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sábado, 27 de janeiro de 2018

Duas caras, dois pesos, duas medidas

Na semana em que o Tribunal Federal Regional da 4ª Região, conhecido pela sigla TRF4, julgou o recurso do ex-presidente Lula e lhe impôs uma dura derrota, a comunidade dita cristã se dividiu em três lados. A imensa maioria, capitaneada pelos seus líderes sabidamente espertos em conduzir o rebanho sempre para a margem dos “vencedores”, comemorou. Uma pífia minoria se manteve mais independente da manada (porque não se pode mais chamar isso de “rebanho”) e preferiu se manifestar contra o que entendeu ser arbitrariedades do poder judiciário (falta de provas consistentes, pré-julgamento pela mídia, irregularidades no processo etc.). E uma outra parte, não pequena, preferiu manter a habitual pose de avestruz, enterrando a cabeça na areia e fingindo que não tem nada com isso. “Vamos orar”, é o mantra dessa parcela de crente chuchu, sem nenhuma personalidade. A popular “Maria-vai-com-as-outras”.
Sejamos honestos. O ex-presidente Lula não é nenhum santo. Em seu duplo mandato de presidente, fez muitas coisas boas e também errou – o que aliás, aconteceu com sua sucessora. Talvez o maior erro tenha sido em nome da governabilidade, se associar a velhas raposas que mais tarde lhe passaram a perna. Enfim, humano, com todas as virtudes e defeitos comuns à maioria de nós. Talvez alguns de nós, cristãos honrados, que frequentamos igrejas todo fim de semana, dizimistas, defensores da família e dos bons costumes, tivéssemos caído nos mesmos erros e pecados que ele. Bom, alguns com certeza, inclusive já cumprindo pena (supostamente, porque ninguém viu de uniforme laranja, cabeça raspada e muito menos com algemas nos pulsos e tornozelos).
E se realmente formos honestos, precisamos dizer com todas as letras que aquela imensa maioria acima citada, que comemorou com aleluias e glórias a sentença do petista, caminha por uma estrada que representa tudo, menos o Cristianismo ensinado por Aquele que dizem seguir.
Os cristãos que antagonizam Lula (resisto a dizer a palavra “inimigos”) se agruparam como moscas no esgoto ao redor do pretenso candidato Jair Bolsonaro. Essa pessoa representa o que há de mais abominável no ser humano, independente de posição sócio-econômica, credo religioso ou ideologia política. É grande a lista de suas qualidades negativas, amplamente conhecidas por todos:
- quase foi expulso do exército por insubordinação e por planejar atos terroristas, logo ele que diz ser adepto da disciplina e opositor ferrenho de “terroristas”;
- opinou que a mulher deve ganhar menos que o homem, “porque engravida, sai de licença por vários meses e dá prejuízo ao patrão”;
- afirmou em público que os negros de uma determinada comunidade são como animais de corte, gordos, vagabundos, que nada fazem;
- disse a uma colega parlamentar que só não a estuprava porque ela não merecia, era “muito feia”;
- declarou ser favorável à tortura;
- demonstrou ter nenhum conhecimento da função presidencial a que almeja, jogando a responsabilidade para seus futuros e eventuais ministros, ao dizer que não precisa saber nada de economia, nem de saúde, por exemplo (quem tem que saber isso é o ministro da pasta correspondente);
- está já por quase trinta anos como parlamentar, sem nunca ter produzido nem uma lei ou projeto relevante sequer, no máximo a nomeação de ruas e praças;
- arranjou uma forma de capitalizar para sua família vários cargos no governo, alguns eleitos na sua sombra, outros funcionários-fantasmas;
- acumulou patrimônio incompatível com sua renda declarada, da ordem de cerca de R$15 milhões, e se negou a explicar;
- disse com todas as letras que recebeu auxílio-moradia indevidamente durante vários anos, e que gastou o dinheiro para “comer gente” (sic).
Ora, aí eu pergunto: como pode um cristão apoiar esse tipo de candidato? Que personagem bíblico poderia ser associado a esse cidadão? Com certeza, nenhum dos apóstolos ou discípulos dos tempos bíblicos. No máximo, biblicamente falando, podemos compará-lo ao joio que foi semeado no campo junto com o trigo, se parece com trigo, mas é apenas mato, erva daninha. Note que não julgamos a pessoa (que cabe a Deus somente), mas as suas obras, seus atos (que cabe à Igreja, como já demonstrei antes aqui neste link).
Boa parte desse grupo de cristãos conservadores (sim, existem cristãos progressistas) costuma apoiar incondicionalmente aquele que é talvez o maior boquirroto da atualidade, a nível mundial – Donald Trump, um milionário que chegou a presidente dos Estados Unidos. Isso em função de dois ou três fatos:
