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domingo, 23 de maio de 2010

Batalha Espiritual: ataque ou defesa?

A Bíblia diz que estamos num combate, no meio de uma escaramuça. No Novo Testamento a Igreja quase sempre é descrita com uma linguagem oriunda do campo militar. Há uma idéia popular de que a Igreja é um hospital onde as pessoas serão curadas: o Novo Testamento nos dá base para afirmar que há espaço para a cura interior.
Mas essa visão não leva em consideração que a Igreja seja como um exército que marcha, em plena campanha, em batalha. Não é por acaso que os teólogos entendem a Igreja como sendo Igreja militante e Igreja triunfante. Militante porque está em luta contra as hostes do mal, o pecado e o mundo.
Entendendo o contexto de Efésios 6 - Seguindo regras simples de interpretação, quando vamos pregar sobre um texto ou estudar uma passagem, é sempre bom levar em conta o quadro maior. No caso desse texto em particular isso é extremamente importante. Essa passagem tem sido mal usada por pessoas que defendem as mais loucas idéias na área de conflito ou batalha espiritual. Contudo, quando nos colocamos dentro do contexto e da perspectiva da carta, temos uma visão privilegiada do ponto de vista do autor.
Quando Paulo escreveu aos Efésios estava preso em Roma, e desejava confortar os que sabiam da sua prisão. Ele explica à Igreja de Éfeso, e talvez a outras Igrejas da região, que Deus havia permitido que ele, mesmo sendo designado para pregar aos gentios, tivesse sido lançado na prisão, ficando impedido, assim, de realizar o seu ministério. É isso que ele diz no capítulo 3, no verso 13: “Portanto, vos peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, pois nisso está a vossa glória.” O propósito de Paulo era mostrar que aquilo que era motivo de dúvida ou perturbação, na realidade representava a glória deles. E ele faz isso expondo a doutrina da Igreja, mostrando o propósito de Deus para a Igreja.
Como vimos antes, a carta começa falando sobre a soberania de Cristo (cap. 1), a salvação que Ele nos provê pela graça e o acesso que agora temos ao Pai (cap. 2). Depois, no cap. 3, aprendemos sobre o mistério de Cristo, que é a Igreja, cujo funcionamento é explicado no cap. 4, com base no comportamento individual detalhado no fim do cap. 4 no cap. 5 e início do cap. 6. e, por fim, conclui exortando a Igreja a se preparar contra as astutas ciladas do inimigo. Os efésios ouviram tantas coisas maravilhosas a respeito do que eles eram em Cristo Jesus, do que Deus providenciou, que certamente devem ter ficado tão cheios de alegria e de gozo que Paulo sentiu a necessidade de dizer: “ainda não chegamos lá, vocês vão encontrar oposição no mundo para viver como Igreja de Deus, para experimentar em termos práticos tudo o que Deus tem para vocês”. Ele disse então: “vocês vão encontrar oposição, não de homens de carne e sangue como nós, mas dos principados e potestades que estão nos lugares celestiais que querem nos destruir. Portanto, vocês têm que tomar toda a armadura de Deus para poder resistir às tentativas dessas forças que vão tentar impedi-los na carreira cristã”. Então, quando olhamos para o capítulo 6 de Efésios, particularmente os versos 10 a 20, com a perspectiva da carta como um todo, à luz da eclesiologia de Paulo, algumas lições se tornam evidentes quanto à batalha espiritual.
Em primeiro lugar, devemos ver que o propósito de Paulo é ensinar a Igreja a resistir. Esse é o seu ponto principal. A ordem é: “ficai firmes”. O imperativo aparece três vezes, no versos 1, 13 e 14: “ficai firmes” é a exortação de Paulo.
Combate ou resistência? Alguns entendem essa passagem como uma convocação ao combate. Contudo, ela é uma exortação a que a Igreja resista. Outra coisa que a gente observa é que o soldado cristão, aqui descrito, está numa posição de defesa, a partir inclusive da descrição das armas que lhe são dadas – ele não está partindo para o combate, para conquistar novos campos, para assaltar o inimigo ou derrubar uma fortaleza. Na realidade, ele já conquistou, já colocou o pé em território inimigo. O que ele tem que fazer é resistir firme, esse é o peso da passagem. A Igreja já é vitoriosa, está assentada com Cristo nos lugares celestiais, como Igreja invencível e imbatível. Cristo já venceu todas as batalhas por ela.
O triunfo romano -Colossenses 2: 14-15: “tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”. Essa é uma linguagem militar, das batalhas do mundo antigo. Quando um adversário era vencido era despojado: o vencedor lhe tirava os bens, as mulheres, os filhos, o gado e ainda levava todas as armas, para que não houvesse outra rebelião.
Essa figura é bastante conhecida - “o triunfo romano”; um general, voltando vitorioso, entrava em triunfo com os prisioneiros amarrados atrás dele. E aí as mulheres, as crianças e os velhos jogavam terra, tomate, até excrementos nos derrotados. Eles eram expostos ao desprezo. Paulo deliberadamente está dizendo que, na cruz, Cristo desarmou os principados e potestades; é a mesma expressão que aparece em Efésios. O inimigo foi deixado nu e exposto ao desprezo.
Nesta cena da série “ROMA” da HBO, vemos o triunfo de César e a humilhação/execução do chefe gaulês derrotado, Vercingetorix. A cena é pesada, mas mostra exatamente o que Paulo quis dizer quando se referiu a Satanás e seus príncipes em Colossenses 2:15, “tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz”. 


