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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Fé racional, um paradoxo?

“A crença religiosa é contra o senso comum. Não há anjos, demônios, céu, inferno, fantasmas, bruxas, nem milagres. Essas crenças supersticiosas são promovidas com o propósito de fazer crer que, dando dinheiro à classe sacerdotal, as pessoas serão favorecidas por um dos deuses. Não há nada sobrenatural – nada contrário à lei natural”.
Quem escreveu isto foi James Harvey Johnson, em seu livro “Religião, uma fraude gigantesca”. E pode ter certeza, ele traduz o pensamento de muita gente hoje em dia, esclarecida ou não.
Essas mesmas pessoas acusam os cristãos de “assassinar suas mentes” quando crêem na inspiração da Bíblia, em milagres e na ressurreição de Cristo. Os incrédulos supõem que a crença cristã está baseada na ignorância e que esta fé é algo cego e não inteligente.
Na verdade é justamente o contrário. A fé cristã é uma fé inteligente; ela não consiste em um ato impensado, desvinculado da realidade. A Bíblia encoraja tanto o crente como o não-crente a usarem a inteligência quando investigam o Cristianismo.
Jesus Cristo disse certa vez, citando o Antigo Testamento: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento (Mateus 23:27, ênfase acrescentada). O apóstolo Paulo escreveu: “Porque eu sei em quem tenho crido” (II Timóteo 1:12), e à igreja em Tessalônica, “julgai todas as coisas” (I Tessalonicenses 5:21).
João advertiu as pessoas a “provar os espíritos”, no sentido de “fazer um teste” (I João 4:1); isto, sem dúvida, envolve o uso da mente, extensivamente. Além destas, outras referências ilustram a necessidade de usar a mente em relação à fé cristã: 
“E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente [inteligentemente], disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-lhe mais nada” (Marcos 12:34).
“E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento (Filipenses 1:9).
“Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação; tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos” (Efésios 1:17-18).
“Falo como a entendidos [cf. sábios, inteligentes, criteriosos]; julgai vós mesmos o que digo” (I Coríntios 10:15).
Desde as eras mais antigas, Deus sempre mostrou respeito pelos homens de integridade intelectual. Ele disse aos israelitas que ignorassem qualquer profeta que fizesse uma predição falsa (Deuteronômio 18:22). Ele desafiou os ídolos dos gentios a provarem sua deidade. Como a resposta foi nula, Ele então deu a sua sentença (Isaías 41:21-24).
Apesar disso, muitos cristãos não sabem explicar porque crêem, embora as Escrituras deixarem claro que eles deveriam saber. “Estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (I Pedro 3:15).
A Bíblia nos exorta a usarmos a mente ao nos decidirmos por Jesus Cristo. O Cristianismo é sensato, é racional; mas não se chega a Cristo só com o intelecto. A fé precisa ser exercitada; mas é uma fé baseada em fatos, não em falsa esperança. A fé cristã é um passo em direção à luz e à iluminação, e não um salto no escuro como querem fazer crer. Paulo, ao falar de sua fé, disse “o rei, diante de quem falo com ousadia, sabe estas coisas, pois não creio que nada disto lhe é oculto; porque isto não se fez em qualquer canto” (Atos 26:26). Em outras palavras, o que acontecera, era notório, todos sabiam, todos haviam testemunhado como fatos verídicos – que Jesus Cristo havia sido crucificado e ressurgira dos mortos ao terceiro dia, e depois de instruir seus discípulos, subira aos céus prometendo voltar em breve. Todos esses fatos podiam ser ponderados e avaliados por qualquer um que desejasse investigar a sua validade. Os milagres aconteciam à vista de todos, e por causa disso os cristãos primitivos desafiaram o mundo para ver “se as coisas eram assim mesmo”. Eles não desencorajavam os céticos dizendo “apenas creiam”. Eles encorajavam sua curiosidade para verificar os fundamentos da fé (Atos 17:11).
Muitas pessoas se esforçaram para solapar a fé cristã e desmentir suas principais verdades, como o general Lew Wallace, autor de “Ben Hur” – e como ele, acabaram se tornando cristãs. O desafio para refutar a fé cristã tem sido planejado muitas vezes, mas sempre fracassa. Se os cristãos possuem essa tal “fé cega” que lhes atribuem, então porque tantos estudiosos se convertem através do exercício intelectual? É porque a fé está baseada na verdade. “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou a verdade” ((João 14:6).
A escolha de tornar-se cristão deve ser feita depois de uma reflexão apropriada. Deve ser considerada e avaliada antes que seja assumido um compromisso. Os que encorajam a conversão a Jesus Cristo baseada num apelo emocional ou através de manipulação, não estão sendo bíblicos. Uma pessoa precisa compreender o que estão fazendo antes de tornar-se cristã.
Aqueles que acusam os cristãos de serem crédulos e ignorantes, na verdade estão manifestando a sua própria ignorância. E essa ignorância muitas vezes é auto-imposta. Ao passo que algumas pessoas não estão preocupadas com as afirmações de Cristo, outras as recusam claramente. Elas afirmam que há problemas intelectuais com a fé cristã, quando de fato o que elas apresentam são desculpas, muitas vezes emocionais. Apesar de terem visto fatos do Cristianismo, e admitirem a sua verdade, se recusam a tornarem-se cristãs.
Isto, portanto, não é um problema do intelecto, mas da vontade. Não é que essas pessoas não possam se tornar cristãs; a questão é que elas não querem se tornar cristãs. A Bíblia ensina que a Humanidade está tentando suprimir a verdade de Deus (Romanos 1;18, 25, “do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça... Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente”). As pessoas são ignorantes sobre Jesus Cristo porque, de um modo geral, querem ser assim.
O evangelho é tão simples que muitos o rejeitam. De fato, para entrarmos no Reino dos Céus precisamos ser como crianças (Mateus 18:3). Precisamos colocar nossa confiança em Cristo, sejamos professores universitários ou pessoas que nunca terminaram a escola primária.
Já outros entendem que a vida crida cristã é monótona e cheia de proibições: “não pode fazer isto, não pode fazer aquilo”. Como ninguém quer viver desse jeito, eliminam o Cristianismo por atacado. Nada pode estar mais longe da verdade.
Apesar de alguns cristãos – felizmente, não são todos – darem a impressão de que sua fé é um conjunto de regras negativas, quando uma pessoa confia em Jesus como seu Salvador ela se torna verdadeiramente livre. “Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). Jesus Cristo está empenhado em libertar homens e mulheres das coisas que os mantêm em escravidão, a fim de que possam ser as pessoas realizadas da forma como foram idealizadas!
Como cristãos, nós somos livres para fazer o que queremos e não o que não queremos. A vida cristã é tudo, menos fastidiosa, porque há uma alegria constante em conhecer o Deus vivo e experimentar todas as coisas boas que Ele tem guardadas para nós: “agrada-te do Senhor, e Ele satisfará os desejos do teu coração”! (Salmo 37:4).