- ele foi eleito com o apoio maciço da direita evangélica, a mesma que considerava o antecessor, Barack Obama, um comunista (por suas ideias relativamente inovadoras no campo da saúde, por exemplo) e até mesmo muçulmano (sinal de extrema desinformação, como ocorre aqui) por conta seu nome exótico para os padrões ianques;
- como retribuição a esse apoio eleitoreiro, abriu os cofres do tesouro para agradar aos pastores e missionários, dando continuidade à política de enviar missões que não apenas “evangelizam” outros povos com Bíblias, panfletos e hinos, mas também com toda uma cultura própria do interior americano, nas roupas, comportamento e o pior de tudo, na defesa do “modo de vida americano” que abomina tudo que não venha de lá;
- o agrado aos crentes inclui declarar Jerusalém como capital de Israel, sem se importar com as consequências desse ato para os diretamente envolvidos na linha de frente do conflito árabe-israelense;
- isso cria para os evangélicos brasileiros, que geralmente não examinam nada com profundidade, uma aura de messias que está abrindo as portas para a evangelização mundial e assim “apressando a volta de Jesus” (outro conceito que carece de base bíblica, que examinaremos em outra oportunidade);
- a posição claramente direitista, quase fascista, fascina os anti-Lula (quase escrevi “inimigos”).
Ora, aí eu pergunto mais uma vez: como pode um cristão simpatizar com esse tipo de pessoa? 
- um homem que desde muitos anos expõe sem o menor pudor o seu machismo, ao considerar as mulheres meros objetos;
- sabidamente racista, ao dizer que os países pobres são “buracos de m****”);
- divisionista e sectário, ao insistir na construção de um muro que impeça a entrada de imigrantes, esquecendo-se de que a América (a dele e a nossa) seriam muito diferentes não fosse a vinda de milhões e milhões de imigrantes de todas as partes do mundo. Veja a própria origem do nome de sua família, imigrantes do leste europeu cujos primeiros representantes tiveram até que mudar de nome para se “americanizar” (fonte).
De novo: como pode uma pessoa que se diz cristã, em nome da família, dos bons costumes e da moral, em nome “de Deus”, defender esse tipo de gente? Nem que seja como oposição ao ex-presidente Lula (que como disse acima, não é nenhum santo, que fique claro)? Qual é o ponto que norteia essa posição? Porque não gosto desta figura política, passo a apoiar qualquer coisa que se lhe oponha? Porque não gosto dessa pessoa, pouco me importam os critérios (ou falta deles) que influenciaram a sua condenação?
Bem, não vou insistir nessas perguntas porque você já sabe o que eu quero dizer. Já entendeu. Logo vão me chamar de comunista...
Na verdade, preciso dizer algo a você. A você que se considera “capitalista”, eu pergunto?
- você é dono de empresa? Tem funcionários que trabalham para você? É dono de algum banco? Possui fazendas? Se sim, ótimo. Se não...
- aplica dinheiro na Bolsa de Valores e em fundos de investimentos? Não? 
Então eu sou mais capitalista do que você... 
Mas... defendo posições que entendo serem progressistas. 
Defendo algumas bandeiras, desde muitos anos, que me custaram algumas “amizades” e várias pedradas vindas de dentro dos templos e denominações.
Defendo a soberania nacional (ao contrário do sr. Bolsonaro, que bateu continência para a bandeira americana) e a não-entrega do patrimônio da nação a potências estrangeiras, ainda mais a preço de banana como têm sido as propaladas privatizações (que nada resolvem e só servem para gerar caixa para o governo entreguista e comissão aos apadrinhados), enviando todo o lucro ao exterior (proveniente de gás, petróleo, minério de ferro e outros minerais, energia eólica e solar, indústrias de transformação);
Defendo direitos básicos para todos e para todas: trabalho, pão, terra, liberdade de ir e vir e de opinião.
Defendo oportunidades iguais para todos, na educação, na saúde, na segurança, nos transportes, na renda mínima digna.
Defendo o fim dos privilégios de classe, como por exemplo a taxação das grandes fortunas.
Se isso é ser socialista, o que eu posso dizer mais? Defender o contrário disto é que é o certo, como o sr. Bolsonaro e o sr. Trump, e sua corja de lacaios hoje encastelados na mídia, nas escolas, no legislativo e no judiciário, nos quartéis e nas igrejas? Este sim é o aparelhamento de que nos falam Antonio Gramsci e Louis Althusser. E que muitos se recusam a conhecer.
Caso se preocupassem em ter apenas uma cara, um peso e uma medida, como nos ensina a Bíblia, procurariam entender um pouco mais os mecanismos que os controlam, invisivelmente.
Ou então, permaneçam com suas duas caras, seus dois pesos, suas duas medidas, que absolvem uns e condenam outros, relativizando os motivos e as evidências.
Exatamente como fez uma certa seita judaica há dois mil anos. Desses, Jesus disse que eram “sepulcros caiados”.

