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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Não seria melhor existir uma só religião?

Enquanto muitos se digladiam na Internet e especialmente nas redes sociais por conta de eleições, outros fatos vão passando despercebidos pela maioria dos cristãos. Por exemplo, temos visto quase toda semana, senão quase todo dia, notícias sobre a intensificação dos esforços do Vaticano, na pessoa do “papa” Francisco, para integrar as diversas religiões no que ele chama de “diálogo”. Primeiro ele recebeu Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla. Em seguida, esteve com o bispo metropolitano russo, Hilarion, “ministro dos negócios estrangeiros” do Patriarcado de Moscou. Na Sala Clementina do Vaticano, ocorreu outra reunião com os líderes e representantes de outras religiões. E a última audiência foi com o diretor executivo do Congresso Judaico Latino-americano, Claudio Epelman (fonte). Também se encontrou com o líder da Igreja Copta (cristãos egípcios) Tawandros II.
Já houve reuniões com protestantes e mórmons, incluindo os badalados Joel Osteen e Kenneth Copeland; com rabinos em Roma, com os muçulmanos na Itália. Aliás, os muçulmanos parecem ter aceitado Francisco muito bem. E agora, esteve na Coréia para não apenas marcar o território com a presença católica, mas também lançar mais uma vez o seu já batido discurso em prol da união.
Há pouco tempo, o ex-primeiro-ministro espanhol saiu-se com esta: “a criação de uma autoridade religiosa global para zelar pela paz mundial”.
Um pouco antes, em 2010, o “ex-papa” B16 já pedia “a união das religiões”. Aliás, o Vaticano já prega abertamente uma “união monetária mundial”, para resolver o problema das crises econômicas globais. E curiosamente, desde 2010 uma comissão da ONU esteve empenhada no que chama de esforços para a unificação das religiões.
Já sei, há quem diga que isto é normal e até desejável: líderes religiosos se encontrarem em busca de objetivos comuns, que seriam a paz mundial, o fim dos conflitos de cunho religioso, a convivência pacífica das diversas comunidades etc. Poderia até ser, se tudo isso não tivesse uma motivação mais política do que religiosa, entendendo-se por “política”, latu sensu:
- o poder ideológico, com base na influência que as idéias da pessoa investida de autoridade exerce sobre a conduta dos demais: deste tipo de condicionamento nasce a importância social daqueles que sabem, quer os sacerdotes das sociedades arcaicas, quer os intelectuais ou cientistas das sociedades evoluídas. É por eles, pelos valores que difundem ou pelos conhecimentos que comunicam, que ocorre a socialização necessária à coesão e integração do grupo;
- e o poder político propriamente dito, onde se pretende alcançar (pela ação dos políticos, em cada situação) as prioridades do grupo (ou classe, ou segmento nele dominante): nas convulsões sociais, a unidade do Estado; em tempos de estabilidade interna e externa, o bem-estar, a prosperidade; em tempos de opressão, a liberdade, direitos civis e políticos; em tempos de dependência, a independência nacional (Fonte dessas definições).
Esses vieses político-ideológicos podem ser facilmente identificados. A jornalista e escritora Berit Kjos relata ter participado em 1996 de uma conferência da ONU na Turquia (Habitat II), sobre assentamentos humanos, que definia políticas muito suspeitas em relação às diversas práticas religiosas. A lista dos 21 membros do painel incluía personalidades globais: Federico Mayor, diretor-geral da UNESCO; Maurice Strong, líder da ONU; Ismail Serageldin, vice-presidente do Banco Mundial; Millard Fuller, fundador de Habitat pela Humanidade. Junto com outros dignatários globalistas, eles falaram sobre uma “base espiritual para uma ética global evolutiva” para uma futura comunidade planejada. A jornalista relatou que a Conferência usou enormes galpões nas proximidades das docas de Istambul para expor modelos de cidades planejadas. Não havia igrejas: mas cada modelo tinha um grande local central de reuniões para comunhão e iluminação coletiva.
“O que é necessário é um centro interfé em cada cidade do globo”, disse James Morton, ex-deão da Catedral Episcopal de São João Divino, em Nova York. “Os novos centros interfé honrarão os rituais de todas as tradições: Islã, Hinduísmo, Jainismo, Cristianismo... e fornecerão oportunidades para a expressão sagrada necessária para vincular os povos do planeta em uma solidariedade viável, significativa e sustentável”.
