domingo, 29 de março de 2009

Pedro liderou cristãos mas nunca foi papa, dizem historiadores

Católicos do mundo todo vêem “São” Pedro como o protótipo dos papas, o homem que teria iniciado a sucessão ininterrupta de líderes da Igreja que chega até Francisco; mas seu papel real provavelmente foi bem mais modesto, afirmam historiadores. Embora seja possível que Pedro tenha vivido, pregado e morrido em Roma, ele não fundou um governo centralizado na igreja romana, o qual demorou séculos para emergir. Mais importante ainda, embora a igreja de Roma tenha conquistado uma posição de destaque entre as comunidades cristãs espalhadas pela bacia do Mediterrâneo, as outras igrejas não creditavam o prestígio romano ao "papado" de Pedro, mas ao fato de que tanto ele quanto seu companheiro Paulo haviam pregado a palavra de Jesus e morrido em Roma. 
É o que diz um texto escrito por volta do ano 180 pelo líder cristão Irineu de Lion. Segundo Irineu, a comunidade de Roma havia sido "fundada e organizada pelos dois gloriosos apóstolos, Pedro e Paulo". Em seu livro "Santos e Pecadores: História dos Papas", o historiador irlandês Eamon Duffy, da Universidade de Cambridge, resume: "Para Irineu, a competência da igreja de Roma provinha de sua fundação pelos dois apóstolos, Pedro e Paulo, e não só por Pedro".
Chegando mais tarde - Na verdade, a situação era ainda mais complicada do que Irineu imaginava. Tudo indica que a comunidade cristã de Roma foi fundada por um anônimo seguidor de Jesus, provavelmente um judeu da Palestina que se juntou às dezenas de milhares de membros da comunidade judaica da capital. Paulo, ao escrever para os cristãos de Roma por volta do ano 58, deixa uma longa lista de saudações muitos irmãos daquela comunidade, mas em nenhum momento menciona a presença de Pedro na cidade. Sabemos pelos Atos dos Apóstolos que Paulo acabou indo para Roma para ser julgado pelo imperador romano num processo. E outros textos do fim do século 1 e começo do século 2 dizem que tanto Paulo quanto Pedro foram mortos durante a perseguição ordenada por Nero entre os anos 64 e 67. A tradição sobre o martírio dos dois é relativamente próxima dos eventos, embora não registrada na Bíblia.
Pescador impetuoso - Para o padre e historiador americano John P. Meier, professor da Universidade Notre Dame e autor da monumental série "Um Judeu Marginal" (ainda não concluída) sobre a figura histórica de Jesus, o Novo Testamento traz informações importantes e confiáveis sobre Pedro. Inicialmente, ele era um pescador da Galiléia, casado, e aderiu aos discípulos junto com seu irmão André. O nome de seu pai era João ou Jonas, e seu nome original era Simão. Jesus lhe deu o apelido aramaico de Kepa (ou Kephas, conforme Paulo), "a pedra" ou "a rocha", depois traduzido como Petros, ou Pedro, em grego. Todos os evangelistas o apresentam como um dos principais apóstolos ou como o porta-voz deles, e também o retratam como generoso, extremamente apegado a Jesus, cabeça-dura (talvez uma relação irônica com seu apelido), indeciso e dado a súbitas mudanças de opinião.
Em suas cartas, Paulo relata um relacionamento tempestuoso com Pedro. Ao se converter à fé em Jesus, Paulo passou alguns anos sozinho até ir a Jerusalém e falar com Pedro e outros apóstolos. Depois, explicou a eles que os pagãos também poderiam ser convertidos, mas entrou em conflito com Pedro, chamando-o de hipócrita. É que Pedro foi visitar a comunidade cristã de Antioquia, na Síria, e inicialmente fazia suas refeições com os crentes gentios (não-judeus), coisa proibida pela lei judaica. No entanto, quando outros judeus cristãos apareceram na cidade, ele parou de fazê-lo, o que provocou a reprimenda de Paulo.