854.860

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Dez verdades que pregamos...

...ou dez mentiras que praticamos?
Certo pastor estava buscando levar a igreja à prática da comunhão e da devoção experimentadas pela igreja primitiva (conforme descrita em Atos dos Apóstolos). Logo recebeu um comunicado de seus superiores:
- Estamos preocupados com a forma como você vem conduzindo seu trabalho ministerial. Você foi designado para tomar conta dessa igreja e a fez retroceder, pelo menos, uns 40 anos! O quê está acontecendo?
O pastor respondeu:
- 40 anos? Pois então lamento muitíssimo! Minha intenção era fazê-la retroceder uns 2.000 anos!
Atualmente
vemos um retrocesso da vivência e prática cristãs. Mas, infelizmente, não é um retrocesso como o da introdução acima. Algumas das verdades cristãs têm sido negadas na prática. Muitos de nós somos crentes teóricos, entretanto, ateus práticos. Segue-se uma pequena lista dos TOP TEN das verdades que pregamos (na teoria) acerca das mentiras que vivemos (na prática):
1 - “Só Jesus salva” é o que dizemos crer. Mas o que ouvimos dizer é que só é salvo, salvo mesmo, quem é freqüente à igreja, quem dá o dízimo direitinho, quem “toma a santa ceia”, quem ganha almas para Jesus, quem fala língua estranha, quem tem unção, quem tem poder, quem é batizado, quem se livrou de todo vício, quem está com a vida no altar, quem fez o Encontro, o pré-encontro, o pós-encontro, o re-encontro, o desencontro, quem foi na Clínica Espiritual, etc, etc. Resumindo: em nosso conceito de salvação, só é salvo aquele que não nos escandaliza.
2 - “Não existe pecadinho nem pecadão” é o que dizemos crer. Mas, diante da igreja, o único pecado é o sexo fora do casamento. Quando um irmão é pego em adultério, é comum ouvirmos o comentário: “O irmão fulano caiu...”. Ou seja, adultério é visto como uma “queda”. Mas a fofoca que leva a notícia do adultério de ouvido a ouvido é permitida (embora, na Bíblia haja mais referências ao mexeriqueiro do que ao adúltero). Estar com o nome “sujo” no SPC é permitido, embora a Bíblia condene o endividamento. Ser glutão é permitido, a “panelinha” é permitida, sonegar imposto de renda é permitido (embora seja mentira e roubo), comprar produto pirata é permitido (embora seja crime), construir igreja em terreno público é permitido (embora seja invasão). Copiar texto e imagem do blog dos outros também é roubo...
3 - “Autoflagelação é sacrifício de tolo”. Condenamos o sujeito que faz procissão de joelhos, que sobe escadarias para pagar promessas. Ainda assim praticamos um masoquismo espiritual que se expõe em frases do tipo:
- Chore que Deus responde...
- A hora em que seu estômago está doendo mais é a hora em que Deus está recebendo seu jejum...
- Quando for orar de madrugada, tem que sair da cama quentinha e ir para o chão gelado...
- Tem que pagar o preço...
- Tem que botar a cara no chão e chorar...
- Tem que botar a boca no pó...
4 - “Espírito de adivinhação é diabólico”
é o que dizemos crer, mas vivemos praticando isso nas igrejas, dentro dos templos e durante os cultos:
- Olha só a cara do pastor. Deve ter brigado com a esposa...
- A irmã Fulana não tomou a ceia. Deve estar em pecado...
- Olha o irmão no boteco. Deve estar bebendo...
- Olha só o jeito que a irmã ora. É só para se mostrar...
- Olha a irmã lá pegando carona no carro do irmão. Hum, aí tem...

