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domingo, 8 de maio de 2016

Se Jesus fosse católico...

...A última ceia com os apóstolos teria sido diferente. Ele não teria partido o pão, mas distribuiria pequenos biscoitos redondos de massa finíssima e teria dito para os apóstolos não morderem, mas deixarem derreter na boca. E depois pegaria o cálice de vinho e beberia sozinho, sem dar nada para ninguém, estragando todo o simbolismo da cerimônia. (Lucas 22:17-20; I Coríntios 11:23-25)
Se Jesus fosse católico, não teria dito ao ladrão na cruz ao lado que estaria com ele no Paraíso naquele mesmo dia. Pelo contrário, teria afirmado que, por não ter sido batizado e portanto ser um pagão, o ladrão teria que cumprir uma longa jornada no purgatório, para só então pode ser purificado – pelo fogo, não pelo sangue que estava sendo derramado naquela mesma hora – e então, talvez, ser admitido no céu. (Lucas 23:43; I João 1:7)
Se Jesus fosse católico, teria dito também que, para garantir a entrada no céu, a família do ladrão deveria mandar rezar uma missa de corpo presente, antes do seu sepultamento. Depois de uma semana, mandariam rezar uma missa de sétimo-dia. O mesmo procedimento deveria ser feito após um mês e após um ano da morte do coitado. E todos os anos, no dia de finados, eles deveriam ir rezar pela alma do condenado. Assim talvez ele entrasse no céu.
Se Jesus fosse católico, nunca teria afirmado que tudo que pedíssemos em Seu Nome receberíamos, mas sim que deveriam esperar que todos os apóstolos morressem, e só então, os devotos poderiam começar a rezar para os falecidos apóstolos para que eles, mesmo mortos, recolhessem as preces e as levassem a Jesus. Talvez, alguns pedidos mais simples fossem atendidos pelos próprios apóstolos defuntos, outros seriam distribuídos aos santos - igualmente finados - como numa repartição pública; e os casos mais complicados seriam atendidos só mesmo depois de levados à sua santa mãe. Jesus mesmo só em último caso, pois Ele estaria sempre muito ocupado. (João 14: 13, 14; 16:23)
Se Jesus fosse católico, de forma alguma teria entrado em Jerusalém montado num jumento, mas sim numa carruagem moderna,  toda pintada de branco, com uma cabine de vidro à prova de flechas, doada pelo melhor fabricante de carruagens de todo o império romano. (Mateus 21:1-15)
Se Jesus fosse católico, não teria repreendido Pedro dizendo “para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens”; ele teria seguido à risca o palpite do apóstolo e não teria ido a Jerusalém morrer por todos nós. Ele teria dito a Pedro: “sim, santo padre, perdoai minha fraqueza”. (Mateus 16:23)
Se Jesus fosse católico, Ele diria claramente que a pedra de esquina sobre a qual se ergueria a Igreja era Pedro. (Mateus 16:16-18). Aliás, se Jesus fosse católico, Ele teria se ajoelhado diante de Pedro e beijado os seus pés.
Se Jesus fosse católico, não existiria Cristianismo, porque Ele teria obedecido todos os ditames do antigo Judaísmo, para não causar nenhum cisma na religião de seus pais. Afinal, o Judaísmo era mais antigo, mais tradicional e mais conhecido. Ele nascera no Judaísmo tradicional e portanto, morreria no Judaísmo tradicional, ensinando o Judaísmo tradicional. Ele não poderia se sujeitar a ser chamado de cismático. (Mateus 5:22, 28, 32, 34, 39, 44 etc.)
Se Jesus fosse católico, não diria que o maior deve servir ao menor. Mas ao contrário, Ele estabeleceria uma escala entre os apóstolos, sendo Pedro o chefe e os demais seus subordinados, numa espécie de colégio apostólico de rígida hierarquia. (Marcos 10:42-45)
Se Jesus fosse católico, nunca teria confrontado os escribas e fariseus, porque eles seriam os guardiões da Palavra escrita, e graças a eles as Escrituras eram preservadas através dos séculos. Quem era aquele simples carpinteiro para questionar o Sagrado Magistério, a quem cabia ler e interpretar a Lei e os Profetas? (Mateus 5:22, 28, 32, 34, 39, 44 etc.)
Se Jesus fosse católico, jamais diria que os fariseus pecavam por darem mais valor às tradições humanas do que às Escrituras. Pelo contrário, ele os exaltaria como exemplo de manutenção de usos e costumes sem nenhuma relação com a Palavra de Deus. (Mateus 15:1-9; Marcos 7:1-13)
Se Jesus fosse católico, nunca teria dito a Maria “que tenho eu contigo?”, mas pediria a ela orientação de como agir naquela situação. E Maria nunca teria dito às pessoas “fazei tudo o que Ele vos disser”, mas teria ela mesma dado instruções para que o milagre fosse concretizado. (João 2:4, 5)
Se Jesus fosse católico, Ele não teria irmãos e irmãs, mas sim primos e primas. (Marcos 6:3)
Se Jesus fosse católico, não afirmaria que “o que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai” (Mateus 15:11; Marcos 7:15, 18-20). Ele teria dito que deveríamos observar dias em que não deveríamos comer carne, apenas peixe. (Lucas 5:33-34)
Se Jesus fosse católico, Ele teria dado o exemplo e seria o primeiro a chamar Pedro de “nosso papa”, e jamais teria afirmado que não deveríamos chamar ninguém de “pai”, a não ser Deus, que está nos céus. (Mateus 23:9)
Se Jesus fosse católico, ele teria sim onde recostar sua cabeça. Ele moraria num palácio bem ao lado do seu grande templo, com apartamentos privativos e uma sacada de onde falaria às multidões nos dias santos. Além disso, teria um castelo de verão para passar as férias, num local mais afastado e tranquilo. (Mateus 8:20)
Se Jesus fosse católico, Zaqueu não teria distribuído aos pobres o que roubara, mas teria doado tudo à santa e una igreja de Jesus como prova de submissão e penitência, e depois de raspar a cabeça, se tornaria um monge descalço que sobreviveria de esmolas. (Lucas 19:1-10)
Se Jesus fosse católico, nunca diria aos discípulos que eles seriam perseguidos, açoitados e levados a interrogatório diante dos reis e governantes deste mundo, mas profetizaria que eles seriam honrados pelos homens, levantados como líderes mundiais, como atalaias de nações e conselheiros de reis, para governar em nome de Deus. Diria que eles seriam os representantes de Deus na Terra, e como tais, teriam o direito divino de coroar e destronar reis e presidentes. (Marcos 13:9)
Se Jesus fosse católico, não pregaria nas sinagogas, nas praias e debaixo de árvores, mas sim no púlpito de bronze da recém-inaugurada sede mundial da “Igreja Una, Apostólica e Ecumênica”, ricamente decorada em mármore e pedras preciosas, construída com as ofertas dos fiéis e bens saqueados dos infiéis, incluindo ouro e prata das colônias e obras de arte de todos os cantos da Terra, sem falar nas doações dos governantes que quisessem ficar de boa com Ele.
Se Jesus fosse católico, nunca diria que não devemos nos assemelhar aos gentios (Mateus 6:8), nem que devemos ser sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13-16). Pelo contrário, ele diria que poderíamos continuar festejando aos deuses das nações idólatras, apenas mudando o nome deles para o nome dos mártires cristãos. Com isso teríamos um ano inteiro de dias santos e um calendário litúrgico com instruções especiais para cada festa.
Se Jesus fosse católico, ele defenderia a isenção de impostos para os líderes religiosos e seus templos (afinal, “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”). Com isso teria direito a um terreno no melhor lugar de cada cidade destinado à construção de um templo, nem que fosse ocupando o lugar de culto das outras religiões.
Se Jesus fosse católico, teria abençoado as galés romanas em suas missões de invasão em outros territórios, com a garantia de que os povos e países dominados fossem submetidos à fé cristã, e Roma deveria ter ciência de que era apenas beneficiária da terra que seria, de fato, posse de Cristo.
Agora, cá pra nós, se Jesus fosse católico, com toda certeza Ele reivindicaria a participação dos cristãos no Senado imperial. Ele diria no palanque, sob aplausos, que “a voz do povo é a voz de Deus”, e que um país só pode prosperar se for governado por pessoas justas e tementes a Deus.

