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sábado, 3 de agosto de 2013

Francisco não me representa

O “papa” F1 visitou a cidade brasileira de Aparecida do Norte, onde se presta culto a uma das versões de Maria, no caso a nossa senhora de Aparecida. Acho que depois que a poeira baixa, é momento de fazer umas reflexões. Alguns procuraram justificar a gastança de dinheiro público em benefício dos fiéis de uma religião, em detrimento de todas as outras. Alegam que “o papa é chefe de estado”. Sim, mas também esteve no Brasil o então presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad; nem por isso os muçulmanos fizeram requisição de dinheiro aos cofres públicos.
Circularam as mais variadas opiniões, capitaneadas por aquelas que exaltam o “pontífice”: é um homem humilde, simples, gosta de contato com o povão. Vai reformar “a igreja”, agora vai ser diferente. Etc, etc. Ora, pode até ser um “bom homem”, embora o próprio Jesus Cristo tenha dito que “ninguém é bom, senão o Pai que está nos céus”; mas daí a todas as outras assertivas, vai uma grande distância.
Por exemplo: tecem comparações com o seu antecessor, dizendo que F1 usa uma roupa branca, enquanto B16 preferia uma cheia de jóias, paramentos e outros badulaques. F1 usa uma cruz de prata, “simples”, enquanto a do outro era toda cravejada de rubis. B16 usava uns sapatos vermelhos, extravagantes, sentava num trono que parecia obra de Bernini de tantos relevos que tinha, sobre um tapete de veludo vermelho. Mas F1 usa os mesmos sapatos velhos desde quando era seminarista e ia aos jogos do seu time, o San Lorenzo, no velho estádio do Gasômetro em Buenos Aires, senta num trono simples (desde quando sentar em trono é sinnal de simplicidade, eu não sei) e sem tapete... vejam os senhores se isto é sinal de “reforma” ou apenas uma ação de marketing bem planejada, para mudar a imagem e a percepção do papado, do Vaticano e da igreja católica.
Eu fico com a segunda opção e digo que #FranciscoNãoMeRepresenta, pelo seguinte:
Continua o Banco do Vaticano servindo de lavagem de dinheiro. Dizer que vai substituir os administradores não quer dizer que mudará a política de uso dos vastos recursos escondidos nos cofres obscuros. Sinal de reforma seria publicar um balanço constando as operações contábeis, as reservas para provisionamento de prejuízos, as entradas e saídas, as despesas com salários, etc... como qualquer outro banco faria. Caso contrário, continua como sempre, servindo de cenário para filmes de mafiosos, conspirações secretas e marcando presença constante nas páginas policiais de todo o mundo.
Continua a proibição de casamento de sacerdotes (um absurdo: como o sujeito pode aconselhar casais se ele nem sabe o que é casamento; e muito menos mulher, ou pelo menos na teoria não deveria saber, já que é celibatário)...
Talvez em decorrência da proibição do casamento dos sacerdotes, continua sem solução à vista o eterno problema dos padres gays e pedófilos. Aí vem o “papa” e dá uma entrevista onde não diz nem que sim nem que não, ficando em cima do muro. Disse F1 (mais ou menos) que “se a pessoa é gay mas busca o Senhor, temos que perdoar”. Ora, vejam a incoerência. Se “a pessoa é gay e “busca o Senhor”, obviamente deixará de ser gay, como disse o apóstolo Paulo na primeira carta aos Coríntios, cap. 6, versos 9 a 11: “Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis... nem os sodomitas... herdarão o reino de Deus. E tais fostes alguns de vós; mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (grifo acrescentado). A pessoa “foi”, não é mais, deixou de ser. Ou seja, F1 faz o jogo dos militantes LGBT, que gostam de citar que Jesus não condenou a mulher adúltera (“nem eu te condeno”, João 8:11); mas espertamente omitem o fim do mesmo versículo, onde Jesus recomenda “vai e não peques mais”.
Continua a proibição do sacerdócio feminino. Não obstante várias religiões de orientação protestante tenham resolvido essa questão há muitos anos, até mesmo a título de uma “modernização” que pode até ser questionável, a posição de Roma é inflexível e contrasta com o suposto alinhamento com os “novos tempos”.
Francisco e a instituição que ele representa continuarão a explorar a fé dos mais humildes com essas procissões, romarias a Aparecida, a Roma, a Juazeiro do Norte, ao Círio de Nazaré, a Fátima, a Lourdes, a Medjugorje e mais outras centenas de lugares onde ocorreram “aparições”, ou se diz que ocorreram. Colocam fardos no lombo do povo, como os fariseus no tempo de Jesus. Não têm vergonha de atrair milhares, milhões até, a peregrinações que nenhum proveito têm, a não ser “para a satisfação da carne” (Colossenses 2:23) e para lucro dos comerciantes, que obviamente, depositarão o dízimo na caneca do padre como “oferta de gratidão”. Ou estou errado? Estou exagerando?
