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domingo, 5 de novembro de 2017

Protestantes x evangélicos

Há algum tempo tive o desejo de escrever algo sobre o aniversário de 500 anos da Reforma Protestante. Meio milênio atrás, Martinho Lutero pregou suas famosas “95 teses” na porta de uma igreja no interior da Alemanha e mudou a História da civilização ocidental. Mas acabei desistindo da empreitada por absoluta falta de tempo e porque inúmeros outros autores também se dedicaram a esse tema. 
A maioria deles, devo dizer, foi superficial. Limitaram-se a fatos já conhecidos e a dizer “que bom que hoje podemos ter a liberdade de estudar a Biblia” e por aí vai. Ficou nisso.
Também há algum tempo eu vinha pensando sobre a razão de o protestantismo evangélico estar hoje tão distante dos ideais dos reformadores – não apenas Lutero, mas seus precursores como Wycliffe, Huss, talvez Savonarola, seus contemporâneos como Calvino e Zwinglio, e seus sucessores, como Knox. Onde se perdeu a chama renovadora? Em que momento abandonamos os “cinco Solas” e adotamos doutrinas questionáveis, muitas até heréticas, como a teologia da prosperidade, o dominionismo, a batalha espiritual? Por que um evangélico brasileiro ou americano é tão diferente de um presbiteriano escocês, um luterano alemão ou um metodista inglês? Por que as igrejas evangélicas parecem prosperar na América Latina e na África enquanto na Europa templos estão sendo vendidos para empresas criarem cinemas e teatros?
A resposta não é fácil, nem simples, nem é uma só.
Começo fazendo uma pequena reflexão.
Há evangélicos.
E há protestantes. Peraí... há mesmo? Ainda existe protestante? Pelo menos aqui no Brasil, ainda existe? Houve algum dia?
Há uma enorme diferença entre esses dois termos. Veja esta breve explicação, que pode ser encontrada na Internet após poucos “clicks”:

O termo "protestante" é geralmente usado para se referir às Igrejas oriundas direta e contemporaneamente da Reforma Protestante, como a Luterana, a Presbiteriana, a Anglicana, a Metodista, e a Congregacional; o termo "evangélico" é usado para se referir tanto a essas, com exceção da Anglicana, quanto àquelas indiretamente e/ou posteriormente oriundas da reforma, como as pentecostais e as neopentecostais. Existem também igrejas que já existiam antes da reforma protestante, por isso seria incorreto chamá-las de protestantes. Um exemplo são as Igrejas Batistas (...)  Adeptos dessas também são chamados de protestantes, embora, no Brasil, por preferência de nomenclatura, não costumem se denominar assim, preferindo a nomenclatura evangélicos. Todo protestante é evangélico, mas nem todos os evangélicos são protestantes. (grifos nossos)