Condensado e adaptado de Josh McDowell & Don Stewart, “Respostas Àquelas Perguntas Que Os Céticos Perguntam Sobre a Fé Cristã”, Ed. Candeia, 1997, pg 161-168

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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Jesus é o Messias? (II)

Continuando a refutação das razões pelas quais os judeus não crêem que Jesus é o Messias...

10 - Reconstrução do Templo
Onde nas escrituras: Isaías 2:2; Ezequiel 37:26-28; obviamente o templo não foi reconstruído. Jesus não teria esta possibilidade já que, quando viveu, o segundo templo ainda existia.
E o templo de Ezequiel é bastante diferente do segundo templo cuja descrição detalhada está no cap. 40. É óbvio que é outro templo! Senão, Deus seria mentiroso, pois se Ele disse que o templo seria estabelecido para sempre, e hoje não existe templo nenhum. Trata-se de um fato futuro. O próximo templo, esse sim, será estabelecido para sempre. Aliás, é um desejo do povo judeu retomar para si o “monte do templo”; para que será?
11 - Na haverá fome no mundo
Onde nas escrituras: Ezequiel 36:29-30; não precisamos olhar para a África para perceber que o mundo anda faminto, basta olhar pra dentro de nosso país.
A profecia aponta para a restauração de Israel como povo de Deus. Isto não aconteceu ainda. Ou alguém acha que parada gay é obra de um povo restaurado? Aliás, esta passagem não fala do Messias.
12 - A morte cessará
Onde nas escrituras: Isaías 25:8; obviamente a morte não cessou. E mais óbvio ainda, Jesus não cessou a morte. 
Esta passagem também não fala do Messias, mas se pudéssemos considerar o Novo Testamento, veríamos que Jesus, na sua própria ressurreição, deu uma prévia da vitória sobre a morte. Mas como só vale o Talmude, e ele não diz nada sobre isto, pulemos esta parte...
13 - Ressurreição dos mortos
Onde nas escrituras: Isaías 26:19; Daniel 12:2; Ezequiel 37:12-13; Isaías 43:5-6; obviamente Jesus não ressuscitou os mortos.
Estas passagens também não falam do Messias. Daniel 12:2 fala da tribulação que os judeus enfrentarão em breve, e do livramento trazido por Miguel (quando reconhecerão o Messias, aquele a quem traspassaram); Ezequiel 37 está em sentido figurado, falando do renascimento e do avivamento que a nação experimentará, assim como Isaías 43. Isaías 26 fala do juízo final. Mas se pudéssemos considerar o Novo Testamento, veríamos que Jesus deu uma pequena mostra do que é ressurreição dos mortos, ressuscitando o filho da viúva de Naim, a filha de Jairo, Lázaro, e mais alguns outros na sua própria ressurreição. Mas como só vale o Talmude, e ele não diz nada sobre isto, pulemos esta parte...
14 - As nações ajudarão materialmente os Israel
Onde nas escrituras: Isaías 60:5-6; 60:10-12; o que vemos é muitas nações querendo destruir Israel, ou no mínimo, antipáticas a existência de um estado judeu. Em nome de Jesus, as nações perseguiram os judeus por séculos.
O motivo desta profecia ainda não se ter cumprido está no verso 5: "Então o verás, e estarás radiante, e o teu coração estremecerá e se alegrará". Israel ainda não O viu, nem ainda se alegra com Ele!
15 - As nações irão aos judeus para orientação espiritual.
Onde nas escrituras: Zacarias 8:23; obviamente isto não acontece. Em boa medida os não-judeus é que querem converter os judeus.
Por acaso o verso 3 “Assim diz o Senhor: Voltarei para Sião, e habitarei no meio de Jerusalém; e Jerusalém chamar-se-á a cidade da verdade, e o monte do Senhor dos exércitos o monte santo” já se cumpriu? Óbvio que não. Então ainda podemos esperar mais um pouco.
16 - Todas as armas serão destruídas
Onde nas escrituras: Ezequiel 39:9, 12; obviamente Jesus não destruiu nenhuma arma.
A passagem não se refere ao Messias, mas à invasão de Israel por uma coalizão de nações, que ainda não ocorreu. Estão forçando a barra.
17 - O Nilo secará
Onde nas escrituras: Isaías 11:15; obviamente Jesus não secou o Nilo.
Nem julgou ainda o pobre com justiça: Ele ainda não está entronizado como Senhor de toda a terra para fazer isto.
18 - As árvores darão frutos mensalmente
Onde nas escrituras: Ezequiel 47:12; obviamente isto não acontece, mesmo hoje, com a transgenia de alimentos. Jesus, ao contrário, amaldiçoou uma árvore frutífera.
Mas Ele multiplicou os pães, duas vezes; providenciou pescas muito ricas para seus seguidores, mostrando claramente que é o Senhor da natureza, identificado com o mesmo Deus do Salmo 147. A maldição da figueira não tem nada a ver com o contexto. Ele chamou os judeus de sua época de raça de víboras, mas também chorou por Jerusalém.
19 - As tribos de Israel receberão de volta as terras herdadas de D'us
Onde nas escrituras: Ezequiel 47:13-13; obviamente isso não aconteceu pois, quando Jesus "viveu" já não se tinha notícias sobre as tribos desaparecidas. Ainda hoje os não-judeus querem tomar a terra de Israel.
Sobre as tribos, há uma inconsistência. Sabia-se, sim, sobre as tribos. Sabia-se que Jesus era descendente de Davi, e portanto, da tribo de Judá. Paulo afirma ser benjamita. Zacarias era levita, pois como sacerdote, só poderia ter essa ascendência. Então este argumento é falho. Sobre as nações quererem tomar as terras de Israel, é verdade em parte, pois há outros que apóiam Israel; graças a essas é que a ONU deliberou pelo restabelecimento da nação no lugar de seus antepassados, e não em outro lugar, como foi sugerido na época. E mais uma vez, o contexto de Ezequiel 47 é o mesmo do cap. 40, ou seja, o novo templo, que ainda não existe.
20 - As nações da terra reconhecerão suas injustiças com o servo Israel.
Onde nas escrituras: Isaías 52 e 53; obviamente isto não aconteceu ainda.