Parece estranho? Só que esse “novo modo de pensar” – na prática, uma nova ideologia – já permeou todos os segmentos da sociedade: educação, empresas, governo, a mídia, as artes e a cultura. John Lennon já cantava há mais de 30 anos na sua célebre “Imagine” como seria bom se não existissem religiões (obviamente ele também queria que não existisse céu nem - principalmente - inferno...). Hoje em dia o maior defensor da união das religiões é Bono, do grupo U2.
Mas o Movimento de Crescimento de Igrejas, incluindo as que seguem o modelo Propósitos, também aderiu ao esquema. O ex-pastor Caio Fábio é um que usa a música do ex-beatle em suas pregações. E promovendo a transformação em todos esses setores estão os programas de treinamento de líderes que seguem a visão dos gurus da Administração, como Peter Drucker, Peter Senge e Ken Blanchard. A parte central de seu ensino é a “Teoria Geral dos Sistemas”, ou “Pensamento Sistêmico”. Em resumo, tudo está interconectado, portanto, tudo é Um e todas as divisões e fronteiras precisam ser eliminadas, de modo a estabelecer a “Vizinhança Global” – isto é, a Nova Ordem Mundial. Líderes emergentes, como Brian McLaren, chamam isto de “o Reino de Deus”.
Na edição de 18 de fevereiro de 2012, o Wall Street Journal publicou um artigo – “Religião Para Todos” – que se encaixa perfeitamente bem com a visão de mundo da ONU. O autor, Alain de Botton, apresenta um plano para uma unidade social que atenda às exigências da agenda global. Misturando tradições religiosas de todo o mundo, o plano moldaria nossas mentes, transformaria as comunidades e estabeleceria novas regras e rituais para todos (menos para o Cristianismo bíblico). Diz o artigo (ênfases acrescentadas):
“Uma das mais sentidas perdas da sociedade moderna é a de um sentido de comunidade. Tendemos a imaginar que existia antigamente um nível de proximidade que foi substituído pelo cruel anonimato... Ao tentar compreender o que erodiu nosso senso de comunidade, os historiadores atribuem um importante papel à privatização da crença religiosa que ocorreu na Europa e nos EUA no século 19. Eles sugeriram que começamos a desconsiderar os vizinhos ao nosso redor, ao mesmo tempo que deixamos de honrar nossos deuses como uma comunidade  [...] acredito que seja possível recuperar nosso senso de comunidade... sem ter de construir sobre um alicerce religioso  [...] Em um mundo sitiado por fundamentalistas, tanto da variedade secular quanto religiosa, precisa ser possível balancear uma rejeição da fé religiosa com uma reverência seletiva para rituais e conceitos religiosos  [...] as comunidades religiosas [...] usam tipos específicos de alimento e bebida para representar conceitos abstratos, dizendo aos cristãos, por exemplo, que o pão representa o corpo sagrado de Cristo.... e ensinando aos zen-budistas que suas xícaras com chá em lenta infusão são símbolos da natureza transitória da felicidade em um mundo flutuante  [...] tomando seus assentos em um Restaurante Ágape, os convidados encontrariam diante de si livros de orientações [...] Ninguém seria deixado sozinho para encontrar seu caminho para uma conversa interessante com outra pessoa... O Livro do Ágape instruiria os convidados a conversarem uns com os outros por períodos pré-determinados de tempo e a respeito de tópicos também pré-determinados” [...]
Ora, se isso não é uso de religião – mesmo uma coisa estranha como essa religião “ecumênica” – com fins políticos, então não sei mais do que se trata. E ninguém melhor para exercer o papel aglutinador desse movimento global do que o maior líder religioso do planeta, o Sr. Jorge Bergoglio, que chefia nada menos do que 1 bilhão ou mais de pessoas. Ele tem todas as ferramentas para acertar onde outros falharam.
A Maçonaria tentou juntar todos os gatos num balaio só, mas esbarra no fato de ser demasiadamente misteriosa e elitista, e sua aura de mistério chega a causar repulsa aos que a olham de fora. Símbolos, gestos e rituais estranhos não são exatamente apropriados a uma estratégia de globalização, e acho que nem eles querem isso. A exclusividade é uma característica de que os membros mais abastados não abririam mão.
