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domingo, 11 de janeiro de 2015

Escolha seu ano profético!

ou apostólico, tanto faz!

Já falei sobre isto antes, no longíquo ano de 2010, aqui, mas como a moda permanece, vai de novo um artigo só com imagens para ficar mais fácil a sua escolha... se bem que  no artigo de 2010 eu falava sobre ano profético, desta vez o ano é apostólico, veja só que coisa:




Esse é picareta mesmo: copiou exatamente a mesma imagem do “ano apostólico de Joel” da Renascer em 2013, só mudou o ano para 2015, acrescentou o logo da igreja e a charmosa foto do casal untado...
Por falar em Renascer, que agora anuncia o ano apostólico de Daniel (desde quando Daniel é apóstolo, eu ainda não descobri), ela é a campeã: veja o que ela já promoveu nos últimos anos.
1997 - Ano Apostólico das Portas Abertas
1998 - Ano Apostólico da Porção Dobrada
1999 - Ano Apostólico da Grande Pesca
2000 - Ano Apostólico da Ressurreição
2001 - Ano Apostólico da Restituição
2002 - Ano Apostólico da Promessa
2003 - Ano Apostólico de José
2004 - Ano Apostólico de Neemias
2005 - Ano Apostólico de Josué
2006 - Ano Apostólico de Isaque
2007 - Ano Apostólico de Elias
2008 - Ano Apostólico de Ester
2009 - Ano Apostólico de Davi
2010 - Ano Apostólico de Pedro
2011 - Ano Apostólico de Abraão
2012 - Ano Apostólico de Mateus
2013 - Ano Apostólico de Joel
2014 - Ano Apostólico de Calebe




Esse último também é profético, e não apostólico, o da Sara Nossa Terra, e traz uma novidade. Você tem três opções de bênção de acordo com a sua oferta:
– oferta de R$ 300,00 = restituição + livro grátis;
– oferta de R$ 600,00 = restituição + Bíblia rosa grátis;
– oferta de R$ 1.000,00 = restituição + super caneta dourada. Veja só que beleza! Você PAGA R$300, 600 ou 1.000 e leva o brinde GRÁTIS! Melhor impossível!
Pronto, agora você não tem mais desculpa para não aderir à onda do ano profético. Interessante é que não existe unidade nessas profecias, já que até mesmo dentro da mesma denominação (por exemplo, IEQ) há orientações proféticas completamente diferentes. Por outro lado, seria o fato da preferência  pela restituição” uma revelação profética ou apenas mera coincidência de tanta gente no ritmo de Provérbios 30:15? 
Faça hoje mesmo a sua escolha.
Eu poderia ficar aqui dando várias sugestões de anos proféticos muito mais em sintonia com o momento que vivemos, a era da Graça e da Igreja. Por exemplo, poderíamos adotar 2015 como o ano de Zaqueu, que deu metade do que possuía aos pobres e restituiu quatro vezes mais o que havia obtido por meio de fraude. Não... esse não seria bem aceito pela igreja moderna que tem muito apreço pela prosperidade material.
Ou então o ano profético de Tiago, conhecido por joelhos de camelo de tanto tempo que passava ajoelhado em oração. Mas morreu decapitado por incomodar demais o povo de seu tempo. Esse também não ia dar certo.
João Batista era um profeta, elogiado por Jesus como o maior de todos os homens até então; mas também acabou perdendo a cabeça, não ia pegar bem.
Pensando melhor, antes que alguém decida fazer o ano profético de Estêvão, aquele que disse que Deus não habita em templos de pedra e acabou levando um  monte de pedrada, vamos acabar com essa bobagem de ano profético?
Porque do jeito que está, estamos passando ao mundo a impressão de que Jesus Cristo é um louco: manda cada parte de Seu Corpo ir para um caminho diferente. Imagina sua cabeça ordenando uma coisa a uma perna e outra coisa a outra perna. É por aí.