A Escritura mostra isso de forma indiscutível! Em João 12: 31-33 Jesus diz aos discípulos: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer”. Nessa passagem, Jesus diz que na Sua morte o príncipe desse mundo seria expulso. Ele está dizendo a mesma coisa que Colossenses e Gênesis 3:15. As expressões “esmagar a cabeça”, “desarmar”, e “expulsar o príncipe desse mundo” referem-se, todas elas, a Satanás.
Os relatos de expulsão de demônios estão apenas nos Evangelhos sinóticos: Mateus, Marcos e Lucas. Por que João não narra nenhuma expulsão de demônios? A resposta é a seguinte: João estava preocupado com a maior de todas as expulsões, a expulsão central. Na Sua morte, Jesus expulsou definitivamente a Satanás, o príncipe desse mundo. João, assim, não narra outras expulsões de demônios.
Voltando a Efésios 6, considerando as peças da armadura, veremos que cada uma delas nada mais é do que tudo aquilo que pertence, naturalmente, ao crente, a qualquer um: “verdade de Deus”, “justiça de Cristo”, “fé”, “evangelho” e “palavra de oração”. Não há na passagem nenhuma arma secreta. Todos os crentes em Cristo Jesus possuem essas armas. Para muitos, a armadura é o próprio Cristo. Revestir-se da armadura de Deus é a mesma coisa que revestir de Cristo, em quem estão todos os tesouros da sabedoria e da ciência. Não há nada no texto que dê margem às técnicas especiais de caça ao Diabo ensinadas pela “Batalha Espiritual”.
Paulo começa a tratar dessa batalha (Efésios 6:10) dizendo: “Sede fortalecidos no Senhor e na força do Seu poder”. Essa expressão aparece no capítulo primeiro, quando Paulo ora, no verso 18, para que fossem iluminados os olhos do entendimento daquela Igreja e o coração, para que soubessem qual era a esperança da vocação deles, a riqueza da glória da herança dos santos e a suprema grandeza do seu poder para com os que crêem, segundo a eficácia da força do Seu poder.  
Assim, Paulo exorta a Igreja a que se apodere da vitória de Cristo, daquele poder que ressuscitou Cristo dentre os mortos e O colocou à direita de Deus nos lugares celestiais. Portanto, o guerreiro que está descrito aqui já é vencedor, já conquistou, já colocou o pé no solo inimigo. O que Paulo manda é que esse guerreiro resista às tentativas do inimigo de recuperar aquilo que ele já perdeu e que foi tomado pelo nosso Capitão, o Senhor Jesus.
Uma das ênfases da “Batalha Espiritual” é que a Igreja deve entrar em conflito direto com os principados e potestades; nós temos que sair caçando o Diabo para lhe tomar o território, derrubá-lo, conquistá-lo e implantar a doutrina de Cristo nesses locais. Como se o Diabo já não fosse um inimigo derrotado... Mas o que Paulo está dizendo não é isso. Ele diz que nós já somos vencedores. Sua recomendação é para que a Igreja resista aos ataques.
Precisamos estar conscientes de que estamos numa guerra espiritual. As pessoas que estão lá fora, no mundo, estão debaixo do poder dos demônios e a Igreja tem que ter consciência disso. Porém, mais do que em qualquer outro momento da sua história, a Igreja deve fincar os pés na Escritura e fazer dela o seu manual prático. O que não puder ser provado pela Escritura, ou deduzido de uma forma legítima da Escritura, deve ser rejeitado e colocado fora. A chamada da Igreja, a essa altura, é para a suficiência da Escritura, e todas as nossas práticas devem passar por esse crivo. A nossa oração é que tomemos uma posição de firmeza sem negar a realidade dessas coisas, combatendo-as biblicamente, tomando toda a armadura de Deus que nos é concedida em Cristo. Que Ele nos abençoe!
Com informações baseadas em estudo do Pr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes -http://solascriptura-tt.org/Seitas/Pentecostalismo/BatalhaEspiritual-OMovimento-Nicodemus.htm

