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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

As 7 igrejas de Apocalipse (III)

Pois bem, agora que já sabemos quem foi a Jezabel histórica, temos condições de analisar melhor a Jezabel profética, que aparece em Apocalipse como sendo “profetisa” na igreja de Tiatira.
Apocalipse capítulo 2:
18 Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente:
19 Conheço as tuas obras, e o teu amor, e a tua fé, e o teu serviço, e a tua perseverança, e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas que as primeiras.
20 Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos;
21 e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição.
22 Eis que a lanço num leito de dores, e numa grande tribulação os que cometem adultério com ela, se não se arrependerem das obras dela;
23 e ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações; e darei a cada um de vós segundo as suas obras.
24 Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei;
25 mas o que tendes, retende-o até que eu venha.
26 Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações,
27 e com vara de ferro as regerá, quebrando-as do modo como são quebrados os vasos do oleiro, assim como eu recebi autoridade de meu Pai;
28 também lhe darei a estrela da manhã.
29 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito dia às igrejas.
Contextualização - Tiatira não era rica como Éfeso nem importante quanto Pérgamo. Mas sua produção de tecidos, principalmente o índigo, tornou-a famosa. Havia ali várias associações profissionais, uma espécie de sindicatos. Na carta que Jesus manda João escrever para aquela igreja, primeiro há um elogio às suas qualidades.
O amor de Tiatira (v. 19), ao contrário de Éfeso, aumentara. Também era rica em obras: evangelizava e socorria os necessitados e com isso mostrava sua fé (cf. Tiago 2:14). Mas apesar dessas boas qualidades, a igreja foi reprovada por estar tolerando uma mulher que, dizendo-se profetisa, desencaminhava os fiéis à idolatria e à prostituição (v. 20), e que já teria tido tempo para se arrepender (v. 21). Seu castigo atingiria os seus seguidores (22, 23), mas os que a repelissem seriam recompensados (24-28).
Podemos fazer várias analogias, mas a que eu considero mais importante é a seguinte: Tiatira identifica muito claramente a igreja católica medieval. Na perspectiva cronológica, como vimos aqui, ela sucede Pérgamo, o paraíso dos nicolaítas (a igreja da hierarquia e do domínio do clero sobre os leigos), e antecede Sardes, (a Igreja da Reforma, que logo se tornou estagnada e fria). Outras características que parecem ligar Tiatira ao catolicismo:
Suas obras, mais numerosas do que as primeiras (v. 19): muitos orfanatos, escolas, universidades, sanatórios, hospitais e muitíssimas outras obras de caridade foram construídos, financiados, mantidos e visitados somente pela igreja, que apesar de idólatra e já corrupta, era o que havia na época. Jesus reconhece esse esforço como sendo o amor que muitos cristãos demonstravam pelos necessitados. Apesar de tudo (idolatria, corrupção da igreja etc.), muitos cristãos ainda assim serviam fielmente ao Senhor.
Sua fé e perseverança (v. 19): mesmo com a grande infiltração de doutrinas pagãs, muitos cristãos tinham fé unicamente em Jesus Cristo. É preciso recordar que mesmo na época de maiores trevas espirituais havia grupos que buscavam estudar e entender a então rara Palavra de Deus, como por exemplo, os valdenses, os lolardos e outros remanescentes, apesar da pesada perseguição ordenada pela religião oficial encastelada em Roma.
Mas ela abriga Jezabel. A principal religião em Tiatira, antes do cristianismo (provavelmente com Lídia, cf. Atos 16:14 e 19:10), era a adoração de Apolo, o deus sol. Acreditava-se que ele comunicava o conhecimento do futuro por meio de profetas e oráculos. Em Tiatira, este rito era conduzido por uma profetisa, que entrava em transe e entregava as mensagens. O domínio desta religião era notável. Além do inegável fascínio do mistério, ninguém podia pertencer aos sindicatos profissionais a menos que participasse da adoração aos deuses locais. Qualquer um que recusasse a participar das festas – e conseqüentemente, das práticas sexuais que as envolviam – era impedido de entrar nestas associações. Para fazer parte da vida social e comercial o indivíduo tinha que ser praticante da idolatria pagã.
