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sexta-feira, 16 de março de 2012

Mais vacas sagradas evangélicas

No início de janeiro, vi no Youtube um culto da “virada de ano”, em que dançarinas vestidas de branco (como reza a tradição mundana do “reveillon”) se contorciam ao som “do louvor”. Achei aquilo o fim da picada, pois esse negocio de “adoração com dança” é totalmente despropositado. Não tem nada a ver com louvor e adoração, embora tentem achar na Bíblia defesa para isso.
Ainda me lembro a primeira vez em que alguém tentou justificar “dançar para Deus”. Conversando sobre louvor, alguém me disse ter lido um livro que dizia que a adoração tem que transbordar, extravasar, da nossa vida. Não pode ficar restrita ao “período de louvor” na igreja, mas fazer parte da semana, como uma fonte de alegria. Até aí tudo bem. Mas quando ele disse que esse “extravasar” é que é a fonte ou raiz da “adoração extravagante”, me acendeu a luz amarela. Perguntei a ele se não estava trocando um “s” por um “g”: adoração “extravasante” era o que ele queria dizer, no sentido de extravasar e transbordar, e não “extravagante”. Ele disse que era extravagante mesmo, que a gente pode até ser chamado de louco ou esquisito, que o importante é adorar, não importando onde, nem como. E me mostrou um “boletim da igreja”, onde o pastor escrevera que à hora que se quisesse poderia dar um grito, ou até mesmo “um tiro” em louvor e adoração. Achei melhor mudar de assunto. Ponto, parágrafo.
Algum tempo depois, outro irmão disse que na casa de Deus deve haver liberdade. Se quisermos pular e dançar, que mal há nisso? Davi dançou, disse ele, e Miriam também. Por isso a igreja tem que ter um “ministério de adoração com danças”, justificou. Não falei nada, para não ser tachado de rebelde ou de estar “fora da visão”. Sei como é isso; já fui chamado de “tradicional” pelos “renovados” e de “pentecostal” pelos tradicionais... mas vejo que essa “adoração extravagante” e “louvor com danças” vêm se transformando em “vacas sagradas evangélicas”, que não admitem crítica, como os “ungidos do Senhor”, o “dízimo de Abraão e o de Jacó” e os “atos proféticos” parte 1 e 2. Vamos ver do que vão me chamar agora.
O modelo de adoração da Igreja neotestamentária não tem nada extravagante. O que aprendemos nas epístolas sobre louvor e adoração está em Efésios 5:19, 20 (“falando entre vós em salmos, hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração, sempre dando graças por tudo a Deus, o Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo”), e Colossenses 3:16 (“com salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em vossos corações”).
A Igreja primitiva usava em seu “período de louvor”, se é que existia, “salmos” - como se sabe, passagens bíblicas com expressões de adoração e louvor a Deus, como por exemplo, o que hoje numeramos como 19, ou o 147, ou mesmo o 23. Alguns Salmos anunciavam Jesus, como o 2 e o 22. É provável que os cristãos do primeiro século tenham percebido isso e até usado como tema de pregação. Sabe-se também que os Salmos tinham melodia, embora não saibamos se havia instrumentos no culto primitivo.
Hinos, havia muitos, e há o relato de que Jesus e os discípulos, após a última ceia, cantaram um deles (Mateus 26:30; Marcos 14;26), e Paulo e Silas, presos, “cantavam hinos” (Atos 16:25). Com certeza não eram “músicas gospel da moda”. Duvido que essas tenham o poder de mudar alguma situação, ou chegar até o Trono, embora pretendam estar diante dele.
E os cânticos que Paulo cita em Efésios e Colossenses eram espirituais, o que, na minha opinião, exclui as manifestações físicas de coreografias, o “vira para o seu irmão e diz assim”, as “danças” e outras inovações modernas.
Por fim, o louvor sempre deve dar “graças por tudo a Deus, o Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo”. Não sei bem se é isso que acontece por aí.