5 - “Deus usa quem ele quer”. Mas também dizemos: “Deus não pode usar quem está em pecado”; “Deus não usa ‘vaso sujo’ ”; “Como é que Deus vai usar uma pessoa cheia de maquiagem, parecendo uma prostituta?”.
6 - “Deus abomina a idolatria”
. Mas esquecemos que idolatria é tudo o que se torna o objeto principal de nossa preocupação, lealdade, serviço ou prazer. Como renda, bens, futebol, sexo ou qualquer outra coisa. A questão é: quem ou o quê regula o meu comportamento? Deus ou um substituto? Há até muitas esposas, por exemplo, que oram pela conversão do marido ao ponto disso tornar-se numa obsessão idolátrica:
- Tenho que servir bem a Deus, para ele converter meu marido...
- Não posso deixar de ir a igreja senão Deus não salva meu marido...
- Preciso orar pelo meu marido, jejuar pelo meu marido, fazer campanhas pelo meu marido, deixar de pecar pelo meu marido...
Ou seja, a conversão do marido tornou-se o objetivo final e Deus apenas o meio para alcançar esse objetivo. E isso também é idolatria.
7 -
A Bíblia é a única regra de fé e prática cristãs”.
- Eu sei que a Bíblia diz, mas o Estatuto da Igreja rege...
- Eu sei que a Bíblia diz, mas nossa denominação não entende assim...
- Eu sei que a Bíblia diz, mas a profeta revelou que é assim que tem que ser...
- Eu sei que a Bíblia diz, mas o homem de Deus teve um sonho...
- Eu sei que a Bíblia diz, mas isso é coisa do passado...

8 -
Deus me deu esta benção!...
- Mas eu paguei o preço.
- Mas eu fiz por onde merecê-la.
- Mas não posso dividir com você porque posso estar interferindo na vontade de Deus. Vai que Ele não quer que você tenha...
- Se você quiser, pague o preço como eu paguei.
9 - Não se deve julgar pelas aparências. As aparências enganam”... mas freqüentemente nos deixamos levar por elas para emitir juízos acerca dos outros. Julgamos pela roupa, pelo corte de cabelo, pelo tamanho da saia, pelo tipo de maquiagem (ou a falta dela), pelo jeito de andar, de falar, pelo aperto de mão, pela procedência. Freqüentemente, falamos ou ouvimos alguém falar: “Como você é diferente do que eu imaginava. Minha primeira impressão era de que você era outro tipo de pessoa”.
10 -
A santificação é um processo de dentro para fora – mas na prática não basta ser santo, tem que parecer santo. Se a tal “santificação” não se manifestar logo em um comportamento pré-estabelecido, num jeito de falar, andar, vestir e de se comportar é porque o sujeito não se “converteu de verdade”...

