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sábado, 3 de setembro de 2016

Em nome de Deus (?)

Voltei, quatro meses depois. 
O tempo passou.
Dilma Rousseff está destituída do cargo de Presidente da República. Sem que Deus fosse usado como “fiador” de uma mudança necessária por exigência da ética, da moral, dos bons costumes e da ordem, muito provavelmente, todo o embate ético-político que se arrastou desde o auge do poder de Eduardo Cunha na presidência da Câmara até agora, com a queda definitiva de Dilma, não aconteceria – ou poderia ter outro fim.
Não esqueçamos que a advogada Janaína Paschoal, que junto com os juristas Hélio Bicudo e Miguel Realle Jr. protocolou o pedido de impeachment aceito contra a então presidente, disse, absolutamente segura de sua crença, que foi Deus quem iniciou o processo de impeachment. Na verdade, ela disse: “Foi Deus que fez com que várias pessoas, ao mesmo tempo, cada uma na sua competência, percebessem o que estava acontecendo com nosso país e conferisse a essas pessoas coragem para se levantarem e fazerem alguma coisa a respeito”. Mas, por que é tão importante garantir que “Deus” esteja presente nas ações políticas tomadas numa disputa?
A esquerda política brasileira nunca fez questão de justificar suas escolhas, objetivos, programas e projetos a partir de “Deus”. A “presença de Deus” na esquerda no Brasil (assim como em toda a América Latina) sempre se deu via movimentos como a chamada Teologia da Libertação católica ou via teólogos protestantes progressistas. Para a direita e o campo conservador, Deus é central. Ele é o legitimador de todas as disputas que eles empreendem.
Quando Eduardo Cunha dizia que aborto era uma pauta que só passaria por cima do seu cadáver, ele não tinha preocupação em defender isso com ideias. Ele pressupunha que, ao barrar o aborto, ele estaria defendendo a vida, e quem dá a vida é Deus. E ele sabe que, para o senso comum, este argumento basta. Aqui, o “argumento Deus” é capaz de neutralizar, ou deixar em segundo plano, qualquer desvio de conduta, atitude desonesta ou, quiçá, criminosa, de qualquer parlamentar.
É preciso ter nítida a ideia de que se está “do lado de Deus” para, mesmo sabendo que se está tão comprometido na Lava Jato quanto qualquer parlamentar petista, condenar as ações de parlamentares do PT ou mesmo vociferar sobre ética e moral contra Dilma Rousseff – ainda que ela não esteja envolvida.
Se o parlamentar fala em nome de Deus (leia-se da sua relação com a igreja), é irrelevante que a sua trajetória política o desqualifique nitidamente para reivindicar a ética, a justiça e a moral. Quando você diz defender os valores “instituídos por Deus”, você pode dizer, por exemplo, que luta para que o Brasil não se torne uma Venezuela ou não seja tomado pelo “bolivarianismo” sem precisar explicar absolutamente nada sobre o que isso significa. É certo que o debate do julgamento para o impeachment está quase restrito ao campo da gestão e da economia, mas parece ser mais fácil impedir que o acusado reaja quando quem acusa está blindado pela imagem de quem está “do lado de Deus”.
Complexo é pensar que, hoje, podemos usar o adjetivo “evangélico” (ou protestante, aqui tanto faz) tanto para parlamentares como Pastor Everaldo, Magno Malta e (também agora) Jair Bolsonaro, e também para figuras como Martin Luther King Jr. E isso não é simples, porque é tão destoante que se torna quase um erro gramatical colocar o último na mesma frase que os outros três.
Uma igreja negra nos Estados Unidos foi determinante para forçar o fim da segregação racial, enfrentar o Estado e abrir caminho para a conquista dos direitos civis dos negros, e, consequentemente, ampliar o caminho em direção para a garantia dos direitos de outros grupos sociais. Uma igreja negra na África do Sul, com Desmond Tutu e Allan Boesak à frente, foi determinante para forçar o fim do apartheid e fortalecer a luta que tinha Nelson Mandela como a figura principal. Em ambos os países, a igreja se tornou o refúgio de negros perseguidos, sem direitos, local de sua formação, autonomia e empoderamento.