Sobre danças, é preciso dizer que nem Miriam nem Davi, citados como exemplos de “dança para o Senhor”, nenhum dos dois estava no templo. Na época de Miriam, não havia nem o Tabernáculo. A sua, digamos, “comemoração espontânea”, foi ao ar livre, e embora em agradecimento ao milagre da saída do Egito, foi um ato de natureza cívica, e não em um culto. Este, enquanto manifestação religiosa, era dirigido por Aarão e pelos levitas, em outras circunstâncias.
Na cultura oriental a dança era manifestação popular, geralmente liderada pelas mulheres. Foi o caso de Miriam (Êxodo 15:20), da filha de Jefté (Juízes 11:34), das mulheres de Judá (I Samuel 18:6). Ao que parece, o povo saía em passeata dançando em roda (Juízes 21:21 e 23). Até hoje manifestações e celebrações judaicas envolvem danças, mas não são bíblicas - são culturais - e não são para o culto cristão.
E Davi, ao saltar pelas ruas, obteve resultados muito mais negativos do que positivos, e também foi fora do ambiente do culto, quando do transporte da Arca para Jerusalém, no início do seu reinado.
Davi cismou que, além de rei, também era sacerdote. Esqueceu-se (ou talvez não soubesse) da lambança de Saul, que não esperou por Samuel e ofereceu sacrifícios a Deus, sendo duramente repreendido pelo profeta (I Samuel 13). Davi fez uma gambiarra: não seguiu a determinação divina (transportar a Arca por meio de sacerdotes a pé). Ele “inovou” e a pôs sobre uma carroça, como os filisteus. Fica aqui uma advertência aos “líderes” e “levitas” que buscam inspiração na modernidade, nos “costumes dos filisteus”, e não na Bíblia. Aos que buscam métodos mais eficazes e produtivos, mesmo que sejam de origem pagã.
O resultado foi a morte de Uzá. Davi temeu, e largou a arca lá em Obede-Edom mesmo... Mas como Obede-Edom depois foi abençoado, ele viu que era bom negócio tê-la por perto, e mandou o pessoal ir buscá-la. E ainda aprontou outra: querendo dar uma de levita, vestiu parte da roupa que a tribo sacerdotal usava nas cerimônias religiosas – “cingido dum éfode de linho” (II Samuel 6:14). Mas errou feio: Deus mandava que o sacerdote (coisa que Davi não era) usasse “túnicas”, “tiaras” e “calções de linho, para cobrirem a carne nua; estender-se-ão desde os lombos até as coxas” (Êxodo 28:4 e 42). Davi ignorou isso, e como “dançava com todas as suas forças diante do Senhor” (I Samuel 6:14 )... sem o traje completo que Deus ordenara... o resultado você pode imaginar.
“Mical, filha de Saul, estava olhando pela janela; e, vendo ao rei Davi saltando e dançando diante do Senhor, o desprezou no seu coração” (6:16). Muitos dizem que Mical era da igreja “tradicional”, por não aceitar o “louvor extravagante” e “danças”, e que foi bem-feito ela ficar estéril “como castigo”, pois desprezou Davi. Eu também não entendia porque ela havia desprezado Davi; afinal, Davi estava alegre, o povo estava alegre, o quê que tem dançar?
Mas a razão do desprezo de Mical vem logo a seguir. Mical desprezou Davi porque a conduta, a postura dele, não era louvável, era indigna de um rei, “descobrindo-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo [isto é, sem vergonha] se descobre um indivíduo qualquer” (6:20). Quer dizer, sem usar os calções (cueca ou ceroulas) que Deus mandava o sacerdote usar... Davi usava o manto, sem nada por baixo! Mical, obviamente reprovou isso, e com certeza Deus também, pois o que Davi fizera era o mesmo que Uzá: desrespeitou a santa lei dada a Moisés com respeito ao culto, conf. Êxodo 28:43: “isto será estatuto perpétuo para ele [Aarão] e para a sua descendência depois dele”. Davi não era levita, nem sacerdote, nem descendente de Aarão, e não tinha nada que inventar ali.
Em Sua soberania, Deus puniu Uzá e poupou Davi, mas isso não nos autoriza a ir além da Palavra. Apesar disso, Davi disse que não estava nem aí, que ia dançar mesmo, pronto e acabou (vs. 21, 22); mas assim como o dízimo de Abraão e o de Jacó, não se tem notícias de repetição do fato. Talvez o rei tenha aprendido a lição, como no caso do censo (II Samuel 24). Só porque Davi era Davi não quer dizer que Deus aprovava tudo que ele fazia.
