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terça-feira, 30 de março de 2010

Dignas de veneração, ou apenas fraudes?

A grosseira superstição que acompanha o uso de relíquias revela a inconsistência do sistema religioso de base romana. Entre as mais veneradas estão os pedaços da “verdadeira cruz”. Calvino já mencionava a inconsistência de várias relíquias em seus dias. Várias igrejas diziam possuir a coroa de espinhos; outras, as talhas usadas por Jesus no milagre de Caná. Um pouco desse vinho podia ser achado em Orleans. Outra igreja alegava ter um pedaço de peixe que Pedro ofereceu a Jesus. Calvino disse:
“Deve ter sido maravilhosamente bem salgado, para ser conservado por tão longa série de eras”.

O “berço de Jesus” era exibido cada Natal na igreja de Santa Maria Maior em Roma. A de São Tiago, em Roma, apresentava o altar no qual Jesus foi colocado quando foi apresentado no templo. Até mesmo a pele do prepúcio (de sua circuncisão) era mostrada pelos monges de Charroux, que, como prova de sua autenticidade, derramava sangue. Mas outras igrejas afirmavam que possuíam o “santo prepúcio”, incluindo uma em Coulombs, França, São João em Roma, e a Igreja de Puy em Velay. Outras afirmavam que tinham fraldas de Jesus.
Outras relíquias incluem as ferramentas do carpinteiro José, ossos do jumentinho no qual Jesus entrou em Jerusalém, o cálice da Última Ceia, a bolsa de Judas (e também algumas das moedas da traição), a bacia de Pilatos, o manto lançado sobre Jesus pelos soldados, a esponja levantada a Ele na cruz, cravos da cruz, cabelos da virgem Maria (uns castanhos, outros louros, alguns ruivos, e outros pretos), suas saias, seu anel de casamento, sandálias, véu, e até mesmo a mamadeira de Jesus. Várias igrejas diferentes reclamam ter o corpo da mãe de Maria, embora nada saibamos a respeito dela, só que recebeu o nome de “SantAna” poucos séculos atrás! Ainda mais difícil é uma história a respeito da casa de Maria. Crê-se, com aval papal, que a casa de Maria em Nazaré está agora na Itália, transportada pelos anjos.
The Catholic Encyclopedia diz: “Desde o século XV, e possivelmente até antes disto, a “Santa Casa” de Loreto tem sido enumerada entre os mais famosos santuários da Itália... Um altar fica numa extremidade abaixo de uma estátua enegrecida pelo tempo, da Virgem Mãe e seu Divino Infante... digna de veneração em todo o mundo, por causa dos divinos mistérios realizados nela... Foi aqui que a santíssima Maria, Mãe de Deus, nasceu; foi aqui que ela foi saudada pelo Anjo; foi aqui que o Verbo eterno foi feito Carne. Os anjos transportaram esta Casa da Palestina no ano da salvação de 1291... Três anos depois, no princípio do pontificado de Bonifácio VIII, ela foi levada novamente pelo ministério dos anjos e foi colocada em um bosque... onde tendo mudado sua estação três vezes no decorrer de um ano, completamente, pela vontade de Deus ela tomou sua posição permanente neste local... Que as tradições proclamadas assim, de maneira rude, para o mundo tem sido plenamente sancionadas pela Santa Sé, nem por um momento pode permanecer em dúvida. Mais de 47 papas têm prestado homenagem ao santuário, e um imenso número de Bulas proclama a identidade da Santa Casa de Loreto com a da Santa Casa de Nazaré”.
A veneração de corpos mortos de mártires foi ordenada pelo Concílio de Trento, o mesmo que também condenou quem não acreditava nas relíquias: “Os santos corpos dos santos mártires... devem ser venerados pelos fiéis, pois através desses corpos muitos benefícios são derramados por Deus sobre os homens, de modo que, aqueles que afirmam que veneração e honra não são devidas às relíquias dos santos... devem ser completamente condenados, como a Igreja há muito os tem condenado e ainda os condena”. Daí, já que “muitos benefícios” advinham dos ossos, a venda de cadáveres tornou-se um grande negócio.Em torno do ano 750 longas filas de carroções constantemente vinham para Roma, trazendo imensas quantidades de crânios e esqueletos que eram vendidos pelos papas.