Que possamos transformar nossas falas em prática, deixando de lado a hipocrisia e a falsidade. Esse negócio de “faça o que eu digo e não o que eu falo” não funciona mais!

(editado a partir de um texto que recebi por e-mail)
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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Os líderes evangélicos e a mídia conservadora


Durante um tempo, fiquei com uma dúvida. Pensei em escrever sobre a hediondez de que é capaz o ser humano afastado de Deus, como no caso terrível do jogador Bruno. Mas os meios de comunicação já exploraram ao máximo esse triste episódio. Pois o ex-goleiro do Atlético Mineiro e Flamengo diz que é evangélico, e pelo menos um pastor de BH confirmou que ele quase foi batizado em sua igreja, conhecida na cidade como a “igreja dos jogadores”.  
Hoje em dia é fácil ser evangélico. Eduardo Cunha e Jair Bolsonaro se dizem evangélicos. Vão a cultos e "dão testemunho". Até o Charles Henriquepédia disse que é evangélico, embora também invoque “as armas de Jorge” para se proteger (Charles é uma figuraça que apareceu no programa “Pânico na TV” para substituir Zina, aquele que toda hora falava “Ronaldo!”, e que depois se envolveu com drogas e polícia. Assim como era feito com Zina, o programa explora o lado ridículo de Charles, que sabe tudo das “celebridades” e quando as novelas foram ao ar. Ah, e as “armas de Jorge” são a proteção que os umbandistas pedem a “são” Jorge, o “santo guerreiro”). Pode um negócio desses? Mas esse assunto já está ficando batido demais, e resolvi dar um tempo. Até mesmo para não receber de novo as mesmas mensagens sem fundamento: “não devemos julgar”, e assemelhadas, emitidas por quem se esquece de que a Bíblia manda, sim, julgarmos e exortarmos aqueles que não se comportam de acordo com ela.
Note bem, não de acordo com nosso senso do que é certo e errado, mas de acordo com a Bíblia. Assim, depois de receber mundos de e-mails pedindo para não votar em tal e qual deputado, outros dizendo que se eleita Dilma Roussef seria presa em Nova York, incluindo montagens com a sua ficha policial, fiquei me perguntando se as pessoas que divulgam essas notícias têm consciência do que estão fazendo, ao repercutir certos valores que muitas vezes não conhecem.
Então resolvi fazer esta postagem política.
É sabido que certos veículos de comunicação exercem grande influência junto à população em geral. A TV, por exemplo. O Brasil é um dos países onde há o maior número de aparelhos
instalados. Há mais TVs do que geladeiras. Também não há dúvidas de que a principal emissora do país, em termos de audiência, é a TV Globo.
O que nem todos sabem – ou pelo menos fingem não saber – é que a TV Globo foi, desde sempre, é e sempre será, uma porta-voz das classes superiores da sociedade brasileira. E como tal, irá, sempre, agir a favor dos interesses dessas classes. Foi assim quando ela se posicionou claramente a favor de Fernando Collor e contra Lula, violando um dos princípios básicos do jornalismo, que é a neutralidade – conceito por si discutível, mas ao editar o famoso debate entre os candidatos, assumiu de vez a manipulação dos fatos a favor de uma das partes. Para quem não sabe, ou esqueceu, basta procurar no Youtube a versão original e a editada.
A TV Globo ignorou por completo a épica campanha pelas eleições diretas para presidente da república. Não saía nada nos telejornais, e nem uma linha no O Globo. É como se não tivessem existido as multidões de 200.ooo pessoas, em média, que compareciam a cada comício, nas principais cidades do país. Até aqui, nenhuma novidade. O que estranha é a tentativa de se apresentar como neutra.
Já a revista Veja atribui as enchentes do início deste ano, em São Paulo, governado pelo PSDB/DEM, à natureza. No Rio, o desastre é culpa do governo do PMDB, aliado ao governo federal (clique aqui para ver).
