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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Crente fica endemoninhado?

Renato Vargens conta um caso no mínimo curioso, se não fosse cômico. Em uma igreja neo-pentecostal de Niterói (estado do Rio de Janeiro), num culto de exorcismo, o pastor resolveu expulsar os demônios dos crentes. Fundamentado numa revelação espiritual,  dizia que a “coisa-ruim” costumava se esconder nas mãos dos cristãos, sendo necessário assim, ministrar-lhes “libertação espiritual”.  Se não bastasse, outra “igreja” da mesma cidade, “consciente da batalha espiritual dos últimos dias”, resolveu expulsar o demônio da libertinagem “ungindo” os genitais dos presentes. Eu  já vi e ouvi pessoas dizendo que o demônio se esconde mesmo é no umbigo, mas tem quem vá além. Acham que o Diabo pode possuir as mãos, o umbigo, o bilau e tudo mais, mesmo o sujeito sendo evangélico.
Em alguns círculos, notadamente na linha “apostólica” ou neo-pentecostal, ensina-se que é possível o cristão ser possuído por demônios. Com base em visões de seus “líderes apostólicos”, mesmo que a Bíblia diga o contrário, ensinam que:
“endemoniamento significa ‘ter demônios’...No grego ‘daimonizomai’ ou ‘daimonozomenai’...”. 
Como se vê, buscam algum verniz de erudição, mas misturam tudo com interpretações particulares, como se segue:
“Na antropologia e na sociologia, costuma-se usar a palavra possessão, com o significado de incorporação. A possessão integral do homem, espírito, alma e corpo, só Deus pode possuí-lo. Os demônios atuam mais na alma (mente e emoção) e no corpo físico visando a destruição do espírito humano. As pessoas endemoniadas são irritadas e nervosas, pois eles atuam diretamente no sistema nervoso”...
Veja a tentativa de transformar observações pontuais em regras gerais. Segue o arrazoado, onde uma “visão” de um “profeta/apóstolo” é tomada como doutrina:
“Na visão dada a Rick Joyner ele vê os demônios montados nas costas dos crentes, fazendo-os de cavalo. (Livro “A Batalha Final”). Não vai muito longe essa verdade, que até mesmo a expressão usada pelos umbandistas é que ‘fulano é cavalo do guia tal’, ou seja, o guia tal, monta, desce, incorpora, no fulano. E você pode até dizer: Mas isso acontece com quem dá legalidade dentro de um centro espírita, e aqui estamos falando de crentes!!! E te respondo amado(a): Quando damos vazão ao ódio, à inveja, à calúnia, à fofoca, à amargura, ao orgulho, à ambição, à traição, e tantos outros sentimentos e atitudes negativas, que não são enviados por Deus, é como se no reino do espírito abríssemos uma porta e disséssemos ao diabo: - Entra, a casa é toda sua. E ele monta nas nossas costas e faz a festa, essa é a verdade. Não podemos mais usar máscaras! Estamos nos finais dos tempos, a volta do Senhor Jesus é mais do que eminente, e não podemos achar que porque sou crente não estou sujeito a opressões demoníacas” (...)
O “estudo”, muito mal escrito por sinal, termina detalhando os “estágios do endemoninhamento” (sic):
1 - o crente peca – estado normal, mas confessa e perdoado – está insento (sic) de endemoninhamento
2 - o crente repete o pecado – endurece – demônios rondando 
3 - o crente persevera no pecado endurece mais ainda, ele fica oprimido 
4 - o pecado se torna hábito - brecha para o inimigo, um demônio entra
5 - o pecado se torna compulsão – endemoninhado – alguns entram 
6 - o pecado se torna obsessão – endemoninhado – mais outros entram 
7 - muitos demônios o invadem (fonte
Note que fizeram confusão entre possessão e opressão. Mas não sei  se o número de estágios (7) é coincidência ou se é intencional. Fico com a segunda hipótese, pela tendência desse pessoal a adotar o que eu chamo de numerologia evangélica. Clique para entender mais. Também não sei a diferença entre “alguns entram”, “mais outros entram”, e “muitos invadem”. Acho que é só para alcançar o número mágico. “Amado”...
Há ainda quem diga que o crente “não pode ser possesso por demônio enquanto anda na luz onde o Senhor na luz está (grifo meu). Baixando a guarda e se afastando das coisas de Deus, o Diabo vai conseguir produzir alguma ingerência sobre tal crente descuidado e conformado com o mundo caído, buscando fazer dele um tropeço enquanto continua buscando afastá-lo completamente do ‘arraial’ de Deus, quando poderá devorá-lo. Fora do ‘arraial’ de Deus, a situação de tal crente poderá se tornar à semelhança da situação de Saul, quando se afastou de tal maneira de Deus que o Espírito Santo o deixou e a ‘casa’ ficou vazia e à mercê de salteadores que buscam um covil para se esconderem”. (fonte)
Mas o fato é que, do ponto de vista bíblico, é impossível alguém regenerado pelo Espírito Santo e salvo pela graça de Deus em Cristo Jesus ter em seu corpo a manifestação de um demônio, porque as Escrituras afirmam que se somos de Cristo, o Maligno não nos toca (I João 5:18) . Isto significa que se alguém que se “diz cristão” estiver endemoninhado, com certeza nunca conheceu a graça do Senhor, porque caso tivesse conhecido, Satanás jamais o possuiria.
É óbvio que falamos aqui de cristãos autênticos, os quais entenderam a mensagem do Evangelho, foram regenerados pelo novo nascimento, arrependidos de seus pecados e vivendo em novidade de vida. Sobre esses a Bíblia ensina que:
- são propriedade exclusiva de Deus (I Pedro 2:9). Se é exclusiva, só Deus tem direito de usufruto desta propriedade. Só Deus tem o direito sobre a vida do verdadeiro crente.
