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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Mitos e fábulas SOBRE a Bíblia

Falamos outro dia sobre a crença de que a Bíblia, em especial o livro de Gênesis, seria um mito ou uma compilação de lendas e fábulas de diversos povos e culturas. Mostramos que esse entendimento é errado, e porque. Esclarecemos a tática ateísta para desacreditar a Bíblia enquanto Palavra de Deus, pois desqualificando o primeiro livro da Escritura todo o resto perde o seu valor: torna-se apenas literatura.
Um outro ponto interessante é que abundam na Internet citações atribuídas aos mais diversos filósofos, pensadores e intelectuais, que nunca disseram tais frases. Em anos eleitorais então a coisa ferve: o que aparece de pensamentos de Sêneca, Arnaldo Jabor, Luiz Fernando Veríssimo, até de Marx, vaticinando sobre a corrupção no governo, é brincadeira. Eu costumo dizer que nem se Einstein tivesse vivido mais uns 30 anos seria capaz de produzir tantas frases a ele atribuídas na Internet. 
A respeito da Bíblia, é a mesma coisa. As pessoas dizem coisas sobre a Bíblia sem nunca tê-la lido, ou no máximo conhecerem ao menos alguns trechos. O seu ralo conhecimento das Escrituras vem da revista Veja, da Superinteressante e do Discovery Channel. 
Sabemos que, embora muitos não aceitem, assim como Deus é real o Diabo também é, e como antagonista e inimigo, procura de todas as formas ganhar adeptos para o seu exército. Uma dessas formas é justamente espalhar lendas e mitos SOBRE a Bíblia. Assim fica fácil para o tentador lançar sementes de dúvidas travestidas de filosofia, de humanismo e de lógica. Como essas:
Alguns luminares das trevas, sem argumentos que sustentem suas teses ridículas, dizem que “um Deus que pune toda humanidade por causa de uma maçã não merece nosso respeito nem consideração, muito menos adoração e submissão”. Mas, contrariando essa teoria tosca, Adão e Eva não comeram uma maçã no livro de Gênesis. Na realidade a fruta não é nomeada - ela é referida somente como “o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal”. A razão para este equívoco provavelmente se deve ao fato de que na língua inglesa a palavra apple (traduzida em português como “maçã”) era usada para se referir a todas as frutas (como no Português “fruto”, palavra masculina). Com o passar do tempo, a palavra “maçã” acabou associada ao “fruto do pecado”, e assim tem aparecido em inúmeras propagandas, desde roupa íntima a motéis. Até mesmo uma famosa marca de computadores baseia-se na interpretação de que “a maçã” simboliza conhecimento e inteligência. O fato concreto nisso tudo é que nessa canoa furada embarcam muitos auto-intitulados intelectuais.
Outro erro cabeludo em que quase todo mundo cai é “os Três Reis Magos”. Mas na verdade, esses personagens nunca foram referidos como reis pela Bíblia e nada indica que eles eram três. A única referência ao número três é o número de presentes que eles carregavam. Leia sobre isso aqui.
E assim caminha a humanidade, atribuindo à Bíblia todo tipo de erro e mistérios que de fato nem estão lá. Antes de mais nada, é preciso anotar que a Bíblia não é um livro científico, por isso há que se ter sabedoria para discernir o que é literal e o que é alegórico. Por exemplo, dizer que “o sol parou” - parou do ponto de vista do escritor. Mas e se foi a Terra que parou? Que alguma coisa parou, não há dúvida. Aqui o nós temos que aprender é que Deus é poderoso o bastante para interferir nas leis da física - que foram criadas por Ele mesmo, afinal. Mas dizer que “a Bíblia contém erros porque o sol não gira em torno da Terra”, é procurar chifre em cabeça de cavalo... Que, aliás, é o que esse pessoalzinho intelectualóide gosta de fazer.
Só para esclarecer, quem crê que a Bíblia diz que o Sol gira ao redor da Terra é uma besta quadrada, porque em nenhum lugar do texto sagrado se afirma isso. Todo mundo diz que “o sol nasce a tal hora”, e “se põe em tal lugar”, e nem por isso é ridicularizado. Por outro lado, muito antes de Galileu, Newton, Tycho-Brahe, Kepler, Copérnico, Huble e muitos, muitos outros, a Bíblia já dizia que Deus “estende o norte sobre o vazio; suspende a terra sobre o nada” (Jó 26:7); e que Ele “está assentado sobre a redondeza da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos” (Isaías 40:22).
Se isto não significa que o planeta paira no vácuo do espaço, e que não é redondo, então não sei mais o que é. Alguns dirão, fazendo caras e bocas de sábios, que a palavra “redondeza” não quer dizer “globo”, mas sim “círculo”, e para isto fazem extensos arrazoados onde misturam conceitos de religiões antigas, textos poéticos da própria Bíblia e afirmações pseudo-científicas, para dizer que a Bíblia não diz o que diz e que diz o que não diz. Ou seja, criam mitos SOBRE a Bíblia.