As chaves do Reino - Há indícios de que, antes de ir a Roma, Pedro passou por Antioquia e por Corinto, na Grécia. No entanto, o momento definidor de sua vida foi ainda durante a vida de Jesus. Segundo o Evangelho de Mateus, Pedro deu mostras da fé em seu mestre ao declarar: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". Jesus então respondeu: "Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. Darei a ti as chaves do Reino dos Céus". Essa é a inspiração para a representação católica de Pedro, sempre com chaves reais nas mãos, como na estátua que existe no Vaticano e que ilustra o título desta matéria. É óbvio que as "chaves" são um símbolo e não chaves literais. E sobre a “pedra fundamental” que Jesus aludiu, e o próprio Pedro confirma em sua primeira epístola (no cap. 2), é o próprio Jesus Cristo, e não o impetuoso apóstolo. O assunto das chaves e do “ligar e desligar” é bastante extenso; retornaremos a isto em breve, num artigo específico sobre o tema.
John P. Meier afirma que a "profissão de fé" de Pedro é um fato histórico, por estar registrada nas diversas fontes usadas pelos evangelistas para compor suas narrativas. Também não duvida do papel de liderança de Pedro na Igreja primitiva. Mais importante para a questão do "papado" de Pedro, escreve Eamon Duffy, é o fato de que Roma aparentemente não tinha um bispo único até por volta do ano 150, ou seja, quase um século após a morte do apóstolo. É bom lembrar que originalmente o papa, que era o bispo de Roma, recebia especial atenção de seus pares por governar a comunidade cristã onde se crê que haviam sido martirizados Pedro e Paulo. No entanto, vários documentos do começo do século 2, escritos para a comunidade de Roma e por membros dela, em nenhum momento fazem menção a um bispo, mas apenas aos "anciãos da igreja" ou "dirigentes da igreja". Para Duffy, a explicação mais provável é que a unificação do comando da igreja romana nas mãos de um só bispo veio mais tarde, por causa de uma série de pressões externas e internas, entre elas o surgimento de heresias que contrariavam os ensinamentos cristãos originais. Como forma de defesa, as igrejas teriam instituído a "monarquia" dos bispos.
Crucificado de cabeça para baixo? –
A tradição conta que, ao ser condenado à morte por crucificação, Pedro teria dito aos soldados que era indigno de morrer como seu mestre, e que portanto devia ser crucificado de cabeça para baixo, sendo atendido pelos verdugos. Isto é uma impossibilidade física, pois é impraticável que um corpo humano permaneça pendurado pelos pés pregados na madeira. Mas a suposta evidência que deu origem a mais este mito romanista está sobre um esqueleto guardado a sete chaves nos porões do Vaticano, de um homem do primeiro século, encontrado nas proximidades, sem os pés.  
Isto provaria, dizem, que após a morte do apóstolo, os soldados cortaram-lhe os pés para mais facilmente o desprenderem da cruz... Interessante é que os mesmos que se dispõem a dissecar a Bíblia em busca de inconsistências e assim depreciarem o seu valor como regra de fé e prática para o verdadeiro cristão, raramente se debruçam seriamente sobre essas lendas para nelas tentar encontrar pelo menos um pingo de verdade.
Teremos que aguardar historiadores sérios como este Duffy e este Meier surgirem, de tempos em tempos, para confirmar o que a Bíblia diz e descartar o que a “tradição” sem base tagarela?

