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sexta-feira, 23 de março de 2012

Arca da Aliança, levitas, shofar, tallith, kippah, menorah...

Por falar em elementos estranhos ao culto cristão, como danças e adoração “extravagante”, lembramos de outras “inovações” baseadas em “novas revelações” que vêm transformando os templos evangélicos em verdadeiros mausoléus do sincretismo religioso. Um exemplo é a Arca da Aliança. Como se não bastasse Indiana Jones tê-la redescoberto no filme de Steven Spielberg, agora resolveram trazê-la de volta para a igreja.
James Boice, em seu livro “O Evangelho da Graça”, dá uma bela explicação sobre a Arca e seu significado, uma figura de Cristo no Antigo Testamento: é como se Deus olhasse lá de cima para a Arca e, entre os querubins, visse a Lei que foi quebrada pela humanidade. Essa visão só traz condenação ao homem. Porém, uma vez por ano, no dia da expiação, era feito o sacrifício de um animal e o sangue era aspergido sobre o propiciatório. Aí, quando o Senhor olha para a Arca, Ele vê o sangue da vítima inocente que foi derramado. A propiciação fora feita e Deus salvaria todos aqueles que fossem a Ele pela fé naquele sacrifício. Isto tudo apontava para Jesus.
Por mais bela que seja essa descrição, esse tempo passou. O escritor de Hebreus afirma que tudo isso era figura e sombra das coisas celestes (Hebreus 8:5). Ele mostra nos capítulos 9 e 10 que Cristo cumpriu plenamente o que era figura, e agora temos o que é real. O apóstolo João corrobora este pensamento quando afirma que “ele é a propiciação pelos nossos pecados” (I João 2:2).
Mas os adeptos da onda judaizante ignoram tudo isso, e além de trazer a arca, já trouxeram de volta também o altar, e estão tocando nele toda hora.
Resgataram os levitas, embora a Bíblia seja claríssima ao dizer que levita é só quem descende da tribo de Levi, separado especialmente para o serviço no Tabernáculo e depois no Templo de Jerusalém. Duas instituições já extintas e superadas pelo Novo Pacto que Jesus assinou com Seu próprio sangue. No rasgar do véu ficou consignado o fim daquela dispensação e, portanto, não existe mais levita no culto cristão, doa a quem doer (leia mais sobre isso aqui).
A Nova Aliança, da qual fazemos parte, tornou o sacerdócio levítico caduco. O autor de Hebreus diz que o sacerdócio da ordem de Arão foi revogado. Diante da superioridade de um sacerdote que é eterno (Hebreus 7:24), mediador de uma Aliança  superior (8:6), ele conclui que o sistema anterior não podia ser aperfeiçoado (7:18,19). A Nova Aliança envelheceu a primeira (8:13). Assim, fazer referência a essa instituição – levitas – em cultos neo-testamentários é exaltar as sombras que passaram, que não aperfeiçoam (10:1) e são fundadas no que é terrestre e passageiro (8:2).
Também esqueceram de dizer aos “levitas” que eles têm que ser sustentados integralmente pelos dízimos dos fiéis enquanto estiverem “em serviço”. Você conhece algum “sacerdote” moderno que, ao recolher a dinheirama, reparte em 5 partes, fica com uma, dá outra para os “levitas”, e destina os outros 3/5 da arrecadação para as viúvas, órfãos e pobres? Conf. Números 18:24, 30; 31:30, 47; Neemias 10:37, 38; 12:47; 13:5; Ezequiel 48:12. Eu não conheço, se você conhece, me apresenta, por favor.
Ignoram que o faxineiro, o vigia, o jardineiro, o porteiro, a cozinheira, os professores, o cara do som, o zelador, o tesoureiro, os seguranças, todos eles também deviam ser chamados de levitas, e portanto, com direito ao dízimo arrecadado, sendo integralmente sustentados dessa forma, conf. I Crônicas 9:26, 31; 26:20; II Crônicas 23:4, 7; e 34:13. Pois os levitas não eram apenas cantores ou músicos! Mas nada disso parece interessar, e foram adiante ressuscitando o shofar também.