Dizem outros que a Bíblia adverte: “a mil chegarás mas de dois mil não passarás”. Isto não consta das Escrituras. Pelo menos eu nunca vi essa passagem. E além do mais, nunca consegui descobrir o que significa exatamente essa bobagem, mas vi muita gente – antes do ano 2000 – dizer que era a dica para avisar que o fim do mundo seria nesse ano em particular. Mas depois que mudamos de milênio alguns gênios passaram a ter certeza do erro da Bíblia, porque “já passamos de 2000 e nada aconteceu”. Depois adiaram esta data fatídica para que coincidisse com o calendário maia, um povo, como disse Samuel Fernandes, “aterrorizado por demônios, povo pagão, ensopado no caldeirão das trevas”, que previu o fim do mundo para 21 de dezembro de 2012. Mas a Bíblia não diz nada sobre datas, a não ser que “daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai” (Mateus 24:36).
Chamam de erros da Bíblia coisas que nem mesmo estão na Bíblia.
Como o “código da Bíblia”. Esse “código”, também conhecido como o código da Torá, seria um grupo de mensagens supostamente existentes no texto bíblico, que se devidamente decodificadas dariam informações proféticas e previsões das mais diversas. O estudo e os resultados desta mensagem cifrada tem sido popularizada por livros como “O Código da Bíblia” e “O Código Da Vinci”. O principal método pelo qual se acredita encontrar estas profecias é o “Equidistant Letter Sequence” (ELS). Para se obter uma ELS em um texto, é necessário escolher um ponto de partida (em princípio, qualquer letra) e então é dado um salto numérico entre elas, também livremente e possivelmente negativo. Assim é possível separar essas letras que, depois de agrupadas (apenas as selecionadas) formariam as tais previsões. Defensores dos códigos da Bíblia geralmente usam textos da Bíblia hebraica. O uso e a publicação de “previsões”, baseado em códigos da Bíblia, principalmente com base no trabalho do jornalista Michael Drosnin, teria revelado o assassinato do primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin. Interessante é que geralmente os “profetas” deste método anunciam suas previsões depois que elas aconteceram. Como é que esse código hoje é tido como anunciando o assassinato de Kennedy, mas nada diz sobre Barack Obama ou Bin Laden, por exemplo?
A origem de toda essa mixórdia está num sistema inventado pelos escribas judeus para evitar erros nas cópias manuscritas (aliás, “erro na Bíblia” é outra falácia que agora vamos desmontar).
Com o método massorético (de “massorat” = transmissão fiel) eles verificavam atentamente cada letra, sílaba, palavra e parágrafo. Dentro de sua cultura, eles dispunham de grupos de homens com funções específicas, cuja única responsabilidade era preservar e transmitir esses documentos com uma fidelidade praticamente perfeita – eram os escribas, copistas e massoretas. Os massoretas contaram os versículos, as palavras e as letras de cada livro. Calcularam a letra e a palavra que ficava no meio de cada livro. Fizeram uma lista dos versículos que continham todas as letras do alfabeto, ou um certo número delas; e assim por diante. No entanto, o que consideramos hoje uma trivialidade, teve o efeito de garantir uma atenção minuciosa à transmissão fiel do texto. Na verdade, os massoretas tinham um preocupação profunda de que não se omitisse nem se perdesse um só i ou til, nem uma só das menores letras ou uma pequena parte de uma letra da Lei.
Dentre as exigências que os escribas deviam seguir em relação às Escrituras, algumas são:
- o rolo de pele (pergaminho) onde a cópia seria feita deveria conter um certo número de colunas, o qual deve se manter igual por todo o manuscrito
- o comprimento de cada coluna não poderia ser inferior a 48 nem superior a 60 linhas, e a largura deveria ser de 30 letras
- devia-se primeiramente traçar as linhas de toda a cópia, e se 3 palavras fossem escritas sem linha, a cópia era inutilizada
- devia-se fazer a cópia a partir de uma cópia autêntica, da qual o transcritor não podia se desviar de modo algum, sendo proibido escrever qualquer palavra ou letra de memória, isto é, sem o escriba tê-la visto no códice diante de si
- entre cada consoante devia haver o espaço de um fio de cabelo ou de uma linha
- entre cada capítulo devia haver a largura de 9 consoantes, e entre um livro e outro o espaço de 3 linhas
- o quinto livro de Moisés (que fecha o Pentateuco) devia terminar exatamente no final de uma linha
- era contado o número de vezes que cada letra aparecia em cada livro, assinalada a letra que ficava exatamente no meio do Pentateuco, e a que ficava exatamente no meio da Bíblia toda; e várias outras regras que tornavam o trabalho de copiar as Escrituras virtualmente à prova de erros, já que depois disso tudo ainda havia a revisão feita por três especialistas. Os rolos de pergaminhos fora das especificações eram condenados a ser enterrados ou queimados, assim como os que ficavam gastos pelo tempo e a tinta começava a desaparecer. É por isso que não existem cópias muito antigas, o que também evitava a má interpretação originada de uma leitura mal feita, equivocada, ou mal-intencionada.