sábado, 21 de março de 2009

Tu és Pedro!

A igreja católica ensina que o papa em Roma é o sucessor direto de “são” Pedro, que teria sido o primeiro sumo-pontífice cristão.
A base para esta afirmação é a fala de Jesus a Pedro relatada no evangelho de Mateus, cap. 16.
Mas, a "pedra angular" sobre a qual a Igreja foi instituída seria mesmo o apóstolo Pedro? 
Se lermos toda a passagem cuidadosamente, veremos que Jesus havia perguntado aos discípulos quem o povo dizia que Ele era (verso 13). À vista das variadas respostas, perguntou Jesus: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (verso 15, fazendo novamente a afirmação de que Ele é Deus, usando a mesma expressão com que o Pai se manifestara a Moisés, conf. Êxodo 3:14 e seguintes). O impetuoso Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”. Foi a essa declaração de fé, o primeiro credo da História, que Jesus se referiu no verso 18: “...sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. Ou seja, a igreja seria edificada sobre a declaração de que “Jesus é o Cristo, Filho de Deus vivo”. E não existe aqui problema de tradução, desculpa muito usada para justificar outras doutrinas como a virgindade perpétua de Maria (ao afirmar que os irmãos de Jesus citados em Marcos 6:3 seriam “primos”). Pois o vocábulo “pedra”, “rocha”, tem o mesmo significado tanto na língua falada por Jesus - aramaico - Kepha (“Cefas”), como no grego em que foram escritas as primeiras versões do Novo Testamento - petros.
Em sua primeira carta, é Pedro mesmo quem reconhece e afirma que Jesus é a pedra angular, a pedra que vive: “e quem nela crer não será confundido” (I Pedro 2:5-7). Paulo diz aos Efésios: “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos Santos e da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas,de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor” (Efésios 2:19-21). Todos os livros da Bíblia apontam claramente para Jesus, o Messias prometido. Ele é o Salvador, o cabeça da Igreja. Ele disse: “edificarei a minha igreja” (Mateus 16:18). Não há dúvida: a pedra angular é Jesus, e não Pedro! A pedra a que Jesus se referiu como sendo a pedra angular da Igreja não era o apóstolo, mas a firmação que este acabara de fazer: “Tu é o Cristo, o Filho do Deus Vivo”! Esta é a base da Igreja! Sobre esta afirmação se constitui o Corpo de Cristo! A igreja de Cristo nunca poderia ser edificada sobre um fundamento que não fosse o próprio Jesus Cristo, e muito menos sobre um homem, por mais santo que fosse, e por mais abençoado, ungido e cheio do Espírito Santo que fosse, como o próprio Pedro veio a ser posteriormente, e digno de nosso respeito e admiração.
A igreja católica romana afirma: “Que os papas sejam os legítimos sucessores de Pedro como bispos de Roma, é reconhecido tanto pelos ortodoxos cristãos do Oriente separados de Roma, quanto pelos Evangélicos conhecedores da história. Quanto aos ortodoxos cristãos do Oriente separados de Roma, é possível que aceitem”. Porém, quando se examina a Bíblia com isenção, não se pode reconhecer o papa como sucessor de Pedro. No entanto, é fácil reconhecer a idolatria, a qual o Senhor abomina (Êxodo 20:4-5), e com os acréscimos à Palavra de Deus, condenados seriamente (Apocalipse 22:18), como, por exemplo, a teoria do purgatório, que não existe na Bíblia, e veio a ser decretada em 1439.
É uma teologia equivocada na raiz, a repetição, ad infinitum, da passagem bíblica de Mateus 16:18. Talvez nenhum outro texto das Escrituras tenha sido usado tantas vezes para justificar interpretações tão simplórias. Dizer que Jesus se referia Pedro como sendo a pedra sobre a qual a igreja seria edificada só pode produzir tristeza, em face da tosca exegese. A bem da verdade, é um clássico exemplo de que “texto fora do contexto é um pretexto”.
A correta exegese da afirmação de Pedro nos ensina duas lições:
1 – a afirmação petrina, é o credo, a base da fé cristã através dos séculos: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”.
2 – a igreja seria edificada tendo como pedra principal, a rocha de esquina, o fundamento sintetizado nessa afirmação, ou seja, o próprio Cristo. DOA A QUEM DOER.
Há ainda diversas
outras considerações a fazer em relação ao apóstolo Pedro, que mostram claramente que o mesmo nunca foi papa, e que toda e qualquer afirmação nesse sentido é posterior, feita apenas com a finalidade de fortalecer o poder temporal, e nenhuma base escriturística possui; muito pelo contrário. Podemos ler nas Escrituras que Pedro era casado, como os papas proíbem; que os bispos igualmente devem ser casados; que Jesus disse que a ninguém chamássemos “pai” (Mateus 23:9); que Pedro não permitia que ninguém se ajoelhasse diante dele; e muitas outras passagens esclarecedoras, cujo significado foi obscurecido pela “tradição”, a qual veio confundir o entendimento de inúmeras gerações. Por exemplo, a própria presença de Pedro em Roma pode ser questionada, e com certeza ele não era o líder supremo da igreja naquela cidade. Mas isso já assunto para outro artigo.

domingo, 15 de março de 2009

Verdadeira igreja?