E eis que acontece em São Paulo um certo “Fórum Democracia e Liberdade de Expressão”, o qual reuniu, em 1º de março, a tropa de elite do jornalismo nacional para “debater ameaças” à liberdade de imprensa. Compareceram, dentre outros, Roberto Civita, dono do grupo Abril (leia-se “Veja”), Otavio Frias (Folha de S. Paulo), Demetrio Magnolli (Época e Folha), Arnaldo Jabor, William Waack, Carlos Alberto Sardenberg (todos da Globo) e outros luminares de mesma estirpe. Ora, o que se viu, ao custo de R$500 o ingresso, foi a edição de uma cartilha conservadora e de uma pauta para cobrir as próximas eleições. Todos contra Lula e o governo, em prol de Serra e do conservadorismo, assim como foi em 2006. É o chamado “pensamento único” em relação a temas como privatizações, flexibilização de direitos trabalhistas, desregulamentação do mercado etc. 
E agora o que vemos é a romaria sistemática de candidatos às igrejas, em busca do lucrativo filão evangélico. Há que se desconfiar, em primeiro lugar, dos líderes que cedem o púlpito a candidatos. Serra já foi multado pelo TSE por ter comparecido a um congresso dos Gideões, e consta inclusive que depositou uma generosa oferta no gazofilácio - o que lhe gerou um processo no TSE. Obviamente, há coisas que foram ditas a tais líderes que só virão a público no juízo final. Eles não irão compartilhar com suas ovelhas seus acordos!
Em segundo lugar, há que se desconfiar da própria ideologia política de tais “líderes evangélicos”, se é que a têm. Porque são como ondas do mar, levados para onde o vento sopra. Há pouco tempo atrás, Lula era a encarnação do capeta. 
Diziam que se o PT ganhasse, iria fechar igrejas, perseguir os crentes e confiscar seus bens. Oito anos depois, as igrejas vão de vento em popa. As que foram fechadas, o foram por conta própria: deixaram templos desabar em cima de fiéis, morreu gente, etc. E vão dizer que é perseguição. E muitos desses “líderes” que demonizaram Lula agora recebem a candidata do PT entre beijos e abraços.
Outros já alardeiam que o vice dela, Michel Temer, seria satanista, informação colhida a partir de certos relatos de pessoas envolvidas em “batalha espiritual”. Essas pessoas, aliás, já caíram em tantas contradições que se viram obrigadas a declarar que seus livros sobre o assunto, até então tidos como verdadeiros “manuais do guerreiro”, não passavam de mera “ficção”. 
Outros ainda, em busca da lendária “terceira via”, elegeram Marina Silva como a esperança da nação, porque “é evangélica”. Será que se esqueceram onde estava Marina há dois anos? Há dez ou vinte anos?
Para quem não sabe, ou convenientemente esqueceu, Marina era do mesmo partido a quem esses “líderes” chamavam de baderneiro, invasor de terras, grevista, terrorista. Marina lutou ao lado de Chico Mendes, foi fundadora da CUT, figurou entre os pensadores do PT, foi ministra do governo Lula. E de repente, ao sair do partido, virou a santa padroeira dos evangélicos. Então eu pergunto: quando um candidato deixa de ser o cão chupando manga e passa a ser o enviado dos céus – e vice-versa?  
A revista Le Monde Diplomatique, em sua edição 36 (julho de 2010) aponta uma série de lobistas que apareceram recentemente nos canais americanos CNN, FoxNews e MSNBC. Dentre eles, o general aposentado Barry McCaffrey, por exemplo, defendeu que a guerra no Afeganistão deveria continuar por pelo menos mais 3 a 10 anos. A emissora não informou que o “especialista” trabalhava para uma das maiores empresas militares privadas do mundo, responsável por um contrato de US$5,9 bilhões com Pentágono.