- são selados com o Santo Espírito da promessa (Efésios 1:13). Já falamos sobre este selo aqui. É importante repetir que um selo é algo que não pode ser violado. Os reis, magistrados e outras autoridades faziam uso dele quando o conteúdo de uma carta ou documento precisava ser preservado, e ai de quem “quebrasse” ou “violasse” o selo. O Selo de Deus tem ainda mais valor e poder: ele é o próprio Espírito Santo; o que se dirá então do Selo de Deus? Quando nossos inimigos espirituais tentam investir contra o verdadeiro crente, eles logo vêem o Selo de Deus, e tremem. O Selo Real impresso na alma do verdadeiro cristão de forma alguma pode ser violado. Como expliquei antes, não há como o crente ser “selado” e depois “des-selado”. O cristão genuíno é marcado com o próprio Espírito de Deus. E é por isso que...
- o Maligno não lhes toca (I João 5:18). Se o próprio Deus guarda o verdadeiro cristão, e o próprio Espírito Santo é o selo de que ele pertence a Deus, como o Diabo poderia possuí-lo? Alguns chegam a dizer que “o Diabo tocou em Jó”;  mas a verdade bíblica é que o Diabo não pôde tocar em Jó ou em suas posses senão sob a permissão de Deus, pois o Senhor protegia Jó com uma “cerca” (Jó 1:10). E não se pode afirmar que Jó ficou endemoninhado ou possesso. A atuação de Satanás foi totalmente externa. Satanás entendia que não tem livre acesso a quem está “cercado” por Deus.
- são Santuários de Deus, onde Deus habita (I Coríntios 3:16-17; 6:19). Se Deus está habitando a casa, então não há lugar para o Diabo e seus demônios.
- têm dentro de si Aquele que é maior do que o Diabo (I João 4:4). Como pode o mais fraco (Satanás) subjugar o mais forte (Deus)?Jesus conta que para um valente venha a tomar uma casa, ele tem que ser mais valente do que o que já está na casa (Lucas 11:21-22).  Maior é o que está dentro do verdadeiro crente do que o que está fora dele. Como o Diabo e os demônios poderão saquear a casa onde Deus está? O verdadeiro crente não pode ser possesso porque o Espírito de Deus habita dentro dele. O Diabo não pode entrar, porque Deus está dentro.
- têm autoridade e poder sobre os demônios (Lucas 10:17-19; Marcos 16:17-18). Como pode alguém ser possuído por outro, sobre o qual tem autoridade e poder? Ao verdadeiro crente foi concedido poder e autoridade sobre o Diabo e os demônios. Os agentes do mal não podem tomar a vida do verdadeiro crente, e além disso são repreendidos e expulsos.
Os que advogam a tese do crente endemoninhado se apóiam no caso de Saul (em I Samuel) e da “casa vazia” (Mateus 12:43-45). A Bíblia relata que “o Espírito Santo se apoderou de Saul” (I Samuel 11:6), e depois que “o Espírito do Senhor retirou-se de Saul, e o atormentava um espírito maligno da parte do Senhor” (I Samuel 16:14). Vemos que no Antigo Testamento Deus agia de forma diferente da de hoje. O Espírito Santo não havia ainda sido derramado, não havia ainda sido enviado (João 14:26 e 20:22). Ele agia de forma pontual e assim como Saul muitos outros foram usados pelo Espírito de Deus: Josué (Números 27:18), Gideão (Juízes 6:34), Jefté (11:20), Sansão (14:6), Azarias (II Crônicas 15:1), Zacarias (24:20), etc.; até Balaão (Números 24:2).
Mas como acontecera com Sansão anteriormente (Juízes 16:20), “o Senhor se havia retirado dele” (I Samuel 18:12); e foi permitido, como no caso de Jó, que um espírito maligno o atormentasse. Não se pode afirmar que Sansão ou Saul ficaram endemoninhados. No máximo, creio que ficaram perturbados, oprimidos, e eventualmente começaram a fazer besteiras, influenciados pelo demônio, posto que já não tinham o Espírito. Note que até mesmo Pedro deu lugar a uma sugestão de Satanás, ao que foi repreendido por Jesus (Mateus 16:23). O que prova que o Inimigo, de fato, anda em derredor (I Pedro 5:8) soprando bobagens a todo instante. Cabe a nós não lhe dar ouvidos, para não sermos influenciados por ele.
A “casa vazia”, para mim, refere-se àquela pessoa que possa ter sido exposta ao Evangelho. Ouviu a pregação, soube da boa-nova, mas como Félix (Atos 24:25) e os atenienses (Atos 17:32), preferiu deixar a decisão de seguir a Cristo para outra ocasião. Talvez até mesmo foram libertos de demônios. Mas a demora em “abrir a porta” (Apocalipse 3:20) deu ocasião ao Diabo para que voltasse. Mais uma vez, não se trata de perder a salvação, porque não chegaram a experimentar a salvação! O texto é claro, mas é importante notar que, como tentei explicar acima, o verdadeiro crente não é uma “casa vazia”. Ele é o local onde habita o Espírito Santo de Deus. E se a casa está vazia é porque o Espírito Santo não habita ali, donde se conclui que a pessoa não é convertida.  
Não interessa se tem 30 anos de bacharel em teologia: se a pessoa lê a Bíblia e não entende, é sinal claro de que não tem o Espírito Santo. Nada sabe da salvação, da Trindade, do Diabo, do Evangelho. Por isso ficam por aí escrevendo bobagem, confundindo tudo, cheirando Bíblia... ocupam púlpitos e tomam nosso tempo para fazer a vontade do Diabo.
Penso que as duas situações são excludentes – crente não fica endemoninhado, e endemoninhado não é crente. Por isso o salvo não fica possesso e o possesso não é salvo - pelo menos enquanto permanecer posseso. Primeiro precisa ser liberto para depois ouvir e entender o Evangelho! Tampouco o possesso  é um “crente que perdeu a salvação", porque a salvação não se perde. O crente pode, no máximo, ser oprimido e/ou perturbado, mas é ação externa do Diabo. Obviamente, mais uma vez, estamos falando de crentes convertidos, não de frequentadores de igrejas.   “Membro de igreja”, é outra coisa. Por isso não fico surpreso com certas atitudes de “bacharéis em teologia”, “levitas”, “bispos”, “apóstolos” e que tais. Não só se mostram incrédulos, não-regenerados, como podem muito possivelmente estar sob influência de demônios, se não possuídos, agora mesmo. Doa a quem doer.
E no fim das contas - doa a quem doer, de novo - acho que quem ensina que crente fica endemoninhado e pode perder a salvação, no fundo quer é manter o povo com medo, e assim fica mais fácil manipular a massa...

