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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Não seria melhor existir uma só religião?

Enquanto muitos se digladiam na Internet e especialmente nas redes sociais por conta de eleições, outros fatos vão passando despercebidos pela maioria dos cristãos. Por exemplo, temos visto quase toda semana, senão quase todo dia, notícias sobre a intensificação dos esforços do Vaticano, na pessoa do “papa” Francisco, para integrar as diversas religiões no que ele chama de “diálogo”. Primeiro ele recebeu Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla. Em seguida, esteve com o bispo metropolitano russo, Hilarion, “ministro dos negócios estrangeiros” do Patriarcado de Moscou. Na Sala Clementina do Vaticano, ocorreu outra reunião com os líderes e representantes de outras religiões. E a última audiência foi com o diretor executivo do Congresso Judaico Latino-americano, Claudio Epelman (fonte). Também se encontrou com o líder da Igreja Copta (cristãos egípcios) Tawandros II.
Já houve reuniões com protestantes e mórmons, incluindo os badalados Joel Osteen e Kenneth Copeland; com rabinos em Roma, com os muçulmanos na Itália. Aliás, os muçulmanos parecem ter aceitado Francisco muito bem. E agora, esteve na Coréia para não apenas marcar o território com a presença católica, mas também lançar mais uma vez o seu já batido discurso em prol da união.
Há pouco tempo, o ex-primeiro-ministro espanhol saiu-se com esta: “a criação de uma autoridade religiosa global para zelar pela paz mundial”.
Um pouco antes, em 2010, o “ex-papa” B16 já pedia “a união das religiões”. Aliás, o Vaticano já prega abertamente uma “união monetária mundial”, para resolver o problema das crises econômicas globais. E curiosamente, desde 2010 uma comissão da ONU esteve empenhada no que chama de esforços para a unificação das religiões.
Já sei, há quem diga que isto é normal e até desejável: líderes religiosos se encontrarem em busca de objetivos comuns, que seriam a paz mundial, o fim dos conflitos de cunho religioso, a convivência pacífica das diversas comunidades etc. Poderia até ser, se tudo isso não tivesse uma motivação mais política do que religiosa, entendendo-se por “política”, latu sensu:
- o poder ideológico, com base na influência que as idéias da pessoa investida de autoridade exerce sobre a conduta dos demais: deste tipo de condicionamento nasce a importância social daqueles que sabem, quer os sacerdotes das sociedades arcaicas, quer os intelectuais ou cientistas das sociedades evoluídas. É por eles, pelos valores que difundem ou pelos conhecimentos que comunicam, que ocorre a socialização necessária à coesão e integração do grupo;
- e o poder político propriamente dito, onde se pretende alcançar (pela ação dos políticos, em cada situação) as prioridades do grupo (ou classe, ou segmento nele dominante): nas convulsões sociais, a unidade do Estado; em tempos de estabilidade interna e externa, o bem-estar, a prosperidade; em tempos de opressão, a liberdade, direitos civis e políticos; em tempos de dependência, a independência nacional (Fonte dessas definições).
Esses vieses político-ideológicos podem ser facilmente identificados. A jornalista e escritora Berit Kjos relata ter participado em 1996 de uma conferência da ONU na Turquia (Habitat II), sobre assentamentos humanos, que definia políticas muito suspeitas em relação às diversas práticas religiosas. A lista dos 21 membros do painel incluía personalidades globais: Federico Mayor, diretor-geral da UNESCO; Maurice Strong, líder da ONU; Ismail Serageldin, vice-presidente do Banco Mundial; Millard Fuller, fundador de Habitat pela Humanidade. Junto com outros dignatários globalistas, eles falaram sobre uma “base espiritual para uma ética global evolutiva” para uma futura comunidade planejada. A jornalista relatou que a Conferência usou enormes galpões nas proximidades das docas de Istambul para expor modelos de cidades planejadas. Não havia igrejas: mas cada modelo tinha um grande local central de reuniões para comunhão e iluminação coletiva.