Como é que eu posso apoiar um jesuíta, membro da ordem religiosa das mais furiosas, que mais combateu aqueles que ousaram um dia pensar que a “santa madre igreja” poderia estar equivocada em suas políticas? Como posso concordar com um homem que escolhe o nome de um personagem conhecido pela humildade e simplicidade, só para esconder a ferocidade dos inquisidores debaixo de um manto branco? Não é possível entrar em acordo com o representante de uma facção cruel e sedenta de poder como os jesuítas. Leia mais neste link e neste outro também.
Esse Francisco não me representa porque a jogada de marketing não vai parar. Vai continuar a canonização de “santos populares”, principalmente naqueles países onde o catolicismo vem declinando fragorosamente. Foi assim dos anos 1990 em diante, quando o finado JP2 canonizava a granel, de batelada, enchendo tanto o panteão que hoje tem mais santo do que dias no calendário, e eles se amontoam até três ou quatro por dia. Nisso a igreja se modernizou, pois antes cada dia tinha um santo, hoje o freguês pode escolher entre vários no mesmo dia. Um verdadeiro supermercado com várias prateleiras. F1 está só repetindo a fórmula do finado JP2, que foi a receita que funcionou, a que deu certo.
Acham que modernização significa copiar o que dá certo em outras religiões, aliás, uma prática que acompanha o catolicismo desde a sua institucionalização lá no distante século IV depois de Cristo. Todo mundo sabe o que é o sincretismo, como começou e onde chegou; todo mundo sabe de onde vem tanto santo, tanta festa e tanto costume que nada tem a ver com a simplicidade do Cristianismo e do Evangelho. Se você não sabe, experimente clicar aqui, aqui, aqui, e aqui.
Nesse processo de cópia desenfreada, estão copiando os evangélicos que tanto desprezam, fazendo missas com muita cantoria, violão, batendo palmas, falando e ensinando “línguas estranhas”, imposição de mãos para curar doentes, pedindo dízimo...
F1 não me representa de jeito nenhum, porque ainda no avião que o levava do Brasil para Roma, depois da visita a Aparecida do Norte, disse em alto e bom som que “nossa senhora é mais importante que os apóstolos”. Quem quiser que procure a entrevista, que foi ao ar – lógico – na Globo. Ora, isto é um absurdo teológico monstruoso, uma vez que não existe nenhuma doutrina ou ensinamento de “nossa senhora” que regule o funcionamento da Igreja, que nos traga algum esclarecimento ou iluminação sobre a Palavra de Deus. Uma das poucas falas de Maria registrada nas Escrituras é mandando obedecer a Jesus em tudo: “Fazei tudo quanto ele vos disser” (João 2:5). Nesse aspecto, os evangélicos obedecem a Maria melhor do que os católicos, porque fazem o que Jesus disse. Já os católicos, se apóiam em lendas e mitos, com seus evangelhos apócrifos de Maria, nas lendas de santos e dogmas no mínimo extra-bíblicos como a Imaculada Conceição e a Ascenção de Maria. Se essas lendas são mais importantes do que os escritos e ensinos apostólicos, então F1 está maluco. Pois Jesus mesmo disse que “todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha... Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia” (Mateus 7:24, 26). Vejam os senhores se “o papa” está sendo prudente.
Outras pragas que ele não exterminará serão aquelas contidas nos livros apócrifos e suas lendas: anjos mentindo, ensino de bruxaria (Tobias 5:18 e 6:8), mentira e sedução (Judite 10:2-4; 11-13); intercessão de santos e reza pelos mortos (II Macabeus 15:12-16; 12:45). Aliás, vem daí o ensino espúrio sobre o purgatório e a necessidade de “purificar algum pecado remanescente”, como se o sangue de Jesus fosse insuficiente, em flagrante contraste com a escritura (I João 1:9 diz explicitamente: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça – grifo acrescentado).
Eu podia ficar aqui listando mais um monte motivos pelos quais o “papa” Francisco não me representa. Mas já foi explicado suficientemente.
E para a falar a verdade, doa a quem doer, Francisco não representa nem mesmo a Cristo, de quem ele diz ser “o vigário” (substituto).
São muito diferentes, em que pese o esforço de marketing para tentar vender a imagem de santo.
Falta muito ainda para um “papa” dizer que “renovou a igreja”... na boa... é só marketing pra recuperar o cliente perdido.