A antiga Jezabel do tempo de Elias regia o culto a Baal, que, como vimos, incluía adoração a ídolos, comida sacrificada a esses ídolos e a promiscuidade sexual, além do sacrifício de crianças. A Jezabel profética de Apocalipse é quase um clone da esposa de Acabe:
- “se diz profetisa”: como a sacerdotisa pagã de Baal, é por meio dela que vem a instrução do deus espúrio, só que na igreja de Tiatira ela está no meio da congregação cristã, trazendo falsos ensinos. Não é que verificamos na igreja católica, com as aparições de Maria? Fátima, Lourdes, Merdjugorje, em todas elas há a figura que se crê ser “a virgem”, mas que traz instruções que em nada se assemelham à Palavra de Deus – aliás, quase sempre são “segredos” ou “mistérios”. Ora, a Palavra de Deus é uma só e não pode se contradizer. Como pode Deus dizer que abomina a idolatria e depois, por meio da “virgem”, determinar que se ergam estátuas para serem, num eufemismo, “honradas”? Como se pode dizer que “é de Deus” a instrução para “participação na Santa Missa, confissão mensal... a reza diária do rosário e o jejum a pão e água”? É de Deus uma “aparição” que diz que “precisamos orar pelas almas do purgatório, porque assim ganhamos novos intercessores”, e uma vidente que diz receber diariamente as almas do purgatório? Link, link.
- “ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos”: talvez a igreja católica não incentive a prostituição no sentido direto da palavra, mas a Bíblia é clara ao comparar o culto a qualquer outra criatura com a prostituição. Só o culto a Deus é permitido, o resto é prostituição: “Para que não faças pacto com os habitantes da terra, a fim de que quando se prostituírem após os seus deuses, e sacrificarem a eles, tu não sejas convidado por eles, e não comas do seu sacrifício, e não tomes mulheres das suas filhas para os teus filhos, para que quando suas filhas se prostituírem após os seus deuses, não façam que também teus filhos se prostituam após os seus deuses” (Êxodo 34:15, 16). Ver ainda Oséias 3,  Deuteronômio 31:16; Juízes 2:17 e 8:33; Ezequiel 23:30.
É fácil deduzir que qualquer doutrina que permita adoração, ou como queiram, “honra”, que não a Deus, é prostituição, doa a quem doer. E a Jezabel profética de Apocalipse ensina isto. E a igreja que tolera essa falsa profetisa se assemelha a Tiatira. Aqueles cristãos devem ter se lembrado imediatamente das profetisas de Apolo e das sacerdotisas pagãs! Devem ter feito a associação imediata com os ritos sexuais dedicados aos deuses pagãos, não apenas os greco-romanos de seu tempo, mas também do antigo casal Baal e Astarote, de quem Jezabel era devota!
Como Jezabel perseguiu os profetas de Deus, a falsa profetisa de Tiatira também perseguiu a quem rejeitava sua autoridade e queria servir somente ao Senhor: não preciso listar as barbaridades que a igreja de Roma engendrou para silenciar os servos do Altíssimo. Se quiser saber mais, leia aqui. Como Elias, o povo de Deus teve que fugir para o deserto. Como os valdenses, isolados nas montanhas. Sob a imperatriz Teodora, entre 842 e 867 d.C., mais de 100.000 crentes foram mortos porque rejeitaram as imagens. Mais tarde, Wicleff e Huss foram apenas dois dos muitos mártires assassinados por não aceitar as heresias católicas (veja Apocalipse 13:7 e 17:6). A igreja de Roma chegou a ser tão pagã e malvada quanto Jezabel e Atalia;  mas Deus preservou um pequeno rebanho nessa longa noite de trevas.