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Kaká, o mito da caverna e a "Matrix"

Quando o jogador Kaká saiu da Renascer,  a notícia repercutiu em vários portais de notícias. A princípio, não há nada de mais nisso. Gente entra e sai de igreja a toda hora. Na minha opinião, no caso do Kaká até que demorou, e para que ninguém me chame de profeta do acontecido, eu já havia dito tempos atrás que haveria de chegar o dia em que a ficha dele iria cair e ele veria que estava sendo iludido. E assim como ele, um dos principais ajudantes do mega-pastor-marqueteiro Estevam Hernandes, o “bispo” “Zé” Bruno, também saiu recentemente, o que provocou palavras pesadas de “papai-apóstolo”. Se bem que o Zé acabou fundando a sua própria dissidência depois, o que mostra que a sua insatisfação era só birra de quem queria mandar sozinho.
Talvez por causa disto, a mulher do jogador (na época) e dublê de cantora-pastora, Caroline, resolveu esclarecer a seus seguidores no twitter  a sua saída da Renascer. “Acho engraçado a preocupação das pessoas. Deveriam olhar mais para suas próprias vidas, suas hipocrisias… Tire a trave dos seus olhos antes de falar do pequeno cisco nos olhos do seu próximo! Até mesmo dentro das famílias. Nós não estamos sem igreja, para os interessados de plantão. A igreja somos nós. Eu, meu marido e nossos filhos! Estamos em comunhão e nos assentamos à mesa do Senhor. Não se preocupem… Estamos felizes e em paz! Isso basta! Família é um bem precioso. Cuide da sua”, finalizou, com sua finesse peculiar e a educação que caracteriza, talvez, o ensino do seminário onde ela se formou “pastora” - se é que é "pastora" mesmo e se é que se formou em algum "seminário"... a verificar.
Não sei se eles ensinam que é assim que "pastores" devem tratar as ovelhas, com casca e tudo. Enfim, vai saber...
Esses fatos nos levam a uma ou duas reflexões. A primeira delas é que existem formas de comunhão e de culto alternativas às impostas pelos impérios religiosos em que algumas igrejas se tornaram. Falaremos disto e de como se “reunir à mesa do Senhor” como diz a pastorinha, em outra ocasião.
Da segunda reflexão trato agora, e é esta: mais cedo ou mais tarde, a verdade sempre vem à tona e acabamos enxergando coisas que não víamos antes, por meio do exame da Palavra. Isso me lembra uma história, uma espécie de parábola, atribuída ao filósofo grego Platão. Diz assim o mito:
Imaginemos uma caverna onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para a frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.
A única luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Do lado de fora, há um caminho ascendente ao longo do qual homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas, projetando sombras como se fosse um palco de marionetes.
Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.
Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (simulacros de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.
Que aconteceria se um prisioneiro conseguisse se libertar e sair da caverna? Que faria ele? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a parede, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.
Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois ficaria inteiramente ofuscado pela luz natural. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e outras coisas, e prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade. 
Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna. Primeiro, ficaria desnorteado pela escuridão, mas depois contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.
Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o. E se mesmo assim ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo.
Texto original: Platão, A República, v. II p. 105 a 109 (Extraído do livro "Convite à Filosofia", de Marilena Chauí).
Alguns me criticaram por que eu comentei a respeito desse mito. Acontece que a gente não está aqui pregando heresia, nem usando textos apócrifos. Mas o fato é que, se olharmos esse texto sem preconceitos, ficaremos espantados de verificar como um filósofo grego poderia ter descrito tão bem o que ocorre no processo de conversão cristã. Pois é exatamente o que acontece. Quando conhecemos o Evangelho, a Palavra de Deus e a salvação por meio de Jesus, passamos a ver todas as coisas de forma inteiramente nova.
Entendemos, por meio do Espírito Santo, o que é o pecado, o juízo, a eternidade. E quando vamos falar dessa boa-nova a outras pessoas, não raro nos olham tratam como loucos. E isso se explica pelo fato de que, como essas pessoas ainda não tiveram seu entendimento aberto, toda a nossa experiência passa por loucura. Paulo, antes um inimigo da fé cristã, se refere a isso quando diz em I Coríntios 2:14 que “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”. Daí à perseguição e ao isolamento é só um passo, como no mito platônico. As pessoas não aceitam romper o paradigma de que as sombras não são a realidade. Que a luz da fogueira é nada perto da luz do sol. Que existe uma possibilidade que vai muito além da caverna escura e das correntes.
Mas isto pode ser levado além.
Depois de algum tempo freqüentando templos evangélicos, muitos percebem que o modelo e a estrutura das igrejas da atualidade estão, de fato, se distanciando do padrão que havia no início da era cristã. Somos muitas vezes incentivados a ler o livro de Atos para aprender como era a vida da Igreja, o relacionamento entre os irmãos, e até mesmo o comportamento daqueles que exerciam a liderança. Mas o interessante é que, se começamos a comentar tais assuntos, a própria organização eclesiástica assume o comportamento dos “homens da caverna”: dizem que somos rebeldes, que não nos sujeitamos à autoridade, que não nos relacionamos bem, que estamos “fora da visão” e o resultado, muitas vezes, é o afastamento da instituição.
Surgem aí os chamados “desigrejados”, pessoas que não se conformam com o modelo que aos poucos vai se tornando a ideologia dominante nos círculos evangélicos: a figura de um “superior”, ungido e maravilhoso, cuja palavra é lei e não admite contestação, e sob cuja “cobertura” todos devem se aglomerar, sem o menor questionamento. Uma miríade de novos “apóstolos” (e “apóstolas”), “bispos” (e “bispas”), e até mesmo “patriarcas” se estabelece sobre o rebanho, baseados em “novas revelações” e modelos de crescimento numérico importados da Coréia, da Colômbia e sei lá daonde mais, numa estrutura piramidal que não permite senões.
Esse mundo se parece mais com o universo retratado no filme “Matrix” (que afinal de contas, faz muitas referências ao mito da caverna). Acho que foi isso que aconteceu com o Kaká, e vem acontecendo com muitos outros cristãos, cansados da ditadura dos púlpitos.
Eles ousaram olhar além da “Matrix”.