Certamente, se Jesus fosse católico, não sofreria tanto.
Se Jesus fosse católico, ele não morreria por mim e por você. Em vez disso, Ele nos mandaria fazer milhares de penitências para pagarmos o nosso débito com Deus.

707.270

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Evangélicos e as eleições (de novo)

É sempre assim. A cada quatro anos, eles saem das tocas e aparecem com seus discursos ensaiados, cheios de emoção, raramente tendo algum fundamento lógico ou racional. As multidões que presenciam seus eventos saem animadas, acreditando em tudo que disseram, e prometendo seguir fielmente o que foi dito. Tudo isso para depois das eleições desaparecerem, ou pelo menos ficarem mais discretos, voltando, digamos assim, à normalidade. Sabe de quem estou falando?
Não, não é dos políticos. É de uma outra categoria de pessoas, que também depende da credulidade e da falta de espírito crítico das massas para poder sobreviver. Trata-se dos modernos “apóstolos”, que não perdem oportunidade para tentar uma boquinha no governo. De preferência uma que lhes agrade ideológica e politicamente (se é que têm noção dessas coisas); mas se não der, não tem problema. O importante é entrar na festa; depois, se for o caso, bandeia-se para a “oposição”, cospe-se no prato em que se comeu e busca-se outra sombra melhor.
Aqui vai um exemplo claro. Recentemente apareceu na mídia uma notícia dando conta de que começou uma “campanha de jejum e oração pelas eleições”. Essa campanha foi inventada por “líderes evangélicos” e “levitas” famosos. O objetivo? “proclamar que o Senhor Jesus Cristo é o único Senhor e Rei soberano da República Federativa do Brasil, por direito de criação e por direito de redenção”. E também escolher “12.000 sentinelas [intercessores] para levantar cobertura espiritual sobre o Brasil que vai eleger novos gestores públicos em âmbito estadual e federal”, e assim “acelerar, ocupar e influenciar pessoas, cidades e nações com os valores do governo de Deus”.
Uma espécie de manifesto explica que “a igreja deve experimentar um avivamento [com] poder de gerar a verdadeira mudança política e cultural na sociedade”.
Ora, sabemos da importância da intercessão – é uma prática que a Bíblia incentiva. Abraão suplicou por Ló e este escapou da destruição; Moisés intercedeu por Israel e foi ouvido; Samuel orou constantemente pela nação; Daniel orou pela libertação do seu povo; Davi suplicou pelo povo; Cristo rogou por Seus discípulos e fez especial intercessão por Pedro; Paulo é exemplo de constante intercessão. Mas aqui já vemos a diferença entre o Velho e o Novo Testamentos: antes, muitas vezes a nação era objeto da intercessão; agora, não. Deus presentemente trata com indivíduos, e não com nações. Esse tratamento com as nações será retomado na Tribulação: tanto é verdade que esse período consiste exatamente no julgamento das nações. Não há intercessão “pelas nações” na Era da Igreja. Começa aí a confusão.
E de onde será que tiraram essa idéia de “12.000 sentinelas”? Porque não 40 milhões, que é o número (estimado) de cristãos evangélicos do Brasil? Será que o apelo á intercessão não se aplica a todos os cristãos? Por que só a uma casta privilegiada e “sacerdotal”? E por que o número “12.000”? Isso parece mais um apelo à crendice popular e cabalística, um certo “misticismo” pseudo-cristão que eu chamo de “numerologia evangélica”.
E mais: onde na Bíblia se encontra uma ordem de Jesus Cristo, o Cabeça da Igreja, dizendo “Ide, acelerai, ocupai e influenciai pessoas, cidades e nações com os valores do governo de Deus”? Onde Ele ensina que precisamos “transformar nações [...] e gerar mudança política e cultural na sociedade”? Qual é a passagem bíblica que traz esses ensinamentos?
É sabido que esse pessoal pertence àquela facção da Cristandade que atende pela pretensiosa denominação de “Nova Reforma Apostólica” – o que já denota a sua arrogância. Querem se comparar, e até mesmo superar, a Reforma do século XVI com Lutero, Calvino e outros heróis da fé. Eles mesmos assumem isto, como você pode constatar aqui neste link. O que eles pretendem? O que pensam? O que pregam?
Seus principais mentores são C. Peter Wagner e Chuck Pierce; e outros como Rony Chavez; Ana Mendez; Neuza Itioka; Valnice Milhomens; Renê Terranova; Cindy Jacobs; John Eckhardt; etc. Você pode procurar depois na Internet. E talvez fique espantado com a quantidade de seguidores que eles já têm em nosso país. Geralmente são apoiados por “levitas” como David Quinlan e outros, muitos outros, que divulgam excrescências como “louvor profético”, “adoração extravagante”, “dança profética”, “transferência de gerações” e outras aberrações. Seus ensinos baseiam-se, muitas vezes, em teorias de administração e marketing, como as de George Barna, Alvin Toffler, Peter Drucker, Peter Senge e Ken Blanchard (como expus aqui neste link).
Peter Wagner mesmo defende o crescimento exponencial do número de membros, usando técnicas de network-marketing, a popular “pirâmide”, como G12, M12 etc. E diz que o “apóstolo moderno” é “espontaneamente reconhecido pelas igrejas”. E aí sou obrigado a perguntar: quem, dessa lista de “apóstolos modernos”, foi “espontaneamente reconhecido” pelas igrejas? Na maioria dos casos, eles foram impostos como tais, devendo a obediência a eles ser adotada por decreto, sob risco de excomunhão. Interessante  é que se trata de uma “ação entre amigos”: eles mesmos dizem que para ser apóstolo, precisa ser “ungido” por outro “apóstolo”. Ou seja, fica tudo no mesmo clube. Você duvida? Diga a algum membro dessas igrejas que você não crê no apostolado de um desses fulanos, para ver o que acontece. Eu mesmo levantei essa questão antes, neste link: “será que existem apóstolos hoje em dia”?
Pode-se então notar claramente que o objetivo não é, como parece, “interceder pela transformação da nação” - o que em si é altamente questionável, pois a Bíblia não nos manda “transformar nações” e sim pregar o Evangelho a pessoas, indivíduos, uma vez que salvação na presente dispensação é de caráter pessoal e não nacional, o que eu explico melhor aqui neste link e neste outro . O objetivo, na verdade, é participar do governo terreno “em nome de Deus”, exatamente como defendia Agostinho em sua obra “A Cidade de Deus”. Agostinho defendia a ideia de que o reino de Deus é exercido pela igreja na terra. Um equívoco total, fruto de uma visão de mundo muito pessoal. Ele escreveu isso por volta do ano 400 da era cristã, quando a igreja, então se transformando de cristã em católica, crescia com o apoio do governo temporal. Agostinho imaginou então que a igreja poderia governar o mundo por sua influência no poder político, aliando-se aos reis e magistrados. Daí o costume medieval de sempre o rei ser coroado pelo bispo ou até mesmo pelo “papa”. Mas nada disso se aplica à verdadeira Igreja de Cristo.