Assim, dizer que “a Bíblia tem erros” é mais um mito SOBRE a Bíblia. 

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terça-feira, 25 de março de 2014

O Livro de Gênesis:


Já discutimos bastante as regras e métodos de interpretação das Escrituras, as quais nos habilitam a entender melhor o texto sagrado. Vimos que a tendência a alegorizar demais certas passagens podem enganar até mesmo os teólogos mais experientes. E agora, vamos nos debruçar sobre uma das passagens mais cruciais da Bíblia, e sua interpretação, a partir da qual toda a nossa fé pode ser edificada, ou destruída. Trata-se do livro do Gênesis, o primeiro da revelação de Deus ao Homem.
Hoje em dia especula-se muito sobre quais porções da Bíblia, em especial Gênesis, seriam fatos históricos e quais seriam apenas parábolas, alegorizações, contos e fábulas de outros povos, alguns contemporâneos, outros mais antigos que os judeus. Não raro, ouvimos coisas como “a criação bíblica é um mito”, ou “Gênesis é uma representação lendária da mente primitiva”.
O que é mito? É uma história que explica um aspecto da vida humana, sem nunca ter acontecido de fato. Mitos são  eventos envolvendo deuses e suas relações com os homens; mas são eventos atemporais, “a-históricos”. Com o objetivo de entretenimento, o mito é fictício. Se ensinado como a explicação factual de um determinado aspecto da vida, é uma mentira. C.F. Nosgen explica: “Qualquer conto não histórico, independente de como possa ter surgido, no qual uma sociedade religiosa encontra uma parte constitutiva de seus fundamentos sagrados, por causa da expressão absoluta de suas instituições, experiências e idéias, é um mito”.
Religiões pagãs abundam em mitos: o de Pandora explica o mal no mundo como resultado de uma caixa que foi aberta contra a instrução dos deuses. O mito babilônico Enuma Elish explica a criação pela morte e divisão de um grande monstro, Tiamat.
A Bíblia fala de mitos. No Novo Testamento, a palavra grega é μθος [“mythos”], “mito”, às vezes traduzida como  “fábulas”. Mas a mensagem bíblica não é baseada ou derivada de mitos: “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas (“mythos”) artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade  - II Pedro 1:16. Ela nos adverte contra os mitos: “Nem se dêem a fábulas” (“mythos”) - I Timóteo  1:4. E também alerta que nos últimos dias, sob a influência de falsos mestres - podemos chamá-­los de “mitologistas” - as pessoas “desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (“mythos”) - II Timóteo 4:4. Esta profecia hoje se cumpre naqueles que antes consideravam Gênesis verdade, mas agora dizem que é um mito.
Assim, nesta questão, há muita coisa em jogo. Se dissermos que Gênesis (especialmente os primeiros capítulos, de 1 a 11) é um mito, a divindade das Escrituras ­ a sua qualidade de “soprada por Deus”, conforme II Timóteo 3:16 - é negada, e assim se perde a sua autoridade, confiabilidade, clareza, suficiência e unidade. Se Gênesis é um mito, a mensagem da Bíblia é descartada, pois Gênesis é o fundamento da doutrina da justificação pela fé e do evangelho da graça. Martinho Lutero disse que os dois primeiros capítulos de Gênesis são “certamente o fundamento de toda a Escritura”. Então a questão que somos forçados a resolver é: como devemos encarar a Escritura: História ou Mito?
Se admitimos Gênesis como um mito, então os eventos ali registrados nunca aconteceram de fato:
Este mundo nunca veio à existência pela Palavra de Deus (Gênesis 1).
A raça humana nunca se originou a partir de um homem, Adão, que foi criado pela mão de Deus a partir do pó, e de uma mulher, Eva, feita pela mão de Deus a partir de uma costela do homem (cap.2).
O pecado e a morte nunca entraram no mundo pelo homem ter  comido o fruto proibido, instigado por  Eva e pela serpente (cap.3). Se o relato não é histórico, a queda também não é.
Nunca houve o desenvolvimento da agricultura, pastoreio, música e metalurgia (Cap.4).  
Nunca houve um dilúvio universal (caps.6-­8).
Nunca houve uma torre de Babel ocasionando a divisão das nações pela confusão da língua (cap.11).
Referindo­se à tentação de Eva pela serpente, Lutero escreveu: “Através de Moisés [o Espírito Santo] não nos dá alegorias tolas, mas Ele nos ensina sobre os eventos mais importantes, os quais envolvem Deus, o homem pecador e Satanás ­ o originador do pecado. Vamos, portanto, estabelecer em primeiro lugar que a serpente é uma serpente de verdade, mas que foi possuída e tomada por Satanás, que está falando por meio da serpente” . Um pouco mais tarde, refletindo sobre os três primeiros capítulos, Lutero comentou: “Nós tratamos todos esses fatos em seu significado histórico, que é o seu único e real significado”. E acrescentou: “Ninguém pode falhar em ver que Moisés não tinha a intenção de apresentar alegorias, mas simplesmente de escrever a história do mundo primitivo”.
Ou existe alguém que se atreve a negar que Cristo e Seus apóstolos viam as pessoas e os eventos de Gênesis como históricos? E que ensinavam a igreja do Novo Testamento a considerá-­los como tais, em Mateus 19:3­9; João 8:44; Mateus 24:37-­41; Romanos 5:12­-21; I Coríntios 11:7­-12; I Timóteo 2:12-­15; II Pedro 3:5­6; Atos 17:26 etc.? Ninguém deriva a concepção de Gênesis 1-­11 como mito por uma exegese sólida dessas passagens do Novo Testamento.  
