Mostrando postagens com marcador nova reforma apostolica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador nova reforma apostolica. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Se Jesus fosse um crente moderno...


...Ele não venceria Satanás pela Palavra, mas teria perguntado a ele o que ele veio fazer ali. Teria amarrado o capeta, teria repreendido várias vezes, o mandaria ajoelhar com as mãos para trás, e dizer que é derrotado; teria feito uma sessão de descarrego, vestido de branco, durante treze sextas-feiras. Aí sim o capiroto sairia humilhado com o rabo entre as pernas. (Mateus 4:1-11)
Se Jesus fosse um crente moderno, não teria curado o servo do centurião de Cafarnaum à distância, mas mandaria levar o rapaz a uma de suas reuniões de milagres e lhe daria um lencinho abençoado ou uma toalhinha ungida para colocar sobre o paralítico durante sete semanas. Aí sim, ele seria curado. (Mateus 8: 5-13)
Se Jesus fosse um crente moderno, não teria multiplicado pães e peixes e distribuído de graça para o povo, de jeito nenhum! Na verdade o pão ou o peixe seriam “adquiridos” através de uma pequena oferta de no mínimo 50 dracmas e quem comesse o tal pão ou peixe milagrosos seria curado de suas enfermidades. (João 6:1-15)
Se Jesus fosse um crente moderno, ele até teria expulsado os cambistas e os que vendiam pombas no templo, mas permaneceria com o comércio, agora sob sua gerência. E então falaria a eles sobre os cinco passos para ser um líder de sucesso para aquela geração. (Mateus 21:12-13)
Se Jesus fosse um crente moderno, jamais teria dito, no caso de alguém bater em nossa face, para darmos a outra. Ele certamente teria mandado que pedíssemos fogo consumidor do céu sobre o agressor, pois “ai daquele que tocar no ungido” (Mateus 5 :38-42)
Se Jesus fosse um crente moderno, quando os fariseus o pedissem um sinal certamente ele imediatamente levantaria as mãos e delas sairiam vários arco-íris, um esplendor de fogo e glória se formaria em volta dele, que flutuaria enquanto anjos cantarolavam: “divisa de fogo, varão de guerra, ele desceu a terra, ele chegou pra guerrear”. Todos ao redor sentiriam um calor forte, seguido de arrepios e tremedeiras. Ele repetiria tal performance sempre que fosse solicitado a provar que era o Filho de Deus. (Mateus 16:1-12)
Se Jesus fosse um crente moderno, nunca teria dito para carregarmos nossa cruz, ou para perdermos nossa vida para ganhá-la, mas teria dito que nascemos para vencer e que fazemos parte da geração de conquistadores, e que todos somos predestinados para o sucesso. E no final gritaria: receeeeeeebaaaaaa! (Lucas 9:23)
Se Jesus fosse um crente moderno, não teria feito simplesmente o “sermão da montanha”, mas teria realizado o Grande Congresso Galileu de Avivamento Fogo no Monte, cuja entrada seria apenas 250 dracmas divididas em 4 vezes sem juros. Claro que haveria o barranco “VIP”, mais perto do Mestre, que custaria um pouco mais. E antes que ele começasse a falar, haveria três horas de apresentação dos levitas dos grupos “Diante do Tabernáculo” e “Trazendo o Trono”, para maior enlevo espiritual e preparação do clima para a mensagem (Mateus 5:1-11)
Se Jesus fosse um crente moderno, não teria curado a mulher encurvada imediatamente, mas a teria convidado para a Escola Internacional de Cura para aprender os sete passos para receber a cura divina. (Lucas 13:10-17)
Se Jesus fosse um crente moderno, de forma alguma teria entrado em Jerusalém montado num jumento, mas primeiro teria dado sete voltas na cidade, para ganhar a nação para Ele mesmo. Depois derramaria azeite, sal, suco de uva e água do rio Jordão nos portões, num grande ato profético para purificar o local de toda influência maligna.  Só então entraria numa carruagem real toda trabalhada em pedras preciosas, com o levita Tomé à frente, tocando um shofar, e a seguir a pastora Maria Madalena “liberando” a bênção sobre Jerusalém. E o povo não o receberia declarando “Hosana”, mas marcharia atrás da carruagem dançando um animado reteté, enquanto os apóstolos contariam quantos milhões de pessoas estavam na primeira marcha para Jesus. Chupa, DataFolha! (Mateus 21:1-15)
Se Jesus fosse um crente moderno, ao se deparar com o leproso (Marcos 1:40-45) este não ficaria curado imediatamente, mas durante a semana, enquanto ele continuasse crendo. Pois se parasse de crer...
