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quarta-feira, 13 de maio de 2015

E quando a ciência erra?

parte 1
Depois das “contradições bíblicas”, e dos “Mitos SOBRE aBíblia”, agora as “contradições científicas”, ou “quando a ciência se engana”. E porque a ciência se enganaria? Nem sempre ela se enganou, dirão alguns. De fato, ela tem acertado inúmeras vezes. Não é possível viver “sem a ciência”, evidentemente, senão estaríamos ainda numa idade de barbárie. A ciência possibilitou inúmeras descobertas, e as tecnologias decorrentes proporcionaram avanços consideráveis em todas as áreas - menos uma. Quando as ciências - ou melhor, alguns cientistas - acham que já sabem o suficiente para tentar explicar Deus (ou na maioria dos casos, a inexistência de Deus), é que a coisa desanda. Alguns cientistas, de ramos tão diversos como as ciências biológicas, as exatas e as sociais, fazem de suas vidas uma cruzada para desmentir o que a Bíblia nos ensina: que no princípio, Deus criou a Terra e todas as coisas, o universo e tudo que nele há.
Este post vai nesse sentido: se a ciência errou, como pode se arvorar em verdade mais absoluta do que a Palavra do Deus Vivo? Todos são unânimes em concordar num ponto: na ciência, o que é verdade hoje, amanhã pode não ser. A Bíblia não. Vários de seus escritores, separados por mais de 1600 anos, milhares de quilômetros e por culturas das mais diversas, homens e mulheres das mais diversas categorias sociais, repetem à uma, de Gênesis a Apocalipse: a Palavra de Deus é imutável. Ela é a mesma, ontem, hoje, e eternamente. Escribas ao longo dos séculos a têm preservado com exatidão digna de um avançado computador: não se muda uma vírgula, “um jota ou um til”. Já a ciência, não. Mais uma vez, apesar de muitos avanços, ela vai de marcha e contra-marcha. Até uma hipótese ser comprovada, experimentada e se transformar em uma lei, vai um tempão.
Primeiramente, acho que é preciso delimitar ou definir o que é “ciência”. Lakatos & Marconi definem como “um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente, sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de mesma natureza” (Metodologia Científica, p. 19). Há outras definições, todas muito próximas desta. Portanto, há coisas que podem ser verificadas, medidas e provadas por meio da ciência; outras, não. Mas mesmo no âmbito dessas coisas “prováveis”, “verificáveis”, a ciência tem tropeçado. Não entro aqui no mérito de bobagens como dizer que a Bíblia possui discordâncias, erros de tradução, propaga certas idéias homofóbicas e/ou misóginas, etc; isso tudo já discuti antes. Vamos ficar, por ora, no âmbito das “contradições científicas”, que poderíamos intitular como “quando a ciência se enganou”, apesar de todo o caráter investigativo de que a pesquisa científica se reveste. Então, veja aqui alguns exemplos hilários de como “a ciência errou”.
Uma das maiores, senão a maior, seguramente uma das top-five, é a dos canais marcianos. Durante décadas a comunidade científica acreditou piamente na existência de civilizações avançadas em Marte, por conta de um erro relativamente simples, de tradução.
Durante séculos, gerações de astrônomos tentaram desvendar os do planeta vermelho, mas no final do século XIX uma falsa descoberta excitou a imaginação do mundo científico, contaminando de forma irreversível a cultura popular. Em 1877, houve excelentes condições para a observação, e então se descobriram dois pequenos satélites, Deimos e Fobos. Nesse mesmo ano, um eminente astrônomo do Observatório de Milão, Giovanni Schiaparelli (ao lado), descreveu o que lhe pareciam ser “canais” na superfície marciana. Ele fez uns desenhos - pouco detalhados - onde havia zonas escuras, a que chamou mares, e zonas claras, que denominou continentes. E, entre os dois, aquilo a que chamou “canali”, linhas finas que pareciam ligar as diferentes zonas.
Esta observação tornou-se célebre e a palavra italiana canali foi traduzida para o inglês canals que, ao contrário do vocábulo italiano, sugeria artificialidade. Isto bastou para criar grande frenesi, pois parecia indicar a existência de vida no planeta vizinho. Bastava olhar por um telescópio e lá estavam as áreas escuras e claras. Ninguém desconfiou da circunstância de não haver dois mapas idênticos ou de ser difícil obter fotografias suficientemente nítidas.
