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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Contradições da Bíblia? 8

Uma lição em Levítico 11

Dúvida ou questionamento:
- Em Levítico 11, a lebre é tida como ruminante, o morcego como uma ave e menciona-se insetos alados com 4 pés.
Quando meu filho era bem pequeno, inventei uma brincadeira: eu dizia um nome de bicho bem estranho e ele tinha que adivinhar o que era. Assim, ele disse que gavial era um falcão, mutuca era uma vaca, mutum um tipo de pernilongo; geco seria uma espécie de pato, de burro ou um “jacarezinho”. Alguns animais tinham até detalhes: equidna era uma “galinha com espinhos”, manjuba um “macaco amarelo” e o carcará, um “cachorro magrelo do cerrado”. Outros ele nunca nem arriscou: taruíra, catita, társio, guariba... tinha mais, mas esqueci agora.
A questão em Levítico 11, sobre a proibição de se comer certos animais classificados como impuros, me lembra essa brincadeira de adivinhação. Já começo dizendo que a Bíblia não é um compêndio de Biologia, e talvez por isso o morcego, como “criatura alada”, pudesse ser facilmente incluído no “grupo das aves”. Eu faço caminhadas no fim da tarde, e costumo passar perto de parques bastante arborizados, bem na hora em que os morcegos saem. Quando passa um deles num vôo rasante perto de mim, quase não dá para saber se é um morcego ou uma coruja, que também tem muita por aqui. Não é difícil para ninguém dizer que o morcego é uma “criatura alada”.
O que classifica um animal como ave? Uma definição rápida de “aves” diz: “uma classe de animais vertebrados, bípedes, endotérmicos, ovíparos, caracterizados principalmente por possuírem penas, apêndices locomotores anteriores modificados [sic] em asas, bico córneo e ossos pneumáticos... Enquanto a maioria das aves se caracteriza pelo vôo... outras espécies perderam essa habilidade” (fonte). Ter asas, voar? O pinguim também tem “asas”, mas não voa; já o morcego, tem asas e voa. Botar ovo? O ornitorrinco bota ovo, tem bico e até pé de pato, mas não é ave. Ter penas... hummm... avestruz tem penas, bico, bota ovo, mas não voa. Já o kiwi tem bico e bota ovo, mas não tem penas (tem pelos), nem asas, nem voa... Ou seja, algumas características valem, outras não. Umas voam, outras não. Penas e asas, uns têm, outros não. Ter bico e botar ovo OK, mas outros animais também botam ovos, têm bicos e até asas; voam, mas não são aves. Alguns têm mais características de aves do que certas aves, mas não são aves. Problemão, hein? Olha só o rolo.
Se o texto de Levítico fosse escrito hoje, e o povo de Israel conhecesse um número maior de espécies animais do que naquela época, provavelmente o panda seria contado junto com os ursos, embora a ciência “moderna” diga que são completamente (?) diferentes, assim como a raposa é diferente do lobo, e esses dois do cão doméstico. Para mim são bastante similares, e para dizer a verdade, consigo ver nesses animais mais semelhanças entre si do que aquelas que alguns enxergam entre o Homem e o chimpanzé, que dizem ser 99% parecidos... Eu acho que não chega nem a 50%. Semelhança de 99% é entre a raposa e o lobo; ou o urso e o panda. E aliás, cá pra nós... Se o pingüim, que pouco tem a ver com uma “ave normal”, é assim classificado, o que é que tem incluir o morcego, “criatura alada”, junto com outros “animais voadores”?
A propósito, a palavra “ave” em hebraico é עוֹף (“owph” ou “ôph”) e se refere a: (a) animal que tem asas – no sentido de “alado”, “voador”; ou (b) que tem penas. No sentido exato do termo hebraico, o kiwi, cabeludo, sem pena e sem asa, seria “alado” ou “voador”? Por esse critério o morcego é mais “alado” e “voador” do que pinguim, kiwi e avestruz juntos. Isso é motivo para dizer que a Bíblia é uma fraude? Se tivesse pingüim em Israel, entraria no grupo das aves ou das criaturas marinhas? 3.500 anos atrás alguém diria que aquelas “barbatanas”, que só servem para nadar e são inúteis para o vôo, seriam “asas”? Duvido, mas se Moisés escrevesse que o pinguim era ave, os ateus estariam descendo a lenha nele há séculos, do mesmo jeito (pelo menos até alguém decidir que pinguim é mesmo “ave”). Eu tenho vontade de rir quando alguém diz que pinguim é ave, mas... fazer o que? E o golfinho, entraria como mamífero ou “criatura marinha”? Isso não importa, porque não interessava fazer uma enciclopédia. Interessava  dizer que alguns animais eram puros (e podiam ser comidos), e outros impuros (e não podiam ser comidos). Esse é o ensinamento que a Lei quer nos passar, e não que essa espécie possui exoesqueleto queratinoso, que essa outra é artrópode e aquela outra é tunicada, se tal bicho é eucariota ou procariota. Não é um compêndio de Zoologia. Apesar de Adão ter sido o primeiro taxonomista conhecido (Gênesis 2:20).
