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domingo, 7 de abril de 2013

O silêncio profético

O atual ocupante do trono do Vaticano, Jorge Bergoglio, a.k.a. “papa” Francisco I (doravante abreviado neste blog para F1), disse, por ocasião de sua posse, que há momentos em que parece que Deus está em silêncio. Referia-se à existência do mal no mundo e à aparente impunidade reinante, apesar de Deus ser justo. Eu gostaria que ele lesse este link, mas é provável que isso não ocorra. Mas já houve épocas em que as pessoas diriam que Deus estava ausente. Sabemos de pelo menos dois períodos assim: o tempo compreendido entre o final de Gênesis (quando os descendentes de Jacó desceram ao Egito) e o início de Êxodo (quando então já são escravos dos egípcios); e entre o final de Malaquias (último livro do Antigo Testamento) e o inicio do Evangelho de Mateus (primeiro livro do Novo Testamento). Ambos os períodos coincidem pelo menos na duração: 430 anos cada.
Fato é que, antigamente, as Bíblias vinham com quatro páginas em branco, entre o Antigo e o Novo Testamentos. Essas páginas simbolizavam quatro séculos, o tempo em que “Deus permaneceu em silêncio”, conhecido como “O Silêncio Profético”. “Esse intervalo [depois de Malaquias] pode ser melhor compreendido se levarmos em consideração que nenhum profeta inspirado ergueu-se em Israel, pois o Antigo Testamento já estava completo aos olhos dos judeus”, informa a professora Cristina Santiago, da Faculdade Batista Brasileira de Salvador, Bahia.
Sabemos que nesse tempo ocorreram grandes, profundas e significativas mudanças tanto no panorama geral da humanidade (gentios) e dos judeus em particular, nos aspectos geo-políticos, culturais e religiosos. Você pode consultar uma enciclopédia para observar certos fatos – a maioria deles preditos pelos profetas, em especial Daniel – como por exemplo a sucessão de potências (impérios) dominantes. Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma se sucederam, e sob o governo dessas potências estrangeiras o povo judeu foi sendo moldado para o maior advento da História até então – a vinda do Messias. Eu destacaria como fatos cruciais dessa época, e que podem ter algum paralelo com os nossos dias:
Nos últimos 100 anos do Velho Testamento e até um pouco mais adiante, Israel esteve sob controle persa (entre 532 e 332 a.C.). Um tempo de relativa paz, pois os persas até deram permissão para reconstruir o templo (IICrônicas 36:22-23; Esdras 1:1-5). Mas muitos judeus permaneceram na Pérsia: é dessa época o livro de Ester. Os que voltaram a Israel se reorganizaram sob a liderança de Esdras, Neemias, Ageu, Zacarias, o sacerdote Josué e, mais tarde, Malaquias. Num primeiro momento, houve um reavivamento (Esdras 10; Neemias 10 a 13). Os judeus abandonaram a antiga tendência à idolatria, mas passaram a valorizar demais o formalismo e à religiosidade, sem a verdadeira essência espiritual. O império persa é a segunda potência profetizada por Daniel anos antes (ver Daniel 7:5, 17; 8:20), pois o reino babilônico (o primeiro animal) já fora substituído e seu último rei, Belsazar, derrotado pelos medo-persas (Daniel 5:31-31 e 9:1);
A ascensão dos gregos, chefiados pelo macedônio Alexandre “o grande”. Ex-aluno do filósofo Aristóteles e um mestre da política, promovia a cultura grega em todo território conquistado. Como resultado, o Velho Testamento hebraico foi traduzido para o grego, gerando a tradução conhecida como “Septuaginta”. Nota importante. Aqui começa a inclusão de livros não inspirados no Cânon Hebraico. Isto aconteceu porque seus tradutores, judeus liberais, estavam mais interessados em enriquecer o acervo do que era, na época, a maior biblioteca do mundo, em Alexandria, no Egito, e de agradar a Alexandre, “o grande”. A versão Septuaginta” (ou “dos 70”, alusão ao número de escribas que trabalharam nela), e os tais livros inseridos jamais foram aceitos pelos judeus ortodoxos. Esses livros refletem duas correntes rabínicas (halákica” ou jurídica, e hagádica” ou histórica, esta inclinando-se para o apocalíptico), e formam mais ou menos três grupos:
Históricos (Livro dos Jubileus; Vida de Adão e Eva; Ascensão de Isaías; III Esdras; O Testamento de Moisés; Eldade e Medade; e mais tarde Macabeus e a História de João Hircano); Didáticos (Testamento dos Doze Patriarcas; Salmos de Salomão; Ode de Salomão; Oração de Manassés; e depois IV Macabeus); e os Apocalípticos (Livro de Enoque; Ascensão de Moisés; IV Esdras; Apocalipse de Baruque; Apocalipse de Elias; Apocalipse de Ezequiel; e Oráculos Sibilinos). Voltaremos aos apócrifos mais adiante.
Na época dos gregos houve forte influência do estilo de vida helênico, uma ameaça humanística e mundana a Israel. A Grécia foi o terceiro animal predito por Daniel (8:20-22). Aqui surgem os Macabeus.  Antíoco IV “Epifânio” (175-164 a.C.), descendente de um dos generais de Alexandre, odiava os judeus e destituiu o sumo sacerdote, proibiu o sacrifício diário e erigiu um altar a Zeus dentro do templo, chegando a sacrificar ali um porco. Em 167 a.C., Matatias, um sacerdote, rebelou-se. Seus filhos Judas, Simão e Eleazar (conhecidos como “os Macabeus” ou “Hasmoneus”), depois de muitas batalhas conquistaram Jerusalém e purificaram do templo, instituindo a festa “da dedicação” para comemorar a tomada da Cidade Santa e a consagração da Casa de Deus (Hannukah, “festa das luzes”, João 10:22).  A revolta dos macabeus fortaleceu o nacionalismo e fomentou grupos como os zelotes, que “zelavam” pela observância da lei e odiavam os estrangeiros, usavam de violência e promoviam até mesmo atentados e assassínios. A esse grupo pertencera Simão, discípulo de Jesus (Mateus 10:4; Lucas 6:15; Marcos3:18; Atos 1:13).
A chegada dos romanos, o quarto e terrível animal de Daniel 7:7, 19, é a profecia que se cumpriu parcialmente entre 63 a.C. (quando o general Pompeu conquista a Judéia) e 70 d.C. (quando Tito incendeia o templo construído por Herodes – que está sendo replicado agora mesmo em São Paulo). Parcialmente porque parte disto se completará quando vier o Anticristo, mas isto é outro assunto. Sob o domínio romano se dá o ressurgimento da esperança messiânica, quando aparecem os essênios, não mencionados na Bíblia, mas que professavam uma vida austera de separação quase monástica, abstinência, meditação, trabalho zeloso, comunidade de bens e celibato. Nas cavernas do Mar Morto, em 1948 d.C., se encontraram muitos dos seus escritos, onde se nota seu interesse apocalíptico, e diversas porções das Escrituras que permitem comprovar que não houve alteração no texto sagrado desde aquele tempo. Para desgosto dos agnósticos e críticos da Bíblia.
Durante o período greco-romano, surgiram outros grupos políticos e religiosos relevantes. Os antecedentes dos fariseus foram os reformadores dos tempos de Esdras e Neemias. Quando Matatias revoltou-se, os “hassidim” (“piedosos”) o apoiaram e, mais tarde foram denominados “perushim” (“separados”). Os fariseus adicionaram à Lei de Moisés a tradição oral – eventualmente considerando suas próprias interpretações mais importantes que o próprio texto original (veja Marcos 7:1-23), e se tornaram legalistas e sem compaixão.
Um outro grupo era o dos saduceus, ricos e aristocratas, que tinham poder no Sinédrio (um tipo de parlamento ou Suprema Corte, que assim como as sinagogas, se consolidou durante esses séculos). O nome saduceu possivelmente vem de Zadoque, o sumo sacerdote dos tempos de Davi (II Samuel 8:17  e 15:24). Rejeitavam todos os livros do Velho Testamento menos os mosaicos. Ensinavam que não há ressurreição, nem galardão, nem castigo, como os atenienses de Atos 17:32, talvez por estarem cansados de ver tantas desgraças. Negavam a existência de espíritos e anjos; enfatizavam a liberdade da vontade humana. Enquanto os fariseus eram nacionalistas, a tendência dos saduceus era absorver a filosofia e a cultura grega. Eram como uma sombra dos gregos, a quem admiravam.
O terceiro segmento era o dos herodianos, uma espécie de elite social religiosa que apareceu, obviamente, no reinado de Herodes. Tinha muitos sacerdotes, que davam apoio ao rei e aos costumes romanos, para com isso conseguir vantagens (Mateus 22:16-18; Marcos 3:6). 
