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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Por que o mundo odeia Israel?


Esses dias, procurando mais informações sobre a mais recente crise Israel/“palestinos”, li dois textos, uma na revista Veja, que eu detesto, e outro no Midia Sem Máscara, e compilei os dois aqui (em itálico):
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Observemos o mundo desde o ano 2000.
A Coreia do Norte continua a ser um país que é, inteiro, essencialmente, um enorme campo de concentração.
A Somália não existe mais enquanto país. É um estado anárquico onde o mais cruel e o mais forte (geralmente o mesmo) prevalece.
No Congo, cerca de 5,5 milhões de pessoas foram mortas – quase o mesmo número de judeus do Holocausto. É a guerra com maior número de vítimas desde a II Guerra Mundial. Ninguém se importa. Ninguém vai levar medicamentos, água ou comida para esses pobres desgraçados. Não vai haver nenhuma “frota da paz”. Ninguém vai comentar em blogs. 
Na Síria, cerca de 150 mil pessoas foram mortas nos últimos três anos e milhões perderam os lares. 
No Iraque, quase toda semana vemos assassinatos em massa causados por atentados terroristas.
No México, desde 2006, aproximadamente 120 mil pereceram nas guerras do tráfico.
O Irã, uma ditadura que defende o genocídio, está prestes a fabricar armas nucleares.
Comunidades cristãs no Oriente Médio são aniquiladas; o massacre de cristãos é rotina na Nigéria.
Na Rússia, morreram cerca de duzentos mil muçulmanos chechenos. Houve uma única jornalista que protestou, e terminou suicidada com dois tiros. Na mídia, silêncio. 
Morrem mais muçulmanos nos conflitos sunitas x xiitas do que no conflito com Israel. Mas se árabe mata árabe, ninguém se importa. 
Poucos se importam se Sri Lanka massacra os tamis, ou se os turcos eliminam os curdos. Esses povos vitimizados têm tanta ou mais “legitimidade” para ter um estado próprio do que os palestinos, que não é uma etnia específica e é um termo que não existia antes de 1967. Mas ninguém se importa muito com eles. 
É claro que o século XX foi ainda mais sangrento, mas estamos apenas no 15º ano do século XXI.
E apesar de tanta maldade e sofrimento, o mundo concentrou maciçamente a atenção nos supostos malfeitos de um único país: Israel. O que torna tal fato tão digno de nota é que Israel está entre os países mais humanitários e livres do planeta. E pior, é o único país do mundo sob ameaça de aniquilação. 
Este é o único caso da História em que os povos dos países livres tomaram as dores de um estado policial contra um estado livre. É impossível apontar qualquer outra ocasião na qual o estado livre foi considerado o agressor. Por que quando um shopping center do Quênia é bombardeado, terroristas islâmicos massacram cristãos na Nigéria e milhares de pessoas morrem na Síria, o mundo está parece só se preocupar com palestinos mortos em decorrência direta de lançarem milhares de mísseis para matar tantos israelenses quanto possível? Por que essa obsessão contra Israel desde a fundação do país e, em especial, desde 1967?
Não pode ser “a ocupação”. A China ocupa o Tibete e o mundo não presta a menor atenção. E a criação do Paquistão, que ocorreu ao mesmo tempo da criação de Israel, também criou milhões de refugiados muçulmanos e hindus. Mesmo assim, ninguém presta atenção ao Paquistão.
Israel não é perfeito. Muitas vezes erra mais do que acerta. Ultimamente tem cometido algumas trapalhadas, e seus políticos metem os pés pelas mãos. É válido criticar suas políticas, assim como as de qualquer outra nação. Mas Israel não tem opção: ou resiste, ou é destruído. E não se enganem: esse é o objetivo de seus inimigos. Destruir o país, aniquilar sua população, e colocar toda a área sob controle islâmico. Israel é um país minúsculo: menor que o menor estado brasileiro (Sergipe); e enquanto existem mais de 50 países muçulmanos, existe apenas um país judeu. Israel ocupa meio por cento de toda a área do Oriente Médio, e os outros 99,5% são seus inimigos; deveria ser admirado e apoiado, mas não odiado a ponto de existirem dúzias de países cujas populações querem ver Israel aniquilado, o que, mais uma vez, é um fenômeno singular. Nenhum outro país do mundo jamais foi escolhido para ser exterminado.
Por outro lado, seus vizinhos e inimigos são ditaduras e monarquias corruptas, onde as eleições são manipuladas, quando existem; lugares onde há prisão e execução de dissidentes e minorias. Só como exemplo, os jordanianos mataram em um só mês (Setembro Negro) dez vezes mais palestinos do que os israelenses em 40 anos. Mas nesses lugares a imprensa é mero porta-voz do ditador que está no comando; não há liberdade religiosa, apenas o fundamentalismo islâmico; há opressão às mulheres e o povo é tratado como gado, condenado a viver na idade das trevas, no atraso e na pobreza, apesar de terem reservas de petróleo bilionárias sob seus pés.
Dennis Prager raciocina que haveria duas explicações.
A primeira é uma predileção quase mundial por “valores e ideias” supostamente “esquerdistas”, segundo as quais a parte mais fraca, especialmente se não for ocidental, é rotulada de vítima ao combater um grupo ou país mais forte. Substitui-se o “bom e mau” por “rico e pobre”, “forte e fraco”. Israel é rico, forte e ocidental; os palestinos são pobres, fracos e não-ocidentais.
A única outra explicação possível é Israel ser judeu. Não existe qualquer outra explicação racional, pois o ódio por Israel não é racional. (Fonte) (Fonte)
Esses textos revelam um pouco da perplexidade em relação a Israel. Poucos buscam entender a razão de tanto ódio a um país tão pequeno. Mas temos que ir além da política para ver o real significado da rejeição aos judeus pelo resto do mundo, quase sem exceção. Este terceiro texto dá uma luz definitiva sobre o tema (procurei resumi-lo; texto original em itálico).
A Bíblia afirma em Isaías 41:8-9: “Mas tu, ó Israel, servo meu, tu, Jacó, a quem elegi, descendente de Abraão, meu amigo, tu, a quem tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos, e a quem disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei”. Deus não escolheu o povo judeu por causa de seu número, do seu poder, da sua grandeza, ou de qualquer outra coisa. Simplesmente, Deus é soberano e escolheu Israel para ser o veículo de Seu plano para o mundo, que tem, pelo menos, três aspectos. 
Primeiro, Deus desejava alguém que levasse a Sua palavra ao mundo. De acordo com Deuteronômio 4:1-2 e Romanos 3:1-2, Deus usou o povo judeu para produzir a Bíblia.
Em segundo lugar, Deus queria que a nação de Israel servisse ao mundo como Sua testemunha. Em Isaías 43:21 lemos“...povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor”. 
Finalmente, em terceiro lugar, Deus planejou usar a nação de Israel como veículo para trazer o Messias ao mundo. A passagem de Miquéias 5:2 claramente afirma que o Rei de Israel, o Messias, viria de entre os judeus e nasceria em Belém. Dessa maneira, a redenção para o mundo emanaria do ventre de uma mulher judia.
Por isso a preservação do povo judeu é uma coisa sobrenatural. Uma nação após a outra tem tentado riscá-lo do mapa. Desde os Faraós até os “pogroms” (movimentos populares de violência contra os judeus), desde Hamã nos dias de Assuero até Hitler, de Antíoco Epifânio até o vindouro Anticristo, todos procuraram (procuram, e ainda procurarão) aniquilar os judeus. Mas nações e povos muito mais numerosos, mais ricos e que ocupavam territórios bem maiores, tais como babilônios, persas, gregos e romanos, surgiram e desapareceram. Saíram do palco, mas a nação judaica continua. A explicação? Isaías 41:10,13-14: “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel... Porque eu, o Senhor, teu Deus, te tomo pela tua mão direita e te digo: Não temas, que eu te ajudo. Não temas, ó vermezinho de Jacó, povozinho de Israel; eu te ajudo, diz o Senhor, e o teu Redentor é o Santo de Israel”.
O onipotente Deus do Universo protege e guarda Seu povo escolhido. Jeremias 31:35-37 afirma que se alguém quisesse destruir Israel, antes teria de acabar com o Universo inteiro. O plano e o propósito de Deus para a humanidade estão centrados nesse povo. Dessa forma, os judeus existirão para sempre, porque se encontram no centro da vontade de Deus para este mundo!
O escritor russo Leon Tolstoi falou sobre isso em um ensaio intitulado “O que é um judeu?”:
“[O judeu] tem sido abusado e molestado, oprimido e perseguido, maltratado e massacrado, queimado e enforcado por governadores e nações – em conjunto ou separadamente – e, apesar de tudo isso, ainda vive (...) Ele, a quem nem a matança, nem a tortura ao longo de anos puderam destruir; a quem nem o fogo, nem a inquisição foram capazes de varrer da face da terra; (...) tal nação não pode ser destruída. O judeu dura para sempre, como a própria eternidade”.
A maior parte da história de Israel é de conflitos com os países vizinhos. A paz nunca chegou à “cidade da paz” – Jerusalém. Não obstante, o fim prometido a todos os que se levantam contra essa nação – os que a odeiam, que a perseguem, os que lhe fazem guerra – será a destruição, doa a quem doer. Com tais nações acontecerá o que elas pretendiam fazer a Israel. Deus manterá a promessa feita a Abraão, e que alcança os seus descendentes: “... amaldiçoarei os que te amaldiçoarem” (Gênesis 12:3).
O final desta época, como bem sabemos, terá seu clímax quando as nações da Terra vierem contra Israel na batalha do Armagedom (Joel 1:15; 3:9-17; Sofonias 3:8-9; Zacarias caps. 12 a 14). Naquele dia, Deus se valerá de Israel para destruir as nações. Ele defenderá Israel (Zacarias 12:8), e o mais fraco entre o povo judeu “será como Davi, e a casa de Davi será como Deus”. As nações serão derrotadas (Zac. 14:3,9) e Jesus confirmou que todos os que odeiam os judeus serão julgados (Mateus 25:41-46).
As nações da Terra se opõem a Israel porque, no fundo, se opõem ao Deus de Israel. Elas são rebeldes e não querem ser governadas por Deus. “Por que se amotinam as nações, e os povos tramam em vão? Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos conspiram contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas” (Salmo 2:1-3).
Mas o Deus de Israel é poderoso não só para proteger o Seu povo, como também para julgar indivíduos e nações que se opõem à Sua vontade; então Ele merece nossa atenção e adoração. É isto que precisamos ter em mente quando nos posicionamos em relação a Israel: de que lado estamos?
Lá no Salmo 2, escrito há 3000 anos, Deus aconselha:
“Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra. Servi ao Senhor com temor, e regozijai-vos com tremor. Beijai o Filho, para que não se ire, e pereçais no caminho; porque em breve se inflamará a sua ira. Bem-aventurados todos aqueles que nele confiam”.