Se Jesus fosse um crente moderno, não teria expulsado o demônio do gadareno com tanta facilidade. Ele teria realizado um seminário de batalha espiritual para, a partir daí, se iniciar o processo de libertação daquele jovem.  O gadareno precisaria se lembrar de todos os seus pecados - mesmo os que foram cometidos no jardim de infância - e confessá-los um a um diante de toda a congregação. Então depois de três meses sob disciplina, finalmente ele seria liberto e readmitido à comunhão. (Marcos 5:1-20)
Se Jesus fosse um crente moderno, não teria transformado água em vinho, mas em suco de uva Maguary. (João 2:1-12)
Se Jesus fosse um crente moderno, jamais curaria as multidões, mas mandaria que todos orassem sobre um copo de água, colocassem uma rosa ungida atrás da porta, deitassem sobre um travesseiro previamente abençoado pelos apóstolos e varressem a casa com uma vassoura consagrada, para que o mal saísse daquelas vidas (Mateus 12:15; 15:30).
Se Jesus fosse um crente moderno, aquele texto do buraco da agulha seria assim: “Mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um não-dizimista entrar no reino dos céus” .(Mateus 19:22-24)
Se Jesus fosse um crente moderno, ele teria sim onde recostar sua cabeça. Ele moraria no bairro onde estavam localizados os palácios mais chiques e teria um castelo de verão no Egito, fora que viajaria todo ano de férias para Roma. Viajaria numa caravana de primeira classe ou então em seu próprio navio. De pobreza já bastaria ter nascido numa estrebaria. (Mateus 8:20)
Se Jesus fosse um crente moderno, Zaqueu não teria devolvido o que roubou nem distribuído aos pobres, mas teria doado tudo ao seu ministério como prova de submissão à Sua cobertura espiritual. (Lucas 19:1-10)
Se Jesus fosse um crente moderno,  nunca diria aos discípulos que eles seriam perseguidos, açoitados e levados a interrogatório diante dos reis e governantes deste mundo, mas profetizaria que eles seriam honrados pelos homens, levantados como líderes mundiais, como atalaias de nações e conselheiros de reis, para governar em nome de Deus. Diria que eles seriam empresários, políticos e generais de influência, que deveriam honrar a Deus com seus bens, e que eles comeriam o melhor da terra. (Marcos 13:9; Gênesis 45:18)
Se Jesus fosse um crente moderno, não pregaria nas sinagogas, nas praias e debaixo de árvores, mas sim na recém inaugurada sede mundial da “Igreja de Jesus - Ministério Jerusalém”, construída com as ofertas, dízimos e primícias dos parceiros de Jesus fiéis, que pagariam mensalmente o carnêzinho abençoado e receberiam diplomas de dizimistas fiéis e colunas do templo”, autografadas pelo Mestre; e Judas ao traí-lo não se mataria, mas abriria a “Igreja de Jesus Renovada - Ministério Palestina Para Deus, sob a liderança do Apóstolo Iscariotes”. No mesmo esquema, só mudaria a placa...
Se Jesus fosse um crente moderno, não diria que no mundo teríamos aflições, mas sim que teríamos sucesso, honra, vitória, sucesso, riquezas, sucesso, prosperidade, honra, porção dobrada... Ele diria que temos que declarar que somos especiais, determinar que tomamos posse do bom e do melhor, e decretar a falência do olho gordo. Afinal, filhos de Deus têm que ser cabeça, e não cauda, e todo lugar que eles pisarem podem tomar posse. (João 16:33)
Se Jesus fosse um crente moderno, de forma alguma diria que não devemos nos assemelhar aos gentios (Mateus 6:8). Pelo contrário, ele apoiaria até lutas de gladiadores dentro do templo, para manter os jovens na igreja.
Se Jesus fosse um crente moderno, ele lutaria pela igualdade dos direitos trabalhistas dos carpinteiros da Galiléia e região, e defenderia a isenção de impostos para os líderes religiosos e seus templos (afinal, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus).
Mas se Jesus fosse um crente moderno, com toda certeza ele iria na manifestação contra a corrupção do governo romano, a mais grave em toda a História mundial, causa do declínio da Judéia e do caos nas finanças do império; e pediria veementemente o impeachment de César, incentivando pessoalmente passeatas contra a roubalheira de Roma. Ele reivindicaria a participação dos cristãos no Senado imperial. Ele diria no palanque, sob aplausos, que a voz do povo é a voz de Deus, e que um país só pode prosperar se for governado por pessoas justas e tementes a Deus.