A igreja dominada por Jezabel se desviou: tentou destruir a Bíblia, impedindo a sua leitura e até mesmo a sua posse. Do alto de seu trono dourado, ela se apoderou de nações inteiras. Prostituiu-se com os reis da Terra (Apocalipse 18:3, 9). Insiste que é o verdadeiro Corpo de Cristo e que seus “papas” são os vigários de Deus. Ensinos falsos, heresias. Completamente seduzida pelo Diabo, por sua vez tornou-se a sedutora de outros (Apocalipse 2:20), produzindo filhos bastardos.
Jezabel representa a igreja desviada, que mantém o poder religioso, enquanto Acabe representa o poder político. Ao casamento desses dois (união político-religiosa), segue-se rapidamente a apostasia e a perseguição de Elias, que representa o povo de Deus. No texto bíblico, vemos que governava Jezabel, e não Acabe. As ordens da rainha pagã eram prontamente atendidas pelo líder político. Da mesma forma, quando os reis da Terra fazem acordo com a igreja romana, quem passa a controlar o Estado é Roma: todas as suas imposições são seguidas à risca (Apocalipse 17:18). Isso permanece até hoje, quando os chefes de Estado vão a Roma pedir a bênção do “papa”; e este influencia pesadamente os governos locais (Apocalipse 13:7). Você duvida?
Jezabel é uma figura muito apropriada do que a instituição católico-romana se tornou. Ela se cobre de jóias e enfeites (II Reis 9:30; Apocalipse 17:4), embora às vezes um ou outro chefe queira passar uma imagem de simplicidade. Ela introduziu um paganismo que resultou em idolatria (prostituição espiritual) e um sistema religioso que nada tinha a ver com as igrejas apostólicas! Ela introduziu novas doutrinas como justificação pelas obras, regeneração pelo batismo, adoração a anjos, “santos”, imagens, celibato para o “clero”, confissão auricular, purgatório, a transubstanciação do pão e do vinho em carne e sangue de Cristo, indulgências, penitência, adoração de Maria, ritualismo pagão, sinal da cruz, água benta, óleo sagrado, rosário, etc. Veja você se isto é ensino bíblico ou não. Veja você se isto é a verdadeira igreja. Veja você se foi isto que Jesus instituiu. Esse sistema se parece mais com uma Noiva ou com uma prostituta?
Aos poucos percebemos também que muitos jesuítas hoje estão se infiltrando nas igrejas evangélicas para disseminar falsas doutrinas e a ensinar-lhes que a igreja católica é a igreja mãe, e deve ser respeitada! Evitam falar do catolicismo, e até elogiam seus líderes e os chamam de “irmãos”. Copiam suas vestes, sua organização e suas nomenclaturas! No próximo artigo, você verá que os ensinos de Jezabel, tão claros na Tiatira católica, já contaminaram a Tiatira evangélica. Infiltração? Cópia descarada da estrutura romana? Ou falta de sabedoria?
Continua...
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Curiosidades:
O nome Tiatira é de significado incerto: para alguns intérpretes significa “domínio feminino”, outros dizem que é “torre alta, fortificada”; para outros, “sacrifício de perfume”, isto é, “repleta de muitos sacrifícios”, e ainda “sacrifício de trabalhos”(?). Todos procuram algum sentido subjacente, mas eu mesmo não me convenci de que algum deles tem razão. De modo que não sei se isto é de fato importante. Ela é a moderna cidade turca de Akhisar (“castelo branco”, devido às muitas pedreiras de mármore que brilham das montanhas próximas). A cidade nasceu de um posto militar de Seleuco I Nicator, general de Alexandre, o Grande, em 280 a.C. Foi destruída por um grande terremoto durante o governo de Augusto (27 a.C. a 14 d.C.); depois de reconstruída, dizia-se “fraca tornada forte”. A cidade era conhecida pelas suas muitas associações comerciais, sendo que, para poder trabalhar, era necessário pertencer a alguma delas. Assim, cristãos se viram obrigados a participar de festas dedicadas às divindades pagãs. Tiatira tornou-se famosa por sua produção de tecidos, e é provável que o Evangelho tenha chegado lá através de Lídia. Evangelizada por Paulo em Filipos, retornou à cidade natal como portadora das Boas Novas de Salvação (Atos 16:14). O apóstolo haveria de confirmar o trabalho ali estabelecido em sua terceira viagem missionária (Atos 19:10).