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sábado, 19 de julho de 2014

Israel sob cerco

O lado humano do problema do Oriente Médio
Israel é um paradoxo – uma nação sob cerco, e ao mesmo tempo com um movimento turístico tão intenso que se pode dizer que o país inteiro é uma estação de veraneio. A paz é uma esperança – mas não para já.
Em 1969 estive duas vezes em Israel para ver com meus olhos como um país consegue viver sob tais condições. É fácil, mesmo antes de chegar lá, apaixonar-se pela idéia de que Israel, após tantas trevas, tenha o seu lugar ao sol, o mesmo lugar onde ele começou há milhares de anos.
Mas ninguém se engane. Nada em Israel é fácil. O primeiro israelense com quem falei em um kibutz recebeu-me com uma atitude agressiva. “Você não gosta de americanos?”, perguntei. “Que países você admira?”, insisti. “Quando é tempo de guerra”, respondeu-me calmamente, “sempre estamos sozinhos”.
Fiquei sem resposta. O presidente americano Dwight Eisenhower prometera a Israel que os Estados Unidos manteriam o estreito de Tiran aberto (n.e.: extremidade sul do golfo de Áqaba, um linha de comunicação de Israel com o Mar Vermelho); mas antes da Guerra dos Seis Dias (1967) o Egito o fechou e os americanos não fizeram nada. Em 1948, a Grã-Bretanha fez tudo para negar armas aos israelenses; depois, quando os árabes atacaram, ficou só olhando. As armas francesas eram praticamente as únicas que Israel tinha na Guerra de 1956, mas os franceses ficaram ao lado dos árabes, e em 1969 venderam 100 caças à Libia. A Rússia nem se fala. Nem mesmo com a ONU, que deu origem ao Estado de Israel, os israelenses podem contar.
Por isso os israelenses são pragmáticos, e não têm tempo para frivolidades. Não poderia ser diferente, pois vivem num país cercado por mais de 60 milhões de árabes e cuja população local de 2.850.000 pessoas inclui mais de 350.000 árabes! (n.e.: dados de 1970, quando este artigo foi escrito)
Quando da Guerra dos Seis Dias, poucos ocidentais estavam do lado dos árabes, mas isso mudou com a vitória de Israel. O oprimido passou a ser visto como opressor. O que era antes um punhado de bravos soldados passou a ser visto como uma impiedosa máquina de guerra. A TV, que antes mostrava multidões de fanáticos gritando “Morte a Israel” agora mostra miseráveis em campos de refugiados, mulheres famintas, crianças chorando. E terroristas árabes são glorificados em seus campos de instrução, enquanto os ataques de Israel a eles são energicamente condenados. Encontrou-se uma nova classificação para os israelenses: “nazistas”.
Assim, os israelenses sentem-se cada vez mais abandonados. E quem pode censurá-los? Afinal, eles são o mesmo povo que, com milhares de soldados árabes à sua mercê, não apenas não fuzilou nenhum, como os soltou (n.e.: além de devolver aos derrotados as terras conquistadas!). Clique aqui para ver o mapa ao lado, em tamanho maior.
Qual é o lado árabe hoje? Para descobrir, hospedei-me em um hotel árabe em Jerusalém, tomei um guia árabe e entrevistei centenas deles. Logo descobri que o árabe mediano tem duas opiniões: uma pública e uma particular. Seus líderes têm apenas uma preocupação: provar que eles são mais “anti-Israel” do que qualquer um – essa é a face pública. O árabe precisa em todas as oportunidades condenar Israel e tudo que os israelenses fazem. Senão é suspeito.
Diga por exemplo que a terra destinada pela ONU a Israel é menos de meio por cento de todo o mundo árabe, e pergunte se os árabes não ficariam satisfeitos com os outros 99,5% (clique aqui para ver o mapa ao lado em tamanho maior). Não, ele responderá; Israel roubou a sua terra. E ainda acrescentará que seus ancestrais viveram ali por mais de mil anos. Mas se você perguntar se os judeus não têm mais direitos, porque viveram ali desde os tempos bíblicos, 3500 anos atrás, ele negará abruptamente.
Se alguém é judeu pela religião, para o árabe ele pode viver como cidadão num Estado árabe, praticando sua religião, se este é o seu Estado natal. Mas se for judeu americano, europeu ou africano, aí é considerado intruso.
Mas se você perguntar se os judeus, expulsos de suas casas na II Guerra, ficarão sem ter para onde ir, o árabe ficará indignado: ele dirá que o anti-semitismo não é uma doença do Oriente Médio, mas ocidental. O Ocidente a criou, e não deve querer acabar com ela às custas dos árabes. Clique aqui para ver a imagem ao lado ampliada.
Particularmente, porém, os árabes mostram opiniões diferentes. Lojistas, lavradores, até policiais, dizem que árabes e judeus não apenas precisam encontrar um meio de viver em harmonia, mas já descobriram como: “Nós somos o povo e as crianças”, disse-me um comerciante árabe, “não somos as nações e os líderes. Não queremos guerra, queremos paz”.
Descobri que em 1948 havia 56 escolas árabes em Israel, hoje (1970) mais de 500. Em 1948, menos de 4% das mulheres árabes dava à luz em hospitais; hoje são mais de 80%. Em 1948 nem uma só vila árabe tinha luz elétrica; hoje mais de 70% dos árabes em Israel a têm, e não está longe o dia em que esse serviço chegará a todos os lugarejos. Em 1948 cerca de 2.000 acres de terras árabes tinham irrigação; hoje não existe praticamente nenhum lugar que não a tenha.
Antes de ir a Israel eu pensava muito em campos de refugiados, multidões de presos atrás de arame farpado. Pois não vi nada disso. Os “refugiados” podem ir e vir – inclusive para outro país árabe. O problema é que os outros árabes não os querem. Querem que eles fiquem onde estão e como estão – para que possam denunciar “a desumanidade dos israelenses”.
Enquanto isso os árabes continuam ensinando seus filhos a odiar. O ministro da Educação da Síria orgulhava-se de seu lema: “o ódio é sagrado”. Um livro escolar pede às crianças sírias que analisem gramaticalmente a frase: “Expulsaremos todos os judeus das terras árabes”, e no ensino médio isso vai além: “Estrangulemos Israel, acabemos com suas ambições e os lancemos no mar”.
E os terroristas árabes, o que querem? Seus “intelectuais” se baseiam em três pontos:
- estão tão fortes na Jordânia que podem tomar o poder a qualquer hora;
- fomentar outra guerra logo que possível;
- e então Israel ocupará o território árabe até ser encurralado [pelas outras nações], com o conflito degenerando em uma guerra mundial onde será destruído.
Dizer a eles que os árabes também serão destruídos nessa guerra não causa nenhuma impressão neles. Dizem que os árabes começarão tudo de novo, e que Israel não poderá fazer isso.
Durante minha estada, não encontrei um só israelense que achasse que a paz pudesse vir logo, no ano que vem ou mesmo nesta geração. Mas a maioria encara filosoficamente o longo caminho a percorrer. “Veja por este ângulo”, disse meu guia, “em seu país as fronteiras estão garantidas, mas as cidades não; aqui pe o contrário”.
Conheci um israelense filosófico, Yehuda Avni. Ele lutou na Guerra dos Seis Dias, e como quase todo israelense sadio, serve uma vez por ano no Exército, embora não admita que Israel seja um país militarizado. “Há muita gente fardada por aí”, disse-me ele. “Os militares são muito ligados a nós. Todo soldado que morre tem o retrato no jornal, e geralmente o conhecemos, ou a sua família, ou um amigo; Israel é um país pequeno. Mas o Exército é um exército de paisanos”.
No fim de minha visita, fui a uma fazenda de onde se avistava a Jordânia, onde falei com um famoso herói de Israel, Meir Har-Zion. Perguntei-lhe se haveria paz. “Nos próximos vinte anos, não. Algum dia, sim”, foi a resposta.
Por fim, tive o prazer de viajar com Micha Bar-Am, fotógrafo famoso que participou de três guerras. Fomos a um restaurante árabe e fiquei admirado de vê-lo abraçar o proprietário. “Tenho muitos amigos árabes”, explicou-me. “Bons amigos, sinceros. Essa relação entre pessoas sempre houve; o que atrapalha é a política”.
Perguntei-lhe se não se irritava com a falta de sentido de tudo isso. Sua resposta foi esta: “às vezes sim. Um amigo morreu num atentado há pouco tempo. Fiquei muito abalado e por isso procurei um velho israelense, muito sensato, e perguntei-lhe se isso devia continuar. Sabe o que ele me disse? Que pelo menos sabemos por que morremos. Seis milhões de nós morreram sem motivo algum”.

Artigo escrito em junho de 1970, por Cleveland Amory, jornalista americano, para Seleções do Reader’s Digest, edição brasileira nº 341.

