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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Onde é que nós estamos?


Jesus tinha um temperamento tão agradável que na primeira vez que encontrou seus discípulos os convidou para ir à balada.
Isto é o que diz uma tal de “pastora” Priscila Mastrorosa, da “igreja” Bola de Neve (foto ao lado). O link para outras idiotices semelhantes que ela fala é este: http://migre.me/d5Smk .
A pergunta é inevitável: onde é que nós, como igreja, estamos?
E essa pergunta tem diversas derivações:
Como igreja, o que estamos fazendo? Como é que esse tipo de comportamento, essas práticas estranhas, essa falta de visão para entender e comunicar o evangelho, como é que vamos impactar a sociedade decadente em que estamos inseridos? Onde queremos chegar? O que pretendemos?
Vemos claramente uma diluição da mensagem do evangelho nessas pseudo-igrejas.
Há igrejas que têm ministérios de resgate de jovens das drogas, da homossexualidade; travestis e prostitutas que se renderam aos pés de Jesus tiveram suas vidas transformadas sem precisar ouvir que “Jesus era da balada”. O que transforma vidas é o evangelho genuíno, é a mensagem que diz que se a pessoa não receber Jesus vai para o inferno, que Satanás é real, que o pecado separa o homem de Deus. E o que é pecado, principalmente, que não é relativo, como acreditam alguns. Que a Bíblia ensina a evitar a aparência do mal. Tanto que nessas igrejas que citei, o pessoal entrava cabeludo, barbudo, cheio de parafuso nos beiços, mas não permanecia assim.
A Bíblia diz: “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2). Transformai-vos!
Não dá para acreditar que alguém, que antes vivia segundo um certo “estilo” mundano, depois de ter uma experiência com Cristo continue a falar do mesmo jeito, a se vestir do mesmo jeito, a ter os mesmos hábitos e comportamentos, a “curtir” o mesmo estilo de música, de lazer. II Coríntios 5:17 diz que “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. Não fui eu quem inventou essa frase. Mas agora, até “música gospel para balada” já tem! Que testemunho é esse? Que exemplo é esse?
Desde quando cristão freqüenta balada? Desde quando Jesus ia na balada com os discípulos?
Há não muito tempo atrás, cristão não ia à danceteria. Agora já tem até balada gospel. O que mudou? A Bíblia mudou? A interpretação mudou? A mensagem mudou? Jesus mudou? Sim, Jesus mudou... ele até vai à balada agora. Daqui a pouco vão dizer que Ele tomava umas e outras como certos cantores gospel. Afinal, ele transformou água em vinho, não foi? Será que Ele nem experimentou? Gente, esse raciocínio raso é mundano, carnal e perigoso. “Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica” (Tiago 3:15).
Não estamos falando de costumes humanos: “ah, antes eu usava minissaia e agora só uso vestidão, agora não depilo mais nem as axilas, não uso mais calça comprida; agora só uso terno xadrez e não assisto mais futebol”; não, não se trata disso. Trata-se de fazer tudo “decentemente e com ordem” (I Coríntios 14:40), não só no culto, mas na vida. Este mandamento não se restringe ao domingo, mas à semana toda.
Trata-se de viver como ensina a Bíblia: sendo exemplo tanto para os “de dentro” como para os “de fora”; e isso significa se esforçar para não escandalizar ninguém. “Pelo que, se a comida fizer tropeçar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para não servir de tropeço a meu irmão” (I Coríntios 8:13).
Mas não, parece que fazem questão de mostrar que são assim mesmo e desse jeito permanecerão. “Se Deus me aceita assim todos têm que aceitar também”, dizem. Mas o engraçado é que, ao procurar emprego (quando vão), procuram se arrumar, colocam um terno, tiram os pregos da cara e as dúzias de anéis, escondem as tatuagens. Dois pesos, duas medidas.
O pior é que pseudo-pastores usam uma expressão atribuída a Paulo – “fiz-me grego para ganhar os gregos” – para justificar seus costumes e ensinos bizarros. Que tristeza.
Em primeiro lugar, Paulo nunca disse que “se fez de grego”. O texto bíblico (I Coríntios 9) diz:
19 Pois, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos para ganhar o maior número possível:
20 Fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse eu debaixo da lei (embora debaixo da lei não esteja), para ganhar os que estão debaixo da lei;
21 para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei.
22 Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.

