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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Contradições da Bíblia? (2)

Sempre que vejo certos argumentos usados para desacreditar a fé cristã, o cristianismo bíblico e a própria Bíblia em si, enquanto Palavra inspirada de Deus, me dá vontade de rir. Os mesmos que dizem ser a Bíblia uma coleção de mitos de povos semi-civilizados, ou que afirmam ser ela fruto da mente de homens maliciosos, tentando dominar os demais alegando serem profetas, esses mesmos demonstram tanto desconhecimento acerca do objeto de seu ódio, que dá até pena.
Um idiota chamado José Francisco Botelho escreveu as seguintes asneiras na revista “Superinteressante”:
Em algum lugar do Oriente Médio, por volta do século 10 a.C., uma pessoa decidiu escrever um livro. Pegou uma pena, nanquim e folhas de papiro (uma planta importada do Egito) e começou a contar uma história mágica, diferente de tudo o que já havia sido escrito. Era tão forte, mas tão forte, que virou uma obsessão. Durante os 1000 anos seguintes, outras pessoas continuariam reescrevendo, rasurando e compilando aquele texto, que viria a se tornar o maior best-seller de todos os tempos: a Bíblia.
Com esse texto extremamente preconceituoso (sim, é pré-conceito, um conceito emitido antes de conhecer o objeto), ele tenta, obviamente, desqualificar a Bíblia enquanto Palavra inspirada, reduzindo-a a um amontoado de escritos aleatórios e manipulados, alterados a cada reedição. Nada mais distante da verdade, como veremos.
Esse pessoal bate na manjada tecla da manipulação. Como aquela turma que lê um livro de sucesso momentâneo, tipo “O Código da Vinci” (ou pior, só vêem o filme), e saem soltando pérolas como “é tudo manipulado”, “Constantino escreveu a Bíblia”, “a igreja escondeu livros que divulgavam ensinos contrários” (como o quê? Que Maria Madalena casou com Jesus?), e que “muitos outros evangelhos que mostram Jesus diferente foram destruídos”.
Aliás, por falar em Maria Madalena, sempre se referem a ela como prostituta. Mas de fato em nenhuma parte da Bíblia é dito que Maria Madalena era prostituta. Na verdade, ela quase não é mencionada na Bíblia. Com exceção de sua presença na ressurreição, a única outra coisa que a Bíblia diz sobre ela é que foi possuída por sete demônios e que, junto com outras mulheres, seguia Jesus. “Evangelho de Madalena”? Conta outra, essa é fraca.
Quanto a destruir “evangelhos”, que a igreja católica combateu as heresias de forma às vezes até excessivamente violenta eu não escondo, pelo contrário. Tenho mostrado direto aqui esse e outros erros do catolicismo. Mas quem afirma as bobagens acima parece não saber que a influência dos imperadores nos assuntos religiosos era ínfima. 
Lembrando – no inicio do quarto século, havia dois imperadores, Constantino e Licinio; e a corrente cristã apoiada por eles (ariana) foi considerada herética pelo Concílio de Nicéia. Entretanto Constantino não retirou o seu apoio aos “hereges”, o que lhe valeu a oposição de muitos bispos, entre eles Atanásio de Alexandria, cujo papel no combate à política pró-ariana de Constâncio II (filho e sucessor de Constantino) foi notória na história eclesiástica do século IV.
Também dizer que o imperador é que decidiu que livros deveriam entrar na Bíblia e quais não, como forma de dominar os cristãos, é outra idiotice. Sabemos que Constantino foi imperador romano e que ostentou, mesmo após a conversão ao Cristianismo, o título de “Pontifex Maximus” pagão, visto que não aboliu os cultos pagãos. Mas disto concluir que ele presidiu concílios e até foi “papa” já é demais! Eu sempre afirmo que, por mais que se discuta se o Edito de Milão (que aboliu as perseguições aos cristãos) marca o inicio da união entre Igreja e Estado, é fato que a partir dali a Igreja Cristã se transforma em igreja católica, com todas as suas mazelas que já são notórias. Fato é que o líder católico adotou o título de “Pontifex Maximus”. Mas desqualificar a Bíblia por causa da suposta influência de Constantino na formação do cânone é um despropósito fenomenal. Constantino não só não definiu o cânone do Novo Testamento no primeiro Concílio de Nicéia (no ano 325) como esse Concílio nem ao menos mencionou a constituição da Bíblia. Isto já estava resolvido há muito tempo, conforme atesta Eusébio de Cesaréia na sua “História Eclesiástica”, IV:25 (aliás, a lista dos livros sagrados relacionada por Eusébio não tem os apócrifos). E além do mais, Constantino não tinha nem poder de voto no Concílio - ele compareceu apenas como observador.
“Ah, mas a igreja destruiu livros que poderiam mudar a história do cristianismo”. Dizem que durante o Concílio de Nicéia “foram destruídos centenas [sic] de evangelhos e outras centenas sumiram, incluindo os ‘Manuscritos do Mar Morto’ e os evangelhos de Judas, Maria Madalena e Tomé, [dentre outros]; durante esse Concílio foi criado o mito da divindade de Jesus... foram selecionados quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) entre cerca de 400... esses evangelhos mostram um Jesus mais divino, já os que foram queimados e sumiram mostravam um Jesus mais humano ou sequer citavam o nome dele. Constantino e sua fingida conversão ao cristianismo criaram uma das maiores farsas da história, a divindade de Jesus”...