Já o catolicismo, embora também tenha seus rituais e “mistérios”, atua na direção oposta, isto é, quanto mais gente, melhor. Por isso, desde o seu início, lá pelo século III ou IV, começou seu caminho rumo ao sincretismo, ou seja, a aceitação de elementos originalmente estranhos, com o objetivo de se tornar mais atraente aos diversos povos e civilizações com quem entrava em contato. Vêm daí os mitos e lendas de santos, as cerimônias elaboradas, o sacerdócio altamente organizado em hierarquias, etc.
17 séculos depois, ao experimentar um lento mas consistente declínio, ao lado da diluição das doutrinas e costumes protestantes (outrora radicalmente opostos) e do aumento das tensões entre cristãos e muçulmanos (principalmente nos países islâmicos), uma boa estratégia é vender a imagem de conciliador, de “bom pastor”, e da alegada necessidade de união e cooperação.
É evidente que isso interessa a quem já defende, de longa data, um governo global unificado. E nesse objetivo de controle total, a ONU e a igreja católica parecem caminhar de mãos dadas.
Não podemos esperar disso nada mais nada menos do que o renascimento da política medieval de união do poder civil e do poder religioso, uma estrutura miscigenada da qual não se pode fugir. Um poder tão forte que não dará a nenhum ser humano a opção de o rejeitar – só morrendo.
O citado Ismail Serageldin, ex vice-presidente do Banco Mundial, disse: “Vamos garantir que a mudança social e a transformação ocorram na direção certa... A mídia precisa atuar como parte do processo educativo que combata o individualismo”.
Incrível é que isso que hoje se desenha estava previsto há quase 2.000 anos, pois podemos ler nas páginas da Bíblia que [...] vi subir do mar uma besta [...] e deu-se-lhe autoridade sobre toda tribo, e povo, e língua e nação. E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra...” (Apocalipse 13:1, 7, 8);
e que [...] vi subir da terra outra besta [...] Também exercia toda a autoridade da primeira besta na sua presença; e fazia que a terra e os que nela habitavam adorassem a primeira besta [...] E operava grandes sinais, de maneira que fazia até descer fogo do céu à terra, à vista dos homens; [...] e enganava os que habitavam sobre a terra e lhes dizia que fizessem uma imagem à besta [...] E fez que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, lhes fosse posto um sinal na mão direita, ou na fronte, para que ninguém pudesse comprar ou vender, senão aquele que tivesse o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome”(idem, vs. 11-17). 
O que mais isso poderia significar? Para mim é simples: a primeira “besta” (no sentido de uma coisa terrível, inominável) exerce poder político de forma global (autoridade sobre toda tribo, e povo, e língua e nação) e a segunda “besta” é o braço religioso que apóia a primeira “besta” (exercia toda a autoridade da primeira besta; fazia com que todos a adorassem; operava grandes sinais; patrocinou a imagem para adoração) que por fim se funde à primeira com o poder econômico (fez com que a todos fosse posto um sinal, sem o qual a pessoa se torna um pária).
Não caminhamos a passos largos para essas coisas? Ou você se rende a esse sistema político-religioso-econômico que está em curso, ou será posto à margem.
Será que você está preparado(a) para o que poderá ser realidade em muito pouco tempo?


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sábado, 19 de julho de 2014

Israel sob cerco

O lado humano do problema do Oriente Médio
Israel é um paradoxo – uma nação sob cerco, e ao mesmo tempo com um movimento turístico tão intenso que se pode dizer que o país inteiro é uma estação de veraneio. A paz é uma esperança – mas não para já.
Em 1969 estive duas vezes em Israel para ver com meus olhos como um país consegue viver sob tais condições. É fácil, mesmo antes de chegar lá, apaixonar-se pela idéia de que Israel, após tantas trevas, tenha o seu lugar ao sol, o mesmo lugar onde ele começou há milhares de anos.
Mas ninguém se engane. Nada em Israel é fácil. O primeiro israelense com quem falei em um kibutz recebeu-me com uma atitude agressiva. “Você não gosta de americanos?”, perguntei. “Que países você admira?”, insisti. “Quando é tempo de guerra”, respondeu-me calmamente, “sempre estamos sozinhos”.