Com isso o apóstolo não está dizendo que se fantasiou de fariseu para ganhar os fariseus. Ele entendeu a mente farisaica, e lhes mostrou que o evangelho ia muito além das leis e ordenanças. Não extrapolou a mensagem de Jesus! Aliás, como discípulos, não devemos viajar na maionese e reinterpretar o que Jesus pregou. Mateus 10:24 “Não é o discípulo mais do que o seu mestre, nem o servo mais do que o seu senhor”. Se Jesus não fez concessões, por que devemos nós fazê-las? Se Jesus não adaptava sua mensagem ao gosto do freguês, por que deveríamos fazer isso?
E quando Paulo diz que “para ganhar os que estão sem lei” foi “como se estivesse sem lei”, não está dizendo que entrou a beber com os coríntios, conhecidos por sua devassidão homérica. Porque o próprio Paulo diz, claramente, que não se portou “para os que estão sem lei” da mesma forma que eles, pois estava “mas debaixo da lei de Cristo” (v. 21). E qual é a lei de Cristo sob a qual devemos estar?
E em segundo lugar, quando esteve na Grécia, Paulo não entrou na deles, mas expôs o evangelho com sabedoria. Começou falando da mitologia grega, mas logo mostrou que Deus estava muito acima desses conceitos. Leia Atos 17:16-34, notando os dois últimos versos:
“Assim Paulo saiu do meio deles. Todavia, alguns homens aderiram a ele, e creram, entre os quais Dionísio, o areopagita, e uma mulher por nome Dâmaris, e com eles outros”.
Esses, que querem ser “como gregos”, se encaixam naquele tipo de pessoa descrita por Pedro em sua segunda carta, cap. 3:15-16: “e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; como faz também em todas as suas epístolas, nelas falando acerca destas coisas, mas quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, como o fazem também com as outras Escrituras, para sua própria perdição”. Indoutos e inconstantes, torcendo ensinos que não compreendem, para sua própria perdição.
E com isso, acabam criando um evangelho da porta larga, onde cabe tudo. Gálatas 1:
6 Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho,
7 o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo.
8 Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema.
9 Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.


O que pretendemos fazer da nossa breve estada neste mundo?
Ainda há sabor nesse sal?
Ainda brilha essa luz?
Porque “Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens” (Mateus 5:13).
E “sois a luz do mundo” (Mateus 5:14). Mas “se a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!” (Mateus 6:23).
Uma vez, quando ainda se pregava o evangelho genuíno neste país, ouvi um homem de Deus dizer que a igreja é como um barco no mar. O barco precisa entrar no mar, mas o mar não pode entrar no barco.
A igreja é o barco, e o mar é o mundo.
Faça a analogia.
A igreja precisa de uma reflexão. Onde é que nós estamos? Não estaríamos como um barquinho no meio do mar, sem saber que rumo tomar?
E o pior... a água está entrando.

32510

sábado, 31 de outubro de 2009

Aniversário da Reforma - há o que comemorar?