A palavra shofar aparece 72 vezes no Antigo Testamento. É interessante como parte da cultura judaica, da história de Israel. Mas não tem poder nenhum, nem mesmo se tocado por “ungidos”. Não tem parte no culto cristão, doa a quem doer. Não anuncia batalha, não expulsa demônio, não traz unção. 
Pode trazer emoção, mais nada. Senão Paulo teria escrito em Efésios 5:19, 20: “falando entre vós em salmos, hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração, sempre dando graças por tudo a Deus, o Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo e tocando shofar, e em Colossenses 3:16, “com salmos, hinos e cânticos espirituais acompanhado de um toque de shofar, louvando a Deus com gratidão em vossos corações”...
Nada contra o shofar; mas também, nada a favor! Se for em alguma música cujo arranjo comporte um toque de shofar, tudo bem; quem sabe, “Vem com Josué lutar em Jericó”? Se é que alguém ainda se lembra dessa... agora, ficar tocando esse negócio a toda hora, sem mais nem menos, sob pretexto de “batalha”, que “demônios fogem ao som dele”, ou que é símbolo de unção... aí já é demais. 
O louvor e a adoração comunitária, coletiva, não pedem nenhuma dessas coisas: levitas, shofar, danças, bandeiras de Israel, uma arca tosca, de papelão coberto com celofane... nada disso é necessário. Apenas mentes e corações contritos e devotados a oferecer ao Senhor gratidão, ações de graças, devoção sincera traduzida na adoração pura e simples, em espírito e em verdade!
Nem mesmo instrumentos são necessários: a Bíblia relata que Jesus e os apóstolos, na última noite, cantaram um hino (Mateus 26:30 e Marcos 14:26) – provavelmente a capella – e Paulo e Silas, no xilindró, sem nenhum instrumento cantavam hinos que impactaram os outros presos e o carcereiro (Atos 16:25).
(Ou então, “empaquitaram”, como dizem certos “obreiros”... aqui também... e aqui... mas, chega de tosqueira!)...
Voltando a falar sério, vemos com tristeza que ainda há muita gente presa à aparência, de coisas visíveis, e como se já não fosse demais tantos templos, ainda por cima reconstroem uma réplica do Templo de Jerusalém (chamando-o de Templo de Salomão quando na verdade é uma cópia do de Herodes!), contendo não apenas uma arca falsificada como também o próprio véu que Jesus já rompeu! Digo falsificada porque a original não podia ser tocada, como lemos em II Samuel 6:6-7. Essas de agora, qualquer Zé Ruela pega, carrega pra cá e pra lá, senta em cima... que palhaçada, ou é de verdade ou é de mentira! É que nem o óleo da unção, uma coisa sagrada que só podia ser manipulada pelos filhos de Aarão (Êxodo 30:31-38), e agora um Mané da esquina pega óleo de soja no mercado, diz que é ungido, abençoado, consagrado, e taca na cabeça das pessoas, no sabonete e na carteira do freguês, como garantia da bêncão! Tudo à sombra de um menorah de plástico vagabundo.
Para mim isto é mais do que heresia. Estão brincando com coisas sérias. Interessante é que alguns “líderes” adotaram o kippah e o tallith achando que são bíblicos (coitados, não descobriram que isso é um costume medieval e nada tem a ver com as Escrituras). Me admira que ainda não praticam a circuncisão, ainda não deixam a barba crescer, ainda não usam as costeletas enroladas, os chapéus de pele e as roupas pretas dos rabinos... melhor parar por aqui, imagina se eles gostam da idéia...