Fiquei sem resposta. O presidente americano Dwight Eisenhower prometera a Israel que os Estados Unidos manteriam o estreito de Tiran aberto (n.e.: extremidade sul do golfo de Áqaba, um linha de comunicação de Israel com o Mar Vermelho); mas antes da Guerra dos Seis Dias (1967) o Egito o fechou e os americanos não fizeram nada. Em 1948, a Grã-Bretanha fez tudo para negar armas aos israelenses; depois, quando os árabes atacaram, ficou só olhando. As armas francesas eram praticamente as únicas que Israel tinha na Guerra de 1956, mas os franceses ficaram ao lado dos árabes, e em 1969 venderam 100 caças à Libia. A Rússia nem se fala. Nem mesmo com a ONU, que deu origem ao Estado de Israel, os israelenses podem contar.
Por isso os israelenses são pragmáticos, e não têm tempo para frivolidades. Não poderia ser diferente, pois vivem num país cercado por mais de 60 milhões de árabes e cuja população local de 2.850.000 pessoas inclui mais de 350.000 árabes! (n.e.: dados de 1970, quando este artigo foi escrito)
Quando da Guerra dos Seis Dias, poucos ocidentais estavam do lado dos árabes, mas isso mudou com a vitória de Israel. O oprimido passou a ser visto como opressor. O que era antes um punhado de bravos soldados passou a ser visto como uma impiedosa máquina de guerra. A TV, que antes mostrava multidões de fanáticos gritando “Morte a Israel” agora mostra miseráveis em campos de refugiados, mulheres famintas, crianças chorando. E terroristas árabes são glorificados em seus campos de instrução, enquanto os ataques de Israel a eles são energicamente condenados. Encontrou-se uma nova classificação para os israelenses: “nazistas”.
Assim, os israelenses sentem-se cada vez mais abandonados. E quem pode censurá-los? Afinal, eles são o mesmo povo que, com milhares de soldados árabes à sua mercê, não apenas não fuzilou nenhum, como os soltou (n.e.: além de devolver aos derrotados as terras conquistadas!). Clique aqui para ver o mapa ao lado, em tamanho maior.
Qual é o lado árabe hoje? Para descobrir, hospedei-me em um hotel árabe em Jerusalém, tomei um guia árabe e entrevistei centenas deles. Logo descobri que o árabe mediano tem duas opiniões: uma pública e uma particular. Seus líderes têm apenas uma preocupação: provar que eles são mais “anti-Israel” do que qualquer um – essa é a face pública. O árabe precisa em todas as oportunidades condenar Israel e tudo que os israelenses fazem. Senão é suspeito.
Diga por exemplo que a terra destinada pela ONU a Israel é menos de meio por cento de todo o mundo árabe, e pergunte se os árabes não ficariam satisfeitos com os outros 99,5% (clique aqui para ver o mapa ao lado em tamanho maior). Não, ele responderá; Israel roubou a sua terra. E ainda acrescentará que seus ancestrais viveram ali por mais de mil anos. Mas se você perguntar se os judeus não têm mais direitos, porque viveram ali desde os tempos bíblicos, 3500 anos atrás, ele negará abruptamente.
Se alguém é judeu pela religião, para o árabe ele pode viver como cidadão num Estado árabe, praticando sua religião, se este é o seu Estado natal. Mas se for judeu americano, europeu ou africano, aí é considerado intruso.
Mas se você perguntar se os judeus, expulsos de suas casas na II Guerra, ficarão sem ter para onde ir, o árabe ficará indignado: ele dirá que o anti-semitismo não é uma doença do Oriente Médio, mas ocidental. O Ocidente a criou, e não deve querer acabar com ela às custas dos árabes. Clique aqui para ver a imagem ao lado ampliada.
Particularmente, porém, os árabes mostram opiniões diferentes. Lojistas, lavradores, até policiais, dizem que árabes e judeus não apenas precisam encontrar um meio de viver em harmonia, mas já descobriram como: “Nós somos o povo e as crianças”, disse-me um comerciante árabe, “não somos as nações e os líderes. Não queremos guerra, queremos paz”.