Certamente, se Jesus fosse um crente moderno, não sofreria tanto.
Tampouco morreria por mim e por você.

(adaptado; reproduzido com permissão)

700.200

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Evangélicos e as eleições (de novo)

É sempre assim. A cada quatro anos, eles saem das tocas e aparecem com seus discursos ensaiados, cheios de emoção, raramente tendo algum fundamento lógico ou racional. As multidões que presenciam seus eventos saem animadas, acreditando em tudo que disseram, e prometendo seguir fielmente o que foi dito. Tudo isso para depois das eleições desaparecerem, ou pelo menos ficarem mais discretos, voltando, digamos assim, à normalidade. Sabe de quem estou falando?
Não, não é dos políticos. É de uma outra categoria de pessoas, que também depende da credulidade e da falta de espírito crítico das massas para poder sobreviver. Trata-se dos modernos “apóstolos”, que não perdem oportunidade para tentar uma boquinha no governo. De preferência uma que lhes agrade ideológica e politicamente (se é que têm noção dessas coisas); mas se não der, não tem problema. O importante é entrar na festa; depois, se for o caso, bandeia-se para a “oposição”, cospe-se no prato em que se comeu e busca-se outra sombra melhor.
Aqui vai um exemplo claro. Recentemente apareceu na mídia uma notícia dando conta de que começou uma “campanha de jejum e oração pelas eleições”. Essa campanha foi inventada por “líderes evangélicos” e “levitas” famosos. O objetivo? “proclamar que o Senhor Jesus Cristo é o único Senhor e Rei soberano da República Federativa do Brasil, por direito de criação e por direito de redenção”. E também escolher “12.000 sentinelas [intercessores] para levantar cobertura espiritual sobre o Brasil que vai eleger novos gestores públicos em âmbito estadual e federal”, e assim “acelerar, ocupar e influenciar pessoas, cidades e nações com os valores do governo de Deus”.
Uma espécie de manifesto explica que “a igreja deve experimentar um avivamento [com] poder de gerar a verdadeira mudança política e cultural na sociedade”.
Ora, sabemos da importância da intercessão – é uma prática que a Bíblia incentiva. Abraão suplicou por Ló e este escapou da destruição; Moisés intercedeu por Israel e foi ouvido; Samuel orou constantemente pela nação; Daniel orou pela libertação do seu povo; Davi suplicou pelo povo; Cristo rogou por Seus discípulos e fez especial intercessão por Pedro; Paulo é exemplo de constante intercessão. Mas aqui já vemos a diferença entre o Velho e o Novo Testamentos: antes, muitas vezes a nação era objeto da intercessão; agora, não. Deus presentemente trata com indivíduos, e não com nações. Esse tratamento com as nações será retomado na Tribulação: tanto é verdade que esse período consiste exatamente no julgamento das nações. Não há intercessão “pelas nações” na Era da Igreja. Começa aí a confusão.
E de onde será que tiraram essa idéia de “12.000 sentinelas”? Porque não 40 milhões, que é o número (estimado) de cristãos evangélicos do Brasil? Será que o apelo á intercessão não se aplica a todos os cristãos? Por que só a uma casta privilegiada e “sacerdotal”? E por que o número “12.000”? Isso parece mais um apelo à crendice popular e cabalística, um certo “misticismo” pseudo-cristão que eu chamo de “numerologia evangélica”.
E mais: onde na Bíblia se encontra uma ordem de Jesus Cristo, o Cabeça da Igreja, dizendo “Ide, acelerai, ocupai e influenciai pessoas, cidades e nações com os valores do governo de Deus”? Onde Ele ensina que precisamos “transformar nações [...] e gerar mudança política e cultural na sociedade”? Qual é a passagem bíblica que traz esses ensinamentos?
É sabido que esse pessoal pertence àquela facção da Cristandade que atende pela pretensiosa denominação de “Nova Reforma Apostólica” – o que já denota a sua arrogância. Querem se comparar, e até mesmo superar, a Reforma do século XVI com Lutero, Calvino e outros heróis da fé. Eles mesmos assumem isto, como você pode constatar aqui neste link. O que eles pretendem? O que pensam? O que pregam?
Seus principais mentores são C. Peter Wagner e Chuck Pierce; e outros como Rony Chavez; Ana Mendez; Neuza Itioka; Valnice Milhomens; Renê Terranova; Cindy Jacobs; John Eckhardt; etc. Você pode procurar depois na Internet. E talvez fique espantado com a quantidade de seguidores que eles já têm em nosso país. Geralmente são apoiados por “levitas” como David Quinlan e outros, muitos outros, que divulgam excrescências como “louvor profético”, “adoração extravagante”, “dança profética”, “transferência de gerações” e outras aberrações. Seus ensinos baseiam-se, muitas vezes, em teorias de administração e marketing, como as de George Barna, Alvin Toffler, Peter Drucker, Peter Senge e Ken Blanchard (como expus aqui neste link).
Peter Wagner mesmo defende o crescimento exponencial do número de membros, usando técnicas de network-marketing, a popular “pirâmide”, como G12, M12 etc. E diz que o “apóstolo moderno” é “espontaneamente reconhecido pelas igrejas”. E aí sou obrigado a perguntar: quem, dessa lista de “apóstolos modernos”, foi “espontaneamente reconhecido” pelas igrejas? Na maioria dos casos, eles foram impostos como tais, devendo a obediência a eles ser adotada por decreto, sob risco de excomunhão. Interessante  é que se trata de uma “ação entre amigos”: eles mesmos dizem que para ser apóstolo, precisa ser “ungido” por outro “apóstolo”. Ou seja, fica tudo no mesmo clube. Você duvida? Diga a algum membro dessas igrejas que você não crê no apostolado de um desses fulanos, para ver o que acontece. Eu mesmo levantei essa questão antes, neste link: “será que existem apóstolos hoje em dia”?
Pode-se então notar claramente que o objetivo não é, como parece, “interceder pela transformação da nação” - o que em si é altamente questionável, pois a Bíblia não nos manda “transformar nações” e sim pregar o Evangelho a pessoas, indivíduos, uma vez que salvação na presente dispensação é de caráter pessoal e não nacional, o que eu explico melhor aqui neste link e neste outro . O objetivo, na verdade, é participar do governo terreno “em nome de Deus”, exatamente como defendia Agostinho em sua obra “A Cidade de Deus”. Agostinho defendia a ideia de que o reino de Deus é exercido pela igreja na terra. Um equívoco total, fruto de uma visão de mundo muito pessoal. Ele escreveu isso por volta do ano 400 da era cristã, quando a igreja, então se transformando de cristã em católica, crescia com o apoio do governo temporal. Agostinho imaginou então que a igreja poderia governar o mundo por sua influência no poder político, aliando-se aos reis e magistrados. Daí o costume medieval de sempre o rei ser coroado pelo bispo ou até mesmo pelo “papa”. Mas nada disso se aplica à verdadeira Igreja de Cristo.