Outro grupo era o dos escribas, da tribo de Levi como os sacerdotes, sendo também escrivães e escritores. Nos tempos de Cristo eram conhecidos como os “doutores da lei”, aceitos como autoridades na interpretação da lei mosaica. Pertenciam à seita dos fariseus, mas eram uma classe à parte. 
Qual é o paralelo com nossos dias? Quem são os fariseus de hoje? Talvez não seja difícil identificá-los. Podemos facilmente associar alguns conhecidos nossos à imagem de santarrão, o popular “santo-do-pau-oco”. Só não devemos os esquecer de olhar no espelho de vez em quando.
Mas, e os saduceus? Será que ainda existem por aí? Acho que sim. Admiram a “cultura moderna”, os métodos modernos de administração e crescimento, de arrecadação de recursos; a “música moderna”, a “moda moderna”, os cabelos, as roupas, as tatuagens e piercings. Irmãs que vão “à igreja” de blusa “frente-única” e calça de academia de ginástica. Homens usando brinco. Pastores fazendo implante de cabelo, delineando a sobrancelha, pintando as unhas, fazendo depilação, lipo-aspiração e redução do estômago. Pastores gastrônomos. Líderes evangélicos que apoiam união homossexual. Estão aí mesmo, agora mesmo, numa igreja perto de você. Avançados, integrados na cultura e na sociedade.  Igrejas “inclusivas”. Louvam a Deus na “balada” com funk  e hip-hop “para Jesus”. Dizem que luta-livre e boxe na igreja não tem nada de mais. Modernos. Não crêem no mundo espiritual nem têm certeza da Eternidade. Pós-modernos.
E os herodianos? Ah, é fácil. Envolvidos com o mundo político, freqüentam os gabinetes das autoridades, em troca de apoio. Franqueiam o púlpito aos candidatos, à destra e à sinistra. Negociam verbas, horários na televisão, emissoras de rádio, cargos no governo. Até fazem oração para Deus proteger o fornecedor da propina. Não raro acabam investigados pela Polícia Federal e pela Receita. Mas sempre voltam, apoiando o candidato em quem meteram o pau na eleição passada, ou metendo o pau em quem apoiaram antes.
Não sei se existem zelotes. Pelo menos não são idênticos aos dos tempos bíblicos: não cometem atentados, ao que se saiba. Na essência, até que seria bom haver alguns que “zelassem” pela Palavra com ardor, rejeitando as profetices apócrifas de falsos apóstolos, e que não permitissem que “estrangeiros” tivessem preeminência entre o povo de Deus. Que abominassem acordos com os cananeus. Que lutassem contra os abusos com a mesma garra e obstinação dos macabeus, até que a Casa de Deus seja limpa de todo sacrifício impuro, e o fogo estranho seja apagado do altar.
Essênios, que mesmo sem precisar ir morar longe dos outros, preservassem um modo de vida separado do mundo, e que aguardassem esperançosamente a Vinda do Messias.
Vivemos os últimos dias. Como os hebreus no Egito, e os judeus sob o governo de Roma, somos pressionados pelas leis do Faraó e de César. Os governantes deste mundo não aceitam que tenhamos outro Senhor, ainda mais poderoso do que eles próprios. Também sabemos que não há novas revelações: a Palavra de Deus está completa, e nenhum profeta – se ainda os há – por mais ungido que seja, não pode acrescentar nada a ela. Temos que agir como os filhos de Jacó: nos agarrarmos à promessa da libertação. Deus não está surdo; Ele apenas aguarda o momento certo para agir. Temos que permanecer atentos ao toque da trombeta que anunciará o instante de levantarmos acampamento e partirmos para a Terra Prometida.
Temos que ser como os poucos judeus que, apesar da tirania de César, não perderam a esperança e aguardaram a chegada do Messias prometido. Havia muito tempo que não aparecia um profeta novo, o último fora Malaquias. Mas, firmes na promessa, perseveraram e viram a vinda do Filho de Deus. Simeão, Natanael, Ana, e mesmo os magos do Oriente, não se deixaram impressionar pela grandiosidade de Roma, pelo poder de Herodes, pela magnificência do Templo. Não estavam nem aí para a erudição dos fariseus, para o humanismo e a modernidade dos saduceus; não se contaminaram com a cultura dominante e “chique” dos gregos; não foram seduzidos pelo poder como os herodianos.
Sejamos como Simeão, Natanael, Ana e os magos do Oriente. Fiquemos firmes na promessa!