Descobri que em 1948 havia 56 escolas árabes em Israel, hoje (1970) mais de 500. Em 1948, menos de 4% das mulheres árabes dava à luz em hospitais; hoje são mais de 80%. Em 1948 nem uma só vila árabe tinha luz elétrica; hoje mais de 70% dos árabes em Israel a têm, e não está longe o dia em que esse serviço chegará a todos os lugarejos. Em 1948 cerca de 2.000 acres de terras árabes tinham irrigação; hoje não existe praticamente nenhum lugar que não a tenha.
Antes de ir a Israel eu pensava muito em campos de refugiados, multidões de presos atrás de arame farpado. Pois não vi nada disso. Os “refugiados” podem ir e vir – inclusive para outro país árabe. O problema é que os outros árabes não os querem. Querem que eles fiquem onde estão e como estão – para que possam denunciar “a desumanidade dos israelenses”.
Enquanto isso os árabes continuam ensinando seus filhos a odiar. O ministro da Educação da Síria orgulhava-se de seu lema: “o ódio é sagrado”. Um livro escolar pede às crianças sírias que analisem gramaticalmente a frase: “Expulsaremos todos os judeus das terras árabes”, e no ensino médio isso vai além: “Estrangulemos Israel, acabemos com suas ambições e os lancemos no mar”.
E os terroristas árabes, o que querem? Seus “intelectuais” se baseiam em três pontos:
- estão tão fortes na Jordânia que podem tomar o poder a qualquer hora;
- fomentar outra guerra logo que possível;
- e então Israel ocupará o território árabe até ser encurralado [pelas outras nações], com o conflito degenerando em uma guerra mundial onde será destruído.
Dizer a eles que os árabes também serão destruídos nessa guerra não causa nenhuma impressão neles. Dizem que os árabes começarão tudo de novo, e que Israel não poderá fazer isso.
Durante minha estada, não encontrei um só israelense que achasse que a paz pudesse vir logo, no ano que vem ou mesmo nesta geração. Mas a maioria encara filosoficamente o longo caminho a percorrer. “Veja por este ângulo”, disse meu guia, “em seu país as fronteiras estão garantidas, mas as cidades não; aqui pe o contrário”.
Conheci um israelense filosófico, Yehuda Avni. Ele lutou na Guerra dos Seis Dias, e como quase todo israelense sadio, serve uma vez por ano no Exército, embora não admita que Israel seja um país militarizado. “Há muita gente fardada por aí”, disse-me ele. “Os militares são muito ligados a nós. Todo soldado que morre tem o retrato no jornal, e geralmente o conhecemos, ou a sua família, ou um amigo; Israel é um país pequeno. Mas o Exército é um exército de paisanos”.
No fim de minha visita, fui a uma fazenda de onde se avistava a Jordânia, onde falei com um famoso herói de Israel, Meir Har-Zion. Perguntei-lhe se haveria paz. “Nos próximos vinte anos, não. Algum dia, sim”, foi a resposta.
Por fim, tive o prazer de viajar com Micha Bar-Am, fotógrafo famoso que participou de três guerras. Fomos a um restaurante árabe e fiquei admirado de vê-lo abraçar o proprietário. “Tenho muitos amigos árabes”, explicou-me. “Bons amigos, sinceros. Essa relação entre pessoas sempre houve; o que atrapalha é a política”.
Perguntei-lhe se não se irritava com a falta de sentido de tudo isso. Sua resposta foi esta: “às vezes sim. Um amigo morreu num atentado há pouco tempo. Fiquei muito abalado e por isso procurei um velho israelense, muito sensato, e perguntei-lhe se isso devia continuar. Sabe o que ele me disse? Que pelo menos sabemos por que morremos. Seis milhões de nós morreram sem motivo algum”.

Artigo escrito em junho de 1970, por Cleveland Amory, jornalista americano, para Seleções do Reader’s Digest, edição brasileira nº 341.

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terça-feira, 25 de setembro de 2012

ONU quer reduzir o número de países no mundo

A noticia até que não é nova, é de 2008. Mas só vi em 2012. Ainda assim não deixa de ser interessante. Muito interessante...