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sábado, 18 de maio de 2013

Israel, 65 anos

As cadeiras vieram emprestadas de cafés vizinhos. Os microfones, de um empório musical. Dois carpinteiros chamados às pressas ergueram o palco de madeira em tempo recorde. Um retrato de Theodor Herzl foi colocado em posição de destaque no salão principal, ladeado por duas bandeiras com a estrela de Davi, lavadas e passadas especialmente para a ocasião. No Museu Nacional de Tel-Aviv, ocorreu uma cerimônia aguardada por 1.878 anos – desde que a
destruição do Segundo Templo pelos romanos, em 70 d.C., deu início à segunda diáspora dos filhos de Abraão. No compromisso daquele 14 de maio de 1948, porém, a história seria finalmente reescrita: a terra prometida estava voltando às mãos dos judeus. Poucas horas depois de se encerrar o mandato britânico, em uma cerimônia rápida, demarcada pelas firmes batidas do martelo de David Ben-Gurion, presidente do Conselho Provisório de Estado, a criação da nação judaica – o Estado de Israel – foi solenemente anunciada. (http://veja.abril.com.br/historia/israel/especial-capa-independencia-israel.shtml)
No dia 14 de maio, Israel comemora o dia de sua fundação, na era moderna. Isto é importante porque Israel é o relógio histórico e profético de Deus para a Humanidade. O programa universal de Deus, seja para Israel, seja para a Igreja, seja para as nações gentias, se desenvolve direta ou indiretamente por meio do povo judeu. Desde aquele famoso 14 de maio de 1948, Israel tem estado no centro da história ocidental. Várias guerras foram travadas ao redor de Jerusalém:
Guerra da Independência – maio de 1948 – No dia seguinte à proclamação de independência de Israel, os exércitos de Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram o país para expulsar os judeus das terras que lhes foram destinadas pela ONU seis meses antes. Para “afogá-los no Mar Mediterrâneo”, diziam. Mas foram derrotados vergonhosamente. Em pouco tempo a planície costeira, a Galiléia e todo o Neguev ficaram sob soberania israelense; Judéia e Samaria (a “Margem Ocidental”) ficaram com a Jordânia e a Faixa de Gaza, sob administração egípcia. Jerusalém foi dividida, cabendo à Jordânia a parte oriental, inclusive a Cidade Velha, e a Israel o setor ocidental da cidade. No conflito morreram 6.000 judeus, cerca de 1% da população judaica local. Clique aqui para ver como era a vida em Israel naqueles dias!
A Campanha do Sinai – outubro de 1956 – O Egito bloqueou unilateralmente o Canal de Suez, em conluio com a Síria e a Jordânia. Mas em oito dias as Forças de Defesa de Israel (IDF) capturaram Gaza e toda a península do Sinai, detendo-se 16 km do Canal. As potências mundiais se manifestaram, e houve mesmo a ameaça de um confronto nuclear entre os Estados Unidos (que apoiavam Israel) e a União Soviética (que apoiava o Egito). Com a intermediação da ONU, foi permitido o comércio de Israel com países da Ásia e da África, bem como a importação de petróleo do Golfo Pérsico, e Israel retirou suas tropas do Sinai.
A Guerra dos Seis Dias – junho de 1967 – Começou com ataques terroristas através das fronteiras com o Egito e a Jordânia e com o bombardeio da Galiléia pela artilharia síria. O Egito solicitou à ONU que retirasse as tropas internacionais que guarneciam o Sinai, foi atendido e imediatamente deslocou todo o seu exército para as fronteiras com Israel. Nova aliança com a Síria e a Jordânia foi estabelecida (formando a RAU, República Árabe Unida); as emissoras de rádio árabe transmitiam em hebraico anunciando à população israelense que seu fim estava próximo. Israel invocou o direito de autodefesa e desencadeou um ataque preventivo contra o Egito e a Síria, conclamando a Jordânia a não intervir. As forças israelenses avançaram, desbaratando o exército egípcio no Sinai e os sírios em Golan. Com a entrada da Jordânia na luta, abriu-se uma terceira frente. Mas em apenas seis dias, a Judéia, Samaria, Gaza, o Sinai e o planalto de Golan estavam sob o controle de Israel. Jerusalém, que estivera dividida entre Israel e a Jordânia desde 1949, foi reunificada sob a autoridade de Israel.
A Guerra do Yom Kippur – outubro de 1973 - No dia mais sagrado do calendário judaico – Yom Kippur (Dia da Expiação) – o Egito e a Síria lançaram um ataque-surpresa: o exército egípcio atravessou o Canal de Suez e as tropas sírias invadiram Golan. Mas em três semanas, a IDF mudou o rumo da batalha e repeliu os atacantes, atravessou o Canal de Suez e penetrou no Egito; chegou a 32 km de Damasco, capital da Síria. Dois anos de negociações resultaram em acordos pelos quais Israel se retirou de parte dos territórios que ocupara.
O que tudo isto quer dizer e por que é importante? O estudo da profecia bíblica divide-se em três áreas principais: as nações (os gentios), Israel e a Igreja. As Escrituras apresentam mais detalhes proféticos a respeito dos planos de Deus para Seu povo – Israel. Deus já preparou um maravilhoso e abençoado futuro para os judeus , tanto como indivíduos como para o Israel nacional. Por isso cremos que Israel é o sinal de Deus no fim dos tempos.
