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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Qual é a sua motivação?

Há algum tempo participei de uma reunião de oração. As pessoas presentes, todas cristãs sinceras, na hora de colocar seus pedidos, me surpreenderam. Uma ou outra pedia para interceder pela conversão de um parente e pela cura de um conhecido, mas a maioria pedia por bens materiais. Alguém pediu oração para poder “vender logo a casa”, pois tencionava comprar outra maior e melhor. Outra pessoa disse que era para orarmos para que conseguisse uma boa empregada doméstica. Um outro anunciou que pretendia morar no Exterior, pois “não aguentava mais este país”. Por fim, alguém pedia para que Deus abençoasse esta nação e tirasse as pessoas más do poder, colocando outras “tementes a Deus, segundo o coração de Deus”.
Aparentemente, tudo muito bacana, tudo muito certo. Fiquei pensando naquilo tudo, e só depois percebi que aquelas pessoas, sinceramente, estavam pedindo a Deus que os abençoasse segundo os seus próprios desejos. Suas orações eram centradas neles mesmos, na satisfação do que entendiam como sendo as suas necessidades pessoais. Totalmente fora daquilo que a Bíblia ensina aos cristãos como devem agir. Vejamos alguns pontos.
No Sermão do Monte – e em outras partes – Jesus ensina que devemos viver não para satisfazer a nós mesmos, mas a Deus (fazendo a Sua vontade) e ao próximo. O centro deve ser não a gente mesmo, mas tudo deve ser para “o outro”. O próximo. É o que significa “quando alguém te pedir a túnica, dá também a capa; se alguém te pedir para caminhar com ele uma milha, vai com ele duas”. E também “se alguém te bater numa face, oferece a outra”.
Mas essas pessoas estão seguindo outra lógica. Elas seguem uma lógica apropriada (do ponto de vista humano e carnal) ao seu segmento social, mais do que à sua situação de cristãos, de cidadãos de outro reino que não o deste mundo. Seguem uma ideologia (no sentido original da palavra, no sentido crítico, “ferramentas simbólicas voltadas à criação e/ou à manutenção de relações de dominação”, link aqui) de uma classe média pequeno-burguesa, aquele tipo que pensa que o capitalismo é o melhor dos sistemas econômicos, esquecendo-se de que, na maioria, eles mesmos são empregados, funcionários que trabalham para um patrão e, por mais que tenham bons salários e ocupem boas posições na escala social, ainda assim são assalariados. Eles ainda não perceberam que o lucro gerado pelo seu trabalho vai todo para o bolso do patrão, por que seus salários sejam bons salários, ainda assim, são assalariados. O que recebem nunca os fará ricos como aos patrões. E essas pessoas, dominadas mentalmente que são pela ideologia burguesa de seus patrões,  seguem o mesmo ideário, próprio dos banqueiros, industriais e grandes empresários, crendo que isso é normal. Vejam só.
Os banqueiros, industriais e grandes empresários visam o lucro. Em última instância, visam o seu próprio bem. Tudo o que fazem e investem é para seu próprio prazer, para seu lazer, para seu próprio desfrute. Até certo ponto isto é lógico e legítimo. O que não é lógico é os seus empregados e funcionários acharem que devem seguir a mesma cartilha, por mais bem situados que sejam (ou estejam, no momento). 
Em que consiste esse conjunto de idéias e pensamentos? Consiste nos valores burgueses, expressos no seu modo de vida, seus gostos, seus hábitos e suas escolhas, como veremos.
