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domingo, 1 de julho de 2012

Pescadores de homens

Tenho visto com freqüência cada vez maior a realização de eventos supostamente evangélicos, tendo como tema “caipiras” (festas “juninas” ou, “pentecostalizando” o termo, festas “jesuínas”). Também já vi convites para festas “dos anos 60”: uma espécie de “festa à fantasia”, onde se comparece a caráter, usando roupas e adereços espalhafatosos, valendo até perucas. E para não perder tempo descrevendo essas bizarrices, vou logo para o supra-sumo do absurdo, que é a realização de lutas violentas dentro de templos ditos evangélicos. 
Isso que se convencionou chamar de esporte, o qual é identificado por uma sopa de letrinhas – MMA (mixed martial arts), UFC (ultimate fighting championship) e outras siglas – já é altamente duvidoso enquanto esporte, pois seus benefícios, se é que existem, são questionáveis, e seus prejuízos são notórios. E agora vêm pretensos evangélicos defender a sua prática, dentro das igrejas, ainda por cima.
Eu poderia aqui traçar um paralelo com a Igreja Primitiva, aquela que ainda não havia ainda se contaminado com os costumes pagãos, e perguntar se alguma vez Pedro, Paulo ou qualquer outro apóstolo teria a cara de pau de promover uma luta de gladiadores, “para evangelizar”.
Imaginemos uma epístola dizendo que, para atrair a atenção dos jovens, deveriam ser apoiadas e estimuladas sessões de pancadaria, findas as quais os gladiadores – sem dentes, braços quebrados, contusões generalizadas – se confraternizariam, dando glória a Deus. Então haveria uma pregação, enquanto os diáconos limpariam o sangue da arena. Afinal, é isso que estão propondo, e repetindo à exaustão, para tentar criar uma aura de “normalidade”. Apenas quero dizer que Paulo, quando teve oportunidade de escrever a um jovem, no caso Timóteo, deu-lhe um conselho um tanto diferente do que se prega hoje. Paulo, depois de enumerar uma série de práticas e costumes que observara, escreveu: Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão (I Timóteo 6:11).
Ou os cristãos, ignorando esse mandamento - fugir dessas coisas - imitariam os pagãos? Será que na época da colheita das uvas, quando os romanos celebravam suas festas em honra ao deus do vinho, os cristãos também fariam uma festa como as bacanais romanas? O que você diria se aqueles cristãos fizessem um festival na mesma data das bacanais”, regada a vinho, mas em honra de Jesus? Poderiam até dar um nome quase” cristão, quem sabe “jesuscristália”?  Se fosse hoje, a turma provavelmente se sairia com diversas teorias para justificar tal prática: afinal de contas, Jesus dissera que o vinho era parte da Santa Ceia. Os cristãos deveriam então aproveitar e fazer encenações teatrais, versando sobre temas evangélicos, obviamente para atrair os pagãos. Assim, esses não estranhariam a ocasião, afinal, teria tudo a ver com o que eles já estavam acostumados. A bem da verdade, foi mais ou menos o que fizeram, adotando a ocasião da “saturnália” para comemorar a suposta data do nascimento de Cristo. Que nem mesmo nasceu em dezembro!
Por aqui, fazem mais ou menos a mesma coisa das bacantes de outrora. Aproveitam a época da colheita do milho e celebram festas “juninas”, com danças, quadrilhas, e obviamente, consumindo comidas à base de milho (pipoca, pamonha etc.). Tudo para a “glória de Deus”. Para “evangelizar”.
Métodos humanos. Não é o que fazem hoje? Pegam passagens fora de contexto (por exemplo, “fiz-me grego para assim ganhar os gregos”, I Coríntios 9) e tentam aplicar às suas extravagâncias.
Com essa passagem isolada e fora de contexto, abrem a porta para atrações variadas como shows de hip-hop, desfile de moda gospel, luta de vale-tudo, balada gospel, blocos carnavalescos, bailes de máscaras, e o que mais aparecer. Lembremos que já existem várias “igrejas” para gays; é para se assustar só de imaginar o que ainda pode ser “criado” por essas mentes doentias.
Na verdade, é um método muito antigo, esse de criar eventos para atrair multidões. Rômulo, um dos fundadores de Roma, “para conseguir ocasião e local favoráveis [para raptar mulheres e assim povoar a cidade recém-fundada], ocultou seu ressentimento [por causa do desprezo dos outros povos pelo seu convite] e preparou jogos solenes em honra a Netuno Equestre [o deus Conso], os quais denominou Consualia. Mandou então anunciar o espetáculo aos povos vizinhos e revestiu-o de todo o aparato possível na época, a fim de torná-lo atraente e despertar curiosidade” (de acordo com o historiador romano Tito Lívio, em “Ab Urbe Condita”, cit. em História de Roma. Tradução de Paulo Matos Peixoto, SP:Ed. Paumape, 1989, p. 32). O que seguiu depois foi o “rapto das sabinas”. Vejam como a arte de criar pirotecnias para distrair os tolos é antiga.
