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domingo, 11 de setembro de 2022

Sou candidato, vote em mim!

Sim, isso mesmo. Sou candidato a vereador nas próximas eleições. Percebo que há coisas que precisam mudar, então resolvi fazer a minha parte. Para quem não sabe quem sou, pois realmente sou pouco conhecido, enumero abaixo as minhas propostas.

“Sou a favor do regime de exceção. Acho que o erro da ditadura foi matar pouca gente, deveria ter matado pelo menos uns 30 mil, a começar com o Fernando Henrique Cardoso. Meu negócio é matar. Aliás, sou favorável à tortura, vocês já sabem disso”.

Em relação às mulheres, defendo que elas “devem ganhar menos que os homens, porque engravidam. As mulheres nascem quando o homem dá uma fraquejada. E não me venham com mimimi, porque há muito vitimismo no tocante a essa qüestão. Inclusive só não estuprei uma colega porque ela não merecia”. Logo eu que na roça “ia atrás de galinha no galinheiro... alguns mais malandros iam na bezerrinha, na jumentinha, era comum, naquele tempo não tinha mulher”, mas quando fui deputado “usava o dinheiro para comer gente”.

Fui batizado por um pastor no Rio Jordão, mas “não sigo a religião evangélica”. Vou aos cultos porque minha mulher gosta, e porque isso me dá muitos votos. Tanto que meu atual casamento foi feito por um pastor, apesar de que eu e minha esposa sermos divorciados. Ainda bem que os evangélicos agora aceitam esse tipo de coisa.

Por falar em casamento, “sou totalmente a favor da família”, e por isso já tive três esposas e cinco filhos.

Sou contra o aborto, apesar de que o quarto filho bateu na trave, pois “eu queria que a companheira abortasse, mas ela quis manter e ele está aí até hoje... Não existe homofobia, mas eu preferia um filho morto a um homossexual”.

Na qüestão ambiental, “se depender de mim o índio não terá um centímetro de terra, porque os índios são responsáveis pelas queimadas. A cavalaria americana por exemplo dizimou seus índios no passado, e hoje não tem esse problema em seu país. E o quilombola, que não faz nada e devia ser pesado em arroba, não serve nem para procriar. Se for ver a História, o português nem pisava na África, os próprios negros que entregavam os escravos”.

Vamos criar auxílio para ajudar os pobres, porque “o pobre só serve pra votar, com título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso. Voto não muda nada, só uma guerra civil”.

No tocante a economia, “não sou especialista e não sei nada”, perguntem ao meu secretário das finanças que “ele vai explicar como faremos para governar isso daí”.  Por falar em economia, “eu sonego tudo que posso”.

Na saúde, “não posso fazer nada. Tenho histórico de atleta, por isso sou contra vacinas. Vão morrer alguns, infelizmente, mas e daí? Todos vamos morrer um dia. Não sou coveiro! Este é um país de maricas!

Sou de fora da política, mas quem for da oposição, vamos varrer na bala. Vamos botar esses picaretas pra comer capim na Venezuela.

Se depender de mim, todo cidadão vai ter acesso a armas de fogo dentro de casa. Quero todo mundo armado”.

 

Então, diante disso daí, você me daria seu voto?

Se você concorda comigo, vote em mim.

Meus valores também são os seus, vamos mudar isso daí, tá ok?

 

NOTA: os trechos entre aspas são reais.

 

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domingo, 29 de agosto de 2021

Se Jesus fosse bolsonarista...

Talvez alguns de vocês tenham visto meus textos anteriores, “Se Jesus fosse católico” (link: https://bityli.com/Nxrjp) e “Se Jesus fosse um crente moderno” (link: https://bityli.com/CUE9n)   - se não viram, e se quiserem, ou se viram e se quiserem reler, cliquem nos links. Este é uma continuação.