A observação de Schiaparelli foi popularizada por um matemático e astrônomo americano, o milionário Percival Lowell. Onde Schiaparelli vira depressões que podiam ser vales alongados, Lowell encontrou um sistema de irrigação, produzido por uma civilização cuja míngua de água a tinha levado a extremos de engenho.
Lowell era influente e escrevia com estilo. Ele descreveu com detalhe aspectos “não-naturais” na superfície de Marte, como canais artificiais levando água dos pólos para o equador (pois o fluxo não podia ser explicado pela gravidade), linhas de vegetação, algumas duplas, e oásis (as zonas escuras entre os canais), tudo sugerindo inteligência superior. Essas teses foram discutidas pela imprensa e entraram rapidamente no imaginário popular. Entre 1895 e 1908, Lowell escreveu três livros sobre as características artificiais dos canais marcianos e construiu um telescópio que era então o mais sofisticado do mundo (na realidade, foi o primeiro edificado a grande altitude), no Arizona. Foram feitos mapas detalhados da civilização marciana e especulou-se furiosamente sobre a engenharia alienígena. Concluiu-se que era uma forma de vidapacífica, pois os povos setentrionais e equatoriais estavam a cooperar para o mesmo fim, para evitar o declínio do planeta.
Schiaparelli faleceu em 1910 e Lowell em 1916, antes de surgir a explicação da ilusão de ótica. Na realidade, os astrônomos eram enganados pela sua própria visão, pois os seres humanos têm tendência para formar padrões onde estes não existem. Não havia canais, mas uma superfície irregular que a imprecisão dos telescópios, as deformações atmosféricas e a má visão humana transformavam num imaginário sistema de irrigação. Também havia entusiasmo em excesso e alguns autores estavam apenas a encontrar os seus desejos. A ideia de Lowell sobre os canais em Marte só foi totalmente rejeitada na década de 1960, quando sondas americanos e russas mostraram a verdadeira face do planeta. Vejam como uma “verdade” científica se revelou um erro grotesco, perdurou por muitos anos e então tudo mudou. Agora a verdade é outra.
Mas se não havia homenzinhos verdes no planeta vermelho, os marcianos reapareceram em 1996, quando foram observadas pequenas estruturas no interior de um meteorito encontrado na Antártida, supostamente catapultado de... Marte!  Alguns cientistas viram nessas estruturas micróbios fossilizados, mas a ideia tem sido contestada. Apesar de improvável e tão fantasiosa como os canais de irrigação, há muitos que crêem com todas as suas forças nessa hipótese. “Se for de origem biológica, extraterrestre, que não se formou nos últimos 13 mil anos, pode implicar profundamente na nossa compreensão de como a vida evoluiu no Sistema Solar”, disse Emily Baldwin, editora da revista astronômica UK's Astronomy Now (Fonte) (Fonte). E aí a gente pergunta: “e se não for extraterrestre”? Com que cara ficarão esses “crentes?
Outra crença que conquistou inúmeros cientistas foi inegavelmente uma fraude deliberada, conhecida como “a farsa do tiranossauro”. De maior predador da face da Terra, o tiranossauro foi rebaixado recentemente à categoria de carniceiro pelos estudos de diversos paleontólogos. Para piorar sua reputação, pesquisas nos arquivos do Museu de História Natural americano mostram que o anúncio de sua descoberta, em 1905, foi um grande golpe de marketing. Henry 
Osborn e Barnum Brown, que apresentaram o monstro ao mundo, se basearam em ossos de duas patas traseiras, uma dianteira e um quadril, sem saber se eram do mesmo animal (não eram). Naquele tempo, os museus competiam por fósseis, e a dupla decidiu se antecipar para não perder a descoberta. Após o anúncio, o esqueleto levou dez anos para ser montado, não sem algumas falhas. A primeira versão foi feita com ossadas diversas, resultando num bicho de pernas desproporcionalmente maiores. Seus bracinhos apareceram com três dedos (eram dois). Os cientistas hoje consideram que os maiores carnívoros foram o espinossauro, de até 18 metros, seguido do giganotossauro, com 16 metros. O tiranossauro atingia “apenas” 13 metros.  Nota de Michelson Borges: vale lembrar que em 2007 uma descoberta agitou o mundo científico: pesquisadores encontraram o tecido macio de um T-rex, numa região de dunas do Estado de Montana, nos Estados Unidos. Acreditava-se que esse tipo de tecido suave podia ser preservado por poucos milhões de anos, o que nos leva a pensar que talvez os dinossauros não sejam tão antigos como sustentam os evolucionistas. Falaremos disso mais tarde, tecido mole e tecido “duro”, e fossilização. 