Bernhard Whitman apareceu em 2008 na FoxNews como especialista em economia, e acusou o governo americano de “não entender nada de economia” por não ajudar a mega-seguradora AIG, em dificuldades financeiras. A Fox não disse ao público que Whitman era funcionário da AIG. O governo ajudou a AIG, e o resto da crise financeira que afundou os Estados Unidos, todo mundo conhece.
Em 2009 Richard Gephardt, bastante conhecido no meios políticos e sindicais americanos, apareceu na MSNBC afirmando que não era essencial um seguro social que era um dos pilares da reforma do sistema de saúde americano. Nada foi dito sobre a atuação do entrevistado como consultor de laboratórios da indústria farmacêutica e companhias de seguro privadas. Se isso ocorre do lado de cima o Equador, por que não aconteceria aqui? Qual seriam os interesses reais da turma acima citada, e seu “Fórum da Liberdade de Expressão”? Quais seriam os reais interesses dos chamados “formadores de opinião” da mídia? O que move certos líderes “espirituais” a se manifestarem a favor desse ou daquele candidato, desde vereador até os presidenciáveis?
Prefiro formar minha própria opinião, que certamente não será totalmente isenta de inclinações ou preferências ideológicas, mas com certeza não será baseada no que certos “líderes” inconstantes alardeiam do alto de seus púlpitos, de seus congressos, de seus livros e agora também de seus blogs; e muito menos do que sai no Jornal Nacional ou no Fantástico. Minha posição política será sempre pautada não pela imprensa conservadora e seus “especialistas”, mas pelos programas dos candidatos e dos partidos; pelo exame de suas vidas públicas, de suas realizações enquanto administradores e de seus projetos para a classe à qual tenho orgulho de pertencer: a uma classe trabalhadora, de gente comum, que recebe salário e paga imposto em dia. Que não é dono de empresa, que não lucra com a especulação de juros, que não tem conta no exterior, que não vive às custas de exploração de terceiros. Esse sou eu.
Assim, que motivos eu teria para eleger um candidato que irá limitar meus direitos adquiridos à força de mobilização, de união? É evidente que, para um empresário, um dono de fábrica, um banqueiro, alguém que pertence às elites, faz todo sentido apoiar políticos desse tipo. Para mim, não. Para você, não sei. Pode ser que faça sentido. Ou que você pense fazer sentido.
Pense em quem você está colocando no poder. Será que esse sujeito a quem você está pensando em dar seu voto irá te defender, de fato? Ou irá fazer a vontade daqueles que lhe prestaram apoio, lhe doando milhões para que legisle de acordo com o patrocinador, e que se dane o povo, que esses candidatos e seus porta-vozes globais fazem questão de tentar apagar da História?
Elementos que nada fazem para diminuir as diferenças sociais, para minimizar os problemas da nação como um todo e não apenas beneficiar determinados grupelhos?
Por que motivos eu votaria em um candidato só porque tal “líder evangélico” determinou que é o que Deus quer para o país? Que credibilidade têm tais líderes, que como camaleões mudam de cor a cada estação? Certamente não mais do que os tais “especialistas” que aparecem dando seus palpites nos telejornais. Na maioria, tanto esses “especialistas da mídia” como alguns “líderes evangélicos” estão com o rabo preso.
Quem me dera que tais “líderes” no Brasil se engajassem em prol de causas humanitárias e sociais, como foi o caso de Martin Luther-King e Jesse Jackson. Quem me dera que os jornais brasileiros fizessem como o New York Times e o Washington Post: “apoiamos tal candidato sim”, e não ficassem posando de neutros como aqui. Tal e qual nossos “líderes ungidos”, que a cada quatro anos ungem e desungem políticos, e atrás deles, a multidão de “maria-vai-com-as-outras”, sem cérebro, sem senso crítico, sem vontade política. Mera massa de manobra.
Com informações da Revista Brasil, nº46, abril de 2010.
Ilustração: Eugenio Neves (capturada na Internet)