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domingo, 3 de junho de 2012

Afinal, existem extraterrestres?

Continuando nossa conversa sobre extraterrestres, andei pesquisando e achei este belo texto de Michelson Borges, no site Criacionismo. Tão bom que copiei e colei, por que traduz exatamente o que penso sobre o assunto. Abre aspas.
A coisa toda é sem dúvida muito impressionante. A milhões de quilômetros de distância, cientistas enviam comandos que cruzam o espaço sideral, acionam instrumentos de pesquisa científicos avançadíssimos e põem em movimento os braços e as rodas de uma espécie de jipinho lunar. O artefato se move, coleta amostras do solo, perfura rochas e envia fotos digitais, também pelo espaço, até a Terra. Parece cena de filme de ficção científica mas é a pura realidade. Estou falando das sondas Spirit e Opportunity, enviadas pela Nasa a Marte, e que pousaram lá no início de 2004. 
O principal objetivo era encontrar evidências de haver ou ter havido algum tipo de vida em solo marciano. Apesar de esse esforço por encontrar vida fora de nosso planeta inegavelmente ter lançado muita luz sobre questões de interesse científico legítimo, a ponto até mesmo de poder sugerir justificativas para os investimentos bilionários feitos até hoje, pode-se vislumbrar que seu maior objetivo, na realidade, ou tem sido de natureza militar, ou de tentativas para comprovar teses evolucionistas enraizadas no meio científico, o que não deixa de ser lamentável e mesmo injustificável sob o ponto de vista da própria conceituação da ciência. O primeiro lançamento, intitulado Mars Exploration Rovers, foi em 10 de junho de 2004, com a Spirit, e o segundo em 7 de julho, com a Opportunity, ambos a partir de Cabo Canaveral, na Flórida. O que se pode notar nas entrelinhas é uma quase desesperada necessidade de se encontrar vida fora da Terra a fim de se tentar, com isso, justificar a evolução biológica. Se a vida existe aqui, deve ter-se originado em algum lugar – se não na Terra, então em outro ponto do Universo, é o pensamento evolucionista. De fato, com uma origem extraterrestre, isso claramente levaria a questão da origem da vida para além do acesso à investigação humana.
Ao se analisar as fotos enviadas pelas sondas, uma realidade de há muito conhecida fica mais uma vez evidente: com exceção da Terra nenhum planeta do Sistema Solar – nem Marte, que é o que mais se assemelha ao nosso planeta – parece capaz de abrigar formas de vida. Uma das características mais distintivas de nosso planeta é que realmente ele se apresenta como algo especialmente modelado para possibilitar a existência de vida, ao contrário de todos os demais planetas do Sistema Solar e suas luas.
É particularmente notável a diferença entre a Terra e os demais planetas e luas “sólidos”, isto é, que possuem crosta sólida, que presumivelmente poderiam ter condições para também abrigar vida. Todos eles apresentam uma paisagem “sem forma e vazia”, cravejada de crateras de vulcões ou de asteróides e meteoritos, cujo impacto deixou suas marcas, sem água (pelo menos visível na superfície), e praticamente todos sem atmosfera.
Isso nos faz pensar em como poderia eventualmente ter sido o nosso planeta antes de iniciar-se sua modelagem para poder se tornar um lar perfeito, não só para o ser humano, como para todas as demais formas de vida então criadas.
E as observações até agora feitas dos demais planetas do Sistema Solar e suas luas nos induzem a concluir que realmente a vida, sob todas as suas formas conhecidas na Terra, é peculiar ao nosso planeta, não existindo em nenhum outro local de nosso Sistema Solar. E fora de nosso sistema?
 
Atualmente são conhecidos mais de 60 planetas extra-solares, conforme mencionado pela revista The Planetary Report, publicada pela Sociedade Planetária, sendo que outras fontes, como a revista Time, mencionam mais de 90 (“A Sister Solar System?”, Time, 24 de junho de 2002). De qualquer maneira, o número de planetas extra-solares detectados realmente tem crescido com o aprimoramento dos métodos utilizados para a sua detecção.
Estima-se que entre 2% a 4% de todas as estrelas semelhantes ao Sol sejam acompanhadas de planetas semelhantes a Júpiter, mas que nem todos os respectivos sistemas planetários apresentem semelhança estrita com o nosso Sistema Solar. Isso significa que, das aproximadamente 50 bilhões de estrelas semelhantes ao Sol existentes na nossa Via Láctea, cerca de 1,5 bilhão poderiam abrigar planetas, dos quais uma pequena fração poderia ser de planetas semelhantes à Terra. Dentro dessa fração, que poderia ainda atingir a cifra de milhares a milhões, provavelmente estarão alguns dos 60 ou 90 mencionados pela Planetary Report e pela Time.
Para alguns pesquisadores mais céticos, podemos estar sozinhos no Universo. Isso porque a maioria dos planetas recentemente descobertos – todos eles gigantescas esferas gasosas semelhantes a Júpiter – oscila tão erraticamente em sua órbita ao redor de seus sóis, que causariam grandes distúrbios em qualquer planeta próximo, menor, que tivesse condições para a vida. 
 
Extraterrestes na Bíblia - Afinal de contas, a pergunta que não quer calar é: Extraterrestres (ETs) existem? Esta indagação tem sido feita por muitas pessoas ao longo dos anos. Além das recentes notícias relacionadas com o planeta vermelho, há também os filmes que alimentam a imaginação popular: ET, Arquivo X, Contatos Imediatos, Independence Day, são alguns exemplos. Mas o que a Bíblia tem a dizer sobre tudo isso? Existe evidência de vida extra-terrestre em suas páginas?
Pode-se dizer que isso evidencia também a carência da humanidade, em sua busca desorientada pelo transcendental. Afinal, muitos já perceberam que a solução para os problemas humanos não está nas mãos do homem.
Como existe muito preconceito por parte das pessoas ditas científicas e racionais, a Bíblia é descartada como fonte de informações. E a própria ciência tem se mostrado limitada frente a muitas questões com as quais as pessoas se deparam freqüentemente. Essa situação de impasse – limitação da ciência e rejeição das Escrituras – foi muito bem aproveitada pelo espiritualismo e pelo esoterismo. Os próprios ÓVNIS  têm sido interpretados como manifestações espirituais extraterrestres, pois as ditas naves (ou discos voadores) realizam movimentos no céu que extrapolam as leis da física (como “curvas” de 90º a altíssimas velocidades).
Mas o que, afinal, a Bíblia tem a dizer sobre o assunto? Extraterrestres existem ou não?
A Divindade - Gênesis 1:1 afirma que Deus criou o mundo “no princípio”, logo, Deus não pertence a este mundo. O mesmo é dito de Jesus Cristo, em Hebreus 1:2. A Trindade, portanto, é apresentada pelas Escrituras como eterna, sem princípio nem fim (João 1:1), e não está incluída entre as inteligências criadas. A localização do trono de Deus no Universo é muito indefinida, e é referida apenas como “Céu”, ou “Terceiro Céu” (ver II Coríntios 12:2).
A comunicação da Divindade com os seres humanos tem sido abundante ao longo da História, bem como Suas visitas à Terra. De modo mais efetivo, Jesus é a suprema revelação de Deus (ver Mateus 1:23).
 