A igreja católica define a si mesma como “a verdadeira igreja”. Em 5 de setembro de 2000, João Paulo II, em sua encíclica "Dominus Iesus", determinou que a igreja católica é a única Igreja de Cristo, e que os cristãos do mundo inteiro devem estar em comunhão com ela, e que incorrem em grave erro os que não reconhecem sua autoridade.
Será que ele tinha razão? Se pararmos para pensar um pouco sobre isso, veremos que há quase 500 anos certas verdades bíblicas foram proclamadas claramente por um padre alemão, para quem quisesse ver e ouvir. Mas até hoje os católicos ainda não se debruçaram seriamente sobre elas, e nem apresentaram a refutação bíblica que justifique a sua rejeição.
Os quatro fundamentos principais das 95 Teses de Martinho Lutero, afixadas em 1517 na porta do Castelo de Wittenberg, onde eram pregados os avisos da Universidade Católica em que lecionava Teologia Bíblica, são estes:
I - Só pela Bíblia. Autoridade absoluta da Palavra de Deus. Não ao sincretismo - a incorporação de tradições, geralmente advindas de fontes pagãs, então aceitas pela igreja.
II - Só pela fé. “... sois salvos, por meio da fé...” (Efésios 2:8).
III - Só pela graça. “Porque pela graça sois salvos...” (Efésios 2:8). ...mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6.23); “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9). Obras não são condição para a salvação, mas sim reflexo daquele que é salvo e as pratica como fruto do amor.
IV - Só por Jesus. Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim (João 14:6). Aquele que crê no Filho tem a vida eterna... (João 3:36). “Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem”. (1 Timóteo 2:5).
O desejo de Lutero não era romper com a igreja, mas transformá-la e fazê-la voltar a esses princípios bíblicos. Porém basta uma pequena olhada nas páginas da História para notar que, de fato, a igreja católica é quem vem há muito tempo se distanciando da Palavra de Deus, com a introdução de práticas e doutrinas estranhas ao Evangelho, que se tornaram “dogmas” (ou seja, devem ser aceitos sem contestação, por mais absurdos que sejam). Veja algumas invenções – nenhuma delas respaldada pela Bíblia – que se incorporaram ao catolicismo com o passar do tempo:
- orações pelos mortos e entrega de oferendas nos cemitérios, por volta do ano 310 depois de Cristo;
- cerca do ano 313: começa o costume de procissões, copiado de religiões pagãs e de cerimônias bizantinas; introduz-se o batismo de recém-nascidos; imagens e esculturas nas igrejas se tornam comuns, a princípio como peças decorativas ou didáticas, e mais tarde objetos de culto em si mesmas;
- séculos III e IV depois de Cristo (entre os anos 200 e 400): o bispo da cidade de Roma começa a ser considerado o maioral entre todos, dando origem à instituição do papado;
- acender velas nos templos, por volta do ano 320;
- adoração de santos: bárbaros recém “cristianizados” transformam seus costumes pagãos de louvar antigos heróis em “culto a santos” cristãos, cerca do ano 375;
- a partir de 590, são introduzidos, aos poucos, a “veneração” de Maria; o “sacrifício da missa” (a cada cerimônia celebrada pelo sacerdote, o sacrifício de Jesus se repete); orações dirigidas aos “santos” se tornam comuns; começa-se a imaginar um purgatório como lugar intermediário entre o céu e o inferno, onde as almas vão sofrer e se purificar antes de entrar no paraíso.