Os ensinos desses novos “apóstolos” estão levando muitos evangélicos a pensar que estão preparando a Terra para o reinado de Cristo. Sua doutrina se traduz, basicamente, nesses pontos:
I) Satanás usurpou o domínio da Terra através da tentação de Adão e Eva;
II) A Igreja é o instrumento de Deus para recuperar esse domínio;
III) Jesus não pode voltar, nem voltará, até que a Igreja tenha recuperado o domínio, pelo controle das instituições governamentais e sociais da Terra
(leia mais aqui).
Assim, vende-se a idéia de que, entrando (e dominando) a esfera política, aceleramos a vinda de Cristo para que, quando Ele chegar, o poder já esteja consolidado nas mãos da igreja, por meio de seus “apóstolos” e – incrível isso – seus “generais”!
O próprio Chuck Pierce, em suas mensagens repletas de esoterismo e numerologia, diz que “os cristãos irão realizar sinais e maravilhas, e controlar sete montanhas de influência cultural – governo, educação, religião, família, artes e entretenimento, negócios e mídia – para fazer um reino cristão para Jesus retornar e governar”.
Isso é uma das maiores mentiras do Diabo. A verdade é que, como a Igreja será arrebatada a qualquer momento, jamais terá destaque na Terra sem a companhia do Noivo. Enquanto a Igreja de Jesus estiver na Terra, habitando corpos de carne, jamais alcançará, como Cristo não alcançou, qualquer destaque entre os homens. Aqui está o engano. Não há nas Escrituras margem para se crer que a Igreja reinará ou governará na presente era (antes do Arrebatamento). Pelo contrário! Entretanto, os que não se guiam pelas Escrituras são levados a crer que estão aperfeiçoando o que Deus projetou. Por isso “nova reforma”, o “novo de Deus”, um “novo mover”, “novas revelações”, “estabelecer um novo tempo”! Preste atenção!
Eles pregam a “teologia da substituição”, como os católicos. Deus teria deixado Israel de lado, por sua incredulidade, e estabelecido “um novo Israel”, e agora a igreja é a beneficiária das bênçãos antes prometidas a Israel. Duas consequências graves dessa teoria: o anti-semitismo (pregado por muitos pastores), já que Israel negou Jesus e merece sofrer (baseado em Mateus 27:25, “o seu sangue caia sobre nós e nossos filhos”), e a teologia da prosperidade, que assume para si as promessas de bens terrenos – que eram para Israel (baseados em Deuteronômio 30:9; Josué 1:3; Isaías 61:6, etc.).
Os líderes evangélicos, como os “papas” medievais, estão totalmente seduzidos pelo poder temporal. Fazem de tudo para conquistar a atenção dos políticos, tentando “influenciar e acelerar” processos de cunho meramente eleitoreiro. Para se justificar, apelam para Provérbios 29:2 (“Quando os justos governam, alegra-se o povo; mas quando o ímpio domina, o povo geme”), querendo com isso se auto-proclamar “justos”. Ou seja, só seremos abençoados se os escolhermos para dirigentes da nação! Esquecem-se de que o Brasil já teve presidentes evangélicos, e nem por isso o povo se alegrou...
Vejam esse Silas Malafaia. Primeiro, em 2010 disse que apoiava Marina, porque ela seria “evangélica”. Depois, quando ela passou a andar de beijos e abraços com o notório ex-terrorista Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, no então Partido Verde, com o “pai-de-santo” Luiz Bassuma e recebeu apoio total e irrestrito do padre “new-age” Leonardo Boff, voltou atrás e vislumbrou em José Serra a sua chave para a prosperidade. Não deu certo.
Agora, em 2014, hipotecou seu apoio (e de sua boiada cativa) à candidatura natimorta do pastor Everaldo. Mas como ele sabe que não há a mais remota possibilidade de vitória, declarou que apoiaria Marina no segundo turno  - e a boiada deveria ir junto. E explicou que o apoio a Everaldo é apenas para lhe ajudar a ter visibilidade. A menos, é claro (em se tratando de Malafaia, sempre tem um “senão”) que Marina obedeça a cartilha de seu partido e permaneça a favor do aborto, da união (casamento) gay e da liberação das drogas. Aí Malafaia apoiará Dilma e vai detonar Marina, pois Aécio já afundou. É a famosa “maria-vai-com-as-outras”. Nesse meio-tempo, ele cansou de malhar o PT, mas levou o candidato do partido ao governo Rio à sua igreja e até “o apresentou” lá na frente. O que mudou?
É por essa e por outras que eu repudio todo e qualquer pastor que queira influenciar seu rebanho, sua congregação, a mídia, seguidores do Facebook e assemelhados, a votar nesse ou naquele candidato. Por mais querido e amigo que seja, me desculpe. Já falei mais de uma vez: isto não é “dar uma opinião” ou “revelar sua opção”, é tráfico de influência! Isso mesmo, repito, tráfico de influência. Cada um pode e deve ter sua opção, mas a partir do momento em que você tem uma audiência cativa, se coloca numa posição de liderança espiritual e autoridade (ainda que questionável) e coloca essa opção para a galera, está criando um curral eleitoral, doa a quem doer. Está vendendo a fazenda, como se dizia antigamente, “de porteira fechada”, isto é, com tudo que está lá dentro. O pastor é candidato? OK, mas então que faça como os radialistas, saia de licença três meses antes do pleito, pare de pregar no púlpito, vá fazer campanha da porta do templo para fora, lá na rua. O pastor gosta desse ou daquele partido? OK, mas nada de levar seus candidatos preferidos para fazer farol na igreja. O pastor quer arranjar uma boquinha no governo com a desculpa esfarrapada de “governar em nome de Deus”? Que vá puxar saco lisonjear o candidato lá no gabinete dele; fazer isso escancaradamente na Internet e na TV só rebaixa o “líder espiritual” ao nível de aventureiro e interesseiro.
Ainda mais quando esse “líder espiritual” manifesta sua opção política a cada quatro anos; e pior ainda, quando muda de opinião com as estações do ano. Quando cisma de “levantar intercessores para mudar a nação”, para que a nação e o governo sejam de acordo com o que ele acha.  Sinto muito, mas estou fora desses caras.

