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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Fé racional, um paradoxo?

“A crença religiosa é contra o senso comum. Não há anjos, demônios, céu, inferno, fantasmas, bruxas, nem milagres. Essas crenças supersticiosas são promovidas com o propósito de fazer crer que, dando dinheiro à classe sacerdotal, as pessoas serão favorecidas por um dos deuses. Não há nada sobrenatural – nada contrário à lei natural”.
Quem escreveu isto foi James Harvey Johnson, em seu livro “Religião, uma fraude gigantesca”. E pode ter certeza, ele traduz o pensamento de muita gente hoje em dia, esclarecida ou não.
Essas mesmas pessoas acusam os cristãos de “assassinar suas mentes” quando crêem na inspiração da Bíblia, em milagres e na ressurreição de Cristo. Os incrédulos supõem que a crença cristã está baseada na ignorância e que esta fé é algo cego e não inteligente.
Na verdade é justamente o contrário. A fé cristã é uma fé inteligente; ela não consiste em um ato impensado, desvinculado da realidade. A Bíblia encoraja tanto o crente como o não-crente a usarem a inteligência quando investigam o Cristianismo.
Jesus Cristo disse certa vez, citando o Antigo Testamento: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento (Mateus 23:27, ênfase acrescentada). O apóstolo Paulo escreveu: “Porque eu sei em quem tenho crido” (II Timóteo 1:12), e à igreja em Tessalônica, “julgai todas as coisas” (I Tessalonicenses 5:21).
João advertiu as pessoas a “provar os espíritos”, no sentido de “fazer um teste” (I João 4:1); isto, sem dúvida, envolve o uso da mente, extensivamente. Além destas, outras referências ilustram a necessidade de usar a mente em relação à fé cristã: 
“E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente [inteligentemente], disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-lhe mais nada” (Marcos 12:34).
“E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento (Filipenses 1:9).
“Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação; tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos” (Efésios 1:17-18).
“Falo como a entendidos [cf. sábios, inteligentes, criteriosos]; julgai vós mesmos o que digo” (I Coríntios 10:15).
Desde as eras mais antigas, Deus sempre mostrou respeito pelos homens de integridade intelectual. Ele disse aos israelitas que ignorassem qualquer profeta que fizesse uma predição falsa (Deuteronômio 18:22). Ele desafiou os ídolos dos gentios a provarem sua deidade. Como a resposta foi nula, Ele então deu a sua sentença (Isaías 41:21-24).
Apesar disso, muitos cristãos não sabem explicar porque crêem, embora as Escrituras deixarem claro que eles deveriam saber. “Estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (I Pedro 3:15).
A Bíblia nos exorta a usarmos a mente ao nos decidirmos por Jesus Cristo. O Cristianismo é sensato, é racional; mas não se chega a Cristo só com o intelecto. A fé precisa ser exercitada; mas é uma fé baseada em fatos, não em falsa esperança. A fé cristã é um passo em direção à luz e à iluminação, e não um salto no escuro como querem fazer crer. Paulo, ao falar de sua fé, disse “o rei, diante de quem falo com ousadia, sabe estas coisas, pois não creio que nada disto lhe é oculto; porque isto não se fez em qualquer canto” (Atos 26:26). Em outras palavras, o que acontecera, era notório, todos sabiam, todos haviam testemunhado como fatos verídicos – que Jesus Cristo havia sido crucificado e ressurgira dos mortos ao terceiro dia, e depois de instruir seus discípulos, subira aos céus prometendo voltar em breve. Todos esses fatos podiam ser ponderados e avaliados por qualquer um que desejasse investigar a sua validade. Os milagres aconteciam à vista de todos, e por causa disso os cristãos primitivos desafiaram o mundo para ver “se as coisas eram assim mesmo”. Eles não desencorajavam os céticos dizendo “apenas creiam”. Eles encorajavam sua curiosidade para verificar os fundamentos da fé (Atos 17:11).