Os Anjos - Hebreus 1:14 informa que os anjos são “espíritos ministradores”. Os anjos existiam, sem dúvida, antes de os seres humanos serem criados (ver Jó 38:7). O próprio Lúcifer pertencia a essa categoria antes de ter se rebelado, no Céu, sendo expulso para a Terra (Apocalipse 12:7-9). Em Gênesis 3:24 é dito que anjos foram encarregados de cuidar da entrada do Jardim do Éden, após a queda. Fica claro, então, que os anjos não são “almas” de humanos mortos, pois são mencionados pela Bíblia antes mesmo de ter havido a primeira morte.
Como Lúcifer e um terço dos anjos foram lançados na Terra, este planeta é o único lugar no Universo onde existem duas categorias de seres criados, que estão em rebelião contra seu Criador. Logo, este é o único planeta onde existe a morte, e isso é fundamental para se entender as diferenças entre a concepção bíblica de ETs e a concepção corrente no mundo.
Outros seres extraterrestres - Além da Divindade e dos anjos, a Bíblia ainda menciona outros seres que não pertencem ao nosso planeta. Em Jó 1:6 e 7 e 2:1 lemos: “Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles. Então, perguntou o Senhor a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao Senhor e disse: De rodear a terra e passear por ela”. O lugar dessa reunião não era a Terra, pois Satanás vinha de lá, e seres humanos não têm acesso ao Céu. Então, quem eram os filhos de Deus mencionados no verso 6? I Coríntios 4:9 diz que os seguidores de Cristo se tornaram “espetáculo ao Universo, tanto a anjos, como a homens”, e Efésios 3:15 diz que “toda a família, tanto no Céu como sobre a Terra”, tomam o nome do Pai. Hebreus 11:3 diz que “os mundos” foram criados pela palavra de Deus.
Portanto, existem ETs, sim. Mas do ponto de vista bíblico não podemos considerar OVNIs como provenientes de inteligências extraterrestres, por várias razões:

1. Sua existência real não foi comprovada.
2. Os “extraterrestres bíblicos” possuem meios de transporte muito mais eficientes e avançados que os “discos voadores” (ver Daniel 9:20-23).
3. O pecado não alcançou os outros mundos, logo, a morte, a destruição, as violações, os seqüestros (abduções), as crueldades e as conquistas atribuídos aos ETs, não combinam com a descrição bíblica dos anjos e outros seres perfeitos.
O lado mais bonito disso tudo é saber que a ovelha perdida da parábola de Mateus 18:12 também pode representar nosso mundo perdido. Se Deus foi capaz de deixar tudo para vir morrer neste que é um dos menores planetas, um “grão de pó”, como escreveu Ellen White, isso deixa claro o quanto Ele nos ama. (Michelson Borges) fecha aspas.


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quinta-feira, 29 de março de 2012

A reunião dos demônios

Dizem que Satanás, como um executivo moderno e eficiente, preocupado com o desempenho de seus subordinados, resolveu convocar uma convenção mundial de demônios, para rever o seu planejamento estratégico e propor novas formas de abordagem para atingir o seu público alvo. Queria ele adotar técnicas mais eficientes para execução de seus objetivos. 
Em seu discurso de abertura na assembléia geral, logo depois do credenciamento e da entrega dos crachás aos participantes, ele subiu à plataforma e disse:
- Saudações, capetas. Observando a situação atual, constatamos que é preciso ajustar nosso plano de ação. Temos que reconhecer que não podemos impedir os cristãos de ir à igreja.
Não podemos impedi-los de ler as suas Bíblias e conhecerem a Verdade.
Nem mesmo podemos impedi-los de formar um relacionamento íntimo com o seu Salvador.
E, uma vez que eles ganham essa conexão com Jesus, o nosso poder sobre eles está quebrado.
Então, este é o plano:
Vamos deixá-los ir para suas igrejas, vamos deixá-los com os almoços e jantares que nelas organizam; mas vamos roubar-lhes o tempo que têm, de maneira que não sobre tempo algum para desenvolver um relacionamento com Jesus Cristo. O que quero que vocês façam é o seguinte: 
Distraiam-nos a ponto de que não consigam aproximar-se do seu Senhor.
- Como vamos fazer isto? gritaram os demônios, preocupados com as novas metas que o diretor-geral lhes impunha.
Respondeu-lhes o capiroto-mor:
- Mantenham-nos ocupados nas coisas não essenciais da vida, e inventem inumeráveis assuntos e situações que ocupem as suas mentes.
Tentem-nos a gastarem, gastarem, gastarem, e tomar emprestado, tomar emprestado...
Persuadam as suas esposas a irem trabalhar durante longas horas, e os maridos a trabalharem de 6 a 7 dias por semana, durante 10 a 12 horas por dia, a fim de que eles tenham capacidade financeira para manter os seus estilos de vida fúteis e vazios.
Criem situações que os impeçam de passar tempo com os filhos.
À medida que suas famílias forem se fragmentando, muito em breve seus lares já não mais oferecerão um lugar de paz para se refugiarem das pressões do trabalho.
Estimulem suas mentes com tanta intensidade, que eles não possam mais escutar aquela Voz suave e tranqüila que orienta seus espíritos.
Encham as mesinhas de centro de todos os lugares com revistas e jornais, mesmo que velhos e de conteúdo nulo.
Bombardeiem as suas mentes com notícias, 24 horas por dia. 
Invadam os momentos em que estão dirigindo, fazendo-os prestar atenção a cartazes chamativos. 
Inundem as caixas de correio deles com papéis totalmente inúteis, catálogos de lojas que oferecem vendas pelo correio, loterias, bolões de apostas, ofertas de produtos gratuitos, serviços, e falsas esperanças. 
Lotem seus e-mails de besteiras, correntes e piadinhas.
Providenciem para os filhos deles amizades mundanas, ofereçam aos jovens atrativos e diversões que façam a Igreja parecer chata, vazia e sem graça. Até mesmo quando estiverem em momentos de lazer, que seja tudo feito com excessos, para que fiquem exaustos!
Mantenham lindas e delgadas modelos nas revistas e na TV, para que seus maridos acreditem que a beleza externa é o que é importante, e eles se tornarão insatisfeitos com suas próprias esposas. 
Mantenham-nos de tal modo ocupados que nem pensem em andar ou ficar na natureza, para refletirem na criação de Deus. Ao invés disso, mandem-nos para parques de diversão, acontecimentos esportivos, peças de teatro, concertos, ao circo e ao cinema, à boate e à balada. 
Digam a eles que não há nenhum problema em fazer desfile de moda, festival de música, festa junina; podem fazer bailes, festa de Haloween, e até de carnaval. Convençam-nos que não tem nada de  mais fazer luta-livre e vale-tudo dentro dos templos. Mostrem-lhes que os cristãos também precisam se divertir. 
Encham suas reuniões de música pesada, agitada, para que seus ouvidos não ouçam a voz do Pastor de suas almas. Façam com que eles promovam para si bailes funk, rodas de pagode, festivais de hip-hop, mas lembrem-se de dizer que tudo é gospel, tudo é para Jesus. Assim fica mais fácil de nos engolirem!
Mantenham-nos ocupados, ocupados, ocupados.
E quando se reunirem para um encontro, ou uma reunião espiritual, envolvam-nos em mexericos, fofocas, intrigas políticas e conversas sem importância, para que, ao saírem, o façam com as consciências pesadas.