Fontes externas:

domingo, 1 de julho de 2012

Pescadores de homens

Tenho visto com freqüência cada vez maior a realização de eventos supostamente evangélicos, tendo como tema “caipiras” (festas “juninas” ou, “pentecostalizando” o termo, festas “jesuínas”). Também já vi convites para festas “dos anos 60”: uma espécie de “festa à fantasia”, onde se comparece a caráter, usando roupas e adereços espalhafatosos, valendo até perucas. E para não perder tempo descrevendo essas bizarrices, vou logo para o supra-sumo do absurdo, que é a realização de lutas violentas dentro de templos ditos evangélicos. 
Isso que se convencionou chamar de esporte, o qual é identificado por uma sopa de letrinhas – MMA (mixed martial arts), UFC (ultimate fighting championship) e outras siglas – já é altamente duvidoso enquanto esporte, pois seus benefícios, se é que existem, são questionáveis, e seus prejuízos são notórios. E agora vêm pretensos evangélicos defender a sua prática, dentro das igrejas, ainda por cima.
Eu poderia aqui traçar um paralelo com a Igreja Primitiva, aquela que ainda não havia ainda se contaminado com os costumes pagãos, e perguntar se alguma vez Pedro, Paulo ou qualquer outro apóstolo teria a cara de pau de promover uma luta de gladiadores, “para evangelizar”.
Imaginemos uma epístola dizendo que, para atrair a atenção dos jovens, deveriam ser apoiadas e estimuladas sessões de pancadaria, findas as quais os gladiadores – sem dentes, braços quebrados, contusões generalizadas – se confraternizariam, dando glória a Deus. Então haveria uma pregação, enquanto os diáconos limpariam o sangue da arena. Afinal, é isso que estão propondo, e repetindo à exaustão, para tentar criar uma aura de “normalidade”. Apenas quero dizer que Paulo, quando teve oportunidade de escrever a um jovem, no caso Timóteo, deu-lhe um conselho um tanto diferente do que se prega hoje. Paulo, depois de enumerar uma série de práticas e costumes que observara, escreveu: Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão (I Timóteo 6:11).
Ou os cristãos, ignorando esse mandamento - fugir dessas coisas - imitariam os pagãos? Será que na época da colheita das uvas, quando os romanos celebravam suas festas em honra ao deus do vinho, os cristãos também fariam uma festa como as bacanais romanas? O que você diria se aqueles cristãos fizessem um festival na mesma data das bacanais”, regada a vinho, mas em honra de Jesus? Poderiam até dar um nome quase” cristão, quem sabe “jesuscristália”?  Se fosse hoje, a turma provavelmente se sairia com diversas teorias para justificar tal prática: afinal de contas, Jesus dissera que o vinho era parte da Santa Ceia. Os cristãos deveriam então aproveitar e fazer encenações teatrais, versando sobre temas evangélicos, obviamente para atrair os pagãos. Assim, esses não estranhariam a ocasião, afinal, teria tudo a ver com o que eles já estavam acostumados. A bem da verdade, foi mais ou menos o que fizeram, adotando a ocasião da “saturnália” para comemorar a suposta data do nascimento de Cristo. Que nem mesmo nasceu em dezembro!
Por aqui, fazem mais ou menos a mesma coisa das bacantes de outrora. Aproveitam a época da colheita do milho e celebram festas “juninas”, com danças, quadrilhas, e obviamente, consumindo comidas à base de milho (pipoca, pamonha etc.). Tudo para a “glória de Deus”. Para “evangelizar”.
Métodos humanos. Não é o que fazem hoje? Pegam passagens fora de contexto (por exemplo, “fiz-me grego para assim ganhar os gregos”, I Coríntios 9) e tentam aplicar às suas extravagâncias.
Com essa passagem isolada e fora de contexto, abrem a porta para atrações variadas como shows de hip-hop, desfile de moda gospel, luta de vale-tudo, balada gospel, blocos carnavalescos, bailes de máscaras, e o que mais aparecer. Lembremos que já existem várias “igrejas” para gays; é para se assustar só de imaginar o que ainda pode ser “criado” por essas mentes doentias.
Na verdade, é um método muito antigo, esse de criar eventos para atrair multidões. Rômulo, um dos fundadores de Roma, “para conseguir ocasião e local favoráveis [para raptar mulheres e assim povoar a cidade recém-fundada], ocultou seu ressentimento [por causa do desprezo dos outros povos pelo seu convite] e preparou jogos solenes em honra a Netuno Equestre [o deus Conso], os quais denominou Consualia. Mandou então anunciar o espetáculo aos povos vizinhos e revestiu-o de todo o aparato possível na época, a fim de torná-lo atraente e despertar curiosidade” (de acordo com o historiador romano Tito Lívio, em “Ab Urbe Condita”, cit. em História de Roma. Tradução de Paulo Matos Peixoto, SP:Ed. Paumape, 1989, p. 32). O que seguiu depois foi o “rapto das sabinas”. Vejam como a arte de criar pirotecnias para distrair os tolos é antiga.