Como leitura adicional, sugiro este brilhante artigo de Michelson Borges em Criacionismo.com
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sábado, 17 de abril de 2010

Prostituição

1 Veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas;
2 com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam sobre a terra se embriagaram com o vinho da sua prostituição.
3 Então ele me levou em espírito a um deserto; e vi uma mulher montada numa besta cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e que tinha sete cabeças e dez chifres.
4 A mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas; e tinha na mão um cálice de ouro, cheio das abominações, e da imundícia da prostituição;
5 e na sua fronte estava escrito um nome simbólico: A grande Babilônia, a mãe das prostituições e das abominações da terra.
6 E vi que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus. Quando a vi, maravilhei-me com grande admiração.


Apocalipse capítulo 17 (versos acima) diz que, num futuro próximo, haverá uma instituição que irá se relacionar de forma extremamente íntima com as esferas de poder (verso 2). A figura que a Bíblia usa para ilustrar essa relação é a da prostituta que se embebeda com os reis da terra. Até mesmo teólogos católicos, através dos séculos são praticamente unânimes em identificar no texto a igreja católica. A intimidade com o poder temporal é a prostituição do espiritual com o mundano. Essa mistura das coisas de Deus com as coisas do mundo não vem de agora; não, é muito antiga.
Quando Lutero esteve em Roma, pouco tempo antes de ser alcançado pela graça salvadora de Jesus Cristo, percebeu que Roma era tudo menos santa. “Ninguém pode imaginar pecados tão infames e os atos que são cometidos em Roma”, disse; “têm que ser vistos e ouvidos. Tanto é assim que se costuma dizer: ‘Se existe um inferno, Roma está construída sobre ele’.”
E de fato, já naquela época a fama dos padres, cardeais, bispos e até “papas” como corruptos e sedentos de poder temporal era já antiga. Os prelados da igreja eram grandes proprietários de terras, donos de exércitos, políticos poderosos; tinham milhares de servos que trabalhavam por migalhas e tratavam cada padre, bispo ou cardeal como verdadeiros semi-deuses. E como se não bastasse, esses pretensos representantes de Deus imitavam em tudo os reis da terra: também eram adúlteros, fornicadores, pedófilos e homossexuais temidos pelas pessoas de bem. Como conseqüência, em muitas paróquias as pessoas insistiam para que sacerdotes tivessem concubinas fixas, “como proteção para suas próprias famílias”.
Apenas no ano de 1499, em Norfolk, Inglaterra, de 73 acusações de crimes sexuais, 15 foram contra padres; em Rippon, 24, e em Lambeth, 9. Confessores pediam favores sexuais às suas penitentes. Muitos padres tinham concubinas. Em Roma, 6% da população da cidade era de prostitutas, a maioria a serviço do clero. "Santo" Agostinho, por exemplo, dizia que os bordéis eram uma instituição muito útil, e que se fossem fechados, a humanidade se convulsionaria.