Isto deve ser o suficiente para acender uma lâmpada na nossa cabeça.
Ora, a denominação “protestante” surgiu com Lutero, quando ele se opôs às práticas vigentes do catolicismo, que foram consideradas extra-bíblicas, e portanto, se fazia necessário um retorno às práticas primitivas, dos tempos apostólicos. Lutero e seus apoiadores foram perseguidos pela máquina católica, e por isso fizeram protestos em nome da liberdade religiosa e contra a tirania papal.
Dentre as práticas que deveriam ser abandonadas estavam – todos já sabem – a venda de indulgências (uma espécie de perdão pelos pecados a troco de dinheiro), as superstições e o misticismo misturados ao culto, a rígida hierarquia eclesiástica e outras coisas. Lutero e seus apoiadores lutaram contra isso.
Agora corta para o século XXI. Você entra numa igreja evangélica e nada de protestante existe ali dentro. Não há imagens de santos nem velas, mas você tem:
- uma rígida estrutura eclesiástica que além do pastor agora já tem bispo, apóstolo e até patriarca;
- se você ainda não pode comprar o perdão dos pecados por uma soma de dinheiro, pelo menos pode alcançar (dizem) a prosperidade financeira, a saúde física e emocional, o matrimônio, o emprego dos sonhos, se depositar fielmente e religiosamente uma certa quantia no gazofilácio ou outra coisa para isso destinada;
- pode também depositar sua fé em objetos mágicos como rosas ungidas, sabonetes abençoados, vassoura “orada” e travesseiro consagrado, para não falar de outros tipos de benzeduras mais inusitadas, como na carteira, no talão de cheques, na chave do carro ou no aparelho genital.
- se preferir, participe de rituais cabalísticos como dar sete voltas ao redor do seu bairro, ou atirar pedras em gigantes imaginários, derramar água, sal, vinho ou o que a sua criatividade declarar como profético, nas encruzilhadas, morros, praias e rios que achar melhor. Benzer a casa com azeite de oliva também é bem comum hoje em dia.
- a mistura com o mundo é tão clara que, por exemplo, se sua vida sexual estiver meio fraca, além de abençoar a cueca e a calcinha você pode adquirir produtos “cristãos” no sex-shop “cristão” para “apimentar a relação”, assim que sair do “baile funk gospel” ou da festa junina gospel, ou do Halloween gospel bem ali ao lado.
Nada mais distante da Reforma Protestante pela qual inúmeros deram suas vidas.
Isso é o evangélico. Não o protestante.
O protestante tem suas raízes fincadas em Wittenberg, naquele protesto explícito contra heresias; mas sobretudo, está embasado pela Bíblia Sagrada. Não se deixa enganar por falsas interpretações que contradizem os Evangelhos. Não embarca em novas revelações, nem em novidades teológicas e modernizações doutrinárias que extrapolam o ensino apostólico.
O protestante sabe quais são as 95 Teses de Lutero, e embora algumas delas possam até parecer datadas – pois Lutero não pensava em “cisma” e sim em reforma – elas são o cerne de uma vida cristã livre e dependente apenas das Escrituras.
O protestante tem cinco premissas – as “Cinco Solas”:
- Sola scriptura (Somente a Escritura) - a Bíblia tem primazia em relação à tradição legada pelo magistério da Igreja, quando os princípios doutrinários entre esta e aquela forem conflitantes. O historiador William Sweet sugeriu que isso posteriormente originou o direito fundamental de liberdade religiosa, bem como a própria ideia de democracia. 
- Sola gratia (Somente a Graça ou Salvação Somente pela Graça) - a salvação é pela graça de Deus apenas, e que nós somos resgatados de Sua ira apenas por Sua graça. A graça de Deus em Cristo não é meramente necessária, mas é a única causa eficiente da salvação. Esta graça é a obra sobrenatural do Espírito Santo que nos traz a Cristo por nos soltar da servidão do pecado e nos levantar da morte espiritual para a vida espiritual.
- Sola fide (Somente a Fé ou Salvação Somente pela Fé) - a justificação é através da fé somente, pois pela fé em Cristo que Sua justiça é imputada a nós como a única satisfação possível da perfeita justiça de Deus.
- Solus Christus (Somente Cristo) - a salvação é encontrada somente em Cristo e que unicamente Sua vida sem pecado e expiação substitutiva são suficientes para nossa justificação e reconciliação com Deus o Pai.
- Soli Deo gloria (Glória somente a Deus) - a salvação é de Deus, e foi alcançada por Deus apenas para Sua glória. Acredito que mui poucos evangélicos conheçam essas declarações.
Muitos pastores evangélicos dizem ser inútil e desnecessário estudar para exercer o ministério. Bastaria um “dom” ou um “chamado”.  Mas os reformadores, ao contrário, foram pessoas de vasta cultura teológica e humanista: Calvino estudou em Sorbonne e seu pai era bispo; Lutero foi professor universitário de teologia; Zwinglio era sacerdote e humanista. Muitos eram professores universitários, respeitados em sua época, e se correspondiam com os grandes filósofos seus  contemporâneos. Como Erasmo de Roterdam, eles buscaram nas fontes da antiguidade cristã as bases para uma renovação religiosa. Lendo a Bíblia e retornando aos Pais da Igreja, descobriram uma visão da fé e uma doutrina bíblica cristocêntrica há muitos séculos esquecidas. Desafio a qualquer um enumerar uma lista de grandes pensadores evangélicos brasileiros, respeitados fora do redil, que não sejam ridicularizados como retrógrados, pedantes ou tacanhos. Existem, felizmente, mas são poucos.
Neste 31 de outubro de 2017, alguns de nós comemoraram 500 da Reforma Protestante.
Mas muitos nem sabiam do que se tratava. Estavam mais preocupados com o Halloween, gospel ou não.
Os reformadores, se porventura tivessem uma visão da situação atual, talvez teriam ganas de voltar à Terra e refazer todo o trabalho, porque vai se esfarelando a sua preciosa herança.
Nesta estranha classificação entre protestantes e evangélicos, prefiro ser protestante. Até porque há quem diga que a certidão de nascimento dos “evangélicos” de hoje está datada em algum ponto dos anos 1950 – e você pode especular um pouco mais neste link. Mas isto é assunto para outro dia.
Como disse Lutero, “A menos que vocês provem para mim pela Escritura e pela razão que eu estou enganado, eu não posso e não me retratarei. Minha consciência é cativa à Palavra de Deus. Ir contra a minha consciência não é correto nem seguro. Aqui permaneço eu. Não há nada mais que eu possa fazer. Que Deus me ajude. Amém”.

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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Se Jesus fosse um crente moderno...