Sepulturas eram violadas durante a noite e túmulos nas igrejas eram vigiados por homens armados. “Roma”, diz Gregorovius, “era como um cemitério mal-cheiroso, no qual hienas uivavam e brigavam, enquanto cavavam avidamente à procura de cadáveres”. Existe na Igreja de São Praxedes uma placa de mármore a qual afirma que em 817, o “papa” Pascoal transferiu para lá os corpos de 2.300 mártires. Quando o Bonifácilo IV converteu o Panteão romano em igreja cristã (cerca do ano 609), 28 carretas carregadas de ossos foram descarregadas em uma bacia de pórfiro abaixo do altar-mor.Para se consagrar o terreno e o prédio de uma igreja, tinha que ter debaixo dela ossos ou outras relíquias. A Catedral de Wittenberg, onde Lutero afixou as “95 Teses”, tinha 19.000 relíquias. Os bispos foram proibidos pelo segundo Concílio de Nicéia (787) de dedicar um edifício se não houvesse qualquer relíquia, sob penalidade de excomunhão. Não vemos relíquias como algo que tem parte na verdadeira adoração, pois “Deus é Espírito, e importa que aqueles que O adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24). Alguns ossos que já foram aclamados como ossos de santos foram revelados como ossos de animais. Uma catedral certa vez foi apresentada com o que se dizia ser parte de uma asa do anjo Gabriel. Sob investigação, contudo, descobriu-se que era uma magnífica pena de avestruz.
A Enciclopédia Católica Popular afirma que, “originalmente eram os restos mortais dos mártires da fé que, no lugar da sepultura, passaram a ter veneração a eles referida. Depois também se veneraram as relíquias dos confessores da fé e de outros fiéis com fama de santidade. Perante o perigo de profanação dos túmulos pelos povos bárbaros, muitas relíquias foram levadas para lugares seguros; e começaram a trocar-se entre Igrejas relíquias dos seus santos. Tal costume acentuou-se com as Cruzadas, que trouxeram para o Ocidente muitas relíquias de santos orientais. O desejo muito generalizado de possuir relíquias levou ao comércio de falsas relíquias, o que deu argumentos às críticas dos reformadores protestantes, levando o Concílio de Trento a defender o culto das relíquias. As formas tradicionais do culto das relíquias são a exposição, as procissões e, a bênção com elas (à semelhança da ‘bênção do santíssimo sacramento’. O Concílio Vaticano II aboliu a obrigatoriedade de relíquias nos altares, embora recomende a colocação de relíquias autênticas na sua base (CDC 1237,2). Não é permitido vender relíquias, nem transferir ou alienar relíquias insignes ou de grande devoção do povo, sem autorização da ‘Santa Sé’. São particularmente insignes os instrumentos da Paixão de Cristo, partes do santo lenho, da coroa de espinhos, os cravos e, se for autêntico, o sudário de Turim” (http://www.ecclesia.pt/catolicopedia).
Mas, como se sabe, a distância entre o catolicismo “oficial” e o “popular” é imensa. Na prática, reina o culto a quinquilharias, sem nenhum exame crítico das peças.
Mas, mesmo que tivéssemos um dos cabelos de Maria, ou um osso do apóstolo Paulo, ou as vestes de Jesus, Deus se agradaria com estas coisas sendo colocadas como objeto de culto? De acordo com o exemplo da serpente de bronze de Moisés, Deus não se agradaria. Podemos somente perguntar: se não haveria virtude real no verdadeiro cabelo, osso, ou vestido, quando menos poderá existir mérito em relíquias que se sabe que são falsificações?
“Deus é Espírito, e importa que aqueles que O adoram o adorem em espírito e em verdade" (João 4:24).