Mais uma fraude, o Homem de Piltdown: A busca incessante para encontrar o famoso “elo perdido”, que supostamente provaria a ligação entre o Homem “moderno” e antigos primatas pré-históricos, parecia haver terminado em 1912. Alguns fragmentos de um crânio e um osso da mandíbula foram descobertos em um poço de cascalho perto de Piltdown, Inglaterra, e logo foram aclamados pelos cientistas da época como o elo perdido. Mas em 1953 foi descoberto que era apenas um crânio humano artificialmente envelhecido, ligado à mandíbula de um orangotango e completado com os dentes de um chimpanzé. Quem produziu a falsificação ainda permanece um mistério até hoje, mas o fato é que conseguiu manter os cientistas enganados por mais de 40 anos.
O monstro do Lago Ness: Não é difícil aceitar que a famosa foto do monstro se provou ser uma farsa. O que é difícil de entender é como isso demorou 60 anos. Feita por um cirurgião de Londres chamado Robert Wilson, a foto foi idéia de seu amigo Marmaduke Wetherell, como vingança pela humilhação sofrida durante anos, quando as pegadas de um suposto monstro que ele havia encontrado foram identificadas como sendo de um hipopótamo. Em conluio com Wilson e um jovem chamado Christian Spurling, ele montou uma estrutura em forma de cabeça e pescoço em um submarino de brinquedo e o soltou na água, o que resultou no famoso “borrado” da foto. Em 1994 Marmaduke confessou ter manipulado a fotografia quando era repórter free lancer do jornal Daily Mail em busca de um furo jornalístico. Ele afirmou também que decidiu usar o nome do Dr. Wilson como autor para conferir mais credibilidade ao embuste. Outra descoberta recente é a de que a foto que ficou famosa é um recorte da original, na qual o campo é bem mais amplo e fica claro que o “monstro” é ridiculamente pequeno! Mas a admissão da farsa não feriu a reputação do monstro, e ele (ou ela?) permanece popular e ilusória, tendo não poucos que ainda acreditam em tudo.
Há ainda outras fraudes e enganos, em que muita gente - inclusive da “comunidade científica” - caiu como um patinho. Apesar disso, se acham bastante espertos para achar erros e contradições na Bíblia.
Continua.

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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Contradições da Bíblia? 8

Uma lição em Levítico 11

Dúvida ou questionamento:
- Em Levítico 11, a lebre é tida como ruminante, o morcego como uma ave e menciona-se insetos alados com 4 pés.
Quando meu filho era bem pequeno, inventei uma brincadeira: eu dizia um nome de bicho bem estranho e ele tinha que adivinhar o que era. Assim, ele disse que gavial era um falcão, mutuca era uma vaca, mutum um tipo de pernilongo; geco seria uma espécie de pato, de burro ou um “jacarezinho”. Alguns animais tinham até detalhes: equidna era uma “galinha com espinhos”, manjuba um “macaco amarelo” e o carcará, um “cachorro magrelo do cerrado”. Outros ele nunca nem arriscou: taruíra, catita, társio, guariba... tinha mais, mas esqueci agora.
A questão em Levítico 11, sobre a proibição de se comer certos animais classificados como impuros, me lembra essa brincadeira de adivinhação. Já começo dizendo que a Bíblia não é um compêndio de Biologia, e talvez por isso o morcego, como “criatura alada”, pudesse ser facilmente incluído no “grupo das aves”. Eu faço caminhadas no fim da tarde, e costumo passar perto de parques bastante arborizados, bem na hora em que os morcegos saem. Quando passa um deles num vôo rasante perto de mim, quase não dá para saber se é um morcego ou uma coruja, que também tem muita por aqui. Não é difícil para ninguém dizer que o morcego é uma “criatura alada”.