...Ele não venceria Satanás pela Palavra, mas teria perguntado a ele o que ele veio fazer ali. Teria amarrado o capeta, teria repreendido várias vezes, o mandaria ajoelhar com as mãos para trás, e dizer que é derrotado; teria feito uma sessão de descarrego, vestido de branco, durante treze sextas-feiras. Aí sim o capiroto sairia humilhado com o rabo entre as pernas. (Mateus 4:1-11)
Se Jesus fosse um crente moderno, não teria curado o servo do centurião de Cafarnaum à distância, mas mandaria levar o rapaz a uma de suas reuniões de milagres e lhe daria um lencinho abençoado ou uma toalhinha ungida para colocar sobre o paralítico durante sete semanas. Aí sim, ele seria curado. (Mateus 8: 5-13)
Se Jesus fosse um crente moderno, não teria multiplicado pães e peixes e distribuído de graça para o povo, de jeito nenhum! Na verdade o pão ou o peixe seriam “adquiridos” através de uma pequena oferta de no mínimo 50 dracmas e quem comesse o tal pão ou peixe milagrosos seria curado de suas enfermidades. (João 6:1-15)
Se Jesus fosse um crente moderno, ele até teria expulsado os cambistas e os que vendiam pombas no templo, mas permaneceria com o comércio, agora sob sua gerência. E então falaria a eles sobre os cinco passos para ser um líder de sucesso para aquela geração. (Mateus 21:12-13)
Se Jesus fosse um crente moderno, jamais teria dito, no caso de alguém bater em nossa face, para darmos a outra. Ele certamente teria mandado que pedíssemos fogo consumidor do céu sobre o agressor, pois “ai daquele que tocar no ungido” (Mateus 5 :38-42)
Se Jesus fosse um crente moderno, quando os fariseus o pedissem um sinal certamente ele imediatamente levantaria as mãos e delas sairiam vários arco-íris, um esplendor de fogo e glória se formaria em volta dele, que flutuaria enquanto anjos cantarolavam: “divisa de fogo, varão de guerra, ele desceu a terra, ele chegou pra guerrear”. Todos ao redor sentiriam um calor forte, seguido de arrepios e tremedeiras. Ele repetiria tal performance sempre que fosse solicitado a provar que era o Filho de Deus. (Mateus 16:1-12)
Se Jesus fosse um crente moderno, nunca teria dito para carregarmos nossa cruz, ou para perdermos nossa vida para ganhá-la, mas teria dito que nascemos para vencer e que fazemos parte da geração de conquistadores, e que todos somos predestinados para o sucesso. E no final gritaria: receeeeeeebaaaaaa! (Lucas 9:23)
Se Jesus fosse um crente moderno, não teria feito simplesmente o “sermão da montanha”, mas teria realizado o Grande Congresso Galileu de Avivamento Fogo no Monte, cuja entrada seria apenas 250 dracmas divididas em 4 vezes sem juros. Claro que haveria o barranco “VIP”, mais perto do Mestre, que custaria um pouco mais. E antes que ele começasse a falar, haveria três horas de apresentação dos levitas dos grupos “Diante do Tabernáculo” e “Trazendo o Trono”, para maior enlevo espiritual e preparação do clima para a mensagem (Mateus 5:1-11)
Se Jesus fosse um crente moderno, não teria curado a mulher encurvada imediatamente, mas a teria convidado para a Escola Internacional de Cura para aprender os sete passos para receber a cura divina. (Lucas 13:10-17)
Se Jesus fosse um crente moderno, de forma alguma teria entrado em Jerusalém montado num jumento, mas primeiro teria dado sete voltas na cidade, para ganhar a nação para Ele mesmo. Depois derramaria azeite, sal, suco de uva e água do rio Jordão nos portões, num grande ato profético para purificar o local de toda influência maligna.  Só então entraria numa carruagem real toda trabalhada em pedras preciosas, com o levita Tomé à frente, tocando um shofar, e a seguir a pastora Maria Madalena “liberando” a bênção sobre Jerusalém. E o povo não o receberia declarando “Hosana”, mas marcharia atrás da carruagem dançando um animado reteté, enquanto os apóstolos contariam quantos milhões de pessoas estavam na primeira marcha para Jesus. Chupa, DataFolha! (Mateus 21:1-15)
Se Jesus fosse um crente moderno, ao se deparar com o leproso (Marcos 1:40-45) este não ficaria curado imediatamente, mas durante a semana, enquanto ele continuasse crendo. Pois se parasse de crer...