"Babilônia: A Religião dos Mistérios", de Ralph Woodrow
27230

quinta-feira, 25 de março de 2010

Não foi na sexta-feira

Durante a semana chamada "santa", pessoas fazem penitência
por todo o mundo, param de comer carne, distribuem ovos de chocolate e às vezes até pensam com tristeza no sacrifício de Jesus. Até choram com pena de Jesus, coitado, que era tão bom, mas sofreu nas mãos dos romanos e judeus malvados. O senso comum, poluído pela tradição e avesso à investigação bíblica, diz que "a paixão" de Jesus foi numa sexta-feira, e daí o nome "sexta-feira da paixão" ou "sexta-feira santa". Mas isso faz sentido?
A "Regra de Ouro" da interpretação é:
"Quando a interpretação direta-imediata e literal das Escrituras faz sentido, não procure nenhuma outra interpretação. Portanto, interprete cada palavra no seu sentido literal, usual, costumeiro e mais comumente usado, a não ser que os fatos do contexto imediato indiquem claramente o contrário, quando estudados à luz de passagens correlatas e de verdades fundamentais e axiomáticas." (Dr. David L. Cooper).
A interpretação segundo esta regra é chamada de Interpretação Literal-Gramatical, e é a única interpretação que honra e é consistente com a soma de tudo que Deus diz sobre a Sua própria Palavra Escrita; é a única interpretação aceitável pelos verdadeiros crentes; é a única interpretação usada antes de Orígenes ter contaminado a cristandade com a mortal peçonha do alegorismo.
À luz desta regra de ouro da interpretação, examinemos Mateus 12:40: "...assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra". Ora, este verso clara e irresistivelmente demole a teoria de que Cristo morreu numa sexta-feira. Se tivesse sido assim, Ele teria ficado no seio da terra somente 2 noites (da sexta para o sétimo dia e do sétimo dia para o domingo)! Portanto, Cristo teria errado ou mentido ao proferir a profecia acima, e não poderia ser Deus, uma vez que é impossível que Deus minta ou erre!
Ah, você pergunta: "Mas isto não se choca com Marcos 15:42, com Lucas 23:54, 56, e com João 19:31??? Que ensinam que o dia subseqüente ao da crucificação foi um sétimo dia??? Se o dia seguinte foi um sétimo dia, então não tem o dia da crucificação de ter sido uma sexta-feira???..."
"Ao cair da tarde, como era o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado". (Marcos 15:42).
"E era o dia da preparação, e amanhecia o sábado". (Lucas 23:54).
"Então voltaram e prepararam especiarias e ungüentos. E no sábado repousaram, conforme o mandamento". (Lucas 23:56).
"Ora, os judeus, como era a preparação, e para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, pois era grande aquele dia de sábado, rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados dali". (João 19:31).

Não, não e não.