As pessoas da reunião que mencionei no primeiro parágrafo seguem essa ideologia. Ao pediram intercessão para que conseguissem “uma boa empregada”, o que querem dizer com isso? Você vai se espantar com a minha conclusão, mas eu o desafio a me mostrar outra interpretação para essa “oração”: o que mais elas querem senão alguém que trabalhe mais e ganhe menos? Alguém que lhes dê menos aporrinhações, que reivindique menos direitos (como dias de folga, aumentos de salário, licença-maternidade, férias, décimo-terceiro salário e Fundo de Garantia, dentre outras coisas). Alguém que falte menos ao trabalho, ainda que um filho adoeça ou aconteça uma greve dos ônibus ou do metrô. Alguém que obedeça a todas as suas (patrões) vontades. Alguém que esteja sempre à disposição; repetindo, por um salário não maior do que o da empregada anterior. Mais lucro. Ou, como se convencionou dizer, melhor custo/benefício.
Se essas pessoas fossem realmente cristãs, elas agiriam de outra forma, eu penso. Seu pedido de oração seria diferente.
Por exemplo, poderiam pedir a Deus que lhes desse condições de contratar uma empregada doméstica, de que de fato necessitam, mas para lhe pagar um salário maior do que o que pagavam à empregada anterior. Poderiam seguir o mandamento de Jesus, o da segunda milha, no sentido de que, quando a empregada saísse de férias, concedessem a ela, graciosamente, mais uma semana de descanso remunerado. Quando a empregada ligasse dizendo que se atrasaria por causa da greve dos ônibus ou do metrô, dissessem a ela que tirasse o dia de folga. Quando viajassem para Miami, como sempre fazem a ponto de querer morar lá, que levassem junto a empregada, não para lhes carregar as malas ou lhes passar as roupas, mas para se divertir, conhecer outro país, adquirir mais cultura (se é que em Miami tem cultura).
História da vida real, verídica, que ouvi de uma cristã que trabalhava como doméstica em casa de outros cristãos, segundo ela, “ricos”: como ela trabalhava de segunda a sexta o dia todo, e sábado só até meio-dia, nesse dia ela tinha trabalho dobrado. Tinha que, por exemplo, fazer o dobro de comida para que os patrões não precisassem ir para a cozinha no domingo “depois do culto”. Eles não poderiam, pães-duros que eram, gastar um pouquinho num restaurante (talvez por isso fossem ricos). Ah, e um detalhe: na segunda-feira, o trabalho também era dobrado, pois a pia da cozinha tinha tanta louça suja que ia até o teto, pois ninguém se dignava a lavar sequer um copo que tivesse usado durante o fim de semana. Essa empregada cristã, quando saiu desse “emprego”, quase teve que ir à justiça para receber o que lhe era devido. Eu pergunto: esse tipo de gente pode se considerar cristã? Estabelecendo uma relação de quase-escravidão com uma empregada, e mais, uma irmã em Cristo? É isso que é fazer a vontade de Deus? É assim que Jesus ensina que devemos tratar o próximo?
Quer outro exemplo, que talvez explique este primeiro?
Quando pessoas assim, de forma farisaica, oram a Deus para que “tire as pessoas más do governo e coloque outras de acordo com o coração de Deus”, parecem preocupadas com os destinos da nação, mas na verdade querem dizer: “Deus, tira esse governo do poder porque nós não gostamos dele; coloca no poder uma pessoa de acordo com o nosso coração, conforme a nossa ideologia política e econômica, de acordo com o que pensa a nossa classe social”. Essa ideologia político-econômico-social é a mesma por trás da alegada crise institucional atual. Esses que foram às ruas protestar contra o governo, com a desculpa de não tolerar mais corrupção, são o mesmo tipo de gente que
elegeu e apoiou uma pessoa do naipe de Eduardo Cunha, dito evangélico que usou uma igreja para receber propinas milionárias. Esses cristãos, que dizem que o governo mentiu, apoiam gente como Silas Malafaia, que comemorou nas redes sociais a eleição de Cunha como presidente da Câmara, dizendo aos quatro ventos “agora vão ter que nos engolir”. Mas agora cinicamente diz que nunca o apoiou, agora que o deputado “evangélico”, que (diziam) “vai transformar a nação”, cai em desgraça e em descrédito. Pessoas assim não desejam que se cumpra a vontade de Deus sobre a nação. Eles querem que se cumpra a sua própria vontade. 