Se Jesus fosse bolsonarista, ou se apoiasse politicamente, ideologicamente e concordasse com as atitudes do homem que preside o Brasil neste ano da graça de 2021, Ele provavelmente não teria multiplicado os peixes para alimentar a multidão (Mateus 15:36-38), mas diria que era preciso que o povo aprendesse a pescar.

Se Jesus fosse favorável ao bolsonarismo, quando os fariseus o questionavam com perguntas elaboradas (Mateus 15:1-2; Marcos 7:5), teria dito “pergunta pra tua mãe, acabou a conversa”, virando as costas e indo embora rapidamente.

Se Jesus fosse bolsonarista, talvez dissesse como o ministro da educação Milton Ribeiro, que “pessoas com deficiência atrapalham as outras”, e assim não teria curado a mulher encurvada (Lucas 13:11-13). E o homem paralítico estaria até hoje na fonte de Betesda esperando o anjo agitar as águas e tentando chegar primeiro (João 5:1-16). Fora incontáveis outros (Mateus 15:30-31; 21:14).

Se Jesus pensasse como bolsonarista, não iria chorar ao ver que Lázaro havia morrido (João 11:11,35), mas diria para todos ouvirem: “E daí? Não sou coveiro”.

Se Jesus concordasse com Bolsonaro, não teria conversado tanto tempo com a mulher samaritana (João 4:1-30), mas a teria insultado com termos como “quadrúpede”, e “não te estupro porque você é feia” (https://bityli.com/bEEpG).

Se Jesus fosse bolsonarista, em vez de se dirigir à multidão com as bem-aventuranças (Mateus 5:1-11) e muitos outros ensinamentos do “Sermão do Monte”, teria incitado o povo a cercar o Sinédrio e exigir a imediata deposição do tribunal supremo de Israel, ameaçando de morte a Anás e Caifás.

Se Jesus a favor desse presidente, não teria advertido a Pedro sobre o uso das armas e suas conseqüências (Mateus 26:52), mas sim defendido que todo o povo de Jerusalém procurasse comprar espadas “para se defender”.

Se Jesus fosse bolsonarista, não teria nem dado atenção ao ladrão na cruz (Lucas 23:40-43), porque “bandido bom é bandido morto”.

Se Jesus fosse fã do presidente, não iria dizer palavras de consolo a Maria Madalena (João 20:11-17) e aos discípulos entristecidos (Lucas 24:34-46), mas perguntaria “vão ficar de mimimi aí até quando?”.

Se Jesus fosse favorável ao bolsonarismo, não diria que Seu Reino não era deste mundo (João 18:36), mas teria externado Sua opinião de que Pilatos deveria ser substituído por Simão Zelote, já que era preciso ter Seus representantes no governo.

Se Jesus concordasse com esse governo, teria sacudido de Si o manto com que os soldados lhe cobriram (Mateus 27:28), e diria em alto e bom som: “minha capa jamais será vermelha”.

Se Jesus fosse bolsonarista, não chamaria seus discípulos de amigos (João 15:13-15) nem diria os seus nomes (Marcos 14:37; João 11:11, 43; 20:29), mas simplesmente os numeraria: 01, 02, 03 3tc. Ele diria “01, tu me negarás”, e também “09, coloca aqui o teu dedo”...

Finalmente, se Jesus fosse como Bolsonaro, jamais diria “entrego a minha vida pelas minhas ovelhas” (João 10:15), mas sim “e daí? vão morrer alguns, mas não posso fazer nada, vida que segue”.