O que classifica um animal como ave? Uma definição rápida de “aves” diz: “uma classe de animais vertebrados, bípedes, endotérmicos, ovíparos, caracterizados principalmente por possuírem penas, apêndices locomotores anteriores modificados [sic] em asas, bico córneo e ossos pneumáticos... Enquanto a maioria das aves se caracteriza pelo vôo... outras espécies perderam essa habilidade” (fonte). Ter asas, voar? O pinguim também tem “asas”, mas não voa; já o morcego, tem asas e voa. Botar ovo? O ornitorrinco bota ovo, tem bico e até pé de pato, mas não é ave. Ter penas... hummm... avestruz tem penas, bico, bota ovo, mas não voa. Já o kiwi tem bico e bota ovo, mas não tem penas (tem pelos), nem asas, nem voa... Ou seja, algumas características valem, outras não. Umas voam, outras não. Penas e asas, uns têm, outros não. Ter bico e botar ovo OK, mas outros animais também botam ovos, têm bicos e até asas; voam, mas não são aves. Alguns têm mais características de aves do que certas aves, mas não são aves. Problemão, hein? Olha só o rolo.
Se o texto de Levítico fosse escrito hoje, e o povo de Israel conhecesse um número maior de espécies animais do que naquela época, provavelmente o panda seria contado junto com os ursos, embora a ciência “moderna” diga que são completamente (?) diferentes, assim como a raposa é diferente do lobo, e esses dois do cão doméstico. Para mim são bastante similares, e para dizer a verdade, consigo ver nesses animais mais semelhanças entre si do que aquelas que alguns enxergam entre o Homem e o chimpanzé, que dizem ser 99% parecidos... Eu acho que não chega nem a 50%. Semelhança de 99% é entre a raposa e o lobo; ou o urso e o panda. E aliás, cá pra nós... Se o pingüim, que pouco tem a ver com uma “ave normal”, é assim classificado, o que é que tem incluir o morcego, “criatura alada”, junto com outros “animais voadores”?
A propósito, a palavra “ave” em hebraico é עוֹף (“owph” ou “ôph”) e se refere a: (a) animal que tem asas – no sentido de “alado”, “voador”; ou (b) que tem penas. No sentido exato do termo hebraico, o kiwi, cabeludo, sem pena e sem asa, seria “alado” ou “voador”? Por esse critério o morcego é mais “alado” e “voador” do que pinguim, kiwi e avestruz juntos. Isso é motivo para dizer que a Bíblia é uma fraude? Se tivesse pingüim em Israel, entraria no grupo das aves ou das criaturas marinhas? 3.500 anos atrás alguém diria que aquelas “barbatanas”, que só servem para nadar e são inúteis para o vôo, seriam “asas”? Duvido, mas se Moisés escrevesse que o pinguim era ave, os ateus estariam descendo a lenha nele há séculos, do mesmo jeito (pelo menos até alguém decidir que pinguim é mesmo “ave”). Eu tenho vontade de rir quando alguém diz que pinguim é ave, mas... fazer o que? E o golfinho, entraria como mamífero ou “criatura marinha”? Isso não importa, porque não interessava fazer uma enciclopédia. Interessava  dizer que alguns animais eram puros (e podiam ser comidos), e outros impuros (e não podiam ser comidos). Esse é o ensinamento que a Lei quer nos passar, e não que essa espécie possui exoesqueleto queratinoso, que essa outra é artrópode e aquela outra é tunicada, se tal bicho é eucariota ou procariota. Não é um compêndio de Zoologia. Apesar de Adão ter sido o primeiro taxonomista conhecido (Gênesis 2:20).
A lebre é a mesma coisa. Em hebraico, a palavra arnebeth ou shaphan serve para “lebre” e “coelho” (caso semelhante a Beemote e Leviatã, às vezes traduzidos como hipopótamo e crocodilo). Mesmo no século XVIII, o poeta inglês William Cowper, que observara longamente seus coelhos, comentou que eles “ruminavam o dia todo até a noitinha”. Linnaeus (Lineu, pai da moderna taxonomia), na mesma época, também cria que coelhos ruminavam. Ficavam mexendo a boca igual a um camelo! Mas depois descobriram que a lebre faz um processo chamado “reflexão”, em que certos vegetais indigestos são engolidos e depois “re-mastigados” (termos leigos), para que o animal possa digeri-los com maior facilidade, sendo muito semelhante à ruminação (ah, e também descobriram - depois - que o coelho, a lebre, o tapiti etc., eram monogástricos e não poligástricos como o camelo, o boi etc. Brilhante essa!). Assim, a frase hebraica “porque rumina” tanto pode ser a ruminação como a reflexão. O povo não conhecia os aspectos técnicos da ruminação, e poderia então considerar o arganaz e a lebre como puros. Como o judeu ia saber se o coelho era monogástrico ou poligástrico, se ele nem tocava no coelho? Por isso, foi necessário explicar que, mesmo parecendo ruminar, esses animais eram imundos por não terem as unhas fendidas. O importante era não confundir: é lebre ou coelho, então não coma. Me ajuda aí, né?