Muitas pessoas se esforçaram para solapar a fé cristã e desmentir suas principais verdades, como o general Lew Wallace, autor de “Ben Hur” – e como ele, acabaram se tornando cristãs. O desafio para refutar a fé cristã tem sido planejado muitas vezes, mas sempre fracassa. Se os cristãos possuem essa tal “fé cega” que lhes atribuem, então porque tantos estudiosos se convertem através do exercício intelectual? É porque a fé está baseada na verdade. “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou a verdade” ((João 14:6).
A escolha de tornar-se cristão deve ser feita depois de uma reflexão apropriada. Deve ser considerada e avaliada antes que seja assumido um compromisso. Os que encorajam a conversão a Jesus Cristo baseada num apelo emocional ou através de manipulação, não estão sendo bíblicos. Uma pessoa precisa compreender o que estão fazendo antes de tornar-se cristã.
Aqueles que acusam os cristãos de serem crédulos e ignorantes, na verdade estão manifestando a sua própria ignorância. E essa ignorância muitas vezes é auto-imposta. Ao passo que algumas pessoas não estão preocupadas com as afirmações de Cristo, outras as recusam claramente. Elas afirmam que há problemas intelectuais com a fé cristã, quando de fato o que elas apresentam são desculpas, muitas vezes emocionais. Apesar de terem visto fatos do Cristianismo, e admitirem a sua verdade, se recusam a tornarem-se cristãs.
Isto, portanto, não é um problema do intelecto, mas da vontade. Não é que essas pessoas não possam se tornar cristãs; a questão é que elas não querem se tornar cristãs. A Bíblia ensina que a Humanidade está tentando suprimir a verdade de Deus (Romanos 1;18, 25, “do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça... Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente”). As pessoas são ignorantes sobre Jesus Cristo porque, de um modo geral, querem ser assim.
O evangelho é tão simples que muitos o rejeitam. De fato, para entrarmos no Reino dos Céus precisamos ser como crianças (Mateus 18:3). Precisamos colocar nossa confiança em Cristo, sejamos professores universitários ou pessoas que nunca terminaram a escola primária.
Já outros entendem que a vida crida cristã é monótona e cheia de proibições: “não pode fazer isto, não pode fazer aquilo”. Como ninguém quer viver desse jeito, eliminam o Cristianismo por atacado. Nada pode estar mais longe da verdade.
Apesar de alguns cristãos – felizmente, não são todos – darem a impressão de que sua fé é um conjunto de regras negativas, quando uma pessoa confia em Jesus como seu Salvador ela se torna verdadeiramente livre. “Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). Jesus Cristo está empenhado em libertar homens e mulheres das coisas que os mantêm em escravidão, a fim de que possam ser as pessoas realizadas da forma como foram idealizadas!
Como cristãos, nós somos livres para fazer o que queremos e não o que não queremos. A vida cristã é tudo, menos fastidiosa, porque há uma alegria constante em conhecer o Deus vivo e experimentar todas as coisas boas que Ele tem guardadas para nós: “agrada-te do Senhor, e Ele satisfará os desejos do teu coração”! (Salmo 37:4).

Condensado e adaptado de Josh McDowell & Don Stewart, “Respostas Àquelas Perguntas Que Os Céticos Perguntam Sobre a Fé Cristã”, Ed. Candeia, 1997, pg 161-168

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terça-feira, 4 de março de 2014

Contradições da Bíblia? (4)

Princípios de interpretação
Eu falei antes sobre os princípios básicos de interpretação bíblica: os princípios gerais, os gramaticais (que tratam do texto propriamente dito, para o entendimento das palavras e sentenças), os históricos (que tratam do contexto em que a passagem foi escrita, sua situação política, econômica e cultural), e os princípios teológicos, isto é os que tratam da formação da doutrina, consistindo de regaras amplas, já que por doutrina entendemos tudo o que a Bíblia sobre determinado assunto; os princípios teológicos dão forma ao corpo de crenças que constituem a fé em Deus. Eles estão detalhados no livro “Princípios de Interpretação Bíblica”, de Walter A. Henrichsen (Ed. Mundo Cristão).