Santa ignorância, Batman! A discussão que houve sobre “a divindade” foi, na verdade, sobre a “essência” divina, quando os pais da Igreja teorizaram sobre se Jesus possuía a mesma essência (homoousious) do Pai ou se era semelhante (homoiousious). Não se questionou, em nenhum momento, se Jesus era divino ou não.  Uma polêmica, de resto, bastante metafísica, que não dá para explanar aqui – como também foram as discussões sobre se Maria era mãe de Deus ou apenas do Homem Jesus (isto é, o de Seu corpo carnal), e se o Espírito Santo fazia parte da Divindade. Isso foi necessário para formar o corpo doutrinário do cristianismo, pois não era possível deixar tudo “ao Deus dará”. Desse concílio emergiu o “Credo Apostólico”, uma confissão de fé que resume a crença cristã. Outras coisas foram discutidas, como a data da Páscoa, e nada disso ocorreu de forma leviana como sugere o pseudo-jornalista acima. Os debates duravam meses, teses eram apresentadas, esmiuçadas e por fim, dependendo da sua densidade  e consistência teológicas, eram aceitas ou não; mas o assunto da formação da Bíblia não foi mencionado pelo menos até o ano 397. A inclusão dos apócrifos foi assunto que continuou em discussão por séculos.
Mas para isso não foi preciso “destruir” os “outros evangelhos”. Foi verificado que esses “outros evangelhos” não eram realmente inspirados como os quatro “escolhidos”; basta ver as bobagens que eles contêm, e que já vinham sido combatidos desde o tempo dos primeiros apóstolos. Veja II Coríntios 11:4 e Gálatas 1:6, ambos escritas no ano 58 d.C., onde já se adverte acerca do “outro Cristo” que andava sendo pregado na época. Provavelmente era um “gezuz” genérico, quase igual, mas diferente do original, talvez mais místico, gnóstico. Talvez cheio de “sabedoria oculta”, ou até mesmo com influências orientais, estóicas ou platônicas, quem sabe? Ou até “mais humano”, como o de Saramago e o de Kazantzakis. Em todo caso, era um “falso cristo”. E isso continuou, tanto que décadas mais tarde, outro apóstolo fazia o mesmo alerta. I João 2:18 e II João 7, para ficarmos só nesses exemplos.
Mas nem mesmo os chamados livros apócrifos foram destruídos! Tanto não foram que sempre foram conhecidos, e até foram incorporados oficialmente à Bíblia católica no concílio de Trento, de pirraça, diga-se, porque a Reforma Protestante seguia o cânone já consagrado e não os manteve nas diversas edições baseadas nos textos originais. Então, os apócrifos não foram “destruídos”, apenas não entraram na lista canônica. Convenhamos, um “evangelho” que mostra Jesus criando passarinhos de barro, não tem nada a ver, tinha que ser excluído mesmo... já basta Deus criar  o homem a partir do barro. Jesus fazendo passarinho já é demais. Podiam até escrever livros e mais livros sobre a infância de Jesus, etc., mas daí a terem o mesmo grau de inspiração divina que os evangelhos originais, é outra conversa. Leia João 21:25, e depois, João 20:31 e 31 – aqui está a razão pela qual alguns livros estão na Bíblia e outros não!
E os Manuscritos do Mar Morto não foram destruídos por Constantino; afinal, acabaram descobertos 1700 anos DEPOIS de Constantino, nas cavernas de Qumram.
É tanta bobagem, é tanto argumento sem fundamento, é tanto palpite preconceituoso, como a péssima matéria do seu Zé Botelho na tal revista desinteressante, que eu vou parar por aqui, por absoluta falta de espaço.
Eu vi uma vez a exposição “Pergaminhos do Mar Morto”.
Foi montada uma sala com objetos e utensílios da época, que é “a sala do escriba”: tem a escrivaninha, e em cima dela, um tinteiro de pedra com a pena dentro. É emocionante imaginar que João e os outros apóstolos provavelmente estiveram em lugares como esse, e usaram instrumentos bem semelhantes, para nos transmitir a Palavra de Deus. Não se trata de, como escreveu o infeliz articulista, de alguém que cismou de escrever coisas como se fosse Deus. Não. Nenhum homem, por mais esperto que fosse, seria capaz de escrever sobre coisas que só aconteceriam milhares de anos depois. Ninguém poderia acertar tantos fatos, como por exemplo, a primeira vinda de Cristo, que se cumpriu nos mínimos detalhes. Clique e veja.
Ainda mais emocionante é você ler a tradução dos documentos e ver que os Salmos e os Profetas têm exatamente a mesma redação que a nossa Bíblia. Não há diferença! É fascinante você ver aqueles documentos, alguns com mais de 2000 anos, ali na sua frente, com o mesmo texto que você encontra em qualquer Bíblia! Onde está a manipulação, onde estão as “alterações”?
“Erros” ou “alterações”? Não acredito. É o método massorético usado nos manuscritos originais que preservava o texto, letra por letra. Leia aqui sobre isso. De mais a mais, aqueles que ainda ousam duvidar da autoria dos escritos bíblicos, poderiam pelo menos se dar ao trabalho de procurar trechos em o próprio apóstolo ressalta: “Eu mesmo escrevi, de próprio punho; fui eu mesmo”. Veja como exemplo João 21:24I Coríntios 16:21; Colossenses 4:18; II Tessalonicenses 3:17; Filemom 19.
Então, não acredito na teoria do acréscimo ou da manipulação... pode haver algumas diferenças mais de cunho lingüístico - não sei porque não é a minha área principal - mas o sentido é exatamente o mesmo. Por exemplo, a Bíblia católica, baseada na Vulgata, traz "geena" e a protestante, baseada na Septuaginta, traz “inferno” mesmo, embora "hades" (termo grego) também servisse, em lugar do hebraico "sheol". Mas se formos olhar bem o significado do termo, o lugar "geena" era uma espécie de lixão, um vale em Jerusalém onde queimavam entulho, carcaças de animais etc, e ali o fogo era constantemente alimentado. A ilustração de Jesus, “onde o fogo não apaga” (Marcos 9:43-48), é perfeita. Há "geena" numa tradução e “inferno’ na outra. Mas o sentido é o mesmo. O que falta a certos críticos é uma coisa chamada hermenêutica.
E não. A Bíblia não é a palavra do homem, doa a quem doer.