continua...

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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Segredos do Vaticano - a papisa Joana

Fevereiro de 2013. Causou espanto o pedido de aposentadoria, aos 85 anos de idade, do “papa” de Roma, o alemão Joseph Ratzinger, ex-chefe da Inquisição. Um fato raríssimo, ocorrido poucas vezes desde que surgiu a excrescência do cristianismo chamada “papado”. Num momento em que os movimentos pela igualdade de direitos fazem cada vez mais barulho, seria de se questionar por que a “santa igreja” não permite, por exemplo, o sacerdócio feminino. Mas, ainda que queira se apresentar como moderna e se desfazer de sua imagem medieval, Roma ainda resiste a coisas hoje corriqueiras em outros campos, como a globalização. Se o catolicismo fincou pé em todos os continentes, por que tanta demora em eleger um “papa” não-europeu? B16 já foi um milagre, pois foi o segundo não-italiano em mais de 500 anos (o primeiro foi seu antecessor JP2, polonês). F1 é o primeiro não europeu desde que o ofício virou regra geral, há uns 1700 anos atrás, mais ou menos, ali pelo final do império romano, de quem o catolicismo copiou a hierarquia, a administração em dioceses, a arquitetura (basílicas) e o título do chefe (pontifex maximus). Agora, um “papa” de cor negra seria “o apocalipse”...
Mas o que tentam apagar da história é que pelo menos uma mulher já teria ocupado o trono do Vaticano: a chamada “papisa” Joana, uma das figuras mais controversas da História. Ao longo dos séculos muitos negaram a sua existência; contudo, é considerável o número de documentos que atestam o seu reinado em Roma. Se de fato existiu, terá sido um feito extraordinário, digno de Hollywood: ter ocupado um lugar a que só homens tinham (e têm) acesso. Na “Idade das Trevas”, as mulheres quase não tinham direitos e poucas podiam estudar, porque se cria que eram incapazes de pensar. E em mais uma prova de que a igreja católica permanece na Idade Média, ainda relegam as mulheres a meras serviçais.
Em todo caso, o relato diz que, no ano 814, em Engelheim, Alemanha, nasceu a filha de um cônego inglês que logo deu mostras de inteligência privilegiada. Aprendeu a ler e a escrever, às escondidas, com seu irmão Mateus. O tutor do menino, depois que o garoto morreu, ensinou à menina latim e o grego, e ao partir, prometeu ajudá-la a continuar os estudos. Meses depois o pai de Joana recebeu uma carta do bispo, ordenando-lhe que lhe enviasse a menina. No palácio episcopal, Joana enfrentou rejeição do reitor, que não queria uma menina na escola; mas, por sua inteligência e pela insistência do bispo, foi aceita. Como Joana não poderia ficar instalada junto aos rapazes, o bispo determinou que fosse enviada à casa de um cavaleiro seu amigo, onde ficaria alojada.
Entretanto, enfadada dos estudos, Joana resolveu fugir; assumiu uma identidade masculina e entrou para um mosteiro com o nome de Johannes Anglicus (João Inglês). Ali, com a biblioteca à sua disposição, aprofundou-se nos estudos religiosos e clássicos, tornando-se extremamente culta e erudita. Aprendeu os rudimentos da medicina da época e por fim foi chamada a Roma, para tratar da saúde do “papa” Leão IV. Sempre disfarçada de homem, ganhou prestígio e respeito entre os dignitários da igreja. Foi nomeada “secretário da Cúria” e, depois cardeal.
Com a morte do “papa” Leão IV (17 de julho de 855), acabou eleita “papa” e adotou o nome de João VIII, sendo um “papa” discreto que quase não aparecia em público. Mas certo dia, durante uma procissão, montada num cavalo e à frente do cortejo, como era o costume da época, Joana sentiu-se mal e caiu. Entre dores, sangue e lágrimas, deu à luz uma criança. Os cardeais,
atordoados, gritaram: “Milagre! Milagre!”. Na verdade, o “milagre” de um “papa” parir explica-se: ao saber da fuga de Joana, o cavaleiro amigo do bispo não cessou de a procurar, encontrando-a, anos depois, em Roma. Apaixonaram-se; passaram a se encontrar às escondidas, e o bebê seria filho desse cavaleiro.
A partir daí os relatos divergem. Segundo alguns, a multidão apedrejou Joana e a criança até à morte, por ter profanado o trono. Para outros, mãe e filho foram encarcerados até ao fim dos seus dias. Outra versão seria que ambos morreram de complicações do parto.
Uns dizem que Joana nasceu no oriente, em Constantinopla talvez, com o nome de Giliberta, e vestia-se de homem para estudar filosofia e teologia. Depois de algum tempo, sob disfarce, impressionara tanto os doutores da igreja católica com sua sabedoria que foi escolhida para o trono papal. Essa mesma versão também conta que Joana havia se apaixonado por um guarda suíço e engravidara dele.

Outra vertente é de que Joana seria na verdade um eunuco, que por ser castrado não foi eleito, mas rotulado de “mulher” e assim impedido de ocupar o trono.

Já outra versão diz que Joana casou-se com um monge na Grécia, onde teria se vestido de homem para não escandalizar o povo, pois os padres não podiam se casar (veja que não mudou nada). Sob o pseudônimo Johannes Anglicus, fingia ser um apenas discípulo; depois tornou-se monge, e depois cardeal. Após a morte de Leão IV, ficou com a vaga do defunto. Nessa versão ela também engravida, e a justificativa de ninguém descobrir é que a túnica era larga o suficiente para esconder a barriga.

Verdade ou lenda? Se considerarmos o poder da igreja católica naqueles tempos, e que os historiadores eram padres, é fácil compreender por que suprimiram esse “papado” quase três anos: depois de Leão IV já aparece Bento III. E em 872 nomearam outro “papa” com o mesmo nome da “papisa” (“João VIII”).

Mas outros fatos dão força à história:

- Em 1276, o “papa” João XX, após rigorosa investigação, mudou o seu nome para João XXI, reconhecendo, assim, o “papado” de Joana;

- Existiu também, entre os diversos bustos papais de terracota na Catedral de Siena, um da “papisa”. Por determinação do “papa” Clemente VIII, sumiram com ele em 1601.

- Exatamente a partir do ano 857, data da morte da “papisa”, até ao século XIX, era usada uma cadeira com um buraco no assento, usada nas cerimônias da consagração de um novo “papa”. O recém-eleito sentava-se e era feito um exame palpável para se determinar se era, de fato, do sexo masculino. Só então o camerlengo anunciava “Habemus papam” (“temos um papa”). Essa cadeira ainda existe em Roma, não podendo a igreja católica negar a sua existência. 

Evidentemente que os católicos insistirão que isto é apenas uma lenda para difamar a sua “santa igreja”. O chororô é antigo. Barônio considera a “papisa” um monstro que os “heréticos” evocaram do inferno. Um tal padre Labbé acusou os protestantes de serem os inventores da história; mas tendo Joana subido à “santa sé” 500 anos antes do nascimento do primeiro reformador, seria-lhes impossível tal invenção. E Mariano, que escrevera sobre a “papisa” muito antes, não poderia estar citando algum reformador. Florimundo Raxmond comparou Joana, na mesma época, a um enviado do céu para punir a igreja romana, cujas abominações provocaram a cólera de Deus.