A escolha dos cristãos negros e negras do sul estadunidense era transitar entre a não violência, proposta e defendida pelo Dr. King, e o apoio integral às ações enérgicas do movimento Black Power, às ações dos Panteras Negras, libertação da ativista Ângela Davis. A igreja negra na África do Sul e seus teólogos apontavam para a violência de Estado em Soweto. Tanto nos Estados Unidos quanto na África do Sul, o “Deus” reconhecido pela Teologia Negra (bem como pelas igrejas alinhadas com a Teologia da Libertação na América Latina) era aquele do êxodo do povo vindo da escravidão no Egito, liberto na travessia do Mar Vermelho, que se identificava com os homens e mulheres negros escravizados pela Europa e nos Estados Unidos e com os todos os pobres na era pós-escravocrata.
A igreja protestante que veio com a missão evangelizadora para o Brasil durante o período chamado de “protestantismo de missão” e não fomentou a formação de cristãos com histórias de luta semelhante. A força da moral das igrejas herdeiras da Reforma, sobretudo de inspiração calvinista, moldou o American way of life e, aqui no Brasil, foi, desde o início do século XX, assimilada pelas denominações que se distanciam de parte da teologia reformada e reivindicam o termo “evangélico” como sendo mais apropriado que “protestante”, mas mantém a exigência e o rigor moral. Evidentemente, tivemos evangélicos (e católicos) que se insurgiram contra a ditadura, se posicionaram contra a desigualdade econômica e a pobreza. Mas, via de regra, a igreja no Brasil tendeu a se tornar também um lugar de privilégios. E quando da virada dos anos oitenta para os noventa, as igrejas, em particular as evangélicas, descobriram os privilégios do Executivo e, principalmente, do Legislativo, o lago conservador tornou-se um mar.
O que se faz “em nome de Deus”, se faz e pronto. Dilma jamais iria sobreviver; iria sucumbir mais cedo ou mais tarde. Não surpreende que o julgamento e o ataque a ela tenha sido tão mais severo que o proferido ao próprio Eduardo Cunha. Até porque, em termos de poder, Cunha segue sendo uma sombra que ronda o círculo do Palácio. Dilma não terá a mesma sorte. Dilma foi destituída “em nome de Deus, da família e da democracia” (além de em nome de alguns parentes, cidades, bichos de estimação, etc). Um bom aprendizado de hoje pode ser que, na política brasileira, quem não “está do lado de Deus”, ou quem não sabe utilizá-lo a seu favor, está mais suscetível a golpes fatais.

Artigo publicado originalmente em The Intercept Brasil, 2 de setembro de 2016


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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Mitos e fábulas SOBRE a Bíblia

Falamos outro dia sobre a crença de que a Bíblia, em especial o livro de Gênesis, seria um mito ou uma compilação de lendas e fábulas de diversos povos e culturas. Mostramos que esse entendimento é errado, e porque. Esclarecemos a tática ateísta para desacreditar a Bíblia enquanto Palavra de Deus, pois desqualificando o primeiro livro da Escritura todo o resto perde o seu valor: torna-se apenas literatura.
Um outro ponto interessante é que abundam na Internet citações atribuídas aos mais diversos filósofos, pensadores e intelectuais, que nunca disseram tais frases. Em anos eleitorais então a coisa ferve: o que aparece de pensamentos de Sêneca, Arnaldo Jabor, Luiz Fernando Veríssimo, até de Marx, vaticinando sobre a corrupção no governo, é brincadeira. Eu costumo dizer que nem se Einstein tivesse vivido mais uns 30 anos seria capaz de produzir tantas frases a ele atribuídas na Internet. 
A respeito da Bíblia, é a mesma coisa. As pessoas dizem coisas sobre a Bíblia sem nunca tê-la lido, ou no máximo conhecerem ao menos alguns trechos. O seu ralo conhecimento das Escrituras vem da revista Veja, da Superinteressante e do Discovery Channel. 