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

O que o Novo Testamento diz sobre

Agora temos que ir adiante. Primeiro, falamos do aniversário de Brasília e do clima espiritual pesado dessa cidade. O que nos levou, consequentemente, a discutir a questão dos espíritos territoriais e o mapeamento. E agora, faz-se necessário debater o tema de forma mais ampla, pois praticamente todos os evangélicos, atualmente, falam sobre batalha espiritual, quebra de maldições (“hereditárias” ou não), libertação, espíritos territoriais, mapeamento, e outros temas relacionados.
Em muitas igrejas – inclusive católicas – o exorcismo passou a ser um espetáculo à parte, tendo até mesmo um dia da semana especialmente reservado para si. Elementos de cultos afro incorporados – epa! – à liturgia evangélica, como dirigentes vestidos de branco, água abençoada, sal, rosas etc. Tudo conseqüência de excessos e incompreensões acerca da batalha que, de fato, se trava continuamente nas regiões celestiais. Mas existe muito exagero em certas denominações, nos exorcismos, nas entrevistas com demônios e no poder maligno. O blog “Nani e a Teologia” aborda esse assunto, citando Wayne Grudem e sua “Teologia Sistemática”, destacando os erros das igrejas modernas sobre batalha espiritual (1).
O modelo correto - No Novo Testamento, percebemos que quanto à atividade demoníaca na vida dos cristãos, ou aos métodos de resistir e fazer frente a essa atividade, a ênfase está em exortar ao não pecar, levando uma vida de justiça.
Por exemplo, em 1 Coríntios, diante do problema das "divisões", Paulo não diz à igreja que repreenda o espírito de divisão, mas aconselha simplesmente a falar a "mesma coisa" e a mostrar-se unidos (1 Coríntios 1:10). Diante da desordem na Ceia do Senhor, não se ordena que expulsem o espírito da desordem, glutonaria ou egoísmo, mas simplesmente que esperem "uns pelos outros" e que "examine-se, pois, o homem a si mesmo " (1 Coríntios 11:33, 28).
Podemos encontrar exemplos semelhantes em muitas outras passagens das epístolas. Com respeito à pregação, o modelo do Novo Testamento é sempre o mesmo: embora Jesus ou Paulo expulsassem demônios, não é esse o modelo comum de ministério que se apresenta, pois a ênfase é na pregação do Evangelho (Mateus 9:35; Romanos 1:18-19; 1 Coríntios 1:17-2:5).
Em contraste com a prática da "batalha espiritual estratégica", não se vê no Novo Testamento ninguém que:
(1) convoque ou esconjure "um espírito territorial" ao entrar numa região para pregar o Evangelho;
(2) exija de demônios informações sobre a hierarquia demoníaca local;
(3) diga que devemos crer ou transmitir informações oriundas de demônios;
(4) ensine que as "fortalezas demoníacas" de uma cidade precisam ser derrubadas para que se proclame o Evangelho com eficácia. Antes, os cristãos simplesmente pregam o Evangelho, com o poder de transformar vidas!
Entrevista com o vampiro? Quando Jesus perguntou ao espírito em Gadara qual era seu nome, era apenas para mostrar ao povo que muitos demônios poderiam possuir uma pessoa, como Ele ilustra na parábola da casa vazia. Hoje em dia, já sabemos dessa realidade e não é preciso que o demônio informe qual é o seu nome, de onde veio ou para onde vai, o que veio fazer (basta ler João 10:10!), etc. Até porque ele é mentiroso, e não há porque acreditarmos que tal entidade se chame A ou B. Tem muita gente hoje confiando em informação de ex-bruxos, ex-satanistas etc., que obtiveram tais e tais informações quando estavam ainda sob o poder e influência de Satanás. E dessas informações não precisamos: o que a Bíblia nos ensina é suficiente.
Uma leitura do livro de Atos tem muito a nos ensinar. Quando, por exemplo, Paulo se defrontou com uma jovem possuída por um espírito, não bateu papo com o capeta, mas expulsou-o imediatamente (Atos 16:18). Quando Paulo e Silas foram em cana por pregar o Evangelho, não levaram o fato com “retaliação” do inimigo, mas responderam com cânticos e louvor. Em Corinto, cidade famosa desde a antiguidade pela licenciosidade que escandalizava até os romanos, nenhum apóstolo amarrou “espírito de pornografia” ou de prostituição que supostamente poderia dominar aquele território. Quando chegou a Atenas, Paulo de fato revoltou-se em seu espírito por ver a cidade entregue aos ídolos, mas não rodeou a acrópole nem fez ato profético declarando a libertação do lugar, muito menos ungiu ruas e prédios. Em Éfeso, não se tem notícia dos apóstolos fazendo mapeamento para saber onde estavam as fortalezas satânicas, mas a pregação do Evangelho fez diminuir tanto a idolatria e o comércio dela advindo, que os fabricantes de imagens se revoltaram. Os mágicos se converteram e queimaram seus livros. Em todas essas passagens, a arma era a pregação do Evangelho, e os resultados sempre foram a conversão e a libertação, sem mais estratégias e invenções humanas.