Muito freqüentemente, os cristãos tentam ver onde se acham no programa profético, pensando em como os eventos mundiais afetam seu país. No entanto, a verdadeira determinação de nossa posição na história se baseia em como os eventos mundiais afetam a história judaica e o povo judeu. Assim, quando ocorrem eventos de repercussão mundial, os critérios para relacioná-los à profecia bíblica não são o modo como afetam a Igreja, nem qualquer outra nação gentílica, não importa quão grande e poderosa - mas o modo pelo qual afetam o povo de Israel.
Atualmente a principal questão política é: quem é, de fato, o dono de Jerusalém – os judeus, os árabes, ou ambos? Até 1967 a parte oriental de Jerusalém estava sob o domínio jordaniano. A Jordânia tinha anexado essa parte da cidade ao seu território. Depois Jerusalém Oriental foi conquistada pelos israelitas durante a Guerra dos Seis Dias, e finalmente, em 1982, o Knesset, o Parlamento israelense, declarou toda a cidade de Jerusalém como capital indivisível do Estado de Israel. Mas pouquíssimos países transferiram suas embaixadas de Tel Aviv para Jerusalém.
As discussões políticas dos governantes deste mundo e a luta dos palestinos têm o claro objetivo de novamente dividir a cidade e transformá-la em duas capitais. Mesmo as Nações Unidas são a favor de uma divisão e os dirigentes islâmicos chegam a reivindicar a cidade de Jerusalém inteira para o mundo árabe. De quem é a última palavra acerca de Jerusalém? Zacarias 2:12-13 nos dá a resposta: “Então, o Senhor herdará a Judá como sua porção na terra santa e, de novo, escolherá a Jerusalém. Cale-se toda carne diante do Senhor, porque ele se levantou da sua santa morada”. 
Essas palavras divinas têm um significado decisivo na resolução do conflito no Oriente Médio! Não existe forma mais clara de dizer que Deus é quem tem a última palavra e que as nações devem calar-se. Por mais que gritem e esperneiem, uma coisa é bem certa: Jerusalém é de Deus! O que o Senhor diz neste capítulo acaba com todos os pensamentos, opiniões e discussões sobre Israel e Jerusalém.
Em Apocalipse vemos como o templo e o altar são medidos para proteger aqueles que estão em seu interior: “Foi-me dado um caniço semelhante a uma vara, e também me foi dito: Dispõe-te e mede o santuário de Deus, o seu altar e os que naquele adoram; mas deixa de parte o átrio exterior do santuário e não o meças, porque foi ele dado aos gentios; estes, por quarenta e dois meses, calcarão aos pés a cidade santa” (Apocalipse 11:1-2). Os versículos 1 a 5 de Zacarias 2 deixam claro que se trata da proteção e do direito de posse de Deus sobre a cidade de Jerusalém: “Tornei a levantar os meus olhos, e olhei, e eis um homem que tinha na mão um cordel de medir. Então perguntei: Para onde vais tu? Respondeu-me ele: Para medir Jerusalém, a fim de ver qual é a sua largura e qual o seu comprimento. E eis que saiu o anjo que falava comigo, e outro anjo lhe saiu ao encontro, e lhe disse: Corre, fala a este mancebo, dizendo: Jerusalém será habitada como as aldeias sem muros, por causa da multidão, nela, dos homens e dos animais. Pois eu, diz o Senhor, lhe serei um muro de fogo em redor, e eu, no meio dela, lhe serei a glória”. Jerusalém será protegida por dentro e por fora pelo próprio Senhor. Jesus retornará em glória e edificará o Seu reino tendo Jerusalém como centro.
Hoje vemos a luta por Jerusalém: querem dividir a cidade, tirá-la dos judeus e submetê-la ao Islã. Mas a resposta de Deus prova exatamente o contrário: a cidade é medida para ser edificada. Para Deus, Jerusalém é indivisível. Em nossa época o povo judeu foi reunido de sua segunda diáspora (dispersão) com a mesma finalidade. Ele deve ser preparado para receber o Messias que voltará. É isto que diz Zacarias 2:6 - “Porque vos espalhei como os quatro ventos do céu”. É interessante que os primeiros a voltarem para casa dessa segunda diáspora chegaram por volta de 1870, vindos do norte. Depois vieram dos quatro cantos do mundo (Salmo 120:5). As nações reagem a este segundo retorno dos judeus saqueando Israel. Brigam pela terra e querem dividir Jerusalém. Mas isto terá como conseqüência o juízo, que é indicado em Zacarias 2:9 (veja também Joel 3:14-17).
As nações trataram Israel como escravo. Desde o tempo dos romanos, sem contar os babilônios, egípcios, gregos, persas etc., os judeus têm sido escorraçados da face da Terra. Tiveram paz por curtos períodos, mas basta citar o que os “reis católicos” da Espanha fizeram, os “papas” medievais, os nazistas e os comunistas, e modernamente os mísseis quase diários que caem sobre os judeus. Mas de acordo com a Bíblia, as nações que perseguiram Israel serão o despojo! Virá um tempo em que as relações de poder deste mundo serão invertidas: “Os povos os tomarão e os levarão aos lugares deles, e a casa de Israel possuirá esses povos por servos e servas, na terra do Senhor; cativarão aqueles que os cativaram e dominarão os seus opressores” (Isaías 14:2). Israel, que durante milhares de anos foi servo dos povos, no reino milenar de Jesus será elevado à posição de cabeça sobre as nações.
No futuro, no reino milenar de Cristo -  e não agora, como querem os dominionistas – os papéis serão trocados: Israel, o povo de Deus, atualmente odiado por todos os outros, e a Igreja de Jesus, hoje ainda perseguida e desprezada – o pequeno rebanho – reinarão como reis e sacerdotes junto com Jesus. 