Se Jesus fosse um crente moderno, não teria expulsado o demônio do gadareno com tanta facilidade. Ele teria realizado um seminário de batalha espiritual para, a partir daí, se iniciar o processo de libertação daquele jovem.  O gadareno precisaria se lembrar de todos os seus pecados - mesmo os que foram cometidos no jardim de infância - e confessá-los um a um diante de toda a congregação. Então depois de três meses sob disciplina, finalmente ele seria liberto e readmitido à comunhão. (Marcos 5:1-20)
Se Jesus fosse um crente moderno, não teria transformado água em vinho, mas em suco de uva Maguary. (João 2:1-12)
Se Jesus fosse um crente moderno, jamais curaria as multidões, mas mandaria que todos orassem sobre um copo de água, colocassem uma rosa ungida atrás da porta, deitassem sobre um travesseiro previamente abençoado pelos apóstolos e varressem a casa com uma vassoura consagrada, para que o mal saísse daquelas vidas (Mateus 12:15; 15:30).
Se Jesus fosse um crente moderno, aquele texto do buraco da agulha seria assim: “Mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um não-dizimista entrar no reino dos céus” .(Mateus 19:22-24)
Se Jesus fosse um crente moderno, ele teria sim onde recostar sua cabeça. Ele moraria no bairro onde estavam localizados os palácios mais chiques e teria um castelo de verão no Egito, fora que viajaria todo ano de férias para Roma. Viajaria numa caravana de primeira classe ou então em seu próprio navio. De pobreza já bastaria ter nascido numa estrebaria. (Mateus 8:20)
Se Jesus fosse um crente moderno, Zaqueu não teria devolvido o que roubou nem distribuído aos pobres, mas teria doado tudo ao seu ministério como prova de submissão à Sua cobertura espiritual. (Lucas 19:1-10)
Se Jesus fosse um crente moderno,  nunca diria aos discípulos que eles seriam perseguidos, açoitados e levados a interrogatório diante dos reis e governantes deste mundo, mas profetizaria que eles seriam honrados pelos homens, levantados como líderes mundiais, como atalaias de nações e conselheiros de reis, para governar em nome de Deus. Diria que eles seriam empresários, políticos e generais de influência, que deveriam honrar a Deus com seus bens, e que eles comeriam o melhor da terra. (Marcos 13:9; Gênesis 45:18)
Se Jesus fosse um crente moderno, não pregaria nas sinagogas, nas praias e debaixo de árvores, mas sim na recém inaugurada sede mundial da “Igreja de Jesus - Ministério Jerusalém”, construída com as ofertas, dízimos e primícias dos “parceiros de Jesus” fiéis, que pagariam mensalmente o carnêzinho abençoado e receberiam diplomas de “dizimistas fiéis e colunas do templo”, autografadas pelo Mestre; e Judas ao traí-lo não se mataria, mas abriria a “Igreja de Jesus Renovada - Ministério Palestina Para Deus, sob a liderança do Apóstolo Iscariotes”. No mesmo esquema, só mudaria a placa...
Se Jesus fosse um crente moderno, não diria que no mundo teríamos aflições, mas sim que teríamos sucesso, honra, vitória, sucesso, riquezas, sucesso, prosperidade, honra, porção dobrada... Ele diria que temos que declarar que somos especiais, determinar que tomamos posse do bom e do melhor, e decretar a falência do olho gordo. Afinal, filhos de Deus têm que ser cabeça, e não cauda, e todo lugar que eles pisarem podem tomar posse. (João 16:33)
Se Jesus fosse um crente moderno, de forma alguma diria que não devemos nos assemelhar aos gentios (Mateus 6:8). Pelo contrário, ele apoiaria até lutas de gladiadores dentro do templo, para manter os jovens na igreja.
Se Jesus fosse um crente moderno, ele lutaria pela igualdade dos direitos trabalhistas dos carpinteiros da Galiléia e região, e defenderia a isenção de impostos para os líderes religiosos e seus templos (afinal, “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”).
Mas se Jesus fosse um crente moderno, com toda certeza ele iria na manifestação contra a corrupção do governo romano, a mais grave em toda a História mundial, causa do declínio da Judéia e do caos nas finanças do império; e pediria veementemente o impeachment de César, incentivando pessoalmente passeatas contra a roubalheira de Roma. Ele reivindicaria a participação dos cristãos no Senado imperial. Ele diria no palanque, sob aplausos, que “a voz do povo é a voz de Deus”, e que um país só pode prosperar se for governado por pessoas justas e tementes a Deus.