Não vou transcrever o livro todo, só mais alguns trechos, como este:
Nas questões de religião o cristão se submete, consciente ou inconscientemente, a suma das seguintes autoridades – a tradição, a razão, ou as Escrituras. A posição oficial e histórica da igreja católica tem sido a de fazer da tradição o supremo tribunal de recursos. A doutrina da virgem Maria é um exemplo. O que a Bíblia ensina sobre Maria é interpretado de acordo com o modo como a igreja católica a vê tradicionalmente.
Em boa parte do protestantismo, o racionalismo (cf. liberalismo, modernismo) ocupa o centro do palco. A conclusão extraída da mente é o supremo tribunal. Deixa-se que a razão decida o que é fundamental para a fé. Por exemplo, uma pessoa que abraça essa abordagem pode concluir que a fé na concepção virginal de Cristo não é nem racional nem essencial, e daí esse ensino bíblico é rejeitado.
O cristão fiel considera a Bíblia como o seu supremo tribunal. A crença na concepção virginal é abraçada porque a Bíblia a ensina. O que a Igreja crê acerca de Maria deve ser interpretado pelas Escrituras, e não vice-versa.
Isto não quer dizer que não há validade em cada uma das três formas de autoridade. Os adeptos de cada um dos sistemas de pensamento referidos concordam sobre a importância dos outros dois. Mas em caso de conflito, que voto conta? Se a tradição, a razão e a Escritura diferem quanto ao modo de ver Maria e a concepção virginal, qual autoridade será o árbitro final? Temos aqui a primeira lei da interpretação a Bíblia deve ser o supremo tribunal. Ela deve ser a autoridade final.
Um exemplo. Suponha que você vá viajar para o Japão, de avião. É preciso presumir pelo menos quatro coisas:
1 – o piloto sabe dirigir o avião.
2 – o avião chegará com segurança.
3 – o pessoal da imigração respeitará o seu passaporte.
4 – você concretizará o propósito de sua viagem.
Digamos que no aeroporto, antes de embarcar, você pergunte ao piloto:
- Será que esse avião me leva mesmo a Tóquio?
- Certamente – ele lhe responde.
- Mas – você pergunta – e aquele outro avião que caiu no mar? O senhor garante mesmo que chegaremos a salvo no Japão?
- Não – responde o comandante – não posso garantir. Mas suba a bordo e quando chegarmos lá o senhor saberá.
Isto é um compromisso antes do conhecimento. Você se dispõe a comprometer-se, a arriscar a vida [atravessando o oceano a quilômetros de altitude, a uma velocidade absurda], porque é melhor ir de avião do que a nado. Quando você decidiu ir para o Japão, assumiu um compromisso antes de saber o que ia acontecer. Não sabia se as autoridades permitiriam sua entrada no país. Supôs que o fariam, e se comprometeu com essa suposição antes de o saber.
No estudo da Bíblia, começamos com a questão da autoridade, e isto porque a autoridade das Escrituras é superior à da mente humana e da tradição. A questão da autoridade e da inspiração divina é respondida naturalmente quando você se submete à Palavra. Você até pode estudar a questão da inspiração em separado, mas somente saberá que a Bíblia é a Palavra de Deus inspirada quando se colocar sob a autoridade dela.