A palavra "sábado", usada em Marcos 15:42, Lucas 23:54,56 e João 19:31, somente tinha um sentido literal-gramatical OBRIGATÓRIO, que é o de "cessação, repouso dos trabalhos". Portanto, a palavra "sábado" podia ser e era usualmente aplicada em dois sentidos:
(1) o sétimo dia da semana: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou". (Êxodo 20:8-11).
(2) um outro dia qualquer, desde que Deus também tivesse ordenado que fosse de cessação dos trabalhos. No caso em pauta, é o dia da preparação ou primeiro dia da Festa dos Asmos, Deus determinara cessação dos trabalhos: "E aos quinze dias do mesmo mês haverá festa; por sete dias se comerão pães ázimos. No primeiro dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis" (Números 28:17-18).
Ora, uma vez que Mateus 12:40 só tem um sentido literal-gramatical possível (três dias literais mais 3 noites literais), fica definitivamente demolida a teoria da crucificação na sexta-feira!
Portanto, à luz de Mateus 12:40, podemos concluir, com toda segurança, que a crucificação só pode ter sido numa quarta ou numa quinta-feira.
Analisemos mais estas duas únicas outras possibilidades:
a) Crucificação na quinta-feira (se o dia de repouso, correspondente ao 1° dia dos Asmos, caiu numa sexta-feira); neste caso, as três noites seriam:
1 - a da quinta-feira para a sexta-feira;
2 - a da sexta-feira para o sétimo dia (sábado); e
3 - a do sábado (sétimo dia) para o domingo;
e os três dias (períodos de luz do sol) não seriam completos, mas seriam aproximadamente assim:
1 - finzinho da tarde da sexta-feira - o embalsamamento do corpo do Senhor e o lacramento da pedra (porta do túmulo) teriam que ter sido feitos antes do anoitecer;
2 - todo o dia (período de luz de sol) do sétimo dia; e
3 - comecinho do dia (período de luz do sol) do domingo.
Isto acarreta dois problemas incontornáveis.
O primeiro  é que Cristo teria ficado sob o seio da terra desde a tarde da quinta feira até pouco depois do raiar do sol do domingo, no máximo 62 a 64 horas. O segundo problema, de gravidade irresistível, é que João, o apóstolo, diz que Cristo já ressuscitara quando ainda era escuro! "E no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro". (João 20:1). Assim, não houve sequer o "3 - comecinho do dia (período de luz do sol) do domingo"! Então fica definitivamente demolida a teoria da crucificação na quinta-feira!
b) Crucificação na quarta-feira (se o dia de repouso, correspondente ao 1° dia dos Asmos, caiu numa quinta-feira).
Analise a cronologia a seguir, e veja como ela se enquadra natural e perfeitamente com toda a Bíblia:
- Cristo morreu na quarta-feira, que era véspera do "grande sábado", ou seja, um "sábado especial" (João 19:31);
- A tumba, após o longo embalsamamento do corpo de Cristo, foi fechada e lacrada, provavelmente próximo ao raiar o sol da quinta-feira (é exatamente no instante do fechamento da tumba que começaram os 3 dias e 3 noites profetizados em Mateus 12:40). Explicação: estar no seio da terra pode significar estar totalmente envolto por ela, profundamente sob ela, fechado por ela, a porta fechada; assim, os 3 períodos de 24 horas somente são contados entre o fechamento da porta e a saída de Jesus ressuscitado); e
- Cristo ressuscitou exatamente 72 horas depois do lacramento da porta, provavelmente próximo ao raiar o sol do domingo; logo após, retirou-se atravessando a pedra da porta; só depois a pedra-porta do túmulo foi removida - não para dar passagem ao corpo glorificado de Cristo, que podia atravessar matéria, mas sim para os soldados verem o milagre; e para Pedro, João e as mulheres verem o túmulo vazio e até entrarem nele, para testificarem.
Para maior clareza, vamos repetir:
As 3 noites, totalizando 36 horas, podem ter sido:
- a da quinta-feira para a sexta-feira (18:00 às 6:00 horas = 12 horas);
- a da sexta-feira para o sétimo dia (18:00 às 6:00 horas = 12 horas); e
- a do sétimo dia para o domingo (18:00 às 6:00 horas = 12 horas).
E os 3 dias (períodos de sol), totalizando 36 horas, podem ter sido:
- o da quinta-feira (6:00 às 18:00 horas = 12 horas);
- o da sexta-feira (6:00 às 18:00 horas = 12 horas); e
- o do sétimo dia (6:00 às 18:00 horas = 12 horas).
Tudo isto casa com o fato de que, segundo complexos relacionamentos das mudanças de calendário e cuidadosos cálculos astronômicos (a páscoa dependia do ciclo lunar) os mais cuidadosos estudiosos determinaram que o dia 15 do mês de Nissan do ano 32 (começo da festa dos Asmos) foi uma quinta-feira, mas foi também um sábado (dia santificado para cessação de trabalhos e repouso, por ser o 1o. dia da festa dos pães asmos), de modo que o dia da quarta-feira, sua véspera, podia ser legitimamente chamado de "véspera do sábado".
Fica definitivamente provado que a crucificação de Cristo foi numa quarta-feira.
Pastor Hélio M. da Silva
(Preparado por Daniel Borges 01/05/2003)
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domingo, 5 de abril de 2009

Páscoa sim, mas "quaresma"...

A Páscoa (do hebraico
Pesach = passagem) é considerada, ao lado do Natal, uma das mais importantes festas da cristandade. Na Páscoa, os cristãos celebram a Ressurreição do Senhor, ocorrida nesta época do ano, quando Jesus foi condenado pelo governador (praefectus) romano Pôncio Pilatos. Como se sabe, esses fatos se deram durante o Pesach, ocasião em que os judeus comemoram a libertação e fuga de seu povo escravizado no Egito.