Já critiquei antes as tais “festas juninas evangélicas” e outras invenções “gospel”. Alguns querem justificar essas esquisitices dizendo que “para pescar é preciso usar a minhoca certa no anzol”, talvez tentando fazer uma alusão ao que Jesus disse aos seus primeiros discípulos: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mateus 4:19).
Acontece que:
1 – a pesca com anzol, usando minhoca ou qualquer outra isca, é, para dizer a verdade, um engodo, um engano. Engana-se o peixe com uma “comida falsa”, ou uma comida que significa a sua ruína. O peixe morde a isca  pensando que vai se alimentar, mas no fim acaba se dando mal. Será que é isso que queremos quando “evangelizamos”? Oferecemos um engodo aos incrédulos, uma “comida falsa”, uma mentira? Bem, eu acho que é isso o que muitas “igrejas” estão fazendo. Oferecem promessas vãs, prosperidade financeira, vitória em todas as áreas, até casamento e “sorte no amor”... isso até o cara cair na real e, desiludido, abandonar a fé, se é que um dia chegou a ter fé. Se é que um dia chegou a ser instruído nos caminhos de Deus. Se é que um dia conheceu a Deus e Seu plano de salvação.
2 – Ao contrário dos pescadores de anzol, os discípulos entenderam perfeitamente o que Jesus queria dizer com ser “pescadores de homens”, “porque eram pescadores” (Mateus 4:18). Até por que Jesus contou depois a parábola do Reino, o qual é “semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanhou toda espécie de peixes. E, quando cheia, puxaram-na para a praia; e, sentando-se, puseram os bons em cestos; os ruins, porém, lançaram fora. Assim será no fim do mundo: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 13:47-50).
E no final, Jesus perguntou: “Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe eles: Entendemos” (v. 51). Mas parece que os “apóstolos” modernos e seus seguidores não entenderam ainda.
Nós somos os pescadores. Cabe-nos lançar a rede, não anzóis com minhocas e iscas. Vem todo tipo de peixe, e não nos é dada ordem para fazer mais nada. Os anjos separarão os peixes que prestam dos que não prestam, “os bons e os maus” (da mesma forma que separarão o joio do trigo). Não precisamos enganar, jogar iscas, engabelar ninguém. Não precisamos armar presepadas, shows, festa junina, escola de samba, luta livre, mágica, equilibrista, mulher barbada, atrações variadas, “para atrair os peixes”. Não precisamos fazer da igreja um circo. A Palavra de Deus deveria ser suficiente para que as pessoas desejassem ir à igreja!
Mas muitos preferem os métodos humanos, cheios de criatividade, e vazios da Palavra de Deus. Se pudermos ir ainda mais longe, para buscar a origem da “teoria da minhoca”, chegaremos ao Éden, onde a serpente apresentou a Eva uma espécie de “minhoca”, ou um engodo, uma isca, sem esclarecer o que viria depois.  O que nos permite concluir que usar de engano nem é mais um método humano, mas satânico. Por que haveríamos de fazer a mesma coisa?
A única coisa que transforma o Homem e o traz para o Reino de Deus é a pregação do Evangelho, da “boa nova”, da “boa noticia”.
Qual é essa “boa noticia”? Diante de tanta coisa ruim que vemos todo dia nos jornais, a crise, o desemprego, seqüestros, assassinatos, motorista bêbado atropelando inocentes, banco quebrando, protestos, roubalheiras, CPI, corrupção, a bolsa caindo e o dólar subindo... deveria ser uma ótima noticia saber que nossas dívidas podem ser canceladas, perdoadas, totalmente zeradas. Saber que devíamos uma quantia que nunca poderia ser paga, mas que Alguém veio e disse: “Pode deixar, Eu pago tudo. Você não deve mais nada. Está resolvido... está consumado. Quem não gostaria de receber uma noticia dessas?
Isso não dizemos aos incrédulos. Preferimos dizer: “olha, vai lá na minha igreja hoje, vai ter uma apresentação de grupo de jovens, uma coreografia; vai ter a cantata do coral, é muito bonita; o cantor fulano vai cantar, a banda tal vai tocar; depois vai ter uma canjicada, uma feijoada, uma batatada”. Outros vão além: “vamos lá ver a luta de MMA, vamos na balada gospel, na ‘arena jovem’, no funk gospel, o barato vai ser doido, mano, véio. Mas nunca dizemos “vamos lá hoje, vai ter uma pregação sobre a Palavra de Deus, e você vai aprender que precisa entregar sua vida a Jesus, senão você vai para o inferno; o pastor vai explicar por que precisamos largar o pecado e seguir a Jesus como os discípulos fizeram, largaram tudo e O seguiram. Vamos orar para que Deus liberte as pessoas e mude seus corações”. Não; preferimos a minhoca.
É isso – só isso – que devemos fazer para que as pessoas venham para o Reino de Deus: mostrar a Palavra, sem rodeios, sem chantilly em cima, para adoçar ou enfeitar. É isso que precisamos anunciar para que os peixes saltem para dentro da rede, sem precisar ser enganados por minhocas pegajosas, moscas de borracha e peixinhos de plástico colorido.

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