As armas da nossa milícia e a armadura de Efésios - Esses são termos marciais que excitam a imaginação dos mais afoitos. É como o menino que acha bacana o desfile militar, e diz que quando crescer quer ser soldado, inspirado pelas fardas reluzentes, espadas polidas e medalhas faiscantes vistas na parada.
Mas em II Coríntios 10, Paulo diz que as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus para destruir fortalezas. Que fortalezas são essas? Entendo que no contexto geral da carta, o apóstolo está dizendo que não devemos nos fiar na força do raciocínio, da filosofia e da inteligência humanas, mas na Palavra de Deus, que muitas vezes vai de encontro à ciência dos homens. Lembremo-nos de que a Grécia é a pátria da filosofia e do conhecimento, e que Paulo já havia escrito antes aos mesmos coríntios sobre esse assunto (ver 1 Coríntios cap. 1 e 2). Por isso devemos levar “cativo todo pensamento à obediência a Cristo” (2 Co 10:5). Esse é o contexto das armas da nossa milícia.
Quanto à armadura, muitos pensam na armadura medieval, aquela dos cruzados ou do Rei Artur. Uma cobertura completa de metal pesado, uma espadona poderosa, talvez uma lança, machado, etc. Armas para meter medo em qualquer um.
Mas a armadura a que Paulo se refere não é desse tipo. Quase tudo neste texto é para defesa, não ataque. Muito provavelmente Paulo teve essa revelação ao observar o soldado que o acompanhava na prisão, um soldado que está de guarda! Ele não tem arma de ataque! É diferente dos soldados de uma falange grega, que usavam longas lanças, espetando os inimigos lá na frente. A armadura romana capacita o soldado a resistir ao ataque do inimigo! Para o ataque os romanos tinham outras táticas: cavalaria, catapultas, a formação da falange, o revezamento, o lançamento do pilo (uma lança curta e pesada), etc. O soldado romano não tem arma de longo alcance, como arco e flecha, lanças e dardos – pelo contrário, quem usa dardo é o inimigo, por isso devemos usar capacete e escudo. Em Efésios não se fala de pedras ou estilingues, nem de projéteis inflamados, como no filme “Gladiador”.
A única arma relacionada ao ataque em Efésios 6 poderia ser a espada. Mas a espada romana é curta, pouco mais que um punhal ou adaga, apropriada para o combate a curta distância; na prática, é quase uma arma de defesa pessoal. É uma arma para se usar apenas quando o inimigo chega perto o bastante para ser atingido. No mais, todo o resto é para a defesa e proteção: capacete, escudo, couraça, o calçado. O motivo? A guerra já está ganha, o território já está conquistado: o cristão deve guardar o que já domina, para não ser surpreendido. Por isso deve ficar firme e resistir! Essa é a mensagem de Efésios!
Conclusão - Aprendemos, portanto, que o ensinamento apostólico nesse contexto é “ficar firme”. Imediatamente antes de descrever a armadura que devemos usar, Paulo diz: “Finalmente, fortalecei-vos”. A armadura é o ponto final da carta, que começa falando sobre a soberania de Cristo (cap. 1), a salvação que Ele nos provê pela graça e o acesso que agora temos ao Pai (cap. 2). Depois, no cap. 3, aprendemos sobre o mistério de Cristo, que é a Igreja, cujo funcionamento é explicado no cap. 4, com base no comportamento individual detalhado nos cap. 4, 5 e início do 6. Aí sim, depois de tudo isso, devemos ficar firmes nesse entendimento e, para guardar o que recebemos, usamos a armadura, onde o capacete protege nossa mente, o escudo detona os dardos do inimigo e assim por diante.
A estratégia do cristão é ficar firme. É permanecer no ensino dos apóstolos. É resistir ao diabo, depois de se humilhar perante Deus, conf. Tiago 4:7. Para isso é que serve a armadura. Não para sair por aí atacando o inimigo nas suas fortalezas.
Vai ter mais.