Ah, até que enfim. Trata-se de uma passagem chave para o reconhecimento do Messias, principalmente o cap. 53. É preciso tirar o foco do conflito “Israel x outras nações” para perceber que talvez não haja passagem mais clara sobre o Messias. Uma leitura superficial já seria suficiente para ver de quem a Escritura fala. Um etíope, certa vez, lia este trecho e pediu a um judeu que lha explicasse. O judeu lhe mostrou quem era o personagem da passagem, e o entendimento veio na hora. Infelizmente, o relato completo está no Novo Testamento, que os judeus desconsideram. Mas, se quiserem ter o trabalho de ler, como eu tive de ler todos os seus argumentos, é em Atos 8:26-40.
Vimos que a maioria dos itens entre o 4 e o 20 ainda estão no futuro. As profecias referentes ao nascimento, vida, ministério, sofrimento e morte de Jesus se cumpriram na sua primeira vinda – doa a quem doer. São 332 profecias cumpridas nos mínimos detalhes, como se pode ver aqui. Mas como ter certeza que Jesus virá uma segunda vez?
Quando se apresentou ao povo daquela época, Ele leu uma passagem dos profetas, Isaías 61:1-2: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do Senhor...”
Jesus interrompeu a leitura aqui, dizendo “Hoje se cumpriu esta escritura” (Lucas 4:21). Até este ponto do livro do profeta, de fato tudo se cumpriu. Jesus foi tudo que o profeta disse que seria. Não precisamos entrar em detalhes. Mas, se prestarmos atenção, veremos que o restante da passagem de Isaías cita fatos que ainda não aconteceram: “a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; a ordenar acerca dos que choram em Sião que se lhes dê uma grinalda em vez de cinzas, óleo de gozo em vez de pranto, vestidos de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantação do Senhor, para que ele seja glorificado...” etc.
Fica claro que o restante do capítulo 61 de Isaías ainda está no futuro, pois os que choram em Sião, por exemplo, ainda não comeram a riqueza das nações (v. 6); ainda não possuíram a terra em dobro (v. 7); e Deus ainda não fez brotar a justiça e o louvor perante as nações (v. 11). O que ainda não aconteceu é suficiente para desautorizar todas as demais profecias que se cumpriram nos mínimos detalhes? Jesus ainda tem coisas a fazer nesta terra! Ele voltará!
O tópico 16, por exemplo, ainda está no futuro. Não consta que uma coalizão de nações tenha invadido Israel, com as conseqüências narradas na passagem; e aliás, os capítulos 38 e 39 de Ezequiel não fazem menção ao Messias. É outro contexto. No meu entendimento, essa guerra se dará imediatamente antes da volta de Cristo, e poderá ser o sinal do surgimento do primeiro cavaleiro de Apocalipse. Falaremos disto com mais detalhes em outra ocasião.
Terminamos com um alerta: como muitos evangélicos, nosso comentarista não discerne profecias sobre a primeira vinda das que se referem à segunda vinda. Aliás, conforme vemos no site, como creriam na segunda vinda, se nem reconhecem a primeira? A resposta tradicional do judeu é: "Vocês, cristãos, acreditam que o Messias já veio, mas voltará. Nós, judeus, acreditamos que ele ainda virá. Portanto, numa coisa nós concordamos - vem alguém pela frente. Alguém ainda está para vir. Muito simples! Basta aguardar o Messias e, quando ele chegar, perguntamos se essa é a primeira ou a segunda vez que ele aparece por aqui...".
Aí está o perigo: quando aparecer alguém que eles acharem que é o Messias, acreditarão nele. E sobre isso Jesus advertiu diversas vezes. Ironias à parte, se Jesus é ou não o Messias é apenas uma das muitas perguntas que dividem o Judaísmo do Cristianismo. A partir daí, surge todo um arrazoado resumido em 3 pontos que, sempre segundo o site, são enfáticos para os cristãos e insignificantes para o judaísmo, a saber: o pecado original; o perdão ou remissão pela morte de Jesus; e não haverá segunda vinda. Tudo justificado o fato de não haver, no Talmude, nenhuma referência a essas doutrinas. O Talmude se sobrepõe à Escritura?
Eu penso que isto é uma casca, um verniz, que encobre um abismo grande: os judeus não aceitam a ética cristã de “dar a outra face”. Até mesmo porque vêm sofrendo, ao longo dos séculos, nas mãos de quem se diz representante de Cristo na terra. Então, é até compreensível que prefiram a lei do “olho por olho”. Queira Deus que um dia essa barreira acabe e Efésios 2:14 possa se cumprir definitivamente.
Uma página do site termina com a seguinte idéia:
Apesar das muitas diferenças entre nós e os cristãos, essas diferenças não devem em hipótese alguma ser obstáculo para um excelente relacionamento entre as comunidades. Os dois sistemas religiosos compartilham valores e objetivos bastante similares. Ambos querem um mundo mais ético e humano e as pessoas religiosas das duas comunidades devem se ajudar nesse intento. No entanto, em uma época em que movimentos missionários cristãos das mais variadas estirpes lançam campanhas de conversão de judeus, é importante conhecer as diferenças entre nós e os cristãos para termos claras as linhas vermelhas que separam cada religião. 
Perfeito. Precisamos ter cuidado ao “compartilhar a fé”. Mas alguém já fez isso com maestria, um judeu “da gema”, que sabia tudo do judaísmo, da Lei e dos Profetas. Ele disse que a Lei já cumpriu com a sua finalidade, a de auxiliar e preparar o gênero humano – judeus e gentios – para a vinda daquele que haveria de completar em Si todas as coisas. Essa completude começou na ruptura do véu que separava os homens de Deus, e do muro que separava os povos (Efésios 2:14, “Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade”). Mas, como o NT para o judeu ainda é mistério, resta-nos esperar até que venha o dia da redenção de Israel, conf. Romanos 11:26-29: “e assim todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades; e este será o meu pacto com eles, quando eu tirar os seus pecados. Quanto ao evangelho, eles na verdade, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Deus são irretratáveis!”.