Estes são os princípios gerais da interpretação:
- trabalhe partindo da pressuposição de que Bíblia tem autoridade (exemplificado no caso da viagem ao Japão);
- a Bíblia é seu próprio intérprete: ou seja, a Escritura explica melhor a Escritura;
- a fé salvadora e o Espírito Santo são necessários para compreendermos e interpretarmos bem a Escritura
- interprete a experiência pessoal à luz da Escritura, e não o contrário;
- os exemplos bíblicos têm autoridade, mas só quando amparados por uma ordem de Deus (se você for fazer tudo o que Jesus fazia, teria que andar a pé, usar sandálias, não se casar etc.);
- o propósito principal da Bíblia é mudar nossas vidas, não aumentar nosso conhecimento;
- cada cristão tem o direito e a responsabilidade de investigar e interpretar pessoalmente a Palavra de Deus (Atos 17:11, o exemplo de Beréia);
- a História da Igreja é importante, mas não decisiva na interpretação da Escritura (a Igreja não deve determinar o que a Bíblia ensina; mas a Bíblia é que determina o que a Igreja ensina).
Princípios gramaticais
- a Escritura deve ser tomada literalmente sempre que possível; a linguagem metafórica ou simbólica pode dar margem a fantasias. Vou tratar desse tópico com mais detalhes mais adiante;
- interprete as palavras no sentido que tinham no tempo do autor;
- interprete a palavra em relação à sua sentença e ao seu contexto;
- interprete a passagem em harmonia com o seu contexto;
- quando um objeto inanimado é usado para descrever um ser vivo, a proposição pode ser considerada figurada;
- quando uma expressão não caracteriza coisa descrita, a proposição pode ser considerada figurada (Filipenses 2:3-5, onde os cães referidos não são os melhores amigos do homem);
- as principais partes e figuras de uma parábola representam realidades. Considere somente essas partes principais quando tirar suas conclusões;
- interprete os profetas no sentido comum, literal e histórico, a não ser que o contexto indique claramente que o sentido é simbólico. O cumprimento das profecias pode ser por etapas, cada uma sendo a garantia de que a próxima também irá se cumprir.
Alguns alegam que existem erros gramaticais na Bíblia. Isto é verdade até certo ponto. Quando consideramos Apocalipse, por exemplo, que muitos dizem não poder ter sido escrito pelo apóstolo João, é fácil verificar que ele escrevia num idioma que não era o seu “nativo”, e sob grande urgência e pressão. Não teve tempo de considerar as finuras da gramática, o que sem dúvida teria feito em outras condições. Daí a diferença “de estilo”. Além disso, temos que levar em conta que Deus parece se utilizar do fato de que a gramática foi feita para o homem, e não o homem para a gramática: quando Moisés indaga a Deus que nome deveria mencionar a Faraó, Deus lhe diz: “Eu Sou O Que Sou. Dirás ‘Eu Sou’ me enviou”.
Ezequiel 39:2 é outro exemplo de “erro gramatical”. Algumas versões dizem “Far-te-ei que voltes atrás e deixes a sexta parte”. Outras dizem “porei seis ganchos em tuas queixadas”, e também “perseguir-te-ei com seis pragas”. Nenhuma dessas traduções, contudo, é literal, pois isso fugiria completamente às leis da gramática: Ezequiel usou um substantivo no lugar de um verbo. A tradução literal seria “Eu te seis”, o que evidentemente significa “eu farei a ti algo com o número seis”, ou “aplicarei a ti [de alguma maneira] o número seis”. Isto se repete em Apocalipse 1:4 – “o que é, que era e que há de vir”. A língua original diz: “o ser, o era, e o vinha”, e não pode de modo algum ser considerado um “erro”. É intencional.
Princípios históricos
- desde que a Escritura originou-se num contexto histórico, também deve ser compreendida à luz da história bíblica;
- embora a revelação de Deus nas Escrituras seja progressiva, tanto o Velho como o Novo Testamento são essenciais à revelação, e formam uma unidade;
- os fatos e acontecimentos históricos se tornam símbolos de verdades espirituais somente se as Escrituras assim os designarem.