Mantenham as esposas demasiadamente cansadas para amarem seus maridos à noite, e dê-lhes dor de cabeça também. Se elas não derem a seus maridos o amor que eles necessitam, eles então começarão a procurá-lo em outro lugar e isto, sem dúvida, fragmentará as suas famílias rapidamente.
 Soprem em seus ouvidos filosofias baratas, psicologia, auto-ajuda, para que a convicção do pecado vá desaparecendo aos poucos, até que eles passem a tolerar nossa presença sem se incomodar.
Façam com que se preocupem em assumir posições de poder no governo e na sociedade, para que se esqueçam de que para ser o maior precisam ser o menor. Encham suas mentes com desejos de prosperidade aqui e agora, para que não ajuntem tesouros no céu!
Dêem-lhes Papai Noel, para que esqueçam da necessidade de ensinarem aos seus filhos o significado real do Natal.
Dêem-lhes o Coelho da Páscoa, para que eles não falem sobre a Ressurreição de Jesus  Cristo, e o Seu poder sobre o pecado e a morte.
Encham as vidas de todos eles com tantas causas nobres e importantes a serem defendidas que não tenham nenhum tempo para buscarem o poder de Jesus.
Muito em breve eles estarão buscando, em suas próprias forças, as soluções para seus problemas e causas que defendem,  sacrificando sua saúde e suas famílias pelo bem da causa. Isto vai funcionar!! Vai funcionar!!

A reunião terminou em euforia, com os demônios ansiosamente partindo para cumprir as determinações do chefe. De ânimo renovado, voaram por todas as direções, para fazer com que os cristãos, em todo o mundo, ficassem mais ocupados e mais apressados, indo daqui para ali e vice-versa, tendo pouco tempo para Deus e para suas famílias, não tendo nenhum tempo para contar aos outros sobre o poder de Jesus para transformar vidas.

Creio que a pergunta que fica é:
Terá o Diabo sucesso nas suas maquinações?

 (recebido por e-mail - adaptado)

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domingo, 17 de abril de 2011

Entrevista com o Diabo

Seu Diabo, pode nos dizer de onde veio?
Lúcifer: Fui criado pelo próprio Deus, bem antes da existência do homem. [Ezequiel 28:15]


Como você era quando foi criado?
Lúcifer: Vim à existência já na forma adulta e, como Adão, não tive infância. Eu era um símbolo de perfeição, cheio de sabedoria e formosura e minhas vestes foram preparadas com pedras preciosas. [Ezequiel 28:12,13]


Onde você morava?
Lúcifer: No Jardim do Éden e caminhava no brilho das pedras preciosas do monte Santo de Deus. [Ezequiel 28:13]


Qual era sua função no Reino de Deus?
Lúcifer: Como querubim da guarda, ungido e estabelecido por Deus, minha função era guardar a Glória de Deus e conduzir os louvores dos anjos. Um terço deles estava sob o meu comando. [Ezequiel 28:14; Apocalipse 12:4]

Alguma coisa faltava a você?
Lúcifer, reflexivo: Não... nada. [Ezequiel 28:13]
 

O que aconteceu que o afastou da função de maior honra que um ser vivo poderia ter?
Lúcifer: Isso não aconteceu de repente. Um dia eu me vi nas pedras (como espelho) e percebi que sobrepujava os outros anjos  - bem, talvez não a Miguel ou Gabriel - em beleza, força e inteligência. Comecei então a pensar como seria ser adorado como deus e passei a desejar isto no meu coração. Do desejo passei para o planejamento, estudando como firmar o meu trono acima das estrelas de Deus e ser semelhante a Ele. Num determinado dia tentei realizar meu desejo, mas a coisa toda deu errado... e acabei expulso do Santo Monte de Deus. [Isaías 14:13,14; Ezequiel 28: 15-17]


O que detonou finalmente a sua rebelião?
Lúcifer: Quando percebi que Deus estava para criar alguém semelhante a Ele e, por conseqüência, superior a mim, não consegui aceitar o fato. Manifestei então os verdadeiros propósitos do meu coração. [Isaías 14:12-14]

O que aconteceu com os anjos que estavam sob o seu comando?
Lúcifer: Eles me seguiram e também foram expulsos. Formamos juntos o império das trevas. [Apocalipse 12:3,4]

Como você encara o homem?
Lúcifer: Com raiva! Tenho ódio da raça humana e faço tudo para destruí-la, pois eu a invejo. Eu é que deveria ser semelhante a Deus! [1Pedro 5:8]


Quais são suas estratégias para destruir o homem?
Lúcifer: Meu objetivo maior é afastá-los de Deus. Eu estimulo a praticar o mal. Eu confundo suas idéias com um mar de filosofias, dando-lhes ideias que cada vez os levam a pensar mais em si mesmos do que em Deus. Assopro pensamentos em suas mentes de forma que eles pensam que são criativos e inteligentes... Faço-os inventar religiões cheias de mentiras, misturadas com algumas verdades; religiões de todo tipo, desde aquelas que negam totalmente o que Deus ensinou como aquelas
que parecem atender à vontade do Eterno. Envio meus mensageiros travestidos de anjos da luz, para confundir aqueles que querem buscar a Deus. Torno a mentira parecida com a verdade, induzindo o homem ao engano e a ficar longe de Deus, achando que está perto dele. E tem mais. Faço com que a mensagem de Jesus pareça uma tolice anacrônica! Sei como estimular o orgulho, a soberba, o egoísmo, a inimizade e o ódio dos homens. Trabalho arduamente com o meu séquito para enfraquecer a Igreja, lançando divisões, desânimo, calúnias infundadas aos líderes, fofocas, adultérios, mágoas, friezas espirituais, avareza e falta de compromisso. Ensino doutrinas que não estão na Bíblia. Sei que meu império não prevalecerá contra a Igreja, mas jogo no meio dela tantas heresias e ensinos falsificados, que a apostasia vai fazer o pêndulo virar para o meu lado... pelo menos é o que parece, no momento... vou levar muita gente comigo! Isso eu vou! É fácil destruir a vida dos líderes e pastores, principalmente com o sexo, ingratidão, falta de tempo para Deus, amor ao dinheiro, e orgulho. Uma boa tática também é deixá-los acreditar que eu não existo. [1Pedro 5:8; Tiago 4:7; Gálatas 5:19-21; 1 Corintios 3:3; 2 Pedro 2:1; 2 Timóteo 3:1-8; Apocalipse 12:9]