Sabemos que, embora muitos não aceitem, assim como Deus é real o Diabo também é, e como antagonista e inimigo, procura de todas as formas ganhar adeptos para o seu exército. Uma dessas formas é justamente espalhar lendas e mitos SOBRE a Bíblia. Assim fica fácil para o tentador lançar sementes de dúvidas travestidas de filosofia, de humanismo e de lógica. Como essas:
Alguns luminares das trevas, sem argumentos que sustentem suas teses ridículas, dizem que “um Deus que pune toda humanidade por causa de uma maçã não merece nosso respeito nem consideração, muito menos adoração e submissão”. Mas, contrariando essa teoria tosca, Adão e Eva não comeram uma maçã no livro de Gênesis. Na realidade a fruta não é nomeada - ela é referida somente como “o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal”. A razão para este equívoco provavelmente se deve ao fato de que na língua inglesa a palavra apple (traduzida em português como “maçã”) era usada para se referir a todas as frutas (como no Português “fruto”, palavra masculina). Com o passar do tempo, a palavra “maçã” acabou associada ao “fruto do pecado”, e assim tem aparecido em inúmeras propagandas, desde roupa íntima a motéis. Até mesmo uma famosa marca de computadores baseia-se na interpretação de que “a maçã” simboliza conhecimento e inteligência. O fato concreto nisso tudo é que nessa canoa furada embarcam muitos auto-intitulados intelectuais.
Outro erro cabeludo em que quase todo mundo cai é “os Três Reis Magos”. Mas na verdade, esses personagens nunca foram referidos como reis pela Bíblia e nada indica que eles eram três. A única referência ao número três é o número de presentes que eles carregavam. Leia sobre isso aqui.
E assim caminha a humanidade, atribuindo à Bíblia todo tipo de erro e mistérios que de fato nem estão lá. Antes de mais nada, é preciso anotar que a Bíblia não é um livro científico, por isso há que se ter sabedoria para discernir o que é literal e o que é alegórico. Por exemplo, dizer que “o sol parou” - parou do ponto de vista do escritor. Mas e se foi a Terra que parou? Que alguma coisa parou, não há dúvida. Aqui o nós temos que aprender é que Deus é poderoso o bastante para interferir nas leis da física - que foram criadas por Ele mesmo, afinal. Mas dizer que “a Bíblia contém erros porque o sol não gira em torno da Terra”, é procurar chifre em cabeça de cavalo... Que, aliás, é o que esse pessoalzinho intelectualóide gosta de fazer.
Só para esclarecer, quem crê que a Bíblia diz que o Sol gira ao redor da Terra é uma besta quadrada, porque em nenhum lugar do texto sagrado se afirma isso. Todo mundo diz que “o sol nasce a tal hora”, e “se põe em tal lugar”, e nem por isso é ridicularizado. Por outro lado, muito antes de Galileu, Newton, Tycho-Brahe, Kepler, Copérnico, Huble e muitos, muitos outros, a Bíblia já dizia que Deus “estende o norte sobre o vazio; suspende a terra sobre o nada” (Jó 26:7); e que Ele “está assentado sobre a redondeza da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos” (Isaías 40:22).
Se isto não significa que o planeta paira no vácuo do espaço, e que não é redondo, então não sei mais o que é. Alguns dirão, fazendo caras e bocas de sábios, que a palavra “redondeza” não quer dizer “globo”, mas sim “círculo”, e para isto fazem extensos arrazoados onde misturam conceitos de religiões antigas, textos poéticos da própria Bíblia e afirmações pseudo-científicas, para dizer que a Bíblia não diz o que diz e que diz o que não diz. Ou seja, criam mitos SOBRE a Bíblia.
Dizem outros que a Bíblia adverte: “a mil chegarás mas de dois mil não passarás”. Isto não consta das Escrituras. Pelo menos eu nunca vi essa passagem. E além do mais, nunca consegui descobrir o que significa exatamente essa bobagem, mas vi muita gente – antes do ano 2000 – dizer que era a dica para avisar que o fim do mundo seria nesse ano em particular. Mas depois que mudamos de milênio alguns gênios passaram a ter certeza do erro da Bíblia, porque “já passamos de 2000 e nada aconteceu”. Depois adiaram esta data fatídica para que coincidisse com o calendário maia, um povo, como disse Samuel Fernandes, “aterrorizado por demônios, povo pagão, ensopado no caldeirão das trevas”, que previu o fim do mundo para 21 de dezembro de 2012. Mas a Bíblia não diz nada sobre datas, a não ser que “daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai” (Mateus 24:36).