Princípios teológicos
- você precisa entender a Bíblia gramaticalmente antes de compreendê-la teologicamente;
- uma doutrina não pode ser considerada bíblica, a não ser que resuma e inclua tudo o que a Escritura diz sobre ela;
- quando parecer que duas doutrinas ensinadas na Bíblia são contraditórias, tenha em mente que mais cedo ou mais tarde elas se explicam escrituristicamente, dentro de uma unidade mais elevada e mais ampla;
- um ensinamento simplesmente implícito na Escritura pode ser considerado bíblico quando apoiado por passagens correlatas (isto é, outros trechos que tratam do mesmo assunto). Por exemplo, paralelos de palavras (todas as vezes em que aparece “dizimo” na Bíblia), paralelos de idéias (menções a ganância, avareza) e paralelos doutrinários (salvação, santificação etc.). Você precisa reunir todas as peças sobre o assunto e extrair delas o ensinamento. Dicionários e enciclopédias bíblicas podem ajudar, desde que você consiga filtrar o viés denominacional encontrado, por exemplo, nas chamadas “Bíblias de Estudo”, já que existe a “da mulher”, a “pentecostal”, a de “batalha espiritual”, de “vitória financeira” e outras (até “Bíblia mangá já inventaram);
- é importante consultar diferentes versões, por exemplo: Almeida (revista, corrigida etc.); King James; linguagem “de hoje”; a “hebraica” ou “de Jerusalém” etc. Às vezes o que está complicado numa versão se esclarece em outra, simplesmente com o uso de palavras diferentes.
Tenho certeza que, se formos honestos e dermos à Bíblia a chance de se auto-explicar, e se observarmos essas regras básicas de interpretação e estudo, chegaremos facilmente à conclusão final de que Deus um dia quis se expressar ao Homem que Dele havia se separado, e para isto providenciou a Sua Palavra, escrita por homens que Ele mesmo escolheu, através de uma longa série de séculos, até que a tivéssemos na forma atual, porque assim Ele o quis. A Bíblia esteve para desaparecer por completo da face da terra, tendo havido épocas em que os exemplares completos se contavam com os dedos de uma mão. Mas a imprensa e os meios tecnológicos modernos hoje a divulgam como nunca, e as ferramentas de estudo também estão disponíveis a todos. Descobertas arqueológicas, como os manuscritos do Mar Morto, nos permitem comparar os textos escritos há 2000 anos ou mais, desfazendo toda e qualquer dúvida quanto à fidedignidade das Escrituras, já que o texto é idêntico – não houve as alegadas adulterações e modificações que desvirtuariam o sentido original.
A mensagem da Bíblia é clara para aqueles que buscam descobrir o seu significado. O problema surge quando se leva preconceitos para a Bíblia, procurando adequá-la a idéias pré-concebidas. Isto não é falha da Bíblia, e sim das pessoas que querem que a Bíblia diga o que elas querem! Quem usa esses argumentos como desculpa para não crer na Bíblia ou em Jesus, na verdade não diz “Não posso crer porque as provas não me convenceram”, mas sim “Não importam as provas, eu não quero crer”.
Assim, ao leitor sincero e honesto, que deseja ver desfeitas as suas dúvidas, digo que seja bem vindo, e conte com a minha boa vontade e esforço de tentar esclarecer.
Aos que querem apenas criar polêmicas e ridicularizar a Bíblia com argumentos furados, nada tenho a dizer, a não ser que estudem direito antes de tentar criar celeumas inúteis. Vejam se realmente querem aprender algo ou apenas criar caso à toa, aparecer, bater boca. E fiquem à vontade para procurar o que fazer em outro lugar.

(com informações de Arthur E. Bloomfield, “O Futuro glorioso do Planeta Terra”, Ed. Betânia, 6ª Ed., 1987, e Walter A. Henrichsen, “Princípios de Interpretação da Bíblia”, Ed. Mundo Cristão).