E sobre o futuro?
Lúcifer: Sejamos realistas... Eu sei que não posso vencer a Deus e me resta pouco tempo para ir ao lago de fogo, minha prisão eterna. Mas apesar disto, eu e meus anjos trabalharemos com afinco para levarmos o maior número possível de pessoas conosco. [Ezequiel 28:19; Judas 6; Apocalipse 20:10,15]

(Recebido por e-mail. Texto elaborado com base unicamente em versículos bíblicos; ilustrações de Gustave Doré, na obra "Paraíso Perdido", de John Milton).

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domingo, 23 de maio de 2010

Batalha Espiritual: ataque ou defesa?

A Bíblia diz que estamos num combate, no meio de uma escaramuça. No Novo Testamento a Igreja quase sempre é descrita com uma linguagem oriunda do campo militar. Há uma idéia popular de que a Igreja é um hospital onde as pessoas serão curadas: o Novo Testamento nos dá base para afirmar que há espaço para a cura interior.
Mas essa visão não leva em consideração que a Igreja seja como um exército que marcha, em plena campanha, em batalha. Não é por acaso que os teólogos entendem a Igreja como sendo Igreja militante e Igreja triunfante. Militante porque está em luta contra as hostes do mal, o pecado e o mundo.
Entendendo o contexto de Efésios 6 - Seguindo regras simples de interpretação, quando vamos pregar sobre um texto ou estudar uma passagem, é sempre bom levar em conta o quadro maior. No caso desse texto em particular isso é extremamente importante. Essa passagem tem sido mal usada por pessoas que defendem as mais loucas idéias na área de conflito ou batalha espiritual. Contudo, quando nos colocamos dentro do contexto e da perspectiva da carta, temos uma visão privilegiada do ponto de vista do autor.
Quando Paulo escreveu aos Efésios estava preso em Roma, e desejava confortar os que sabiam da sua prisão. Ele explica à Igreja de Éfeso, e talvez a outras Igrejas da região, que Deus havia permitido que ele, mesmo sendo designado para pregar aos gentios, tivesse sido lançado na prisão, ficando impedido, assim, de realizar o seu ministério. É isso que ele diz no capítulo 3, no verso 13: “Portanto, vos peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, pois nisso está a vossa glória.” O propósito de Paulo era mostrar que aquilo que era motivo de dúvida ou perturbação, na realidade representava a glória deles. E ele faz isso expondo a doutrina da Igreja, mostrando o propósito de Deus para a Igreja.
Como vimos antes, a carta começa falando sobre a soberania de Cristo (cap. 1), a salvação que Ele nos provê pela graça e o acesso que agora temos ao Pai (cap. 2). Depois, no cap. 3, aprendemos sobre o mistério de Cristo, que é a Igreja, cujo funcionamento é explicado no cap. 4, com base no comportamento individual detalhado no fim do cap. 4 no cap. 5 e início do cap. 6. e, por fim, conclui exortando a Igreja a se preparar contra as astutas ciladas do inimigo. Os efésios ouviram tantas coisas maravilhosas a respeito do que eles eram em Cristo Jesus, do que Deus providenciou, que certamente devem ter ficado tão cheios de alegria e de gozo que Paulo sentiu a necessidade de dizer: “ainda não chegamos lá, vocês vão encontrar oposição no mundo para viver como Igreja de Deus, para experimentar em termos práticos tudo o que Deus tem para vocês”. Ele disse então: “vocês vão encontrar oposição, não de homens de carne e sangue como nós, mas dos principados e potestades que estão nos lugares celestiais que querem nos destruir. Portanto, vocês têm que tomar toda a armadura de Deus para poder resistir às tentativas dessas forças que vão tentar impedi-los na carreira cristã”. Então, quando olhamos para o capítulo 6 de Efésios, particularmente os versos 10 a 20, com a perspectiva da carta como um todo, à luz da eclesiologia de Paulo, algumas lições se tornam evidentes quanto à batalha espiritual.
Em primeiro lugar, devemos ver que o propósito de Paulo é ensinar a Igreja a resistir. Esse é o seu ponto principal. A ordem é: “ficai firmes”. O imperativo aparece três vezes, no versos 1, 13 e 14: “ficai firmes” é a exortação de Paulo.
Combate ou resistência? Alguns entendem essa passagem como uma convocação ao combate. Contudo, ela é uma exortação a que a Igreja resista. Outra coisa que a gente observa é que o soldado cristão, aqui descrito, está numa posição de defesa, a partir inclusive da descrição das armas que lhe são dadas – ele não está partindo para o combate, para conquistar novos campos, para assaltar o inimigo ou derrubar uma fortaleza. Na realidade, ele já conquistou, já colocou o pé em território inimigo. O que ele tem que fazer é resistir firme, esse é o peso da passagem. A Igreja já é vitoriosa, está assentada com Cristo nos lugares celestiais, como Igreja invencível e imbatível. Cristo já venceu todas as batalhas por ela.
O triunfo romano -Colossenses 2: 14-15: “tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”. Essa é uma linguagem militar, das batalhas do mundo antigo. Quando um adversário era vencido era despojado: o vencedor lhe tirava os bens, as mulheres, os filhos, o gado e ainda levava todas as armas, para que não houvesse outra rebelião.
Essa figura é bastante conhecida - “o triunfo romano”; um general, voltando vitorioso, entrava em triunfo com os prisioneiros amarrados atrás dele. E aí as mulheres, as crianças e os velhos jogavam terra, tomate, até excrementos nos derrotados. Eles eram expostos ao desprezo. Paulo deliberadamente está dizendo que, na cruz, Cristo desarmou os principados e potestades; é a mesma expressão que aparece em Efésios. O inimigo foi deixado nu e exposto ao desprezo.
Nesta cena da série “ROMA” da HBO, vemos o triunfo de César e a humilhação/execução do chefe gaulês derrotado, Vercingetorix. A cena é pesada, mas mostra exatamente o que Paulo quis dizer quando se referiu a Satanás e seus príncipes em Colossenses 2:15, “tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz”. 