Os ensinos desses novos “apóstolos” estão levando muitos evangélicos a pensar que estão preparando a Terra para o reinado de Cristo. Sua doutrina se traduz, basicamente, nesses pontos:
I) Satanás usurpou o domínio da Terra através da tentação de Adão e Eva;
II) A Igreja é o instrumento de Deus para recuperar esse domínio;
III) Jesus não pode voltar, nem voltará, até que a Igreja tenha recuperado o domínio, pelo controle das instituições governamentais e sociais da Terra
(leia mais aqui).
Assim, vende-se a idéia de que, entrando (e dominando) a esfera política, aceleramos a vinda de Cristo para que, quando Ele chegar, o poder já esteja consolidado nas mãos da igreja, por meio de seus “apóstolos” e – incrível isso – seus “generais”!
O próprio Chuck Pierce, em suas mensagens repletas de esoterismo e numerologia, diz que “os cristãos irão realizar sinais e maravilhas, e controlar sete montanhas de influência cultural – governo, educação, religião, família, artes e entretenimento, negócios e mídia – para fazer um reino cristão para Jesus retornar e governar”.
Isso é uma das maiores mentiras do Diabo. A verdade é que, como a Igreja será arrebatada a qualquer momento, jamais terá destaque na Terra sem a companhia do Noivo. Enquanto a Igreja de Jesus estiver na Terra, habitando corpos de carne, jamais alcançará, como Cristo não alcançou, qualquer destaque entre os homens. Aqui está o engano. Não há nas Escrituras margem para se crer que a Igreja reinará ou governará na presente era (antes do Arrebatamento). Pelo contrário! Entretanto, os que não se guiam pelas Escrituras são levados a crer que estão aperfeiçoando o que Deus projetou. Por isso “nova reforma”, o “novo de Deus”, um “novo mover”, “novas revelações”, “estabelecer um novo tempo”! Preste atenção!
Eles pregam a “teologia da substituição”, como os católicos. Deus teria deixado Israel de lado, por sua incredulidade, e estabelecido “um novo Israel”, e agora a igreja é a beneficiária das bênçãos antes prometidas a Israel. Duas consequências graves dessa teoria: o anti-semitismo (pregado por muitos pastores), já que Israel negou Jesus e merece sofrer (baseado em Mateus 27:25, “o seu sangue caia sobre nós e nossos filhos”), e a teologia da prosperidade, que assume para si as promessas de bens terrenos – que eram para Israel (baseados em Deuteronômio 30:9; Josué 1:3; Isaías 61:6, etc.).
Os líderes evangélicos, como os “papas” medievais, estão totalmente seduzidos pelo poder temporal. Fazem de tudo para conquistar a atenção dos políticos, tentando “influenciar e acelerar” processos de cunho meramente eleitoreiro. Para se justificar, apelam para Provérbios 29:2 (“Quando os justos governam, alegra-se o povo; mas quando o ímpio domina, o povo geme”), querendo com isso se auto-proclamar “justos”. Ou seja, só seremos abençoados se os escolhermos para dirigentes da nação! Esquecem-se de que o Brasil já teve presidentes evangélicos, e nem por isso o povo se alegrou...
Vejam esse Silas Malafaia. Primeiro, em 2010 disse que apoiava Marina, porque ela seria “evangélica”. Depois, quando ela passou a andar de beijos e abraços com o notório ex-terrorista Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, no então Partido Verde, com o “pai-de-santo” Luiz Bassuma e recebeu apoio total e irrestrito do padre “new-age” Leonardo Boff, voltou atrás e vislumbrou em José Serra a sua chave para a prosperidade. Não deu certo.
Agora, em 2014, hipotecou seu apoio (e de sua boiada cativa) à candidatura natimorta do pastor Everaldo. Mas como ele sabe que não há a mais remota possibilidade de vitória, declarou que apoiaria Marina no segundo turno  - e a boiada deveria ir junto. E explicou que o apoio a Everaldo é apenas para lhe ajudar a ter visibilidade. A menos, é claro (em se tratando de Malafaia, sempre tem um “senão”) que Marina obedeça a cartilha de seu partido e permaneça a favor do aborto, da união (casamento) gay e da liberação das drogas. Aí Malafaia apoiará Dilma e vai detonar Marina, pois Aécio já afundou. É a famosa “maria-vai-com-as-outras”. Nesse meio-tempo, ele cansou de malhar o PT, mas levou o candidato do partido ao governo Rio à sua igreja e até “o apresentou” lá na frente. O que mudou?
É por essa e por outras que eu repudio todo e qualquer pastor que queira influenciar seu rebanho, sua congregação, a mídia, seguidores do Facebook e assemelhados, a votar nesse ou naquele candidato. Por mais querido e amigo que seja, me desculpe. Já falei mais de uma vez: isto não é “dar uma opinião” ou “revelar sua opção”, é tráfico de influência! Isso mesmo, repito, tráfico de influência. Cada um pode e deve ter sua opção, mas a partir do momento em que você tem uma audiência cativa, se coloca numa posição de liderança espiritual e autoridade (ainda que questionável) e coloca essa opção para a galera, está criando um curral eleitoral, doa a quem doer. Está vendendo a fazenda, como se dizia antigamente, “de porteira fechada”, isto é, com tudo que está lá dentro. O pastor é candidato? OK, mas então que faça como os radialistas, saia de licença três meses antes do pleito, pare de pregar no púlpito, vá fazer campanha da porta do templo para fora, lá na rua. O pastor gosta desse ou daquele partido? OK, mas nada de levar seus candidatos preferidos para fazer farol na igreja. O pastor quer arranjar uma boquinha no governo com a desculpa esfarrapada de “governar em nome de Deus”? Que vá puxar saco lisonjear o candidato lá no gabinete dele; fazer isso escancaradamente na Internet e na TV só rebaixa o “líder espiritual” ao nível de aventureiro e interesseiro.
Ainda mais quando esse “líder espiritual” manifesta sua opção política a cada quatro anos; e pior ainda, quando muda de opinião com as estações do ano. Quando cisma de “levantar intercessores para mudar a nação”, para que a nação e o governo sejam de acordo com o que ele acha.  Sinto muito, mas estou fora desses caras.