A lebre é a mesma coisa. Em hebraico, a palavra arnebeth ou shaphan serve para “lebre” e “coelho” (caso semelhante a Beemote e Leviatã, às vezes traduzidos como hipopótamo e crocodilo). Mesmo no século XVIII, o poeta inglês William Cowper, que observara longamente seus coelhos, comentou que eles “ruminavam o dia todo até a noitinha”. Linnaeus (Lineu, pai da moderna taxonomia), na mesma época, também cria que coelhos ruminavam. Ficavam mexendo a boca igual a um camelo! Mas depois descobriram que a lebre faz um processo chamado “reflexão”, em que certos vegetais indigestos são engolidos e depois “re-mastigados” (termos leigos), para que o animal possa digeri-los com maior facilidade, sendo muito semelhante à ruminação (ah, e também descobriram - depois - que o coelho, a lebre, o tapiti etc., eram monogástricos e não poligástricos como o camelo, o boi etc. Brilhante essa!). Assim, a frase hebraica “porque rumina” tanto pode ser a ruminação como a reflexão. O povo não conhecia os aspectos técnicos da ruminação, e poderia então considerar o arganaz e a lebre como puros. Como o judeu ia saber se o coelho era monogástrico ou poligástrico, se ele nem tocava no coelho? Por isso, foi necessário explicar que, mesmo parecendo ruminar, esses animais eram imundos por não terem as unhas fendidas. O importante era não confundir: é lebre ou coelho, então não coma. Me ajuda aí, né?
Moisés nunca trabalhou em zoológico (nem Noé), e não pretendeu informar a anatomia ou o DNA de cada bicho que havia. Ver Gênesis 7:2 – animais limpos e impuros, répteis, aves – e só. Mesmo hoje, com todo o avanço científico, fósseis de muitos dinossauros e “homens das cavernas”, tidos como autênticos, se mostraram fraudes burlescas; portanto, é justo criticar Moisés, que não era biólogo? O ornitorrinco, quando foi descoberto e levado à Inglaterra há 200 anos, muitos acharam que era uma fraude, um animal que não existia de verdade. Demoraram a achar um lugar para ele, e acabaram criando uma gaveta à parte, pois aquilo não combinava com nada.
O que diria Moisés sobre o ornitorrinco ou o kiwi? Muito provavelmente nós, criaturas modernas e científicas, acharíamos defeito na classificação mosaica, seja lá qual fosse... E nem falamos nesses bichos aqui...
Eu descobri recentemente que Aristóteles também classificava os animais segundo o seu habitat (aquáticos, terrestres e voadores). Sempre pensei que ele era um cara genial, mas parece que me enganei. Ele disse que a baleia era um “animal aquático” e o morcego uma ave. Então, se usarmos os mesmos critérios que se aplicam à Bíblia, concluiremos que: a) Aristóteles era um ignorante; b) não foi quem dizia ser; c) seus escritos foram alterados/editados por seus discípulos ao longo dos séculos; d) ou então ele não existiu, é uma invenção de filósofos carentes de sentido para suas vidas insignificantes e mesquinhas...
A taxonomia moderna não existia no tempo de Moisés. E desde Lineu e Buffon a coisa já mudou muito. Se daqui a 200 anos resolverem alterar os atuais critérios, e cismarem que o gafanhoto não é mais inseto, vão dizer que Bíblia está errada? Ou a Zoologia é que errou? A classificação científica é baseada em critérios humanos, e por isso, a cada nova descoberta, muda tudo (ou quase). Por exemplo, você sabia que o morcego e o cavalo agora são mais semelhantes entre si do que o cavalo e a vaca? Mais do que um gato e um cachorro. Pensava-se que os morcegos eram primatas, mas não, eles agora estão no mesmo grupo dos cavalos, baleias e toupeiras (link). Segundo este outro site, o kiwi era mamífero até recentemente... e não posso deixar de perguntar se o equidna é mais próximo do tamanduá ou do porco-espinho (dica: equidna é prototério, monotrema, mamífero... mas bota ovo!).
Como sempre tem evolucionistas de olho, poderiam até acrescentar algo ao debate. Desde que não seja um comentário enciclopédico... Os caras parece que não sabem resumir. Aliás, teve um aqui que não gostou de saber que a teoria da evolução perverte as leis da ciência, e escreveu dois artigos quilométricos em seu blog tosco. Achei estranho, pois expus minha opinião em quatro ou cinco parágrafos, e fui bem claro... já o cara gastou uns 50 parágrafos, e no final você percebe a verborragia técnica que não leva a nenhuma conclusão. É, amigo, haja coração... eu fui lá e li tudinho! Obs.: não é o Léo, que explicou muito bem o seu ponto de vista. É um outro cara.