Quando a Igreja adota práticas e costumes que não lhe pertencem, está pecando. Não era isso o que acontecia entre os gálatas? Eles não estavam prestes a voltar aos rudimentos da lei, às ordenanças cerimoniais? Os judaizantes não os pressionavam para que se submetessem novamente àquilo que era sombra? Não foi esse o motivo de Paulo ter resistido a Pedro face a face? Eu até acho que é importante a Igreja conhecer as festas de Israel, pelo seu caráter profético, que aponta tanto para a primeira como para a segunda vinda de Jesus, mas daí a praticá-las... acho que não tem cabimento.
Os cristãos primitivos, mesmo sendo na maioria israelitas, não as praticavam como Igreja. Talvez – talvez, pois a Bíblia não relata nada nesse sentido, estou apenas especulando – participassem delas como festividade étnica, cultural, de caráter estritamente judaico enquanto manifestação própria de seu povo, se é que participavam – não sei. Mas tudo aquilo perdeu o sentido religioso para o cristão, pois Jesus deu à Igreja apenas um momento de celebração, que é a Ceia. Talvez por isso a Bíblia relate que Paulo fez “um voto” na cidade de Cencréia (Atos 18:18), apenas para externar aos judeus que ele não deixara de ser judeu. Paulo entendia plenamente que tais práticas já estavam superadas.
Ele foi categórico ao afirmar que, mesmo se um anjo do céu pregasse algo além do que os gálatas já haviam recebido, fosse considerado maldito (Gálatas 1:6-9). Por mais impressionantes e pirotécnicos que sejam os movimentos e “novas unções”, a Igreja de Cristo deve rejeitar toda e qualquer idéia que queira “roubar” a glória da cruz e a simplicidade do evangelho de Jesus Cristo. Roguemos a Deus que nos dê discernimento para julgar todas as coisas, à luz da Escritura.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Templo de Salomão ou de Herodes?

A Igreja precisa disto?
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Chama a atenção o absurdo dessa proposta: a construção do que a Igreja Universal chama de "Templo de Salomão", em São Paulo. Segundo informações do blog do líder da denominação, “bispo” Edir Macedo (http://bispomacedo.com.br/2010/07/15/projeto-do-templo-da-iurd/), o edifício é uma ‘mega-igreja’ para 10.000 pessoas, com 126 metros de comprimento e 104 metros de largura, mais do que um campo de futebol e do que o maior templo católico da cidade, a Catedral da Sé. A altura de 55 metros é quase o dobro do Cristo Redentor, no Rio. Para mais detalhes, veja no endereço do blog. Entretanto, alguns absurdos saltam aos olhos de quem tem olhos para enxergar.
Pedras de Israel – Diz o “bispo” que “Nós queremos que as pessoas tenham um lugar bonito par buscar a Deus e também a oportunidade de tocar nessas pedras e fazer orações nelas”.
A "arca da aliança" - colocada sobre o altar com o objetivo de proporcionar um efeito tridimensional, que, quando aberta, poderá ser observada totalmente em seu interior e também refletirá no batistério, criando a sensação, durante o batismo, de que a pessoa estará se batizando dentro da Arca.
Altar - ladeado por duas colunas chamadas Joaquim e Boaz (sic), com doze pedras representando as tribos de Israel.
Justificativas e explicações não faltam. Escolas bíblicas para 1,3 mil crianças, estúdios de tevê e rádio, auditórios, estacionamento para mais de mil carros, e ecologicamente correto, não é “apenas um templo”: Macedo aposta que o local se tornará um ponto turístico e cultural, que atrairá pessoas do mundo todo. Ou seja, todo investimento tem que ter retorno.
Veja mais uma vez o vídeo que mostra como ficará esse prédio:


Qualquer pessoa que já tenha lido a Bíblia algum dia sabe que Davi desejava erguer um templo, pois até sua época a Arca da Aliança era abrigada pelo Tabernáculo, uma estrutura móvel que podia ser transportada para praticamente qualquer lugar. Caberia uma reflexão? Será que o desejo de Deus não seria, talvez, mostrar a Seu povo que Ele não poderia estar restrito a um lugar físico? Os teólogos que nos respondam. O fato concreto é que Deus não permitiu que Davi realizasse essa obra, mas sim Salomão. Lemos em II Crônicas a descrição do edifício. E aí começamos a perceber que esse prédio da IURD não é, como se afirma, uma réplica do templo “de Salomão”; ele é, na verdade, cópia do templo “de Herodes”, mandado construir pelo sanguinário governante dos tempos de Jesus, 800 anos depois do “de Salomão”, e completamente diferente do primeiro.