A Escritura mostra isso de forma indiscutível! Em João 12: 31-33 Jesus diz aos discípulos: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer”. Nessa passagem, Jesus diz que na Sua morte o príncipe desse mundo seria expulso. Ele está dizendo a mesma coisa que Colossenses e Gênesis 3:15. As expressões “esmagar a cabeça”, “desarmar”, e “expulsar o príncipe desse mundo” referem-se, todas elas, a Satanás.
Os relatos de expulsão de demônios estão apenas nos Evangelhos sinóticos: Mateus, Marcos e Lucas. Por que João não narra nenhuma expulsão de demônios? A resposta é a seguinte: João estava preocupado com a maior de todas as expulsões, a expulsão central. Na Sua morte, Jesus expulsou definitivamente a Satanás, o príncipe desse mundo. João, assim, não narra outras expulsões de demônios.
Voltando a Efésios 6, considerando as peças da armadura, veremos que cada uma delas nada mais é do que tudo aquilo que pertence, naturalmente, ao crente, a qualquer um: “verdade de Deus”, “justiça de Cristo”, “fé”, “evangelho” e “palavra de oração”. Não há na passagem nenhuma arma secreta. Todos os crentes em Cristo Jesus possuem essas armas. Para muitos, a armadura é o próprio Cristo. Revestir-se da armadura de Deus é a mesma coisa que revestir de Cristo, em quem estão todos os tesouros da sabedoria e da ciência. Não há nada no texto que dê margem às técnicas especiais de caça ao Diabo ensinadas pela “Batalha Espiritual”.
Paulo começa a tratar dessa batalha (Efésios 6:10) dizendo: “Sede fortalecidos no Senhor e na força do Seu poder”. Essa expressão aparece no capítulo primeiro, quando Paulo ora, no verso 18, para que fossem iluminados os olhos do entendimento daquela Igreja e o coração, para que soubessem qual era a esperança da vocação deles, a riqueza da glória da herança dos santos e a suprema grandeza do seu poder para com os que crêem, segundo a eficácia da força do Seu poder.  
Assim, Paulo exorta a Igreja a que se apodere da vitória de Cristo, daquele poder que ressuscitou Cristo dentre os mortos e O colocou à direita de Deus nos lugares celestiais. Portanto, o guerreiro que está descrito aqui já é vencedor, já conquistou, já colocou o pé no solo inimigo. O que Paulo manda é que esse guerreiro resista às tentativas do inimigo de recuperar aquilo que ele já perdeu e que foi tomado pelo nosso Capitão, o Senhor Jesus.
Uma das ênfases da “Batalha Espiritual” é que a Igreja deve entrar em conflito direto com os principados e potestades; nós temos que sair caçando o Diabo para lhe tomar o território, derrubá-lo, conquistá-lo e implantar a doutrina de Cristo nesses locais. Como se o Diabo já não fosse um inimigo derrotado... Mas o que Paulo está dizendo não é isso. Ele diz que nós já somos vencedores. Sua recomendação é para que a Igreja resista aos ataques.
Precisamos estar conscientes de que estamos numa guerra espiritual. As pessoas que estão lá fora, no mundo, estão debaixo do poder dos demônios e a Igreja tem que ter consciência disso. Porém, mais do que em qualquer outro momento da sua história, a Igreja deve fincar os pés na Escritura e fazer dela o seu manual prático. O que não puder ser provado pela Escritura, ou deduzido de uma forma legítima da Escritura, deve ser rejeitado e colocado fora. A chamada da Igreja, a essa altura, é para a suficiência da Escritura, e todas as nossas práticas devem passar por esse crivo. A nossa oração é que tomemos uma posição de firmeza sem negar a realidade dessas coisas, combatendo-as biblicamente, tomando toda a armadura de Deus que nos é concedida em Cristo. Que Ele nos abençoe!
Com informações baseadas em estudo do Pr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes -http://solascriptura-tt.org/Seitas/Pentecostalismo/BatalhaEspiritual-OMovimento-Nicodemus.htm