Onde eu estava mesmo? Ah, sim. Deus criou “cardumes de seres viventes... monstros marinhos, e todos os seres viventes que se arrastavam... e toda ave que voa, segundo a sua espécie” (Gênesis 1:20-21). Será que então o pinguim, a avestruz e o kiwi - aves que não voam - não foram criados por Deus? Ele esqueceu de listar essas ou ave que não voa foi trazida de outro planeta por alienígenas?
Tenha santa paciência. O que seriam “monstros marinhos”? Godzilla? Mothra? O Kraken? Ou apenas baleias, lulas gigantes, cachalotes? Imaginar outro significado para “monstros marinhos” é viajar na maionese (só para ilustrar como a terminologia pode mudar com o tempo).
Aliás, por falar em monstros, ainda não entendi como o ovo do tiranossauro não quebrava, caindo de um metro de altura ou mais... ninguém ainda me mostrou uma “tiranossaura” agachada. Aliás, nem consigo imaginar como os tiranossauros acasalavam, aquela cauda grossona devia atrapalhar pra caramba... o triceratops idem... pense... mas nisso as pessoas acreditam sem pestanejar. E a bem da verdade, o triceratops parece mais com o mamífero rinoceronte do que com o réptil jacaré. Seria o mesmo caso do morcego e do cavalo? São parentes mas ninguém descobriu isso... ainda? E o canguru, tirando a pochete, não parece um tiranossauro? Será que vão descobrir isso um dia? Mas sobre dinossauros falaremos mais em outra ocasião.
Insetos alados? Eu já vi muitos e matei um monte a chinelada. Também já vi programas na TV dizendo que aranhas e escorpiões são insetos, e ninguém reclamou. Mas interessante é que o texto de Levítico diz claramente: “de todos os insetos alados que andam sobre quatro pés: os que têm pernas sobre os seus pés, para saltar com elas sobre a terra; isto é, deles podereis comer os seguintes: o gafanhoto segundo a sua espécie...” (etc.). Ora, se observar um gafanhoto, verá que ele tem quatro patinhas, como “pezinhos” com que se apóia e “anda”, e duas outras grandonas, com as quais salta! E o louva-a-deus: quatro “pés” apoiados e duas “mãos” com que agarra a presa... a descrição é correta, do ponto de vista de um “não-biólogo”.
Agora, confesso que nunca vi “solhão”, “hargol” e “hagabe”, outros bichos descritos no Levítico. Nem tenho a menor idéia do que seja “quebrantosso”, “xofrango”, “querogrilo” e “porfirião”, todos citados no capítulo 11 (imagino que “xofrango” seja algo parecido com um frango, sei lá). Se alguém souber, pode me informar que eu agradeço e dou o crédito. Mas não vale olhar na Wikipedia. E como não sou judeu, talvez eu peça um desses assado em algum restaurante por aí, já que o leitão e a lebre eu já experimentei (gafanhoto ainda não, obrigado). Não consigo parar de pensar no equidna, na tiranossaura e na brincadeira de anos atrás...
Isso tudo, para mim, é procurar um conjunto de papilas dérmicas cimentadas que formam um filamento queratinizado em forma de protuberância, na caixa craniana dos mamíferos hipomorfos, cordados, da ordem dos ungulados perissodáctilos, da família Equidae, gênero Equus e espécie ferus, subespécie caballus.
Mas sabe qual é a lição que tiramos aqui? O que tudo isso tem de relevante para nós, hoje, nós que não somos judeus ortodoxos, cristãos do século XXI que não estão debaixo da Lei Mosaica? Já que o sentido direto do texto não se aplica a nós, aí sim buscamos outro significado, aplicando um pouco da interpretação alegórica ou simbólica, como vimos aqui. E é este: os animais puros e impuros são exemplos para nós! Devemos ser como os animais puros, os que ruminam e possuem casco fendido. O ruminar significa que o nosso alimento (espiritual), a Palavra de Deus (cf. Deuteronômio 8:3, Lucas 4:4 e Mateus 4:4) deve ser não apenas engolido rapidamente, mas ruminadodigerido” lentamente. Isto é, precisamos meditar na Palavra para poder extrair dela tudo que ela tem para nós, até a última fibra. E o casco fendido significa que precisamos deixar nossas pegadas bem claras e discerníveis por onde andarmos. Onde passamos deve ficar uma marca para os vêm depois, uma trilha, um caminho, um testemunho de vida.
De nada adianta uma coisa sem a outra: não vale nada o nosso testemunho se não estamos ruminando a Palavra - casco fendido, mas não rumina, é abominação, impureza. E também, se ruminamos, meditamos, absorvemos a Palavra, mas não damos testemunho de Cristo, somos como um animal impuro: ruminamos, mas não deixamos nossa marca no mundo.  Não valemos nada.
Esta é a lição de Levítico capítulo 11 para cada um de nós.  
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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Roupa nova para velhas heresias (2)

Os ebionitas
Nós já vimos antes que desconhecer a História é correr o risco de repetir os mesmos velhos erros. Vimos rapidamente como Hitler deu um grande passo rumo à derrota na Segunda Guerra Mundial, ao tentar conquistar a Rússia e ser pego pela vastidão do território e pelas agruras do inverno russo, assim como Napoleão mais de um século antes.