Fontes externas:

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Novas revelações

Li outro dia um artigo sobre os cristãos primitivos, como viviam e o que pregavam, e não tive como evitar uma analogia com os cristãos de hoje - eu incluso - vinte séculos depois. Muitas coisas ainda são as mesmas, felizmente. É verdade que ainda cremos que Deus é o criador de todas as coisas, e que um dia o Homem caiu em pecado e se afastou Dele. Como os cristãos originais, cremos que a ponte que Deus providenciou para que o Homem voltasse a se conectar com o Criador é Jesus Cristo, que viveu entre nós, morreu na cruz mas ressuscitou ao terceiro dia, subindo aos céus em seguida e prometendo estar conosco sempre. E ainda compartilhamos com aqueles irmãos de 2.000 anos atrás muitas coisas.
Mas algumas outras coisas, não. Acho que as diferenças entre nós e eles se explicam com as tais “novas revelações”, “nova unção, o “novo de Deus e bobagens do tipo. Algumas nem são mais tão novas assim. Quando apareceram sim, eram novidades. E que com o tempo foram se cristalizando e hoje soam como se fossem verdades definitivas. Muitos acreditam tanto nessas falácias que acabam por defender com unhas e dentes o que acreditam ser “verdadeiro”. Dizem que a sua denominação ou facção da cristandade é a responsável por guardar e manter os ensinamentos originais, mas se pensassem e estudassem um pouco mais veriam que o que acreditam ser a realidade só parece ser legítimo porque está na área há algum tempo. Parece... mas não é.
Nem sempre foi assim. Tudo ia bem, até que, em certo momento, recebemos uma nova revelação”. Por exemplo, o que Jesus disse - que não haveria entre nós uns maiores do que os outros (Marcos 10:43) - deixou de ser verdade. A assembléia dos santos crescia tanto que precisávamos adotar uma hierarquia, e transformamos os dons e ministérios - pastores, bispos, diáconos, presbíteros - em cargos honorários. Agora, quem recebe esses títulos, passa a ter autoridade sobre os demais.
Não contentes com os dons nomeados na Bíblia, e não contentes em transformá-los em cargos, ainda criamos outros: arcebispos, cardeais, patriarcas, papas. Agora sim, contornamos o problema que Jesus e os apóstolos deixaram sem resolver. Talvez eles não pensassem que a Igreja cresceria tanto!
Criamos também uma novidade desconhecida dos Doze (os Doze Apóstolos, que fique bem claro; não confundir com G12, M12, e outras invenções modernas): o conceito da “cobertura espiritual”. Já que temos agora todos esses cargos, e os outros subalternos fazendo uma escadinha debaixo de cada um, nada mais natural do que justificar essa estrutura com a “cobertura”: ou seja, você tem que se encaixar na hierarquia, e se resolver sair dela, a maldição o alcançará.  
Também resolvemos, a certa altura, que apesar de Jesus ter dito que cumpriu toda a Lei (Mateus 5:17), e de isso ter ficado claro quando o véu do Templo se rasgou (Mateus 27:51; Marcos 15: 38; Lucas 23:45) e a carta aos Hebreus ter explicado tudo tintim por tintim (8:13), a Lei não podia ser abandonada assim,
sem mais nem menos. Afinal, era servira durante tanto tempo! Seria um desrespeito. Aí voltamos a adotar os costumes abolidos pelos apóstolos. Reabilitamos o sábado. Voltamos a cobrar o dízimo, mas como não vivemos de plantação e criação de animais, cobramos em dinheiro. Ou no cartão. Aproveitamos e incluímos no cardápio as primícias, ofertas alçadas, o “princípio da semeadura”...
Revitalizamos a figura do sacerdote, mesmo que o Novo Testamento esteja cheio de afirmações de que todos somos uma raça eleita, um sacerdócio real (I Pedro 2:5,9), e que não precisamos de intermediários (I Timóteo 2:5; Hebreus 8:6; 9:15; 12:24). Mas, como nem todos têm as mesmas habilidades na oratória, instituímos um sacerdote profissional, pago por nós, para nos dizer o que gostamos de ouvir. Caso contrário, nós o demitimos e contratamos outro.
Alguns cristãos foram ainda mais criativos, criaram um tipo de sacerdote tão exclusivo que nem família pode ter: esses são proibidos de casar e de ter bens que possam administrar. Tudo bem que Paulo disse que quem governa a Igreja deveria ser casado e administrar bem a sua casa (I Timóteo 3:4, 12), mas isso foi antes de descobrirmos um jeito melhor de conduzir as coisas.
Fizemos várias reuniões e resolvemos que, embora Jesus tenha dito que quem cresse e fosse batizado seria salvo (Marcos 16:16), agora é assim: batizamos primeiro. Quem for batizado é que será salvo, independentemente de crer ou não, e até mesmo se não tiver capacidade para crer, como bebês recém-nascidos. A gente os batiza, depois eles confirmam. Por isso criamos a “confirmação”.
Um passarinho nos contou que só crer não basta, é muito fácil. A pessoa tem que passar uma temporada num lugar que não sabemos bem ao certo, mas que chamamos pelo belo nome de “Purgatório”. Já que o Sangue de Jesus não é suficiente, ao contrário do que disse o apóstolo João (I João 1:7), que andou com Ele, determinamos que a purificação tem que ser pelo fogo. Enquanto o coitado fica lá assando em banho-maria, vamos aqui rezando por ele, a partir do sétimo dia de sua morte, depois um mês, um ano e por aí vai.
Também achamos por bem dar uma força ao finado, para que ele não se perdesse. Providenciamos umas velas para iluminar o caminho do falecido. Todo mundo tem que fazer isso, senão a alma fica penando por aí. Isto não tem na Bíblia, então nós, que somos muito criativos, dizemos que quem não faz isso está fora da comunhão.
