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domingo, 12 de agosto de 2012

Por que não pregar às Nações...

E sim às pessoas!
Parte 2
Vimos que as nações, enquanto entidades políticas, estão condenadas, pois são inimigas de Deus. Por isso é errado dizer que devemos pregar às nações, ou mandar missionários para as nações. Devemos mandar missionários e pregar para as pessoas, porque somente no Reino Milenar de Cristo as nações serão restauradas. Só depois de estabelecido o Reino de Cristo na terra as nações serão transformadas - por terem passado pelo juízo de Deus - e então virão a Jerusalém prestar culto ao Senhor (Zacarias 8:22, 23 - Zacarias 14:16, 18, 19 -  Malaquias 3:12. Apocalipse 21:24 diz: As nações andarão à sua luz (luz que emana da Nova Jerusalém, a cidade santa que desce da parte do nosso Deus, cf. v. 2); e os reis da terra trarão para ela a sua glória...  E também 22:2 = No meio da sua praça, e de ambos os lados do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a cura das nações.
Enviados “às nações”?
A justificativa para querer “enviar missionários para as nações” está supostamente em Isaías 66:19, onde Deus diz que enviará profetas às nações (também Jeremias 1:5 e 25:15). Ezequiel foi outro profeta enviado às nações, mas é interessante notar que  a nação de Israel é considerada também rebelde como as demais, cf. 2:3 = E disse-me ele: Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se rebelaram contra mim; eles e seus pais têm transgredido contra mim até o dia de hoje. Note que aqui estamos no contexto do VT. Deus ainda estava tratando com nações coletivamente, o que voltará a acontecer após o arrebatamento da Igreja, quando estarão reestabelecidas as condições existentes no período do VT.  
No fim da atual dispensação, voltará à tona a afirmação de Deus quanto à Humanidade, quando Ele viu a rebelião e a resistência do Homem em aceitar o Seu Governo: “Então disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem” (Gênesis 6:3). Na seqüência, veio o dilúvio universal e logo após, em vez de reconhecer que o juízo viera por causa da corrupção, o que o Homem fez? Nova sessão de insubmissão, querendo chegar aos céus por seus próprios esforços em Babel. Deus aplicou novo juízo sobre o gênero humano, a dispersão, dizendo: “Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer” (Gênesis 11:6). E a coisa está nesse pé desde então. Rebelião total, como descrito no Salmo 2. 
É por isso que em Apocalipse há menções às nações, quando o contexto é a terra; mas quando o contexto é o céu, a menção principal é a “tribos, línguas e nações”, e também à multidão (de pessoas, obviamente, cf. 7:9 e 19:1; etc.). Ainda assim, nesse contexto de tratamento com as nações enquanto coletividades, em nenhuma passagem é dito que as nações se converterão; apenas as pessoas advertidas acerca da Palavra e dos juízos iminentes de Deus que eventualmente venham a se converter, e reconhecer a soberania do Deus de Israel. Veja Daniel 4:34, 37.
Considerando a história de Jonas, um caso clássico de missões, podemos perceber que o povo daquela cidade - inclusive os governantes - se arrependeu, mas a nação de Nínive continuou inimiga de Deus e opressora de Israel. E eventualmente veio a ser destruída, e desapareceu. Não se acha na Bíblia menção a uma conversão da nação de Nínive, a não ser, talvez, num exercício que leve em conta a situação de todas as nações no Reino Milenar, quando todas as nações da terra prestarão culto ao Senhor em Jerusalém (cf. Zacarias 8:22,23; 14:16,18,19; Malaquias 3:12; Apocalipse 21:24; 22:2). Em Nínive, como resultado da pregação de Jonas, as pessoas se converteram individualmente (do mais humilde súdito até o rei, como se lê no cap. 4).
No contexto do VT, onde Deus trata com nações coletivamente, as pessoas se arrependeram, mas a nação permaneceu idólatra. Isto é, o sistema dominante continuou a ser o sistema da rebelião contra Deus, e o juízo do Senhor continuou pesando sobre a nação.
Sofonias, contemporâneo de Jonas, diz no cap. 2:13 = “Ainda ele estenderá a mão contra o Norte, e destruirá a Assíria; e fará de Nínive uma desolação, terra árida como o deserto”.  Naum 3 também traz o relato da destruição dessa cidade ímpia. Podemos imaginar, entretanto, que os convertidos dentre esse povo possam ter sido poupados, embora isso não tenha impedido o juízo divino sobre a cidade em uma outra situação.
Jesus enviou seus seguidores às nações, mas com o intuito de “fazer novos discípulos” (isto é, pregar o Evangelho visando o arrependimento, salvação e transformação das pessoas) e não “converter nações”. Mateus 28:19 =  “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações (compare com Apocalpse 7:9), batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”... Nações não são batizadas!