Vimos também como velhas heresias e “moveres” se recobrem de roupas novas, a fim de enganar os incautos e os que insistem em permanecer na limitação de conhecimento e de discernimento. Assim que vimos como o montanismo começou com boas intenções, mas errou ao considerar a inspiração interior e as manifestações sobrenaturais mais importantes que a própria Palavra, caindo no fanatismo e por isso, no descrédito. O que acaba contribuindo, infalivelmente, por desacreditar a Bíblia e suas promessas perante o mundo incrédulo.
E da mesma forma, isto é, olhando para trás, podemos ver outros ensinos que um dia cresceram dentro da Igreja e acabaram por criar vários problemas, ao misturar a Palavra de Deus com interpretações tendenciosas de homens equivocados.
O movimento chamado “ebionismo” foi um desses, cujos ecos ainda podemos ouvir depois de 20 séculos. O ebionismo (do hebraico, evyonim, “pobres”) pregava que Jesus de Nazaré não teria vindo abolir a Torah como prega a doutrina paulina. Ensinavam que tanto judeus como gentios convertidos deveriam obedecer a todos os mandamentos da Lei de Moisés, incluindo a guarda do Sabbath e a circuncisão (os gentios que se convertessem a Deus deveriam ser circuncidados).
Conforme relatam Eusébio de Cesaréia (História Eclesiástica, 3:27) e Epifânio de Salamina (Panarion 30:3:7 e 30:13:1-2) os ebionitas usavam um único evangelho incompleto e truncado (chamado de “Evangelho dos Ebionitas”). Considerado como sendo o Evangelho de Mateus escrito em hebraico, era de fato significativamente menor do que o Evangelho canônico de Mateus, originalmente escrito em grego. Este evangelho era também chamado de “Evangelho segundo os Hebreus”, e também é citado por Jerônimo.
As origens do ebionismo parecem ser antigas. O choque entre os cristãos “judaizantes” e os cristãos gentios já é aparente no livro de Atos, onde a discussão entre os dois grupos obriga à convocação da assembléia dos apóstolos (Atos 15 ). Em Atos 21:20-21 onde consta que havia em Israel milhares de judeus que criam em Jesus Cristo e eram “zelosos observadores da Lei”. Houve confronto, pois os judaizantes entendiam que Paulo mandava desobedecer a Lei. Eu entendo que foi esta a razão de Paulo haver feito o famoso “voto em Cencréia” (que muitos cristãos ainda hoje usam para justificar o “fazer votos”). Penso que Paulo, como judeu, até podia fazê-lo, e somente o fez para mostrar aos judeus que ainda era judeu. Nós não, não somos judeus e não precisamos “fazer votos”.
Voltando à História, os judeus cristãos de Atos 15:1 e Atos 21:20 não eram ainda chamados ebionitas (esta denominação somente começou a ser usada mais tarde), mas na prática já eram ebionitas. A briga entre judaizantes e os anti-iudaizantes aparece também em Gálatas 2:11-21, onde Paulo relata que Cefas (Pedro), temendo a rejeição dos judeus, ainda seguia seus costumes, talvez por influência de Tiago e por sua vez influenciando a Barnabé. Paulo não concordava com isso e repreendeu a Pedro duramente. Talvez em razão desse episódio, há indícios de que os ebionitas reverenciavam Tiago como exemplo a ser seguido.
No fundo, os ebionitas criam que Cristo nada mais era do que um “novo Moisés”. Negavam sua preexistência, sua encarnação e seu nascimento virginal. No conceito ebionita, embora Jesus fosse o Messias, era puramente humano. Somente no batismo Jesus foi ungido como Messias, ou seja, adotado como Filho de Deus, e sendo descendente de Davi, tornar-se-ia o rei do povo de Israel e seu último grande profeta. Em sua opinião, Jesus era um judeu fiel, piedoso, profeta e mestre inigualável. Já Paulo de Tarso teria sido um apóstata da Lei e não foi um verdadeiro apóstolo de Jesus Cristo; as Escrituras Sagradas para eles eram o somente o Antigo Testamento e o seu já citado Evangelho, que contém o núcleo da doutrina ebionita. Com base em Mateus 5:17-19, onde consta que Jesus Cristo disse que não veio abolir a Lei nem os Profetas, mas sim cumpri-la, deduziam que a Lei nunca será abolida, e que por isso devemos obedecer a todos os mandamentos da Lei. Em Mateus 7:21-23 Jesus Cristo diz que nem todos os que crêem Nele entrarão no Reino de Deus, mas sim somente aqueles que fazem a vontade de Deus, e que muitos que pregam o evangelho e fazem milagres em nome Dele ficarão de fora, porque praticam a iniqüidade. Isto explica por que este evangelho era o único aceito pelos ebionitas.