domingo, 12 de setembro de 2010

Jesus é o Messias?

Sobre a matéria de Apocalipse 17 e o sistema religioso global que está em gestação (
http://doa-a-quem-doer.blogspot.com/2010/04/pedofilia-igreja-padres-pedofilos-papa.html), alguém comentou que, além de as profecias não terem se cumprido, haveria 20 razões pelas quais Jesus não seria o Messias prometido. O comentarista anônimo deixou um endereço – www.judeus.org. Fui lá conferir. De fato existem lá as tais 20 razões, que procuramos elucidar. Nem tanto por serem complicadas ou fortemente fundamentadas, mas por causa de uma dificuldade, digamos, técnica.
Como todos sabem, os judeus usam um argumento falho na comparação entre o judaísmo e o cristianismo. Se para nós, cristãos, a principal base doutrinária é a Bíblia, mas em especial o Novo Testamento, essa porção do texto sagrado para os eles não tem valor doutrinário. Apenas o que conhecemos como Velho ou Antigo Testamento é sagrado, mas há também o Talmude. Para quem não sabe, o Talmude, numa definição rápida, é um registro das discussões rabínicas da lei, ética, costumes e história do judaísmo.
O Talmude tem dois componentes: a Mishná (c. 200 d.C.), o primeiro compêndio escrito da lei oral judaica; e a Gemarah (c. 500 d.C.). O Mishná foi redigido pelos mestres chamados Tannaim, termo que deriva da palavra hebraica para "ensinar" ou "transmitir". A primeira codificação é atribuída ao Rabi Akiva (50-130), e uma segunda, a Rabi Meir (130-160 d.C.), ambas escritas em aramaico. A Gemarah é a base da lei rabínica,, uma discussão da Mishná e dos escritos tanaíticos, muito citada na literatura rabínica.
Apesar de respeitarmos todo o significado que o Talmude tem para o judeu, tanto que muitas vezes se sobrepõe à Escritura, não podemos discutir o assunto com base nele, que possui pouco ou nenhum peso para o cristão. Assim, o que temos como base comum é o Antigo Testamento. E como foi com base nele que o site formulou 20 razões elas quais Jesus não seria o Messias que eles ainda esperam, sempre com base no Velho Testamento vamos procurar mostrar que o que falta é abrir os olhos, esforço suficiente para entender algumas verdades.