No fundo, aqueles cristãos, como se fossem banqueiros, industriais e grandes empresários, não suportam ver no governo um operário, um metalúrgico, ou uma mulher. Lembra da definição crítica de “ideologia”? Ela fala de “relações de dominação”. Essas relações de dominação não são só de uma classe (a burguesia, a que essas pessoas pensam pertencer) sobre outra (os operários, empregados, funcionários e assalariados em geral, classe a que, na verdade, elas pertencem)! E que é a razão de não aceitarem um operário, mas em massa irem na onda de um Collor ou de um FHC, bem-nascidos, com pedigree, estudados, falam vários idiomas. Mesmo que seus governos tenham sido desastrosos, com inflação de dois dígitos, desemprego idem, e pasmem, preço da passagem aérea literalmente nas nuvens. Na época desses ilustres governantes, nossos irmãos mais abastados também viajavam de avião. É verdade que gastavam relativamente mais. Mas, em contrapartida, não dividiam as aeronaves com pessoas de classes “mais baixas”. Eles, no fundo, querem a volta desses tempos gloriosos. Mesmo que com inflação alta e desemprego idem. Presidente operário, operário dividindo aeroporto? Nem pensar.
A relação de dominação também acontece no plano racial. Darei apenas um exemplo para você pensar. Por que nas novelas as empregadas domésticas são sempre negras? Sabemos que as emissoras de TV são propriedade de grandes grupos burgueses, e como tal, veiculam a sua visão de mundo, que inclui, dentre outras pragas, o racismo. E também o preconceito contra evangélicos, que mesmo assim continuam fiéis à sua programação... se é menos nas novelas, é muito em relação ao jornalismo”. Tem irmão aí que acredita mais no Jornal Nacional do que nas epístolas paulinas.
A dominação social repercute nas igrejas. Via de regra, pobres não ocupam cargos de liderança. Geralmente, diáconos e chefes de departamentos são pessoas que depositam os envelopes mais gordos no gazofilácio. É importante manter os bacanas na igreja. Você é inteligente e já percebeu o por quê disso. É raro ver um pobre liderando um rico, mesmo no rebanho do Senhor. Estou mentindo?
Essa dominação também se verifica na relação homem/mulher. Por isso muitos detestam uma mulher-presidente! Dizem acerca da presidente da nação todo tipo de piada maliciosa e de mau gosto, daquelas que não se ouvia nem na extinta geral dos estádios de futebol. Deletam da sua Bíblia as ordenanças que determinam a intercessão pelas autoridades investidas de poder. Para essas pessoas, a ideologia - enquanto forma peculiar de ver o mundo e perceber a realidade objetiva - tem mais força do que a sã doutrina dos evangelhos!
A motivação daqueles irmãos não é Cristo, não é a vontade de Deus. A motivação deles é a sua própria vontade, o seu próprio desejo, o seu próprio ventre. A ideologia é a única coisa que não é deles: é da classe que os domina e da qual eles pensam fazer parte. E suas orações refletem suas motivações.
Depois daquele dia citado no primeiro parágrafo, tenho procurado gastar as horas correspondentes na leitura de um bom livro e, melhor ainda, da Bíblia Sagrada. Quero ter outro tipo de motivação para minhas orações. A vontade de Deus, já que a minha própria vontade não vale um tostão furado.

Qual é a sua motivação?

Quem pode discernir os próprios erros? Absolve-me dos que me são ocultos. Guarda também o teu servo da arrogância, para que não me domine; então, serei íntegro e ficarei limpo de grande transgressão. Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis na tua presença, SENHOR, minha rocha e meu redentor! (Salmo 19:12-14).


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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

As 7 igrejas de Apocalipse (III)

Pois bem, agora que já sabemos quem foi a Jezabel histórica, temos condições de analisar melhor a Jezabel profética, que aparece em Apocalipse como sendo “profetisa” na igreja de Tiatira.