Outro dia um sujeito deixou um comentário na postagem sobre a Pamela, dizendo que “Deus criou o funk, a timbalada e outros ritmos”, e que nós não podemos criticar esse ou aquele estilo. De fato, Deus deu dons aos homens, como a capacidade de produzir arte e se expressar. Mas nem toda forma de arte é apropriada à adoração. Por exemplo, a escultura. Pode ser usada, e foi, na decoração do templo e na própria Arca da Aliança, mas como objeto de adoração e culto é terminantemente proibida, que me perdoem, mais uma vez, os católicos. Certas formas musicais, por apelarem mais ao corpo que ao espírito, também são indevidas (vou falar disto em outro artigo, este já está comprido demais). E a dança também, não se aplica ao culto. É uma forma de arte não apropriada ao ambiente. Jesus disse que deveríamos adorar em espírito e em verdade: alguém aí por acaso é capaz de dançar em espírito? Há, portanto, que se separar dança, coreografias, teatro, performances musicais, que podem ser úteis para evangelização e pregação, do louvor e adoração, onde nem tudo que parece bom e “artístico” pode ser admitido. Insistir nisso é se nivelar com os católicos, que afirmam que suas imagens não são para adoração, só para veneração... me ajuda aí.
Apesar de alguns pastores forçarem a barra (talvez por suas esposas e filhas fazerem parte de tais “ministérios”), não existe isso no Novo nem no Velho Testamento, quando foram organizados o culto no Tabernáculo e  mais tarde no Templo de Jerusalém. Davi estabeleceu turnos de músicos, cantores e outros serviços, mas nunca se ouviu falar de “dançarinos”.
A dança de Davi foi um evento isolado e individual. Não foi feita por um grupo que ensaiava para se apresentar regularmente no Templo. Não existiam levitas que se dedicavam ao ministério da dança litúrgica. Muito menos nos cultos da Nova Aliança! Davi cairia de costas se visse o que se inventou com base naquele dia em que ele saltou de alegria diante da Arca.
Toda a nossa vida deve ser um culto a Deus (I Coríntios 10:31). Mas nem tudo que cabe na minha
vida diária como culto a Deus caberia no culto público. 
Posso plantar bananeira ou chorar com a cara no chão “para a glória de Deus” no meu quarto, mas não se justifica isto no culto público. Cabia perfeitamente a Davi dançar de alegria naquele dia, na procissão de vitória, nas ruas de Jerusalém (desde que usando ceroulas). Todavia, não o vemos fazendo isto no templo, durante os cultos estabelecidos por Deus (mesmo usando ceroulas). 
Davi dançou nas ruas de Jerusalém, algo espontâneo e do momento. Ele não marcou um culto para dançar de alegria perante o Senhor, nem ensaiou um grupo de dança, simplesmente porque não havia danças que fizessem parte do culto. Dança nunca jamais foi sequer lembrada em qualquer atividade relativa à adoração! Os apóstolos e os primeiros cristãos entenderam desta forma, pois não há danças no Novo Testamento. Adoração com dança é uma tremenda forçação de barra!
Não existe isso de “danças no culto” como forma de adoração, doa a quem doer, muito menos “adoração extravagante” e, ainda por cima “dança profética” – de fato, um desdobramento óbvio da “dança no culto” + “adoração profética”, mas uma aberração tão bizarra e extra-bíblica que nem vou comentar mais.

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domingo, 31 de outubro de 2010

Ovelha por uma semana

Fiquei uns dias num hospital para fazer um tratamento e, com tempo de sobra e uma TV à disposição, tive a oportunidade de zapear à vontade, até descobrir alguma coisa interessante. Um dos programas que mais gostei chama-se “Undercover Boss”, ou “O Chefe Disfarçado”, algo assim.   