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sábado, 6 de novembro de 2010

Marketing evangélico

“Assim como no tempo de Neemias, depois de proféticos 52 dias de reforma”, o Renascer Hall, antigo Espaço Renascer, foi inaugurado no sábado 30 de outubro de 2010 com muita festa, celebrando o encerramento do “Jejum das Grandes Portas de Pedro”. O “apóstolo” Estevam Hernandes agradeceu a participação dos “príncipes”: “Tudo o que há de tecnologia de ponta está aqui… Isso só foi possível pelo esforço de cada um. Vocês estão pisando em um verdadeiro milagre, pois a obra foi concluída em 52 dias!”, acrescentou. Ainda falta finalizar o estacionamento, o restaurante e a quadra de futebol, além dos espaços Kids e Teens. E terminou a arenga dizendo que “a glória da segunda casa será muito maior que a da primeira”.
Esse tal “Renascer Hall” funcionou como sede da igreja enquanto o templo da rua Lins de Vasconcelos (chamado sede internacional) esteve em obras, e depois passou a sediar eventos como encontro de mulheres, festas do Projeto Amar, shows etc. “O prédio está completamente preparado para receber com excelência nossos eventos, já que temos toda a estrutura elétrica, som e iluminação preparada para isso”, disse a “bispa” Fê, uma das herdeiras do negócio.
Na ocasião, baseado em Ezequiel 36:8-11 e 24-31, Estevam disse que “o Senhor está se voltando para nós de uma maneira diferenciada... Deus tem para nós um novo
tempo, o Seu povo pode esperar os melhores dias. É como no tempo de Noé: aquele que estiver na arca não será destruído”; e que Deus vai nos “lavrar”, ou seja, retirar as impurezas, como o lavrador prepara a terra antes do plantio. “Seremos uma terra preparada para receber a semente. Deus vai semear na sua vida a divina semente. Este é um tempo de grandes e poderosas colheitas”. Citou também Isaías 28:21, onde diz que o Senhor fará coisas estranhas e inéditas no meio do Seu povo. “Ele vai fazer uma obra que não foi feita ainda… Ele vai fazer além daquilo que você pediu ou pensou!”, disse. No final, celebraram a “Santa Ceia do Senhor” e comemoraram este “novo tempo de conquistas”. Fonte: Igospel / Gospel Prime (http://www.gospelprime.com.br/renascer-hall-e-inaugurado-apos-52-dias-de-reforma/#comment-21710)
Esta notícia revela que a Renascer usa em sua estratégia todos os elementos do marketing. Nas definições mais conhecidas do marketing, estão “o processo de atrair e manter clientes” (Theodore Levitt) e “uma orientação da administração que visa proporcionar a satisfação do cliente e o bem estar do consumidor a longo prazo, como forma de satisfazer os objetivos e as responsabilidades da organização” (Philip Kotler). E não é exatamente nisto que as igrejas se transformaram de uns anos para cá? Não todas, mas com certeza umas mais do que outras...
Assim, adotam-se técnicas de marketing como ferramenta de crescimento da igreja, em lugar da pregação do Evangelho, do ensino da Palavra, da mensagem de arrependimento e de salvação. Senão, vejamos:
A Empresa – para poder vender bem, toda empresa precisa passar uma boa imagem. A Renascer busca construir uma imagem tipo o Itaú das igrejas evangélicas, que traz modernidade, avanço, vanguarda, inovação. Isso seduz o cliente! Mesmo que as taxas sejam exorbitantes, é bacana ser cliente de uma empresa líder de mercado! Mesmo que alguns tropeços arranhem a imagem da empresa, como veremos adiante.