O Senhor fará morada em todos os povos (Zacarias 2:11) a partir de Israel, e do seu ponto central, Jerusalém. Muitas nações se juntarão a Ele e passarão a fazer parte de Seu povo. Então se dirá: “Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles” (Apocalipse 21:3). Ninguém mais poderá dizer nada negativo a respeito de Israel ou de Jerusalém, pois o seu maior Defensor terá tomado o Seu lugar e terá a última palavra (Zacarias 2:12-13). Aliás, este é o único texto da Bíblia em que a terra de Israel é descrita como “terra santa”!
Somente precisamos atentar para dois fatos:
1 – Israel ainda precisará passar pela tribulação, para assim reconhecer “aquele a quem traspassaram” (Zacarias 12:10), pois os judeus, hoje, ainda são rebeldes. Ainda acreditam que Jesus era um impostor!
2 – O que se vê hoje não foi previsto pelos profetas do Antigo Testamento porque a atual dispensação da graça de Deus era um mistério que só seria revelado a Paulo séculos mais tarde. O relógio profético só voltará a bater quando a Igreja for arrebatada. Por isso os sinais que vemos hoje são como a “montagem do palco”!




sábado, 3 de novembro de 2012

A invasão de Israel (5) final

Nas últimas semanas, estudamos as profecias de Ezequiel, que deixam claro que, num futuro próximo, a situação do Oriente Médio, longe de se resolver por meios pacíficos, será agravada. O autor Bill Salus, em seu livro “Israelestina: Os Antigos Planos para o Futuro do Oriente Médio”, mostra que há três ataques contra Israel programados na agenda dos tempos finais: primeiro, o evento descrito no Salmo 83 (a guerra árabe-israelense), seguido prontamente por Ezequiel 38-39 (a invasão russo-persa/iraniana) e finalmente a campanha do Armagedom. Ele alerta que esses acontecimentos estão às portas, posicionados como pedras de dominó enfileiradas: basta a deflagração de um único movimento e toda a seqüência ocorrerá rapidamente.