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sobre apóstolos e profetas:

Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos.
Mas a cada um de nós foi dada a graça conforme a medida do dom de Cristo. Por isso foi dito: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens. (...)
E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo; para que não mais sejamos meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro; antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual o corpo inteiro bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, efetua o seu crescimento para edificação de si mesmo em amor.
Portanto digo isto, e testifico no Senhor, para que não mais andeis como andam os gentios, na verdade da sua mente, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração; os quais, tendo-se tornado insensíveis, entregaram-se à lascívia para cometerem com avidez toda sorte de impureza.
Mas vós não aprendestes assim a Cristo, se é que o ouvistes, e nele fostes instruídos, conforme é a verdade em Jesus, a despojar-vos, quanto ao procedimento anterior, do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; a vos renovar no espírito da vossa mente; e a vos revestir do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade.
Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros.
(...)
Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tem necessidade. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas ó a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam tiradas dentre vós, bem como toda a malícia. Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.

Isto é o capítulo 4 de Efésios quase todo.
Fiz questão de copiá-lo assim, quase todo, somente para falar um pouco de um pequeno trecho que anda muito na moda hoje em dia: o versículo 11. “E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres”. Muito usado por aqueles que pretendem justificar a existência de “apóstolos” como Valdemiro Santiago, Estevam Hernandes, Doriel de Oliveira, Neuza Itioka, Valnice Milhomens e inúmeros, inúmeros mesmo, outros assemelhados, uns famosos, outros tentando ser famosos.
A pergunta é – há apóstolos hoje?
Sim... e não.
Sim porque todos somos apóstolos, num certo sentido, pois a palavra “apóstolo” significa “enviado”. Jesus nos enviou, a todos e a cada um de nós, cristãos, para pregar o evangelho a toda criatura, até os confins da terra. Por isso somos todos apóstolos. Também devemos ser mestres, evangelistas, e profetas, exercendo os diversos ministérios que fazem o Corpo crescer (v. 12).
David Brainerd, Adoniram Judson, Salomão Ginsburg, o casal Bagby, Richard Wurmbrand, e mais recentemente, o Irmão André, são exemplos de apóstolos modernos. Charles Spurgeon e David Wilkerson, para mim estão mais para profetas, se bem que David Wilkerson, no inicio de seu ministério entre as gangues de Nova York, tenha sido um apóstolo, sem a menor sombra de dúvida. Charles Wesley, João Calvino, Dwight L. Moody: verdadeiros mestres. George Whitfield, Charles Finney, Boothe, Billy Graham: evangelistas. E por aí vai. E nenhum deles jamais reivindicou nenhum título!
By the other hand, Paulo foi o último Apóstolo – no sentido de que os Apóstolos primitivos foram o fundamento da Igreja. I Coríntios 15:5-9 diz que (Jesus) “…apareceu a Cefas, e depois aos doze; depois apareceu a mais de quinhentos irmãos duma vez, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormiram; depois apareceu a Tiago, então a todos os apóstolos;  e por derradeiro de todos apareceu também a mim, como a um abortivo. Pois eu sou o menor dos apóstolos, que nem sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus”.
Vejamos que na mesma carta aos Efésios, no cap. 2: 20, Paulo diz que somos “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina”. Preste atenção sempre ao contexto da carta, para entender o tópico sobre apóstolos e profetas do cap. 4 (aliás, o mesmo deve ser feito quanto à famosa armadura do cap. 6: é preciso ter em mente o contexto para entender o que é batalha espiritual – veja mais aqui).
Nesse sentido, como é sabido e notório que o fundamento da Igreja está posto, firmado sobre a Pedra de Esquina (Jesus), e como ninguém pode lançar outro fundamento, então não existem mais Apóstolos no sentido original dos “primeiros discípulos”. Eles foram o fundamento, ou melhor, lançaram o fundamento (firmaram, colocaram o fundamento, como pedreiros que construíram a base do edifício), como diz Paulo, e nós somos o edifício (cf. I Coríntios 3:9 e I Pedro 2:5). Entretanto, nesse edifício, há algumas pedras que querem ser fundamento... se nem Paulo se considerava digno de ser chamado Apóstolo, por que essas antas modernas, que nem conhecem a História da Igreja, se consideram mais dignos do que Paulo?
Os Apóstolos de então contribuíram para a formação do cânone das Escrituras, com ensinos que são o fundamento da nossa fé (cf. I Coríntios 3:10-12; Efésios 2:20; I Tessalonicenses 2:6).
Os de hoje destroem com suas asneiras a base da fé, ao dizer que Jesus foi criado! Essa doutrina surgiu com um monge chamado Ário, bispo de Alexandria, lá pelo século IV. A cidade sempre foi um centro de cultura helenística, e alguns de seus bispos contribuíram para a inclusão de idéias dos filósofos gregos no cristianismo. Nesse ambiente, Ário começou a ensinar que, separado do Deus Pai, Criador do mundo, havia o “Logos”, Filho - unigênito, mas que fora criado pelo Pai, antes da fundação dos séculos. Depois Deus, trabalhando com o Filho, criou o Espírito Santo, que era subordinado ao Filho. Assim, para Ário havia uma espécie de hierarquia, meio como o panteão dos gregos (Zeus, Hades, Poseidon etc.) - o Espírito Santo seria uma criatura subordinada ao Logos (Filho), que por sua vez era uma criatura do Pai. Todos divinos, mas diferentes na hierarquia e até mesmo na substância ou constituição. Isto foi refutado como heresia e a idéia abandonada.
E aí um gênio semi-analfabeto aparece com a mesma idéia. Desconhecer a História da Igreja, como muitos “apóstolos” iletrados ali da esquina, é cometer os mesmo erros que, séculos atrás, causaram divisão, fomentaram heresias, e desviaram a muitos da sã doutrina. Paulo já avisara que nos últimos tempos viriam falsos apóstolos e falsos mestres, ensinando doutrinas de demônios.
Ora, afirmar que Jesus é uma criatura, é ou não é doutrina de demônio? As Testemunhas de Jeová pregam a mesma coisa, e também os muçulmanos, os mórmons, e se a gente procurar mais fundo, os espíritas também! Todos negam a Divindade Plena de Jesus: Ele foi apenas um profeta, um exemplo, um homem perfeito, mas não é igual a Deus! Sim, porque, se foi criado, mesmo sendo a primeira obra de Deus, não é igual a Deus. Percebe a heresia camuflada de piedade?
Não julgamos o homem, a pessoa, mas as suas obras sim. E essas obras, doa a quem doer, são más. E mais, a partir do momento em que o sujeito se coloca acima dos outros, peca. O ministério, o dom, passa a ser usado como título ou cargo, e aí começa o desvio.
Veja cada um desses “apóstolos” modernos, que na maioria das vezes são “auto-ungidos”, “auto-proclamados”, “auto-consagrados”. Tudo começou com a onda de “bispos”, depois “apóstolos”, e agora até “patriarca” já tem.
Se você se lembrar bem, há uns 15, 20 anos, não existia essa apostolada toda, essa bispaiada toda; o líder evangélico era simplesmente “o pastor”. Um ou outro era “reverendo”. Aí, para sair da mesmice e se destacar na multidão, começaram alguns a se auto-intitular “bispos”, mesmo sem ter as características que a Bíblia exige para tal (veja mais sobre bispos aqui). E apareceu de repente um bando enorme de bispos – e “bispas”, para corromper de vez a Igreja e a nossa Língua Portuguesa.
E quando o mercado ficou inflacionado de bispos, eis que surgiram os apóstolos, uma casta superior de iluminados, que comanda a galera. Tem até um conselho mundial de apóstolos, que é a nata da nata, e define os rumos do “movimento apostólico” do planeta, enviando suas “pautas” ao maior número possível de filiais e repetidoras, mundo afora.
Mas não pára aí: alguns, não contentes com esse “apostolado”, se auto-proclamam agora “patriarcas”. Chega, para não desviar do assunto “apóstolo”, mas lembro que tem denominação “evangélica” que criou até “bispo-primaz” (também aqui e aqui) – talvez esteja em gestação um híbrido da igreja evangélica com a ortodoxa grega ou russa, sei lá.
Eu só peço que se comparem os Apóstolos Antigos com os “apóstolos” modernos, como os Antigos agiam e como agem os de agora, o que diziam os Antigos e o que dizem os de agora, como viviam os Antigos e como vivem os de agora; e aí veremos quem é quem.
É por isso que, fora do sentido de “enviados”, “embaixadores de Cristo” (que todos nós somos), não existem apóstolos hoje em dia. Porque os que usam tal “título”, o fazem neste sentido mesmo – de “título” para se diferenciar dos demais.
Em todo caso, convido você a comparar esses “apóstolos” modernos com o que determina Paulo aos Efésios, verso por verso. Sem dó.