Moisés nunca trabalhou em zoológico (nem Noé), e não pretendeu informar a anatomia ou o DNA de cada bicho que havia. Ver Gênesis 7:2 – animais limpos e impuros, répteis, aves – e só. Mesmo hoje, com todo o avanço científico, fósseis de muitos dinossauros e “homens das cavernas”, tidos como autênticos, se mostraram fraudes burlescas; portanto, é justo criticar Moisés, que não era biólogo? O ornitorrinco, quando foi descoberto e levado à Inglaterra há 200 anos, muitos acharam que era uma fraude, um animal que não existia de verdade. Demoraram a achar um lugar para ele, e acabaram criando uma gaveta à parte, pois aquilo não combinava com nada.
O que diria Moisés sobre o ornitorrinco ou o kiwi? Muito provavelmente nós, criaturas modernas e científicas, acharíamos defeito na classificação mosaica, seja lá qual fosse... E nem falamos nesses bichos aqui...
Eu descobri recentemente que Aristóteles também classificava os animais segundo o seu habitat (aquáticos, terrestres e voadores). Sempre pensei que ele era um cara genial, mas parece que me enganei. Ele disse que a baleia era um “animal aquático” e o morcego uma ave. Então, se usarmos os mesmos critérios que se aplicam à Bíblia, concluiremos que: a) Aristóteles era um ignorante; b) não foi quem dizia ser; c) seus escritos foram alterados/editados por seus discípulos ao longo dos séculos; d) ou então ele não existiu, é uma invenção de filósofos carentes de sentido para suas vidas insignificantes e mesquinhas...
A taxonomia moderna não existia no tempo de Moisés. E desde Lineu e Buffon a coisa já mudou muito. Se daqui a 200 anos resolverem alterar os atuais critérios, e cismarem que o gafanhoto não é mais inseto, vão dizer que Bíblia está errada? Ou a Zoologia é que errou? A classificação científica é baseada em critérios humanos, e por isso, a cada nova descoberta, muda tudo (ou quase). Por exemplo, você sabia que o morcego e o cavalo agora são mais semelhantes entre si do que o cavalo e a vaca? Mais do que um gato e um cachorro. Pensava-se que os morcegos eram primatas, mas não, eles agora estão no mesmo grupo dos cavalos, baleias e toupeiras (link). Segundo este outro site, o kiwi era mamífero até recentemente... e não posso deixar de perguntar se o equidna é mais próximo do tamanduá ou do porco-espinho (dica: equidna é prototério, monotrema, mamífero... mas bota ovo!).
Como sempre tem evolucionistas de olho, poderiam até acrescentar algo ao debate. Desde que não seja um comentário enciclopédico... Os caras parece que não sabem resumir. Aliás, teve um aqui que não gostou de saber que a teoria da evolução perverte as leis da ciência, e escreveu dois artigos quilométricos em seu blog tosco. Achei estranho, pois expus minha opinião em quatro ou cinco parágrafos, e fui bem claro... já o cara gastou uns 50 parágrafos, e no final você percebe a verborragia técnica que não leva a nenhuma conclusão. É, amigo, haja coração... eu fui lá e li tudinho! Obs.: não é o Léo, que explicou muito bem o seu ponto de vista. É um outro cara.
Onde eu estava mesmo? Ah, sim. Deus criou “cardumes de seres viventes... monstros marinhos, e todos os seres viventes que se arrastavam... e toda ave que voa, segundo a sua espécie” (Gênesis 1:20-21). Será que então o pinguim, a avestruz e o kiwi - aves que não voam - não foram criados por Deus? Ele esqueceu de listar essas ou ave que não voa foi trazida de outro planeta por alienígenas?
