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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

As 7 igrejas do Apocalipse (II)

Anteriormente, falamos da doutrina dos nicolaítas, a qual vem se infiltrando na Igreja desde o primeiro século, como podemos ver a partir do alerta de Jesus às igrejas de Éfeso e Pérgamo. Em Apocalipse 2:6, 15, somos informados de que Jesus odeia os “nicolaítas” de Éfeso; o Senhor elogia aquela igreja, que também os odiava. E na igreja de Pérgamo vemos que esse pessoal também já estava alojado,  e que Jesus os odiava igualmente.
Também vimos que, numa igreja aqui bem pertinho de você, estão fazendo cerimônias estranhas, que mais se assemelham a eventos maçônicos e católicos, tal a papagaiada que arranjam com vestimentas especiais para os líderes, diáconos e outros, numa clara demonstração de diferenciação entre o “clero” (“sacerdócio”) e o povo em geral – os leigos.
Vimos que cada igreja de Apocalipse representa uma fase do Cristianismo. E que, enquanto as três primeiras não mais existem, elementos característicos das quatro últimas ainda convivem conosco: Tiatira (igreja católica, medieval, que estudaremos agora); Sardes (igreja reformada, mas formal, fria, intelectualizada); Filadélfia (igreja missionária) e Laodicéia.
Pois bem, como falamos antes, Éfeso e Pérgamo enfrentaram o problema do governo, ou controle, de uma classe sacerdotal, sobre os chamados “leigos”. Mas em Tiatira há um outro governo, e embora também identificamos ali os nicolaítas, não é como Laodicéia (a igreja onde o povo manda). Em Tiatira, quem dá as ordens é uma mulher, identificada como Jezabel.
Quem é essa Jezabel? Seria a mesma Jezabel do tempo do profeta Elias? Ou é outra com o mesmo nome? Precisamos primeiro saber quem foi a Jezabel original, pois Jesus está se referindo a alguém com as mesmas características da rainha má do tempo do profeta Elias.
Alguns cristãos, quando ouvem o nome “Jezabel”, pensam numa mulher cheia de jóias, pintada, maquiada, sedutora, atraente. Esta visão minimalista de Jezabel baseia-se em II Reis 9:30, mas a Bíblia não relata se ela vivia se embelezando. Alguns estudiosos crêem que Jezabel tenha se pintado e adornado para tentar seduzir Jeú e assim escapar ao seu destino. A Bíblia também não diz nada sobre sua beleza, mas possivelmente ela era bonita e atraente, pois o Rei Acabe, um homem poderoso e que poderia ter muitas mulheres aos seus pés, se apaixonou por ela e a tornou sua rainha. Outros chegam a afirmar que Jezabel teria sido a inventora da maquiagem, um absurdo pois a maquiagem já existia milhares de anos antes.
Uma outra corrente associa Jezabel a um “espírito” ou “demônio autoritário, que tenta exercer domínio e poder; como quando a esposa manda no marido ou no caso de “pastoras” que assumem o governo de igrejas.
Mas para destrinchar o mistério de Jezabel e por que ela é mencionada em Apocalipse precisamos buscar a personagem real, para entender a simbologia. Diz a advertência à igreja de Tiatira que “tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos; e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição” (Apocalipse 2:20 e seguintes).
Quem foi Jezabel? Era filha de um rei chamado de Etbaal (“com Baal”), conf. I Reis 16:31. Segundo Flávio Josefo, Etbaal tomou o trono assassinando o antecessor, e era sacerdote de Astarte (deusa fenícia da fertilidade, também conhecida sob os nomes de Aserate ou Astaroth). Registros históricos mencionam Etbaal como rei de Tiro e Sidom (que formavam a nação dos fenícios, na região que hoje é o Líbano). O fato de Etbaal ser sacerdote de Baal e Astarte pode ter influenciado no zelo religioso da filha Jezabel, segundo alguns, tia-avó de Dido, fundadora de Cartago (citada por Virgílio na “Eneida”). Há quem diga que o nome “Jezabel” significa “montão de lixo”, mas eu discordo frontalmente dessa idéia, mesmo não entendendo de línguas antigas.
É simples. Muitos nomes fenícios terminavam com “bel” ou “bal”, referência ao deus Baal (como os heróis cartagineses Aníbal – “dádiva de Baal” – e Asdrúbal – “auxílio de Baal”, ou “Baal é meu ajudador”). Então, “Jezabel”, como nome de princesa, nunca poderia significar “lixo”, obviamente uma tentativa tosca de associá-la à impureza. Ou então, como descobri em um site de “batalha espiritual”, “o nome Jezabel significa ‘sem coabitação’... um espírito que se move de um lugar para outro, de uma geração para outra”. É óbvio que isso é forçar a barra.
Na verdade, “Jezabel” se assemelha muito a “Isabel” (no hebraico, “Izebel”, casta, pura), a forma reduzida de “Elizabeth” (no hebraico Elishebba, “dedicada a Deus” ou, segundos alguns, “Deus é meu juramento”). Portanto é bem possível que “Jezabel” seja “dedicada a Baal”, o que explicaria o seu zelo. Mas a tradução mais coerente que encontrei foi esta: “Yez-Baal, Baal é exaltado”.
A união de Acabe e Jezabel ratificou uma aliança entre Tiro e Israel, pela qual Onri (pai de Acabe) se fortaleceu (I Reis 16:16-28). Determinada e independente, Jezabel não tinha escrúpulos para conquistar os seus objetivos, como no episódio da vinha de Nabote (I Reis cap. 21). Quando o profeta Elias soube do acontecido, profetizou uma morte terrível para a rainha.