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sábado, 20 de julho de 2019

1260 dias: a tribulação brasileira


A Bíblia é rica em simbologias. Muita gente se confunde ao ler textos dos profetas. Cheios de visões, às vezes enigmáticas, não é de hoje, mas principalmente hoje, causam algumas confusões. Principalmente quando cismam de ler Apocalipse – talvez um dos textos mais simbólicos já escritos – sem considerarem o contexto, e acabam fazendo interpretações confusas e não raro, bastante heréticas.
Não é a intenção aqui fazer interpretações ou soltar profetadas. Vou fazer apenas um exercício, do tipo “e se...”
Um símbolo profético muito interessante se refere, em Apocalipse, a um período de tempo contado em dias – 1260 dias. Em Apocalipse lemos que viria sobre a terra um período de grande dificuldade e eventos espantosos, a que Jesus já havia se referido anteriormente como “a tribulação” ou “a grande tribulação”. É importante notar que 1260 dias equivalem a três anos e meio, e também a quarenta e dois meses.
Veja por exemplo Apocalipse 12:6, onde lemos que “a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias”.
Apocalipse 12:14 completa: “E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente”.
Apocalipse 13:5 explica que “foi-lhe [à besta] dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses”.
Apocalipse 11:2 diz explicitamente: “pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses”.
Daniel 7:25, uma passagem que todos os estudiosos consideram ser uma conexão direta com esses trechos de Apocalipse, também faz essa referência ao período da tribulação “um tempo, e tempos, e a metade de um tempo”, ou seja, um ano + dois anos + meio ano. Três anos e meio = 42 meses = 1260 dias. Todas as passagens aludem com absoluta precisão ao tempo de duração desse período tenebroso.
Na data de hoje, 20 de julho de 2019, faltam exatos 1260 dias para terminar o atual governo. Temos pela frente exatos três anos e meio.
O atual presidente, eleito com massivo apoio dos setores conservadores e religiosos – e entre esses, a quase totalidade dos ditos cristãos evangélicos – foi guindado ao poder, como se sabe, com base na promessa de impedir o “comunismo”. Seja lá o que entendem por “comunismo”. 
Não vamos entrar em detalhes porque todos já sabem a história da facada, o uso indevido das redes sociais, o estranho processo contra seu principal oponente, etc. Vamos considerar apenas o que ele fez depois de eleito. É quase impossível perceber que a chegada desse homem ao palácio presidencial trouxe, em apenas seis meses de governo, uma série de situações extremamente preocupantes.
Senão, vejamos.
Defende porte de armas para a população como medida de proteção pessoal (assumindo o fracasso da política nacional de segurança), levando o país aos tempos do faroeste.
Foi a Israel e ao Muro das Lamentações, mas diferente de outros chefes de Estado, ignorou a comunidade palestina. Para piorar, prometeu mudar a embaixada brasileira de Telavive para Jerusalém, e causou mal-estar entre as nações árabes, que retaliaram boicotando as importações de bens brasileiros e prejudicando milhares de produtores aqui. Os filhos do presidente são um capítulo à parte. Um deles quis ser engraçadinho com o Hamas e já entrou no radar dos extremistas.
A declaração tacanha de sua ministra (evangélica) de que crianças têm que usar roupas de cores pré-determinadas (nem os regimes mais totalitários ousaram tal interferência na vida das pessoas).
Anunciou que vai acabar com a TV pública.
Cortou diversas verbas de caráter social, inclusive dispensando milhares de médicos cubanos que prestavam serviço à população carente em lugares onde outros médicos não iam, e onde falta o serviço público de saúde, mas aumentou em 63% os gastos com publicidade. Em três meses, foram gastos R$ 75,5 milhões com propaganda. A Record e o SBT lideram o ranking dos veículos que mais receberam dinheiro do governo.