A origem disto é fácil de identificar: é o desejo de acomodar o pensamento da Igreja ao mundo, para moldar o cristianismo à cultura mundana. Abandonou-se a separação entre os ímpios e o povo de Deus, entre a mente dos inimigos de Deus e a mente de Cristo. Para ser respeitável e atraente para o homem moderno e educado, as igrejas devem adaptar seu pensamento, sua confissão - e sua Escritura - à teoria científica mais recente. E uma vez que a teoria dominante é a evolução darwiniana, Gênesis - e por conseguinte, toda a revelação bíblica - deve dançar conforme a música ateísta (e no meu modo de ver, pelo iluminismo do século XVIII). O teólogo católico Zachary Hayes dá uma justa advertência: “Não se pode abrir a possibilidade de defender alguma forma de evolução sem abrir uma caixa de Pandora. Aqueles que abrem essa caixa devem estar dispostos a assumir a responsabilidade de lidar com os tipos de problemas que surgem em muitas áreas da Teologia”.
A história da criação traz a dependência de Israel em Deus, e a confissão de que seu Deus é o único Deus. A história da queda é o reconhecimento de que o homem é inerentemente pecador e precisa de redenção.
Mas essa aplicação boa, espiritual e útil não vale nada, porque tudo passa a ser mito. E se é mito, eu devo dar ao Gênesis tanta atenção quanto eu dou à caixa de Pandora, a Marduk ou a Chapeuzinho Vermelho (como alega Richard Dawkins e seu “monstro do espaguete voador”)!
Gênesis é um fato histórico, doa a quem doer, e apresenta a origem de todas as coisas: o universo, incluindo o tempo e o espaço; o Homem; o matrimônio e a família; a ordem básica de seis dias de trabalho e um de descanso, o pecado, a maldição e morte, não só para a raça humana, mas também para a criação, o evangelho e o Salvador prometido, a antítese entre piedoso e ímpio, as nações, etc.
Quando dizemos que Gênesis 2 (um homem e uma mulher como uma só carne) é um mito, estamos afirmando que como isto não é um relato factual da instituição histórica do casamento pelo próprio Criador, então não sou obrigado por qualquer lei de fidelidade no casamento. Eu posso viver como e com quem desejar, no casamento ou fora dele!
Quando o pregador que lê Gênesis 3 como mito me diz que eu preciso de um redentor, eu preciso perguntar: “Será que o Homem realmente caiu?”; pois se ele não caiu de fato, eu não preciso de um redentor, mas sim evoluir.
Se Gênesis é mítico, então Cristo também o é. Pois o pensamento que coloca Gênesis como uma palavra humana também deve colocar os evangelhos como palavra humana. Se nunca houve uma queda histórica de um Adão histórico, não há necessidade de um Jesus histórico. Sem Adão, sem Cristo! Jesus Cristo vem ao mundo pela promessa de Gênesis 3:15: “E porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. Mas a quem Deus dirigiu essa palavra, essa “promessa-­mãe”? Para a serpente! Negue Gênesis 3, negue a serpente, e você aniquilará a promessa de Jesus Cristo: sem serpente, sem Salvador! Um Cristo mítico não morreu por nossos pecados. Um Cristo mítico não pode perdoar nossos pecados reais. Um Cristo mítico não irá conosco através do vale da sombra da morte. Um Cristo mítico não vai ressuscitar nosso corpo do túmulo. Somente o Cristo histórico fez e vai fazer essas coisas. O Cristo histórico faz com que o Gênesis seja histórico, e a fundação de Si mesmo e a Sua obra.
A doutrina do juízo de Deus também depende de Gênesis. Mas se Gênesis é um mito, o juízo também o é. Se Gênesis não é história, todas essas doutrinas estão perdidas.
Os ateus sabem disso, e tentam fazer como Dawkins: convencer o mundo de que Gênesis é um mito, porque assim fazendo, desacreditam toda a Palavra de Deus. E o pior é que muitos cristãos já embarcaram nessa canoa furada.
Entretanto, a ciência não pode analisar, julgar e confirmar os eventos registrados em Gênesis. A própria criação foi um milagre. Como um milagre ela é pouco acessível às ferramentas de investigação do cientista, assim como é a ressurreição de Jesus.
Ademais, entre a obra da criação de Deus, como descrito em Gênesis 1 e 2, e a ciência atual, há duas barreiras que o esforço científico não pode superar: a queda com a maldição que está presente em toda a criação, e o dilúvio que destruiu todo aquele mundo, dando uma forma inteiramente nova a esta Terra ­- Gênesis 3:17, 18; II Pedro 3:6. Nenhum instrumento científico pode voltar atrás antes do dilúvio. O mundo de antes do dilúvio não pode sequer ser conhecido por qualquer teoria científica. Apesar de evidências que têm sido encontradas ao redor do planeta, as pessoas ainda duvidam do dilúvio universal e dizem que “tudo continua como desde o princípio da criação” (II Pedro 3:1-7). No dilúvio (Gênesis 6­-8), histórico, real e maior do que apenas uma inundação local na região do Tigre e do Eufrates, o “mundo de então pereceu”! Acabou, foi extinto! O único conhecimento que alguém tem, ou pode ter, do mundo antes do dilúvio é aquele dado pelo próprio Deus em Gênesis.
Para nós, a questão se a Bíblia, e em especial Gênesis, é história ou mito, não é intelectual nem acadêmica.
Nas igrejas sadias, as crianças pequenas aprendem a responder algumas perguntas como:
“Quem é o seu Criador?” - R: “Deus”.
“Quem criou todas as coisas?” - R: “No princípio, Deus criou os céus e a terra”.
“Como é que nós sabemos sobre essa criação?” - R: “Deus nos diz sobre isso em Sua Palavra, a Bíblia”.
“Quem são os nossos primeiros pais?” - R: “Adão e Eva”.
“Como é que Satanás veio a Eva?” - R: “Ele usou a serpente para falar com Eva”.
“O que Deus prometeu?” - R: “Um Salvador, para nos salvar dos nossos pecados”.
Queremos que estas crianças vão para o céu. Se elas vierem a duvidar de todas essas respostas como se fossem mito, irão para o inferno como incrédulos. Seja quem for o responsável - pais, pregadores, professores, teólogos - seria melhor que uma pedra de moinho lhes fosse amarrada ao pescoço e jogados nas profundezas do mar. Esses pequeninos, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, acreditam na historicidade de Gênesis.
“Se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mateus 18:3).