Ivo, bispo de Chartres, França (1035-1115) relatou que as freiras do convento de Santa Fara praticavam a prostituição. Abelardo (1079-1142) descreveu um quadro semelhante a respeito dos conventos de seu tempo. O “papa” Inocêncio III declarou que o convento de Santa Ágata era um bordel cuja devassidão corrompia toda a região vizinha. Rigud, bispo de Ruão, França, fez um relatório (1249) em que mencionava um convento onde, as 36 freiras, oito eram culpadas ou suspeitas de fornicação, e a madre superiora se embriagava todas as noites. Quando o bispo foi entregar uma carta de repreensão no convento de Lincoln as freiras a atiraram em sua cabeça. (Will Durant, A Idade da Fé, p. 721).
John Bromyard, frade dominicano do século XIV, observou que “aqueles que deviam ser os pais dos pobres cobiçam as comidas requintadas e apreciam o sono matinal, gastos de glutonaria e embriaguez... as reuniões de clérigos dão a impressão de bordéis de gente lasciva”. Erasmo de Roterdam dizia que “muitos conventos pouco diferem dos bordéis públicos”. Johannes Trithemius, abade de Sponheim, escreveu em 1490 que “os três votos da religião são pouco respeitados... desprezam a pobreza, desconhecem a castidade, repudiam a obediência. O fumo de suas imundícies eleva-se pelas adjacências”. Guy Jouenneaux, enviado para reformar os mosteiros beneditinos em 1503, relatou que “monges jogam, blasfemam, usam espadas, juntam riquezas, fornicam, levam vida de bacanais, são mais mundanos que os mundanos... se eu fosse escrever tudo o que vi, o relato seria longo demais”.
Na Pomerânia, os homens do povo encorajavam os padres a terem suas próprias concubinas, como forma de proteger suas próprias esposas e filhas.
Durante o reinado de Leão X (1513-1521), que exerceu 27 ofícios eclesiásticos diferentes antes dos 13 anos de idade, e assim aprendeu que a carreira na igreja era apenas um método de ganhar dinheiro e posições, Lutero, sendo ainda sacerdote católico, viajou a Roma. Ao ver pela primeira vez a cidade, caiu ao solo dizendo “Santa Roma, te saúdo”. Pouco tempo depois, se deu conta de que Roma era tudo menos santa. Pôde ver que a iniquidade existia em todas as classes do clero. Sacerdotes contavam piadas indecentes e diziam palavrões, inclusive na missa. Lutero descreve os “papas” da época como piores em conduta do que os imperadores pagãos, e que os banquetes da corte papal eram servidos por doze mulheres nuas.
A conclusão evidente a que chegamos é que, desde que a liderança da igreja cristã perdeu o foco na Palavra de Deus, e começou a perceber que, para ser aceita deveria buscar o apoio político, começou o declínio moral e espiritual. Não por coincidência, a partir desse momento deixa-se de usar o nome cristão para adotar o de “católica”.
E por aí foi ladeira abaixo.
No fim das contas, o caráter e a moral de muitos papas nos revela que não são sucessores de Cristo e de Pedro, mas sim de um sacerdócio pagão. Não queremos dar a impressão de que todos os "papas" foram maus, mas é necessário nos referirmos aos tais para mostrar que a afirmação a respeito da “sucessão apostólica” é uma falácia. Se fosse verdadeira, significaria que todos esses indivíduos devem ser considerados infalíveis.
Maquiavel escreveu em 1413: “Se o cristianismo tivesse sido conservado segundo os preceitos do fundador, o Estado e a comunidade seriam muito mais unidos e felizes do que são. Nem pode haver maior prova de sua decadência do que o fato de que quanto mais perto estão as pessoas da igreja romana, menos religiosas são. E quem examinar os princípios sobre os quais está baseada a sua religião e vir quão diferentes são esse princípios de sua prática e aplicação, verá que sua ruína ou punição está muito próxima”. O monge Bernardino escreveu em 1420: “Muitíssimas pessoas, considerando a vida pecaminosa de monges, freiras e frades, ficam abaladas e muitas vezes, enfraquecem da fé”. (Will Durant, A Reforma, p. 13-14, 17).

Não bastassem a simonia, a ganância, a exploração dos mais pobres, a idolatria grosseira e supersticiosa, de origem pagã e demoníaca expressa na adoração a falsas relíquias, cadáveres e panos apodrecidos, agora juntam à enorme lista – nem dizemos mais que são pecados, pois isso para muitos católicos é relativo – mas sim lista de crimes contra a humanidade, mais um, ainda mais repugnante: o abuso sexual de crianças e adolescentes.
E o pior: o "sumo-pontífice" sabia de tudo, sim senhores. Como é que o chefe da Inquisição (que agora atende pelo eufemismo de "Sagrada Congregação Para a Doutrina da Fé") durante décadas não sabia de nada? Ou ele mentiu, ou então era muito incompetente.
Terminamos citando um artigo da revista Chamada da Meia Noite. 
No capítulo 7 do livro de Provérbios lemos sobre uma mulher - muito semelhante à de Apocalipse 17 - e seu ritual de sedução.:
7 Vi entre os simples, divisei entre os jovens, um mancebo falto de juízo,
8 que passava pela rua junto à esquina da mulher adúltera, e que seguia o caminho da sua casa,
9 no crepúsculo, à tarde do dia, à noite fechada e na escuridão;
10 e eis que a mulher lhe saiu ao encontro, ornada à moda das prostitutas, e astuta de coração.
11 Ela é turbulenta e obstinada; não param em casa os seus pés;
12 ora está ela pelas ruas, ora pelas praças, espreitando por todos os cantos.
13 Pegou dele, pois, e o beijou; e com semblante impudico lhe disse:
14 Sacrifícios pacíficos tenho comigo; hoje paguei os meus votos.
15 Por isso saí ao teu encontro a buscar-te diligentemente, e te achei.
16 Já cobri a minha cama de cobertas, de colchas de linho do Egito.
17 Já perfumei o meu leito com mirra, aloés e cinamomo.
18 Vem, saciemo-nos de amores até pela manhã; alegremo-nos com amores.
19 Porque meu marido não está em casa; foi fazer uma jornada ao longe;
20 um saquitel de dinheiro levou na mão; só lá para o dia da lua cheia voltará.
21 Ela o faz ceder com a multidão das suas palavras sedutoras, com as lisonjas dos seus lábios o arrasta.
22 Ele a segue logo, como boi que vai ao matadouro, e como o louco ao castigo das prisões;
23 até que uma flecha lhe atravesse o fígado, como a ave que se apressa para o laço, sem saber que está armado contra a sua vida.