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Jesus fundou alguma igreja?

O mês de outubro abriga um contraste religioso. Enquanto os católicos celebram sua senhora e “padroeira” no dia 12, dezenove dias depois os protestantes comemoram o aniversário da Reforma, que aliás se aproxima dos seus 500 anos. Entre uma festa e outra, e em meio a apelos ecumênicos vindos principalmente do Vaticano, que prega “um só rebanho e um só pastor” desde que o chefe de todos seja o “papa”, os católicos costumam dizer que a sua igreja é a única verdadeira, uma falácia desossada facilmente aqui. Alegam que a única linha que pode ser traçada de hoje até aqueles dias gloriosos em que Jesus andava pela Terra passa por seus líderes, os “papas”, até “são Pedro, que juram de pés juntos ter sido o primeiro deles. Mas então vejamos se de fato Jesus fundou a igreja católica e se Pedro foi mesmo o primeiro “papa”.
O livro de Atos trata da história inicial da Igreja: começa com Jesus subindo aos céus e instruindo os seus seguidores para que pregassem o Evangelho; conta os primeiros atos dos discípulos, os relatos históricos, os milagres, a expansão do Evangelho, a perseguição, morte, martírio; trata da atuação da Igreja sem a presença física de Jesus. É um documento histórico, original, de grande valor, seja na Bíblia católica, seja na Bíblia protestante, porque traz a história de maneira fidedigna: ele traz a confirmação daquilo que Jesus havia prometido: “Preguem o Evangelho a cada criatura. Quem crer e for batizado, será salvo. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios, falarão novas línguas, pegarão em serpentes e se beberem qualquer coisa mortífera, não lhes fará dano algum. E imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão. E eis que estou com vocês todos os dias até a consumação dos séculos”.
Atos 11:26 explica: “E sucedeu que todo o ano se reuniram naquela igreja e ensinaram muita gente. Em Antioquia, foram os discípulos pela primeira vez chamados cristãos”. O objetivo de se reunir em uma igreja – do grego ekklesia (assembléia, reunião) – é louvar e adorar a Deus, ensinar e aprender a Sua Palavra. Então, durante um ano os discípulos se reuniram naquela assembléia, naquela ekklesia – que provavelmente se reunia em uma casa e não em um templo – ensinando ao povo as palavras de Jesus, que eles mesmos haviam ouvido, pessoalmente. Este relato foi escrito por volta do ano 60 da era atual, e antes disso, os seguidores de Jesus eram chamados de “discípulos” (aluno ou seguidor). Mas em Antioquia, pela primeira vez, foram apelidados de “cristãos”. Portanto, a pessoa que segue os ensinamentos de Cristo é uma pessoa cristã.
Quando se prossegue na leitura de Atos, vê-se a perseguição brutal que os primeiros cristãos sofreram, em todos os lugares. Sabe-se que durante os três primeiros séculos, os cristãos foram ridicularizados, feridos, maltratados, perseguidos, despojados, exilados, aprisionados, acorrentados, torturados, arrastados pelas ruas, crucificados, queimados vivos, jogados aos leões.
Por causa da fé, os primeiros cristãos enfrentaram tudo isso, até que no ano 313 Constantino resolveu oficializar o cristianismo. Os judeus, que se opunham aos cristãos, bem como outras religiões, foram obrigados por decreto a se tornarem cristãos. Obviamente, isto é um erro, pois a Palavra diz: “não por força e nem por violência, mas pelo meu Espírito” (Zacarias 4:6).
No entanto, Constantino também aboliu todos os deuses do mundo antigo e seus templos foram transferidos para a administração da agora poderosa “igreja”, com patrocínio estatal. Começava aí a tão falada prostituição religiosa, a promiscuidade político/religiosa, o ressurgimento da antiga prática babilônica de misturar religião e estado, que a igreja católica nunca abandonou. Constantino imaginava estar fazendo um grande serviço para Deus, mas na verdade criou um monstro que nunca mais pode ser contido, e avacalhou muito o projeto de Deus para a Humanidade. Especula-se muito sobre suas razões, porém uma coisa é certa: sua conversão duvidosa le proporcionu aproveitar-se politicamente da situação. Até mesmo em concílios religiosos ele dava seu pitaco. 
Em suma, Constantino fez todos se “converterem” por decreto, e chamou a essa agora enorme comunidade de “universal”, em grego katholikós - geral, universal, latinizado para catholicus. Esse era o projeto do imperador, uma religião global – algo que o futuro inimigo de Cristo também tentará fazer em breve. O poder dessa igreja foi dado aos sacerdotes mais próximos da corte, que logo buscaram ser os chefes de todos os outros.  Passando a denominar-se “o pai de todos” (em latim: “papa”), criaram uma espécie de “genealogia” que regredia trezentos anos. 
Ou seja, para legitimar que estava assumindo a cadeira (“cathedra”, de onde derivou mais tarde a palavra “catedral”) não apenas por decreto imperial, os “papas” afirmaram ser os chefes da igreja porque eram “sucessores legítimos de Pedro”.  Segundo essa teoria, Pedro teria sido o primeiro “papa”. Esta pretensão choca-se frontalmente com as palavras de Jesus em Mateus 23:9: “E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus”.