Chamam de erros da Bíblia coisas que nem mesmo estão na Bíblia.
Como o “código da Bíblia”. Esse “código”, também conhecido como o código da Torá, seria um grupo de mensagens supostamente existentes no texto bíblico, que se devidamente decodificadas dariam informações proféticas e previsões das mais diversas. O estudo e os resultados desta mensagem cifrada tem sido popularizada por livros como “O Código da Bíblia” e “O Código Da Vinci”. O principal método pelo qual se acredita encontrar estas profecias é o “Equidistant Letter Sequence” (ELS). Para se obter uma ELS em um texto, é necessário escolher um ponto de partida (em princípio, qualquer letra) e então é dado um salto numérico entre elas, também livremente e possivelmente negativo. Assim é possível separar essas letras que, depois de agrupadas (apenas as selecionadas) formariam as tais previsões. Defensores dos códigos da Bíblia geralmente usam textos da Bíblia hebraica. O uso e a publicação de “previsões”, baseado em códigos da Bíblia, principalmente com base no trabalho do jornalista Michael Drosnin, teria revelado o assassinato do primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin. Interessante é que geralmente os “profetas” deste método anunciam suas previsões depois que elas aconteceram. Como é que esse código hoje é tido como anunciando o assassinato de Kennedy, mas nada diz sobre Barack Obama ou Bin Laden, por exemplo?
A origem de toda essa mixórdia está num sistema inventado pelos escribas judeus para evitar erros nas cópias manuscritas (aliás, “erro na Bíblia” é outra falácia que agora vamos desmontar).
Com o método massorético (de “massorat” = transmissão fiel) eles verificavam atentamente cada letra, sílaba, palavra e parágrafo. Dentro de sua cultura, eles dispunham de grupos de homens com funções específicas, cuja única responsabilidade era preservar e transmitir esses documentos com uma fidelidade praticamente perfeita – eram os escribas, copistas e massoretas. Os massoretas contaram os versículos, as palavras e as letras de cada livro. Calcularam a letra e a palavra que ficava no meio de cada livro. Fizeram uma lista dos versículos que continham todas as letras do alfabeto, ou um certo número delas; e assim por diante. No entanto, o que consideramos hoje uma trivialidade, teve o efeito de garantir uma atenção minuciosa à transmissão fiel do texto. Na verdade, os massoretas tinham um preocupação profunda de que não se omitisse nem se perdesse um só i ou til, nem uma só das menores letras ou uma pequena parte de uma letra da Lei.
Dentre as exigências que os escribas deviam seguir em relação às Escrituras, algumas são:
- o rolo de pele (pergaminho) onde a cópia seria feita deveria conter um certo número de colunas, o qual deve se manter igual por todo o manuscrito
- o comprimento de cada coluna não poderia ser inferior a 48 nem superior a 60 linhas, e a largura deveria ser de 30 letras
- devia-se primeiramente traçar as linhas de toda a cópia, e se 3 palavras fossem escritas sem linha, a cópia era inutilizada
- devia-se fazer a cópia a partir de uma cópia autêntica, da qual o transcritor não podia se desviar de modo algum, sendo proibido escrever qualquer palavra ou letra de memória, isto é, sem o escriba tê-la visto no códice diante de si
- entre cada consoante devia haver o espaço de um fio de cabelo ou de uma linha
- entre cada capítulo devia haver a largura de 9 consoantes, e entre um livro e outro o espaço de 3 linhas
- o quinto livro de Moisés (que fecha o Pentateuco) devia terminar exatamente no final de uma linha
- era contado o número de vezes que cada letra aparecia em cada livro, assinalada a letra que ficava exatamente no meio do Pentateuco, e a que ficava exatamente no meio da Bíblia toda; e várias outras regras que tornavam o trabalho de copiar as Escrituras virtualmente à prova de erros, já que depois disso tudo ainda havia a revisão feita por três especialistas. Os rolos de pergaminhos fora das especificações eram condenados a ser enterrados ou queimados, assim como os que ficavam gastos pelo tempo e a tinta começava a desaparecer. É por isso que não existem cópias muito antigas, o que também evitava a má interpretação originada de uma leitura mal feita, equivocada, ou mal-intencionada.