Há quem diga que os primitivos cristãos eram todos “ebionitas” (“pobres”), como Epifânio (LC, xxx, 17), Orígenes (LC, ii, 1), e outros. Muitos cristãos primitivos achavam bom serem pobres, pensando em Lucas 6:20, 24: “Felizes os pobres, pois a eles pertence o reino de Deus.... Ai de vós, ricos! Pois já tendes recebido vossa consolação”. Mas alguns estudiosos modernos distinguem os ebionitas de outros grupos como, por exemplo, os nazarenos. Jeffrey Butz, em The Secret Legacy of Jesus, diz que ebionitas e nazarenos se confundiam. “Depois da devastação da Guerra Judaica... não há qualquer demarcação clara ou transição formal de nazarenos para ebionitas; não houve mudança repentina de Teologia e Cristologia” (pg. 137); “Os escritos de pais apostólicos tardios falam dos nazarenos e ebionitas com se eles fossem grupos judaicos diferentes, mas estão errados. Os nazarenos e os ebionitas eram o mesmíssimo grupo...” (op.cit., pg 137).
Os “pais da igreja” diziam que eles eram literalmente pobres, porque tinham pensamentos “pobres” a respeito de Cristo. Por fim, desprezado por cristãos e judeus, o ebionismo constituiu uma ramificação separada e organizou sua própria literatura religiosa.
Onde queremos chegar com tudo isto?
Que por não conhecermos a história da Igreja, corremos o risco de repetir os mesmo erros. Hoje mesmo podemos ver vários indícios de que o ebionismo está vivo e muito bem de saúde. Até comprou uma roupa nova, com a qual costuma comparecer aos cultos toda semana. Duvida? Então veja se estou exagerando.
Quantas denominações hoje em dia já não desenvolveram sua teologia particular, através de “seminários”, editoras, gravadoras de músicas, e até mesmo canais de rádio e TV? Auto-suficientes, numa espécie de feudalismo evangélico, produzem tudo de que necessitam, alimentando pequenos erros que quando são apenas figueiras sem frutos, cheias de folhas, ainda vai... O pior é quando os frutos nocivos começam a cair em outras searas e espalhar o veneno. Comunidades fechadas em si mesmas são um indício de sectarismo; no caso, ebionismo. Olhe bem o terreno onde está pisando.
Elementos judaicos no culto – hoje, em algumas congregações e templos evangélicos, você pensa que está numa sinagoga. Bandeiras de Israel, “sacerdotes” usando tallit e kippah, “levitas” tocando shofar. Não raro, um grande destaque é dado a um menorah de plástico dourado. E alguns vão além, blasfemando de Deus ao fazer uma réplica ordinária da Arca da Aliança, tão vagabunda e sem valor que qualquer um pode tocar sem o perigo de ser fulminado, como aconteceu com Uzá e a Arca verdadeira (I Samuel cap. 6). Já falei sobre isto também aqui.
Outros templos são mais bizarros. Você não precisa nem entrar para pensar que está num ambiente judaico: eles pretendem ser a cópia do templo “de Salomão”. Uma cópia inexata, para ser honesto, pois não somente a fachada e os principais elementos arquitetônicos são copiados do templo “de Herodes” (e não do “de Salomão”, como pensam). E mesmo que fosse esse o templo construído por Salomão, as dimensões estão totalmente fora das especificações... é ou não é uma tentativa tosca de reviver o Judaísmo? Não contentes em vender miniaturas de objetos de Israel, azeite de oliva e água do Rio Jordão, querem reconstruir um templo que o próprio Senhor declarou que não ficaria pedra sobre pedra (Mateus 24:1,2). Indo na contra-mão de Deus, será que esse pessoal nunca ouviu falar do que aconteceu a quem reconstruiu o que Deus destruiu? Por favor, leia Josué 6:26 e I Reis 16:34.
Atos proféticos - outra tentativa de reviver “os dias gloriosos” dos profetas do Velho Testamento, quando a Igreja ainda era um mistério. Era uma época em que os profetas eram instruídos por Deus a fazer certas coisas para ilustrar uma realidade espiritual. Como jogar sal (II Reis 2:21, Ezequiel 43:24), enterrar um vaso de barro (Jeremias 32:14), derramar líquidos (Josué 6:20, I Samuel 7:6; 10:1; I Reis 18:33 etc.). Isso não nos autoriza a tentar provocar acontecimentos com esses “atos”! Tudo aquilo servia para mostrar o que Deus iria fazer - e agora já fez. Um judeu que visse a “sombra” das coisas futuras naqueles objetos e gestos era consolado. Mas nós já temos a realidade que a sombra representava: não precisamos mais da sombra, e sim da Realidade que já chegou. Os antigos profetas anunciavam Jesus para que o mundo o reconhecesse quando Ele viesse, mas os “atos proféticos” das igrejas atuais não traduzem a imagem de Cristo. Quando achamos que devemos obedecer às vozes que ouvimos e às visões que temos, nos mandando fazer coisas que Jesus não mandou, diminuímos o Filho de Deus. Quando as “revelações” e o “novo de Deus” se sobrepõem às palavras do próprio Cristo, estamos fazendo Dele só mais um profeta a quem podemos escolher seguir ou não, como os ebionitas. De novo: os profetas bíblicos falavam o que Deus mandava dizer; os “profetas” de hoje dizem para Deus fazer o que eles querem. Não obedecem a Jesus. E por isso adotam práticas judaicas: ungir objetos, lugares e pessoas é apenas mais um desses erros grotescos, sobre os quais já falamos aqui.