Terça, 25 de novembro de 2008 - New York, EUA – O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, fez uma proposta surpreendente em nome da liderança da ONU. Ele anunciou planos para reduzir o número de países na ONU, através da consolidação das fronteiras de países menores e menos impactantes, mantendo assim a mesma representação, mas com menor burocracia.
“Sentimos que a melhor maneira de representar todos os cidadãos do mundo é agilizar o nosso processo”, disse Moon em uma declaração à Assembléia Geral. “Desde a fundação das Nações Unidas a nossa ideologia foi unir os países e fazer do mundo um lugar melhor. Nos últimos vinte anos, à medida que mais e mais fronteiras foram elaboradas, nosso mandato está sendo obscurecido por tantas vozes. Acreditamos que esta proposta nos permitirá gerir mais eficazmente os recursos e executar a nossa filosofia de forma mais eficaz para o bem de toda a humanidade”.
A proposta a curto prazo é consolidar os países nas porções mais populosas do mundo. Especificamente, o Sudeste da Europa (Bulgária e a Romênia), as ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central e dezenas de outros na África Central e Ocidental, por exemplo, que seriam os primeiros alvos. A longo prazo, a organização vê um mundo muito mais consolidado com um número menor, de dez países. (GRIFO NOSSO)
“Simplesmente não temos como dar espaço e voz para um país como Benin ou Turquemenistão, quando eles são essencialmente iguais a seus vizinhos. É um desperdício de espaço, de tempo e esforço. Podemos trabalhar efetivamente para o mesmo número de pessoas de modo muito mais eficaz se tivermos menos vozes falando sobre um outro”, disse um representante da organização que preferiu permanecer anônimo. “Seriam também reduzidos significativamente os custos operacionais, o que dada a situação econômica mundial, seria melhor para todos”.
Esse sonho da ONU transformaria a maioria dos países em continentes, com poucas exceções, como a Rússia, Austrália e Oriente Médio. A organização não abordou como eles iriam lidar com questões como as diferenças étnicas, religiosas e políticas. “É fácil ver por que eles [a ONU] desejam tal coisa, mas a realidade da execução vai ser muito difícil. As pessoas tendem a não se dar muito bem. Realmente a razão para o estabelecimento da ONU é por causa disso. Eles iriam diminuir sua razão de existir”, disse o analista da Scrape TV Internacional, Hander Gustav. “Eu não vejo muitos desses países, alguns dos quais têm uma longa história de conflito ou grandes diferenças filosóficas, abandonando suas fronteiras e identidade nacional apenas com boa vontade. Mesmo com os países que se dão não haveria problemas. Tome a América do Norte como um exemplo. Você tem três países que se dão bem, mas falam três línguas principais [isto é, línguas diferentes]. Se eles mantiverem um idioma, qual seria? A Europa então vai ser um inferno”.
Claro que, para além dos inevitáveis ​​protestos de países que, de repente, deixarão de existir, os partidos políticos têm muito a perder, caso o número de nações seja reduzido.
“Professores de Geografia, cartógrafos, editoras de Atlas, fabricantes de globos... o número de pessoas que dependem de uma ampla variedade de países é enorme e todas essas pessoas estariam desempregadas. Sem contar a tensão religiosa ou étnica, os potenciais efeitos negativos sobre a economia seriam devastadores”, continuou Hander. “Eu não acho que isso é um plano muito bem pensado, para ser honesto. Claro que alguns desses países não são realmente tão importantes para a humanidade como um todo, mas você tem que levar a sério coisas como perda de emprego”. Fonte: Scrape TV (http://migre.me/aexIZ) 
O comentário é o seguinte: durante muitos anos nós, que estudamos a Bíblia com seriedade, crendo na infalibilidade das profecias, fomos ridicularizados e tidos como malucos e fanáticos. Eu me lembro muito bem que lá no início dos anos 1980, quando dizíamos que haveria alguma coisa que iria unir os países da Europa em uma espécie de federação, muitos torceram o nariz e riram de lado. Afinal, naquela época havia apenas o Mercado Comum, um “Benelux” ligeiramente ampliado, havia a Alemanha Oriental (que ficou fora do MCE, como outros países comunistas) e o entrave das diversas moedas nacionais. Mas o tempo passou, o muro de Berlim caiu e hoje aí está a União Européia, não mais um amontoado de países, mas uma potência mundial unificada, que participa de negociações políticas e comerciais como se fosse uma única nação. Quem viaja pela Europa hoje pode perceber como a união foi benéfica em termos cambiais: não é preciso mais trocar de moeda a cada país. Também acabou a maior parte da burocracia em cada fronteira, não tem mais o monte de vistos no passaporte, alfândega, etc. Há ainda problemas monetários e fiscais, por causa da crise econômico-bancária, mas é inegável que a U.E. é uma realidade irreversível. Ela foi profetizada nas Escrituras, como veremos adiante, e como você pode já ir conferindo neste link.