Um ministro das relações exteriores que defende o contato com seres extraterrestres.
Presidente liberou estrangeiros de visto de entrada no país, e ainda por cima fez apologia do turismo sexual: “quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”. 
Um ministro da educação que afirma que as universidades devem ser varridas porque seriam antros de nudismo, orgias sexuais e consumo de drogas, além de defender a sua total privatização impedindo, assim, o acesso de milhões de jovens que não têm como pagar pelo ensino público.
Sem falar nas ligações cada vez mais claras com o crime organizado, milícias no Rio de Janeiro e tráfico internacional de drogas em avião presidencial.
Ações da Petrobras se desvalorizaram mais de 8% em um único dia, fazendo a empresa perder R$ 32 bilhões, porque o presidente interferiu na política de preços da companhia, desagradando ao mercado – exatamente o que ele acusava o governo anterior, e que prometeu não fazer.
Liberou centenas de agrotóxicos proibidos no resto do mundo. Nossos produtos agrícolas serão banidos lá fora, mas nós teremos que engolir isso – literalmente.
A “reforma” previdenciária vai retirar direitos históricos da população mais pobre, com o aumento absurdo da idade mínima, a redução dos valores das aposentadorias e pensões (inclusive das pessoas com deficiências). De R$ 1 trilhão “economizados”, mais de 80% serão retirados dos contribuintes que ganham até dois salários mínimos. Em síntese, os brasileiros terão que trabalhar mais e ganharão menos, desmentindo a propaganda oficial que fala em “fim dos privilégios”. Se esta fosse a intenção, o governo deveria trabalhar pela taxação de lucros e dividendos, imposto sobre grandes fortunas e heranças, cobrar as empresas devedoras (quase esse R$ 1 trilhão) e quem sabe, taxar a arrecadação das igrejas, que trariam um aporte significativo de recursos para equilibrar as contas.
Nomeou parentes para cargos públicos, com salários milionários – inclusive embaixadas importantes. Imagine se o ex-presidente Lula ou a ex-presidente Dilma indicassem filhos ou outros parentes para cargos públicos, ainda mais com relevância internacional como embaixadas. Os pastores estariam enlouquecidos em seus púlpitos e as ruas já teriam sido ocupadas pelas camisas amarelas...
E para terminar o rol das aberrações, assim como o anticristo de Apocalipse exerce o poder político mas tem um falso profeta que o ajuda, legitimando seus atos absurdos e o defendendo perante a opinião pública e principalmente junto ao segmento religioso, temos os tuítes diários de Silas Malafaia, cujo espírito crítico fui enterrado há anos junto com o seu chamado para pastorear o rebanho. Note mais uma vez: estudiosos são unânimes em dizer que a grande massa de religiosos deste planeta seguirá um líder asqueroso, hipnotizados por ele e por seu falso profeta.
Só se passaram seis meses e já vimos quase de tudo. Até vídeo pornográfico no Twitter do presidente.
Agora pense nos próximos 1260 dias.
Sabemos que a verdadeira tribulação apocalíptica ainda não se iniciou, porque será de proporções mundiais e não locais. Mas sabemos também que muitos antítipos do Anticristo têm surgido pelo mundo (cf. II João 1:7). Poderíamos citar várias figuras pela História (uma disciplina bem negligenciada ultimamente; se fosse estudada com mais afinco, pouparíamos muitos dissabores...), como Nero, Napoleão, Átila, Hitler, Stalin. Todos tinham algo de anticristo, algumas semelhanças, algumas atitudes, mas serviram apenas de aviso. De exemplo do que está por vir. Ainda não eram “O” anticristo de Apocalipse, mas uma amostra grátis. Uma degustação.
Talvez tenhamos, hoje, um exemplo bem forte e com muitos sinais proféticos.
Deus nos dê força para suportarmos essa “mini-tribulação” de 1260 dias.