Essa coisa da unção, por sua vez, dá margem à ressurreição de um sistema já revogado, que é a hierarquia sacerdotal: levitas, sacerdotes, sumo-sacerdote. Para os judeus era comum ter uma pessoa que entrava no Santo dos Santos uma vez por ano e falava diretamente com Deus. Mas quando os discípulos, ainda tendo isto em mente, perguntaram a Jesus quem deveria ocupar os cargos próximos a Ele no Reino vindouro, Ele cortou pela raiz: “Não será assim entre vós” (Mateus 20:26). A carta aos Hebreus – ou seja, aos judeus – mostra exaustivamente que esse esquema acabou; mas os ebionitas dizem que não, que o velho sistema ainda está vigente com sua hierarquia, e ainda acrescentam outros cargos: agora não temos só bispos, temos também bispa, apóstola, bispo-primaz, e até patriarca. Veja aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e mais um monte. Digite no Google e confira.
Outro costume já extinto há pelo menos dois mil anos, mas que insistem em reviver – pelo lucro que dá a uns poucos espertos – é a prática do dízimo e seus correlatos, as ofertas alçadas e de primícias. Mas como isso está ficando muito comprido, prefiro abrir um novo tópico mais à frente para tratar especificamente desse assunto.
Por ora, ilustro dizendo que tenho amigos que defendem o dízimo com base em Mateus 5:17... ebionitas!
Para mim isto é judaísmo infiltrado na Igreja, revivendo coisas que já foram abolidas. O que cabe à Igreja dos gentios está escrito duas vezes na Bíblia: em Atos dos Apóstolos cap. 15:20, 29 e cap. 21:25.

Acatelai-vos do fermento dos fariseus!

Fonte 1; fonte 2; fonte 3; fonte 4; fonte 5; fonte 6

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domingo, 14 de agosto de 2011

As vacas sagradas evangélicas - parte 2

Outro dia, passeando pela blogosfera dita evangélica, vi outra “vaca sagrada”: um blog defendendo com unhas e dentes que Abraão e Jacó eram dizimistas, com base em Gênesis 14:20 e 28:22. Com isso, o rapaz dizia que, como a Bíblia conta a vida desses patriarcas resumidamente, não se pode dizer que eles deram o dízimo apenas uma vez e assim, presume-se que eles “dizimavam” regularmente – portanto, nós também.
Primeiramente, quero dizer que não tenho nada com isso: faça com o seu dinheiro o que quiser. Dê para quem quiser, o quanto quiser. Se quer dar 10% dos seus rendimentos para essa ou aquela instituição, esse ou aquele sacerdote, vá em frente e seja feliz, pois o dinheiro não traz felicidade mesmo. Agora, querer justificar isso na Bíblia, aí me dá licença que eu vou dizer umas coisas.
Faço isto aqui porque o tal blog não aceita comentários “longos”, mas não há como esclarecer o assunto em duas ou três linhas. Aqui temos espaço, graças a Deus, e paciência para ler e debater as “vacas sagradas evangélicas”, doa a quem doer. Em outros blogs não, mas aqui sim. É o seguinte.
Abraão de fato deu o dízimo. Mas supor que ele era “dizimista fiel” porque viveu muitos anos e deu o dízimo outras vezes, em outras ocasiões não relatadas nas Escrituras, é presunção, e nada mais. A Bíblia diz que, após uma ação militar, em que Abraão e seus associados venceram um inimigo, o patriarca encontrou-se com Melquisedeque e lhe deu uma parte do saque. E Jacó, ao acordar de um sonho, disse que se Deus o abençoasse daria “o dízimo de tudo”. Nada mais se sabe, a não ser que:
- foram atos voluntários. Não havia mandamento ou ordenança que obrigasse Abraão ou Jacó a dar 10% do que quer que fosse a quem quer que fosse, ainda mais por não se ter noticia de sacerdotes do Deus Altíssimo nessa época, a não ser Melquisedeque.
- Abraão não residia em Salém (a atual Jerusalém), onde Melquisedeque, além de sacerdote, era rei (um símbolo de Jesus, conf. epístola aos Hebreus); assim, onde será que Abraão entregava seu dízimo “regularmente”? E Jacó?