Apocalipse capítulo 2:
18 Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente:
19 Conheço as tuas obras, e o teu amor, e a tua fé, e o teu serviço, e a tua perseverança, e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas que as primeiras.
20 Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos;
21 e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição.
22 Eis que a lanço num leito de dores, e numa grande tribulação os que cometem adultério com ela, se não se arrependerem das obras dela;
23 e ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações; e darei a cada um de vós segundo as suas obras.
24 Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei;
25 mas o que tendes, retende-o até que eu venha.
26 Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações,
27 e com vara de ferro as regerá, quebrando-as do modo como são quebrados os vasos do oleiro, assim como eu recebi autoridade de meu Pai;
28 também lhe darei a estrela da manhã.
29 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito dia às igrejas.
Contextualização - Tiatira não era rica como Éfeso nem importante quanto Pérgamo. Mas sua produção de tecidos, principalmente o índigo, tornou-a famosa. Havia ali várias associações profissionais, uma espécie de sindicatos. Na carta que Jesus manda João escrever para aquela igreja, primeiro há um elogio às suas qualidades.
O amor de Tiatira (v. 19), ao contrário de Éfeso, aumentara. Também era rica em obras: evangelizava e socorria os necessitados e com isso mostrava sua fé (cf. Tiago 2:14). Mas apesar dessas boas qualidades, a igreja foi reprovada por estar tolerando uma mulher que, dizendo-se profetisa, desencaminhava os fiéis à idolatria e à prostituição (v. 20), e que já teria tido tempo para se arrepender (v. 21). Seu castigo atingiria os seus seguidores (22, 23), mas os que a repelissem seriam recompensados (24-28).
Podemos fazer várias analogias, mas a que eu considero mais importante é a seguinte: Tiatira identifica muito claramente a igreja católica medieval. Na perspectiva cronológica, como vimos aqui, ela sucede Pérgamo, o paraíso dos nicolaítas (a igreja da hierarquia e do domínio do clero sobre os leigos), e antecede Sardes, (a Igreja da Reforma, que logo se tornou estagnada e fria). Outras características que parecem ligar Tiatira ao catolicismo:
Suas obras, mais numerosas do que as primeiras (v. 19): muitos orfanatos, escolas, universidades, sanatórios, hospitais e muitíssimas outras obras de caridade foram construídos, financiados, mantidos e visitados somente pela igreja, que apesar de idólatra e já corrupta, era o que havia na época. Jesus reconhece esse esforço como sendo o amor que muitos cristãos demonstravam pelos necessitados. Apesar de tudo (idolatria, corrupção da igreja etc.), muitos cristãos ainda assim serviam fielmente ao Senhor.
Sua fé e perseverança (v. 19): mesmo com a grande infiltração de doutrinas pagãs, muitos cristãos tinham fé unicamente em Jesus Cristo. É preciso recordar que mesmo na época de maiores trevas espirituais havia grupos que buscavam estudar e entender a então rara Palavra de Deus, como por exemplo, os valdenses, os lolardos e outros remanescentes, apesar da pesada perseguição ordenada pela religião oficial encastelada em Roma.
Mas ela abriga Jezabel. A principal religião em Tiatira, antes do cristianismo (provavelmente com Lídia, cf. Atos 16:14 e 19:10), era a adoração de Apolo, o deus sol. Acreditava-se que ele comunicava o conhecimento do futuro por meio de profetas e oráculos. Em Tiatira, este rito era conduzido por uma profetisa, que entrava em transe e entregava as mensagens. O domínio desta religião era notável. Além do inegável fascínio do mistério, ninguém podia pertencer aos sindicatos profissionais a menos que participasse da adoração aos deuses locais. Qualquer um que recusasse a participar das festas – e conseqüentemente, das práticas sexuais que as envolviam – era impedido de entrar nestas associações. Para fazer parte da vida social e comercial o indivíduo tinha que ser praticante da idolatria pagã.