Já critiquei antes as tais “festas juninas evangélicas” e outras invenções “gospel”. Alguns querem justificar essas esquisitices dizendo que “para pescar é preciso usar a minhoca certa no anzol”, talvez tentando fazer uma alusão ao que Jesus disse aos seus primeiros discípulos: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mateus 4:19).
Acontece que:
1 – a pesca com anzol, usando minhoca ou qualquer outra isca, é, para dizer a verdade, um engodo, um engano. Engana-se o peixe com uma “comida falsa”, ou uma comida que significa a sua ruína. O peixe morde a isca  pensando que vai se alimentar, mas no fim acaba se dando mal. Será que é isso que queremos quando “evangelizamos”? Oferecemos um engodo aos incrédulos, uma “comida falsa”, uma mentira? Bem, eu acho que é isso o que muitas “igrejas” estão fazendo. Oferecem promessas vãs, prosperidade financeira, vitória em todas as áreas, até casamento e “sorte no amor”... isso até o cara cair na real e, desiludido, abandonar a fé, se é que um dia chegou a ter fé. Se é que um dia chegou a ser instruído nos caminhos de Deus. Se é que um dia conheceu a Deus e Seu plano de salvação.
2 – Ao contrário dos pescadores de anzol, os discípulos entenderam perfeitamente o que Jesus queria dizer com ser “pescadores de homens”, “porque eram pescadores” (Mateus 4:18). Até por que Jesus contou depois a parábola do Reino, o qual é “semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanhou toda espécie de peixes. E, quando cheia, puxaram-na para a praia; e, sentando-se, puseram os bons em cestos; os ruins, porém, lançaram fora. Assim será no fim do mundo: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 13:47-50).
E no final, Jesus perguntou: “Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe eles: Entendemos” (v. 51). Mas parece que os “apóstolos” modernos e seus seguidores não entenderam ainda.
Nós somos os pescadores. Cabe-nos lançar a rede, não anzóis com minhocas e iscas. Vem todo tipo de peixe, e não nos é dada ordem para fazer mais nada. Os anjos separarão os peixes que prestam dos que não prestam, “os bons e os maus” (da mesma forma que separarão o joio do trigo). Não precisamos enganar, jogar iscas, engabelar ninguém. Não precisamos armar presepadas, shows, festa junina, escola de samba, luta livre, mágica, equilibrista, mulher barbada, atrações variadas, “para atrair os peixes”. Não precisamos fazer da igreja um circo. A Palavra de Deus deveria ser suficiente para que as pessoas desejassem ir à igreja!
Mas muitos preferem os métodos humanos, cheios de criatividade, e vazios da Palavra de Deus. Se pudermos ir ainda mais longe, para buscar a origem da “teoria da minhoca”, chegaremos ao Éden, onde a serpente apresentou a Eva uma espécie de “minhoca”, ou um engodo, uma isca, sem esclarecer o que viria depois.  O que nos permite concluir que usar de engano nem é mais um método humano, mas satânico. Por que haveríamos de fazer a mesma coisa?
A única coisa que transforma o Homem e o traz para o Reino de Deus é a pregação do Evangelho, da “boa nova”, da “boa noticia”.
Qual é essa “boa noticia”? Diante de tanta coisa ruim que vemos todo dia nos jornais, a crise, o desemprego, seqüestros, assassinatos, motorista bêbado atropelando inocentes, banco quebrando, protestos, roubalheiras, CPI, corrupção, a bolsa caindo e o dólar subindo... deveria ser uma ótima noticia saber que nossas dívidas podem ser canceladas, perdoadas, totalmente zeradas. Saber que devíamos uma quantia que nunca poderia ser paga, mas que Alguém veio e disse: “Pode deixar, Eu pago tudo. Você não deve mais nada. Está resolvido... está consumado. Quem não gostaria de receber uma noticia dessas?
Isso não dizemos aos incrédulos. Preferimos dizer: “olha, vai lá na minha igreja hoje, vai ter uma apresentação de grupo de jovens, uma coreografia; vai ter a cantata do coral, é muito bonita; o cantor fulano vai cantar, a banda tal vai tocar; depois vai ter uma canjicada, uma feijoada, uma batatada”. Outros vão além: “vamos lá ver a luta de MMA, vamos na balada gospel, na ‘arena jovem’, no funk gospel, o barato vai ser doido, mano, véio. Mas nunca dizemos “vamos lá hoje, vai ter uma pregação sobre a Palavra de Deus, e você vai aprender que precisa entregar sua vida a Jesus, senão você vai para o inferno; o pastor vai explicar por que precisamos largar o pecado e seguir a Jesus como os discípulos fizeram, largaram tudo e O seguiram. Vamos orar para que Deus liberte as pessoas e mude seus corações”. Não; preferimos a minhoca.
É isso – só isso – que devemos fazer para que as pessoas venham para o Reino de Deus: mostrar a Palavra, sem rodeios, sem chantilly em cima, para adoçar ou enfeitar. É isso que precisamos anunciar para que os peixes saltem para dentro da rede, sem precisar ser enganados por minhocas pegajosas, moscas de borracha e peixinhos de plástico colorido.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Sobre apóstolos e profetas:

Os “apóstolos” modernos confundem muitas coisas, como por exemplo a questão do governo do mundo em nome de Deus, e sobre Deus entregar à Igreja o domínio de todas as coisas, antecipando para o tempo presente coisas que só devem acontecer no Milênio preconizado no final de Apocalipse. Não entendem que é preciso que primeiro venha a tribulação, o juízo de Deus sobre as nações rebeldes, para que depois o governo de Cristo seja implantado na Terra, só então cumprindo-se Isaías 60-66, Ezequiel 47 e Daniel 7:13, 14, 18, 22 e 27, dentre outras passagens proféticas.
Aliás, é a partir desses textos que muitos se põem a reivindicar posses e sucesso nesta vida, tentando aplicar a si trechos como “comereis as riquezas das nações, e na sua glória vos gloriareis” (Isaías 61:6), “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo dei” (Deuteronômio 11:24 e Josué 1:3) e outros semelhantes, querendo tomar posse de tudo em que botam o olho gordo. Esquecem-se convenientemente que tais promessas foram feitas a Israel, e não à Igreja!
Jesus foi muito claro a respeito do Seu reino. Seus súditos, os cidadãos do reino, não são deste mundo. São estrangeiros e peregrinos rejeitados pelo mundo, aguardando a volta do Rei que virá estabelecer o Seu Reino Milenar. Por enquanto, o deus deste mundo é Satanás e seus súditos o governam. Por isso, a Bíblia deixa claro que “o mundo inteiro jaz [isto é, descansa, se apóia] no maligno” (I João 5:19), que o diabo tem autoridade sobre ele (Mateus 4:8,9) e que o dia de Jesus retomar o governo ainda não chegou (Apocalipse 11:15 e 12:10)
Durante toda a história, a igreja católica, tendo o “papa” na liderança, o qual afirma ser o “vigário de Cristo” na Terra, vem tentando governar o mundo. Ela jamais acreditou no vindouro Reino Milenar de Cristo e se esforça para estabelecer na Terra o seu “reino agora”. Sua hierarquia, constituída de sacerdotes, cardeais e no topo o “papa”, é uma forma de governo terreno oposta ao que Cristo ensinou aos Seus discípulos, que eles não deveriam governar uns aos outros.
Mas eis que agora surge uma tal “Nova Reforma Apostólica”, um bando de auto-proclamados luminares, cujo chefe é C. Peter Wagner, que se diz “em luta contra os principados e potestades deste mundo, tentando tomá-lo para Cristo”,  como se Deus precisasse de ajuda para realizar os Seus objetivos. Esse pessoal, imbuído do que chamam de “batalha espiritual de alto nível” e de posse de títulos como “bispos”, “profetas” e “apóstolos”, nomeiam lugares-tenentes por todo lado, como Rony Chávez, Ana Mendez, Chuck Pierce, Lou Engle, Kim Clement, Cindy Jacobs e já os entronizados no Brasil Neuza Itioka, Renê Terra Nova e outros. Eles estão pondo a carroça na frente dos bois, e visam colocar no poder aqueles que acreditam ser instrumentos de Deus para a mudança da sociedade, tomando de roldão os governos, como tentaram fazer com Sarah Palin na América. Em sua egoística ambição, eles desejam governar uns sobre os outros, usando a sua nova hierarquia de “apóstolos” e “profetas”.
Para vocês terem uma idéia, um desses “profetas” americanos teve uma “visão” sobre cavalos e disse que Deus está liberando esses animais a fim de completar o domínio (eles pegam uma passagem qualquer da Escritura e dão uma interpretação que melhor coincida com os seus objetivos). A “profecia” foi publicada pela “Elijah List” (Lista de Elias), que se compõe dos falsos profetas atuais, os quais Jesus disse que haveria em abundância nos últimos tempos (Mateus 24:11).
Steve Shultz, que publica a tal “Lista de Elias”, escreveu que “Deus está em vias de fazer uma grande coisa, já no ano em que estamos. Demos um voto de confiança à palavra profética do momento, entregue por Eileen Fischer. O Corpo tem o dever de se preparar. Certamente, o Espírito veio sobre ela, quando no-la entregou”. E aí vai a tal “profecia” dada a Eileen Fischer, na Escola de Profetas do Espírito Santo, em Colorado Springs:
“A Terra está quase pronta para a colheita, pronta para o reavivamento, que será trazido pelos cavalos de Deus, os quais estão sendo liberados. Tu estás liberando os Teus cavalos do reavivamento. Eles estão trazendo a unção, Pai, nas selas da glória e da misericórdia. Pai, nós Te agradecemos pelos cavalos que estão sendo liberados pelo Espírito, esta noite. Pai, nós Te agradecemos porque eles vão atravessar a Terra inteira. Seu tropel vai no Espírito, a fim de derrotar os planos do inimigo. Nós Te agradecemos porque eles vêm com fogo nas suas bocas e expelirão fogo líquido, a fim de dissolver os planos do inimigo. Nós Te agradecemos que a sela deles seja esvaziada, porque estarás colocando a tua Noiva na sela”.
Seja sincero: você já deve ter ouvido essas e outras pataquadas semelhantes por aí, não? Cavalos do avivamento? A Noiva montada na sela? Fogo líquido? Eu já ouvi pastores dizendo que viam anjos subindo a rampa do Palácio do Planalto, e águas estavam sendo liberadas para toda a nação a partir de Brasília, e coisas semelhantes, sem nenhum resultado prático ou comprovação real de que isto de fato aconteceu... só que essa agora extrapolou. E Schultz ainda completa dizendo que “muitos afirmam já sentir uma mudança e uma excitação tangíveis no ar”. Pra vocês verem a força da sugestão psicológica. Valnice Milhomens, por exemplo, profetizou pela segunda vez que Marina Silva seria presidente do Brasil, e pela segunda vez quebrou a cara, e pela segunda vez seus seguidores saíram em sua defesa, dizendo, dentre outras asneiras, que essas profecias foram ditas por fé. Como se falar besteira por fé" legitimasse a "profecia ou a tornasse verdadeira...