“O que é necessário é um centro interfé em cada cidade do globo”, disse James Morton, ex-deão da Catedral Episcopal de São João Divino, em Nova York. “Os novos centros interfé honrarão os rituais de todas as tradições: Islã, Hinduísmo, Jainismo, Cristianismo... e fornecerão oportunidades para a expressão sagrada necessária para vincular os povos do planeta em uma solidariedade viável, significativa e sustentável”.
Parece estranho? Só que esse “novo modo de pensar” – na prática, uma nova ideologia – já permeou todos os segmentos da sociedade: educação, empresas, governo, a mídia, as artes e a cultura. John Lennon já cantava há mais de 30 anos na sua célebre “Imagine” como seria bom se não existissem religiões (obviamente ele também queria que não existisse céu nem - principalmente - inferno...). Hoje em dia o maior defensor da união das religiões é Bono, do grupo U2.
Mas o Movimento de Crescimento de Igrejas, incluindo as que seguem o modelo Propósitos, também aderiu ao esquema. O ex-pastor Caio Fábio é um que usa a música do ex-beatle em suas pregações. E promovendo a transformação em todos esses setores estão os programas de treinamento de líderes que seguem a visão dos gurus da Administração, como Peter Drucker, Peter Senge e Ken Blanchard. A parte central de seu ensino é a “Teoria Geral dos Sistemas”, ou “Pensamento Sistêmico”. Em resumo, tudo está interconectado, portanto, tudo é Um e todas as divisões e fronteiras precisam ser eliminadas, de modo a estabelecer a “Vizinhança Global” – isto é, a Nova Ordem Mundial. Líderes emergentes, como Brian McLaren, chamam isto de “o Reino de Deus”.
Na edição de 18 de fevereiro de 2012, o Wall Street Journal publicou um artigo – “Religião Para Todos” – que se encaixa perfeitamente bem com a visão de mundo da ONU. O autor, Alain de Botton, apresenta um plano para uma unidade social que atenda às exigências da agenda global. Misturando tradições religiosas de todo o mundo, o plano moldaria nossas mentes, transformaria as comunidades e estabeleceria novas regras e rituais para todos (menos para o Cristianismo bíblico). Diz o artigo (ênfases acrescentadas):
“Uma das mais sentidas perdas da sociedade moderna é a de um sentido de comunidade. Tendemos a imaginar que existia antigamente um nível de proximidade que foi substituído pelo cruel anonimato... Ao tentar compreender o que erodiu nosso senso de comunidade, os historiadores atribuem um importante papel à privatização da crença religiosa que ocorreu na Europa e nos EUA no século 19. Eles sugeriram que começamos a desconsiderar os vizinhos ao nosso redor, ao mesmo tempo que deixamos de honrar nossos deuses como uma comunidade  [...] acredito que seja possível recuperar nosso senso de comunidade... sem ter de construir sobre um alicerce religioso  [...] Em um mundo sitiado por fundamentalistas, tanto da variedade secular quanto religiosa, precisa ser possível balancear uma rejeição da fé religiosa com uma reverência seletiva para rituais e conceitos religiosos  [...] as comunidades religiosas [...] usam tipos específicos de alimento e bebida para representar conceitos abstratos, dizendo aos cristãos, por exemplo, que o pão representa o corpo sagrado de Cristo.... e ensinando aos zen-budistas que suas xícaras com chá em lenta infusão são símbolos da natureza transitória da felicidade em um mundo flutuante  [...] tomando seus assentos em um Restaurante Ágape, os convidados encontrariam diante de si livros de orientações [...] Ninguém seria deixado sozinho para encontrar seu caminho para uma conversa interessante com outra pessoa... O Livro do Ágape instruiria os convidados a conversarem uns com os outros por períodos pré-determinados de tempo e a respeito de tópicos também pré-determinados” [...]