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Contradições da Bíblia? (3)


Como interpretar as Escrituras 

Muitas pessoas me mandam dúvidas sobre a Bíblia e supostas contradições no texto das Escrituras. Algumas realmente querem algum tipo de explicação sobre uma passagem, outros expõem o que acreditam ser falhas no texto, e outros dizem que a Bíblia é falsificada, cheia de erros, preconceitos e maus exemplos. Eu tento responder, por que às vezes também me aparecem certas dificuldades e algumas passagens parecem ser contraditórias, outras enigmáticas. Às vezes eu nem respondo, porque percebo que alguns não querem de fato entender a Verdade bíblica, e apenas polemizar. Não vão ser convencidos de que a Bíblia é a Palavra de Deus, porque no fundo não crêem em Deus. Como creriam na Sua Palavra? Então que fiquem com suas polêmicas. Em outros casos, eu procuro correr atrás das respostas, porque dessa forma eu também aprendo coisas novas.
Meu amigo Mário Persona criou um site onde colecionou, ao longo dos anos, as inúmeras perguntas que lhe chegaram, e procura respondê-las. Aconselho você, que tem dúvidas, a consultá-lo (www.respondi.com.br/) . Eu também vou lá de vez em quando. É sempre muito bom procurar explicações no maior número de fontes possível, até que você possa ver qual delas é a mais embasada biblicamente, e formar a sua própria opinião. É assim que procuro responder aos que me perguntam sobre esses temas. Tenho minha própria opinião, busco estudar na Palavra, em livros de autores responsáveis e de gabarito; e também em sites confiáveis, do ponto de vista da “sã doutrina”. É evidente que, se você estiver sinceramente interessado em aprender da Palavra de Deus, deve também orar a respeito, e pedir a Deus que lhe abra o entendimento e lhe revele os preciosos ensinos que foram preservados através dos séculos. Peça a Ele que desvende a Sua Palavra a você, e depois confirme na própria Escritura. A Escritura pela Escritura se explica.
Outro dia um engraçadinho – anônimo, como sempre – a propósito da longevidade dos patriarcas, disse que não se pode saber se Sara realmente estava na menopausa, “porque não havia ginecologista”. É o mesmo raciocínio tosco de quem diz que “Maria não era virgem” (aliás, outro ataque tão antigo como os pagãos de Roma, que usavam a mesma frase para tentar desacreditar os cristãos): o tempo passou, mas algumas pessoas continuam intelectualmente na idade da pedra. Existem coisas que realmente não são passíveis de comprovação documental, como aspectos ginecológicos das mulheres da Bíblia; mas o relato é tão fiel e verdadeiro em tantas outras passagens, que não há razão para não crer nele. Por exemplo, é fisicamente impossível que um homem caminhe sobre a água, ainda mais durante uma tempestade “no mar” (na verdade o lago de Tiberíades, sobre o qual falaremos depois). Mas Jesus fez isso. Também é cientificamente impossível que alguém ressuscite depois de quatro dias morto; mas Jesus reviveu Lázaro. Essa é a natureza do milagre, ou seja, o “sobrenatural” – acima, além, do natural. Eventualmente, cientistas tentam dar explicações científicas a esses fenômenos, mas freqüentemente criam armadilhas para si próprios, como neste artigo. Aqui e nos próximos textos, vou pinçar alguns desses comentários questionadores, e para os seus autores peço a licença para usá-los como ponto de partida para a discussão dos seus temas. Entretanto, optei por não citar os comentaristas um a um, porque são vários. Preciso economizar espaço. Para ficar mais claro,  usarei este tipo de letra para as citações dos leitores.
Como os antigos gnósticos, alguns não conseguem aceitar “um Deus capaz de coisas que não seriam esperadas nem do mais selvagem e injusto ser humano”, como quando se diz que Deus se arrependeu, ordenou a morte de populações, criou o mal etc. (Isaías 45:7, Amós 3;6, Miquéias 1:12 etc.). Orígenes, um antigo erudito e intérprete das Escrituras, defensor do método alegórico de interpretação, tentava conciliar essas passagens dizendo que “muitos textos bíblicos são intencionalmente obscuros, racionalmente incoerentes ou moralmente repugnantes, a fim de forçar o intérprete a descobrir o seu significado verdadeiro mais profundo” (Christopher A. Hall, “Lendo as Escrituras com os Pais da Igreja”, Ed. Ultimato, 2000, pg. 137/138). Uma falácia, como veremos adiante, num artigo sobre os métodos de interpretação bíblica.