Muitos outros escritores descrevem o episódio: veja mais aqui. Um dos sinais mais interessantes da existência de Joana é um decreto riscando seu nome do catálogo dos “papas”. Genebrardo, arcebispo de Aix, afirma que a “santa sé” foi ocupada por “papas” tão corruptos “que deviam ser chamados apostáticos e não apostólicos”, e que várias mulheres governaram Roma nesse tempo. Com efeito, as cortesãs Teodora e sua filha Marozia colocaram no “trono de ‘são’ Pedro” seus amantes e filhos ilegítimos durante um período conhecido como a “Pornocracia” ou o “governo das prostitutas”.

Marozia dei Teofilatti fora seduzida, ainda adolescente, pelo corrupto “papa” Sergio III (904-911); depois tiveram vários filhos. Sergio, que participara do absurdo julgamento do cadáver, foi descrito por Barônio, Gregório e outros escritores como “monstro” e “criminoso aterrorizante”. Diz um deles: “Por sete anos ocupou a sede de são Pedro, enquanto sua concubina, imitando a rainha Semiramis, reinava na corte em pompa e luxo como nos piores dias do velho Império Romano”. Sobre Teodora, relata: “Esta mulher, junto com Marozia, a prostituta do papa, encheu a sé papal com seus filhos bastardos e converteu o palácio em um labirinto de ladrões”. Em 914, Teodora conseguiu nomear “papa” João X, então seu amante, assassinado em 928 por Marozia, que queria levar o seu macho do momento (Leão IV) ao trono. Este só durou um ano: se lascou todo quando Marozia percebeu que ele tinha uma prostituta mais imoral do que ela mesma. Marozia então mexeu os pauzinhos e elegeu seu filho com Sergio, ainda adolescente (chamado João XI); este, depois de uma briga com desafetos foi encarcerado e acabou envenenado. Em 995, um neto de Marozia tomou posse como João XII, tão corrupto quanto os outros, culpado de invocar o demônio e fazer-lhe brindes, víciado em jogo, roubos e imoralidades e até de provocar incêndios. Nenhuma mulher honesta, solteira, casada ou viúva, se atrevia a sair em público, pois esse “papa” não lhes tinha respeito. Levantou a ira do povo ao transformar o palácio papal em bordel; passou toda a vida em adultério e assim morreu, assassinado pelo marido da mulher com quem dormia.

E nem vamos falar muito sobre Olimpia Maidalchini, a papisa secreta, que no século XVII comandou a igreja católica através de seu cunhado e amante, o “papa” Inocêncio X. Mais sobre esses e outros escândalos “intra-muros” neste link.

A podridão está entranhada nas muralhas do Vaticano, depois de 1700 anos de corrupção - pois como se sabe, o catolicismo se inicia depois do Edito de Milão, no IV século depois de Cristo - e não antes.  Temos que perguntar:

Você acha que a simples troca de um gerente por outro, ou no máximo, a substituição do atual grupo de poder, vai mudar alguma coisa? Os dogmas continuarão os mesmos: continuarão crendo que “sem Maria não há salvação”; que só “pedindo à mãe o filho atende”. Não vão acabar os “santos” mais lendários do que a “papisa” Joana. Continuarão com suas imagens, rezando pelos mortos, passando cinza na testa, acendendo velas, batizando e crismando crianças, seguindo procissões. A mulher não terá lugar de destaque; os “homens de preto” continuarão mais filósofos do que teólogos; ainda tentarão influenciar mais a política do que a vida espiritual das pessoas; seguirão sem poder casar, mas assediando adolescentes imberbes. Nada mudará! Com a desculpa do “ecumenismo”, formarão a “igreja mundial” nos dias finais da humanidade.

Uma organização que cresceu como um câncer, um polvo maligno que abraça mais do que apenas a praça de “são” Pedro, corrupta desde os alicerces tenebrosos no subsolo de Roma, de repente vai passar a ser uma referência de correção e pureza? Uma instituição tão impenetrável, misteriosa, que torturou e matou milhões “em nome de Deus”, a ponto de julgar e condenar um cadáver; que foi dirigida por prostitutas e hoje abriga um sem-número de homossexuais e pedófilos, e que escolhe o chefe da polícia secreta para líder supremo; o que mais não terá nos seus cargos mais altos? O que mais não esconderá?

Os que defendem “honestidade, transparência e tolerância” só da boca para fora, que vivem fazendo passeata pelo Facebook e manifestação pelo Twitter, deveriam também protestar pelo fim da corrupção e por uma devassa nessa podridão. Que os mafiosos pelo menos paguem pelos seus crimes e pela tentativa de manipulação das massas crédulas e ignorantes, mostrando ao mundo o que se passa por trás daquelas muralhas.

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(Fonte 1) (Fonte 2) – Veja também este filme.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Bispos e bispos...