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domingo, 9 de maio de 2010

Mapeamento espiritual e espíritos territoriais

Já discutimos antes a situação de Brasília, onde é patente o “bad mojo” espiritual – possivelmente por influência de toda a carga de misticismo que cerca o lugar desde a fundação, torna-se inevitável a pergunta: isto tem a ver com espíritos territoriais? Deve a Igreja fazer o chamado mapeamento espiritual para determinar com exatidão quem são e onde estão os demônios responsáveis por essa situação, para melhor combatê-los?
No livro de C. Peter Wagner “Espíritos Territoriais”, lemos que os espíritos demoníacos ocupam determinados territórios geográficos, que podem abranger países, estados, cidades, bairros, e até casas e ruas. A idéia é que para cada região existam demônios cujo trabalho é cegar as pessoas do local, levá-las à perdição através do ocultismo, Nova Era, astrologia, satanismo, uso de pirâmides, cristais, bruxaria, macumba, etc. O segundo objetivo desses demônios seria oferecer resistência aos esforços da Igreja para entrar na área. Para isso eles cegam e oprimem os crentes.
Outro ponto interessante é o quartel general dos demônios. Peter Wagner defende a idéia de que há um local, conhecido como “trono de Satanás”, onde o líder dos demônios da região tem o seu quartel general e de onde controla os seus subordinados. Por conseguinte, a Igreja não pode progredir, crescer e evangelizar enquanto não neutralizar essas forças espirituais. Seria inútil a Igreja começar uma campanha de evangelismo numa área sem primeiro neutralizar esses espíritos territoriais entrincheirados. Primeiro teríamos que “amarrar o valente” e só depois “saquear a casa”: só assim a Igreja pode entrar, evangelizar e conquistar as pessoas para Cristo.  
A Igreja não deveria ficar na defensiva. Essa é a estratégia missionária da “Batalha Espiritual” associada ao “crescimento da Igreja”. Para eles, a reflexão sobre Efésios 6, mostrando que a Igreja já é vitoriosa e deve defender o território, é inaceitável. Segundo a “Batalha Espiritual”, temos que sair caçando Satanás, conquistando territórios, neutralizando a ação dos demônios e travar uma batalha cósmica nas regiões celestes.
De acordo com esse ponto de vista, a igreja precisa conhecer a região, estudar a história do lugar onde se deseja evangelizar, bem como as características econômicas, políticas, sociais e morais, e discernir a entidade espiritual que ali atua, amarrando-a em nome de Jesus. Assim como se pode ir para uma cidade e mapear as suas diversas localidades e os seus acidentes geográficos, pode-se também fazer um mapa das regiões celestiais. Haveria uma superposição do que está acontecendo nas regiões celestes com o que está acontecendo na terra.Segundo Wagner, nem todo mundo pode ser um guerreiro de oração, se não estiver preparado; Satanás vai devorá-lo no café da manhã. E como ninguém quer ser devorado por Satanás no café da manhã, os crentes vão em massa para o simpósio de “Batalha Espiritual” aprender com os peritos as estratégias e as táticas para enfrentar o inimigo e conquistar seus territórios. Esses peritos ensinam aos crentes os segredos de como atacar, nas regiões celestiais, essas forças espirituais.
Resumindo, o mapeamento espiritual consistiria em descobrir basicamente duas coisas:
a) onde estão localizados os demônios que controlam uma determinada região;
b) quais os nomes deles e suas características.
A idéia é que o conhecimento do nome do demônio dá poder sobre ele. Por isso tanta ênfase ao nome dos demônios. Essa idéia veio, possivelmente, do gnosticismo antigo. Os gnósticos acreditavam que quando se tinha determinado conhecimento, obtinha controle de Deus e podia ter acesso a Ele quando quisesse. Isso, portanto, é um reavivamento de certos aspectos do gnosticismo: quando se conhece o nome de um demônio tem-se autoridade sobre ele.
Radar espiritual - Quanto à questão do trono de Satanás, Wagner ensinou um método para localizá-lo e derrubá-lo. Primeiro, toma-se o mapa da região, divide-o em quadros e anda-se por eles orando em cada um deles. Na área em que a maior opressão se manifestar, onde se torna quase impossível orar, é que está a maior concentração de demônios e ali, possivelmente, estará o trono de Satanás. O que deve ser feito é a promoção de uma corrente de oração trazendo guerreiros de oração para que derrubem o trono de Satanás. Uma vez feito isso, a região estará livre e poderá ser evangelizada com sucesso. No livro “Espíritos Territoriais” há uma ilustração interessante: na fronteira do Brasil com o Uruguai, um cidadão recebeu um folheto, mas ao lê-lo, nada aconteceu. Mas quando cruzou a fronteira e entrou no Brasil, ele se converteu. Explicação: os demônios do lado do Uruguai estavam soltos, ao passo que, no lado brasileiro, eles estavam amarrados. Assim, ninguém se converte enquanto essas entidades não forem anuladas. Essa é a implicação do conceito do movimento de que todo mal existente no mundo é causado pela ação direta de um demônio. Portanto, a solução sempre seria a de atacar os demônios.
Em vários encontros, congressos e simpósios, ensina-se a fazer mapas espirituais; localizar e derrubar o trono de Satanás; orar intercessoriamente, em voz alta, determinando a queda das fortalezas; amarrar demônios pela palavra, especialmente os demônios ligados a vícios em geral, como embriaguez, uso de drogas, etc.; dar ordens diretas aos demônios, repreendê-los e mandá-los para o abismo.
Por acaso, a Bíblia nos relata Paulo escrevendo aos crentes para que fizessem um mapeamento espiritual das cidades onde moravam? Por acaso o Senhor Jesus nos ensina a descobrirmos os nomes dos demônios que oprimem uma nação, a fim de que os amarremos? Você vê Pedro em suas epístolas exortando os cristãos a descobrirem os pontos nevrálgicos de uma cidade a fim de que vençamos Satanás?
As Sagradas Escrituras em momento algum nos ensinam essas estratégias mirabolantes de batalha: em nenhum instante, o Novo Testamento nos concede respaldo teológico para o mapeamento espiritual. O Senhor Jesus Cristo, em nenhum episódio, nos orienta a mapear regiões, ou descobrir nomes de demônios e amarrá-los. O que nos cabe fazer é obedecer integralmente suas ordens pregando o Evangelho integral a toda criatura, crendo que ele é poderoso para a salvação de todo aquele que nele crê, como também para expulsar da vida dos homens toda sorte de espíritos malignos. “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mateus 29:18,19); “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15).

Apenas isto é o suficiente!




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