E por falar em Maria, mesmo que não haja nada disso nas Escrituras, espalhamos que ela só poderia ter concebido o Salvador se também tivesse nascido sem pecado. E já que resolvemos isso, também tivemos que criar a história de que ela não poderia ficar enterrada, deveria também ser levada aos céus. Ah, e também a sua casa.
Tivemos uma nova visão: ressuscitar os levitas, mesmo que Paulo tenha dito que entre nós, cristãos, não devia haver nem judeu nem gentio (Romanos 10:12; I Coríntios 1:24; 12:13; Gálatas 3:28; Colossenses 3:11). E junto com os levitas, trouxemos de volta o shofar, um objeto tão abençoado que não sabemos como os cristãos primitivos o deixaram de lado. De quebra, por que não usar também o tallit,
o kippah, o menorah e a arca da aliança, mesmo que seja de papelão coberto com celofane dourado? Nessa a gente pode tocar à vontade, e assim não corremos o risco de morrer como Uzá (II Samuel 6:7). Aproveitamos o embalo e agora estamos dizendo que até mezuzah é para o cristão ter em casa.
Ganhamos uma nova unção, a de ungir a tudo e a todos, embora Tiago 5:15 seja claro quanto a quem deve ungir, quem deve ser ungido e como. Mas o “novo de Deus” inclui ungir carros, sapatos, carteira de dinheiro, e até algumas partes do corpo dos varões e das varoas...
Descobrimos que Deus tinha que voltar a habitar em templos feitos por mãos humanas, nos esquecendo de Atos 7:48 e 17:24. Aproveitamos um texto fora do contexto, onde Jesus disse “a minha casa será chamada casa de oração” (Marcos 11:17), para justificar essa idéia, que no fundo é uma ótima desculpa para arrecadarmos dinheiro “para a manutenção da casa de Deus”. Também serve para dizermos que “a casa do Tesouro” é a tesouraria da igreja/templo. E até damos um bônus à platéia, comprando em longas prestações um sistema de ar-condicionado, bancos estofados e vidros coloridos para as janelas. Claro, se continuássemos a nos reunir nas casas, nas praças e em outros lugares nada disso seria necessário, mas aí seria muito sem graça. Em casa não tem palco! Não tem jogo de luzes nem som de última geração!
E já que demos um reboot no sacerdote, nos patriarcas, no shofar, no tallit, no kippah, no menorah, na mezuzah, nos levitas e na arca da aliança, porque não reerguer o próprio templo “de Salomão”, a glória de Israel? Mesmo que seja uma cópia do templo de Herodes, o assassino... mas é bacana, não é mesmo? Assim faremos um templo muito maior e mais moderno do que outros grupos de cristãos, que também compartilham da crença de que sem templo não há Deus, e por isso fizeram templos enormes, espalhados por toda a terra...
Para não cairmos na mesma armadilha que nossos irmãos do passado, que foram perseguidos, encarcerados, usados como tochas e até comidos por leões, começamos a determinar vitória, declarar que “o Brasil é de Jesus”, fazer passeatas e manifestações. Para extirpar o mal, não fazemos o que os apóstolos fizeram, que foi pregar o Evangelho, fazer discípulos e plantar igrejas. Não, isso não funciona mais. Recebemos a revelação de que devemos fazer atos proféticos: rodear as cidades, derramar vinho, azeite, água, farinha de trigo, pétalas de rosas, caroço de feijão, como os pajés, maçons e macumbeiros (sem preconceito, viu? somos politicamente corretos). Isso sim há de funcionar! Despacho gospel nas encruzilhadas e praias. A cidade assim há de se render (não sabemos bem a quem, mas que vai se render, isso vai). Assim nós declaramos!
Não aceitamos ser perseguidos como nos dias de Nero! Por isso criamos blogs, montamos comunidades no Orkut, organizamos tuitaços, espalhamos mensagens pelo Facebook, fazemos correntes por e-mail. Mandamos cartas aos deputados, criamos uma frente parlamentar. Fundamos partidos, disputamos eleições, negociamos apoio a candidatos de todo tipo; fazemos caravanas para pressionar (pelo menos pensamos que pressionamos) emissoras de TV; reivindicamos cargos no governo, fazemos jantares em nossas mansões e cultos em nossas igrejas em homenagem a políticos, pois assim cremos que vamos obter o que queremos. Fazemos acordo com a mídia. Que bobos aqueles cristãos de Roma, não usaram nenhuma dessas estratégias! É verdade que até agora o nosso esforço não deu em nada, mas temos fé que assim transformaremos a nação! Bem.. talvez não tanto como eles transformaram o mundo daquela época, mas eles tinham mais tempo do que nós. Opa, espera aí que meu celular está chamando e eu preciso atualizar meu perfil.
...
Eu vi mais um monte de diferenças entre o que aqueles cristãos primitivos e simplórios praticavam, como viviam, sobre o que pregavam - e o que hoje praticamos, vivemos e pregamos, nós, que somos pessoas cultas, modernas, sofisticadas. Tecnológicas. Integradas. Politicamente corretas. Com responsabilidade sócio-ambiental. Pós-graduadas. Ecológicas. Sustentáveis. Com empregabilidade. Dizimistas fiéis. 
E resolvi que gostaria de ter nascido há dois mil anos atrás. Mesmo com o risco de ir parar no Coliseu, acho que era melhor.
Mas como não tem jeito, quero que Deus me ajude a pelo menos imitar aqueles irmãos de séculos passados. Afinal, eles escreveram: “Sejam meus imitadores” (I Coríntios 4:16 e 11:1; Filipenses 3:17; I Tessalonicenses 1:6; II Tessalonicenses 3:7,9; Hebreus 6:12).