A posse da presidente Dilma Rousseff foi transmitida por todos os canais de TV do Brasil e vários do exterior. O engraçado foi saber que a Globo cortou na hora a sua transmissão, colocando no ar “melhores momentos”(?) do “Caldeirão do Huck”. Mas quem mudou de canal viu por que: na fila do salamaleque estava o “empresário” Edir Macedo, dono da TV Record, segundo a qual a comitiva era a única da mídia no evento.
Duas reflexões:
A primeira é que uma das poucas coisas boas, se é que há alguma, em ver Edir Macedo ao lado da presidente Dilma é saber que a Globo se mordeu e espumou de raiva, sendo obrigada a cortar a transmissão abruptamente. Isso é muito bom! Fazer raiva na Globo não tem preço!
A segunda é mais séria.
Como diria Lula, “nunca antes na história deste país” teve tanto evangélico (ou pelo menos gente que se acha evangélica). Não por acaso, a visita a um bom número de igrejas já faz parte do roteiro de qualquer político. O PV de Marina Silva, por exemplo, apesar de defender a união civil de homossexuais, o aborto, a legalização de drogas e outros temas que quase custaram a cabeça a outros candidatos, ganhou pontos abençoados desse rebanho e forçou o segundo turno em outubro passado. Apesar da anencefalia coletiva, ou talvez por causa dela, é um contingente nada desprezível.
É preciso afagar a manada. E a forma mais fácil é lhe dando uma parcela, ainda que ínfima, desse poder e visibilidade. Isso agrada a massa.
Nos portais de notícias que aceitam comentários, a aparição do “bispo” na posse causou júbilo entre as hostes iurdianas. Um comentário dizia, eufórico, que “ninguém agüenta nós da universal” (sic). O comentarista tem razão; mas eu fico pensando na grande diferença dos “bispos” da atualidade para os verdadeiros bispos da história da Igreja.
João, por exemplo. É, aquele mesmo que escreveu um evangelho, três epístolas e o Apocalipse. Aquele que junto com Pedro foi o primeiro discípulo a chegar à tumba vazia. Aquele a quem Jesus amava.
Sabe-se que João foi bispo na cidade de Éfeso, uma das maiores cidades do Império Romano. Como em outros lugares, havia ali um templo da deusa Diana: eu vi um deles em Portugal e fiquei impressionado - e nem era dos maiores. Imagine-se o de Éfeso, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. A cidade, extremamente idólatra, vivia em torno do comércio religioso que emanava desse templo. A Bíblia relata que se faziam miniaturas dele, vendidas com muito lucro, até o dia em que os cristãos começaram a se multiplicar. Libertos da idolatria, abandonaram as bugigangas, que começaram a encalhar nas prateleiras, e aí, parece que é o noticiário de hoje: com a iminente quebra da economia local, houve um protesto na associação comercial. Foi tão grande o tumulto que a polícia chegou, desceu o cassetete a torto e a direito, e levou todo mundo para a delegacia, inclusive o apóstolo Paulo, para prestar esclarecimentos... leia mais em Atos 19.
Mas a despeito da antipatia dos comerciantes, a comunidade cristã cresceu e algum tempo depois, João se tornou bispo na cidade. A igreja em Éfeso foi mencionada em Apocalipse, e apesar de tomar uma repreensão do Senhor, foi elogiada por detonar os nicolaítas, o que significa que era uma igreja que não aceitava o domínio de uns sobre os outros. Já se vê aí uma diferença entre aqueles bispos e os de hoje.
Entre o tumulto em Atos e a carta em Apocalipse, se passaram cerca de 40 anos. Nesse meio tempo, pelo menos oito imperadores subiram ao poder: Nero em 54, Oto, Galba e Vitélio em 67/68, Vespasiano em 69, Tito em 79, Domiciano em 81 e Nerva em 96.
Não se tem notícia de que João tenha sido convidado para as solenidades de posse de nenhum deles. Nem Pedro, Lino, Anacleto ou Clemente, que a tradição diz terem sido os primeiros bispos da capital do império, foram convidados. O motivo? Simples: a igreja não compactuava com o governo, com suas diretrizes, seus métodos, sua ideologia. Não se misturavam. É  outra diferença entre aqueles bispos e os de hoje.
Para se ter uma idéia, o historiador Tácito escreveu que os cristãos eram, para os romanos, “o que há de abominável e infame no mundo... uns foram revestidos de peles de animais ferozes e jogados aos cães pra serem devorados; outros eram pregados em cruzes; muitos foram queimados vivos, embebidos de matéria inflamável, acesos para servirem de tochas à noite” (Anais da Historia Romana, XV:44).
Mas hoje... são outros tempos, dirão alguns.
Sem dúvida, são outros tempos.
Hoje o político precisa da igreja, e a igreja precisa do político. E nessa dependência mútua, abre-se espaço para o comércio, o negócio, a combinação: você não me atrapalha que eu não te atrapalho. Você me ajuda que eu te ajudo. Você fala, que eu te escuto.
E aí pergunto, mais uma vez: a Igreja precisa disto? Jesus, a quem pretendemos representar nesta terra, precisa disto? A Igreja precisa do poder terreno? Precisamos “tomar posse da nação”? Evidentemente, todo cidadão tem o direito de votar e ser votado, de acordo com suas convicções. Congressistas cristãos podem agir como sal e luz, barrar certas leis etc., mas têm o direito de exigir poder e holofotes? Podem barganhar verbas? Prometer votos em troca de concessão de emissoras de rádio e canais de TV?
O que temos visto a cada dia não é exatamente sal e luz, mas sim dólar na meia, na cueca, oração da propina, sanguessugas, passagens aéreas para parentes e apaniguados, tentativa de meter a mão no dinheiro do FGTS e outros absurdos.
Mas... são outros tempos.
O bispo agora não é mais queimado vivo não, que absurdo, ele é convidado para a posse presidencial.
Nunca antes na história deste país se viu tal coisa, dirão alguns. Nem da Igreja, digo eu. 
O bispo agora não vive distante da política; ele não é mais oposição a César. O bispo agora janta com César. César precisa do bispo, e vice-versa. E se você quiser saber o que é ser bispo, clique aqui.
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No dia da posse, o Jornal Nacional exibiu matéria sobre uma concentração da igreja Mundial, que vem crescendo mais que a IURD. O evento reuniu cerca de 100 mil pessoas no autódromo de Interlagos, em São Paulo.
Há oito meses, a IURD reuniu mais de 1 milhão de pessoas no mesmo local, e a TV Globo não noticiou o encontro. Só o jornal O Globo deu foco ao “congestionamento” e à “sujeira”, com o título pejorativo de “Caos universal e autorizado”. Valdemiro Santiago, auto-proclamado “apóstolo” e chefe da Mundial, é dissidente da IURD e nunca antes teve espaço na Globo, mas ofereceu R$15 milhões mensais por um horário no SBT. Dinheiro não falta, para isso existe o “bízimo” e o “trízimo”. Teria sido paga a matéria do JN, ou a Globo resolveu contra-atacar a Universal com a Mundial?
Será que vai ter próximos capítulos? Será que vale a pena ver de novo a guerra santa?
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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Uma história de sexo, terror e crimes