São palavras que,
além de alertarem sobre o adultério literal, também se aplicam profeticamente à nossa época, caracterizada pela sedução babilônica: multidões que parecem ter perdido o rumo certo nos lembram o verso 7: “...um mancebo falto de juízo”; seguindo o engano, fazem concessões e estão próximas de “dobrar a esquina” (v. 8). Já se aproxima o crepúsculo, as trevas dos tempos finais (v. 9). O engano é grande: as vestes da meretriz escondem a astúcia no seu coração (v. 9 e 10). Usando termos religiosos (v. 14), a igreja católica parece caminhar na direção dos evangélicos, mas as religiões cristãs vão ser engolidas por ela (v. 15). E os versos 21 e 24-27 finalizam com uma séria advertência aos que ainda insistem em seguir este culto pagão muito mal disfarçado de cristianismo:

24 Agora, pois, filhos, ouvi-me, e estai atentos às palavras da minha boca.
25 Não se desvie o teu coração para os caminhos da adúltera, e não andes perdido nas suas veredas.
26 Porque ela a muitos tem feito cair feridos; e são muitíssimos os que por ela foram mortos.
27 Caminho de Seol é a sua casa, o qual desce às câmaras da morte.


DOA A QUEM DOER!

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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Uma história de sexo, terror e crimes

A intimidade com o poder
temporal é uma das formas de  prostituição do espiritual com o mundano - como anunciado em Apocalipse capítulo 17. Essa mistura das coisas de Deus com as coisas do mundo não vem de agora; não, é muito antiga.