220.560

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Sobre apóstolos e profetas:

Os “apóstolos” modernos confundem muitas coisas, como por exemplo a questão do governo do mundo em nome de Deus, e sobre Deus entregar à Igreja o domínio de todas as coisas, antecipando para o tempo presente coisas que só devem acontecer no Milênio preconizado no final de Apocalipse. Não entendem que é preciso que primeiro venha a tribulação, o juízo de Deus sobre as nações rebeldes, para que depois o governo de Cristo seja implantado na Terra, só então cumprindo-se Isaías 60-66, Ezequiel 47 e Daniel 7:13, 14, 18, 22 e 27, dentre outras passagens proféticas.
Aliás, é a partir desses textos que muitos se põem a reivindicar posses e sucesso nesta vida, tentando aplicar a si trechos como “comereis as riquezas das nações, e na sua glória vos gloriareis” (Isaías 61:6), “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo dei” (Deuteronômio 11:24 e Josué 1:3) e outros semelhantes, querendo tomar posse de tudo em que botam o olho gordo. Esquecem-se convenientemente que tais promessas foram feitas a Israel, e não à Igreja!
Jesus foi muito claro a respeito do Seu reino. Seus súditos, os cidadãos do reino, não são deste mundo. São estrangeiros e peregrinos rejeitados pelo mundo, aguardando a volta do Rei que virá estabelecer o Seu Reino Milenar. Por enquanto, o deus deste mundo é Satanás e seus súditos o governam. Por isso, a Bíblia deixa claro que “o mundo inteiro jaz [isto é, descansa, se apóia] no maligno” (I João 5:19), que o diabo tem autoridade sobre ele (Mateus 4:8,9) e que o dia de Jesus retomar o governo ainda não chegou (Apocalipse 11:15 e 12:10)
Durante toda a história, a igreja católica, tendo o “papa” na liderança, o qual afirma ser o “vigário de Cristo” na Terra, vem tentando governar o mundo. Ela jamais acreditou no vindouro Reino Milenar de Cristo e se esforça para estabelecer na Terra o seu “reino agora”. Sua hierarquia, constituída de sacerdotes, cardeais e no topo o “papa”, é uma forma de governo terreno oposta ao que Cristo ensinou aos Seus discípulos, que eles não deveriam governar uns aos outros.
Mas eis que agora surge uma tal “Nova Reforma Apostólica”, um bando de auto-proclamados luminares, cujo chefe é C. Peter Wagner, que se diz “em luta contra os principados e potestades deste mundo, tentando tomá-lo para Cristo”,  como se Deus precisasse de ajuda para realizar os Seus objetivos. Esse pessoal, imbuído do que chamam de “batalha espiritual de alto nível” e de posse de títulos como “bispos”, “profetas” e “apóstolos”, nomeiam lugares-tenentes por todo lado, como Rony Chávez, Ana Mendez, Chuck Pierce, Lou Engle, Kim Clement, Cindy Jacobs e já os entronizados no Brasil Neuza Itioka, Renê Terra Nova e outros. Eles estão pondo a carroça na frente dos bois, e visam colocar no poder aqueles que acreditam ser instrumentos de Deus para a mudança da sociedade, tomando de roldão os governos, como tentaram fazer com Sarah Palin na América. Em sua egoística ambição, eles desejam governar uns sobre os outros, usando a sua nova hierarquia de “apóstolos” e “profetas”.
Para vocês terem uma idéia, um desses “profetas” americanos teve uma “visão” sobre cavalos e disse que Deus está liberando esses animais a fim de completar o domínio (eles pegam uma passagem qualquer da Escritura e dão uma interpretação que melhor coincida com os seus objetivos). A “profecia” foi publicada pela “Elijah List” (Lista de Elias), que se compõe dos falsos profetas atuais, os quais Jesus disse que haveria em abundância nos últimos tempos (Mateus 24:11).
Steve Shultz, que publica a tal “Lista de Elias”, escreveu que “Deus está em vias de fazer uma grande coisa, já no ano em que estamos. Demos um voto de confiança à palavra profética do momento, entregue por Eileen Fischer. O Corpo tem o dever de se preparar. Certamente, o Espírito veio sobre ela, quando no-la entregou”. E aí vai a tal “profecia” dada a Eileen Fischer, na Escola de Profetas do Espírito Santo, em Colorado Springs:
“A Terra está quase pronta para a colheita, pronta para o reavivamento, que será trazido pelos cavalos de Deus, os quais estão sendo liberados. Tu estás liberando os Teus cavalos do reavivamento. Eles estão trazendo a unção, Pai, nas selas da glória e da misericórdia. Pai, nós Te agradecemos pelos cavalos que estão sendo liberados pelo Espírito, esta noite. Pai, nós Te agradecemos porque eles vão atravessar a Terra inteira. Seu tropel vai no Espírito, a fim de derrotar os planos do inimigo. Nós Te agradecemos porque eles vêm com fogo nas suas bocas e expelirão fogo líquido, a fim de dissolver os planos do inimigo. Nós Te agradecemos que a sela deles seja esvaziada, porque estarás colocando a tua Noiva na sela”.
Seja sincero: você já deve ter ouvido essas e outras pataquadas semelhantes por aí, não? Cavalos do avivamento? A Noiva montada na sela? Fogo líquido? Eu já ouvi pastores dizendo que viam anjos subindo a rampa do Palácio do Planalto, e águas estavam sendo liberadas para toda a nação a partir de Brasília, e coisas semelhantes, sem nenhum resultado prático ou comprovação real de que isto de fato aconteceu... só que essa agora extrapolou. E Schultz ainda completa dizendo que “muitos afirmam já sentir uma mudança e uma excitação tangíveis no ar”. Pra vocês verem a força da sugestão psicológica. Valnice Milhomens, por exemplo, profetizou pela segunda vez que Marina Silva seria presidente do Brasil, e pela segunda vez quebrou a cara, e pela segunda vez seus seguidores saíram em sua defesa, dizendo, dentre outras asneiras, que essas profecias foram ditas por fé. Como se falar besteira por fé" legitimasse a "profecia ou a tornasse verdadeira...