Este texto tem 1260 palavras.

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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

FAKE NEWS!

Recentemente, popularizou-se a expressão “fake news”, que significa literalmente “notícias falsas”. Uma descrição um pouco mais detalhada, que se pode conseguir em qualquer dicionário online, diz que “fake news” são
a distribuição deliberada de desinformação ou boatos via jornal impresso, televisão, rádio, ou ainda online, como nas mídias sociais. Este tipo de notícia é escrito e publicado com a intenção de enganar, a fim de se obter ganhos financeiros ou políticos, muitas vezes com manchetes sensacionalistas, exageradas ou evidentemente falsas para chamar a atenção. O conteúdo intencionalmente enganoso e falso é diferente da sátira ou paródia. Estas notícias, muitas vezes, empregam manchetes atraentes ou inteiramente fabricadas para aumentar o número de leitores, compartilhamento e taxas de clique na Internet, independentemente da veracidade das histórias publicadas. (...) o aumento da polarização política e da popularidade das mídias sociais, principalmente a linha do tempo do Facebook, têm implicado na propagação de notícias deste gênero. A quantidade de sites com notícias falsas anonimamente hospedados e a falta de editores conhecidos também vêm crescendo, porque isso torna difícil processar os autores por calúnia. A relevância dessas notícias aumentou em uma realidade política "pós-verdade" (...) Este tipo de notícia, encontrada em meios tradicionais, mídias sociais ou sites de notícias falsas, não tem nenhuma base na realidade, mas é apresentado como sendo factualmente corretas. (fonte)
Apesar de parecer recente, a prática é antiga.
- O político e general romano Marco Antônio cometeu suicídio motivado por notícias falsas (em 31 a.C.). Haviam dito a Marco Antonio que sua mulher, Cleópatra, havia cometido suicídio.
- No século VIII, a Doação de Constantino foi uma história forjada, em que supostamente Constantino havia transferido sua autoridade sobre Roma e a parte oeste do Império Romano para o Papa. Isto serviu de base para a posterior reivindicação dos reis franceses sobre grandes territórios.
- Poucos anos antes da Revolução Francesa, vários panfletos eram espalhados em Paris com notícias, muitas vezes contraditórias entre si, sobre o estado de falência do governo. Eventualmente, com vazamento de informações do governo, informações reais sobre o estado financeiro do pais foram a público.
- Benjamin Franklin escreveu notícias falsas sobre índios assassinos que supostamente trabalhavam para o Rei George III, com o intuito de influenciar a opinião pública a favor da independência americana.
- Em 1835 o jornal The New York Sun publicou notícias falsas usando o nome de um astrônomo real e um colega inventado sobre a descoberta de vida na lua. O propósito das notícias era aumentar as vendas do jornal. No mês seguinte o jornal admitiu que os artigos eram apenas boatos.
- Uma contribuição valiosa para a vitória de Eurico Gaspar Dutra na eleição presidencial de 1945 veio de Hugo Borghi, que distribuiu milhares de panfletos acusando o candidato Eduardo Gomes de ter dito: ''Não preciso dos votos dos marmiteiros''. O que Eduardo pronunciou na verdade, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 19 de novembro (menos de um mês antes do pleito, ocorrido em 2 de dezembro), foi: "Não necessito dos votos dessa malta de desocupados que apoia o ditador para eleger-me presidente da República". (fonte)