- Gênesis 14:20 diz que Abraão deu o dízimo de tudo. Claro que foi o dízimo do saque, e mesmo que forcemos a barra e digamos que ele deu o dízimo de tudo o que possuía (“rebanhos e gado, prata e ouro, escravos e escravas, camelos e jumentos”, Gênesis 13:2 e 24:35) – não restaria mais nada para “dizimar”. Ou ele daria o dízimo de tudo várias vezes? É óbvio que, se ele deu o dízimo de tudo que possuía, foi só uma vez. Mas o texto deixa claro que era o dízimo do saque. Abraão não recebia salários ou outros rendimentos regularmente, portanto, não havia razão para “dizimar” mais de uma vez. Jacó, idem.
- Como Abraão teria feito para dar o dízimo de escravos? Lembre-se, é o dízimo “de tudo”, e escravos estão relacionados entre seus bens.
- O dízimo de Abraão foi produto de uma ação isolada, em data e local determinados. Jacó... não sabemos onde, nem quando, nem como nem a quem “entregou o dízimo”, nem se foi mais de uma vez.
- Dízimo não era em dinheiro, era em bens. O que os defensores do dízimo se esquecem convenientemente é que a única passagem que fala em oferta financeira, Levítico 27, é claramente uma exceção à regra: se alguém, por diversas razões, não ofertasse em bens, preferindo fazer em dinheiro, resgatava o valor da oferta (boi, carneiro, farinha, etc.), com uma taxa de 20% a mais sobre o valor da avaliação. Alguém aí na igreja faz isso hoje em dia? Paga o dízimo em dinheiro com mais 20% de taxa???
- Hoje, a maioria de nós recebe salários, proventos, pensões, ou outro rendimento regularmente, e portanto, se fôssemos fazer como os patriarcas, “dar o dízimo de tudo”, o normal seria fazermos isso a cada vez que recebêssemos o salário. OK. Só que não estamos mais obrigados a isso, pois o dízimo – e outras realidades do Velho Testamento, como a circuncisão, o sábado, o sacrifício de animais – era apenas sombra do que ainda seria revelado à Igreja.
O que as pessoas precisam entender é o seguinte:
Nas diversas dispensações, que são pactos que Deus fez com o Homem, há uma série de ordenanças, cujo cumprimento resulta em bênçãos e cuja desobediência gera punições. Em cada dispensação, algumas ordenanças e promessas anteriores são mantidas, outras são substituídas, e outras simplesmente extintas, ao passo que novas ordenanças podem ser adicionadas ao pacto.
Por exemplo, na primeira dispensação, Deus disse a Adão e Eva basicamente que O obedecessem; a bênção prometida era que os seus descendentes (cf. Gênesis 1:28-30) dominassem (isto é, governassem) a terra; a desobediência traria a morte. Quando o primeiro casal desobedeceu a Deus, a morte e o pecado entraram na história da humanidade trazendo toda sorte de males (para os quais alguns como Ricardo Gondim ousam culpar a Deus, como você pode ver aqui); e Satanás usurpou o domínio, como deixou transparecer a Jesus na tentação milênios depois (cf. Mateus 4).
Na era dos patriarcas, Deus disse a Abraão, Isaque e Jacó que cressem nas promessas. Quando essa promessa se cumpriu, e a descendência dos patriarcas se materializou numa multidão tão grande como a areia do mar – como Deus dissera – uma nova aliança (ou dispensação) se inaugurou, e a Lei foi dada a Israel por meio de Moisés. Algumas práticas antigas foram mantidas – a guarda do sábado (estabelecida desde Gênesis 2:2,3); a circuncisão (desde Gênesis 17:14); animais puros e impuros (Gênesis 7:2, 8); sacrifício propiciatório (Gênesis 8:20; 22:13; 31:54; 46:1; Êxodo 3:18). Outras novas foram introduzidas – o sacerdócio levítico, por exemplo; e outras foram atualizadas, como o dízimo, que agora serviria para sustentar a tribo sacerdotal e os desvalidos, cf. Deuteronômio 14:28; 16:11; 26:12 etc. E outras determinações foram abolidas, por já serem desnecessárias: por exemplo, o “encher a terra” de Gênesis 1:28 e “não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal” de Gênesis 2:17. Isto já não fazia mais sentido.
É importante esclarecer que o que chamamos de “a Lei de Moisés” possui três núcleos:
- Lei Moral: são preceitos comuns a toda a Humanidade, como honrar os pais, fazer caridade, não cobiçar os bens alheios, evitar a usura. Quase todas as culturas possuem esse tipo de ordenanças; princípios éticos e morais que ainda perduram e são válidas para todos; Êxodo 20:1-17 e Romanos 2:14-15.
- Lei Civil/Penal: abrange a definição de crimes, como assassinato (mesmo acidental), estupro, divórcio, etc., e suas punições (multas, ressarcimentos, restituições, pena capital por apedrejamento, banimento, cidades de refúgio); leis sobre escravos, transferência de terras, heranças etc.; foram aplicadas a um determinado contexto, mas hoje não se praticam mais nem no moderno Estado de Israel (Êxodo 21:1-23:33).