Até hoje essa informação (a árvore genealógica ou “linha sucessória”) tem chegado ao mundo como se fosse não apenas a partir do ano 313, mas desde o primeiro século. Isso não é verdade. Atos 11:26 mostra que antes de 313 não havia igreja católica e, sim, Igreja Cristã. As pessoas que acreditavam em Cristo não eram católicas, mas cristãs! Se você ler todo o livro de Atos dos Apóstolos, que abarca o primeiro século, verá que em nenhum momento a igreja foi chamada de católica. Tudo isto está não só nos livros de religião, mas nos livros de História. A história do mundo nos explica como surgiu a igreja católica apostólica romana. Além do mais, o apóstolo Pedro foi um líder conhecido pelos cristãos primitivos, mas nunca foi de fato “papa”. Leia mais aqui.

A igreja católica é portanto, posterior ao cristianismo, porque os cristãos, assim chamados em Antioquia no ano 60, existiam bem antes da igreja católica, que teve a sua sede colocada em Roma. A igreja cristã nasceu em  Jerusalém. Leia Atos 2:38, que trata da pregação veemente de Pedro anunciando Jesus como o único Salvador, único Juiz dos vivos e dos mortos, único Senhor; veja o arrependimento das pessoas e o que Pedro disse ao povo: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo” 

Quem ouviu esta pregação foi batizado (v. 41 ao 47): “foram batizados os que receberam de bom grado a sua palavra e naquele dia agregaram-se quase 3 mil almas. E perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão e no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e fazendas, repartiam com todos, segundo a necessidade de cada um. E perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão, em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que iam sendo salvos”

A primeira igreja surgiu assim. As pessoas se batizaram no mesmo dia em que ouviram a pregação, participaram da Ceia do Senhor, mantiveram essa comunhão e o número de pessoas aumentava a cada dia.

Ninguém precisou ser crismado, rezar missas, descer ao purgatório, rezar para santos, acender velas, participar de procissões e novenas, evitar carne na sexta-feira da paixão, se confessar ao padre, colocar cinza na testa, rezar o terço mil vezes. De fato, a igreja católica criou um verdadeiro cipoal de normas para que a pessoa alcance a salvação, como se segue (se duvida, procure ler os “catecismos oficiais”:

Mandamentos da Igreja    (católica)