A intimidade com o poder
temporal é uma das formas de  prostituição do espiritual com o mundano - como anunciado em Apocalipse capítulo 17. Essa mistura das coisas de Deus com as coisas do mundo não vem de agora; não, é muito antiga.

O aspecto moral, infelizmente, é apenas uma cena pornográfica no meio desse longo filme de terror.
Durante a Idade Média surgiram anedotas como o Decameron, Heptameron, Os Contos de Canterbury etc., cujos protagonistas eram padres e freiras lascivos. Muitos papas eram tão depravados que até mesmo os que não professam nenhuma religião se escandalizavam. Devido a tamanha imoralidade, não devemos nos surpreender de que os padres não fossem melhores do que seus chefes. 
Pecados tais como adultério, sodomia, estupros, assassinatos e embriaguez vêm sendo cometidos por muitos papas através da história. Estamos conscientes de que atribuir esta classe de pecados a quem se proclama ser “santo padre”, “vigário de Cristo” e “bispo de bispos”, pode ser alarmante para alguns. Mas aquele que estuda a historia dos papas compreende claramente que muitos foram tudo, menos santos.
Sergio III (904-911 d.C.) obteve o ofício papal por meio de assassinato. Os anais da igreja de Roma falam sobre sua vida em pecado com Marozia dei Teofilatti, a quem seduzira quando ela era adolescente, e que depois lhe deu vários filhos. Marozia era filha de um senador romano com Teodora, uma prostituta.
Este Sergio foi descrito pelos historiadores Baronio e Gregorio como um “criminoso aterrorizante” e por outros escritores eclesiásticos como um “monstro”. Diz um deles: “Por sete anos ocupou a sede de são Pedro, enquanto sua concubina, imitando a rainha Semiramis, reinava na corte em pompa e luxo como nos piores dias do velho Império Romano”. Referindo-se a Teodora, diz: “Esta mulher, junto com Marozia, a prostituta do papa, encheu a sé papal com seus filhos bastardos e converteu seu palácio em um labirinto de ladrões”Após a morte de Sergio, Teodora conseguiu nomear “papa” João X, então seu amante (914). João foi assassinado em 928 por Marozia, que queria levar Leão IV à cadeira papal. Seu reinado foi breve (928-929): teve o mesmo fim quando Marozia se deu conta de que ele tinha uma amante mais imoral do que ela própria. Pouco depois conseguiu eleger seu filho e de Sergio ao trono.  Entretanto, o novo "papa" era apenas um adolescente, que tomou o nome de João XI. Durante uma briga com os inimigos de sua mãe foi encarcerado e acabou morrendo envenenado.
No ano de 995, o neto de Marozia tomou posse do trono como João XII. Este chegou a ser tão corrupto que os cardeais se viram obrigados a tomar medidas: foi julgado culpado de vários crimes, incluindo incendiar edifícios, brindar ao demônio, jogar dados, invocar ajuda do diabo, obter dinheiro por meios ilegais e cometer imoralidades. Tão vis foram seus atos que o bispo Luitprand de Cremona disse que “nenhuma mulher honesta se atrevia a sair em público, pois João não tinha respeito a elas, solteiras, casadas ou viúvas”. Levantou a ira do povo ao transformar o palácio papal em bordel público, e foi descrido pelo “Liber Pontificalis” como tendo passado toda a vida em adultério; e assim morreu, assassinado pelo marido da mulher com quem dormia.
Bonifacio VII (984-985), como seus antecessores, se manteve no cargo enquanto controlava a distribuição de dinheiro. Foi ele que fez encarcerar e assassinar João XIV, e depois incitou a multidão a arrastar-lhe o corpo pelas ruas, deixando os restos aos cães. Este Bonifacio foi classificado por Silvestre II como “um horrendo monstro que sobrepujou a todos em maldade”. Infelizmente, Silvestre não era muito melhor, já que a própria Enciclopedia Católica diz que “o povo o considerava um mago pactuado com o diabo”.
Em seguida, veio João XV (985-996) que dividiu as finanças da igreja entre seus parentes. Benedito VIII (1012-1024) comprou o cargo com chantagens. O seguinte, João XIX (1024-1033) fez o mesmo. Benedito IX (1033-1045) foi eleito com apenas 12 anos de idade, por meio de arranjos financeiros das famílias que controlavam Roma. Este papa-mirim cresceu em maldade e “cometeu homicídios e adultério em plena luz do dia”; assaltava os peregrinos nas catacumbas e por fim, foi expulso da cidade pelo próprio povo!