Os 4 P’s - um conceito de marketing que destrincha Produto, Praça, Preço e Propaganda. Alguns autores já expandiram esses 4 Ps para 6, outros para 7, mas os 4 originais continuam sendo os principais pilares da teoria. Trabalharei com esses apenas para demonstrar o raciocínio, mas se quiser você mesmo (a) pode expandir e pesquisar outras similaridades da igreja com o mercado.
O Produto: é a prosperidade. Não se evidencia a salvação, o arrependimento, a vida de santidade, oração e estudo da Palavra. Não. É só promessa de vitória e prosperidade. Renúncia é palavra inexistente nesse dialeto.
A Praça (ou Rede de Distribuição) tem a ver com a facilidade de distribuição do produto, ou seja, uma vasta rede de filiais que satisfaça o cliente em rede nacional, com fachada e discurso de vendas o mais parecido possível com a matriz: e aqui entra a identidade corporativa.
O Preço – esse é fácil. Nenhum freqüentador desses ambientes está isento ou “liberado” de contribuir financeiramente. Para isto, usam o velho e batido argumento do dízimo, uma prática de outra era, adaptado à era da igreja (leia mais sobre esse assunto aqui e também aqui); e ainda por cima misturado com o discutível conceito da “semeadura”. Para ser abençoado financeiramente você tem primeiro que ”semear” dinheiro na sacola. Mais uma doutrina bíblica virada pelo avesso. Falamos disto com detalhes outra hora.
A Promoção (e aqui entram tanto a “promoção de vendas” como a publicidade e a propaganda): é cada dia um invento novo. Alguns, reconhecemos, de fato foram coisas boas, como a divulgação da música gospel (embora nem todas do gênero sejam boas); e a Marcha Para Jesus. Mas depois dos shows e da marcha, vieram as baladas gospel, funk gospel, e agora já tem até luta de “vale-tudo”.
Com maciço apoio da mídia (rádio, TV, literatura, eventos, Internet) literalmente vale tudo para manter a distração. Tenha medo – tenha muito medo – do que pode estar vindo por aí. Algumas igrejas já fazem até congresso com sorteio de carro, outras organizam cruzeiros em alto-mar com brincadeiras e atrações! Veja aqui: http://www.youtube.com/watch?v=AtdJRsiImbU&feature=related! e aqui: http://img838.imageshack.us/img838/323/avivamento2010ganheumca.jpg. 
Olha só, estou avisando, vai piorar!...
Aliás, clientes seduzidos e encantados são outra premissa do marketing eficaz. A mensagem de que “Deus vai dar ao seu povo tempos melhores, como no tempo de Noé”, é uma heresia descarada. Jesus disse que nos dias de Noé a coisa era braba. Noé não pegou moleza, pelo contrário, nem sua pregação prosperou: era uma geração profética – mas não teve prosperidade! Ele pregou um tempão e ninguém se converteu! O povo queria era ficar na boa, comendo e bebendo, até que veio o dilúvio. Só a família de Noé se salvou, mas não teve moleza. Não teve “um novo tempo”, não. Mas esse papo seduz, encanta e cativa o cliente. Faz parte da técnica de venda. Nenhum vendedor mostra a dificuldade de operação do produto na hora da venda, é tudo uma maravilha sem fim. Ou então dissimula, como o Terra Nova ao instruir seus capangas a usar mensagem sub-liminar, torcendo a interpretação da Bíblia para pedir votos para José Serra (veja aqui). Diferente de Jesus, que pregou uma mensagem sem rodeios, e disse que abraçar a fé cristã