É o seguinte: altos executivos passam uma semana trabalhando como operários comuns em suas próprias empresas, fazendo as tarefas mas simples, algumas até nojentas, como limpar privadas, recolher lixo, etc. O objetivo é conhecer de perto a realidade da empresa e assim melhorar tanto métodos e rotinas como também as condições de trabalho dos empregados. Quase sempre deixam crescer a barba, passam a usar óculos de lentes grossas, mas sem grau, para esconder a cara, e em climas frios até usam toucas ou bonés. Os únicos que sabem da “tramóia” são os outros gerentes e diretores, que, obviamente, guardam segredo. Quando saem do escritório e pisam o chão da fábrica, não raro, esses executivos aprendem coisas que nenhuma universidade ou gabinete exclusivo com ar-condicionado e secretária particular jamais lhes ensinariam. 
Como por exemplo, um cavalheiro inglês, presidente de uma empresa de reciclagem de lixo, que trabalhou vários dias numa filial, no interior do país. Como ele ali era um completo desconhecido, colocaram-no para trabalhar com um funcionário mais experiente na tarefa que lhe designaram. Ele descobriu então que esse empregado era portador de câncer, e se negava a tirar licença médica e usava as próprias férias para se tratar em Londres, uma vez por ano. Numa outra filial, pôde ver de perto as condições precárias de banheiros, vestiários e refeitórios, e depois que retornou à matriz, fez reuniões com os seus diretores para melhorar o que havia visto e vivido. Só depois convocou os empregados com quem havia trabalhado e se deu a conhecer. Aí então lhes disse o que o motivara, o que os empregados faziam de bom e de ruim, e de quebra, lhes deu oportunidade para expor suas idéias e compartilhar experiências com colegas de outras unidades. E até mesmo promovendo-os a cargos de maior responsabilidade dentro da empresa, em razão de sua motivação, capacidade de liderança, criatividade e potencial.
Outro executivo, da Flórida, aprendeu com um empregado doente coisas importantes sobre motivação pessoal, descobriu como desempenhar as tarefas mais baixas com bom humor e dedicação, e viu funcionários mantendo ótimo relacionamento com os clientes, apesar das más condições de trabalho. Também pôde repreender maus supervisores e exigir deles respeito e consideração com os subordinados, tendo em vista melhorar o moral das equipes.
Uma idéia que sem dúvida faria melhorar muitas empresas brasileiras, pois muitas delas, públicas e privadas, têm suas diretorias tão divorciadas da realidade que na maioria das vezes impõem metas inatingíveis, sobrecarregam empregados com regras inúteis e abusam de punições rígidas por coisas mínimas, enquanto convenientemente se esquecem de, por exemplo, fazer uma justa distribuição de lucros - em especial os bancos, um dos segmentos mais lucrativos do planeta - com crise ou sem crise.
Mas, como este não é um blog sobre empresas, nem sobre endomarketing, você deve estar se perguntando o que tem tudo isso a ver. É que pensei em como seria bom se alguns líderes religiosos adotassem a ideia de se tornar, por uma semana que fosse, uma simples “ovelha”. Não com objetivos empresariais - como é o pensamento de muitos deles. Gerem suas igrejas como empresas: têm planos de metas, almejam atingir certo número de membros em determinado prazo (e para isso usam qualquer método que pareça razoável), constroem planilhas para arrecadação financeira, fazem campanhas de publicidade e promoções para atingir maiores públicos para suas arengas... as semelhanças são muitas, e não vamos perder tempo com isso. Esqueçamos isto tudo por ora.
Concentremo-nos no meu novo projeto: “undercover sheep” - a “ovelha disfarçada” - se bem que embora não goste, todo e qualquer “líder religioso” também permanece sendo ovelha no rebanho do Sumo Pastor. Não gosta, mas é. 
Pensemos em como seria bom se por uma semana, uma semana só, nossos “líderes” esquecessem seus diplomas de Teologia (os que têm diploma, obviamente). Por uma semana despissem seus ternos caros e vestissem uma calça jeans, um tênis “Mike” e uma camisa de malha. Por sete dias deixassem seus carrões importados (“resposta de oração”, viu, seu invejoso?) e pegassem um busão ou um metrô daqueles bem confortáveis, às 6 da tarde, para ir à “concentração de fé”. Mas tinham que ir só com o vale-transporte, um extra para voltar de taxi não pode. Se a reunião terminar muito tarde e o noturno não passar, teria que voltar a pé ou de carona se conseguir.