1 - O Mashiach terá um pai biológico humano - Será descendente pelo lado paterno do Rei David. Onde nas escrituras: - Isaías 11:1-10; Jeremias 23:5; Ezequiel 34:23-24; 37:21-28; Jeremias 30:7-10; 33:14-16; e Oséias 3:4-5. A ancestralidade de Jesus (contradizendo as escrituras) não pode ser traçada, visto que segundo a teologia cristã, Jesus não era filho de José, marido de Maria.
Sim, de fato, Jesus não era filho natural de José. O relato de Mateus é claro; mas é evidente que a genealogia apresentada em Mateus vem apenas até José. O verso 16 do cap 1 diz: “e a Jacó nasceu José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama Cristo”. O grifo esclarece a questão. Interessante é que para este caso o Novo Testamento foi usado.
2 - A ancestralidade do Mashiach será somente através do Rei Salomão. Onde nas escrituras: II Samuel 7:12-17; I Crônicas 22:9-10. Mas Jesus, segundo um texto cristão (Lucas 3:31) era descendente de Natan, um outro filho do Rei David, e não do Rei Salomão.
Esta questão já foi superada há muito tempo, insistir nela como argumento para desqualificar a fé cristã é algo muito simplório. Josh McDowell já demonstrou que em Mateus a linhagem de Jesus é traçada a partir de José, e em Lucas é a linhagem de Maria. A razão de Maria não ser mencionada em Lucas é pelo fato de já ter sido chamada de mãe de Jesus em outras situações. É sabido que entre os judeus a prática genealógica é dar o nome do pai, avô, etc. Lucas seguiu esse padrão e não mencionou Maria; tanto que logo acrescenta que José, na verdade, não é o pai natural, visto que o nascimento de Jesus foi um nascimento virginal (cf. 1:34,35). Em outras palavras, Lucas está citando os antecedentes de Jesus através de Sua mãe, que era descendente de Heli. O nome de José é citado segundo o costume normal. Deste modo, a intenção de Lucas é que o nome de José seja incluído no texto mas não faça parte da lista genealógica, pois apenas pensava-se que Jesus era seu filho quando de fato não o era.José era filho de Jacó por nascimento (Mateus 1:16),mas foi chamado de filho de Heli por casamento. Na cultura judaica o homem, através de seu comprometimento com uma mulher, era tido como filho de seu sogro, cf. I Samuel 24:16, 25:17, etc.
Nem todos os ancestrais e descendentes de uma linhagem eram mencionados. Por isso,quando comparamos a genealogia "sintética" de Mateus com a genealogia "completa" de I Crônicas 3, vemos que Mateus não mencionou em sua genealogia os reis Acazias, Joás e Amazias.
1 Crônicas 3:16 é o único lugar onde Zorobabel é chamado de “filho de Pedaías”,e sabemos que Sealtiel e Pedaías eram irmãos, sendo Sealtiel o irmão mais velho de Pedaías. Então há duas hipóteses possíveis:
1) Pedaías deve ter falecido sem filhos, e Sealtiel,conforme a lei do levirato (Deuteronômio25:5) assumiu a mulher de seu irmão, e foi o pai de Zorobabel, que também foi chamado de “Filho de Pedaías” e considerado seu descendente. Outros filhos resultantes desta união receberiam o nome de Pedaías para memória deste, conforme a lei.
2) Há também a possibilidade de tanto Sealtiel como seu irmão Pedaías terem ambos um filho chamado Zorobabel. Aí teríamos Zorobabel, filho de Sealtiel, e Zorobabel, filho de Pedaías – duas pessoas distintas com o mesmo nome.
Um fato que reforça a idéia de que foram pessoas diferentes é que o Zorobabel filho de Sealtiel teve um filho chamado Abiúde (Mateus 1:13), enquanto o Zorobabel filho de Pedaías teve filhos com outros nomes (I Crônicas 3:19,20). O Messias seria descendente de Salomão, conforme I Crônicas 17:11-14, e Jesus foi mesmo descendente de Salomão (Mateus 1:6,7).
O objetivo das duas genealogias é mostrar que Jesus era, em sentido pleno, descendente de Davi. Através de José, Ele herdou a linhagem real por lei, enquanto de Maria Ele herdou a mesma linhagem, em carne, tendo, portanto, as credenciais para o trono. As duas genealogias se encontram em Davi. Além do mais, como Maria também era de família sacerdotal, Jesus poderia exercer o ofício de sacerdote, o que Ele fez de fato ao assumir o posto de intermediador entre Deus e os homens.
3 - O Mashiach não terá ancestralidade com Joaquim, Jaconias ou Salatiel. Onde nas escrituras: I Crônicas 3:15-17; Jeremias 22:18, 30; mas de acordo com Mateus 1:11-12 e Lucas 3:27 Jesus era descendente de Salatiel.