não seria fácil: leia Lucas 14:26, Mateus 10:38, Marcos 8:34, e de Paulo, que não usou de sutilezas para engabelar ninguém (Colossenses 2:8 e I Coríntios 9:15). Quem vai a um lugar desses está pedindo para ser engabelado! E é isso o que acontece; quando se diz que “Ele vai fazer uma obra que não foi feita ainda… Ele vai fazer além daquilo que você pediu ou pensou”, o cliente pode encaixar qualquer coisa que acontecer dentro desta “profecia”. Aliás, chega dessa conversa de “tempo novo”. Isso já encheu a paciência.  
Esse pessoal tem algum tipo de obsessão. A tudo atribuem um significado místico ou “profético”. Se a obra durou 52 dias, se acham iguais a Neemias, que reconstruiu as muralhas de Jerusalém em prazo igual. Se tivesse durado 49 dias, seriam sete semanas, talvez se comparando a Daniel... E assim por diante. Qualquer número teria uma interpretação “profética”, um significado sobrenatural – falamos mais sobre isto aqui.
Uma coisa tenho que admitir: o cara é um gênio do marketing. Ele já foi profissional da área (ou melhor: ainda é). O que se pode concluir é ele saiu do marketing, mas o marketing não saiu dele.
Finalmente, um conceito mais moderno do marketing, o Branding:
1 – o nome: obviamente o nome Renascer Hall é para concorrer com outras casas noturnas, casas de shows e boates, antigamente conhecidas como “casas de baile”, doa a quem doer: Credicard Hall, Citibank Hall, Chevrolet Hall, QualquerCoisa Hall. O objetivo é criar uma associação com diversão, lazer, distração, música, divertimento, alegria, descontração, agregando a marca “Renascer” e seus atributos já citados (inovação, vanguarda etc.). Isso já fascina o público-alvo, jovens urbanos de 16-30 anos, classe média, com poder aquisitivo suficiente para deixar nos caixas um bom punhado de dólares, entre valor do ingresso, consumação e souvenirs. Ah, e o espaço é segmentado, tem também as áreas Teen e Kids.
2 – os seus defensores formam uma tropa de choque que não raciocina, apesar de incontáveis arranhões: prisão dos líderes por evasão de divisas, sonegação e formação de quadrilha, inúmeros processos na justiça, desabamentos de prédios com mortos e feridos, debandada de garotos-propaganda como Kaká, sua esposa patricinha e alguns pseudo-bispos como o tal Zé Bruno (aliás, isto lá é nome de bispo? E bispa Fê? Bispo Tide? Estão de brincadeira?). 
Isto se chama, em marketing, “fidelidade à marca”. Seus usuários – os defensores da marca – continuam a defender ferrenhamente não a Bíblia, Cristo ou o Evangelho da Salvação, mas seus carismáticos chefes; para isso, não hesitam em se tatuar com inscrições no mínimo estranhas. Eu nunca soube de nenhum discípulo se tatuar com o nome de Jesus. E ainda aqui usam, de novo, um verso da Bíblia (“Sê fiel até a morte”, Apocalipse 2:10), para criar a associação com o slogan ”Renascer até morrer”. Mais mensagem subliminar.
E permanecem agarrados à instituição, apesar de coisas absolutamente sem sentido, como “Grandes Portas de Pedro”. Que raios de portas são essas? É preciso um grande esforço de imaginação para encontrar qualquer correlação disto com as Escrituras! Mas a mente está anestesiada pelos estroboscópios...
Encerramos com uma frase de David Wilkerson: Quanto pior se torna o pastor, mais cria diversão para multidões: confia em números e finanças para medir o próprio sucesso.