Outros enveredam pelo caminho mais fácil: “a Bíblia está cheia de erros, portanto não vale a pena crer nela”. Ou então, mesmo sem saber nada sobre os símbolos e tipos que a Bíblia nos apresenta, apelam para o método alegórico, campo fértil para fantasias. E assim caem nos mesmos erros que se perpetuaram no seio da igreja católica, doa a quem doer.
Uma das coisas a que nós precisamos recorrer com relação a possíveis contradições bíblicas é a honestidade. Vemos muitas vezes que as pessoas aplicam regras diferentes quando se trata de examinar a Bíblia, o que é claramente usar dois pesos e duas medidas. Citam-se frases de Gandhi, Mandela e Carl Sagan, de Bertrand Russell e de Voltaire, como se fossem a verdade absoluta; fazem-se referências a sábios e filósofos que não deixaram nada escrito (como o próprio Sócrates, cujo pensamento conhecemos apenas através dos testemunhos de Platão e Xenofonte, que por sua vez os transmitiram a seus respectivos discípulos). Mas quando citamos Paulo, Moisés ou Isaías, dizem logo que não se tem certeza sobre a autoria da frase, que são contraditórias, que nem mesmo se sabe se esses personagens existiram de fato. Ou seja, falta honestidade no uso de critérios.
Por exemplo, quando se usa o discurso proferido por Estevão momentos antes de ser apedrejado, como sendo prova de que Bíblia errou. Citam Atos 7:2, onde se lê: “Estêvão respondeu: Irmãos e pais, ouvi. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando ele na Mesopotâmia, ANTES de habitar em Harã...”. Porém (contestam) o livro de Gênesis (11:31 a 12:1) relata o acontecido DEPOIS de Abraão habitar em Harã. Ora, se alguém errou aqui foi Estevão. Lembremo-nos de que ele estava prestes a ser executado. Ele fez um longo sermão e praticamente contou TODA a história de Israel desde o início até os dias de Cristo. Qual o problema em uma pessoa cometer um erro pequeno assim, em todo o seu sermão? Se você resolvesse me contar toda a História do Brasil, sabendo que assim que terminasse iria ser fuzilado, será que você diria tudo sem cometer nenhum equívoco, sem trocar nenhuma informação? Talvez você não consiga nem mesmo se souber que vai ganhar um prêmio. Vemos isso todo dia em programas da TV. Chamem os universitários! Como se adiantasse alguma coisa chamar universitários hoje em dia... desculpa aí.
O que Lucas fez, ao escrever os atos dos apóstolos, foi contar exatamente o que ocorreu, e o que ocorreu foi que Estevão disse ANTES, quando deveria ter dito DEPOIS. Isto prova que a Bíblia não foi adulterada, como acreditam os céticos (se é que cético acredita em alguma coisa, é nisso: a Bíblia foi alterada). Ora veja bem: se deveria haver alguma adulteração, seria justamente corrigindo o erro de Estêvão. Mas não, o relato foi fiel ao que aconteceu: ele disse ANTES, quando deveria ter dito DEPOIS. Isto basta para reafirmar que o relato histórico do livro de Atos é um fidedigno, e como tal, ele detalha o equívoco de um dos primeiros mártires, que trocou apenas uma palavra em um extenso sermão.