Eu queria ver agora a cara daqueles que nos ridicularizaram 30 anos atrás. Provavelmente fazendo a mesma cara de desprezo quando dizemos que num futuro breve o mundo todo será reduzido a apenas 10 reinos, ou impérios, ou regiões, ou até mesmo, 10 países. Não porque alguns burocratas e técnicos entendem que assim o mundo fica mais “administrável” ou melhor organizado, mas sim porque a Bíblia assim o diz. Temos no Livro Sagrado várias passagens que, há muito, interpretamos dessa forma, e a História parece se encaminhar para as condições geopolíticas apontadas por:
(1)    Daniel. Cerca de 500/600 a.C., 2500 anos atrás. No capítulo 7 o profeta conta de um sonho no qual lhe são mostradas quatro grandes potências mundiais, que se sucedem historicamente, simbolizadas por quatro animais. A última delas é composta exatamente por 10 “reinos”, que são simbolizados pelos chifres do último animal, tão terrível que é chamado de “Besta” (Daniel 7:7, 23, 24). Essa mesma visão é a confirmação da visão da estátua, que também significa os quatro grandes impérios mundiais, e os dez dedos dos pés, parte do último império, dão uma idéia da amálgama política desse último período da História humana (2:41-44).
(2)   Apocalipse. Cerca de 95 d.C., ou seja, 1900 anos atrás. O apóstolo João, confirmando Daniel, recebeu a revelação de que o tempo do julgamento das nações será marcado pelo domínio de um homem que tentará se colocar o lugar do verdadeiro Senhor do Universo, Jesus Cristo, e por isso é preconizado como o “Anticristo”. E o governo desse Anticristo será apoiado exatamente pelo que a Bíblia chama de “dez reis”. Leia mais sobre isto no capítulo 13:1 e 2 (tem relação ou não com Daniel?), e 17:12 e 13.
E depois disso tudo, antes de me chamar de louco, alienado ou visionário, conclua se o caminho por que segue a Humanidade é o que está previsto na Bíblia, ou não.

PS.: E por falar em ONU, a 67ª Assembleia Geral foi aberta em 25 de setembro de 2012, como tradicionalmente acontece, com um discurso do representante do Brasil, no caso, a presidente Dilma Rousseff. Aproveito para perguntar onde estão os mentirosos, caluniadores, difamadores e outros adjetivos piores, que espalharam nas redes sociais, blogs, sites e portais de internet, sem falar nas "igrejas" Brasil afora, que a então candidata seria presa assim que pusesse os pés em solo americano. Para os que não se recordam, aí vão uns trechos do que divulgaram à larga, na época: "Dilma Roussef foi condenada nos Estados Unidos pelo seqüestro do embaixador norte-americano, na década de 60 (Charles Elbrick)"; "Muitos governantes de países periféricos já foram apanhados nesta armadilha e a maioria perdeu o cargo que ocupava" (sem, no entanto, esclarecer quais foram esses "governantes presos"); "Quem vai representar o Brasil nas viagens internacionais aos Estados Unidos e aos 11 países onde ela pode ser presa no próprio aeroporto onde desembarcar?"; e por aí vai...
Seria pedir muito para que aqueles - pastores e padres, inclusive - que espalharam essas mentiras viessem a público se retratar? Seria demais mostrarem serem Homens com H e pedirem perdão? Ou continuarão se escondendo atrás de suas bem polidas máscaras de "bons moços", reluzentes como sepulcros de mármore? Reaparecendo a cada quatro anos com novas maquinações, sempre em proveito próprio? Toma vergonha, rapaz...

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