de Deus, e não de maneira agressiva, com um comportamento de fã, defendendo o seu grupo ou seu cantor preferido. E não basta fazer citações bíblicas. É preciso saber citar versículos bíblicos que estejam em harmonia com contexto. É necessário saber manejar bem a Palavra de Deus (II Timóteo 2:15).
Devemos julgar, ainda, de acordo com cumprimento da predição, no caso da profecia (Ezequiel 33:33; Deuteronômio 18:21,22; Jeremias 28:9), se bem que apenas isso não é suficiente para autenticá-la (Deuteronômio 13:1,2; João 14.23). [Uma] “apóstola” ... afirmou que Jesus voltaria num dos sábados de julho de 2007 Muitos esperaram o seu cumprimento até o último sábado... Mas, no caso desta predição, não era nem necessário esperar, pois já estava reprovada desde o início pelo teste da Palavra.
Finalmente, devemos julgar de acordo com a vida do pregador, da cantora, do profeta ou do milagreiro (II Timóteo 2:20,21; Gálatas 5:22) se...
Ele(a) tem uma vida de oração e devoção a Deus? Honra a Cristo em tudo, não recebendo glória dos homens?Demonstra amar e seguir a Palavra do Senhor? Ama os pecadores e deseja vê-los salvos? Detesta o mal e ama justiça? Prega contra o pecado, defende o evangelho de Cristo e conduz a igreja à santificação? Repudia a avareza, ou ama sordidamente o dinheiro?”
Concluímos que algumas passagens da Escritura parecem proibir o julgamento, enquanto outras claramente exigem isso. Estudando os contextos daquelas que parecem proibir o julgamento, descobrimos que o que é proibido não é realmente o julgamento em si, mas sim um tipo errôneo de julgamento. Deus odeia o julgamento hipócrita! Mas Deus ama o julgamento justo da parte dos seus filhos. Portanto, é dever de todo Cristão julgar!
“Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado” (Gálatas 6:1). “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina, pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se a fábulas” (II Timóteo 4:2-3).