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

O que o Novo Testamento diz sobre

Agora temos que ir adiante. Primeiro, falamos do aniversário de Brasília e do clima espiritual pesado dessa cidade. O que nos levou, consequentemente, a discutir a questão dos espíritos territoriais e o mapeamento. E agora, faz-se necessário debater o tema de forma mais ampla, pois praticamente todos os evangélicos, atualmente, falam sobre batalha espiritual, quebra de maldições (“hereditárias” ou não), libertação, espíritos territoriais, mapeamento, e outros temas relacionados.
Em muitas igrejas – inclusive católicas – o exorcismo passou a ser um espetáculo à parte, tendo até mesmo um dia da semana especialmente reservado para si. Elementos de cultos afro incorporados – epa! – à liturgia evangélica, como dirigentes vestidos de branco, água abençoada, sal, rosas etc. Tudo conseqüência de excessos e incompreensões acerca da batalha que, de fato, se trava continuamente nas regiões celestiais. Mas existe muito exagero em certas denominações, nos exorcismos, nas entrevistas com demônios e no poder maligno. O blog “Nani e a Teologia” aborda esse assunto, citando Wayne Grudem e sua “Teologia Sistemática”, destacando os erros das igrejas modernas sobre batalha espiritual (1).
O modelo correto - No Novo Testamento, percebemos que quanto à atividade demoníaca na vida dos cristãos, ou aos métodos de resistir e fazer frente a essa atividade, a ênfase está em exortar ao não pecar, levando uma vida de justiça.
Por exemplo, em 1 Coríntios, diante do problema das "divisões", Paulo não diz à igreja que repreenda o espírito de divisão, mas aconselha simplesmente a falar a "mesma coisa" e a mostrar-se unidos (1 Coríntios 1:10). Diante da desordem na Ceia do Senhor, não se ordena que expulsem o espírito da desordem, glutonaria ou egoísmo, mas simplesmente que esperem "uns pelos outros" e que "examine-se, pois, o homem a si mesmo " (1 Coríntios 11:33, 28).
Podemos encontrar exemplos semelhantes em muitas outras passagens das epístolas. Com respeito à pregação, o modelo do Novo Testamento é sempre o mesmo: embora Jesus ou Paulo expulsassem demônios, não é esse o modelo comum de ministério que se apresenta, pois a ênfase é na pregação do Evangelho (Mateus 9:35; Romanos 1:18-19; 1 Coríntios 1:17-2:5).
Em contraste com a prática da "batalha espiritual estratégica", não se vê no Novo Testamento ninguém que:
(1) convoque ou esconjure "um espírito territorial" ao entrar numa região para pregar o Evangelho;
(2) exija de demônios informações sobre a hierarquia demoníaca local;
(3) diga que devemos crer ou transmitir informações oriundas de demônios;
(4) ensine que as "fortalezas demoníacas" de uma cidade precisam ser derrubadas para que se proclame o Evangelho com eficácia. Antes, os cristãos simplesmente pregam o Evangelho, com o poder de transformar vidas!
Entrevista com o vampiro? Quando Jesus perguntou ao espírito em Gadara qual era seu nome, era apenas para mostrar ao povo que muitos demônios poderiam possuir uma pessoa, como Ele ilustra na parábola da casa vazia. Hoje em dia, já sabemos dessa realidade e não é preciso que o demônio informe qual é o seu nome, de onde veio ou para onde vai, o que veio fazer (basta ler João 10:10!), etc. Até porque ele é mentiroso, e não há porque acreditarmos que tal entidade se chame A ou B. Tem muita gente hoje confiando em informação de ex-bruxos, ex-satanistas etc., que obtiveram tais e tais informações quando estavam ainda sob o poder e influência de Satanás. E dessas informações não precisamos: o que a Bíblia nos ensina é suficiente.
Uma leitura do livro de Atos tem muito a nos ensinar. Quando, por exemplo, Paulo se defrontou com uma jovem possuída por um espírito, não bateu papo com o capeta, mas expulsou-o imediatamente (Atos 16:18). Quando Paulo e Silas foram em cana por pregar o Evangelho, não levaram o fato com “retaliação” do inimigo, mas responderam com cânticos e louvor. Em Corinto, cidade famosa desde a antiguidade pela licenciosidade que escandalizava até os romanos, nenhum apóstolo amarrou “espírito de pornografia” ou de prostituição que supostamente poderia dominar aquele território. Quando chegou a Atenas, Paulo de fato revoltou-se em seu espírito por ver a cidade entregue aos ídolos, mas não rodeou a acrópole nem fez ato profético declarando a libertação do lugar, muito menos ungiu ruas e prédios. Em Éfeso, não se tem notícia dos apóstolos fazendo mapeamento para saber onde estavam as fortalezas satânicas, mas a pregação do Evangelho fez diminuir tanto a idolatria e o comércio dela advindo, que os fabricantes de imagens se revoltaram. Os mágicos se converteram e queimaram seus livros. Em todas essas passagens, a arma era a pregação do Evangelho, e os resultados sempre foram a conversão e a libertação, sem mais estratégias e invenções humanas.
As armas da nossa milícia e a armadura de Efésios - Esses são termos marciais que excitam a imaginação dos mais afoitos. É como o menino que acha bacana o desfile militar, e diz que quando crescer quer ser soldado, inspirado pelas fardas reluzentes, espadas polidas e medalhas faiscantes vistas na parada.
Mas em II Coríntios 10, Paulo diz que as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus para destruir fortalezas. Que fortalezas são essas? Entendo que no contexto geral da carta, o apóstolo está dizendo que não devemos nos fiar na força do raciocínio, da filosofia e da inteligência humanas, mas na Palavra de Deus, que muitas vezes vai de encontro à ciência dos homens. Lembremo-nos de que a Grécia é a pátria da filosofia e do conhecimento, e que Paulo já havia escrito antes aos mesmos coríntios sobre esse assunto (ver 1 Coríntios cap. 1 e 2). Por isso devemos levar “cativo todo pensamento à obediência a Cristo” (2 Co 10:5). Esse é o contexto das armas da nossa milícia.
Quanto à armadura, muitos pensam na armadura medieval, aquela dos cruzados ou do Rei Artur. Uma cobertura completa de metal pesado, uma espadona poderosa, talvez uma lança, machado, etc. Armas para meter medo em qualquer um.
Mas a armadura a que Paulo se refere não é desse tipo. Quase tudo neste texto é para defesa, não ataque. Muito provavelmente Paulo teve essa revelação ao observar o soldado que o acompanhava na prisão, um soldado que está de guarda! Ele não tem arma de ataque! É diferente dos soldados de uma falange grega, que usavam longas lanças, espetando os inimigos lá na frente. A armadura romana capacita o soldado a resistir ao ataque do inimigo! Para o ataque os romanos tinham outras táticas: cavalaria, catapultas, a formação da falange, o revezamento, o lançamento do pilo (uma lança curta e pesada), etc. O soldado romano não tem arma de longo alcance, como arco e flecha, lanças e dardos – pelo contrário, quem usa dardo é o inimigo, por isso devemos usar capacete e escudo. Em Efésios não se fala de pedras ou estilingues, nem de projéteis inflamados, como no filme “Gladiador”.
A única arma relacionada ao ataque em Efésios 6 poderia ser a espada. Mas a espada romana é curta, pouco mais que um punhal ou adaga, apropriada para o combate a curta distância; na prática, é quase uma arma de defesa pessoal. É uma arma para se usar apenas quando o inimigo chega perto o bastante para ser atingido. No mais, todo o resto é para a defesa e proteção: capacete, escudo, couraça, o calçado. O motivo? A guerra já está ganha, o território já está conquistado: o cristão deve guardar o que já domina, para não ser surpreendido. Por isso deve ficar firme e resistir! Essa é a mensagem de Efésios!
Conclusão - Aprendemos, portanto, que o ensinamento apostólico nesse contexto é “ficar firme”. Imediatamente antes de descrever a armadura que devemos usar, Paulo diz: “Finalmente, fortalecei-vos”. A armadura é o ponto final da carta, que começa falando sobre a soberania de Cristo (cap. 1), a salvação que Ele nos provê pela graça e o acesso que agora temos ao Pai (cap. 2). Depois, no cap. 3, aprendemos sobre o mistério de Cristo, que é a Igreja, cujo funcionamento é explicado no cap. 4, com base no comportamento individual detalhado nos cap. 4, 5 e início do 6. Aí sim, depois de tudo isso, devemos ficar firmes nesse entendimento e, para guardar o que recebemos, usamos a armadura, onde o capacete protege nossa mente, o escudo detona os dardos do inimigo e assim por diante.
A estratégia do cristão é ficar firme. É permanecer no ensino dos apóstolos. É resistir ao diabo, depois de se humilhar perante Deus, conf. Tiago 4:7. Para isso é que serve a armadura. Não para sair por aí atacando o inimigo nas suas fortalezas.
Vai ter mais.

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