Durante uma semana, eles deixariam de dar a seus glúteos adiposos o conforto da almofada macia daquela cadeira bonita e vistosa, de espaldar alto e braços na altura certa, para ficar empenado durante duas horas ou mais num banco duro e com cabeças de prego à mostra. 
Por sete dias, deixariam a modorra de acompanhar o “período de louvor” sentados, fingindo que estão meditando, para aturar os insuportáves apelos dos “levitas”: “levanta, irmão”, “erguei as mãos”, “diga para a pessoa do seu lado: blablabla”. E agora para a pessoa do outro lado, “glugluglu”.
Veríamos por quanto tempo agüentariam o interminável “senta-levanta” dos animadores de auditório que se auto-intitulam “adoradores”. Será que teriam alguns segundos de paz para pensar nas letras vazias que estariam cantando? Será que esse pseudo-louvor despertaria neles o desejo de adorar a Deus, ou apenas a vontade de acabar logo e poder sentar de novo no banco lascado e duro? Melhor do que ficar em pé batendo palma...
Quanto tempo nossos queridos sacerdotes suportariam bailarinas desencontradas, com suas coreografias toscas e sem nenhuma relação com o que está sendo cantado? Quanto seria gasto de sua paciência somente para ouvir os intermináveis e repetitivos avisos paroquiais? O aniversário do fulano, a mudança do cicrano, o batizado do Dudu, o carro novo da dondoca, o casamento da dona baratinha, a morte da bezerra... tudo resposta de oração, claro. Ah, e na semana que vem acaba a campanha dos sete chinelos e começa a campanha dos treze caroços de feijão. Os jovens vão apresentar uma peça, ou jogral, ou coreografia, sei lá, mas mesmo assim tragam visitantes; afinal, precisamos prestigiar a juventude e coisa e tal.
Apenas durante esses poucos dias, nossos amados gurus deixariam a hipocrisia de ir solenemente ao gazofilácio depositar seu dízimo farisaico, para depois do fim da reunião ir lá na tesouraria e pegar seu salário de volta, dez vezes maior que a “oferta depositada”, numa demonstração de “fé no princípio da semeadura”. Eles ofertariam o dinheiro da condução, do remédio, do aluguel, da prestação das Casas Bahia, do dia seguinte? Veríamos se a tão propalada “oferta da viúva, que deu tudo que tinha”, valeria para eles também. Veríamos se fariam esse “desafio”. Veríamos o que sentiriam quando, ao relutar na entrega das moedinhas, fossem chamados de ladrões com base em Malaquias capítulo 3. 
E finalmente, o que diriam nossas sábias, eruditas e iluminadas autoridades eclesiásticas sobre o teor da mensagem pregada? Lembremo-nos de que o diploma teológico - se existir - deve ser esquecido. Vamos nos ater ao conteúdo bíblico da mensagem - se existir. Esqueçam a retórica, a homilética, as palavras cuidadosamente rascunhadas no notebook de última geração sobre o púlpito de acrílico de Israel. Valeria só a correta exegese! Refletiriam eles se a pregação tem aderência à Palavra Viva? Se tem consistência com o que diria o Cordeiro que foi morto, mas ressuscitou? Se tem aplicação prática para o Corpo de Cristo, ou se tem mais a ver com as práticas e costumes da velha aliança?
Será que esses líderes sairiam da reunião com a vida transformada para sempre, ou teriam apenas ganho motivação para mais uns dias, sem se lembrar de nada do que fora falado? Levariam para casa um fogo que não se apagaria nunca, Cristo reinando no coração, ou só a sensação do dever cumprido, como manda a boa religião? Sairiam dali cheios de ardor missionário, fervor evangelizador, mais sede e fome da Palavra, desejo por santificação, vontade de ler mais a Bíblia, de orar mais... ou apenas canseira e enfado, desejando chegar rápido em casa e dormir logo, e amanhã acordar cedo para pegar o metrô lotado, colocar a marmita na bolsa, não esquecer o carnê das Casas Bahia...

Uma semana só, vivendo como uma ovelha comum.
Mais nada.

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