A antiga Jezabel do tempo de Elias regia o culto a Baal, que, como vimos, incluía adoração a ídolos, comida sacrificada a esses ídolos e a promiscuidade sexual, além do sacrifício de crianças. A Jezabel profética de Apocalipse é quase um clone da esposa de Acabe:
- “se diz profetisa”: como a sacerdotisa pagã de Baal, é por meio dela que vem a instrução do deus espúrio, só que na igreja de Tiatira ela está no meio da congregação cristã, trazendo falsos ensinos. Não é que verificamos na igreja católica, com as aparições de Maria? Fátima, Lourdes, Merdjugorje, em todas elas há a figura que se crê ser “a virgem”, mas que traz instruções que em nada se assemelham à Palavra de Deus – aliás, quase sempre são “segredos” ou “mistérios”. Ora, a Palavra de Deus é uma só e não pode se contradizer. Como pode Deus dizer que abomina a idolatria e depois, por meio da “virgem”, determinar que se ergam estátuas para serem, num eufemismo, “honradas”? Como se pode dizer que “é de Deus” a instrução para “participação na Santa Missa, confissão mensal... a reza diária do rosário e o jejum a pão e água”? É de Deus uma “aparição” que diz que “precisamos orar pelas almas do purgatório, porque assim ganhamos novos intercessores”, e uma vidente que diz receber diariamente as almas do purgatório? Link, link.
- “ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos”: talvez a igreja católica não incentive a prostituição no sentido direto da palavra, mas a Bíblia é clara ao comparar o culto a qualquer outra criatura com a prostituição. Só o culto a Deus é permitido, o resto é prostituição: “Para que não faças pacto com os habitantes da terra, a fim de que quando se prostituírem após os seus deuses, e sacrificarem a eles, tu não sejas convidado por eles, e não comas do seu sacrifício, e não tomes mulheres das suas filhas para os teus filhos, para que quando suas filhas se prostituírem após os seus deuses, não façam que também teus filhos se prostituam após os seus deuses” (Êxodo 34:15, 16). Ver ainda Oséias 3,  Deuteronômio 31:16; Juízes 2:17 e 8:33; Ezequiel 23:30.
É fácil deduzir que qualquer doutrina que permita adoração, ou como queiram, “honra”, que não a Deus, é prostituição, doa a quem doer. E a Jezabel profética de Apocalipse ensina isto. E a igreja que tolera essa falsa profetisa se assemelha a Tiatira. Aqueles cristãos devem ter se lembrado imediatamente das profetisas de Apolo e das sacerdotisas pagãs! Devem ter feito a associação imediata com os ritos sexuais dedicados aos deuses pagãos, não apenas os greco-romanos de seu tempo, mas também do antigo casal Baal e Astarote, de quem Jezabel era devota!
Como Jezabel perseguiu os profetas de Deus, a falsa profetisa de Tiatira também perseguiu a quem rejeitava sua autoridade e queria servir somente ao Senhor: não preciso listar as barbaridades que a igreja de Roma engendrou para silenciar os servos do Altíssimo. Se quiser saber mais, leia aqui. Como Elias, o povo de Deus teve que fugir para o deserto. Como os valdenses, isolados nas montanhas. Sob a imperatriz Teodora, entre 842 e 867 d.C., mais de 100.000 crentes foram mortos porque rejeitaram as imagens. Mais tarde, Wicleff e Huss foram apenas dois dos muitos mártires assassinados por não aceitar as heresias católicas (veja Apocalipse 13:7 e 17:6). A igreja de Roma chegou a ser tão pagã e malvada quanto Jezabel e Atalia;  mas Deus preservou um pequeno rebanho nessa longa noite de trevas.
A igreja dominada por Jezabel se desviou: tentou destruir a Bíblia, impedindo a sua leitura e até mesmo a sua posse. Do alto de seu trono dourado, ela se apoderou de nações inteiras. Prostituiu-se com os reis da Terra (Apocalipse 18:3, 9). Insiste que é o verdadeiro Corpo de Cristo e que seus “papas” são os vigários de Deus. Ensinos falsos, heresias. Completamente seduzida pelo Diabo, por sua vez tornou-se a sedutora de outros (Apocalipse 2:20), produzindo filhos bastardos.