Certamente, se Jesus fosse um crente moderno, não sofreria tanto.
Tampouco morreria por mim e por você.

(adaptado; reproduzido com permissão)

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domingo, 13 de março de 2011

A MATRIX evangélica (final)

Os pseudo-líderes evangélicos da modernidade usam e abusam da cortina de fumaça para manter a estrutura e – por que não dizer – seu emprego, seu meio de vida. Criam ideias, conceitos, doutrinas e arrazoados que visam unicamente perpetuar o seu domínio sobre a congregação, e não raro, assegurar a seus descendentes e apaniguados uma fonte eterna de sustento. É o verdadeiro feudalismo evangélico (leia mais aqui).
Dentre as técnicas usadas para manter a dominação nicolaíta, uma das mais evidentes – para quem já saiu da Matrix, ou da “cobertura” – é um dialeto próprio, que identifica claramente quem ainda está “dentro da visão”. Eu chamo de “evangeliquês”. Tem várias nuances, mas de modo geral usa as palavras da tabela abaixo. Veja só: são 3 colunas de substantivos, que podem ser usados combinados na ordem das colunas (1, 2 e 3), com qualquer dos verbos da coluna 4.
Eventualmente, os termos podem ser transformados em verbos, para dar mais autenticidade (por exemplo, estabelecido = estabelecer, unção = ungir, profético = profetizar, liberado = liberar, etc.), assim:
- Precisamos marchar na unção profética com adoração extravagante para alcançar a batalha de alto nível!
- Vamos guerrear no mover apostólico e poderoso para conquistar o tabernáculo consagrado do reino levítico para as nações!
- A geração apaixonada dos dizimistas fiéis foi estabelecida para gerar a cobertura territorial e como leões declarar restaurado o reino celestial!
- É tempo de liberar o ato apostólico da intercessão poderosa e decapitar as hostes malignas!
Também pode ser usada a coluna especial de entonação, se for o caso.
E sabe o que é engraçado? Os seguidores mais próximos do “líder” começam, pouco a pouco, a copiar os gestos, o tom de voz, o estilo do ungidão-mor. Repare só, e depois me diga se não estou dizendo a verdade...
Como ilustração prática disso todo, releia este artigo, e veja se não é a prova final desta tentativa de manter os  abestados sob o tacão do líder todo-poderoso: palavras vazias, sem conteúdo, genéricas como as previsões da Mãe Diná ou do Jair de Ogum, lançadas como se viessem do próprio Trono da Graça! Anos proféticos decretados um após o outro, apenas como promoções das Casas Bahia, para manter a platéia hipnotizada! Boletins de pseudo-profetas, encaminhados por e-mail, são lidos nas “igrejas” e congregações como se fossem a “instrução suprema”, para que todos sigam, à uma, o “mover da visão”.
Veja este texto:
2008 será um tempo de usar o dedo indicador como nunca. Um tempo de ensinar, movimentando o indicador com força, um ano de profetizar, apontando para cima e desferindo a palavra de Deus. Um ano de expandir o Reino, apontando o dedo para onde o Espírito quer que vamos. Um ano de ativação, esticando o indicador e apertando o botão que fará as coisas funcionarem. Um ano de inovação, onde vamos criar artisticamente de forma livre e nunca antes vista, como quem desenha na areia. Um ano de disposição, onde Deus vai esperar os indicadores que se levantarem dizendo “presente!” ... O rio apostólico aumentará seu volume. Jovens apóstolos genuínos surgirão nas nações através de “Pais Apostólicos”; eles serão sinais do Avivamento Mundial que se inicia.  Guia Profético para o ano de 2008, em http://projetojoel2.com/blog/?cat=21&paged=8).
Ou este:
[2010] Ano de cavar poços das provisões que o Senhor nos envia enquanto passamos pelo vale. Ano de nos aplicarmos a crer e a buscarmos as águas vivas de Deus para nos suprir. Temos que cavar, ir atrás, aplicar esforço pessoal para desfrutar de nossa herança já legalmente determinada pelo Pai ...  Fique atento às estações espirituais de chuvas divinas, que tornarão o solo do nosso coração fértil para as sementes divinas que florescerão e frutificarão em 2010. Lembre-se de recolher a água da chuva divina em tanques (?); guarde as porções de águas vivas que lhe serão entregues ... Os céus estão abertos; é tempo de colheita nas 12 regiões proféticas. (http://guerreiros.insejec.com.br/category/palavras-profeticas/).