Mas até esse dia chegar, Jezabel seguiu causando danos, tanto para o reino de Israel, como para Judá (21:1-29), pois sob sua influência, o rei e o povo foram atraídos para Baal (16:31-33). A rainha não apenas adorava os seus deuses, mas combatia Jeová. Para isso, recorreu ao tesouro público para sustentar 450 profetas (ou sacerdotes) de Baal e mais 400 da deusa Aserate (a mesma Astarote dos filisteus, e Ishtar para os babilônios), que cultuavam nos bosques e comiam à sua mesa (18:19). Jezabel também construiu um templo a Baal, anexo ao palácio real. Como se sabe, as religiões semíticas envolviam não apenas práticas sexuais (ritos de fertilidade), mas também sacrifício de crianças (Jeremias 19:5), uma abominação para os israelitas fiéis a Jeová.
É possível que a imoralidade que caracterizava esses cultos (II Reis 9:22) seja um dos motivos da referência a Jezabel em Apocalipse. A vida impudica de Jezabel, que se deduz desse versículo, associou o seu nome, para sempre, à imoralidade e à prostituição, tolerância ao pecado, etc. É com esse sentido e também pelo ocultismo e falsos ensinos que Jezabel é citada em Apocalipse. Por ter sido sedutora e sem escrúpulos, todos aqueles que são maliciosos, astuciosos, vingativos e cruéis se espelham nela. Como Faraó, foi perseguidora dos santos de Deus: os sacerdotes e profetas israelitas que não foram eliminados por ela, fugiram (I Reis 18:4 e 19:2).
Sua morte está em II Reis 9:30-37. Acabe reinou 22 anos, de 874 a 853 a.C., e morreu em batalha. Seu filho (e de Jezabel) Jorão, sucedeu Ocozias, filho mais velho que reinou apenas dois anos (853-852) e morreu de um acidente banal, uma queda da sacada (II Reis 1:2, 16, 17). Jorão reinou 12 anos e foi morto por Jeú em 841 a.C., provável data da morte de Jezabel e no mesmo dia em que morreu seu neto Ocozias II, então rei de Judá (filho de Atalia). Quando a rainha soube que Jeú se aproximava do palácio, pintou os olhos e adornou a cabeça, desafiando Jeú da janela, mas por ordem dele foi atirada lá de cima e morreu na queda. Seu corpo ficou abandonado por algum tempo, sendo devorado por cães, cumprindo a profecia de Elias. Jeú ordenou que ela fosse sepultada, pois se tratava da filha de um rei. Mas os servos do palácio apenas encontraram o seu crânio, os pés e as mãos. Não há consenso se ela queria seduzir Jeú ou apenas morrer de maneira “digna”. O que é real e concreto é que, sete anos após sua morte, sua linhagem estava praticamente extinta; apenas Joás sobreviveu, graças a uma tia que o havia escondido.
Jezabel causou inúmeros prejuízos a Israel como nação, à sua família e por fim, a si mesma. Sua filha Atalia a imitou em crueldade. Dada em casamento a Jorão, rei de Judá, com a intenção de promover união entre Israel e Judá, seu filho Ocozias II foi morto no mesmo dia em que morreu sua mãe Jezabel. Quando soube da morte do filho, e vendo que Jezabel era morta, Atalia mandou matar todos os descendentes da família real, inclusive seus netos, e governou Judá sozinha durante seis anos (842-837 a.C.). Não se perca no meio dessa mortandade toda numa só família, até mesmo porque os nomes são parecidos. A Bíblia diz que Judá somente teve paz depois que Atalia morreu à espada, no seu próprio palácio. Só então, com o fim de Jezabel e a extinção de sua linhagem, o povo começou a retornar ao culto de Jeová (o único sobrevivente, Joás, filho de Ocozias II que fora escondido pela tia, mais tarde se tornou um bom rei).
Entretanto, a separação dos reinos do Sul e do Norte se aprofundou nessa época. O isolamento de Samaria levou a profundas divisões e antipatias que vararam séculos. No tempo de Jesus, os judeus (como passaram a se chamar os do reino do Sul, Judá) e os samaritanos do Norte não se bicavam.
Agora que já sabemos quem foi a Jezabel histórica, teremos condições de analisar melhor a Jezabel profética, que aparece em Apocalipse como sendo “profetisa” na igreja de Tiatira.
Mas só na próxima semana.
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Curiosidade: encontrado anel pertencente a Jezabel
A análise que confirmou a associação da rainha com o sinete, feito de opala e repleto de desenhos e inscrições, foi feita por Marjo Korpel, especialista da Universidade de Utrecht. O objeto é muito maior que os outros da mesma época e possui símbolos associados à realeza e ao sexo feminino: uma esfinge com coroa, serpentes e falcões. A tradução das inscrições revela claramente as letras [l’] yzbl. Jezabel e seu marido Acabe reinaram numa época em que o antigo reino israelita estava dividido em duas partes rivais: Judá, no sul, cuja capital era Jerusalém e cujo povo deu origem aos atuais judeus; e Israel, no norte, onde o casal governava e a capital era Samaria. O sinete parece mostrar que a rainha de fato era muito influente: ele era usado para ratificar documentos, o que significa que ela podia "despachar" por conta própria em seu palácio. (Fonte)

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