Uma coisa que é fundamental para se achar as respostas é ter um método de interpretação do texto bíblico. A Editora Mundo Cristão lançou um livro, há muitos anos, sobre esse assunto, do autor Walter A. Henrichsen (ao lado, a edição que eu tenho). Não sei se ainda está à venda, mas você se puder, compre e leia, várias vezes. É dele que transcrevo a seguir alguns trechos, com algumas regras básicas que tenho procurado seguir ao tentar achar o significado e a coerência de trechos da Escritura que apresentam, digamos, dificuldades.
Logo no seu prefácio, há uma citação de Frank E. Gaebelain: “O cristianismo é peculiarmente religião de um livro só. Elimine a Bíblia, e você terá destruído o meio pelo qual Deus decidiu apresentar Sua revelação ao Homem através de sucessivas eras”. Essas simples frases trazem duas verdades fundamentais: Deus existe, e fala a nós por meio da Bíblia; por isso, os ataques à Bíblia, nas suas diversas formas, são parte de uma guerra para eliminar a comunicação de Deus com os homens. Quando concluímos que a Bíblia não presta – por ter erros, dar maus conselhos, ter sido adulterada etc. – estamos abrindo mão de receber o que Deus queria nos dizer. E a segunda verdade é que essa comunicação de Deus com os homens não se deu da mesma forma ao longo da História.
Sabemos que lá no início, Deus falava com o Homem diretamente, tête-a-tête. Depois, através dos patriarcas, com as promessas; depois veio a Lei e os profetas, e por fim, o próprio Deus se encarnou em forma humana. Depois que Ele subiu aos céus, prometeu voltar e deixou toda a compilação que hoje chamamos de Bíblia como registro do que aconteceu e orientações acerca do presente e do futuro, para nossa edificação, consolação e exortação. É isso que está escrito em Hebreus 1:1 ,2 – “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas”.
Assim, o livro de Henrichsen nos diz que...
Há quatro partes básicas no estudo correto da Bíblia.
1 – Observação, que responde à pergunta: “o que vejo?” Aqui o estudante aborda o texto como um detetive. Nenhum pormenor é sem importância; nenhuma pedra fica sem ser virada. Cada observação é cuidadosamente arrolada para consideração e comparação posteriores.
2 – Interpretação, que responde à pergunta: “o que isto significa?” Aqui o intérprete bombardeia o texto com perguntas como: “que significavam estes pormenores para as pessoas às quais foram dados? Por que o texto diz isto? Qual a principal idéia que ele busca comunicar?”
3 – Correlação, que responde à pergunta “como isto se relaciona com o restante daquilo que a Bíblia diz?” O estudante da Bíblia deve fazer mais do que examinar somente passagens individuais. Deve coordenar o seu estudo com tudo mais que a Bíblia diz sobre o assunto. A precisa compreensão da Bíblia sobre qualquer assunto leva em conta tudo o que a Bíblia diz sobre aquele assunto.
4 – Aplicação, que responde à pergunta “que significa isto para mim?” Esta é a meta dos outros três passos. Um especialista disse-o sucintamente: “Observação e interpretação sem aplicação é um aborto”.
A Bíblia é Deus falando. Sua Palavra exige resposta. E essa resposta tem de ser nada menos do que a obediência à vontade de Deus revelada.
Existem também quatro categorias de princípios de interpretação: os princípios gerais, os gramaticais (que tratam do texto propriamente dito, para o entendimento das palavras e sentenças), os históricos (que tratam do contexto em que a passagem foi escrita, sus situação política, econômica e cultural), e os princípios teológicos, isto é os que tratam da formação da doutrina, consistindo de regaras amplas, já que por doutrina entendemos tudo o que a Bíblia sobre determinado assunto; os princípios teológicos dão forma ao corpo de crenças que constituem a fé em Deus. 
Vou falar sobre eles na próxima semana.

(com informações de Walter A. Henrichsen, “Princípios de Interpretação da Bíblia”, Ed. Mundo Cristão, e Christopher A. Hall, “Lendo as Escrituras com os Pais da Igreja”, Ed. Ultimato)

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