Outro exemplo de picaretagem profética vem de Rick Joyner, que afirma ser dirigido por revelações, bem como pelo próprio Jesus. Para ele, tais visões são como se estivesse assistindo numa tela de cinema, calmas e gentis, como se estivessem abertos os ‘olhos do coração’. Joyner defende o “movimento de avivamento nos últimos dias”, que seria dividido em “Restauração Profética” e “Restauração Apostólica”. É esse tipo de ensino que seduziu pastores ao redor do mundo a usarem títulos como “apóstolo” e “profeta”, sem seguirem o que o Novo Testamento ensina sobre o assunto.
Entre suas revelações mais recentes, Rick Joyner afirma que a Costa Oeste dos Estados Unidos vai sofrer um terremoto terrível como castigo pela política americana em relação a Israel. Que bobagem, qualquer um sabe que a Costa Oeste americana vai sofrer um grande terremoto a qualquer instante. Queria ver ele profetizar (e acontecer) que vai ter um tsunami em Belém, um terremoto devastador em Roraima, que no dia tal vai cair um meteoro em Fernando de Noronha… aí sim é ser profeta. Lembram-se do Samuel Doctorian? Cadê os cinco anjos dos continentes, sairam de férias? São os Nostradamus gospel com suas profecias genéricas que servem para qualquer coisa, placebos proféticos.
Os falsos “apóstolos” e “profetas” que andam parolando por aí são numerosos demais para serem listados, mas podemos ter uma ideia da extensão dos seus tentáculos quando vemos esse Todd Bentley, todo tatuado, parecendo mais um metaleiro ou um skin-head do que um discípulo de Jesus, quanto mais apóstolo. Não se trata de julgar pela aparência, mas sim de informar que esses caras se mimetizaram em várias formas, tamanhos, cores e estilos, de modo que a melhor maneira de identificar os líderes da nova reforma apostólica e profética é consultando este link (em inglês).
Charles Spurgeon, esse sim um verdadeiro profeta, predisse há mais de cem anos que “chegaria um tempo, no qual, em vez de os pastores alimentarem suas ovelhas, a igreja teria palhaços entretendo cabritos”. Este tempo é chegado! 
Vejam o que os novos apóstolos pregam e no que acreditam:
1. Eles acreditam que Deus está restaurando o ofício de apóstolos e profetas na igreja.
2. Que somente eles têm o poder e a autoridade para executar os planos e propósitos divinos.
3. Que estão construindo um novo fundamento para uma igreja global.
4. Que vão estabelecer, literalmente, o Reino do Céu na Terra, com o Exército de Joel.
5. Eles colocam uma ênfase desordenada nos anjos e no sobrenatural.
6. Afirmam receber revelações extrabíblicas, que não podem ser comprovadas (revelação progressiva).
7. Que Deus está fazendo uma “coisa nova” ("o novo de Deus" é um mantra que repetem à exaustão).
8. Afirmam, frequentemente, que os que não aceitam seus ensinos estão colocando Deus numa caixa.
9. Que jamais devemos contestar a sua (deles) autoridade.
10. Usam, frequentemente, a expressão do Velho Testamento: “Não toqueis nos meus ungidos” (aliás, eles preferem usar o Velho Testamento).
11. Colocam os que contestam sua autoridade como "religiosos, legalistas, divisores, obtusos, rebeldes e demoníacos".
12. Colocam maior ênfase nos sonhos, visões e revelações do que na Palavra de Deus.
13. Acreditam que serão a reencarnação do corpo físico de Cristo.
14. Crêem que poderão executar julgamento sobre os seus oponentes (até mesmo usando a pena de morte).
15. Uma religião mundial operando em sintonia com um governo mundial (o mesmo que ensina a Nova Era).
16. Uma completa unidade que nada impedirá de acontecer.
17. Poderão trazer o Céu para a Terra.
18. Acreditam que seremos aperfeiçoados aqui mesmo, na Terra (Os Manifestos Filhos de Deus).
19. Acreditam na organização de uma agressiva campanha na Internet.
20. Acreditam na organização dos apóstolos preeminentes.
21. As igrejas locais devem ficar sob a autoridade do apóstolo de uma igreja regional (embasados no discutível conceito de “cobertura espiritual”).
22. Cada cidade deve ter um apóstolo, com autoridade extraordinária em assuntos espirituais, sobre os líderes da mesma cidade.
23. Consideram-se "divinos, pequenos deuses, iguais a Cristo".
24. Consideram-se “Defensores da Fé”.
25. Colocam muita ênfase no misticismo e no conhecimento oculto.
26. Não acreditam no Arrebatamento, mas que poderá haver um arrebatamento dos maus, para serem aperfeiçoados (isto é o mesmo que ensina a Nova Era).
27. Enfatizam a unidade sobre a doutrina, trocando a interpretação literal da Bíblia por uma interpretação espiritualizada, à maneira dos católicos.
Como se pode ver, esses mestres da “coisa nova” são meio católicos (usando a Teologia da Substituição, de “santo” Agostinho de Hipona, a qual advoga que Deus abandonou Israel para sempre e transferiu à Igreja todas as bênçãos antes destinadas aos judeus, inclusive as relativas ao poder temporal e ao governo da Terra. O Israel político de hoje não tem nada a ver com o Israel bíblico, afirmam).
Quando você ouvir pastores dizendo que o povo de Deus, a Igreja, tem o direito de reivindicar aposse de bênçãos materiais, o poder político para governar o país, a cidade, a nação, em nome de Deus, pense no que acabou de ler. Arrogantes, com ares de autoridade superior, topetudos, nariz empinado. Roupas caras, relógios de ouro, carrões, aviões. Fariam eles como os primitivos Apóstolos, abaixando-se para lavar os pés dos outros? O que foi feito da tarefa que Jesus deixou, ser pescadores de homens?
Esses não são profetas de Deus e muito menos “apóstolos” como querem fazer crer. A missão do verdadeiro profeta e do verdadeiro apóstolo não é conquistar ou dominar ou governar o mundo, mas apresentar o Evangelho aos perdidos, anunciar a Verdade de Deus - todo aquele que abandonar o pecado e crer que Jesus é o único e suficiente Salvador será salvo; edificar (ensinar), exortar a Igreja contra heresias e a apostasia, e consolá-la com a bendita esperança da Volta do Senhor.
O que passa disto, é do maligno! Doa a quem doer!

Com base em artigo de Jackie Alnor - Right and Wrong Kingdom, traduzido e adaptado por Mary Schultze, em 22/01/2012 (www.maryschultze.com)

Atualizado em 12 OUT 2014

123850 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sobre apóstolos e profetas:

Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos.
Mas a cada um de nós foi dada a graça conforme a medida do dom de Cristo. Por isso foi dito: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens. (...)
E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo; para que não mais sejamos meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro; antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual o corpo inteiro bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, efetua o seu crescimento para edificação de si mesmo em amor.
Portanto digo isto, e testifico no Senhor, para que não mais andeis como andam os gentios, na verdade da sua mente, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração; os quais, tendo-se tornado insensíveis, entregaram-se à lascívia para cometerem com avidez toda sorte de impureza.
Mas vós não aprendestes assim a Cristo, se é que o ouvistes, e nele fostes instruídos, conforme é a verdade em Jesus, a despojar-vos, quanto ao procedimento anterior, do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; a vos renovar no espírito da vossa mente; e a vos revestir do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade.
Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros.
(...)
Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tem necessidade. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas ó a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam tiradas dentre vós, bem como toda a malícia. Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.