- uso de água benta, no ano 840;
- canonização de santos, em 993;
- celibato imposto aos sacerdotes, em 1074;
- populariza-se a reza do terço, no ano 1090, copiada de práticas orientais;
- instituição dos “sete sacramentos” (atividades obrigatórias para ministrar uma graça especial às almas); no ano 1140 (batismo infantil, crisma ou confirmação, penitência, eucaristia/missa, matrimônio, ordenação aos sacerdócio, extrema-unção aos moribundos);
- venda de indulgências, no ano 1190;
- dogma da transubstanciação e o confessionário, em 1215 (a hóstia se transformaria misteriosamente no corpo real de Cristo).;
- a reza da Ave-Maria, em 1316;
- 1343: indulgências (os “santos” alcançaram tanto mérito na Terra que o excedente, guardado num tesouro no céu, poderia ser “sacado” pelo papa em favor dos vivos, mediante o pagamento em dinheiro, sem necessidade de arrependimento do penitente);
- o cálice da comunhão é só para o clero, no ano 1415;
- adotada oficialmente a doutrina dos sete sacramentos obrigatórios e a criação do purgatório, em 1439;
- 1476: as indulgências são estendidas aos que já morreram, originando as missas de 7º dia e similares;
- 1545/1563: os sete livros apócrifos são incluídos na Bíblia católica. De autoria incerta, contendo lendas e poesias da antiguidade judaica, são cheios de erros, repetições, acréscimos e cópias de trechos tradicionais, como 'Judite', que imita a história de Jael e Sísera, contada originalmente no livro de Juízes. Contêm ensinos espúrios que pretendem embasar doutrinas como a da intercessão pelos mortos, adoração aos anjos, o livramento das almas após a morte e o valor das boas obras para a salvação, dentre outras, sem falar no cunho humanista e filosófico de cores helenísticas. Com isso, a Bíblia deixou de ser considerada única regra de fé e prática (pois os graves erros históricos e geográficos contidos nos apócrifos desautorizam todo o conjunto), e assim a “tradição” ou interpretação dos “sábios” católicos passou a ser equivalente à Palavra de Deus em autoridade;
- a conceição imaculada da virgem Maria anunciada, em 1854 (Maria, para poder gerar a Jesus, também deveria ter sido gerada sem pecado);
- 1863: anuncia-se que fora da igreja católica não é possível haver salvação;
- infalibilidade do Papa, em 1870; o bispo de Roma não erra quando usa autoridade eclesiástica, (como quando obrigou Galileu a afirmar que o Sol girava em torno da Terra);
- 1891: Maria, a partir dessa data, foi promovida a co-redentora da humanidade e mediadora entre Cristo e os homens;
- a ascensão de Maria, no ano 1950 (por não ter pecado, Maria não teria conhecido a morte, mas teria sido levado por anjos – com a casa onde morava e tudo – e coroada “rainha dos céus”).
Então, sobre ser “a verdadeira igreja”, guiada por homens infalíveis, lemos na Bíblia: “...sempre seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso” (Romanos 3:4). Infalível, só Deus, o imutável Deus de amor e de justiça: o mesmo ontem, hoje, e eternamente (Salmo 90:2; Isaías 40:28; 41:4; 43:10-13; Hebreus 9:14; 13:8).
Cabe a cada um decidir se segue a Palavra de Deus, infalível e imutável, ou a tradição tosca de homens venais. O leitor verifique onde está a verdadeira Noiva do Cordeiro, Igreja Gloriosa, sem mácula nem ruga, mas santa e irrepreensível (de acordo com Efésios 5:27).