Resumo do livro Gênesis 1-11 – História ou Mito? de David Engelsma
(http://livros.gospelmais.com.br/files/livro-ebook-genesis-1-11-historia-ou-mito.pdf)

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sábado, 16 de novembro de 2013

Se eu fosse o Diabo...

Se eu fosse o Príncipe das Trevas, tentaria envolver o mundo inteiro nas trevas. Eu gostaria de ter um terço do mercado imobiliário e quatro quintos da população mundial, mas não ficaria feliz até dominar a maçã mais madura da árvore. Com isso quero dizer que seria necessário tomar conta dos Estados Unidos.
Em primeiro lugar, subverteria as igrejas. Começaria uma campanha de sussurros. Com a sabedoria de uma serpente, sussurraria para você, como sussurrei para Eva: “Faça tudo que você quiser”.
Para os jovens, gostaria de sussurrar que “a Bíblia é um mito”. Eu iria convencê-los de que o homem criou Deus e não o contrário. Eu diria a eles, em segredo, que o que é ruim é bom, e o que é bom está “fora de moda”. Aos idosos, eu iria ensiná-los a orar: “Pai nosso, que estás em Washington…”
Depois, eu me organizaria. Ensinaria os escritores a fazer literatura sensacionalista emocionante, de maneira que qualquer outra coisa parecesse chata e desinteressante. Eu encheria a TV de filmes cheios de sexo. Forneceria drogas para todos. Eu venderia álcool para senhores e senhoras da sociedade. Tranqüilizaria o restante com comprimidos.
Se eu fosse o Diabo, colocaria as famílias em guerra com elas mesmas; as igrejas em guerra com elas mesmas, e as nações em guerra, até que cada uma delas fosse consumida.
Prometeria à imprensa o maior índice de audiência, forçando-as a se destruírem mutuamente. 
Se eu fosse o Diabo, iria encorajar às escolas a refinar o intelecto dos jovens, mas negligenciar a disciplina: “Deixem correrem soltos”. Antes que pudessem se dar conta, seria preciso cães farejadores de drogas e detectores de metal em cada entrada de escola. Dentro de uma década, teria presídios superlotados.
Com promessas de reconhecimento e poder, faria os juízes defenderem a pornografia e ficarem contra Deus. Em pouco tempo, colocaria ateus para me representar diante da suprema corte e os pregadores iriam concordar. Assim, conseguiria expulsar Deus do tribunal, depois da escola, e, por fim, do Congresso e do Senado.
Se eu fosse o Diabo, entraria nas igrejas e substituiria a religião por psicologia. Eu endeusaria a ciência. Incentivaria padres e pastores a abusarem de meninos e meninas e ficarem ricos com o dinheiro das igrejas.
Se eu fosse o Diabo, faria com que o símbolo da Páscoa fosse um ovo, e o símbolo do Natal uma garrafa de bebida.
Se eu fosse o Diabo, tiraria daqueles que têm e daria àqueles que desejam ter até conseguir matar o incentivo de suas ambições. Quer apostar que eu faria com que todos promovessem o jogo como uma forma de ficar rico? Alertaria a todos contra os extremos no trabalho duro, no patriotismo e na conduta moral.
Convenceria os jovens que o casamento é uma coisa defasada, que só ficar é bem mais divertido e o que a TV mostra é a maneira certa de viver. Assim, eu poderia despir as pessoas em público, e incentivá-los a transar com pessoas que tenham doenças incuráveis.
Eu, se fosse o Diabo, convenceria a todos que eu não existia.
Em outras palavras, se eu fosse o Diabo, continuaria fazendo o que ele já está fazendo.
 
Este texto foi escrito em 1964 pelo jornalista Paul Harvey (falecido em 2009) logo após o assassinato do presidente John Kennedy, quando se iniciava a Guerra do Vietnã e as drogas se tornavam populares entre os hippies. Em votação no site da emissora Fox News, as pessoas disseram que essas palavras eram praticamente uma profecia, pois tudo que foi dito quase 50 anos atrás está se cumprindo a cada dia.

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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Crente fica endemoninhado?