1- Participar da Missa inteira nos domingos e festas de guarda. Os dias santos são:
Santa Maria, Mãe de Deus - 1º de janeiro
Epifania - 6 de janeiro (no Brasil é transferido para o domingo)
São José - 19 de março (no Brasil não é de preceito)
Ascensão do Senhor - quinta-feira da sexta semana da Páscoa (no Brasil é transferido para o domingo)
Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi) - segunda quinta-feira depois de Pentecostes
São Pedro e São Paulo - 29 de junho (no Brasil é transferido para o domingo)
Todos os Santos - 1º de novembro (no Brasil é transferido para o domingo, a menos que Finados caia no domingo)
Imaculada Conceição de Maria - 8 de dezembro
Páscoa - Ocorre sempre entre 22 de março e 25 de abril.
2- Confessar-se ao menos uma vez por ano (ou no máximo até um ano após ter consciência de pecado mortal).
3- Comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição.
4- Jejuar e abster-se de carne quando manda a Igreja. Estão obrigados à lei da abstinência de carne ou derivados de carne aqueles que tiverem completado quatorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum (uma só refeição normal ao dia, e apenas mais dois pequenos lanches ou colações) os maiores de idade, desde os dezoito anos completos até os sessenta anos começados.A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nesses dias na Sagrada Liturgia. Abstinência de carne: Toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Nesse dia, os fiéis abstenham-se de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade  (Legislação Complementar da CNBB quanto aos cânones 1251 e 1253 do Código de Direito Canônico).
5- Contribuir com o Dízimo segundo está escrito na Bíblia Sagrada.
A igreja católica segue da mesma forma que Constantino - pensa estar a serviço de Deus mas de fato, espiritualmente falando, é terrivelmente danosa: não prega a Palavra de Deus, dificulta o caminho das pessoas em direção a Deus, e embora preste serviços seculares importantes na área da caridade, da educação e dos hospitais, não assegura a nenhum de seus membros o bem mais precioso, a salvação de suas almas.
A Igreja Cristã nasceu 50 dias depois da morte de Jesus Cristo, no dia de Pentecostes, e não impunha nenhum desses “dogmas” ao povo. Essa igreja não tinha nome, nem mesmo era chamada de Igreja Cristã. Começaram a se reunir nas casas e durante 300 anos, era só o que havia. Nada de catolicismo, muito menos romano. Portanto, o papo de que Jesus fundou a igreja católica e essa tal seria a única verdadeira é uma tremenda falácia, doa a quem doer. A Igreja a que Jesus se referiu é formada pelos membros do Seu Próprio Corpo, os que seguem os Seus mandamentos, e não os mandamentos de homens. Uma Igreja sem mácula e sem envolvimento com este mundo. Uma Igreja – um Corpo – onde apenas Cristo é cabeça.
Esta sim é a única e verdadeira Igreja! 

Trecho de livro:

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Bispos e bispos...

A posse da presidente Dilma Rousseff foi transmitida por todos os canais de TV do Brasil e vários do exterior. O engraçado foi saber que a Globo cortou na hora a sua transmissão, colocando no ar “melhores momentos”(?) do “Caldeirão do Huck”. Mas quem mudou de canal viu por que: na fila do salamaleque estava o “empresário” Edir Macedo, dono da TV Record, segundo a qual a comitiva era a única da mídia no evento.
Duas reflexões:
A primeira é que uma das poucas coisas boas, se é que há alguma, em ver Edir Macedo ao lado da presidente Dilma é saber que a Globo se mordeu e espumou de raiva, sendo obrigada a cortar a transmissão abruptamente. Isso é muito bom! Fazer raiva na Globo não tem preço!
A segunda é mais séria.
Como diria Lula, “nunca antes na história deste país” teve tanto evangélico (ou pelo menos gente que se acha evangélica). Não por acaso, a visita a um bom número de igrejas já faz parte do roteiro de qualquer político. O PV de Marina Silva, por exemplo, apesar de defender a união civil de homossexuais, o aborto, a legalização de drogas e outros temas que quase custaram a cabeça a outros candidatos, ganhou pontos abençoados desse rebanho e forçou o segundo turno em outubro passado. Apesar da anencefalia coletiva, ou talvez por causa dela, é um contingente nada desprezível.
É preciso afagar a manada. E a forma mais fácil é lhe dando uma parcela, ainda que ínfima, desse poder e visibilidade. Isso agrada a massa.
Nos portais de notícias que aceitam comentários, a aparição do “bispo” na posse causou júbilo entre as hostes iurdianas. Um comentário dizia, eufórico, que “ninguém agüenta nós da universal” (sic). O comentarista tem razão; mas eu fico pensando na grande diferença dos “bispos” da atualidade para os verdadeiros bispos da história da Igreja.
João, por exemplo. É, aquele mesmo que escreveu um evangelho, três epístolas e o Apocalipse. Aquele que junto com Pedro foi o primeiro discípulo a chegar à tumba vazia. Aquele a quem Jesus amava.