Que Deus tenha misericórdia de Sua Igreja e lhe conceda tempo para o arrependimento!

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- atualizado em 17/11/2014

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

2010, ano profético...

2010 vai chegando ao fim e para comemorar a centésima postagem, resolvi dar uma olhada nas últimas “palavras proféticas liberadas” pelos pseudo-apóstolos e semi-profetas que pululam na igreja brasileira, e veja o que encontrei.
A Renascer, na pessoa do “papai” Estevam, havia determinado o ano de 2006 como sendo “o ano de Isaque”, o ano da colheita. Em setembro daquele ano a Justiça bloqueou os (muitos) bens do “apóstolo”, que ficou foragido até 19 de dezembro. Só colheu problemas na Justiça. 2007 foi declarado “o ano de Elias”, mas o casal apostólico foi detido em Miami por portar U$56 mil e só ter declarado U$10 mil à alfândega. Ainda bem que Elias foi arrebatado antes para não presenciar esse mico profético. Melhor fez a Comunidade Igreja Apostólica de Jesus Cristo, que declarou 2007 como o ano de Neemias. Ninguém lê Neemias mesmo, então ficou de bom tamanho.
A mesma igreja - Apostólica de Jesus Cristo - espalhou que 2008 era o “ano de Gideão – o ano da revolução”. Eu não vi nenhuma revolução em 2008, talvez porque 2008 foi também “ano de Ester” para a Renascer: foi o ano de reinar sobre todas as coisas. Mas também não tive notícias de nenhuma reinação desse pessoal, a não ser nas páginas dos jornais, onde de fato reinaram absolutos. Sem mais delongas, o Tabernáculo das Nações disse que era o “ano apostólico de Moisés”. Engraçado, o que Gideão, Ester e Moisés têm a ver com apóstolo? 
Em 2009, o “ano de Davi” na Renascer, a conversa era a seguinte: “Deus realmente vai fazer a diferença nas nossas vidas. Ano de vitórias, ano de restauração, ano de restituição, ano de conquista, ano de ser aclamado rei”, vaticinou “papai” Estevam. E realmente fez uma baita diferença: depois que o teto de uma filial caiu e matou nove pessoas, a prefeitura de São Paulo apertou o cerco sobre igrejas que não tinham condições de funcionamento, entre elas, várias Renascer. Será que foi uruca da igreja católica? O cardeal-patriarca de Lisboa havia declarado esse ano como o ano apostólico... de São Paulo.
Em 2010, a Igreja Apostólica Cristã Renascer Carmesim (de Mato Grosso, sob a visão do apóstolo Paulo Zotareli e sua esposa, a pastora Silvana Daniela Sara Zotareli – viu só, Doa a Quem Doer é informação em primeiro lugar!), bom, essa igreja declarou que o corrente ano é o ano apostólico de José. Já a Comunidade da Graça e a Igreja Apostólica Novo Cântico estabeleceram profética e coincidentemente que 2010 é o ano de Josué. Pelo menos aqui a profecia testificou... Mas seus apóstolos, aparentemente, estavam precisando tocar mais no manto profético, voar mais alto ou então mergulhar mais fundo, tanto faz, e ambas as igrejas chegaram atrasadas: o Tabernáculo das Nações já havia declarado o ano de Josué em 2009.