Assim, dizer que “a Bíblia tem erros” é mais um mito SOBRE a Bíblia. 

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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Partícula de Deus?

Quando: julho de 2012.
Onde: algum lugar entre a França e a Suíça. Para ser mais preciso, um túnel de 27 km de circunferência, a 175 metros abaixo do nível do solo, próximo a Genebra.
Quem: um grande grupo de cientistas, teóricos e técnicos.
O que: uma partícula sub-atômica, fugaz como um raio. Ou melhor, no dizer de seu principal teórico, ela dura exatamente “um milionésimo de milionésimo de milionésimo de milionésimo de segundo”.
Para que? tentar descobrir como o mundo foi inventado.
Imaginemos uma viagem fictícia, pelo menos nos nossos dias. Suponhamos que alguém invente uma máquina do tempo, potente o bastante para levar um viajante a um passado longíquo. Um tempo tão distante que remonta ao próprio início dos tempos, àquela fração de segundo que se seguiu ao chamado “big bang”. Seria o momento em que o relógio universal marcasse exatamente 00h:00min:00seg. E o local seria o ponto central do Universo, onde tudo começou; como diriam os fãs de Star Trek, o setor com as coordenadas espaciais “zero-zero-zero”.
O que o nosso viajante veria nesse instante hipotético, nesse lugar específico?
Provavelmente uma grande explosão, diriam os físicos, a partir da qual grandes ondas se espalhariam em todas as direções, numa velocidade incrível, inundando o vácuo de matéria e energia, ainda “disforme e vazia”. Poderíamos mesmo imaginar que uma bolha de luz teria sido vista, transformando o “nada” anterior em um infinito de possibilidades.
É esse instante mágico que os cientistas perseguem há décadas, com equipamentos complicadíssimos, e por que não dizer, bem caros. Estima-se que o LHC custou até agora 8 bilhões (ou R$ 20 bilhões - ao câmbio de julho de 2012)... 
Não tem como não pensar que alternativas poderiam ser dadas a essa dinheirama. Nem falo da construção de escolas, hospitais e distribuição de alimentos, que é o que vem primeiro à mente, mas de pesquisas mesmo. Quem sabe poderiam investir numa fórmula para borrifar nos desertos e torná-los áreas cultiváveis; ou algum equipamento para acabar com a emissão de gases poluentes; mas não, gastam uma montanha de euros para uma coisa que nem sabem direito para que serve. E o Brasil quer aderir à pesquisa, mas para isso tem que desembolsar US$ 10 milhões de dólares, ou (em moeda brasileira) R$ 20 milhões, por ano, fração insignificante do orçamento total do projeto. De acordo com o que saiu na imprensa.
Contabilidade à parte, o que se pretende mesmo com toda essa parafernália é tentar explicar a origem das partículas “elementares” e encontrar outras dimensões, entre outras coisas. Uma dessas partículas é o chamado “Bóson de Higgs”. O nome lembra um senhor feudal, como Robin de Lockley (o popular Robin Hood) ou Etienne de Navarre, o cavaleiro garboso de “O Feitiço de Áquila (Ladyhawke), de 1984 - quem lembra levanta a mão. Mas não, o bóson de Higgs é, segundo a teoria, algo que surgiu logo após o “big bang”, e assim seria a chave para explicar todas as outras partículas. Fora da comunidade científica, é conhecido como a “partícula de Deus” (expressão criada pelo físico Leon Lederman), porque seria a causa de outras partículas terem diferentes massas. Assim, se existir mesmo esse bóson, teria um importante efeito na compreensão do mundo.
Essa partícula foi teorizada primeiramente em 1964 pelo físico britânico Peter Higgs (daí o nome). Entretanto, não houve condições tecnológicas de se comprovar a sua existência até o funcionamento do Grande Colisor de Hádrons (LHC) em 2008. E assim, depois de meio século de conjecturas e experiências, cientistas anunciaram que descobriram uma partícula nova que pode ser o bóson “de Higgs”, em carne e osso.