Uma pesquisa relativamente simples nos mostrará que o projeto não tem nada a ver com o templo “de Salomão”. Falta de informação? Ou divulgação deliberadamente equivocada? “Templo de Salomão” soa bem melhor do que “Templo de Herodes”, convenhamos.
O autor do projeto da IURD é o arquiteto Rogério Silva de Araújo, que, segundo se veiculou, acredita ter seguido à risca as instruções divinas para a construção do Templo. Pura falácia. Segundo a Wikipédia, o templo [de Salomão] tinha uma planta muito similar à tenda ou tabernáculo que anteriormente servia de centro da adoração ao Deus de Israel. A diferença residia nas dimensões internas do Santo Lugar e do Santo dos Santos ou Santíssimo Lugar, sendo maiores do que as do Tabernáculo. O Santo tinha 60 côvados (27 m) de comprimento, 20 côvados (8,9 m) de largura e, evidentemente, 30 côvados (13,4 m) de altura. (I Reis 6:2) O Santo dos Santos, ou Santíssimo, era um cubo de 20 côvados de lado. (I Reis 6:20; II Crônicas 3:8)(http://pt.wikipedia.org/wiki/Templo_de_Salomão). Assim, vemos que o tamanho exagerado do novo prédio já configura um desejo de se sobrepor a outras edificações. Em outras palavras, o sujeito não "seguiu à risca" as determinações bíblicas, mas fez um projeot muito, mas muito maior. Ele acha que o projeto de Deus era pequeno demais, tímido demais, mixuruca demais. O dele é maior, mais glorioso, mais moderno. Coisa do Homem. Carne. Sistema "mundo", kosmos.
Minha modesta opinião é de que não necessitamos de templos, pois nesta dispensação o templo de Deus é o nosso corpo, onde habita o Espírito Santo, cf. I Coríntios 6:19. Deus não habita em templos humanos, como lemos em Atos 7:48-54: mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual o lugar do meu repouso? Não fez, porventura, a minha mão todas estas coisas? Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; como o fizeram os vossos pais, assim também vós… Ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes...
Infelizmente, parece que exigir esse entendimento hoje em dia já é um pouco demais… não se sabe diferenciar nem o Velho Testamento do Novo! A IURD, por exemplo, vem há anos apresentando um "evangelho" baseado em fórmulas, amuletos, objetos, copos de água, vale do sal, jogar pedras em gigantes, enfim, repleto de inovações estranhas ao Evangelho genuíno. Outras "igrejas", embora rejeitem parte desse misticismo, misturam elementos do culto judaico, que não mais se aplicam à presente dispensação. Vemos hoje reuniões com levitas, sacerdotes, dízimos, ofertas “alçadas”, “de primícias”, toque de shofar, unção com óleo de diversas procedências e finalidades, até mesmo para “ungir pastores” (a Bíblia ensina que pastor se consagra com imposição de mãos e não com unção com óleo – esta é apenas para enfermos); de modo que até patriarca já tem na igreja evangélica.
Experimentemos tirar todas essas coisas da IURD e outras "igrejas", para ver quem fica e quem sai. Quem desiste da caminhada. Seria ou não um culto com base em elementos externos, sensoriais? Pedras de Israel, Arca da Aliança, e até mesmo o véu que Jesus rasgou! A cristandade como um todo vive hoje no estado de Laodicéia, a última carta de Apocalipse. Rica e abastada – mas o Senhor está à porta, do lado de fora.