A Bíblia também nos fala de “fake news”. Talvez a mais famosa dessas notícias falsas, espalhadas deliberadamente, tenha sido a de que o corpo de Jesus tinha sido roubado e escondido pelos discípulos após a ressurreição: “E, quando iam, eis que alguns da guarda, chegando à cidade, anunciaram aos príncipes dos sacerdotes todas as coisas que haviam acontecido.
E, congregados eles com os anciãos, e tomando conselho entre si, deram muito dinheiro aos soldados,
Dizendo: Dizei: Vieram de noite os seus discípulos e, dormindo nós, o furtaram.
E, se isto chegar a ser ouvido pelo presidente, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança.
E eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. E foi divulgado este dito entre os judeus, até ao dia de hoje”
(Mateus 28:11-15).
Outra história que se espalhou por um entendimento errado foi a de que o apóstolo João não morreria:
“Vendo Pedro a este (o discípulo João), disse a Jesus: Senhor, e deste que será?
Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu.
Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?
(João 21:21-23).
Em Marcos 3:22, os escribas, indignados com a popularidade de Jesus, diziam que Ele operava milagres pelo poder de Satanás: “E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: Tem Belzebu, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios.
Paulo foi preso várias vezes, vitimado por “fake news”. Em Filipos, a acusação era contra ele e Silas: E, apresentando-os aos magistrados, disseram: Estes homens, sendo judeus, perturbaram a nossa cidade,
E nos expõem costumes que não nos é lícito receber nem praticar, visto que somos romanos.
E a multidão se levantou unida contra eles, e os magistrados, rasgando-lhes as vestes, mandaram açoitá-los com varas.
(Atos 16:20-22)
Em Jerusalém, os judeus da Ásia, vendo-o (Paulo) no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele, clamando: Homens israelitas, acudi; este é o homem que por todas as partes ensina a todos contra o povo e contra a lei, e contra este lugar; e, demais disto, introduziu também no templo os gregos, e profanou este santo lugar.
Porque tinham visto com ele na cidade a Trófimo de Éfeso, o qual pensavam que Paulo introduzira no templo.E alvoroçou-se toda a cidade, e houve grande concurso de povo; e, pegando Paulo, o arrastaram para fora do templo, e logo as portas se fecharam. E, procurando eles matá-lo, chegou ao tribuno da coorte o aviso de que Jerusalém estava toda em confusão. (Atos 21:27-31)
Esta confusão só foi parcialmente desfeita quando o tribuno responsável pela segurança de Paulo escreveu uma carta ao governador esclarecendo tudo (Atos 23). Mas lemos no capítulo seguinte que os judeus continuavam a insistir na notícia falsa: “Verificamos que este homem é uma peste: suscita tumultos entre todos os judeus do mundo inteiro e é um chefe do partido dos nazareus. Tentou mesmo profanar o Templo; nós então o prendemos” .
Vemos, portanto, que as “fake news” são uma lástima. O pior disso tudo é ver cristãos praticando esta desgraça, diariamente, fazendo o serviço de Satanás, o pai da mentira. A USP (Universidade de São Paulo) fez um estudo onde apontava os principais produtores de notícias falsas no Brasil. O campeão das mentiras era o MBL, a mesma organização que teve centenas de páginas e perfis (próprios e vinculados) suspensos pelo Facebook, justamente por espalhar notícias falsas.
Já a revista Época, na sua edição 1034, fez um levantamento onde o site cristão de notícias “Gospel Prime” - cujo slogan é “o cristão bem informado” - foi denunciado como “o maior fabricante de notícias falsas”, devido à técnica de distorcer informações verdadeiras com mentiras. Um exemplo é a notícia da liberação de recursos do governo brasileiro para ajudar na reforma da Basílica da Natividade, local do nascimento de Jesus, hoje sob domínio da Autoridade Palestina (frequentemente referida no portal como “terroristas islâmicos”). Trata-se de uma medida que fere o Estado laico, porque o governo não pode subsidiar entidades religiosas, mesmo no exterior. Mas o Gospel Prime não lembrou que o Brasil é um Estado laico, como era de se esperar, mas, sem qualquer prova, divulgou que o dinheiro estava sendo “enviado a terroristas palestinos”.  O alegado fato foi reproduzido em redes sociais, principalmente por evangélicos, incluindo o pastor/deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR), líder da Frente Parlamentar Evangélica, que gravou um vídeo comentando a “grave denúncia”. Este pastor, aliás, é o mesmo que apresentou um projeto de lei que previa descontar o dízimo na folha de pagamento dos empregados.
A jornalista Helena Borges, da “Época”, descobriu que deputados evangélicos usaram dinheiro de cota parlamentar para pagar ao Gospel Prime por “textos jornalísticos”. Pelo menos seis notas fiscais provam que os deputados Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) e Geovania de Sá (PSDB-SC) compraram textos elogiosos do Gospel Prime, entre 2015 e 2016, ao preço de R$ 250 cada um (fonte). Um dos textos publicado no período diz que “Sóstenes Cavalcante é o deputado mais atuante do RJ”. Obviamente os responsáveis pelo site e um grande número de seus leitores esbravejaram. As reações vão desde “imprensa comunista” (!) até “perseguição de Satanás” (fonte).
Esta reação exagerada é compreensível, mas não deve ser tolerada, principalmente em tempos de polarização política. Notícias que exaltam candidatos conservadores como Bolsonaro e Cabo Daciolo no referido site recebem comentários elogiosos, ao passo que quando se fala de Lula, Haddad, Manuela D’Ávila e Guilherme Boulos, os mais à esquerda, apenas os estômagos mais fortes conseguem ler o que se comenta.
Por outro lado, uma matéria recente que dizia que Lula tinha muitos votos entre o povo evangélico foi tachada de ... “fake news”Isto não é “fake news”. Você discordar de uma matéria não a torna automaticamente “fake”. “Fake news”, ao contrário, são mentiras.
Por exemplo, algumas “fake news” que ouvimos dos púlpitos e que foram espalhadas aos quatro ventos, foram:
- Se o Lula for eleito, ele vai fechar as igrejas evangélicas (2002)
- Lula vai confiscar o dinheiro que os brasileiros têm no banco (2002)
- A Bolívia, o Equador e a Venezuela vão invadir o Brasil (2003)
- O PT vai implantar o socialismo e transformar o Brasil numa nova Cuba (2002, uma versão requentada da mesma balela de 1964)
- Jesus vai voltar num sábado de 2007 (2006)
- Se a Dilma for eleita, ela vai perseguir os pastores (2010)
- Dilma aprovou a identificação de todos os cidadãos com microchip (2011)
- Marina Silva foi escolhida por Deus para ser presidente do Brasil e transformar a nação (2010, 2014 – veja aqui e aqui -, e 2018 - aqui)
- Jair Bolsonaro foi escolhido por Deus para ser presidente do Brasil e transformar a nação (2018).
- Existe um plano para implementar a URSAL (União das Repúblicas Socialistas da América Latina). Você já ouviu mais coisas assim, não preciso dar mais exemplos.
Você, cristão (ã) que não quer ser instrumento do pai da mentira, deveria seguir alguns conselhos básicos para