O aspecto moral, infelizmente, é apenas uma cena pornográfica no meio desse longo filme de terror.
Durante a Idade Média surgiram anedotas como o Decameron, Heptameron, Os Contos de Canterbury etc., cujos protagonistas eram padres e freiras lascivos. Muitos papas eram tão depravados que até mesmo os que não professam nenhuma religião se escandalizavam. Devido a tamanha imoralidade, não devemos nos surpreender de que os padres não fossem melhores do que seus chefes. 
Pecados tais como adultério, sodomia, estupros, assassinatos e embriaguez vêm sendo cometidos por muitos papas através da história. Estamos conscientes de que atribuir esta classe de pecados a quem se proclama ser “santo padre”, “vigário de Cristo” e “bispo de bispos”, pode ser alarmante para alguns. Mas aquele que estuda a historia dos papas compreende claramente que muitos foram tudo, menos santos.
Sergio III (904-911 d.C.) obteve o ofício papal por meio de assassinato. Os anais da igreja de Roma falam sobre sua vida em pecado com Marozia dei Teofilatti, a quem seduzira quando ela era adolescente, e que depois lhe deu vários filhos. Marozia era filha de um senador romano com Teodora, uma prostituta.
Este Sergio foi descrito pelos historiadores Baronio e Gregorio como um “criminoso aterrorizante” e por outros escritores eclesiásticos como um “monstro”. Diz um deles: “Por sete anos ocupou a sede de são Pedro, enquanto sua concubina, imitando a rainha Semiramis, reinava na corte em pompa e luxo como nos piores dias do velho Império Romano”. Referindo-se a Teodora, diz: “Esta mulher, junto com Marozia, a prostituta do papa, encheu a sé papal com seus filhos bastardos e converteu seu palácio em um labirinto de ladrões”Após a morte de Sergio, Teodora conseguiu nomear “papa” João X, então seu amante (914). João foi assassinado em 928 por Marozia, que queria levar Leão IV à cadeira papal. Seu reinado foi breve (928-929): teve o mesmo fim quando Marozia se deu conta de que ele tinha uma amante mais imoral do que ela própria. Pouco depois conseguiu eleger seu filho e de Sergio ao trono.  Entretanto, o novo "papa" era apenas um adolescente, que tomou o nome de João XI. Durante uma briga com os inimigos de sua mãe foi encarcerado e acabou morrendo envenenado.
No ano de 995, o neto de Marozia tomou posse do trono como João XII. Este chegou a ser tão corrupto que os cardeais se viram obrigados a tomar medidas: foi julgado culpado de vários crimes, incluindo incendiar edifícios, brindar ao demônio, jogar dados, invocar ajuda do diabo, obter dinheiro por meios ilegais e cometer imoralidades. Tão vis foram seus atos que o bispo Luitprand de Cremona disse que “nenhuma mulher honesta se atrevia a sair em público, pois João não tinha respeito a elas, solteiras, casadas ou viúvas”. Levantou a ira do povo ao transformar o palácio papal em bordel público, e foi descrido pelo “Liber Pontificalis” como tendo passado toda a vida em adultério; e assim morreu, assassinado pelo marido da mulher com quem dormia.
Bonifacio VII (984-985), como seus antecessores, se manteve no cargo enquanto controlava a distribuição de dinheiro. Foi ele que fez encarcerar e assassinar João XIV, e depois incitou a multidão a arrastar-lhe o corpo pelas ruas, deixando os restos aos cães. Este Bonifacio foi classificado por Silvestre II como “um horrendo monstro que sobrepujou a todos em maldade”. Infelizmente, Silvestre não era muito melhor, já que a própria Enciclopedia Católica diz que “o povo o considerava um mago pactuado com o diabo”.
Em seguida, veio João XV (985-996) que dividiu as finanças da igreja entre seus parentes. Benedito VIII (1012-1024) comprou o cargo com chantagens. O seguinte, João XIX (1024-1033) fez o mesmo. Benedito IX (1033-1045) foi eleito com apenas 12 anos de idade, por meio de arranjos financeiros das famílias que controlavam Roma. Este papa-mirim cresceu em maldade e “cometeu homicídios e adultério em plena luz do dia”; assaltava os peregrinos nas catacumbas e por fim, foi expulso da cidade pelo próprio povo!
O campeão da corrupção foi Bonifácio VIII, retratado por Dante na sua “Divina Comédia” como sofrendo horrores nas profundezas infernais. Eleito em 1294, por meio das habituais fraudes, mandou encarcerar seu antecessor até que morresse à míngua. Seis cardeais afirmaram que ele dizia serem as leis divinas meras invencionices; que era tolice uma virgem conceber, Deus ser uma pessoa em três e haver outra vida depois desta: “é o que acredito e sustento, como aliás todo homem culto. Precisamos falar à maneira da plebe, mas pensar e acreditar de acordo com a elite”...
Outras testemunhas diziam que praticava pecados sexuais “naturais e também contrários à natureza”, e que se comunicava com as trevas por meio de feitiçarias.
No Concilio de Constança, três “papas”, e algumas vezes quatro, simultaneamente, se insultavam todos os dias, acusando-se uns aos outros de anticristos, demônios, adúlteros, sodomitas, inimigos de Deus. Um deles, João XXII (1410-1415), foi intimado a depor sobre sua conduta. Foi acusado por 37 testemunhas (bispos e sacerdotes, na maioria) de fornicação, adultério, incesto, sodomia, furto e homicídio, além de haver seduzido e violado 300 freiras. Mantinha em Bolonha um harém onde não menos de duzentas meninas haviam sido vítimas de sua luxúria. Para aumentar sua fortuna, criou impostos para tudo, incluído o jogo, a usura e a prostituição.
Por tudo isto o Concílio o declarou culpado de 54 crimes da pior categoria e o ejetou da cadeira papal; o tarado fugiu. O registro oficial do Vaticano qualquer um pode conferir, se achar que é lenda ou invenção: “Sua senhoria o papa João, cometeu perversidades com a esposa de seu irmão, incesto com santas monjas, teve relações sexuais com moças virgens, adulterou com mulheres casadas e toda classe de crimes sexuais... entregou-se completamente a dormir a outros desejos carnais, totalmente avesso à vida e aos ensinamentos de Cristo... Foi chamado publicamente de diabo encarnado”.
O “papa” Pio II (1458-1464) teve inúmeros bastardos. Falava em público sobre os métodos que usava para seduzir mulheres. Seu sucessor Paulo II (1464-1471) satisfez o desejo popular e manteve uma casa cheia de concubinas. Dizem que as jóias de sua coroa valiam mais do que um palácio inteiro. 