- Lei Cerimonial: é a que mais nos interessa, pois trata da religião e do relacionamento dos homens com Deus, e que vigorou até João Batista, o último profeta do VT, cf. Mateus 11:13 e Lucas 16:16. Aqui se enquadram os holocaustos, sacrifícios de sangue, as ofertas pacíficas, o sacerdócio levítico, o tabernáculo (e depois o templo), os dízimos, as ofertas alçadas, a circuncisão, a primogenitura, o nazireado, a purificação ritual, os alimentos puros e os impuros, o sábado, etc. (Êxodo 24:12-31:18). Para entender o dízimo é importante ter isso em mente.
O descumprimento do pacto leva sempre ao juízo. Assim, se você insiste em cumprir partes da Lei, deve cumpri-la toda, cf. Tiago 2:10 (“Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos”) e Gálatas 3:10 (“Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las”). Se você insiste em dar dízimo, deve antes se purificar, e também guardar o sábado, não tocar em coisa impura, inclusive mulher menstruada, não comer carne de animal impuro, circuncidar-se etc. Caso contrário, estará incorrendo em juízo. Porventura não foi o que sucedeu com os fariseus no tempo de Jesus? Davam “o dízimo de tudo”, mas odiavam o semelhante, adulteravam com os olhos, negavam a caridade aos necessitados. E muitos hoje “dizimam” servindo a Mamom, pois sua oferta é um investimento para ter prosperidade.
Os “sacerdotes” que aceitam isso são os verdadeiros ladrões de Malaquias 3:8 (“Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas”). E ainda há alguns lobos que avançam até sobre o 13º  salário das pessoas, dizendo que Paulo em I  Coríntios 16:2 “no primeiro dia da semana”, quer dizer “dizimar periodicamente”! Malandramente omitem a outra parte do verso, “cada um de vós ponha de parte o que puder”! Ladrões! Escondem II Coríntios 9:7 – “Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento! Mercadores da religião!
Hoje, o véu do templo se rasgou de alto a baixo, isto é, na sua totalidade, completamente, sem retorno; foi cancelado, extinto, substituído todo aquele pacto!
Por isso Hebreus 8:13 diz:[o] novo pacto tornou antiquado o primeiro. E o que se torna antiquado e envelhece, perto está de desaparecer”; e por isso Jesus disse, ao anunciar a sua morte e ressurreição, “Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22:20). Qual é o novo mandamento desse novo pacto? “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mateus 22:37-40).
À Igreja não foi imposta a Lei, conforme lemos em Atos 15, especialmente os versos 19 e 20! Nada mais é necessário neste novo pacto sob o qual vivemos! Não mais sangue de bodes e carneiros (cf. Hebreus 9:11-15), não mais sacerdotes profissionais (I Pedro 2:9), levitas (Hebreus 6:20; 7:11); templos de pedra e tijolo (Atos 7:48; I Pedro 2:5); tudo isso foi abolido com o sacrifício totalmente suficiente de Jesus Cristo. 
Para a Igreja não há mais dízimos (não há mais templo, sacerdotes, levitas ou estruturas religiosas que mereçam ser sustentadas); circuncisão (que agora é espiritual); primogenitura, pois todos somos herdeiros com Cristo. Se não há mais nada disso, a contribuição neo-testamentária deve ser voluntária e destinada ao sustento dos desvalidos, conf. Atos 4:34-37; 6:1; 11:29,30; II Coríntios 9.
Negar isto é querer tapar o sol com a peneira de coar mosquito, só que nessa peneira tem um buraco onde passa um camelo! (Mateus 23:24). Insistir em práticas já abolidas é o mesmo que tentar recosturar o véu que Jesus rasgou na Sua morte! Se bem que tem “igrejas” que até “arca da aliança” usam em seus “cultos”: as mesmas que estão reconstruindo o “templo de Salomão”... o que mais vocês queriam?
Eu sei que é difícil, para muitos, abandonar as velhas idéias e sofismas, resultado de anos de doutrinação. Não é fácil aceitar que fomos enganados por muito tempo, crendo que Deus se agrada de dinheiro. John Maynard Keynes disse que a maior dificuldade não é aceitar novas idéias, mas escapar das velhas. É difícil mesmo abandonar velhas idéias. 
Mas uma vez que desce o entendimento, percebemos que somos livres para ofertar voluntariamente o quanto Deus colocar no nosso coração, sem obrigação de quantia ou periodicidade religiosa, sem o peso de ordenanças mortas.
A você, que ao contrário do nosso amigo blogueiro evangélico, teve paciência e disposição para ler mais de dois parágrafos, agradeço. E mais uma vez, não tenho nada com o seu dinheiro. Mas se você quer andar para trás, entrar debaixo da Lei e viver como os judeus de séculos passados, boa sorte. Eu não, pois não sou judeu e vivo em outra dispensação, a da Igreja, e por isso termino com a pergunta de Paulo a Pedro: “por que queres obrigar os gentios a viverem como judeus?” (Gálatas 2:14).
E vem mais vaca pela frente...
93010