Bill Salus entende que isso ocorrerá durante a Tribulação, após o arrebatamento; eu, porém, discordo. Na minha modesta opinião, esses fatos todos – a destruição de Damasco, a invasão de Israel por nações lideradas pela Rússia e a derrota dessas forças em território israelense – podem muito bem ocorrer antes da Tribulação. Somente a batalha de Armagedom será mais tarde, no fim da Tribulação.
Veja a seqüência que imaginei:
1 – Tensão entre Israel e Síria, talvez por causa da interferência síria no assunto de Gaza, na autonomia dos palestinos ou para tirar a atenção internacional dos protestos internos – não importa o motivo, mas sim que essa tensão desgringola e surge o conflito armado;
2 – Damasco é destruída pelas forças israelenses;
3 – Países islâmicos clamam à Rússia por socorro, invocando os termos de um tratado de proteção mútua;
4 – A coalizão de nações invade Israel (Rússia, Turquia, Líbia, um ou mais países da Europa Oriental, Etiópia, talvez incluindo tropas do Sudão, e evidentemente o Irã – a oportunidade por que Ahmadinejad tanto esperou!), mas é derrotada de forma sobrenatural. A destruição das forças invasoras é tão completa que Israel leva sete meses para enterrar os soldados mortos no conflito, e as armas recolhidas como despojo servirão como combustível por sete anos! Veja Ezequiel 39:9.
5 – Isto força a comunidade internacional a assinar um acordo de paz com Israel, resolvendo de vez a questão do Oriente Médio. Talvez surja desse acordo (que dá início ao período da Tribulação) uma permissão para Israel reconstruir seu Templo. Esse acordo tem três pontos importantes:
(a) provavelmente será assinado pelo líder mundial preconizado nas profecias como “o Anticristo”;
(b) dá início ao período da Tribulação;
(c) será quebrado unilateralmente pelo Anticristo três anos e meio depois, revelando aos judeus que aquele em quem depositaram sua confiança os traiu, e o verdadeiro Messias de Israel é Jesus de Nazaré, a quem traspassaram. É nesse ponto que o Anticristo resolve se assentar no Templo como se fosse Deus ( II Tessalonicenses 2:4) e passa a perseguir os judeus de uma forma nunca vista na História da Humanidade (Mateus 24:15-30). Aprenda que esses eventos descrevem a situação de Israel, não da Igreja, que a esta altura já terá sido arrebatada.  
Nota – há controvérsias quanto à duração da tribulação, geralmente aceita como sete anos; entretanto, Hal Lindsey (em seu famoso livro “O Futuro Glorioso do Planeta Terra”), diz que ela pode durar até 10 anos, pois entende que são muitos os eventos descritos em Apocalipse e que não caberiam em “apenas 7 anos”. Por muito tempo eu fui adepto da teoria dos 7 anos (de acordo com a visão dispensacionalista que atrela a tribulação à última semana de Daniel, cf. Dn 9:24-27). Mas recentemente tenho pensado muito no fato de que em Apocalipse não há menção a “7 anos”, mas sim a 3 anos e meio (confira com Apocalipse 11:2-3; 12:6 e 13:5, e também com Tiago 5:17). A tribulação de 3 anos e meio se harmoniza melhor com Daniel 9:27 se entendermos que o sacrifício já cessou com a morte vicária de Jesus, e a primeira metade da “última semana” já se cumpriu.
Isto me fez imaginar que talvez não esteja correta a divisão dispensacionalista da tribulação em duas partes, a primeira sendo “a tribulação” e a segunda a “grande tribulação”. Porém, se entendermos que o sacrifício de que fala Daniel é no novo templo judeu restaurado e é interrompido pelo Anticristo, aí cabe melhor a visão dos 7 anos divididos em dois períodos de 3 e meio cada.
Mas isso é assunto para outra hora e pretendo detalhar melhor em outra ocasião. Prossigamos:
6 – Em algum momento antes da assinatura desse tal acordo se dará o Arrebatamento, quando poucos estiverem esperando o soar da trombeta, e a maioria ligada apenas nos acontecimentos políticos. Então muitos ficarão aliviados ao ver que finalmente a humanidade resolveu o eterno conflito do Oriente Médio e alcançou a tão desejada “paz mundial”. Surgiu por fim um líder que é a resposta para os problemas do mundo! Ledo engano! Aí é que o negócio vai ferver, e muitos serão deixados para trás num piscar de olhos (Mateus 24:40-41). Veja se isto está de acordo com I Tessalonicenses 5:3-6.
Este é o meu entendimento.
Tim LaHaye, autor da série de sucesso “Deixados Para Trás”, em seu livro “Estamos Vivendo Os Últimos Dias?” opina que a invasão de Israel pelas nações coligadas acontecerá vários anos antes da Tribulação, mas nada diz sobre o episódio sírio. Em todo caso, há algumas divergências menores, mas todos os estudiosos concordam em quase tudo: o cenário no Oriente Médio ficará cada vez mais complicado e sombrio; Israel perderá o ultimo resto de apoio que ainda tem de outras nações e da opinião pública; haverá uma intervenção sobrenatural de Deus e o povo judeu será preservado. Salus discorda, mas a maioria dos estudos indica que isso tudo, menos Armagedom, ocorrerá antes da Tribulação. A famosa batalha do Armagedom não será nessa época, mas sim no final do período da Tribulação, em outro contexto.
A propósito do isolamento crescente de Israel, veja esta notícia. Precisamos fazer como John Wesley, que gostava de ler os jornais para “saber o que Deus anda fazendo pelo mundo afora”! Você pode estar se perguntando por que não falei do Irã (Pérsia) e da Turquia (Togarma), que são dois países diretamente envolvidos na futura invasão a Israel. É proposital: como essas duas nações estão constantemente na mídia, deixo para você observar nos jornais o que ocorre com turcos e iranianos, o que dizem e fazem seus governantes, e descobrir por si mesmo se eles se aproximam – ou não – da profecia há muito anunciada. Sobre o Irã, já escrevi alguma coisa aqui, aqui e aqui.
Agora mesmo, depois da derrubada de Hosni Mubarak e do trágico fim de Muammar Khaddafi, paralelamente ao agravamento da cena síria, é importante ficar de olho no Oriente Médio, porque não se sabe que tipos de governo surgirão dessa “primavera árabe”, a não ser que muito provavelmente continuarão tão hostis a Israel como sempre foram.
Arno Froese, em artigo publicado na revista “Notícias de Israel” de setembro de 2000, esclarece que o conflito árabe-israelense não pode ser resolvido por diplomatas, nem pelos Estados Unidos, nem pela Europa e nem pela ONU. Apenas o próprio Senhor Jesus, o Príncipe da Paz, haverá de consegui-lo, pois Ele pagou o preço pela paz. Ele sozinho é capaz de promover a reconciliação entre árabes e judeus, parentes de sangue (pois ambos os povos descendem de Abraão); não se trata da paz elaborada por políticos num pedaço de papel, nem daquela que emerge de ensangüentados campos de batalha, mas sim da paz que Ele ordenará com base em Suas palavras:
“Está consumado”! Essas palavras estão seladas com Seu sangue eternamente eficaz. O verdadeiro preço pela paz já foi pago por completo!
Quando os judeus finalmente enxergarem Jesus como Aquele a quem traspassaram e O reconhecerem como Salvador do mundo, o Messias de Israel, isto não mais ficará em segredo, mas também atingirá todas as nações ao redor. Deus, então, fará cumprir todas as promessas que deu aos filhos de Abraão, judeus e árabes! O profeta Isaías previu o poder unificador do Senhor há mais de 2.700 anos:
“Naquele dia, haverá estrada do Egito até à Assíria, os assírios irão ao Egito, e os egípcios, à Assíria; e os egípcios adorarão com os assírios. Naquele dia, Israel será o terceiro com os egípcios e os assírios, uma bênção no meio da terra; porque o SENHOR dos Exércitos os abençoará, dizendo: Bendito seja o Egito, meu povo, e a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança”.