Quem tem o Espírito de Deus possui também a mente de Cristo, e com ela o entendimento para diferenciar o Velho do Novo Testamento. No Evangelho cristão não há espaço para templos, dízimos, levitas, sacerdotes, rosa ungida, vale do sal, copo de água benta, vuvuzela de Josué; não há mais a arca nem véu! Nunca houve correntes de sete semanas, peregrinações a Israel, queima de papéis no monte, banho de sete águas, toque de shofar. Não vemos nenhum desses ensinos nos Evangelhos, nas cartas dos Apóstolos (os verdadeiros, não os modernos). É tudo invenção humana! O Evangelho da Nova Aliança não combina com essas coisas. Isso tudo ou é herança do judaísmo ou da umbanda. Evangelho estranho, ou seja: heresia. Voltemos ao Evangelho, mas ao Evangelho puro, sem mistura, sem inovações humanas.
Esse “templo” da IURD nem mesmo é uma igreja: é um ponto turístico, uma atração urbana, uma curiosidade; portanto, um empreendimento comercial, e com isso o cristão não pode concordar. A megalomania tem que ter limites: um dia é superar a Rede Globo, depois a Catedral da Sé ou o Cristo Redentor... chega!
Precisamos de uma nova reforma, que venha abolir todas essas baboseiras. Foi contra essas coisas que homens como Lutero, Calvino, Melanchton, Huss, Wycliffe e muitos outros deram a vida. Homens dos quais, infelizmente, pouco se fala hoje em dia.
Gálatas 1:6 –
Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho.
Colossenses 2:8 –
Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo.

PS.: as colunas do templo de Salomão se chamavam “Jaquim e Boaz”, e não “Joaquim e Boaz” (II Crônicas 3:17). Mas... exigir esse entendimento hoje em dia já é um pouco demais…

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quarta-feira, 10 de março de 2010

Socorro, eles voltaram!


Como tirados de folhas amareladas pelo tempo, eles ressurgem... São os “levitas”, os “grandes” homens e mulheres que “ministram o louvor”. Um pouquinho só de conhecimento bíblico já nos faz ver que por trás disso tudo há um grande equívoco.
Quem se diz levita não sabe o que está dizendo. Pode ser que o desejo de ser levita surja de uma vontade de possuir títulos, o que é bem comum em nosso meio. Apóstolos, Bispas e Bispos, que assim se auto-denominam, são comuns, assim como quem busca no Velho Testamento coisas que já foram abolidas há pelo menos 2.000 anos. As pessoas precisam disso; afinal, ser levita é ser especial, ser diferente da massa que assiste ao culto (isso mesmo: as pessoas não participam, assistem ao culto). Ser levita é ser parte do grupo seleto, pessoas que surgiram lá no Antigo Testamento, ficaram omissos por 2.000 anos e agora ressurgem assustadoramente.
Primeiramente, perguntamos: na igreja de Jesus tem levita? Paulo ensina que não há “nem grego nem judeu”; quanto mais levita, que, como se sabe, é um descendente de Israel, a tribo que Deus consagrou para Seu serviço.
Ocorre que no culto cristão não há esse ministério especial, pelo menos não há registro dele nas cartas de Paulo, nem na História da Igreja Primitiva. Pelo contrário, a carta aos Hebreus é explícita ao dizer que o ministério levítico acabou quando Jesus, na Sua morte, rasgou o véu do Templo...
Segundamente, se alguém insiste em ser chamado por este “título”, que fique claro que deve cumprir os rituais concernentes a tal posição, qual sejam: ser mesmo judeu, descendente de Levi; ser circuncidado; não tocar em coisas impuras, incluindo mulher menstruada, animais mortos e alimentos não permitidos pela Lei Mosaica; não fazer nenhum trabalho no sábado; não cortar o cabelo de forma arredondada; não danificar a ponta da barba; não misturar na sua roupa forro de lã e de linho; e mais uns seiscentos mandamentos, mais ou menos. Feito isso, tudo bem, é levita.