Sixto IV (1471-1484) nomeou cardeais vários filhos que teve com sua amante Teresa. Também nomeou oito sobrinhos, mas alguns deles eram, na verdade, seus filhos com outras mulheres. Financiou guerras vendendo posições eclesiásticas.
Inocencio VIII (1484-1942) teve dezesseis filhos com várias mulheres, e não negava que haviam sido “gerados no Vaticano”. Inovou na arrecadação de dinheiro, permitindo touradas na praça de São Pedro.
Rodrigo Borgia, vulgo Alexandre VI (1492-1503), subiu com a compra de votos. Viveu com uma mulher chamada Vanozza dei Catane, e depois com a filha dela, Rosa, com quem teve cinco filhos. No dia de sua coroação, nomeou um deles arcebispo de Valência, Espanha. Viveu em incesto publicamente com suas duas irmãs e com sua própria filha, a tristemente famosa Lucrecia Borgia, com quem se diz ter tido pelo menos um filho. Em 31 de outubro de 1501, véspera de “todos os santos”, realizou tal orgia no Vaticano que nunca se verificou igual na história da humanidade, nem no tempo dos Césares.
Paulo III (1534-1549) tinha quatro filhos; na sua coroação celebrou o batismo de seus bisnetos e nomeou sobrinhos adolescentes como cardeais; promoveu festivais com cantoras, bailarinas e bufões, e buscava ajuda de astrólogos.
Para esses homens, o poder era mais importante do que a saúde espiritual do rebanho de Deus. Lobos disfarçados, que devoram as ovelhas, dando preferência às mais novas e inocentes.

Deus tenha misericórdia!

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domingo, 12 de abril de 2009

Aborto não; já o estupro...

Essa a posição adotada pelo arcebispo de Olinda e Recife, “dom” José Cardoso Sobrinho (foto), que aplicou o “Código de Direito Canônico” para excomungar toda a equipe médica que atendeu à menina de 9 anos, grávida em decorrência de estupro. Pelas “leis” católicas, uma pessoa excomungada não pode participar das atividades comuns aos fiéis, como receber a hóstia, casar “na igreja”, nem ser padrinho ou madrinha etc.

A menina, de 1,36 m e 36 kg, vinha sendo estuprada pelo padrasto desde os seis anos, assim como a irmã dela, de 14 anos. Ela residia em Alagoinhas, a 227 km de Recife, e estava grávida havia 15 semanas. A mãe – também excomungada – não sabia de nada, e soube do estado da menina porque ela sentia dores na barriga, tonturas e enjoos, e por isso foi levada ao médico.
“O risco maior seria a continuidade da gravidez. Uma criança de 9 anos não tem ainda os órgãos formados”, declarou o diretor médico do hospital de Recife, onde a gravidez foi interrompida no dia 4 de março. O procedimento foi correto, pois a lei permite o aborto em vítimas de estupro até a 20ª semana de gestação. Mas foi condenado pela Igreja Católica. “Está no Código de Direito Canônico que qualquer pessoa que comete o aborto está automaticamente excomungada”, explicou o arcebispo. Seus coleguinhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) concordam. “Para nós, sempre terá precedência o mandamento do Senhor: ‘Não matarás!’” – afirmaram.
Até o presidente Lula se pronunciou: “Como católico, lamento profundamente que um bispo tenha um comportamento conservador como esse. Não é possível permitir que uma menina estuprada pelo padrasto tenha esse filho, até porque ela corria risco de vida”.
Em Roma, o chefe do Departamento do Conselho Pontifício para a Família, “dom” Gianfranco Grieco (na foto com sua mitra tradicional), reafirmou ao jornal italiano Corriere della Sera que “a igreja não pode nunca trair sua posição, de defender a vida, da concepção até o seu término natural, mesmo diante de um drama tão forte”. Os médicos estariam totalmente em pecado “porque são protagonistas de uma sentença de morte”.
E esse tal “dom” José Cardoso Sobrinho alguém sabe quem é? É um prelado bem cioso de sua autoridade. À frente da Arquidiocese de Olinda e Recife desde 1985, quando substituiu “dom” Hélder Câmara, ele já destituiu vários padres, fechou instituições fundadas pelo antecessor e chamou a polícia para proteger o palácio episcopal dos fiéis; pediu que a prefeita de Olinda, Luciana Santos, saísse da fila da hóstia por pertencer a um “partido ateu”, o PCdoB, e condenou o padre Edwaldo Gomes a três meses de suspensão e à retratação pública por ter celebrado uma cerimônia conjunta com bispos anglicanos. É este o currículo desse cidadão (foto).
Quanto ao estuprador, a “santa, una e verdadeira” igreja não se manifestou, pelo menos não de forma lógica e inteligível aos não especializados em “direito canônico”.