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Mitos e fatos: a atuação da midia no Oriente Médio

F#####  Israel (...) quero que aquela M##### exploda mesmo! Vamo lá Irã, tocar terror nesses sionistas de M##### (...) Sonho em ver uma bomba nuclear explodindo em Telaviv!

Este foi um comentário – anônimo, como sempre – que apareceu na postagem anterior, um sujeito que provavelmente se acha o bambambam da política internacional, dando seu abalizado veredito sobre a situação no Oriente Médio. Passado o momento nauseante de ler palavras tão sábias, percebe-se que é apenas mais um teleguiado da mídia chamada imparcial, que entretanto, prima em esconder o outro lado da noticia.
Ao contrário do nosso erudito comentarista, aqui procuro ir além dos textos do Jornal Nacional e, com na semana passada, mostro tanto a opinião do pessoal de Israel como a dos iranianos – e aqui vão alguns mitos que a imprensa ocidental vem veiculando, ao lado do que realmente acontece. Para evitar que tais boquirrotos aprendam antes de escrever bobagens como a que abre este artigo.
Mito nº1: Os jornalistas que fazem a cobertura do Oriente Médio são movidos pela busca da verdade.
Fato: Ninguém deveria se surpreender ao ser informado que os jornalistas no Oriente Médio compartilham do mesmo interesse por sensacionalismo que seus colegas que cobrem assuntos domésticos. Como os repórteres de TV, cuja ênfase no visual acaba tratando superficialmente o assunto. Por exemplo, quando um correspondente da NBC em Israel foi questionado por que os repórteres vinham para as manifestações dos palestinos na Margem Ocidental, que eles sabiam ser encenadas, sua resposta foi: “Precisamos das fotos”[1]. Em países como a Síria, a Arábia Saudita, o Irã ou a Líbia, as redes de TV não têm liberdade para obter as imagens que lhes interessam, por isso as buscam em Israel.
Israel freqüentemente enfrenta a situação difícil de tentar contradizer imagens com palavras. “Quando um tanque entra em Ramallah, isso não é bonito na TV”, explica Gideon Meir, do Ministério do Exterior de Israel. “Certamente podemos explicar porque estávamos lá, e é o que fazemos. Mas são só palavras. Contra fotos, temos de lutar com palavras” [2]. O problema que Israel enfrenta foi ilustrado por Tami Allen-Frost, presidente da Associação da Imprensa Estrangeira e produtor da ITN britânica: “A cena mais forte que fica na mente é a de um tanque numa cidade” [3].
Mito nº2: As autoridades árabes dizem aos jornalistas o mesmo que falam ao seu próprio povo.
Fato: Os líderes árabes constantemente expressam seus pontos de vista de forma diferente em inglês do que em árabe. Eles revelam seus verdadeiros sentimentos e posições aos seus constituintes em sua língua nativa. Para consumo externo, entretanto, eles aprenderam a falar em tom moderado. Geralmente apresentam pontos de vista muito diferentes quando falam em inglês para as audiências do Ocidente. Há muito tempo, os árabes já se tornaram mais sofisticados na apresentação da sua causa. Eles agora aparecem rotineiramente nos noticiários da TV americana, são citados na mídia e se apresentam como pessoas razoáveis com queixas legítimas. Aí está o Mahmoud Abbas insistindo para que a Palestina seja um membro pleno da ONU, mesmo sem ter pelo menos uma força policial decente que coíba o uso de armas por menores de idade. Alguém aí sabe o que ele diz em Gaza sobre esse assunto? Será assim tão diplomático? O que a maioria dessas mesmas pessoas diz em árabe está freqüentemente muito longe do moderado e razoável. Como os israelenses podem traduzir facilmente o que é dito em árabe, eles estão bem informados sobre os pontos de vista dos seus inimigos. Os americanos, porém, bem como outros povos, podem ser facilmente persuadidos pela apresentação enganosa de um político árabe.
Para dar apenas um exemplo, o negociador palestino Saeb Erekat é freqüentemente citado pela mídia ocidental.  
Depois do assassinato brutal de dois adolescentes israelenses em 9 de maio de 2001, os jornalistas pediram seus comentários. O Washington Post noticiou sua resposta. Ele disse em inglês numa conferência de imprensa: “Matar civis é um crime, quer seja cometido pelos palestinos ou pelos israelenses”, mas esse comentário não foi reproduzido em língua árabe na mídia palestina[4]. O aspecto incomum dessa história: o próprio Washington Post revelou que o comentário de Erekat foi ignorado pela imprensa palestina.
Mito nº3: Os jornalistas – e o público em geral – conhecem bem a história do Oriente Médio e, assim, sabem colocar os eventos atuais no contexto apropriado.
Fato: Uma causa das más interpretações sobre o Oriente Médio e da parcialidade da mídia nas reportagens é a ignorância dos jornalistas sobre a região. Poucos repórteres falam hebraico ou árabe, de modo que têm pouco acesso às principais fontes. Muitas vezes eles repetem histórias que leram nas publicações em inglês da região, ao invés de fazerem reportagens independentes. Quando tentam colocar os eventos no contexto histórico, eles freqüentemente entendem mal os fatos e criam uma impressão incorreta ou enganosa. Um exemplo: durante uma narração sobre a história dos lugares sagrados em Jerusalém, Garrick Utley, da CNN, disse que os judeus podiam orar junto ao Muro das Lamentações durante o governo jordaniano (de 1948 a 1967)[5]. Na verdade, os judeus eram impedidos de visitar esse que é o seu lugar mais sagrado. Esse é um aspecto histórico essencial, que ajuda a explicar a posição de Israel com relação a Jerusalém.
Mito nº4: Os israelenses não podem negar a veracidade das fotos que mostram seus abusos.
Fato: Uma foto pode valer mil palavras, mas muitas vezes as palavras usadas para descrever a foto são distorcidas e enganosas. Não há dúvida de que os fotógrafos e os câmeras de TV procuram as imagens mais dramáticas que possam encontrar, quase sempre apresentando os brutais “Golias” israelenses maltratando os sofredores “Davis” palestinos. Entretanto, falta normalmente o contexto.