Renato Vargens conta um caso no mínimo curioso, se não fosse cômico. Em uma igreja neo-pentecostal de Niterói (estado do Rio de Janeiro), num culto de exorcismo, o pastor resolveu expulsar os demônios dos crentes. Fundamentado numa revelação espiritual,  dizia que a “coisa-ruim” costumava se esconder nas mãos dos cristãos, sendo necessário assim, ministrar-lhes “libertação espiritual”.  Se não bastasse, outra “igreja” da mesma cidade, “consciente da batalha espiritual dos últimos dias”, resolveu expulsar o demônio da libertinagem “ungindo” os genitais dos presentes. Eu  já vi e ouvi pessoas dizendo que o demônio se esconde mesmo é no umbigo, mas tem quem vá além. Acham que o Diabo pode possuir as mãos, o umbigo, o bilau e tudo mais, mesmo o sujeito sendo evangélico.
Em alguns círculos, notadamente na linha “apostólica” ou neo-pentecostal, ensina-se que é possível o cristão ser possuído por demônios. Com base em visões de seus “líderes apostólicos”, mesmo que a Bíblia diga o contrário, ensinam que:
“endemoniamento significa ‘ter demônios’...No grego ‘daimonizomai’ ou ‘daimonozomenai’...”. 
Como se vê, buscam algum verniz de erudição, mas misturam tudo com interpretações particulares, como se segue:
“Na antropologia e na sociologia, costuma-se usar a palavra possessão, com o significado de incorporação. A possessão integral do homem, espírito, alma e corpo, só Deus pode possuí-lo. Os demônios atuam mais na alma (mente e emoção) e no corpo físico visando a destruição do espírito humano. As pessoas endemoniadas são irritadas e nervosas, pois eles atuam diretamente no sistema nervoso”...
Veja a tentativa de transformar observações pontuais em regras gerais. Segue o arrazoado, onde uma “visão” de um “profeta/apóstolo” é tomada como doutrina:
“Na visão dada a Rick Joyner ele vê os demônios montados nas costas dos crentes, fazendo-os de cavalo. (Livro “A Batalha Final”). Não vai muito longe essa verdade, que até mesmo a expressão usada pelos umbandistas é que ‘fulano é cavalo do guia tal’, ou seja, o guia tal, monta, desce, incorpora, no fulano. E você pode até dizer: Mas isso acontece com quem dá legalidade dentro de um centro espírita, e aqui estamos falando de crentes!!! E te respondo amado(a): Quando damos vazão ao ódio, à inveja, à calúnia, à fofoca, à amargura, ao orgulho, à ambição, à traição, e tantos outros sentimentos e atitudes negativas, que não são enviados por Deus, é como se no reino do espírito abríssemos uma porta e disséssemos ao diabo: - Entra, a casa é toda sua. E ele monta nas nossas costas e faz a festa, essa é a verdade. Não podemos mais usar máscaras! Estamos nos finais dos tempos, a volta do Senhor Jesus é mais do que eminente, e não podemos achar que porque sou crente não estou sujeito a opressões demoníacas” (...)
O “estudo”, muito mal escrito por sinal, termina detalhando os “estágios do endemoninhamento” (sic):
1 - o crente peca – estado normal, mas confessa e perdoado – está insento (sic) de endemoninhamento
2 - o crente repete o pecado – endurece – demônios rondando 
3 - o crente persevera no pecado endurece mais ainda, ele fica oprimido 
4 - o pecado se torna hábito - brecha para o inimigo, um demônio entra
5 - o pecado se torna compulsão – endemoninhado – alguns entram 
6 - o pecado se torna obsessão – endemoninhado – mais outros entram 
7 - muitos demônios o invadem (fonte
Note que fizeram confusão entre possessão e opressão. Mas não sei  se o número de estágios (7) é coincidência ou se é intencional. Fico com a segunda hipótese, pela tendência desse pessoal a adotar o que eu chamo de numerologia evangélica. Clique para entender mais. Também não sei a diferença entre “alguns entram”, “mais outros entram”, e “muitos invadem”. Acho que é só para alcançar o número mágico. “Amado”...
Há ainda quem diga que o crente “não pode ser possesso por demônio enquanto anda na luz onde o Senhor na luz está (grifo meu). Baixando a guarda e se afastando das coisas de Deus, o Diabo vai conseguir produzir alguma ingerência sobre tal crente descuidado e conformado com o mundo caído, buscando fazer dele um tropeço enquanto continua buscando afastá-lo completamente do ‘arraial’ de Deus, quando poderá devorá-lo. Fora do ‘arraial’ de Deus, a situação de tal crente poderá se tornar à semelhança da situação de Saul, quando se afastou de tal maneira de Deus que o Espírito Santo o deixou e a ‘casa’ ficou vazia e à mercê de salteadores que buscam um covil para se esconderem”. (fonte)
Mas o fato é que, do ponto de vista bíblico, é impossível alguém regenerado pelo Espírito Santo e salvo pela graça de Deus em Cristo Jesus ter em seu corpo a manifestação de um demônio, porque as Escrituras afirmam que se somos de Cristo, o Maligno não nos toca (I João 5:18) . Isto significa que se alguém que se “diz cristão” estiver endemoninhado, com certeza nunca conheceu a graça do Senhor, porque caso tivesse conhecido, Satanás jamais o possuiria.
É óbvio que falamos aqui de cristãos autênticos, os quais entenderam a mensagem do Evangelho, foram regenerados pelo novo nascimento, arrependidos de seus pecados e vivendo em novidade de vida. Sobre esses a Bíblia ensina que:
- são propriedade exclusiva de Deus (I Pedro 2:9). Se é exclusiva, só Deus tem direito de usufruto desta propriedade. Só Deus tem o direito sobre a vida do verdadeiro crente.