É dogma sagrado a criação – ou, para não ferir suscetibilidades nem a fé de quem alega não ter fé, “a origem” – do Universo a partir de um evento que se convencionou chamar de “o big bang”. Aquele momento em que foi dado o pontapé inicial no mundo e em tudo que conhecemos. Antes, quando a gente perguntava “se não foi Deus, quem deu esse pontapé?”, davam de ombros e torciam o nariz, com ar de sapiência e superioridade, como o Almirante Cook ao desembarcar numa ilha remota do Pacífico e se deparar com nativos tatuados. Agora o grande astro que deu o primeiro chute (ou pelo menos se crê que presenciou o evento, ou no mínimo sentiu o cheirinho) responde pelo pomposo e ilustre nome de senhor Bóson, o de Higgs.
Mas ainda restam muitas questões sem resposta, pelo menos para uma parte da Humanidade que já evoluiu o bastante para abandonar, segundo ela crê, conceitos primitivos e explicações “sobrenaturais” para a criação origem do Universo.
Por exemplo: suponhamos por uma fração de segundo (infinitamente mais longa que a duração do bóson) que essa partícula esteja na origem de tudo. Mas o que havia antes? O que ocasionou o “big bang”? Qual foi a fagulha, a centelha, que ocasionou a “grande explosão”? E o Universo, está mesmo se expandindo? Porque se foi uma explosão a tendência é que a matéria resultante (seja ela matéria física ou apenas energia) se “espalhe” em todas as direções (lei da inércia, se é que ainda está valendo). E, se o Universo se expande como uma bexiga, o que existe “fora” dessa bolha, que ainda não foi atingido pela expansão?
O fato é que não há respostas convincentes, mas apenas conjecturas. Não importa o quanto elas pareçam sábias ou embasadas em experiências científicas: são apenas conjecturas. Os próprios cientistas do CERN admitem que o tal “modelo-padrão” (que tenta explicar os componentes fundamentais do universo) é falho e incompleto.
É simples: quando excluímos o fator “Deus” da equação, a fórmula desanda e não bate. Mas tudo faz sentido a partir do momento em que incluímos essa Constante – aliás, a única Constante em todo o Universo, visto que não muda de acordo com a temperatura, a pressão atmosférica, a radiação, a velocidade, a massa, o tempo, o século, a estação do ano ou o estágio tecnológico de pequenos e miseráveis seres que se julgam inteligentes.
Acrescentando Deus à equação, respondemos a todas essas perguntas, facilmente.
O que existe “fora do Universo”? A resposta é simples: Deus.
Porque o Universo, enquanto dimensão física, só pode ser concebido como “um lugar”, que pode até ser grande, muito grande, astronomicamente grande, em movimento e em expansão, ou contração, se preferirem... mas Quem o projetou, doa a quem doer, consegue ser ainda muito maior, a ponto de poder entrar e sair dele à vontade, e por isso não pode ser contido por ele, ou nele.
É como um homem que construiu uma casa com várias portas, para poder entrar e sair quando quiser. Ninguém seria idiota a ponto de construir uma casa na qual ficasse eternamente preso, da qual não pudesse sair, ou então sem portas, e não pudesse entrar. Esse “homem” é Deus, e a casa é o Universo. Deus entra e sai das dimensões que conhecemos – Tempo e Espaço – quando, se e como Ele quiser, sem ser por elas afetado. Ele habita outra “dimensão”, se é que podemos chamar assim o “Espaço-Tempo” espiritual. É por isso que Deus “não envelhece”: Ele é “o mesmo ontem, hoje e eternamente” (Hebreus 13:8). É por isso que os anjos, que habitam o mesmo “ambiente” de Deus e são feitos de substância essencialmente diferente da nossa, aparecem com séculos de intervalo e não se tem registro de alteração na sua aparência. Veja, por exemplo, Judas 9, Daniel 10 e Apocalipse 12: milhares de anos de diferença e o mesmo anjo está ali, igualzinho. Veja também Daniel 8:16; 9:21 e Lucas 1:19 e 26. Seres espirituais usam, por assim dizer, uma espécie de “portal interdimensional”, as “portas da casa” do meu exemplo, entrando e saindo da História e do Espaço, sem mais cerimônia. Nós não: estamos confinados, pelo menos por ora, a um pequeno canto deste “universo”. E quanto ao tempo, pelo menos por enquanto, só conseguimos nos mover em uma única direção, o futuro.