31 de outubro, aniversário da Reforma. Há o que comemorar? Como anda a Igreja Brasileira? Certamente, o Evangelho traz alegria, libertação, cura, comunhão com Deus e com os irmãos na fé. Mas, com tristeza, também percebemos que a infiltração de elementos estranhos à sã doutrina nivela o Evangelho por baixo com diversas outras crenças e costumes. Alguns sintomas podem ser vistos como positivos ou negativos, dependendo da ótica de cada um. Vejamos alguns pontos, e cada leitor tire a própria conclusão.
Primeiramente o efeito do avanço tecnológico como um todo. Esta é uma das portas de entrada de novos elementos na igreja. A tecnologia tem seu lado positivo porque uniu ao redor do globo o povo de Deus espalhado pela terra. Possibilitou maior avanço nas missões mundiais, maior rapidez na evangelização, uma maior comunicação entre as pessoas, seja através de sites, blogs, e-mails, e mensagens on-line, comunicação instantânea entre pessoas e entre os líderes da igreja ao redor do mundo, mas contribuiu negativamente em dois aspectos: afetou a vida comunitária, isto é, a koinonia entre os membros da igreja e abriu canais para a entrada de novas idéias e heresias doutrinárias.
Antes o relacionamento entre os irmãos tinha como base a igreja da localidade, pois era "na igreja" que se encontravam durante a semana e aos domingos comungando a mesma fé, partilhando dos mesmos problemas e soluções, vendo as mesmas pessoas, ouvindo o mesmo pastor e pregador, exceção apenas quando a igreja recebia convidados de fora. O aspecto negativo é que a tecnologia contribuiu para aprofundar o privatismo entre os cristãos. Porque, se antes o espírito de coletividade se restringia à igreja da localidade, hoje a Internet abriu as portas da igreja – dos lares – em que os cristãos têm acesso, como a um grande mercado a todo tipo de ofertas, pregações, livros, vídeos, e podem escolher entre as mensagens da televisão e os cultos transmitidos via WEB. Por que se deslocar até o local do culto, buscando vagas em estacionamentos, sujeito a assaltos e roubos, assistindo cultos em que o som faz rebentar os tímpanos, se em casa pode-se dispor de cultos on-line? Ao dispor de uma variedade de música, pregações e de cultos on-line, os cristãos acedem ao apelo dos pregadores on-line e desviam os recursos que antes era para a igreja local, para a manutenção dos tele-evangelistas. Este é um tema exaustivo que alguns escritores estão analisando com maior profundidade. Além da comunhão, do aperto de mão, do beijo e do calor da amizade que se esvai pelas ondas da WEB.
Os cristãos de hoje vivem isoladamente dos demais irmãos e mantêm uma comunhão virtual sem o calor humano tão presentes no dia a dia da vida da igreja. E abriu as portas para a entrada de novidades e heresias doutrinárias. A igreja foi afetada em sua doutrina, na sua liturgia e no seu estilo de vida na sociedade.
A doutrina – uma descaracterização da ortodoxia, isto é, um relaxamento ou pulverização das regras de fé, antes defendidas a “unhas e dentes”. Aspectos doutrinários, ou de ensinos ficaram pulverizados com a pluralidade doutrinária, pluralidade de pensamento e com a secularização da teologia. Até mesmo denominações pentecostais históricas como as Assembléias pode Deus tornaram-se pluralistas sob vários aspectos. Algumas aceitam o divórcio, outras o repugnam – para citar um exemplo. Algumas têm grupos de danças em sua liturgia, outras cultuam a Deus como faziam 80 anos atrás. Até mesmo na teologia existem diferenças.
Liturgia – uma pulverização da liturgia. A igreja ao longo dos séculos sempre introduziu novos elementos em sua liturgia, nestes últimos anos, porém, a igreja submeteu sua ortodoxia litúrgica a novas influências, algumas igrejas até desprezando a hinódia tradicional e centenária que regia os cultos e a vida da igreja. Se por um lado os novos elementos litúrgicos, como bandas, 40 ou 50 minutos de cânticos, danças e teatros reativaram os cultos, por outro certas características foram lentamente desaparecendo, como a importância da pregação, reverência e ordem nos cultos.
Danças – esta pulverização – até certo ponto com perda de identidade – trouxe para os púlpitos e palanques a entrada de grupos de danças, ou adoração artística. Algumas igrejas vêem nisto uma necessidade; outras utilizam grupos de danças apenas em festas ou celebrações especiais. A maioria faz das danças uma rotina igualando-as aos cânticos e orações. Alguns vêem perigos neste novo elemento que poderá descaracterizar o culto a Deus.