Só que, apesar de o Tabernáculo solenemente propagar 2010 como o ano de Samuel, a Renascer apostolicamente determinou que não, 2010 não é nem de Samuel nem de José, de José foi em 2005, vocês não sabiam? Quem manda não escutar a rádio da Renascer? Nem de Josué coisa nenhuma, o ano é de Pedro e ponto final. Aliás, o ano de Josué da Renascer foi em 2005. Isso é que é revelamento profético, bem antes de todo mundo. É cabeça, e não cauda! Ora pois! E nisso a Comunidade Apostólica Igreja de Jesus Cristo concordou, para eles também o ano é de Pedro. Até que enfim mais alguém concorda com outro nesse negócio.
Mas agora como ficamos? 2010 é de José, de Samuel, de Pedro ou de Josué? Porque Pedro andou sobre as águas, mas com Josué as águas se abriram e ele passou a seco. Será que Pedro vai cair lá no fundo, esborrachando-se sobre Josué que calmamente vai caminhando sobre a areia, enquanto José observa tudo lá do Egito e as vacas magras engordam? Ou então fica cada um com um pedaço do ano. Assim até que seria legal, mas tem mais gente do Velho Testamento do que do novo, e aí é jugo desigual, não dá.
Enquanto isso, no mundo real o casal Hernandes entra na Justiça para processar o promotor do caso de 2007, alegando perseguição e apontando irregularidades nos processos que carregam nas costas. Não me lembro de ler na Bíblia que Pedro teria alguma vez processado o Sinédrio que o mandou prender, mas “papai” Hernandes já já arranja uma justificativa profética.
O engraçado disso tudo é que ninguém escolhe, por exemplo, Estêvão para “padroeiro do ano”: afinal, Estêvão era um discípulo destacado, um dos primeiros diáconos, escolhido para servir, mas acabou sendo perseguido e morto pelas autoridades... não, esse não, ia queimar o filme.
Então podiam escolher Jeremias, profeta, corajoso... mas foi ridicularizado pelo seu próprio povo e depois jogado num poço... não, esse também não dá.
Quem sabe Sansão? Foi um juiz de Israel – tinha autoridade! Separado desde o ventre da mãe – expressão das mais preferidas dos profetas apostólicos! Derrotou os filisteus várias vezes... mas aí acabou atrapalhado na carreira por um “rabo de saia”... é, esse também ia gerar uma imagem ruim. Marketing, sabe como é...
Uma coisa eu preciso confessar: até agora não entendi a razão, motivo, força ou circunstância da criação desses “anos apostólicos”, que nada acrescentam ao Reino de Deus. A não ser uma motivação ocasional, uma promoção de Marketing semelhante a um “dia das mães” ou “dia dos namorados”, cujo único efeito é uma agitação sazonal que logo depois é esquecida, até aparecer outra “liquidação”. Mas corra que é só até sábado, em todas as lojas da rede!
Por tudo isso, diante de todas essas coisas, como não tive inteligência para entender como a Cabeça pode ordenar a uma parte do Corpo que caminhe num sentido e outra parte em outra direção, formei uma opinião: só me resta crer que estamos vivendo, de fato, o ano profético de Balaão.
DOA A QUEM DOER! 

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