Isto é o capítulo 4 de Efésios quase todo.
Fiz questão de copiá-lo assim, quase todo, somente para falar um pouco de um pequeno trecho que anda muito na moda hoje em dia: o versículo 11. “E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres”. Muito usado por aqueles que pretendem justificar a existência de “apóstolos” como Valdemiro Santiago, Estevam Hernandes, Doriel de Oliveira, Neuza Itioka, Valnice Milhomens e inúmeros, inúmeros mesmo, outros assemelhados, uns famosos, outros tentando ser famosos.
A pergunta é – há apóstolos hoje?
Sim... e não.
Sim porque todos somos apóstolos, num certo sentido, pois a palavra “apóstolo” significa “enviado”. Jesus nos enviou, a todos e a cada um de nós, cristãos, para pregar o evangelho a toda criatura, até os confins da terra. Por isso somos todos apóstolos. Também devemos ser mestres, evangelistas, e profetas, exercendo os diversos ministérios que fazem o Corpo crescer (v. 12).
David Brainerd, Adoniram Judson, Salomão Ginsburg, o casal Bagby, Richard Wurmbrand, e mais recentemente, o Irmão André, são exemplos de apóstolos modernos. Charles Spurgeon e David Wilkerson, para mim estão mais para profetas, se bem que David Wilkerson, no inicio de seu ministério entre as gangues de Nova York, tenha sido um apóstolo, sem a menor sombra de dúvida. Charles Wesley, João Calvino, Dwight L. Moody: verdadeiros mestres. George Whitfield, Charles Finney, Boothe, Billy Graham: evangelistas. E por aí vai. E nenhum deles jamais reivindicou nenhum título!
By the other hand, Paulo foi o último Apóstolo – no sentido de que os Apóstolos primitivos foram o fundamento da Igreja. I Coríntios 15:5-9 diz que (Jesus) “…apareceu a Cefas, e depois aos doze; depois apareceu a mais de quinhentos irmãos duma vez, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormiram; depois apareceu a Tiago, então a todos os apóstolos;  e por derradeiro de todos apareceu também a mim, como a um abortivo. Pois eu sou o menor dos apóstolos, que nem sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus”.
Vejamos que na mesma carta aos Efésios, no cap. 2: 20, Paulo diz que somos “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina”. Preste atenção sempre ao contexto da carta, para entender o tópico sobre apóstolos e profetas do cap. 4 (aliás, o mesmo deve ser feito quanto à famosa armadura do cap. 6: é preciso ter em mente o contexto para entender o que é batalha espiritual – veja mais aqui).
Nesse sentido, como é sabido e notório que o fundamento da Igreja está posto, firmado sobre a Pedra de Esquina (Jesus), e como ninguém pode lançar outro fundamento, então não existem mais Apóstolos no sentido original dos “primeiros discípulos”. Eles foram o fundamento, ou melhor, lançaram o fundamento (firmaram, colocaram o fundamento, como pedreiros que construíram a base do edifício), como diz Paulo, e nós somos o edifício (cf. I Coríntios 3:9 e I Pedro 2:5). Entretanto, nesse edifício, há algumas pedras que querem ser fundamento... se nem Paulo se considerava digno de ser chamado Apóstolo, por que essas antas modernas, que nem conhecem a História da Igreja, se consideram mais dignos do que Paulo?
Os Apóstolos de então contribuíram para a formação do cânone das Escrituras, com ensinos que são o fundamento da nossa fé (cf. I Coríntios 3:10-12; Efésios 2:20; I Tessalonicenses 2:6).
Os de hoje destroem com suas asneiras a base da fé, ao dizer que Jesus foi criado! Essa doutrina surgiu com um monge chamado Ário, bispo de Alexandria, lá pelo século IV. A cidade sempre foi um centro de cultura helenística, e alguns de seus bispos contribuíram para a inclusão de idéias dos filósofos gregos no cristianismo. Nesse ambiente, Ário começou a ensinar que, separado do Deus Pai, Criador do mundo, havia o “Logos”, Filho - unigênito, mas que fora criado pelo Pai, antes da fundação dos séculos. Depois Deus, trabalhando com o Filho, criou o Espírito Santo, que era subordinado ao Filho. Assim, para Ário havia uma espécie de hierarquia, meio como o panteão dos gregos (Zeus, Hades, Poseidon etc.) - o Espírito Santo seria uma criatura subordinada ao Logos (Filho), que por sua vez era uma criatura do Pai. Todos divinos, mas diferentes na hierarquia e até mesmo na substância ou constituição. Isto foi refutado como heresia e a idéia abandonada.
E aí um gênio semi-analfabeto aparece com a mesma idéia. Desconhecer a História da Igreja, como muitos “apóstolos” iletrados ali da esquina, é cometer os mesmo erros que, séculos atrás, causaram divisão, fomentaram heresias, e desviaram a muitos da sã doutrina. Paulo já avisara que nos últimos tempos viriam falsos apóstolos e falsos mestres, ensinando doutrinas de demônios.
Ora, afirmar que Jesus é uma criatura, é ou não é doutrina de demônio? As Testemunhas de Jeová pregam a mesma coisa, e também os muçulmanos, os mórmons, e se a gente procurar mais fundo, os espíritas também! Todos negam a Divindade Plena de Jesus: Ele foi apenas um profeta, um exemplo, um homem perfeito, mas não é igual a Deus! Sim, porque, se foi criado, mesmo sendo a primeira obra de Deus, não é igual a Deus. Percebe a heresia camuflada de piedade?
Não julgamos o homem, a pessoa, mas as suas obras sim. E essas obras, doa a quem doer, são más. E mais, a partir do momento em que o sujeito se coloca acima dos outros, peca. O ministério, o dom, passa a ser usado como título ou cargo, e aí começa o desvio.
Veja cada um desses “apóstolos” modernos, que na maioria das vezes são “auto-ungidos”, “auto-proclamados”, “auto-consagrados”. Tudo começou com a onda de “bispos”, depois “apóstolos”, e agora até “patriarca” já tem.
Se você se lembrar bem, há uns 15, 20 anos, não existia essa apostolada toda, essa bispaiada toda; o líder evangélico era simplesmente “o pastor”. Um ou outro era “reverendo”. Aí, para sair da mesmice e se destacar na multidão, começaram alguns a se auto-intitular “bispos”, mesmo sem ter as características que a Bíblia exige para tal (veja mais sobre bispos aqui). E apareceu de repente um bando enorme de bispos – e “bispas”, para corromper de vez a Igreja e a nossa Língua Portuguesa.
E quando o mercado ficou inflacionado de bispos, eis que surgiram os apóstolos, uma casta superior de iluminados, que comanda a galera. Tem até um conselho mundial de apóstolos, que é a nata da nata, e define os rumos do “movimento apostólico” do planeta, enviando suas “pautas” ao maior número possível de filiais e repetidoras, mundo afora.
Mas não pára aí: alguns, não contentes com esse “apostolado”, se auto-proclamam agora “patriarcas”. Chega, para não desviar do assunto “apóstolo”, mas lembro que tem denominação “evangélica” que criou até “bispo-primaz” (também aqui e aqui) – talvez esteja em gestação um híbrido da igreja evangélica com a ortodoxa grega ou russa, sei lá.
Eu só peço que se comparem os Apóstolos Antigos com os “apóstolos” modernos, como os Antigos agiam e como agem os de agora, o que diziam os Antigos e o que dizem os de agora, como viviam os Antigos e como vivem os de agora; e aí veremos quem é quem.
É por isso que, fora do sentido de “enviados”, “embaixadores de Cristo” (que todos nós somos), não existem apóstolos hoje em dia. Porque os que usam tal “título”, o fazem neste sentido mesmo – de “título” para se diferenciar dos demais.
Em todo caso, convido você a comparar esses “apóstolos” modernos com o que determina Paulo aos Efésios, verso por verso. Sem dó.

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