“Fora do Universo”? Deus. Ele está “fora do Espaço”!
E o que havia “antes” do “big bang”, que ninguém de jaleco branco ainda soube dizer? A rigor, venhamos e convenhamos: “big bang” é apenas outro nome para o “fiat lux” (ou, o “faça-se a luz”, o “pontapé inicial” de Gênesis capítulo 1). Ou não? A Bíblia nos diz que “no princípio, criou Deus os céus e a terra”, e que “a terra era sem forma e vazia”. Há relato mais completo do que esse? Não há que se falar em “antes disso” porque, como dissemos lá em cima, o momento “00h:00min:00seg” foi o instante inicial e, “antes dele”, Deus não havia criado nada ainda – nem o Tempo. 
Lembre-se de nossa hipotética máquina temporal. A teoria da relatividade diz que, resumidamente, se ultrapassarmos a velocidade da luz podemos, teoricamente, voltar no tempo, e quanto maior for essa velocidade, mais longe vamos, no passado. Mas isso tem um limite, a saber, o “momento-zero”. Ou, se preferirem, o instante da criação origem do Universo. Simples, por que “antes disto” não havia nada, nem mesmo o Tempo, essa grandeza ou dimensão que para nós, hoje, flui apenas em uma direção, o futuro. E mesmo se um dia conseguirmos inverter esse fluxo, só poderemos ir até a sua origem, ao seu ponto inicial, à primeira partícula, seja o bóson ou do que mais queiram chamar. Para mim, esse ponto inicial tem outro Nome.
Deus não está limitado pelo Tempo: por isso, “mil anos aos teus olhos são como o dia de ontem que passou, e como uma vigília da noite” (Salmo 90:4), e “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (II Pedro 3:8). Do mesmo modo que Ele está fora do Espaço, também está fora do Tempo, vendo tudo como um quadro pronto e acabado: afinal, Ele é “o Alfa e o Ômega, aquele que é, que era, e que há de vir”, “o primeiro e o último” – passado, presente e futuro, a totalidade da dimensão “Tempo”! (Apocalipse 1:8; 21:6; 22:13). Ele entra e sai quando, se e como quer. Mais claro que isso, impossível.
“Partícula de Deus”? Não. “Ecos de Deus”, talvez.
E isso não significa rejeitar a Ciência, muito menos temê-la. Não há razão para tais disparates. Não há motivo para ver o LHC e seus bósons como “a vitória do homem sobre a natureza”, como diz a triste reportagem da “Veja”. A Natureza não está aí “para ser derrotada”. Pelo contrário, ela é nossa amiga e parceira, e também é, com seu conjunto aparentemente infinito, uma criatura e “obra de Suas Mãos” (Salmo 19:1). A Natureza também aguarda, ansiosa, o dia da sua redenção, o dia em que Seu Senhor retomará o Governo do Universo (Romanos 8:22). É por isso que, a cada dia que passa, fica mais claro ver que sem Deus não é possível entender o mundo, o Universo, o Homem e a Vida. Sem Deus – Motor que nunca pára, com seu próprio Combustível que nunca acaba – a sarça que arde sem se consumir (Êxodo 3:2) – tudo é apenas um amontoado de partículas sem sentido nem propósito. Se assim fosse, não existiria lugar para a Ética, para a Moral e nem mesmo para a Filosofia, o Direito, a Arte e, por fim, para a própria Ciência.
Como disse um sábio, o rei Salomão – o homem mais sábio que já existiu – “o temor do Senhor é o principio da Sabedoria” (Provérbios 1:7; 9:10).