- são selados com o Santo Espírito da promessa (Efésios 1:13). Já falamos sobre este selo aqui. É importante repetir que um selo é algo que não pode ser violado. Os reis, magistrados e outras autoridades faziam uso dele quando o conteúdo de uma carta ou documento precisava ser preservado, e ai de quem “quebrasse” ou “violasse” o selo. O Selo de Deus tem ainda mais valor e poder: ele é o próprio Espírito Santo; o que se dirá então do Selo de Deus? Quando nossos inimigos espirituais tentam investir contra o verdadeiro crente, eles logo vêem o Selo de Deus, e tremem. O Selo Real impresso na alma do verdadeiro cristão de forma alguma pode ser violado. Como expliquei antes, não há como o crente ser “selado” e depois “des-selado”. O cristão genuíno é marcado com o próprio Espírito de Deus. E é por isso que...
- o Maligno não lhes toca (I João 5:18). Se o próprio Deus guarda o verdadeiro cristão, e o próprio Espírito Santo é o selo de que ele pertence a Deus, como o Diabo poderia possuí-lo? Alguns chegam a dizer que “o Diabo tocou em Jó”;  mas a verdade bíblica é que o Diabo não pôde tocar em Jó ou em suas posses senão sob a permissão de Deus, pois o Senhor protegia Jó com uma “cerca” (Jó 1:10). E não se pode afirmar que Jó ficou endemoninhado ou possesso. A atuação de Satanás foi totalmente externa. Satanás entendia que não tem livre acesso a quem está “cercado” por Deus.
- são Santuários de Deus, onde Deus habita (I Coríntios 3:16-17; 6:19). Se Deus está habitando a casa, então não há lugar para o Diabo e seus demônios.
- têm dentro de si Aquele que é maior do que o Diabo (I João 4:4). Como pode o mais fraco (Satanás) subjugar o mais forte (Deus)?Jesus conta que para um valente venha a tomar uma casa, ele tem que ser mais valente do que o que já está na casa (Lucas 11:21-22).  Maior é o que está dentro do verdadeiro crente do que o que está fora dele. Como o Diabo e os demônios poderão saquear a casa onde Deus está? O verdadeiro crente não pode ser possesso porque o Espírito de Deus habita dentro dele. O Diabo não pode entrar, porque Deus está dentro.
- têm autoridade e poder sobre os demônios (Lucas 10:17-19; Marcos 16:17-18). Como pode alguém ser possuído por outro, sobre o qual tem autoridade e poder? Ao verdadeiro crente foi concedido poder e autoridade sobre o Diabo e os demônios. Os agentes do mal não podem tomar a vida do verdadeiro crente, e além disso são repreendidos e expulsos.
Os que advogam a tese do crente endemoninhado se apóiam no caso de Saul (em I Samuel) e da “casa vazia” (Mateus 12:43-45). A Bíblia relata que “o Espírito Santo se apoderou de Saul” (I Samuel 11:6), e depois que “o Espírito do Senhor retirou-se de Saul, e o atormentava um espírito maligno da parte do Senhor” (I Samuel 16:14). Vemos que no Antigo Testamento Deus agia de forma diferente da de hoje. O Espírito Santo não havia ainda sido derramado, não havia ainda sido enviado (João 14:26 e 20:22). Ele agia de forma pontual e assim como Saul muitos outros foram usados pelo Espírito de Deus: Josué (Números 27:18), Gideão (Juízes 6:34), Jefté (11:20), Sansão (14:6), Azarias (II Crônicas 15:1), Zacarias (24:20), etc.; até Balaão (Números 24:2).
Mas como acontecera com Sansão anteriormente (Juízes 16:20), “o Senhor se havia retirado dele” (I Samuel 18:12); e foi permitido, como no caso de Jó, que um espírito maligno o atormentasse. Não se pode afirmar que Sansão ou Saul ficaram endemoninhados. No máximo, creio que ficaram perturbados, oprimidos, e eventualmente começaram a fazer besteiras, influenciados pelo demônio, posto que já não tinham o Espírito. Note que até mesmo Pedro deu lugar a uma sugestão de Satanás, ao que foi repreendido por Jesus (Mateus 16:23). O que prova que o Inimigo, de fato, anda em derredor (I Pedro 5:8) soprando bobagens a todo instante. Cabe a nós não lhe dar ouvidos, para não sermos influenciados por ele.
A “casa vazia”, para mim, refere-se àquela pessoa que possa ter sido exposta ao Evangelho. Ouviu a pregação, soube da boa-nova, mas como Félix (Atos 24:25) e os atenienses (Atos 17:32), preferiu deixar a decisão de seguir a Cristo para outra ocasião. Talvez até mesmo foram libertos de demônios. Mas a demora em “abrir a porta” (Apocalipse 3:20) deu ocasião ao Diabo para que voltasse. Mais uma vez, não se trata de perder a salvação, porque não chegaram a experimentar a salvação! O texto é claro, mas é importante notar que, como tentei explicar acima, o verdadeiro crente não é uma “casa vazia”. Ele é o local onde habita o Espírito Santo de Deus. E se a casa está vazia é porque o Espírito Santo não habita ali, donde se conclui que a pessoa não é convertida.  
Não interessa se tem 30 anos de bacharel em teologia: se a pessoa lê a Bíblia e não entende, é sinal claro de que não tem o Espírito Santo. Nada sabe da salvação, da Trindade, do Diabo, do Evangelho. Por isso ficam por aí escrevendo bobagem, confundindo tudo, cheirando Bíblia... ocupam púlpitos e tomam nosso tempo para fazer a vontade do Diabo.
Penso que as duas situações são excludentes – crente não fica endemoninhado, e endemoninhado não é crente. Por isso o salvo não fica possesso e o possesso não é salvo - pelo menos enquanto permanecer posseso. Primeiro precisa ser liberto para depois ouvir e entender o Evangelho! Tampouco o possesso  é um “crente que perdeu a salvação", porque a salvação não se perde. O crente pode, no máximo, ser oprimido e/ou perturbado, mas é ação externa do Diabo. Obviamente, mais uma vez, estamos falando de crentes convertidos, não de frequentadores de igrejas.   “Membro de igreja”, é outra coisa. Por isso não fico surpreso com certas atitudes de “bacharéis em teologia”, “levitas”, “bispos”, “apóstolos” e que tais. Não só se mostram incrédulos, não-regenerados, como podem muito possivelmente estar sob influência de demônios, se não possuídos, agora mesmo. Doa a quem doer.
E no fim das contas - doa a quem doer, de novo - acho que quem ensina que crente fica endemoninhado e pode perder a salvação, no fundo quer é manter o povo com medo, e assim fica mais fácil manipular a massa...