domingo, 4 de outubro de 2009

Os novos vendilhões

O propósito eterno de Deus Pai é ter uma família com muitos filhos, e todos estes semelhantes ao seu Filho Unigênito, perfeito e misericordioso Jesus Cristo. Se verdadeiramente nosso objetivo for de gloria em gloria ficarmos parecidos com Jesus, temos de fazer o que ele fez, tendo paz com os homens, mas sem querer agradá-los mais que ao nosso Deus.

Nos tempos da Lei, antes da dispensação da Graça, na porta do templo eram vendidos diversos utensílios utilizados para as ofertas e sacrifícios, onde a Lei era devidamente atendida. No mesmo local cambistas montavam suas barracas, para trocar em moeda local o dinheiro corrente na época, que eram trazido por Judeus de diversas localidades. Segundo a tradição, somente um tipo de moeda era aceita, e mesmo assim deveria corresponder ao valor do animal a ser ofertado, pois o dízimo deveria ser apenas em produtos rurais. A oferta em dinheiro, inclusive, foi criada posteriormente, no tempo do rei Josias, para ajudar a reconstrução do templo. A oferta em dinheiro não fazia parte da lei mosaica.
Aparentemente, os vendilhões não estavam transgredindo a Lei; muito pelo contrário, vendiam utensílios que supostamente serviam para glorificar o Deus criador do céu a da terra.
No evangelho de João, durante uma visita a Jerusalém, Jesus Cristo, passando pela entrada do templo, improvisou um tipo de corda e derrubou as barracas, declarando que aquele não era o local apropriado para vendas.
O templo é um local de oração para todos os povos, creio que Jesus Cristo não mudou de opinião no que se refere ao que deve ou não ser feito quando se está no trajeto para o templo.
As coisas espirituais devem ser discernidas espiritualmente e todos querem ser verdadeiramente espirituais, porém muitas passagens das sagradas escrituras são claras como o sol do meio dia e não necessitam de tanta espiritualidade para serem entendidas e fortalecerem nosso espírito.
Logo após minha conversão eu era uma criança espiritual e agia espiritualmente como criança. Não entendia muitas das passagens da Santa Escritura, e apenas aceitava como um tipo de dogma que vinha de um sacerdote mais experiente que eu - não questionava muito para não parecer insubordinado. Porém, à medida em que buscava entendimento, me libertava de dogmas e do domínio de homens. Bastou entender que nosso Deus não é um Deus de confusão e que tudo que necessitamos para ficarmos parecidos com Cristo está revelado na Bíblia. Nenhuma nova revelação será feita até a volta de Cristo! Perdi o medo de questionar alguns pregadores e lideres que muitas vezes não têm resposta, ou mesmo as ocultam. Todos os crentes que buscarem verificar nas Escrituras se o que foi pregado tem respaldo bíblico agradam verdadeiramente nosso Deus. Esses são tidos diante de Deus como “mais excelentes”, a exemplo dos irmãos de Beréia.
Os vendilhões estão de volta! Simplesmente substituiram pombas, pássaros e bancas de câmbio por CDs, Bíblias, chaveiros, livros, camisas e outras coisas que também servem para “glorificar a Deus” - tudo disponível nas entradas ou mesmo em pequenas lojas dentro dos templos. Qual seria atitude de nosso Senhor Jesus Cristo visitando um desses locais que tanto facilitam o comércio? Não precisamos pensar muito para saber a resposta.
Claro que NÃO ESTAMOS incentivando a quebra destas lojas! Mas em atitude de oração pedimos a Deus que estas pessoas venham a ter suas mentes renovadas pelo pleno entendimento da Palavra. Cristo nesta lição no templo deixou muito claro que não devemos tirar nenhum tipo de proveito financeiro através da fé dos crentes! Ele também nos ensinou que, porque devemos ser submissos às autoridades constituídas, com suas leis e regras, danificar patrimônio alheio é crime e pecado.
Não sou contra a venda de produtos - muito pelo contrário, tenho até adquirido alguns, só que nas lojas instaladas em locais adequados, destinados ao comércio. Que não misturem as coisas de Deus com venda: tudo que Deus nos deu foi de graça, a conta foi paga por Cristo na Cruz. Se de graça recebemos de graça daremos. Que tais produtos sejam comercializados em locais mais adequados.
 
(Colaboração de Luiz de Jesus Peres)