Jezabel representa a igreja desviada, que mantém o poder religioso, enquanto Acabe representa o poder político. Ao casamento desses dois (união político-religiosa), segue-se rapidamente a apostasia e a perseguição de Elias, que representa o povo de Deus. No texto bíblico, vemos que governava Jezabel, e não Acabe. As ordens da rainha pagã eram prontamente atendidas pelo líder político. Da mesma forma, quando os reis da Terra fazem acordo com a igreja romana, quem passa a controlar o Estado é Roma: todas as suas imposições são seguidas à risca (Apocalipse 17:18). Isso permanece até hoje, quando os chefes de Estado vão a Roma pedir a bênção do “papa”; e este influencia pesadamente os governos locais (Apocalipse 13:7). Você duvida?
Jezabel é uma figura muito apropriada do que a instituição católico-romana se tornou. Ela se cobre de jóias e enfeites (II Reis 9:30; Apocalipse 17:4), embora às vezes um ou outro chefe queira passar uma imagem de simplicidade. Ela introduziu um paganismo que resultou em idolatria (prostituição espiritual) e um sistema religioso que nada tinha a ver com as igrejas apostólicas! Ela introduziu novas doutrinas como justificação pelas obras, regeneração pelo batismo, adoração a anjos, “santos”, imagens, celibato para o “clero”, confissão auricular, purgatório, a transubstanciação do pão e do vinho em carne e sangue de Cristo, indulgências, penitência, adoração de Maria, ritualismo pagão, sinal da cruz, água benta, óleo sagrado, rosário, etc. Veja você se isto é ensino bíblico ou não. Veja você se isto é a verdadeira igreja. Veja você se foi isto que Jesus instituiu. Esse sistema se parece mais com uma Noiva ou com uma prostituta?
Aos poucos percebemos também que muitos jesuítas hoje estão se infiltrando nas igrejas evangélicas para disseminar falsas doutrinas e a ensinar-lhes que a igreja católica é a igreja mãe, e deve ser respeitada! Evitam falar do catolicismo, e até elogiam seus líderes e os chamam de “irmãos”. Copiam suas vestes, sua organização e suas nomenclaturas! No próximo artigo, você verá que os ensinos de Jezabel, tão claros na Tiatira católica, já contaminaram a Tiatira evangélica. Infiltração? Cópia descarada da estrutura romana? Ou falta de sabedoria?
Continua...
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Curiosidades:
O nome Tiatira é de significado incerto: para alguns intérpretes significa “domínio feminino”, outros dizem que é “torre alta, fortificada”; para outros, “sacrifício de perfume”, isto é, “repleta de muitos sacrifícios”, e ainda “sacrifício de trabalhos”(?). Todos procuram algum sentido subjacente, mas eu mesmo não me convenci de que algum deles tem razão. De modo que não sei se isto é de fato importante. Ela é a moderna cidade turca de Akhisar (“castelo branco”, devido às muitas pedreiras de mármore que brilham das montanhas próximas). A cidade nasceu de um posto militar de Seleuco I Nicator, general de Alexandre, o Grande, em 280 a.C. Foi destruída por um grande terremoto durante o governo de Augusto (27 a.C. a 14 d.C.); depois de reconstruída, dizia-se “fraca tornada forte”. A cidade era conhecida pelas suas muitas associações comerciais, sendo que, para poder trabalhar, era necessário pertencer a alguma delas. Assim, cristãos se viram obrigados a participar de festas dedicadas às divindades pagãs. Tiatira tornou-se famosa por sua produção de tecidos, e é provável que o Evangelho tenha chegado lá através de Lídia. Evangelizada por Paulo em Filipos, retornou à cidade natal como portadora das Boas Novas de Salvação (Atos 16:14). O apóstolo haveria de confirmar o trabalho ali estabelecido em sua terceira viagem missionária (Atos 19:10).