Após aborto, apoio médico e psicológico
Poucas semanas após o aborto, a menina que foi abusada pelo padrasto passa os dias desenhando, pintando e brincando com bonecas num abrigo em Recife, com a mãe e a irmã, de 14 anos. A Secretaria Especial da Mulher, responsável pela tutela da menina, afirma que ela passa bem, recebe apoio médico e psicológico e não faz idéia do que houve. A secretária-executiva da pasta, Lucidalva Nascimento (foto), diz que a garota não entende o que passou pois é "muito menina": ela pensa que estava com verminose. Lucidalva diz que a menina gosta de participar das atividades lúdicas e recreativas promovidas pelo abrigo e que tanto ela como a irmã, que também sofreu abusos, voltarão a estudar assim que retornarem à rotina em outra cidade. Na escola onde estudava, professoras dizem que ela era "carinhosa e nunca faltava às aulas". Mesmo assim, apresentava déficit e repetiu o segundo ano do ensino fundamental.
A mãe das meninas não quer retornar a Alagoinhas porque teme que as filhas fiquem estigmatizadas na cidade, de 14 mil habitantes, e não consigam retomar suas vidas. A casa em que viviam está trancada desde 27 de fevereiro. O proprietário aguarda a retirada dos pertences para alugar o imóvel. O pai, lavrador, vive longe da família há mais de dois anos, e afirmou que não tinha notícias porque a separação foi traumática: "Ninguém me conta nada”. Diz que quando viu a filha ela apontou para a barriga e disse que teria duas crianças. "Ela falou que ia ser uma dela e outra para a irmã brincar”. Ele afirma que permitiu o aborto porque disseram que a filha ia morrer. No dia em que o estuprador foi preso, o pai foi chamado por amigos e vizinhos, mas preferiu não ir à delegacia. Segundo ele, se for preciso, vai pedir a guarda das meninas.

Código Penal prevê justificação do aborto
A lei brasileira, diferente da “lei canônica”, prevê a justificação do aborto, desde a década de 1940. Dispõe o artigo 128 do Código Penal que “não constitui crime” o aborto praticado por médico, “se não há outro meio de salvar a vida da gestante” ou “se a gravidez resulta de estupro” e se houver consentimento do representante da gestante incapaz. No caso, as hipóteses se somam. Uma menina de 9 anos, fisicamente ainda mal formada, carregando dois fetos, corre graves riscos de vida, sendo, segundo os médicos, aconselhável a interrupção da gravidez para salvaguarda da gestante.

Vaticano defende a excomunhão
O cardeal Giovanni Battista Re (na foto em pose de contrição e santidade), presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina, defendeu em entrevista ao jornal La Stampa a excomunhão da mãe da menina. "Os gêmeos concebidos eram inocentes, tinham o direito de viver e não podiam ser eliminados", afirmou o cardeal, que também chefia a “congregação dos bispos”. "É preciso sempre proteger a vida, os ataques à Igreja brasileira são injustificados. A excomunhão dos que provocaram o aborto é justa porque é a supressão de uma vida inocente", concluiu.
Perguntaríamos ao eminente prelado o que diria o seu homônimo bíblico, o profeta João Batista, sobre estuprador e vítima: defenderia a menina ou os fariseus do Sinédrio de Roma?
COMENTÁRIO – Como está distante do exemplo de Jesus esta instituição retrógrada, baseada em leis medievais e completamente fora da Palavra de Deus! Todos concordam: médicos, advogados, psicólogos, assistentes sociais, policiais, políticos, a população em geral, e até presidiários – não se pode mais viver sujeito a essas cabecinhas ridículas que pretendem guiar a Humanidade. Quando molestadores de crianças, travestidos de santos, são protegidos por seus pares em julgamentos “canônicos” de mentirinha, e no caso desta pobre menina, a parte mais fraca é condenada, imaginamos como seria bom se esses senhores aplicassem suas leis inquisitoriais sobre si mesmos, excomungando-se mutuamente!
E justiça seja feita: setores evangélicos são da mesma opinião deste dom José, como por exemplo a senhora Damares Alves, que aparece e desaparece ao sabor do momento. Como ministra de Direitos Humanos, deixou muito a desejar, especialmente em relação a crianças indígenas. Mas isto já é assunto para outro artigo.
DOA A QUEM DOER.