O campeão da corrupção foi Bonifácio VIII, retratado por Dante na sua “Divina Comédia” como sofrendo horrores nas profundezas infernais. Eleito em 1294, por meio das habituais fraudes, mandou encarcerar seu antecessor até que morresse à míngua. Seis cardeais afirmaram que ele dizia serem as leis divinas meras invencionices; que era tolice uma virgem conceber, Deus ser uma pessoa em três e haver outra vida depois desta: “é o que acredito e sustento, como aliás todo homem culto. Precisamos falar à maneira da plebe, mas pensar e acreditar de acordo com a elite”...
Outras testemunhas diziam que praticava pecados sexuais “naturais e também contrários à natureza”, e que se comunicava com as trevas por meio de feitiçarias.
No Concilio de Constança, três “papas”, e algumas vezes quatro, simultaneamente, se insultavam todos os dias, acusando-se uns aos outros de anticristos, demônios, adúlteros, sodomitas, inimigos de Deus. Um deles, João XXII (1410-1415), foi intimado a depor sobre sua conduta. Foi acusado por 37 testemunhas (bispos e sacerdotes, na maioria) de fornicação, adultério, incesto, sodomia, furto e homicídio, além de haver seduzido e violado 300 freiras. Mantinha em Bolonha um harém onde não menos de duzentas meninas haviam sido vítimas de sua luxúria. Para aumentar sua fortuna, criou impostos para tudo, incluído o jogo, a usura e a prostituição.
Por tudo isto o Concílio o declarou culpado de 54 crimes da pior categoria e o ejetou da cadeira papal; o tarado fugiu. O registro oficial do Vaticano qualquer um pode conferir, se achar que é lenda ou invenção: “Sua senhoria o papa João, cometeu perversidades com a esposa de seu irmão, incesto com santas monjas, teve relações sexuais com moças virgens, adulterou com mulheres casadas e toda classe de crimes sexuais... entregou-se completamente a dormir a outros desejos carnais, totalmente avesso à vida e aos ensinamentos de Cristo... Foi chamado publicamente de diabo encarnado”.
O “papa” Pio II (1458-1464) teve inúmeros bastardos. Falava em público sobre os métodos que usava para seduzir mulheres. Seu sucessor Paulo II (1464-1471) satisfez o desejo popular e manteve uma casa cheia de concubinas. Dizem que as jóias de sua coroa valiam mais do que um palácio inteiro. 

Sixto IV (1471-1484) nomeou cardeais vários filhos que teve com sua amante Teresa. Também nomeou oito sobrinhos, mas alguns deles eram, na verdade, seus filhos com outras mulheres. Financiou guerras vendendo posições eclesiásticas.
Inocencio VIII (1484-1942) teve dezesseis filhos com várias mulheres, e não negava que haviam sido “gerados no Vaticano”. Inovou na arrecadação de dinheiro, permitindo touradas na praça de São Pedro.
Rodrigo Borgia, vulgo Alexandre VI (1492-1503), subiu com a compra de votos. Viveu com uma mulher chamada Vanozza dei Catane, e depois com a filha dela, Rosa, com quem teve cinco filhos. No dia de sua coroação, nomeou um deles arcebispo de Valência, Espanha. Viveu em incesto publicamente com suas duas irmãs e com sua própria filha, a tristemente famosa Lucrecia Borgia, com quem se diz ter tido pelo menos um filho. Em 31 de outubro de 1501, véspera de “todos os santos”, realizou tal orgia no Vaticano que nunca se verificou igual na história da humanidade, nem no tempo dos Césares.
Paulo III (1534-1549) tinha quatro filhos; na sua coroação celebrou o batismo de seus bisnetos e nomeou sobrinhos adolescentes como cardeais; promoveu festivais com cantoras, bailarinas e bufões, e buscava ajuda de astrólogos.
Para esses homens, o poder era mais importante do que a saúde espiritual do rebanho de Deus. Lobos disfarçados, que devoram as ovelhas, dando preferência às mais novas e inocentes.

Deus tenha misericórdia!

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