Tenha santa paciência. O que seriam “monstros marinhos”? Godzilla? Mothra? O Kraken? Ou apenas baleias, lulas gigantes, cachalotes? Imaginar outro significado para “monstros marinhos” é viajar na maionese (só para ilustrar como a terminologia pode mudar com o tempo).
Aliás, por falar em monstros, ainda não entendi como o ovo do tiranossauro não quebrava, caindo de um metro de altura ou mais... ninguém ainda me mostrou uma “tiranossaura” agachada. Aliás, nem consigo imaginar como os tiranossauros acasalavam, aquela cauda grossona devia atrapalhar pra caramba... o triceratops idem... pense... mas nisso as pessoas acreditam sem pestanejar. E a bem da verdade, o triceratops parece mais com o mamífero rinoceronte do que com o réptil jacaré. Seria o mesmo caso do morcego e do cavalo? São parentes mas ninguém descobriu isso... ainda? E o canguru, tirando a pochete, não parece um tiranossauro? Será que vão descobrir isso um dia? Mas sobre dinossauros falaremos mais em outra ocasião.
Insetos alados? Eu já vi muitos e matei um monte a chinelada. Também já vi programas na TV dizendo que aranhas e escorpiões são insetos, e ninguém reclamou. Mas interessante é que o texto de Levítico diz claramente: “de todos os insetos alados que andam sobre quatro pés: os que têm pernas sobre os seus pés, para saltar com elas sobre a terra; isto é, deles podereis comer os seguintes: o gafanhoto segundo a sua espécie...” (etc.). Ora, se observar um gafanhoto, verá que ele tem quatro patinhas, como “pezinhos” com que se apóia e “anda”, e duas outras grandonas, com as quais salta! E o louva-a-deus: quatro “pés” apoiados e duas “mãos” com que agarra a presa... a descrição é correta, do ponto de vista de um “não-biólogo”.
Agora, confesso que nunca vi “solhão”, “hargol” e “hagabe”, outros bichos descritos no Levítico. Nem tenho a menor idéia do que seja “quebrantosso”, “xofrango”, “querogrilo” e “porfirião”, todos citados no capítulo 11 (imagino que “xofrango” seja algo parecido com um frango, sei lá). Se alguém souber, pode me informar que eu agradeço e dou o crédito. Mas não vale olhar na Wikipedia. E como não sou judeu, talvez eu peça um desses assado em algum restaurante por aí, já que o leitão e a lebre eu já experimentei (gafanhoto ainda não, obrigado). Não consigo parar de pensar no equidna, na tiranossaura e na brincadeira de anos atrás...
Isso tudo, para mim, é procurar um conjunto de papilas dérmicas cimentadas que formam um filamento queratinizado em forma de protuberância, na caixa craniana dos mamíferos hipomorfos, cordados, da ordem dos ungulados perissodáctilos, da família Equidae, gênero Equus e espécie ferus, subespécie caballus.
Mas sabe qual é a lição que tiramos aqui? O que tudo isso tem de relevante para nós, hoje, nós que não somos judeus ortodoxos, cristãos do século XXI que não estão debaixo da Lei Mosaica? Já que o sentido direto do texto não se aplica a nós, aí sim buscamos outro significado, aplicando um pouco da interpretação alegórica ou simbólica, como vimos aqui. E é este: os animais puros e impuros são exemplos para nós! Devemos ser como os animais puros, os que ruminam e possuem casco fendido. O ruminar significa que o nosso alimento (espiritual), a Palavra de Deus (cf. Deuteronômio 8:3, Lucas 4:4 e Mateus 4:4) deve ser não apenas engolido rapidamente, mas ruminadodigerido” lentamente. Isto é, precisamos meditar na Palavra para poder extrair dela tudo que ela tem para nós, até a última fibra. E o casco fendido significa que precisamos deixar nossas pegadas bem claras e discerníveis por onde andarmos. Onde passamos deve ficar uma marca para os vêm depois, uma trilha, um caminho, um testemunho de vida.
De nada adianta uma coisa sem a outra: não vale nada o nosso testemunho se não estamos ruminando a Palavra - casco fendido, mas não rumina, é abominação, impureza. E também, se ruminamos, meditamos, absorvemos a Palavra, mas não damos testemunho de Cristo, somos como um animal impuro: ruminamos, mas não deixamos nossa marca no mundo.  Não valemos nada.
Esta é a lição de Levítico capítulo 11 para cada um de nós.  
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