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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Mitos e fábulas SOBRE a Bíblia

Falamos outro dia sobre a crença de que a Bíblia, em especial o livro de Gênesis, seria um mito ou uma compilação de lendas e fábulas de diversos povos e culturas. Mostramos que esse entendimento é errado, e porque. Esclarecemos a tática ateísta para desacreditar a Bíblia enquanto Palavra de Deus, pois desqualificando o primeiro livro da Escritura todo o resto perde o seu valor: torna-se apenas literatura.
Um outro ponto interessante é que abundam na Internet citações atribuídas aos mais diversos filósofos, pensadores e intelectuais, que nunca disseram tais frases. Em anos eleitorais então a coisa ferve: o que aparece de pensamentos de Sêneca, Arnaldo Jabor, Luiz Fernando Veríssimo, até de Marx, vaticinando sobre a corrupção no governo, é brincadeira. Eu costumo dizer que nem se Einstein tivesse vivido mais uns 30 anos seria capaz de produzir tantas frases a ele atribuídas na Internet. 
A respeito da Bíblia, é a mesma coisa. As pessoas dizem coisas sobre a Bíblia sem nunca tê-la lido, ou no máximo conhecerem ao menos alguns trechos. O seu ralo conhecimento das Escrituras vem da revista Veja, da Superinteressante e do Discovery Channel. 
Sabemos que, embora muitos não aceitem, assim como Deus é real o Diabo também é, e como antagonista e inimigo, procura de todas as formas ganhar adeptos para o seu exército. Uma dessas formas é justamente espalhar lendas e mitos SOBRE a Bíblia. Assim fica fácil para o tentador lançar sementes de dúvidas travestidas de filosofia, de humanismo e de lógica. Como essas:
Alguns luminares das trevas, sem argumentos que sustentem suas teses ridículas, dizem que “um Deus que pune toda humanidade por causa de uma maçã não merece nosso respeito nem consideração, muito menos adoração e submissão”. Mas, contrariando essa teoria tosca, Adão e Eva não comeram uma maçã no livro de Gênesis. Na realidade a fruta não é nomeada - ela é referida somente como “o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal”. A razão para este equívoco provavelmente se deve ao fato de que na língua inglesa a palavra apple (traduzida em português como “maçã”) era usada para se referir a todas as frutas (como no Português “fruto”, palavra masculina). Com o passar do tempo, a palavra “maçã” acabou associada ao “fruto do pecado”, e assim tem aparecido em inúmeras propagandas, desde roupa íntima a motéis. Até mesmo uma famosa marca de computadores baseia-se na interpretação de que “a maçã” simboliza conhecimento e inteligência. O fato concreto nisso tudo é que nessa canoa furada embarcam muitos auto-intitulados intelectuais.
Outro erro cabeludo em que quase todo mundo cai é “os Três Reis Magos”. Mas na verdade, esses personagens nunca foram referidos como reis pela Bíblia e nada indica que eles eram três. A única referência ao número três é o número de presentes que eles carregavam. Leia sobre isso aqui.
E assim caminha a humanidade, atribuindo à Bíblia todo tipo de erro e mistérios que de fato nem estão lá. Antes de mais nada, é preciso anotar que a Bíblia não é um livro científico, por isso há que se ter sabedoria para discernir o que é literal e o que é alegórico. Por exemplo, dizer que “o sol parou” - parou do ponto de vista do escritor. Mas e se foi a Terra que parou? Que alguma coisa parou, não há dúvida. Aqui o nós temos que aprender é que Deus é poderoso o bastante para interferir nas leis da física - que foram criadas por Ele mesmo, afinal. Mas dizer que “a Bíblia contém erros porque o sol não gira em torno da Terra”, é procurar chifre em cabeça de cavalo... Que, aliás, é o que esse pessoalzinho intelectualóide gosta de fazer.
Só para esclarecer, quem crê que a Bíblia diz que o Sol gira ao redor da Terra é uma besta quadrada, porque em nenhum lugar do texto sagrado se afirma isso. Todo mundo diz que “o sol nasce a tal hora”, e “se põe em tal lugar”, e nem por isso é ridicularizado. Por outro lado, muito antes de Galileu, Newton, Tycho-Brahe, Kepler, Copérnico, Huble e muitos, muitos outros, a Bíblia já dizia que Deus “estende o norte sobre o vazio; suspende a terra sobre o nada” (Jó 26:7); e que Ele “está assentado sobre a redondeza da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos” (Isaías 40:22).
Se isto não significa que o planeta paira no vácuo do espaço, e que não é redondo, então não sei mais o que é. Alguns dirão, fazendo caras e bocas de sábios, que a palavra “redondeza” não quer dizer “globo”, mas sim “círculo”, e para isto fazem extensos arrazoados onde misturam conceitos de religiões antigas, textos poéticos da própria Bíblia e afirmações pseudo-científicas, para dizer que a Bíblia não diz o que diz e que diz o que não diz. Ou seja, criam mitos SOBRE a Bíblia.