É evidente nas Escrituras a benignidade de Deus. Por várias vezes lemos que Deus iria destruir a nação de Israel, mas também sabemos que o povo amado sempre foi restaurado, e com ele a sua linhagem real. Ninguém, em sã consciência, diria que Zorobabel, um dos responsáveis pela restauração do reino e do culto, bem como da reconstrução do templo destruído por Nabucodonosor, era um usurpador, por conta do juízo de Deus sobre seus ancestrais Joaquim e Josias. É ponto pacífico que Zorobabel descendia da casa real, senão não teria recebido o apoio dos profetas Amós e Zacarias, seus contemporâneos. Fica claro que Deus foi o responsável por esta restauração, que alcançou a família real, preservada da extinção durante o exílio. Como lemos em Neemias 9: 31,  “Contudo pela tua grande misericórdia não os destruíste de todo, nem os abandonaste, porque és um Deus clemente e misericordioso”, e Zacarias 1: 16 “Portanto, o Senhor diz assim: Voltei-me, agora, para Jerusalém com misericórdia; nela será edificada a minha casa, diz o Senhor dos exércitos, e o cordel será estendido sobre Jerusalém”. Fica claro que Deus retirou o peso da maldição de sobre a casa de Israel. Depois do retorno, o reino foi restabelecido, a casa real retornou ao poder e assim permaneceu até a ascensão dos Macabeus. No entanto, o hábito de preservar as genealogias deixava claro a todos quem era de tal e qual família. É por isso que sabemos que Jesus, além de pertencer à linhagem real, também era de linhagem sacerdotal: sua mãe Maria era prima de Isabel, a qual pertencia à tribo de Levi, posto que era casada com um sacerdote (Zacarias, pai de João Batista). Além do mais, a “maldição de Jeconias” tem sido muito questionada, mas ao contrário do que se pensa, este incrível cumprimento qualifica ainda mais Jesus como o Messias, e torna sua genealogia mais impressionante ainda! Caso o Messias viesse por outro descendente de Salomão, que não fosse Jeconias, Ele poderia ser filho biológico; mas caso fosse descendente de Jeconias, o Messias não podia ser descendente da linhagem direta (ou biológica) de Jeconias: o Messias não poderia herdar de seu sangue - uma condição quase impossível de se cumprir. Mas foi através desta condição quase impossível e inesperada que o Messias veio, e herdou o trono de Davi, porque Jesus contornou a maldição de sangue, o que nenhum outro homem que não fosse o Messias poderia fazer.
4 - O re-estabelecimento da dinastia de Davi, que jamais cessará. Onde nas escrituras: Daniel 7:13-14; mas Jesus não teve filhos, nem estabeleceu reinado algum.
A profecia de Daniel, evidentemente, faz menção a um reino cuja implantação ainda está no futuro. Por esse raciocínio, então a profecia de Ezequiel 37:25 seria uma falácia, posto que Davi já morreu... E como este, quase todos os argumentos seguintes se referem a fatos que ainda estão no futuro. Discutiremos mais adiante o por quê dessa dificuldade de discernir entre os dois momentos da vinda de Jesus.
5 - Uma era de paz eterna entre todos os povos e todas as nações. Onde nas escrituras: Isaías 2:2-4; Miquéias 4:1-4; Ezequiel 39:9; obviamente não temos paz, e infelizmente muitas guerras foram proclamadas em nome de Jesus.
Idem acima.
6 - Todos povos convertidos ao monoteísmo.  Onde nas escrituras: Jeremias 31:31-34; Zacarias 8:23; Isaías 11:9; Zacarias 14:9, 16; o mundo está embebido na idolatria, inclusive idolatrando Jesus como um deus, comportamento anti-bíblico já que D'us ordenou nos seus preceitos que só Ele pode ser adorado. E obviamente Jesus não é D'us.
Obviamente os judeus não reconheceram Jesus como Messias há 2000 anos, e é óbvio que não O reconhecem como Deus, nem na época nem agora. Assim compreendemos a ira dos fariseus e doutores da Lei quando, por diversas vezes, Jesus dizia “Eu sou”: o caminho, a verdade, a vida, o pão da vida, o bom pastor, etc. “Eu Sou” é o Nome de Deus, e quando os judeus O ouviam, ficavam indignados, tanto na época como agora, pois para eles é o máximo da heresia alguém se dizer Deus. E está claro que que as profecias citadas estão no futuro, num contexto de pacificação geral da humanidade que ainda não ocorreu.
7 - Reconhecimento que só D'us é D'us. Onde nas escrituras: Isaías 11:9; obviamente o mundo ainda não reconheceu D'us como o único D'us.
Idem acima, inclusive o verso de Isaías está sendo repetido para dois argumentos que, no fundo, são um só.
8 - O mundo se tornará vegetariano. Onde nas escrituras: Isaías 11:6-9; obviamente o mundo não é vegetariano.
Idem
9 - Reunião das doze tribos de Israel. Onde nas escrituras: Ezequiel 36:20; infelizmente as dez tribos continuam desaparecidas.
Idem – isto está ainda no futuro. Apocalipse, que os judeus desdenham, mostra que as tribos serão restauradas.