Para gente assim, sugiro uma leitura rápida (nem precisa ser muito profunda) do livro de Hebreus. Se restar alguma dúvida, leia novamente... mas se ainda tiver alguma dúvida, que procure a Sinagoga mais próxima.
Depois ficam indignados e dizem que não tem nada a ver com o judaísmo. Mas então por que os nomes desses conjuntos são sempre tirados do Velho Testamento? “Trazendo a Arca” (de onde para onde?), “Toque no Altar” (esqueceram de avisar pra eles que na igreja não tem altar, só no Templo de Jerusalém), “Aliança do Tabernáculo” (ai, ai), “Exodus”, “Elias & Enock”, etc. Uma exceção talvez seja “Amigos do Noivo”. Quer dizer então que eles não fazem parte da Noiva? Ou então, são apaixonados, coisa que o NT não recomenda, pois a paixão é da carne e passageira...
Esse movimento de levitas é um caso clássico. Pessoas que mal chegam a estar na frente da igreja dirigindo cânticos, e já se sentem “levitas”.
Nosso meio musical passa por momentos terríveis. É uma enxurrada de coisas de baixa qualidade (que alguns insistem em chamar de música), tanto nas rádios que se dizem evangélicas, como nas igrejas idem. Há cânticos que não dizem absolutamente nada. Cantamos porque o ritmo é gostoso, às vezes agitado, às vezes meloso, mas não dizem nada! A coisa é séria.
Que pena não se ouvir mais Vencedores Por Cristo, Logos, Sergio Pimenta, João Alexandre, Jorge Camargo, Guilherme Kerr etc. Gente comprometida não só com a qualidade da melodia, mas também com letras sadias, bíblicas, que nos fazem bem. Engraçado é que nenhum deles quer o título de “levitas”. Não precisam! São sérios, comprometidos... não vivem atrás de títulos, nomes, caras e bocas.
Danilo Fernandes, do blog Genizah (http://www.genizahvirtual.com/2009/09/carreira-muicai-ministerios-de-louvor-e.html), diz o seguinte a respeito dos modernos levitas profissionais:
“Os artistas cristãos são profissionais com carreiras. Carreiras, não ministérios... se o artista quer ser ministro de louvor e quer ter um ministério, não pode cobrar para cantar em púlpitos e, principalmente, deve se comportar como tal, se preparar e se dedicar com temor e tremor à Obra do Senhor. Seu comportamento como ministros será observado, como se faz e se exige dos obreiros na casa do Senhor. Sua vida deve ser reta e exemplo para os irmãos. As letras de suas músicas devem ser bíblicas, escrutinadas pela Igreja. O que não dá é querer agir como artista de carreira quando se trata de dinheiro e vida pessoal, pregar sem estar preparado, usar o palco como púlpito ou plataforma política, desfilando doutrinas vazias, abusando dos atos proféticos, das jam sessions com o “espirito” (sabe-se lá de quem), usando um falso ministério como escudo ungido e selado. Fuja deste! Quem faz assim não é ministro de outro senão de Baal. É prostituto cultual. Este quer enganar. Explorar a fé alheia”.
Hoje, muitas igrejas não têm ministros de louvor, têm animadores. “Levante as mãos”, “feche seus olhos”, “diga para o irmão que está ao seu lado”, “faça isso”, “faça aquilo”... e lá ficam eles, levitas, mandando e desmandando no auditório, achando que isso é ministrar o louvor. Lembram um antigo comercial em que o animador falava: “agora, só os homens... agora, só as mulheres... agora, só os baixinhos”...
O louvor, ainda que manifestação coletiva na reunião dos salvos, é algo pessoal. Cada um tem seu jeito, seu “estilo”; mas nós queremos a uniformidade de gestos, atos e palavras, verdadeiros robôs levíticos, porque na verdade desconhecemos a profundidade do louvor e da sua força naquele que louva, seja de que jeito for. Ora, às vezes é bom um louvor mais “carismático”, às vezes um mais tranqüilo, e ainda que o cântico seja agitado, nem sempre a pessoa quer bater palmas, ou levantar as mãos. Isso é de cada um, e não devemos julgar quem levanta ou não as mãos, porque isso não foi, não é, e nunca será, parâmetro de espiritualidade.