Sabe-se que João foi bispo na cidade de Éfeso, uma das maiores cidades do Império Romano. Como em outros lugares, havia ali um templo da deusa Diana: eu vi um deles em Portugal e fiquei impressionado - e nem era dos maiores. Imagine-se o de Éfeso, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. A cidade, extremamente idólatra, vivia em torno do comércio religioso que emanava desse templo. A Bíblia relata que se faziam miniaturas dele, vendidas com muito lucro, até o dia em que os cristãos começaram a se multiplicar. Libertos da idolatria, abandonaram as bugigangas, que começaram a encalhar nas prateleiras, e aí, parece que é o noticiário de hoje: com a iminente quebra da economia local, houve um protesto na associação comercial. Foi tão grande o tumulto que a polícia chegou, desceu o cassetete a torto e a direito, e levou todo mundo para a delegacia, inclusive o apóstolo Paulo, para prestar esclarecimentos... leia mais em Atos 19.
Mas a despeito da antipatia dos comerciantes, a comunidade cristã cresceu e algum tempo depois, João se tornou bispo na cidade. A igreja em Éfeso foi mencionada em Apocalipse, e apesar de tomar uma repreensão do Senhor, foi elogiada por detonar os nicolaítas, o que significa que era uma igreja que não aceitava o domínio de uns sobre os outros. Já se vê aí uma diferença entre aqueles bispos e os de hoje.
Entre o tumulto em Atos e a carta em Apocalipse, se passaram cerca de 40 anos. Nesse meio tempo, pelo menos oito imperadores subiram ao poder: Nero em 54, Oto, Galba e Vitélio em 67/68, Vespasiano em 69, Tito em 79, Domiciano em 81 e Nerva em 96.
Não se tem notícia de que João tenha sido convidado para as solenidades de posse de nenhum deles. Nem Pedro, Lino, Anacleto ou Clemente, que a tradição diz terem sido os primeiros bispos da capital do império, foram convidados. O motivo? Simples: a igreja não compactuava com o governo, com suas diretrizes, seus métodos, sua ideologia. Não se misturavam. É  outra diferença entre aqueles bispos e os de hoje.
Para se ter uma idéia, o historiador Tácito escreveu que os cristãos eram, para os romanos, “o que há de abominável e infame no mundo... uns foram revestidos de peles de animais ferozes e jogados aos cães pra serem devorados; outros eram pregados em cruzes; muitos foram queimados vivos, embebidos de matéria inflamável, acesos para servirem de tochas à noite” (Anais da Historia Romana, XV:44).
Mas hoje... são outros tempos, dirão alguns.
Sem dúvida, são outros tempos.
Hoje o político precisa da igreja, e a igreja precisa do político. E nessa dependência mútua, abre-se espaço para o comércio, o negócio, a combinação: você não me atrapalha que eu não te atrapalho. Você me ajuda que eu te ajudo. Você fala, que eu te escuto.
E aí pergunto, mais uma vez: a Igreja precisa disto? Jesus, a quem pretendemos representar nesta terra, precisa disto? A Igreja precisa do poder terreno? Precisamos “tomar posse da nação”? Evidentemente, todo cidadão tem o direito de votar e ser votado, de acordo com suas convicções. Congressistas cristãos podem agir como sal e luz, barrar certas leis etc., mas têm o direito de exigir poder e holofotes? Podem barganhar verbas? Prometer votos em troca de concessão de emissoras de rádio e canais de TV?
O que temos visto a cada dia não é exatamente sal e luz, mas sim dólar na meia, na cueca, oração da propina, sanguessugas, passagens aéreas para parentes e apaniguados, tentativa de meter a mão no dinheiro do FGTS e outros absurdos.
Mas... são outros tempos.
O bispo agora não é mais queimado vivo não, que absurdo, ele é convidado para a posse presidencial.
Nunca antes na história deste país se viu tal coisa, dirão alguns. Nem da Igreja, digo eu. 
O bispo agora não vive distante da política; ele não é mais oposição a César. O bispo agora janta com César. César precisa do bispo, e vice-versa. E se você quiser saber o que é ser bispo, clique aqui.
...
No dia da posse, o Jornal Nacional exibiu matéria sobre uma concentração da igreja Mundial, que vem crescendo mais que a IURD. O evento reuniu cerca de 100 mil pessoas no autódromo de Interlagos, em São Paulo.
Há oito meses, a IURD reuniu mais de 1 milhão de pessoas no mesmo local, e a TV Globo não noticiou o encontro. Só o jornal O Globo deu foco ao “congestionamento” e à “sujeira”, com o título pejorativo de “Caos universal e autorizado”. Valdemiro Santiago, auto-proclamado “apóstolo” e chefe da Mundial, é dissidente da IURD e nunca antes teve espaço na Globo, mas ofereceu R$15 milhões mensais por um horário no SBT. Dinheiro não falta, para isso existe o “bízimo” e o “trízimo”. Teria sido paga a matéria do JN, ou a Globo resolveu contra-atacar a Universal com a Mundial?
Será que vai ter próximos capítulos? Será que vale a pena ver de novo a guerra santa?
61780