Continua...

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sábado, 31 de outubro de 2009

Aniversário da Reforma - há o que comemorar?

31 de outubro, aniversário da Reforma. Há o que comemorar? Como anda a Igreja Brasileira? Certamente, o Evangelho traz alegria, libertação, cura, comunhão com Deus e com os irmãos na fé. Mas, com tristeza, também percebemos que a infiltração de elementos estranhos à sã doutrina nivela o Evangelho por baixo com diversas outras crenças e costumes. Alguns sintomas podem ser vistos como positivos ou negativos, dependendo da ótica de cada um. Vejamos alguns pontos, e cada leitor tire a própria conclusão.
Primeiramente o efeito do avanço tecnológico como um todo. Esta é uma das portas de entrada de novos elementos na igreja. A tecnologia tem seu lado positivo porque uniu ao redor do globo o povo de Deus espalhado pela terra. Possibilitou maior avanço nas missões mundiais, maior rapidez na evangelização, uma maior comunicação entre as pessoas, seja através de sites, blogs, e-mails, e mensagens on-line, comunicação instantânea entre pessoas e entre os líderes da igreja ao redor do mundo, mas contribuiu negativamente em dois aspectos: afetou a vida comunitária, isto é, a koinonia entre os membros da igreja e abriu canais para a entrada de novas idéias e heresias doutrinárias.
Antes o relacionamento entre os irmãos tinha como base a igreja da localidade, pois era "na igreja" que se encontravam durante a semana e aos domingos comungando a mesma fé, partilhando dos mesmos problemas e soluções, vendo as mesmas pessoas, ouvindo o mesmo pastor e pregador, exceção apenas quando a igreja recebia convidados de fora. O aspecto negativo é que a tecnologia contribuiu para aprofundar o privatismo entre os cristãos. Porque, se antes o espírito de coletividade se restringia à igreja da localidade, hoje a Internet abriu as portas da igreja – dos lares – em que os cristãos têm acesso, como a um grande mercado a todo tipo de ofertas, pregações, livros, vídeos, e podem escolher entre as mensagens da televisão e os cultos transmitidos via WEB. Por que se deslocar até o local do culto, buscando vagas em estacionamentos, sujeito a assaltos e roubos, assistindo cultos em que o som faz rebentar os tímpanos, se em casa pode-se dispor de cultos on-line? Ao dispor de uma variedade de música, pregações e de cultos on-line, os cristãos acedem ao apelo dos pregadores on-line e desviam os recursos que antes era para a igreja local, para a manutenção dos tele-evangelistas. Este é um tema exaustivo que alguns escritores estão analisando com maior profundidade. Além da comunhão, do aperto de mão, do beijo e do calor da amizade que se esvai pelas ondas da WEB.
Os cristãos de hoje vivem isoladamente dos demais irmãos e mantêm uma comunhão virtual sem o calor humano tão presentes no dia a dia da vida da igreja. E abriu as portas para a entrada de novidades e heresias doutrinárias. A igreja foi afetada em sua doutrina, na sua liturgia e no seu estilo de vida na sociedade.
A doutrina – uma descaracterização da ortodoxia, isto é, um relaxamento ou pulverização das regras de fé, antes defendidas a “unhas e dentes”. Aspectos doutrinários, ou de ensinos ficaram pulverizados com a pluralidade doutrinária, pluralidade de pensamento e com a secularização da teologia. Até mesmo denominações pentecostais históricas como as Assembléias pode Deus tornaram-se pluralistas sob vários aspectos. Algumas aceitam o divórcio, outras o repugnam – para citar um exemplo. Algumas têm grupos de danças em sua liturgia, outras cultuam a Deus como faziam 80 anos atrás. Até mesmo na teologia existem diferenças.
Liturgia – uma pulverização da liturgia. A igreja ao longo dos séculos sempre introduziu novos elementos em sua liturgia, nestes últimos anos, porém, a igreja submeteu sua ortodoxia litúrgica a novas influências, algumas igrejas até desprezando a hinódia tradicional e centenária que regia os cultos e a vida da igreja. Se por um lado os novos elementos litúrgicos, como bandas, 40 ou 50 minutos de cânticos, danças e teatros reativaram os cultos, por outro certas características foram lentamente desaparecendo, como a importância da pregação, reverência e ordem nos cultos.
Danças – esta pulverização – até certo ponto com perda de identidade – trouxe para os púlpitos e palanques a entrada de grupos de danças, ou adoração artística. Algumas igrejas vêem nisto uma necessidade; outras utilizam grupos de danças apenas em festas ou celebrações especiais. A maioria faz das danças uma rotina igualando-as aos cânticos e orações. Alguns vêem perigos neste novo elemento que poderá descaracterizar o culto a Deus.
Instrumentos musicais – o uso de apenas um trio de instrumentos – bateria, guitarra e baixo – o desprezo ou alienação dos pianistas e organistas em troca de tecladistas que apenas tocam cifras, e não melodias, trouxe para os cultos uma liturgia limitada a estes instrumentos – sem o toque litúrgico tão comum ao som do órgão e do piano, de instrumentos de sopro e outros de cordas, como o violino e seus semelhantes. Agregue-se a isto a infiltração de músicas e letras repetitivas, sem rimas, métrica e poesia. Além dos mantras que levam as pessoas a alucinações mentais, confundidas com experiências espirituais, etc.
Mensagens de auto-ajuda – a falta da pregação expositiva bíblica em troca de mensagens apenas tópicas; o desaparecimento das pregações doutrinárias em troca de mensagens positivistas e de auto-ajuda e a falta de conhecimento bíblico vêm dominando até mesmo o púlpito das igrejas históricas. Questionam alguns se o verdadeiro cristão precisa de mensagem de auto-ajuda; de ser embalado em sua psique, em sua alma, ao som de novos acordes. A mensagem de auto-ajuda ofuscou a mensagem da cruz.
O avivamento das décadas de 60-70 trouxe o povo de volta à Palavra de Deus, como todos os avivamentos bíblicos da história o fizeram. O atual movimento – que não é avivamento – não está levando o povo de volta à Palavra, mas ao sensacionalismo, à busca de prazer, à prosperidade e a individualização da fé. São coisas que devem causar preocupação, pois que afetará as próximas gerações. Neste caso, a liturgia também foi afetada pela influência dos pregadores televisivos que deixaram o povo exigente quanto a pregações, levando-o a desprezar as mensagens expositivas, difíceis de serem pregadas na televisão pela limitação do tempo, mas tão necessárias para o entendimento da palavra de Deus.
Conseqüentemente, a exacerbação da mística e da fé passaram a ter preeminência sobre a Palavra de Deus. A busca pela renovação espiritual sem o prumo da palavra de Deus vem levando os crentes a desprezar o ensino da cruz e do sofrimento na vida cristã. Cruz e sofrimento ficaram no passado da igreja, a nova “onda” espiritual é a de amar a prosperidade e o sucesso. Até mesmo pregadores antigos tidos como profetas de Deus aderiram a esta nova mensagem, e ficam horas inteiras levantando dinheiro e tirando ofertas do povo com a mensagem da prosperidade, em que somente prospera o pregador... a ganância de Balaão não tem limites. Os gananciosos são pastores e líderes que convidam pregadores “sapatinhos de fogo”, artistas e jogadores famosos, para trazer atrativos extras aos cultos e granjear maior audiência, pois também estão afetados pelo espírito de Balaão e querem lucrar com este tipo de ministério.
O esoterismo evangélico – a falta da palavra de Deus como mensagem expositiva vem levando sutilmente os crentes a viverem um privatismo, o pluralismo e o secularismo como normas da vida cristã. O privatismo leva o cristão a viver em torno de si mesmo; o pluralismo leva-o a aceitar elementos de filosofia e a idéia de aceitação de tudo e de todos na igreja; e o secularismo invadiu a teologia com a filosofia e com os conceitos da psicologia moderna na educação e no ensino das crianças e dos adultos, e na pregação do evangelho.
A ausência da Palavra de Deus vem formando uma igreja com comportamento e práticas esotéricas que dá poderes a elementos místicos, em nada se diferenciando do mundo e das religiões místicas ao seu redor. O esoterismo evangélico concede poderes aos óleos “consagrados”, a água, ao vinho e ao sal, como se o poder de Deus se limitasse a objetos e a práticas vetero-testamentárias. A falta de uma exegese bíblica verdadeira permitiu o surgimento de uma igreja com práticas judaizantes, celebração de festas judaicas, a observação de dias e datas especiais dos judeus, roupas, a bandeira de Israel hasteada nos púlpitos, confundindo o natural com o espiritual, e peregrinações a lugares históricos, considerados “santos”, em que tais práticas e guardas de datas passaram a ser a essência da fé, o propósito da igreja, acima da própria palavra de Deus.
A batalha espiritual, a partir de um entendimento errôneo de Efésios 6, incentiva os crentes a perseguir e destruir Satanás e os demônios. Paulo, Pedro e Tiago ensinam que os cristãos devem ficar firmes e resistir, e nunca sair em perseguição atrás de demônios. As fortalezas malignas que devem ser destruídas estão no campo da mente, e não no campo físico. Mas, para vencer a batalha espiritual, lança-se mão de complicados misticismos. Mapeia-se espiritualmente cidades e territórios, buscam-se as raízes de maldições hereditárias, promovem-se mais e mais sessões de libertação e exorcismo de crentes, fazem-se atos proféticos... a lista é grande, mas nem tudo está baseado na palavra de Deus. Muitas dessas práticas vêm de experiências próprias e doutrinas extravagantes, sem exame crítico à luz das Escrituras.  