Percebe a enrolação?
Seria cômico se não fosse trágico!
E para você tirar a dúvida sobre quem é o maluco nesta história – eu, que estou metendo o dedão na pereba, ou o pessoal da “cobertura”, “apostolado”, etc... – veja sobre o novo título que deram a “papaipóstolo” Hernandes, ou sobre o que a IURD anda fazendo. Aí está a prova do que estou dizendo, esses camaradas fazem o que fazem porque têm quem os apóia e os considera o último biscoito do pacote, a derradeira revelação, a encarnação do Espírito Santo, a última palavra, a unção suprema.
Russell Shedd nos dá um alerta sobre esses caras:
“[Satanás] foi mentiroso no princípio (João 8:44) e continuará até o fim. Gera mentiras, assim como poços de água parada geram micróbios. Propaga falsas ideias com astucia para alcançar seus objetivos. Mesmo quando homens inteligentes percebem que foram iludidos, continuam crendo nas novas falsidades promulgadas pelo pai da mentira. Se a habilidade de Satanás para enganar fosse limitada aos seus adeptos, a conseqüência não seria tão catastrófica. Mas podemos imaginar a satisfação que tem o demônio quando se transforma em anjo de luz (II Coríntios 11:14), para iludir os mais instruídos. Não hesita em vestir uma roupagem santa para confundir os que carecem de discernimento, Ele comparece aos cultos para inculcar suas ideias nefastas. Por isso Paulo ordena que falem apenas dois ou três profetas e os outros julguem (I Coríntios 14:29). Se Satanás não tivesse acesso aos cultos, não haveria necessidade de avaliar as mensagens. A frase “se alguém se considera profeta ou espiritual” (v. 37) também aponta o perigo de auto-proclamação de um ministro que se diz mensageiro de Deus, quando de fato é porta-voz do inimigo. Por essa razão, João manda que as igrejas provem os espíritos se vêm ou não de Deus (I ao 4:1). A apostasia das igrejas acontece porque não reconhece que os espíritos enganadores espalham suas doutrinas demoníacas sem que os fiéis percebam a falsidade (I Timóteo 4:1). Shedd, in “O mundo, a carne e o diabo”, pg 96-97.
Olha, faço um apelo sério: saia logo dessa “matrix” maligna. Leia a Bíblia, especialmente o livro de Atos e as epístolas, e veja, sinceramente, se está dentro do padrão neo-testamentário para a vida cristã. Veja se seu líder incentiva o estudo bereiano da Palavra, se aceita crítica, se vive pela fé ou de campanha em campanha, congresso em congresso, conferência atrás de conferência – tudo com ingresso pago, claro. Avalie se de tempos em tempos te convocam para um encontro ou “clínica” para confessar de novo todos os pecados conhecidos e desconhecidos, desde não sei quantas gerações passadas, e quebrar de novo as maldições que Jesus já quebrou na Cruz. Com ingresso pago, evidentemente. Mas mesmo se for de graça também é esquisito. Veja se na hora da oração há uma balbúrdia de “línguas estranhas”, onde ninguém entende nada, pois não existe interpretação. Veja se o “louvor” é de acordo com Efésios 5:18-21 e Colossenses 3:16, ou é uma sucessão de apresentações e showzinhos de pseudo-levitas toscos e dançarinas desengonçadas. Veja se estão te espremendo para dar o dízimo religiosamente – coisa da outra dispensação – senão o devorador, o migrador, o picador, o moedor, o ralador e o espremedor vão puxar seu pé de noite; se os recursos arrecadados estão financiando a caminhonete do apóstolo, a viagem da bispa, o tênis novo do filhote do pastor; ou se as ofertas – voluntárias - estão sendo aplicadas de acordo com o que a Bíblia ensina...
Abra seus olhos!
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