domingo, 3 de maio de 2009

Maria

Maria, mãe de Jesus, nunca deve ter imaginado que causaria tantas discussões ou que iriam lhe atribuir uma posição que não lhe pertence; uma posição de veneração. Certamente não era sua intenção. E quando as pessoas se apegam às tradições, deturpando a história da mãe de Jesus, espalham-se lendas sobre sua infância, sua concepção miraculosa, seus pais Joaquim e Ana, sua eterna virgindade, milagres depois da morte de Jesus, e até mesmo sua ascenção ao céu, e sua casa que foi transportada por anjos da Galiléia para a França. Mas afinal, qual é a verdadeira história?
A Palavra de Deus não mente e não deixa dúvidas: "Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão" (Mateus 24:35). A Bíblia esclarece que toda a adoração pertence a Deus. Lucas, capítulo 4, verso 8, diz: "Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto". Na Bíblia não há orientação para orar a Maria ou venerá-la. Ela não é co-redentora e não conduz ao caminho da salvação. A Palavra nos diz: "E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" (Atos 4:12). Não há salvação em outro nome; Jesus é o único que pode salvar. Ele é o caminho, a verdade e a vida (João 14:6).
A palavra idolatria quer dizer “adoração de ídolos”: figuras ou imagens, amor cego, paixão exagerada. Interessante como o próprio significado da palavra nos remete a uma conclusão: a idolatria cega as pessoas. No livro de Salmos, capítulo 115, do verso 4 ao 8, lemos que "os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos dos homens. Têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem; têm nariz, mas não cheiram; têm mãos, mas não apalpam; têm pés, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta. Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e todos os que neles confiam". Isso é o que acontece com aqueles que praticam a idolatria. Tornam-se como seus ídolos. Não falam, não escutam, não ouvem e nem vêem. "Examinais as escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam" (João 5:39); é só examinar a Palavra, ela testifica de nosso Pai. Claro que amamos e respeitamos Maria, um instrumento usado por Deus para que Sua promessa de salvação se cumprisse. Jesus, sendo Deus, precisou tomar a forma humana e para isso precisou nascer de uma mulher.
Nas últimas semanas, estudamos os “pais da igreja”. Um dos mais conhecidos dentre eles, Gregório Nazianzeno (329-390 d.C) empregava o termo theótokos (gerado de Deus) em referência a Maria como mãe do Deus que é Jesus. Essa doutrina tornou-se muito importante na história, pois Deus, como Espírito Eterno, não tem pai e nem mãe; Jesus, a encarnação do Filho, teve mãe, Maria. Mas ela só pode ser considerada “mãe de Deus” no sentido secundário de que ela foi mãe do homem Jesus Cristo. E isso está longe de fazer dela parte da deidade, conforme ensina, erradamente, a Igreja Católica Romana.
Maria se dispôs ao propósito de Deus. E se não fosse ela, uma outra virgem seria mãe do Senhor Jesus, outra se disporia para que Jesus fosse gerado nela. Mas Maria achou graça diante do Pai. "Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus" (Lucas 1:30). E quando o Senhor se manifestou a Maria através de um anjo, dizendo - lhe que seria mãe do Messias, ela declarou com humildade: "Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a sua palavra" (Lucas 1:38). Ela se dispôs a obedecer à ordem do Senhor Deus; mas não podemos, por causa disso, colocá-la acima do Senhor Jesus.
O Senhor Jesus possui duas naturezas: é totalmente Deus e totalmente homem. A explicação está na palavra que diz : "Porque há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (I Timóteo 2:5). Isso mostra que Maria não é mediadora entre Deus e os homens, e sim Jesus.
Não existe na Bíblia o mandamento “peça à Mãe que o Filho atende”. A própria Maria, obediente a Deus como poucos, recomenda que obedeçamos somente a Jesus: “Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser” (João 2:5). E Jesus manda que oremos a Deus Pai, em Seu próprio Nome: "E tudo quanto pedires em meu nome, eu o farei... Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei" (João 14:13,14).
Nossa Senhora? Rainha do céu? Jesus não divide o Seu Senhorio com alguém, ainda que fosse a sua mãe querida. Em nenhuma parte da Bíblia se encontra menção a “Nossa Senhora”. Dizer que Maria se tornou “rainha do céu” é uma blasfêmia herdada da antiga Babilônia, uma abominação, pois se trata de uma divindade pagã que Deus condena, como disse a Jeremias: “Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha para fazerem bolos à rainha do céu, e oferecem libações a outros deuses, a fim de me provocarem à ira” (Jeremias 7:18).
Mas no capítulo 44 o povo disse ao profeta que continuaria na idolatria:
16 Quanto à palavra que nos anunciaste em nome do Senhor, não te obedeceremos a ti;
17 mas certamente cumpriremos toda a palavra que saiu da nossa boca, de queimarmos incenso à rainha do céu, e de lhe oferecermos libações, como nós e nossos pais, nossos reis e nossos príncipes, temos feito, nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém; ...
19 E nós, as mulheres, quando queimávamos incenso à rainha do céu, e lhe oferecíamos libações, acaso lhe fizemos bolos para a adorar e lhe oferecemos libações sem nossos maridos?
20 Então disse Jeremias a todo o povo, aos homens e às mulheres, e a todo o povo que lhe havia dado essa resposta, dizendo:
21 Porventura não se lembrou o Senhor, e não lhe veio à mente o incenso que queimastes nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, vós e vossos pais, vossos reis e vossos príncipes, como também o povo da terra?
22 O Senhor não podia por mais tempo suportar a maldade das vossas ações, as abominações que cometestes; pelo que se tornou a vossa terra em desolação, e em espanto, e em maldição, sem habitantes, como hoje se vê.

O resultado foi a ira e o juízo de Deus sobre aquela geração.
Para finalizar:
1 - Maria só foi virgem até Jesus nascer ("Contudo, (José) não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho (ênfase acrescentada), a quem pôs o nome de Jesus" - Mateus 1:25). Marcos 6:3 diz: "Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas, e de Simão? E não estão aqui conosco suas irmãs?"; a expressão “virgem Maria”, portanto, é incorreta, e dizer que “irmãos” aqui significa “primos” é uma interpretação mirabolante e despropositada. Paulo afirma que “não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor” (Gálatas 1:19). Por que ele não escreveu “Tiago, primo do Senhor”? Judas, irmão de Jesus e Tiago, escreveu uma carta à igreja e se apresenta no verso 1: "Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago". Ambos foram confirmados como os genuínos irmãos de carne do Senhor Jesus. Não se encontra nas Escrituras menção à “virgindade perpétua”.
2 - Quando Jesus nasceu, os magos "entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando- se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, lhe ofertaram dádivas: ouro, incenso e mirra" (Mateus 2:11). Os magos adoraram a Jesus e não prestaram “homenagem” ou “reverência” a Maria como alguns insistem. Não temos autorização de Deus para fazer da Maria uma semi-deusa, um ídolo, um objeto de veneração.
3 - Maria é bendita entre as mulheres e não acima das mulheres. Confira: "Bendita és tu entre as mulheres" (Lucas 1:42). “Entre” quer dizer: estar no meio, dentro de, estar junto. Entre as mulheres, Deus a colocou com uma missão específica.
4 - Maria é mãe de Jesus homem, e não de Deus. Porque Deus sempre existiu desde a Eternidade e não foi gerado nem criado. Em toda a Bíblia só encontramos "Maria, mãe de Jesus".
5 - Maria tinha Jesus como o seu Salvador. Ela mesma disse: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador" (Lucas 1:46,47). Maria se coloca na posição de pecadora, e declara que precisa de um Salvador, como qualquer outro ser humano.
"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (João 8: 32).
JESUS é a verdade que liberta. Às vezes nos confundimos com tantas religiões e crenças que, na verdade, são “descaminhos”. Mas quando lemos a Palavra de Deus, abrindo nossos olhos espirituais e permitindo que o Pai fale conosco, tudo se torna mais compreensível.
A Bíblia não nos deixa sem respostas quanto à comunhão, salvação e adoração a Jesus. Jesus morreu para que tivéssemos acesso a Deus.
Maria foi agraciada por Deus, bendita entre as mulheres, foi salva e justificada por Jesus Cristo.
Não vamos retirar o lugar de adoração que só pertence a Deus.

DOA A QUEM DOER.

Fonte: Pr. Márcio Valadão: “Maria, mãe de Jesus”, Profetizando Vida, 1999