Texto original: Ministério Pastor João Antonio de Souza Fillho, pastor e escritor – http://www.pastorjoao.com.br/historia/breveensaio.htm
Publicado com autorização.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Ateu admite: “África necessita de Deus, e não de apenas auxílio”

Os problemas da África não podem ser resolvidos só com ajuda financeira: os africanos precisam conhecer a Deus, afirma Matthew Parris (foto), jornalista, ex-político e... ateu. A religião oferece mudança aos corações e às mentes das pessoas - algo que a ajuda financeira não pode fazer, diz o ex-membro conservador do parlamento britânico, numa coluna para o jornal Britânico The Times.

“Ateu confirmado, tornei-me convicto da enorme contribuição que o evangelismo Cristão faz na África: bastante distinta do trabalho das ONGs seculares, projetos governamentais e esforços de ajuda internacional”, escreve Parris, que nasceu em Joanesburgo, África do Sul, mas agora vive na Inglaterra. “Estes, por si só, não serão suficientes. A educação e treinamento, por si só, não serão suficientes”. Ele prosseguiu dizendo que “na África, o Cristianismo muda o coração das pessoas. Ele produz uma transformação espiritual. O renascimento é real. A mudança é boa”.
A aparente epifania dos efeitos positivos do Cristianismo na África surgiu após uma viagem ao Malawi antes do Natal de 2008. Lá, ele reuniu-se com uma pequena instituição de caridade britânica (a Pump Aid) que trabalha para instalar bombas em poços nas aldeias para manter a água limpa.
Embora a Pump Aid seja secular, ele percebeu que os membros da equipe mais impressionantes eram, em sua vida particular, cristãos praticantes. E ele se lembra que, ainda que nenhum dos membros da instituição de caridade tenha falado sobre religião, viu um deles estudando um livro de devocionais no carro e outro saindo para ir à igreja num domingo ao amanhecer.
“Estaria de acordo com os meus desejos acreditar que a sua honestidade, diligência e otimismo no trabalho não tinham relação com a sua fé pessoal”, admite Parris. “O seu trabalho era secular, mas certamente afetado por aquilo que eles eram… influenciado por uma concepção do lugar do homem no Universo que o Cristianismo tem ensinado”.
Encontrar os cristãos que trabalhavam para a Pump Aid também o fez lembrar-se das suas memórias de missionários Cristãos que ele conheceu quando era ainda um menino crescendo na África. Ele recorda como os africanos convertidos ao Cristianismo que ele conheceu “eram sempre diferentes”. A sua nova religião não os confinava, mas parecia libertá-los e relaxá-los, diz Parris. “Havia uma vivacidade, uma curiosidade, uma dedicação para com o mundo – uma retidão nas suas relações com os outros – que parecia estar em falta na vida tradicional africana”, recorda.
O Cristianismo, acrescenta, também ajuda a libertar os africanos da mentalidade comunal e supersticiosa que reprime a individualidade. Parris critica a “mentalidade rural tradicional” por alimentar “‘manda-chuvas’ e gangsters políticos” em cidades africanas que ensinam “um respeito exagerado” por um “líder presunçoso” que não deixa espaço para a oposição.
Mas o Cristianismo pós-Reforma e pós-Lutero ensina uma “relação direta, pessoal e nos dois sentidos entre o indivíduo e Deus”, que elimina a mediação pelo grupo, ou qualquer outro ser humano, diz Parris. Ele oferece uma organização de vida social para aqueles que querem “abandonar uma mentalidade tribal asfixiante. É por isso e assim que ele liberta”, afirma Parris.
Ele conclui afirmando que para a África poder ser competitiva com outros líderes mundiais no século XXI, não deve pensar apenas que os bens materiais e o conhecimento são tudo o quanto precisa para o desenvolvimento e mudança. “Todo um sistema de crenças tem primeiro de ser suplantado”, considera o jornalista ateu. Ele adverte que retirar o evangelismo cristão da “equação africana” poderá “deixar o continente à mercê de uma fusão maligna entre a Nike, o feiticeiro, o celular e a catana”.
COMENTÁRIO – Realmente é muito bom ver que uma pessoa dita racional faz uma pausa para pensar e reconhece valores que antes desprezava. Temos que nos lembrar que a “intelligentsia” ocidental foi, em grande parte, moldada pelos valores racionalistas, iluministas e humanistas, cuja tradição remonta ao século XVIII e aos escritos de Rousseau e Voltaire, principalmente. Lembremo-nos de que era uma época em que o Homem ainda buscava se livrar da herança medieval, e impulsionado pelas idéias do Renascimento, buscou destacar seu papel na História e fugir de toda e qualquer referência ao Divino, ao espiritual e ao sobrenatural. Só valiam as experiências objetivas, racionais, empíricas. Daí ao determinismo que levou ao darwinismo foi apenas um pulo. Hoje em dia, esse pensamento antropocêntrico permanece dominante na filosofia ocidental. É difícil para alguém acostumado a pensar de forma estreita como alguns cientistas (não só do ramo bio-químico, mas também das ciências sociais) de repente reconhecer a importância do Cristianismo como agente transformador do Homem e da sociedade. Crêem que o Cristianismo é uma entre muitas religiões e, como tal, é uma quimera, uma ilusão que serve apenas de consolo em uma existência cheia de sofrimento. Mas isso é porque, como disse alguém, conhecem a história de Cristo, mas não conhecem o Cristo da História. Graças a Deus por pessoas como Matthew Parris, que verificou que o verdadeiro Cristianismo vai além da mera religião formal e ritualística, sendo “uma relação direta, pessoal e nos dois sentidos entre o indivíduo e Deus”. Quando os “homens da ciência”, e dentre eles algumas pseudo-autoridades que se auto-denominam “hereges profissionais”, entenderem isso, haverá júbilo nos céus.