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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Deu no que deu

Outro dia recebi uma mensagem por e-mail intitulada “De Deus não se zomba”. Trazia falas de diversas celebridades - que reproduzo fielmente abaixo (as fotos eu peguei na Internet):

Campinas, interior de São Paulo: uma turma de amigos já embriagados, foi buscar a última pessoa ir para uma “balada”. Pararam em frente à casa dela,  chamaram, e junto com a moça veio a mãe. Temerosa, vendo todos bêbados e sua filha entrando naquele carro lotado, a mãe pegou na mão da filha e disse: “Filha vai com Deus que Ele lhe proteja”. Mas a filha, para “tirar uma onda” com a mãe, disse: “Só se ele for no porta-malas, pois aqui já está lotado”.
Algumas horas depois veio a triste noticia: morreram todos em um acidente. O carro foi destruído, mas o porta-malas estava intacto. A foto do acidente é a que está lá em cima, no título deste artigo. A polícia técnica disse que pela violência do acidente seria impossível isso acontecer, mas quando abriram o porta-malas, lá estava uma bandeja com 18 ovos sem nenhum arranhão, e todos nos lugares corretos da bandeja.

 Com Deus não se brinca.
“Não vos deixeis enganar: de Deus não se zomba; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7).

Bom, quero acrescentar duas coisas.
Essa última estória, a do acidente, eu já tinha ouvido falar e nem sei se é verídica. Quem quiser fique à vontade para verificar. Mas mesmo que não seja totalmente verdade, ou que se trate apenas de  uma lenda urbana, tem lá o seu valor moral. Ou não? Há tantas parábolas, tantos “mitos”, com tantas lições morais, que mais uma ou menos uma não será nada mal. Mesmo que não seja real esse caso, não é motivo para desacreditar toda a lição embutida nesta postagem.
A outra coisa é que talvez não exista, ipsis literis, uma forma de provar a relação direta de causa e conseqüência entre o que essas pessoas disseram e o que aconteceu depois. Mas é bem plausível. Pode-se discutir, como alguns idiotas no Yahoo Respostas – talvez o maior repositório de besteiras que a humanidade já produziu – que Deus não mataria milhares para “vingar” uma asneira dita por uma só pessoa, como no caso do Titanic. Bem... por que não? Se Deus resolver acabar com a raça humana toda, Ele acaba, e quem somos nós para questionar os Seus motivos? Aquele povo todo morreu no desastre, não como conseqüência direta da lorota do dono do navio, mas porque assim havia de ser. Precisamos ter em mente que quando dizemos que Deus é onisciente, isto é pra valer, não é apenas uma frase decorada no pré-primário ou no “catecismo”.
Deus conhece todas as coisas. Ele sabe a hora que cada um vem a este mundo e a hora que cada um dá adeus à terra dos vivos. Ele sabia o destino de cada um dos passageiros do Titanic, e também sabia, desde antes da fundação dos séculos – isto é, antes mesmo de ser estabelecida e dimensão que conhecemos como “Tempo” – que John Lennon diria aquele impropério em 1966 e que seria morto a tiros em 1980. Sabia Ele que Cazuza diria e faria as asneiras que disse e fez. As conseqüências de todos os atos impensados de homens e mulheres são alcançadas por meio de seus próprios autores – os homens e mulheres que não levam em consideração que tudo o que se semeia, se colhe.
De uma coisa, podemos ter certeza: todos esses que falaram essas coisas tiveram oportunidade de se arrepender, tiveram contato com a Palavra de Deus, e muito possivelmente a rejeitaram. A fala de John Lennon é emblemática, ao menosprezar o cristianismo e sua capacidade de resolver as questões da humanidade. O homem natural, já dizia o apóstolo Paulo há 1900 anos, não entende as coisas de Deus, e por isso cai no erro de confiar em si próprio – e o resultado é o fracasso. Isso serve também para o Cazuza e os outros. Fariam melhor se, ao invés de menosprezar e desdenhar o que Deus lhes oferece, por meio de Jesus Cristo – que veio até aqui justamente para reestabelecer o contato com o Pai – fariam melhor se tivessem ouvido o conselho do salmista:
“Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus... Em ti confiam os que conhecem o teu nome; porque tu, Senhor, não abandonas aqueles que te buscam” (Salmos 20:7; 9:10).
Que pena, John, Marylin, Cazuza, Bon, Brizola, Ismay, Tancredo.
Foram brincar com Deus, deu no que deu. 
E você, tem brincado com Deus? 

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