Outro exemplo de picaretagem profética vem de Rick Joyner, que afirma ser dirigido por revelações, bem como pelo próprio Jesus. Para ele, tais visões são como se estivesse assistindo numa tela de cinema, calmas e gentis, como se estivessem abertos os ‘olhos do coração’. Joyner defende o “movimento de avivamento nos últimos dias”, que seria dividido em “Restauração Profética” e “Restauração Apostólica”. É esse tipo de ensino que seduziu pastores ao redor do mundo a usarem títulos como “apóstolo” e “profeta”, sem seguirem o que o Novo Testamento ensina sobre o assunto.
Entre suas revelações mais recentes, Rick Joyner afirma que a Costa Oeste dos Estados Unidos vai sofrer um terremoto terrível como castigo pela política americana em relação a Israel. Que bobagem, qualquer um sabe que a Costa Oeste americana vai sofrer um grande terremoto a qualquer instante. Queria ver ele profetizar (e acontecer) que vai ter um tsunami em Belém, um terremoto devastador em Roraima, que no dia tal vai cair um meteoro em Fernando de Noronha… aí sim é ser profeta. Lembram-se do Samuel Doctorian? Cadê os cinco anjos dos continentes, sairam de férias? São os Nostradamus gospel com suas profecias genéricas que servem para qualquer coisa, placebos proféticos.
Os falsos “apóstolos” e “profetas” que andam parolando por aí são numerosos demais para serem listados, mas podemos ter uma ideia da extensão dos seus tentáculos quando vemos esse Todd Bentley, todo tatuado, parecendo mais um metaleiro ou um skin-head do que um discípulo de Jesus, quanto mais apóstolo. Não se trata de julgar pela aparência, mas sim de informar que esses caras se mimetizaram em várias formas, tamanhos, cores e estilos, de modo que a melhor maneira de identificar os líderes da nova reforma apostólica e profética é consultando este link (em inglês).
Charles Spurgeon, esse sim um verdadeiro profeta, predisse há mais de cem anos que “chegaria um tempo, no qual, em vez de os pastores alimentarem suas ovelhas, a igreja teria palhaços entretendo cabritos”. Este tempo é chegado! 
Vejam o que os novos apóstolos pregam e no que acreditam:
1. Eles acreditam que Deus está restaurando o ofício de apóstolos e profetas na igreja.
2. Que somente eles têm o poder e a autoridade para executar os planos e propósitos divinos.
3. Que estão construindo um novo fundamento para uma igreja global.
4. Que vão estabelecer, literalmente, o Reino do Céu na Terra, com o Exército de Joel.
5. Eles colocam uma ênfase desordenada nos anjos e no sobrenatural.
6. Afirmam receber revelações extrabíblicas, que não podem ser comprovadas (revelação progressiva).
7. Que Deus está fazendo uma “coisa nova” ("o novo de Deus" é um mantra que repetem à exaustão).
8. Afirmam, frequentemente, que os que não aceitam seus ensinos estão colocando Deus numa caixa.
9. Que jamais devemos contestar a sua (deles) autoridade.
10. Usam, frequentemente, a expressão do Velho Testamento: “Não toqueis nos meus ungidos” (aliás, eles preferem usar o Velho Testamento).
11. Colocam os que contestam sua autoridade como "religiosos, legalistas, divisores, obtusos, rebeldes e demoníacos".
12. Colocam maior ênfase nos sonhos, visões e revelações do que na Palavra de Deus.
13. Acreditam que serão a reencarnação do corpo físico de Cristo.
14. Crêem que poderão executar julgamento sobre os seus oponentes (até mesmo usando a pena de morte).
15. Uma religião mundial operando em sintonia com um governo mundial (o mesmo que ensina a Nova Era).
16. Uma completa unidade que nada impedirá de acontecer.
17. Poderão trazer o Céu para a Terra.
18. Acreditam que seremos aperfeiçoados aqui mesmo, na Terra (Os Manifestos Filhos de Deus).
19. Acreditam na organização de uma agressiva campanha na Internet.
20. Acreditam na organização dos apóstolos preeminentes.
21. As igrejas locais devem ficar sob a autoridade do apóstolo de uma igreja regional (embasados no discutível conceito de “cobertura espiritual”).
22. Cada cidade deve ter um apóstolo, com autoridade extraordinária em assuntos espirituais, sobre os líderes da mesma cidade.
23. Consideram-se "divinos, pequenos deuses, iguais a Cristo".
24. Consideram-se “Defensores da Fé”.
25. Colocam muita ênfase no misticismo e no conhecimento oculto.
26. Não acreditam no Arrebatamento, mas que poderá haver um arrebatamento dos maus, para serem aperfeiçoados (isto é o mesmo que ensina a Nova Era).
27. Enfatizam a unidade sobre a doutrina, trocando a interpretação literal da Bíblia por uma interpretação espiritualizada, à maneira dos católicos.
Como se pode ver, esses mestres da “coisa nova” são meio católicos (usando a Teologia da Substituição, de “santo” Agostinho de Hipona, a qual advoga que Deus abandonou Israel para sempre e transferiu à Igreja todas as bênçãos antes destinadas aos judeus, inclusive as relativas ao poder temporal e ao governo da Terra. O Israel político de hoje não tem nada a ver com o Israel bíblico, afirmam).
Quando você ouvir pastores dizendo que o povo de Deus, a Igreja, tem o direito de reivindicar aposse de bênçãos materiais, o poder político para governar o país, a cidade, a nação, em nome de Deus, pense no que acabou de ler. Arrogantes, com ares de autoridade superior, topetudos, nariz empinado. Roupas caras, relógios de ouro, carrões, aviões. Fariam eles como os primitivos Apóstolos, abaixando-se para lavar os pés dos outros? O que foi feito da tarefa que Jesus deixou, ser pescadores de homens?
Esses não são profetas de Deus e muito menos “apóstolos” como querem fazer crer. A missão do verdadeiro profeta e do verdadeiro apóstolo não é conquistar ou dominar ou governar o mundo, mas apresentar o Evangelho aos perdidos, anunciar a Verdade de Deus - todo aquele que abandonar o pecado e crer que Jesus é o único e suficiente Salvador será salvo; edificar (ensinar), exortar a Igreja contra heresias e a apostasia, e consolá-la com a bendita esperança da Volta do Senhor.
O que passa disto, é do maligno! Doa a quem doer!

Com base em artigo de Jackie Alnor - Right and Wrong Kingdom, traduzido e adaptado por Mary Schultze, em 22/01/2012 (www.maryschultze.com)

Atualizado em 12 OUT 2014

123850