2010, ano profético...

2010 vai chegando ao fim e para comemorar a centésima postagem, resolvi dar uma olhada nas últimas “palavras proféticas liberadas” pelos pseudo-apóstolos e semi-profetas que pululam na igreja brasileira, e veja o que encontrei.
A Renascer, na pessoa do “papai” Estevam, havia determinado o ano de 2006 como sendo “o ano de Isaque”, o ano da colheita. Em setembro daquele ano a Justiça bloqueou os (muitos) bens do “apóstolo”, que ficou foragido até 19 de dezembro. Só colheu problemas na Justiça. 2007 foi declarado “o ano de Elias”, mas o casal apostólico foi detido em Miami por portar U$56 mil e só ter declarado U$10 mil à alfândega. Ainda bem que Elias foi arrebatado antes para não presenciar esse mico profético. Melhor fez a Comunidade Igreja Apostólica de Jesus Cristo, que declarou 2007 como o ano de Neemias. Ninguém lê Neemias mesmo, então ficou de bom tamanho.
A mesma igreja - Apostólica de Jesus Cristo - espalhou que 2008 era o “ano de Gideão – o ano da revolução”. Eu não vi nenhuma revolução em 2008, talvez porque 2008 foi também “ano de Ester” para a Renascer: foi o ano de reinar sobre todas as coisas. Mas também não tive notícias de nenhuma reinação desse pessoal, a não ser nas páginas dos jornais, onde de fato reinaram absolutos. Sem mais delongas, o Tabernáculo das Nações disse que era o “ano apostólico de Moisés”. Engraçado, o que Gideão, Ester e Moisés têm a ver com apóstolo? 
Em 2009, o “ano de Davi” na Renascer, a conversa era a seguinte: “Deus realmente vai fazer a diferença nas nossas vidas. Ano de vitórias, ano de restauração, ano de restituição, ano de conquista, ano de ser aclamado rei”, vaticinou “papai” Estevam. E realmente fez uma baita diferença: depois que o teto de uma filial caiu e matou nove pessoas, a prefeitura de São Paulo apertou o cerco sobre igrejas que não tinham condições de funcionamento, entre elas, várias Renascer. Será que foi uruca da igreja católica? O cardeal-patriarca de Lisboa havia declarado esse ano como o ano apostólico... de São Paulo.
Em 2010, a Igreja Apostólica Cristã Renascer Carmesim (de Mato Grosso, sob a visão do apóstolo Paulo Zotareli e sua esposa, a pastora Silvana Daniela Sara Zotareli – viu só, Doa a Quem Doer é informação em primeiro lugar!), bom, essa igreja declarou que o corrente ano é o ano apostólico de José. Já a Comunidade da Graça e a Igreja Apostólica Novo Cântico estabeleceram profética e coincidentemente que 2010 é o ano de Josué. Pelo menos aqui a profecia testificou... Mas seus apóstolos, aparentemente, estavam precisando tocar mais no manto profético, voar mais alto ou então mergulhar mais fundo, tanto faz, e ambas as igrejas chegaram atrasadas: o Tabernáculo das Nações já havia declarado o ano de Josué em 2009.
Só que, apesar de o Tabernáculo solenemente propagar 2010 como o ano de Samuel, a Renascer apostolicamente determinou que não, 2010 não é nem de Samuel nem de José, de José foi em 2005, vocês não sabiam? Quem manda não escutar a rádio da Renascer? Nem de Josué coisa nenhuma, o ano é de Pedro e ponto final. Aliás, o ano de Josué da Renascer foi em 2005. Isso é que é revelamento profético, bem antes de todo mundo. É cabeça, e não cauda! Ora pois! E nisso a Comunidade Apostólica Igreja de Jesus Cristo concordou, para eles também o ano é de Pedro. Até que enfim mais alguém concorda com outro nesse negócio.
Mas agora como ficamos? 2010 é de José, de Samuel, de Pedro ou de Josué? Porque Pedro andou sobre as águas, mas com Josué as águas se abriram e ele passou a seco. Será que Pedro vai cair lá no fundo, esborrachando-se sobre Josué que calmamente vai caminhando sobre a areia, enquanto José observa tudo lá do Egito e as vacas magras engordam? Ou então fica cada um com um pedaço do ano. Assim até que seria legal, mas tem mais gente do Velho Testamento do que do novo, e aí é jugo desigual, não dá.
Enquanto isso, no mundo real o casal Hernandes entra na Justiça para processar o promotor do caso de 2007, alegando perseguição e apontando irregularidades nos processos que carregam nas costas. Não me lembro de ler na Bíblia que Pedro teria alguma vez processado o Sinédrio que o mandou prender, mas “papai” Hernandes já já arranja uma justificativa profética.
O engraçado disso tudo é que ninguém escolhe, por exemplo, Estêvão para “padroeiro do ano”: afinal, Estêvão era um discípulo destacado, um dos primeiros diáconos, escolhido para servir, mas acabou sendo perseguido e morto pelas autoridades... não, esse não, ia queimar o filme.
Então podiam escolher Jeremias, profeta, corajoso... mas foi ridicularizado pelo seu próprio povo e depois jogado num poço... não, esse também não dá.
Quem sabe Sansão? Foi um juiz de Israel – tinha autoridade! Separado desde o ventre da mãe – expressão das mais preferidas dos profetas apostólicos! Derrotou os filisteus várias vezes... mas aí acabou atrapalhado na carreira por um “rabo de saia”... é, esse também ia gerar uma imagem ruim. Marketing, sabe como é...
Uma coisa eu preciso confessar: até agora não entendi a razão, motivo, força ou circunstância da criação desses “anos apostólicos”, que nada acrescentam ao Reino de Deus. A não ser uma motivação ocasional, uma promoção de Marketing semelhante a um “dia das mães” ou “dia dos namorados”, cujo único efeito é uma agitação sazonal que logo depois é esquecida, até aparecer outra “liquidação”. Mas corra que é só até sábado, em todas as lojas da rede!
Por tudo isso, diante de todas essas coisas, como não tive inteligência para entender como a Cabeça pode ordenar a uma parte do Corpo que caminhe num sentido e outra parte em outra direção, formei uma opinião: só me resta crer que estamos vivendo, de fato, o ano profético de Balaão.
DOA A QUEM DOER! 