Falta percepção maior do que realmente estão fazendo. Se você não levantar as mãos, o irmãozinho do lado já faz cara feia: “Esse deve estar em pecado”. O “levita” despeja umas gracinhas: “tem gente que não levanta a mão... tá cansado... tá derrotado...” . Isso nos rouba a individualidade e a comunhão pessoal desse momento do culto, o momento em que nos rendemos inteiramente na presença de Deus.
E ainda há os que pedem uma “resposta” da “platéia”. O “levita” puxa a música: “Quem tá feliz diga amém!!” e a platéia grita “Améééém!” ...e o indivíduo que perdeu seu emprego, descobriu uma doença, viu ruir seu casamento, descobriu que seu melhor amigo lhe traiu, enfim por qualquer motivo que nos faça tristes (afinal ainda somos humanos!) se vê num dilema terrível: ou ele grita “amééém!” e mente diante daquele a quem se deve adorar não só em espírito, mas em verdade, ou não grita nada e sai de lá com dois problemas, o que ele já trazia de casa e a sensação de que é o único que não está “ligado” com o Senhor. Como se esquecêssemos que o próprio Mestre chegou a declarar em um momento que sua alma estava “angustiada até a morte”, e garanto que nesse momento ele (Jesus) não responderia “amééém!” aos convites irresponsáveis dos “levitas” de hoje.
O louvor deve ser visto com mais cuidado pelos líderes. Nossas igrejas caminham por mares perigosos na área musical: heresias e desvios bíblicos, sutilmente, vão se alastrando, e quando percebemos é tarde demais, pois a cultura já está enraizada. E a cada dia novas aberrações surgem, como podemos perceber.
Em algumas reuniões o momento máximo é quando se toca o shophar, instrumento feito com um chifre de carneiro, que segundo os seus “usuários” tem poderes nas regiões celestiais. Qual o problema de se tocar um instrumento judaico em nossos cultos? Nenhum. Desde que seja apenas mais um instrumento, que sirva para harmonizar ou então enriquecer a música que se canta em apresentação ao nosso Grande Deus. É aqui que surge o problema. O shophar não é apenas um instrumento, ele é O instrumento. Desenvolveu-se uma "teologia" para o uso do shophar: um instrumento espiritual que anula o poder do demônio; para alguns, é a própria voz de Deus na terra. Qualquer evento tem que ter shophar, senão não é abençoado, não está na "unção". O shophar virou a "galinha dos ovos de ouro" dos levitas. Todos querem tocá-lo, todos querem seu poder e unção.
"Grandes nomes" estão difundindo a cultura do shophar; já se escreveu por aí que o shophar faz os poderes celestiais tremerem; Mike Shea, o “apóstolo do louvor”, tem tocado o shophar em vários eventos. Em um CD, o shophar foi tocado por um "espírito" que uns dizem ser de Deus: o som “divino” do shophar "apareceu" na gravação, o que mereceu, nas notas técnicas a seguinte informação dos instrumentistas: "Shophar - ?".
Isso está acontecendo em nosso meio. O toque do shophar é um toque bonito. Nada contra. Mas que seja apenas mais um instrumento como o violão, o teclado, a bateria, a castanhola, o clavicórdio, o xilofone ou a marimba, pois o que faz a diferença não é o instrumento, mas quem o toca. Com consagração, vida cristã no altar, coração aquecido, até tocar "caixinha de fósforo" chegará ao céu como cheiro suave, oferta viva ao que é digno de receber o melhor.
Louvai ao Senhor com todos os instrumentos! Principalmente, com santidade de vida, sacrifício vivo, santo e agradável a Deus - nosso culto racional!


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