A palavra Páscoa advém do nome em hebraico ao qual a data cristã acabou intimamente ligada, não só pela posição no calendário, mas também pelo sentido simbólico de “passagem”. A última ceia de Jesus com os discípulos ocorreu, na verdade, na véspera, no “sêder do pesach” – antes da festa judaica, de acordo com os Evangelhos. Decerto, há similaridades entre as duas festas: assim como os judeus foram libertos, os cristãos são livres do pecado; assim como o sangue de um cordeiro, aspergido nos umbrais das portas, livrava da morte, o sacrifício de Jesus garante a salvação eterna do cristão. Na Sua infinita sabedoria, Deus preparou toda a simbologia judaica para apontar para o sacrifício definitivo e suficiente de Seu Filho na cruz.
Mas hoje a Páscoa está totalmente descaracterizada. O protagonista deixou de ser Jesus e passou a ser o coelho e montanhas de “ovos de páscoa”, para alegria das crianças e fábricas de chocolate. Os pretensos religiosos tentam passar uma imagem de santidade e contrição, evitando comer carne e elevando astronomicamente o preço do bacalhau.
O que isto tem a ver com a verdadeira Páscoa? E de onde vieram esses costumes? Será que os primeiros cristãos davam ovos uns aos outros? Pedro ou Paulo acaso dirigiram cultos de Páscoa? Os apóstolos faziam algum tipo de lamentação em honra da “paixão de Cristo”, com abstinências, jejum e dias “santos”? De onde veio a “sexta-feira da paixão”? Como surgiu a “quaresma”? A igreja primitiva comia bacalhau? Quem inventou a semana chamada “santa”?
Certamente as Escrituras jamais associaram a sexta-feira chamada “santa” com peixe. Na verdade, tudo aponta é para o mais baixo e vil paganismo. “Freya”, uma antiga divindade da paz, alegria e fertilidade, era simbolizada por um peixe. Curiosamente, dela vem o nome inglês “friday” (sexta-feira). Entre os chineses, o peixe também era símbolo da fertilidade, assim como para os assírios, fenícios, babilônios e outros povos, por uma simples razão: um prosaico bacalhau põe, anualmente, mais de 9 milhões de ovos! Um linguado, um milhão, o esturjão, 700 mil, e por aí vai. O peixe também era símbolo de Vênus, deusa do amor e da sensualidade. Seu dia sagrado era a sexta-feira, quando se comia peixe em sua honra. O peixe também era visto como sagrado para Astarote, deusa fenícia que chegou a ser adorada por israelitas apóstatas na Antiguidade.
Também no idioma inglês, a palavra que designa a páscoa é “easter”. A tradução correta seria feita a partir da palavra grega “pascha”, que não tem tem qualquer relação com “easter”; ora, sabe-se muito bem que “easter” não é uma expressão cristã. Não é nada mais nada menos do que a forma moderna de “Eostre” (uma deusa germânica da primavera, homenageada todos os anos no mês de Eostremonat), “Ostera”, “Astarte”, “Astarote” ou “Ishtar”.
Outro lamentável costume vem de tradições que em nada revelam Cristo: os ovos “de páscoa”, coloridos e alegremente comidos por crianças inocentes e adultos descontrolados. Mas de fato isto vem de outro mito, segundo o qual um ovo enorme caíra do céu no Rio Eufrates, em tempos imemoriais. Deste ovo foi chocada a deusa Astarte (Easter). O mito se espalhou, e na Europa druídas celtas carregavam o emblema do ovo em suas cerimônias. Nos templos pagãos, ovos coloridos eram usados como símbolos da fertilidade. A procissão da deusa da agricultura, Ceres (de onde vem a palavra “cereal”) em Roma era precedida por um ovo. Na China se usavam ovos coloridos nos festivais sagrados. Entre os egípcios, associava-se o ovo ao deus do sol – um ovo dourado.
Durante a Idade das Trevas, quando catolicismo multiplicou suas superstições e adotou costumes pagãos, buscou-se “cristianizar” essas práticas, sugerindo que, assim como um pintinho sai do ovo, assim também Cristo saíra do túmulo. O “papa” Paulo V (1605-1621) mandou que se rezasse assim: “Abençoa, Senhor, esta tua criatura de ovos, para que se torne um sustento completo para teus servos, comendo-os em rememoração de nosso Senhor Jesus Cristo”! (Enciclopédia Católica, vol 5, p. 227, artigo “Páscoa”).