Num exemplo clássico, a Associated Press distribuiu para o mundo inteiro uma imagem dramática. Ela foi publicada no New York Times[6] e causou revolta internacional porque a legenda, fornecida pela Associated Press, dizia: “Um policial israelense e um palestino no Monte do Templo”. Tirada na época da revolta palestina após a controvertida visita de Ariel Sharon à mesquita de Al-Aksa, a foto parecia ser um caso flagrante da brutalidade israelense. Entretanto, foi constatado que a legenda era incorreta e que a foto, na verdade, mostrava um incidente que deveria ter conduzido à impressão exatamente oposta, se tivesse sido noticiado corretamente: a vítima não era um palestino agredido por um soldado israelense, mas um policial israelense protegendo o estudante judeu-americano Tuvia Grossman, que estava num táxi apedrejado por palestinos. Grossman foi puxado para fora do táxi, surrado e esfaqueado. Ele conseguiu se livrar e fugiu para perto do policial israelense. Nesse momento um fotógrafo fez a foto. Além de identificar a vítima de forma errada, a Associated Press também informou incorretamente que a foto tinha sido tirada no Monte do Templo. Na verdade, o incidente aconteceu em outra parte de Jerusalém!
Quando a Associated Press foi alertada sobre os erros, fez uma série de correções, que não esclareceram a história de forma completa. Como geralmente acontece quando a mídia comete erros, o dano já tinha sido feito. Muitos veículos que usaram a foto não publicaram posteriormente as devidas explicações.
Outro exemplo de como fotos podem ser tanto dramáticas quanto enganosas, foi uma imagem da Reuters mostrando um menino palestino sendo preso pela polícia israelense no dia 6 de abril de 2001. O menino estava obviamente atemorizado e molhou as calças. Mais uma vez a foto atraiu a atenção do mundo inteiro e reforçou na mídia a imagem dos israelenses como ocupantes brutais que abusam de crianças inocentes. Nesse caso, o contexto foi enganoso. Outro fotógrafo da Reuters tirou uma foto um pouco antes, mostrando o mesmo menino jogando pedras em soldados israelenses. Poucos veículos publicaram essa primeira foto.
Mito nº5: A imprensa não justifica os atos terroristas.
Fato: Pelo contrário, a imprensa aceita ingenuamente as alegações de que os ataques contra civis inocentes são atos de “combatentes pela libertação”. Em anos recentes, algumas empresas jornalísticas desenvolveram uma resistência contra o termo “terrorista” e substituiram-no por eufemismos como “militante”, porque não querem ser vistas tomando partido ou julgando os responsáveis. Por exemplo, depois que um homem-bomba palestino explodiu uma pizzaria no centro de Jerusalém em 9 de agosto de 2001, matando 15 pessoas, o atacante foi descrito como um “militante”... Em contraste, todos os meios de comunicação chamaram os ataques de 11 de setembro de atentados terroristas.
Clifford May, da Middle East Information Network, chamou a atenção para a cobertura da mídia: “Nenhum jornal escreveria: ‘Militantes atingiram o World Trade Center...’, nem diria: ‘Eles devem considerar-se combatentes pela libertação, e quem somos nós para julgá-los? Nós somos jornalistas’!”... A noção de que o “combatente pela liberdade” para uns é o “terrorista” para outros simplesmente não é verdadeira. É possível definir o terrorismo. Eis como o FBI define a palavra: Terrorismo é o uso ilegal da força ou violência contra pessoas ou propriedades para intimidar ou coagir um governo, a população civil ou qualquer segmento dela, com propósitos políticos ou sociais[7]. Se a mídia julgasse os eventos usando essa simples definição, os jornalistas não teriam dificuldades em usar a palavra “terrorista”.
Mito nº 6: A TV Al-Jazeera é a “CNN árabe”, proporcionando ao mundo árabe uma fonte objetiva de notícias.
Fato: Al-Jazeera, fundada no Qatar, é amplamente assistida em todo o mundo árabe. O canal começou em 1996 como um projeto de estimação do emir do Qatar, xeque Hamad bin-Khalifa al-Thani, e ganhou destaque durante a guerra no Afeganistão, por causa de seus antigos contatos com os dirigentes do Talibã e com Osama bin Laden. Divulgando uma variedade de pontos de vista, incluindo opiniões dos funcionários da administração Bush, a rede buscou criar a impressão de que é uma fonte de notícias objetiva. Mas na realidade, ela é um canal de propaganda extremista. Um intelectual muçulmano culpou a rede por incitar as massas contra o Ocidente e por transformar bin Laden em celebridade. “Há uma diferença entre dar oportunidade para que opiniões diferentes [sejam ouvidas] e colocar no ar assassinos armados para que divulguem suas idéias”, disse o Dr. Abd Al-Hamid Al-Ansari, decano de Shar’ia e Direito na Universidade do Qatar[8]. Numa entrevista ao programa “60 Minutos”, um correspondente da Al-Jazeera, ao se referir à cobertura de notícias do conflito, disse que os palestinos morrem como mártires. Quando o entrevistador Ed Bradley replicou que os israelenses os chamariam de terroristas, ele respondeu: “Esse é um problema deles. É um ponto de vista”. Quando lhe perguntaram como eles descrevem israelenses mortos por palestinos, a resposta foi: “Damos-lhes o nome certo: israelenses mortos por palestinos”. Bradley disse ainda que a cobertura da intifada pela Al-Jazeera foi responsável por incitar manifestações pró-palestinas por todo o Oriente Médio[9].
Tudo isto mostra que antes de dizermos “que se dane Israel”, ou que deviam explodir esta ou aquela cidade, precisamos pelo menos procurar saber o que ocorre “do outro lado”. E mais uma vez, queiram ou não, doa a quem doer, tudo o que ocorre na região tem sua explicação nas páginas da Bíblia e do Corão – ali estão as raízes da eterna beligerância entre árabes e israelenses.
E achem legal ou achem ruim, nas páginas da Bíblia estão escritos os próximos capítulos, como eu disse na semana passada e reafirmo agora. (com base em www.us-israel.org/jsource/myths/ - http://www.Beth-Shalom.com.br)

Notas:
1. Near East Report (5 de agosto de 1991).
2. Jerusalem Report (22 de abril de 2001).
3. Jerusalem Report (22 de abril de 2001).
4. Washington Post (10 de maio de 2001).
5. CNN (10 de outubro de 2000).
6. New York Times (30 de setembro de 2000).
7. Washington Post (13 de setembro de 2001).
8. Al-Raya (Qatar), (6 de janeiro de 2002).
9. 60 Minutos, "Inside Al-Jazeera" (10 de outubro de 2001)


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