(a)  Não acreditar em notícias falsas, e
(b)  Não divulgar mentiras. Desconfie sempre de:
1.        Sites registrados com domínio .com ou .org (sem o .br no final), o que dificulta a identificação de seus responsáveis com a mesma transparência que os domínios registrados no Brasil.
2.       Sites que não possuem qualquer página identificando seus administradores, corpo editorial ou jornalistas. Quando existe, a página ‘Quem Somos’ não diz nada que permita identificar as pessoas responsáveis pelo site e seu conteúdo.
3.       As “notícias” não são assinadas.
4.       As “notícias” são cheias de opiniões e discursos de ódio (“haters”), termos preconceituosos e depreciativos (“comunistas”, “petralhas”, “terroristas” etc.).
5.       Intensiva publicação de novas “notícias” a cada poucos minutos ou horas.
6.       Possuem nomes parecidos com os de outros sites jornalísticos ou blogs autorais já bastante difundidos.
7.       Seus layouts deliberadamente poluídos e confusos fazem-lhes parecer grandes sites de notícias, o que lhes confere credibilidade para usuários mais leigos.
8.      São repletas de propagandas, o que significa que a cada nova visualização o dono do site recebe alguns centavos (estamos falando de páginas cujos conteúdos são compartilhados dezenas ou centenas de milhares de vezes por dia no Facebook).
Agindo contra esses “robôs” do mal, você estará contribuindo para melhorar o ambiente na Internet e por extensão, na sociedade. 
Não seja como os fariseus dos tempos bíblicos. Espalhe a verdade.

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