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sábado, 16 de novembro de 2013

Se eu fosse o Diabo...

Se eu fosse o Príncipe das Trevas, tentaria envolver o mundo inteiro nas trevas. Eu gostaria de ter um terço do mercado imobiliário e quatro quintos da população mundial, mas não ficaria feliz até dominar a maçã mais madura da árvore. Com isso quero dizer que seria necessário tomar conta dos Estados Unidos.
Em primeiro lugar, subverteria as igrejas. Começaria uma campanha de sussurros. Com a sabedoria de uma serpente, sussurraria para você, como sussurrei para Eva: “Faça tudo que você quiser”.
Para os jovens, gostaria de sussurrar que “a Bíblia é um mito”. Eu iria convencê-los de que o homem criou Deus e não o contrário. Eu diria a eles, em segredo, que o que é ruim é bom, e o que é bom está “fora de moda”. Aos idosos, eu iria ensiná-los a orar: “Pai nosso, que estás em Washington…”
Depois, eu me organizaria. Ensinaria os escritores a fazer literatura sensacionalista emocionante, de maneira que qualquer outra coisa parecesse chata e desinteressante. Eu encheria a TV de filmes cheios de sexo. Forneceria drogas para todos. Eu venderia álcool para senhores e senhoras da sociedade. Tranqüilizaria o restante com comprimidos.
Se eu fosse o Diabo, colocaria as famílias em guerra com elas mesmas; as igrejas em guerra com elas mesmas, e as nações em guerra, até que cada uma delas fosse consumida.
Prometeria à imprensa o maior índice de audiência, forçando-as a se destruírem mutuamente. 
Se eu fosse o Diabo, iria encorajar às escolas a refinar o intelecto dos jovens, mas negligenciar a disciplina: “Deixem correrem soltos”. Antes que pudessem se dar conta, seria preciso cães farejadores de drogas e detectores de metal em cada entrada de escola. Dentro de uma década, teria presídios superlotados.
Com promessas de reconhecimento e poder, faria os juízes defenderem a pornografia e ficarem contra Deus. Em pouco tempo, colocaria ateus para me representar diante da suprema corte e os pregadores iriam concordar. Assim, conseguiria expulsar Deus do tribunal, depois da escola, e, por fim, do Congresso e do Senado.
Se eu fosse o Diabo, entraria nas igrejas e substituiria a religião por psicologia. Eu endeusaria a ciência. Incentivaria padres e pastores a abusarem de meninos e meninas e ficarem ricos com o dinheiro das igrejas.
Se eu fosse o Diabo, faria com que o símbolo da Páscoa fosse um ovo, e o símbolo do Natal uma garrafa de bebida.
Se eu fosse o Diabo, tiraria daqueles que têm e daria àqueles que desejam ter até conseguir matar o incentivo de suas ambições. Quer apostar que eu faria com que todos promovessem o jogo como uma forma de ficar rico? Alertaria a todos contra os extremos no trabalho duro, no patriotismo e na conduta moral.
Convenceria os jovens que o casamento é uma coisa defasada, que só ficar é bem mais divertido e o que a TV mostra é a maneira certa de viver. Assim, eu poderia despir as pessoas em público, e incentivá-los a transar com pessoas que tenham doenças incuráveis.
Eu, se fosse o Diabo, convenceria a todos que eu não existia.
Em outras palavras, se eu fosse o Diabo, continuaria fazendo o que ele já está fazendo.
 
Este texto foi escrito em 1964 pelo jornalista Paul Harvey (falecido em 2009) logo após o assassinato do presidente John Kennedy, quando se iniciava a Guerra do Vietnã e as drogas se tornavam populares entre os hippies. Em votação no site da emissora Fox News, as pessoas disseram que essas palavras eram praticamente uma profecia, pois tudo que foi dito quase 50 anos atrás está se cumprindo a cada dia.

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