Dizem outros que a Bíblia adverte: “a mil chegarás mas de dois mil não passarás”. Isto não consta das Escrituras. Pelo menos eu nunca vi essa passagem. E além do mais, nunca consegui descobrir o que significa exatamente essa bobagem, mas vi muita gente – antes do ano 2000 – dizer que era a dica para avisar que o fim do mundo seria nesse ano em particular. Mas depois que mudamos de milênio alguns gênios passaram a ter certeza do erro da Bíblia, porque “já passamos de 2000 e nada aconteceu”. Depois adiaram esta data fatídica para que coincidisse com o calendário maia, um povo, como disse Samuel Fernandes, “aterrorizado por demônios, povo pagão, ensopado no caldeirão das trevas”, que previu o fim do mundo para 21 de dezembro de 2012. Mas a Bíblia não diz nada sobre datas, a não ser que “daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai” (Mateus 24:36).
Chamam de erros da Bíblia coisas que nem mesmo estão na Bíblia.
Como o “código da Bíblia”. Esse “código”, também conhecido como o código da Torá, seria um grupo de mensagens supostamente existentes no texto bíblico, que se devidamente decodificadas dariam informações proféticas e previsões das mais diversas. O estudo e os resultados desta mensagem cifrada tem sido popularizada por livros como “O Código da Bíblia” e “O Código Da Vinci”. O principal método pelo qual se acredita encontrar estas profecias é o “Equidistant Letter Sequence” (ELS). Para se obter uma ELS em um texto, é necessário escolher um ponto de partida (em princípio, qualquer letra) e então é dado um salto numérico entre elas, também livremente e possivelmente negativo. Assim é possível separar essas letras que, depois de agrupadas (apenas as selecionadas) formariam as tais previsões. Defensores dos códigos da Bíblia geralmente usam textos da Bíblia hebraica. O uso e a publicação de “previsões”, baseado em códigos da Bíblia, principalmente com base no trabalho do jornalista Michael Drosnin, teria revelado o assassinato do primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin. Interessante é que geralmente os “profetas” deste método anunciam suas previsões depois que elas aconteceram. Como é que esse código hoje é tido como anunciando o assassinato de Kennedy, mas nada diz sobre Barack Obama ou Bin Laden, por exemplo?
A origem de toda essa mixórdia está num sistema inventado pelos escribas judeus para evitar erros nas cópias manuscritas (aliás, “erro na Bíblia” é outra falácia que agora vamos desmontar).
Com o método massorético (de “massorat” = transmissão fiel) eles verificavam atentamente cada letra, sílaba, palavra e parágrafo. Dentro de sua cultura, eles dispunham de grupos de homens com funções específicas, cuja única responsabilidade era preservar e transmitir esses documentos com uma fidelidade praticamente perfeita – eram os escribas, copistas e massoretas. Os massoretas contaram os versículos, as palavras e as letras de cada livro. Calcularam a letra e a palavra que ficava no meio de cada livro. Fizeram uma lista dos versículos que continham todas as letras do alfabeto, ou um certo número delas; e assim por diante. No entanto, o que consideramos hoje uma trivialidade, teve o efeito de garantir uma atenção minuciosa à transmissão fiel do texto. Na verdade, os massoretas tinham um preocupação profunda de que não se omitisse nem se perdesse um só i ou til, nem uma só das menores letras ou uma pequena parte de uma letra da Lei.
Dentre as exigências que os escribas deviam seguir em relação às Escrituras, algumas são:
- o rolo de pele (pergaminho) onde a cópia seria feita deveria conter um certo número de colunas, o qual deve se manter igual por todo o manuscrito
- o comprimento de cada coluna não poderia ser inferior a 48 nem superior a 60 linhas, e a largura deveria ser de 30 letras
- devia-se primeiramente traçar as linhas de toda a cópia, e se 3 palavras fossem escritas sem linha, a cópia era inutilizada
- devia-se fazer a cópia a partir de uma cópia autêntica, da qual o transcritor não podia se desviar de modo algum, sendo proibido escrever qualquer palavra ou letra de memória, isto é, sem o escriba tê-la visto no códice diante de si
- entre cada consoante devia haver o espaço de um fio de cabelo ou de uma linha
- entre cada capítulo devia haver a largura de 9 consoantes, e entre um livro e outro o espaço de 3 linhas
- o quinto livro de Moisés (que fecha o Pentateuco) devia terminar exatamente no final de uma linha
- era contado o número de vezes que cada letra aparecia em cada livro, assinalada a letra que ficava exatamente no meio do Pentateuco, e a que ficava exatamente no meio da Bíblia toda; e várias outras regras que tornavam o trabalho de copiar as Escrituras virtualmente à prova de erros, já que depois disso tudo ainda havia a revisão feita por três especialistas. Os rolos de pergaminhos fora das especificações eram condenados a ser enterrados ou queimados, assim como os que ficavam gastos pelo tempo e a tinta começava a desaparecer. É por isso que não existem cópias muito antigas, o que também evitava a má interpretação originada de uma leitura mal feita, equivocada, ou mal-intencionada.

Assim, dizer que “a Bíblia tem erros” é mais um mito SOBRE a Bíblia. 

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