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quinta-feira, 29 de março de 2012

A reunião dos demônios

Dizem que Satanás, como um executivo moderno e eficiente, preocupado com o desempenho de seus subordinados, resolveu convocar uma convenção mundial de demônios, para rever o seu planejamento estratégico e propor novas formas de abordagem para atingir o seu público alvo. Queria ele adotar técnicas mais eficientes para execução de seus objetivos. 
Em seu discurso de abertura na assembléia geral, logo depois do credenciamento e da entrega dos crachás aos participantes, ele subiu à plataforma e disse:
- Saudações, capetas. Observando a situação atual, constatamos que é preciso ajustar nosso plano de ação. Temos que reconhecer que não podemos impedir os cristãos de ir à igreja.
Não podemos impedi-los de ler as suas Bíblias e conhecerem a Verdade.
Nem mesmo podemos impedi-los de formar um relacionamento íntimo com o seu Salvador.
E, uma vez que eles ganham essa conexão com Jesus, o nosso poder sobre eles está quebrado.
Então, este é o plano:
Vamos deixá-los ir para suas igrejas, vamos deixá-los com os almoços e jantares que nelas organizam; mas vamos roubar-lhes o tempo que têm, de maneira que não sobre tempo algum para desenvolver um relacionamento com Jesus Cristo. O que quero que vocês façam é o seguinte: 
Distraiam-nos a ponto de que não consigam aproximar-se do seu Senhor.
- Como vamos fazer isto? gritaram os demônios, preocupados com as novas metas que o diretor-geral lhes impunha.
Respondeu-lhes o capiroto-mor:
- Mantenham-nos ocupados nas coisas não essenciais da vida, e inventem inumeráveis assuntos e situações que ocupem as suas mentes.
Tentem-nos a gastarem, gastarem, gastarem, e tomar emprestado, tomar emprestado...
Persuadam as suas esposas a irem trabalhar durante longas horas, e os maridos a trabalharem de 6 a 7 dias por semana, durante 10 a 12 horas por dia, a fim de que eles tenham capacidade financeira para manter os seus estilos de vida fúteis e vazios.
Criem situações que os impeçam de passar tempo com os filhos.
À medida que suas famílias forem se fragmentando, muito em breve seus lares já não mais oferecerão um lugar de paz para se refugiarem das pressões do trabalho.
Estimulem suas mentes com tanta intensidade, que eles não possam mais escutar aquela Voz suave e tranqüila que orienta seus espíritos.
Encham as mesinhas de centro de todos os lugares com revistas e jornais, mesmo que velhos e de conteúdo nulo.
Bombardeiem as suas mentes com notícias, 24 horas por dia. 
Invadam os momentos em que estão dirigindo, fazendo-os prestar atenção a cartazes chamativos. 
Inundem as caixas de correio deles com papéis totalmente inúteis, catálogos de lojas que oferecem vendas pelo correio, loterias, bolões de apostas, ofertas de produtos gratuitos, serviços, e falsas esperanças. 
Lotem seus e-mails de besteiras, correntes e piadinhas.
Providenciem para os filhos deles amizades mundanas, ofereçam aos jovens atrativos e diversões que façam a Igreja parecer chata, vazia e sem graça. Até mesmo quando estiverem em momentos de lazer, que seja tudo feito com excessos, para que fiquem exaustos!
Mantenham lindas e delgadas modelos nas revistas e na TV, para que seus maridos acreditem que a beleza externa é o que é importante, e eles se tornarão insatisfeitos com suas próprias esposas. 
Mantenham-nos de tal modo ocupados que nem pensem em andar ou ficar na natureza, para refletirem na criação de Deus. Ao invés disso, mandem-nos para parques de diversão, acontecimentos esportivos, peças de teatro, concertos, ao circo e ao cinema, à boate e à balada. 
Digam a eles que não há nenhum problema em fazer desfile de moda, festival de música, festa junina; podem fazer bailes, festa de Haloween, e até de carnaval. Convençam-nos que não tem nada de  mais fazer luta-livre e vale-tudo dentro dos templos. Mostrem-lhes que os cristãos também precisam se divertir. 
Encham suas reuniões de música pesada, agitada, para que seus ouvidos não ouçam a voz do Pastor de suas almas. Façam com que eles promovam para si bailes funk, rodas de pagode, festivais de hip-hop, mas lembrem-se de dizer que tudo é gospel, tudo é para Jesus. Assim fica mais fácil de nos engolirem!
Mantenham-nos ocupados, ocupados, ocupados.
E quando se reunirem para um encontro, ou uma reunião espiritual, envolvam-nos em mexericos, fofocas, intrigas políticas e conversas sem importância, para que, ao saírem, o façam com as consciências pesadas.

Mantenham as esposas demasiadamente cansadas para amarem seus maridos à noite, e dê-lhes dor de cabeça também. Se elas não derem a seus maridos o amor que eles necessitam, eles então começarão a procurá-lo em outro lugar e isto, sem dúvida, fragmentará as suas famílias rapidamente.
 Soprem em seus ouvidos filosofias baratas, psicologia, auto-ajuda, para que a convicção do pecado vá desaparecendo aos poucos, até que eles passem a tolerar nossa presença sem se incomodar.
Façam com que se preocupem em assumir posições de poder no governo e na sociedade, para que se esqueçam de que para ser o maior precisam ser o menor. Encham suas mentes com desejos de prosperidade aqui e agora, para que não ajuntem tesouros no céu!
Dêem-lhes Papai Noel, para que esqueçam da necessidade de ensinarem aos seus filhos o significado real do Natal.
Dêem-lhes o Coelho da Páscoa, para que eles não falem sobre a Ressurreição de Jesus  Cristo, e o Seu poder sobre o pecado e a morte.
Encham as vidas de todos eles com tantas causas nobres e importantes a serem defendidas que não tenham nenhum tempo para buscarem o poder de Jesus.
Muito em breve eles estarão buscando, em suas próprias forças, as soluções para seus problemas e causas que defendem,  sacrificando sua saúde e suas famílias pelo bem da causa. Isto vai funcionar!! Vai funcionar!!

A reunião terminou em euforia, com os demônios ansiosamente partindo para cumprir as determinações do chefe. De ânimo renovado, voaram por todas as direções, para fazer com que os cristãos, em todo o mundo, ficassem mais ocupados e mais apressados, indo daqui para ali e vice-versa, tendo pouco tempo para Deus e para suas famílias, não tendo nenhum tempo para contar aos outros sobre o poder de Jesus para transformar vidas.

Creio que a pergunta que fica é:
Terá o Diabo sucesso nas suas maquinações?

 (recebido por e-mail - adaptado)

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