DOA A QUEM DOER.

Fontes: Earle Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, Ed. Vida Nova, 2ª ed., p. 208/209; Ankerberg & Weldon, Os Fatos Sobre o Catolicismo Romano, Obra Miss. Chamada da Meia Noite, 1ª ed., 1997, p. 22-23, 42, 58, 68. Fausto Rocha, artigo publicado na Revista Defesa da Fé. Publicado anteriormente no Boletim da Igreja Batista da Renascença, Belo Horizonte, maio de 1998.

sábado, 7 de março de 2009

Contradições papais

O catolicismo romano deseja que aceitemos, além do primado do “papa” sobre todos os cristãos, a infalibilidade papal. Na verdade, a Igreja Católica Romana só adotou essa doutrina a partir de 1870. Até então, nem ela própria cria na infalibilidade do “papa”. Como sustentar tal doutrina, se é sabido que os “papas” sempre divergiram muito entre si?
A História registra vários exemplos de contradições e disse-me-disse entre os “papas”:
- O arianismo foi condenado como heresia no ano 325, por ensinar que Jesus teve um início, não sendo portanto co-eterno com o Pai. Mas pouco depois o “papa” Libério (358) fez a profissão de fé ariana.
- O “papa” Inocêncio I, instigado por Agostinho de Hipona, condenou Pelágio como herege, mas seu sucessor Zózimo o absolveu; depois, pressionado politicamente, novamente o condenou (431).
- Leão I (440-461) declarou Maria pecadora: “...O Senhor, tomou da mãe a natureza, não a culpa”; no entanto, Pio IX declara em 1854 o dogma da Imaculada Concepção de Maria.
- Gregório I (578-590) chama de Anticristo a qualquer que tomar o nome de Bispo Universal.
- Adriano II (867-872) declarou válido o casamento civil, mas Pio VII (1800-1823) disse que só vale se for religioso.
- Estevão VI (896-897) trouxe seu antecessor, Formoso (891-896), a julgamento; como Formoso havia morrido 8 meses antes, o cadáver putrefato foi colocado na cadeira dos réus, vestido com uma luxuosa capa, coroado com uma tiara no crânio pelado, ganhou ricos anéis nos dedos descarnados, e então foi condenado. Arrastado pelas ruas de Roma, o descarnado pontífice foi por fim atirado ao rio Tibre.
- Pouco depois, João IX (898-900) recuperou o esqueleto do rio, fez com que recebesse de novo as honras eclesiásticas e anulou todas as acusações.
- Sérgio III (904-911) confirmou as acusações de Estevão VI a Formoso, e as estendeu aos bispos consagrados pelo condenado, excomungando um monte de gente e antecipando a Gestapo em dez séculos.
- João XXII tachou Francisco de Assis de falso em 1323. Isso mesmo, aquele que depois virou protetor dos passarinhos. Irmão Sol, Irmã Lua... etc.
- Em 1378, os bispos italianos elegeram Urbano VI “papa”,  mas os franceses escolheram Clemente VII. Ambos passaram então a se amaldiçoar mutuamente, até que um novo concílio passou o rodo e demitiu os dois, escolhendo um terceiro para o posto então vago.
- Por volta de 1420, os franciscanos foram queimados na fogueira pela Inquisição com consentimento do “papa”.
- Joana D’Arc era, formalmente, uma bruxa, prisioneira da Inquisição. Em 1431 foi queimada por heresia e feitiçaria sob Eugênio IV (1431-1447). Em 1920, Bento XV a canonizou.
- Os duelos foram autorizados por Eugênio III (1145-1153), mas Júlio II (1503-1513) e Pio IV (1559-1565) os proibiram.
- Sisto V (1585-1590) tinha uma versão da Bíblia que ele declarava ser autêntica; mas em 1592 Clemente VIII mandou fazer outra porque alegava que a de Sisto estava cheia de erros.
- Sob Urbano VIII (1623-1644) a Inquisição condenou Galileu, mas em 1992 João Paulo II (1978-2005) pediu desculpas pelo erro.
Conclusão – a afirmação do ex-padre Genésio “Leonardo” Boff de que “o papa é um desastrado” não constitui, para os verdadeiros cristãos, nenhuma novidade. Por se afastar cada vez mais da Bíblia é que os homens cometem erros cada vez mais grotescos. Cabe a cada um decidir que caminho seguir: se o da Palavra de Deus – perfeita e infalível – ou o da tradição dos homens, tosca, mutável, distorcida. No dia em que os “papas”, teólogos, cardeais e outros dignitários eclesiásticos se preocuparem mais com a Verdade da Palavra de Deus e menos com as questões de política e de poder, aí sim lhes daremos ouvidos.
DOA A QUEM DOER.