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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Onde é que nós estamos?


Jesus tinha um temperamento tão agradável que na primeira vez que encontrou seus discípulos os convidou para ir à balada.
Isto é o que diz uma tal de “pastora” Priscila Mastrorosa, da “igreja” Bola de Neve (foto ao lado). O link para outras idiotices semelhantes que ela fala é este: http://migre.me/d5Smk .
A pergunta é inevitável: onde é que nós, como igreja, estamos?
E essa pergunta tem diversas derivações:
Como igreja, o que estamos fazendo? Como é que esse tipo de comportamento, essas práticas estranhas, essa falta de visão para entender e comunicar o evangelho, como é que vamos impactar a sociedade decadente em que estamos inseridos? Onde queremos chegar? O que pretendemos?
Vemos claramente uma diluição da mensagem do evangelho nessas pseudo-igrejas.
Há igrejas que têm ministérios de resgate de jovens das drogas, da homossexualidade; travestis e prostitutas que se renderam aos pés de Jesus tiveram suas vidas transformadas sem precisar ouvir que “Jesus era da balada”. O que transforma vidas é o evangelho genuíno, é a mensagem que diz que se a pessoa não receber Jesus vai para o inferno, que Satanás é real, que o pecado separa o homem de Deus. E o que é pecado, principalmente, que não é relativo, como acreditam alguns. Que a Bíblia ensina a evitar a aparência do mal. Tanto que nessas igrejas que citei, o pessoal entrava cabeludo, barbudo, cheio de parafuso nos beiços, mas não permanecia assim.
A Bíblia diz: “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2). Transformai-vos!
Não dá para acreditar que alguém, que antes vivia segundo um certo “estilo” mundano, depois de ter uma experiência com Cristo continue a falar do mesmo jeito, a se vestir do mesmo jeito, a ter os mesmos hábitos e comportamentos, a “curtir” o mesmo estilo de música, de lazer. II Coríntios 5:17 diz que “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. Não fui eu quem inventou essa frase. Mas agora, até “música gospel para balada” já tem! Que testemunho é esse? Que exemplo é esse?
Desde quando cristão freqüenta balada? Desde quando Jesus ia na balada com os discípulos?
Há não muito tempo atrás, cristão não ia à danceteria. Agora já tem até balada gospel. O que mudou? A Bíblia mudou? A interpretação mudou? A mensagem mudou? Jesus mudou? Sim, Jesus mudou... ele até vai à balada agora. Daqui a pouco vão dizer que Ele tomava umas e outras como certos cantores gospel. Afinal, ele transformou água em vinho, não foi? Será que Ele nem experimentou? Gente, esse raciocínio raso é mundano, carnal e perigoso. “Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica” (Tiago 3:15).
Não estamos falando de costumes humanos: “ah, antes eu usava minissaia e agora só uso vestidão, agora não depilo mais nem as axilas, não uso mais calça comprida; agora só uso terno xadrez e não assisto mais futebol”; não, não se trata disso. Trata-se de fazer tudo “decentemente e com ordem” (I Coríntios 14:40), não só no culto, mas na vida. Este mandamento não se restringe ao domingo, mas à semana toda.
Trata-se de viver como ensina a Bíblia: sendo exemplo tanto para os “de dentro” como para os “de fora”; e isso significa se esforçar para não escandalizar ninguém. “Pelo que, se a comida fizer tropeçar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para não servir de tropeço a meu irmão” (I Coríntios 8:13).
Mas não, parece que fazem questão de mostrar que são assim mesmo e desse jeito permanecerão. “Se Deus me aceita assim todos têm que aceitar também”, dizem. Mas o engraçado é que, ao procurar emprego (quando vão), procuram se arrumar, colocam um terno, tiram os pregos da cara e as dúzias de anéis, escondem as tatuagens. Dois pesos, duas medidas.
O pior é que pseudo-pastores usam uma expressão atribuída a Paulo – “fiz-me grego para ganhar os gregos” – para justificar seus costumes e ensinos bizarros. Que tristeza.
Em primeiro lugar, Paulo nunca disse que “se fez de grego”. O texto bíblico (I Coríntios 9) diz:
19 Pois, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos para ganhar o maior número possível:
20 Fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse eu debaixo da lei (embora debaixo da lei não esteja), para ganhar os que estão debaixo da lei;
21 para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei.
22 Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.

Com isso o apóstolo não está dizendo que se fantasiou de fariseu para ganhar os fariseus. Ele entendeu a mente farisaica, e lhes mostrou que o evangelho ia muito além das leis e ordenanças. Não extrapolou a mensagem de Jesus! Aliás, como discípulos, não devemos viajar na maionese e reinterpretar o que Jesus pregou. Mateus 10:24 “Não é o discípulo mais do que o seu mestre, nem o servo mais do que o seu senhor”. Se Jesus não fez concessões, por que devemos nós fazê-las? Se Jesus não adaptava sua mensagem ao gosto do freguês, por que deveríamos fazer isso?
E quando Paulo diz que “para ganhar os que estão sem lei” foi “como se estivesse sem lei”, não está dizendo que entrou a beber com os coríntios, conhecidos por sua devassidão homérica. Porque o próprio Paulo diz, claramente, que não se portou “para os que estão sem lei” da mesma forma que eles, pois estava “mas debaixo da lei de Cristo” (v. 21). E qual é a lei de Cristo sob a qual devemos estar?
E em segundo lugar, quando esteve na Grécia, Paulo não entrou na deles, mas expôs o evangelho com sabedoria. Começou falando da mitologia grega, mas logo mostrou que Deus estava muito acima desses conceitos. Leia Atos 17:16-34, notando os dois últimos versos:
“Assim Paulo saiu do meio deles. Todavia, alguns homens aderiram a ele, e creram, entre os quais Dionísio, o areopagita, e uma mulher por nome Dâmaris, e com eles outros”.
Esses, que querem ser “como gregos”, se encaixam naquele tipo de pessoa descrita por Pedro em sua segunda carta, cap. 3:15-16: “e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; como faz também em todas as suas epístolas, nelas falando acerca destas coisas, mas quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, como o fazem também com as outras Escrituras, para sua própria perdição”. Indoutos e inconstantes, torcendo ensinos que não compreendem, para sua própria perdição.
E com isso, acabam criando um evangelho da porta larga, onde cabe tudo. Gálatas 1:
6 Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho,
7 o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo.
8 Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema.
9 Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.


O que pretendemos fazer da nossa breve estada neste mundo?
Ainda há sabor nesse sal?
Ainda brilha essa luz?
Porque “Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens” (Mateus 5:13).
E “sois a luz do mundo” (Mateus 5:14). Mas “se a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!” (Mateus 6:23).
Uma vez, quando ainda se pregava o evangelho genuíno neste país, ouvi um homem de Deus dizer que a igreja é como um barco no mar. O barco precisa entrar no mar, mas o mar não pode entrar no barco.
A igreja é o barco, e o mar é o mundo.
Faça a analogia.
A igreja precisa de uma reflexão. Onde é que nós estamos? Não estaríamos como um barquinho no meio do mar, sem saber que rumo tomar?
E o pior... a água está entrando.

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