Marcos 16:15-18 confirma essa ordem: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (etc.)... Todas as referências dizem respeito às pessoas convertidas em decorrência da pregação, não às nações. No v. 20 está o relato de que os cristãos cumpriram a ordem espalhando-se pelo mundo, isto é, entre as nações. Mas fica claro que os convertidos seriam oriundos de todas as nações, se espalharam por todas as nações, mas não que as nações seriam convertidas. O alvo da pregação é: as pessoas, não as nações.
Pregar às pessoas, não às nações: Devemos ir às nações, sim, e também aos países, tribos e povos, mas para alcançar pessoas. Atos 2:39 iz: “Porque a promessa vos pertence a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe: a quantos o Senhor nosso Deus chamar”. E Atos 17:30 diz: “Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam”.
Temos que pregar às pessoas que são membros desses “povos, tribos, línguas e nações”. De novo: na era em que vivemos, comumente chamada de Era da Graça ou da Igreja, Deus trata com pessoas, individualmente, não com nações coletivamente, como fazia no VT. Deus está chamando as pessoas individualmente, e não as nações, a serem membros do Corpo de Cristo.  I Timóteo 2:4 
= o qual (Deus) deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Tito 2:11 = Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens. Atos 2:38 = Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo. Também Atos 17:27 - Romanos 14:12 - Efésios 4:7.
Na Era da Graça, para Deus não há nações, povos ou países, mas apenas o “povo de Deus”. O povo de Deus é uma nação santa, especial; nela não existe etnia, costumes, línguas, hábitos ou culturas que caracterizam as nações da terra, cf. I Pedro 2: 9,10
Apressar a vinda do Senhor indo às nações? Uma passagem erroneamente interpretada dá a entender que podemos “apressar” a volta de Jesus evangelizando as nações (Mateus 24:14):  “E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”. Entretanto, um estudo mais cuidadoso da passagem nos mostra que o contexto dessa pregação “final” do Evangelho diz respeito ao período tribulacional, e não à era atual (da Graça ou da Igreja). Todo o capítulo 24 de Mateus está no contexto da Grande Tribulação, cf. vs. 21, 29 . Não há aqui referências à Igreja, mas a Israel como nação (também Marcos 13, em especial o v. 14, que tem ligação direta com Daniel 9:27, cf. Mateus 24:15). Essa pregação “final” do Evangelho, após a qual “virá o fim”, será feita pelos anjos de Deus. Apocalipse 14:6, 7, 15-19. Na seqüência, Apocalipse 15:1 diz: “Vi no céu ainda outro sinal, grande e admirável: sete anjos, que tinham as sete últimas pragas; porque nelas é consumada a ira de Deus. Só depois desse evento portentoso é que fica claro que o fim chegou, pois os juízos finais são derramados sobre a terra (ver Apocalipse 16). Falarei mais sobre isso no contexto do sermão profético (Mateus 24) em outra ocasião.
Uma consideração - estão sendo enviados para outros países “missionários” brasileiros, que não falam a língua local, mas apenas o Português. Eles vão trabalhar com os emigrados, por exemplo, na América do Norte, onde existe um grande número de brasileiros “desarraigados”, que enfrentam problemas de discriminação, sub-emprego, humilhações, chegando, não raro, à depressão e ao suicídio. Isso quando não são atraídos pelo crime. Muito bem, mas se enviamos missionários a outros países para trabalhar exclusivamente com brasileiros, não estamos (tecnicamente) enviando esses missionários “à nação americana”, como se apregoa; mas sim ao povo brasileiro: uma parte do povo brasileiro que habita em outro país. Tanto é assim que em época de eleição os emigrados votam na Embaixada do Brasil, e ali exercem seus deveres de cidadão brasileiro. Qualquer problema com esses cidadãos é tratado pela Embaixada ou Consulado, e não pelas autoridades locais, grosso modo, a menos que tenha havido transgressão às leis locais. Ora, se essas pessoas não são americanas (no nosso exemplo), obviamente são brasileiras e portanto, a missão a elas dirigida visa alcançar brasileiros, não “as nações” ou a “nação americana”.
Finalizo dizendo que essa obsessão pela palavra “nações” e seus desdobramentos (conquistar as nações, dominar as nações, pregar às nações, converter as nações, trazer as nações para o senhorio de Cristo na presente era, etc.), é tudo um reflexo do dominionismo, corrente filosófica, política e teológica que prega que nós, hoje, como Igreja, temos direito a participar do governo do mundo, “para Cristo”, ou “em nome de Jesus”. Nada mais enganoso! O Governo Mundial de Cristo só será estabelecido após a Tribulação, no Milênio que ainda está por vir. A não ser que se creia que o Milênio é alegórico, e não-literal – o que os dominionistas, no fundo, acreditam e desejam com todas as forças. Por isso tanta ênfase no “aqui e agora” – prosperidade financeira, participação agressiva na política, conquista de cidades e territórios etc. Isto está errado. Leia mais aqui e aqui. Repetindo: Devemos ir às nações, sim, e também aos países, tribos e povos, mas para alcançar pessoas.

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