Ora, se isso não é uso de religião – mesmo uma coisa estranha como essa religião “ecumênica” – com fins políticos, então não sei mais do que se trata. E ninguém melhor para exercer o papel aglutinador desse movimento global do que o maior líder religioso do planeta, o Sr. Jorge Bergoglio, que chefia nada menos do que 1 bilhão ou mais de pessoas. Ele tem todas as ferramentas para acertar onde outros falharam.
A Maçonaria tentou juntar todos os gatos num balaio só, mas esbarra no fato de ser demasiadamente misteriosa e elitista, e sua aura de mistério chega a causar repulsa aos que a olham de fora. Símbolos, gestos e rituais estranhos não são exatamente apropriados a uma estratégia de globalização, e acho que nem eles querem isso. A exclusividade é uma característica de que os membros mais abastados não abririam mão.
Já o catolicismo, embora também tenha seus rituais e “mistérios”, atua na direção oposta, isto é, quanto mais gente, melhor. Por isso, desde o seu início, lá pelo século III ou IV, começou seu caminho rumo ao sincretismo, ou seja, a aceitação de elementos originalmente estranhos, com o objetivo de se tornar mais atraente aos diversos povos e civilizações com quem entrava em contato. Vêm daí os mitos e lendas de santos, as cerimônias elaboradas, o sacerdócio altamente organizado em hierarquias, etc.
17 séculos depois, ao experimentar um lento mas consistente declínio, ao lado da diluição das doutrinas e costumes protestantes (outrora radicalmente opostos) e do aumento das tensões entre cristãos e muçulmanos (principalmente nos países islâmicos), uma boa estratégia é vender a imagem de conciliador, de “bom pastor”, e da alegada necessidade de união e cooperação.
É evidente que isso interessa a quem já defende, de longa data, um governo global unificado. E nesse objetivo de controle total, a ONU e a igreja católica parecem caminhar de mãos dadas.
Não podemos esperar disso nada mais nada menos do que o renascimento da política medieval de união do poder civil e do poder religioso, uma estrutura miscigenada da qual não se pode fugir. Um poder tão forte que não dará a nenhum ser humano a opção de o rejeitar – só morrendo.
O citado Ismail Serageldin, ex vice-presidente do Banco Mundial, disse: “Vamos garantir que a mudança social e a transformação ocorram na direção certa... A mídia precisa atuar como parte do processo educativo que combata o individualismo”.
Incrível é que isso que hoje se desenha estava previsto há quase 2.000 anos, pois podemos ler nas páginas da Bíblia que [...] vi subir do mar uma besta [...] e deu-se-lhe autoridade sobre toda tribo, e povo, e língua e nação. E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra...” (Apocalipse 13:1, 7, 8);
e que [...] vi subir da terra outra besta [...] Também exercia toda a autoridade da primeira besta na sua presença; e fazia que a terra e os que nela habitavam adorassem a primeira besta [...] E operava grandes sinais, de maneira que fazia até descer fogo do céu à terra, à vista dos homens; [...] e enganava os que habitavam sobre a terra e lhes dizia que fizessem uma imagem à besta [...] E fez que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, lhes fosse posto um sinal na mão direita, ou na fronte, para que ninguém pudesse comprar ou vender, senão aquele que tivesse o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome”(idem, vs. 11-17). 
O que mais isso poderia significar? Para mim é simples: a primeira “besta” (no sentido de uma coisa terrível, inominável) exerce poder político de forma global (autoridade sobre toda tribo, e povo, e língua e nação) e a segunda “besta” é o braço religioso que apóia a primeira “besta” (exercia toda a autoridade da primeira besta; fazia com que todos a adorassem; operava grandes sinais; patrocinou a imagem para adoração) que por fim se funde à primeira com o poder econômico (fez com que a todos fosse posto um sinal, sem o qual a pessoa se torna um pária).
Não caminhamos a passos largos para essas coisas? Ou você se rende a esse sistema político-religioso-econômico que está em curso, ou será posto à margem.
Será que você está preparado(a) para o que poderá ser realidade em muito pouco tempo?


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