O mesmo ocorreu com o coelho. Um bichinho de estimação popularizado por sua imagem simpática, mas que acabou associado, de uma forma ou outra, a símbolo da fertilidade, com significado pesado de sexualidade e promiscuidade, e agora se misturou a uma das mais prezadas datas da Cristandade!
A sexta-feira chamada “santa” fica no final do período chamado “quaresma”, 40 dias de lamentações e penitências. Não há indícios disto na Bíblia; então, como surgiu essa aberração? Novamente, os que se arvoram os únicos intérpretes de Deus na Terra, lá de seus castelos em Roma, concordaram na mistura com as práticas pagãs.
Na Babilônia, a mãe de todas as idolatrias, havia uma lenda na qual Tamuz, o filho de Ishtar, após ser morto por um urso bravo aos 40 anos de idade, desceu ao mundo dos mortos; mas por causa do choro de sua mãe (também identificada como Semíramis, a esposa de Ninrode), foi misteriosamente revivido no início da primavera. Assim, a cada ano, a lamentação de Ishtar/Semíramis por Tamuz era reencenada para assegurar a fertilidade e o sucesso das colheitas. Quarenta dias de lamentações, um dia para cada ano de Tamuz sobre a Terra, acompanhados de jejuns, choro, penitências e flagelações! Israelitas rebeldes chegaram a participar desses rituais, sendo por isso condenados por Deus, conforme lemos em Ezequiel 8:12-14: “Então me disse: Viste, filho do homem, o que os anciãos da casa de Israel fazem nas trevas, cada um nas suas câmaras pintadas de imagens? Pois dizem: O Senhor não nos vê; o Senhor abandonou a terra. Também me disse: Verás ainda maiores abominações que eles fazem. Depois me levou à entrada da porta da casa do Senhor, que olha para o norte; e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando por Tamuz”.
Quando a colheita florescia na primavera, o povo entendia que era Tamuz retornando, acabando com o inverno e trazendo de novo o calor do sol. A Encyclopedia Britannica diz: “O cristianismo incorporou em sua celebração do grande dia de festa cristão muitos dos rituais pagãos e costumes do festival da primavera”! (vol. 7, pag. 859, artigo “Páscoa”). A Enciclopédia Católica afirma em seu volume 3, pag. 484, no artigo “Celibato”: “Escritores do quarto século tiveram a tendência de descrever muitas práticas – como o jejum da quaresma – como de instituição apostólica que certamente não tinha razão de ser vista assim”!
Existem, de fato, controvérsias acerca deste mito. Ralph Woodrow escreveu sobre isto em um livro baseado em Hislop, historiador do século XIX, mas depois de estudar mais profundamente verificou que nem tudo era verdade ou tinha bases históricas confiáveis. Até mesmo retirou de circulação o primeiro livro e escreveu outro “corrigindo “ as falhas que percebera; mas são intrigantes as semelhanças entre antigos mitos e as cerimônias “cristãs” da atualidade!
Em todo caso, não é estranho alguma tribo ou povo pagão observar jejum em honra de um ídolo e os “cristãos” fazerem o mesmo em honra a Cristo? Ainda que o ovo fosse largamente usado pelos pagãos, não poderíamos continuar o costume como se esse ovo fosse o sepulcro de onde sai o Senhor? Por que não adotar costumes idólatras e transformá-los em ritos “cristãos”? Parece muito lógico... mas a Bíblia (que as pessoas não ousam ler sem o consentimento do “sagrado magistério”) adverte:
“Quando o Senhor teu Deus exterminar de diante de ti as nações aonde estás entrando para as possuir, e as desapossares e habitares na sua terra, guarda-te para que não te enlaces para as seguires, depois que elas forem destruídas diante de ti; e que não perguntes acerca dos seus deuses, dizendo: De que modo serviam estas nações os seus deuses? pois do mesmo modo também farei eu. Não farás assim para com o Senhor teu Deus; porque tudo o que é abominável ao Senhor, e que ele detesta, fizeram elas para com os seus deuses... Tudo o que eu te ordeno, observarás; nada lhe acrescentarás nem diminuirás” (Deuteronômio 12:29-32).
DOA A QUEM DOER.
(com referências de “Babilônia, a Religião dos Mistérios - Antiga e Moderna”, de Ralph Woodrow, 1966)