Instrumentos musicais – o uso de apenas um trio de instrumentos – bateria, guitarra e baixo – o desprezo ou alienação dos pianistas e organistas em troca de tecladistas que apenas tocam cifras, e não melodias, trouxe para os cultos uma liturgia limitada a estes instrumentos – sem o toque litúrgico tão comum ao som do órgão e do piano, de instrumentos de sopro e outros de cordas, como o violino e seus semelhantes. Agregue-se a isto a infiltração de músicas e letras repetitivas, sem rimas, métrica e poesia. Além dos mantras que levam as pessoas a alucinações mentais, confundidas com experiências espirituais, etc.
Mensagens de auto-ajuda – a falta da pregação expositiva bíblica em troca de mensagens apenas tópicas; o desaparecimento das pregações doutrinárias em troca de mensagens positivistas e de auto-ajuda e a falta de conhecimento bíblico vêm dominando até mesmo o púlpito das igrejas históricas. Questionam alguns se o verdadeiro cristão precisa de mensagem de auto-ajuda; de ser embalado em sua psique, em sua alma, ao som de novos acordes. A mensagem de auto-ajuda ofuscou a mensagem da cruz.
O avivamento das décadas de 60-70 trouxe o povo de volta à Palavra de Deus, como todos os avivamentos bíblicos da história o fizeram. O atual movimento – que não é avivamento – não está levando o povo de volta à Palavra, mas ao sensacionalismo, à busca de prazer, à prosperidade e a individualização da fé. São coisas que devem causar preocupação, pois que afetará as próximas gerações. Neste caso, a liturgia também foi afetada pela influência dos pregadores televisivos que deixaram o povo exigente quanto a pregações, levando-o a desprezar as mensagens expositivas, difíceis de serem pregadas na televisão pela limitação do tempo, mas tão necessárias para o entendimento da palavra de Deus.
Conseqüentemente, a exacerbação da mística e da fé passaram a ter preeminência sobre a Palavra de Deus. A busca pela renovação espiritual sem o prumo da palavra de Deus vem levando os crentes a desprezar o ensino da cruz e do sofrimento na vida cristã. Cruz e sofrimento ficaram no passado da igreja, a nova “onda” espiritual é a de amar a prosperidade e o sucesso. Até mesmo pregadores antigos tidos como profetas de Deus aderiram a esta nova mensagem, e ficam horas inteiras levantando dinheiro e tirando ofertas do povo com a mensagem da prosperidade, em que somente prospera o pregador... a ganância de Balaão não tem limites. Os gananciosos são pastores e líderes que convidam pregadores “sapatinhos de fogo”, artistas e jogadores famosos, para trazer atrativos extras aos cultos e granjear maior audiência, pois também estão afetados pelo espírito de Balaão e querem lucrar com este tipo de ministério.
O esoterismo evangélico – a falta da palavra de Deus como mensagem expositiva vem levando sutilmente os crentes a viverem um privatismo, o pluralismo e o secularismo como normas da vida cristã. O privatismo leva o cristão a viver em torno de si mesmo; o pluralismo leva-o a aceitar elementos de filosofia e a idéia de aceitação de tudo e de todos na igreja; e o secularismo invadiu a teologia com a filosofia e com os conceitos da psicologia moderna na educação e no ensino das crianças e dos adultos, e na pregação do evangelho.
A ausência da Palavra de Deus vem formando uma igreja com comportamento e práticas esotéricas que dá poderes a elementos místicos, em nada se diferenciando do mundo e das religiões místicas ao seu redor. O esoterismo evangélico concede poderes aos óleos “consagrados”, a água, ao vinho e ao sal, como se o poder de Deus se limitasse a objetos e a práticas vetero-testamentárias. A falta de uma exegese bíblica verdadeira permitiu o surgimento de uma igreja com práticas judaizantes, celebração de festas judaicas, a observação de dias e datas especiais dos judeus, roupas, a bandeira de Israel hasteada nos púlpitos, confundindo o natural com o espiritual, e peregrinações a lugares históricos, considerados “santos”, em que tais práticas e guardas de datas passaram a ser a essência da fé, o propósito da igreja, acima da própria palavra de Deus.
A batalha espiritual, a partir de um entendimento errôneo de Efésios 6, incentiva os crentes a perseguir e destruir Satanás e os demônios. Paulo, Pedro e Tiago ensinam que os cristãos devem ficar firmes e resistir, e nunca sair em perseguição atrás de demônios. As fortalezas malignas que devem ser destruídas estão no campo da mente, e não no campo físico. Mas, para vencer a batalha espiritual, lança-se mão de complicados misticismos. Mapeia-se espiritualmente cidades e territórios, buscam-se as raízes de maldições hereditárias, promovem-se mais e mais sessões de libertação e exorcismo de crentes, fazem-se atos proféticos... a lista é grande, mas nem tudo está baseado na palavra de Deus. Muitas dessas práticas vêm de experiências próprias e doutrinas extravagantes, sem exame crítico à luz das Escrituras.  

Texto original: Ministério Pastor João Antonio de Souza Fillho, pastor e escritor – http://www.pastorjoao.com.br/historia/breveensaio.htm
Publicado com autorização.