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domingo, 5 de junho de 2011

Cada um por si

Quando estudamos o livro de Juízes, nos deparamos com algumas situações que merecem nossa atenção.
Uma delas é que há, logo de cara, um contraste com o livro de Josué, que o precede. Josué mostra Israel vitoriosamente tomando posse da terra prometida, e Juízes mostra Israel já habitando na herança que Deus havia prometido. À primeira vista, ambos parecem tratar do mesmo assunto, mas Juízes deixa claro que os tempos mudaram. O período da conquista havia terminado; inicia-se uma fase de declínio que só vai mudar com Davi e Salomão, mais de 300 anos depois.
No geral o que acontecia era que o povo se desviava dos princípios celebrados com Deus, no tempo de Moises e de Josué. As novas gerações, que não viveram a travessia do Jordão e as primeiras conquistas, como a queda de Jericó e outros episódios memoráveis, se esqueceram ou não sabiam que deviam ser o povo escolhido por Deus para ser Sua testemunha na terra.
O capítulo 2 diz que, depois que Josué morreu (v. 8), a nova geração desconhecia o que Deus havia feito e não O temia (v. 10), e não apenas não exterminaram as nações idólatras como se misturaram com elas (v. 11-13). Deus então se irou e permitiu que Israel fosse oprimido; mas de vez em quando suscitava juízes que libertavam o povo de seus opressores (v. 16). Mesmo assim, logo que o juiz morria, o povo se desviava novamente (v.17-19), e novamente era oprimido, até que outro juiz viesse, ou um profeta que os admoestasse. Isso aconteceu várias vezes: desvio (apostasia)/opressão/livramento/novo desvio.
O resumo da ópera está nos caps. 17:6; 18:1; 19:1; e 21:25 – “Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos”. Aqui tiramos uma lição: essa “ausência” de um rei (falta de governo e de autoridade) e a “liberdade” para fazer o que se achar melhor parecem se repetir na vida da Igreja, hoje em dia.
Como naquele tempo, hoje não se vê qual é a direção para o povo de Deus. “Cada um fazia o que parecia bem”. Também hoje, cada um faz o que lhe dá na telha. Prova disto é que praticamente cada denominação decreta o seu “ano apostólico” ou “profético”, a seu bel-prazer e sem nenhuma testificação ou identificação com a congregação ali da esquina. Como pode cada parte do Corpo ir para um lado diferente? Onde está a orientação da Cabeça? O Corpo está andando sem a Cabeça?
Os filhos de Israel se tornaram uma frouxa confederação de clãs, com pouca ou nenhuma identidade entre si, que lhes pudesse caracterizar como uma nação. Isso também tem acontecido com a Igreja. As tribos viviam às turras umas com as outras, em conflitos constantes (cap. 20). Uma tribo inteira, Benjamim, quase foi exterminada, a ponto de os israelitas dizerem: “Hoje é cortada de Israel uma tribo” (21:6). Também a tribo de Dan arranjou confusão com as demais: não lutou contra o opressor Sísera (5:17), não tomou posse da herança (18:1), abriu espaço para a idolatria (18:30) e acabou destruindo seus próprios vizinhos (18:27-29).
Assim como as tribos brigavam entre si e se enfraqueceram, testemunhamos várias brigas entre denominações, às vezes com motivações que beiram o ridículo. Recentemente assistimos à picuinha das Assembléias de Deus, que comemoraram 100 anos com duas “convenções” acusando-se mutuamente e advogando-se “a verdadeira herdeira” dos missionários suecos. Já vimos esse filme antes: divisões entre renovados e tradicionais, batismo por imersão e por aspersão, históricos e pentecostais, calvinistas e arminianos, todas lembram “As Viagens de Gulliver”, onde duas cidades entraram em guerra porque uma dizia que para se comer um ovo devia-se-lhe quebrar a parte mais estreita, e a outra dizia que não, o certo era a parte mais larga. Oxalá não exterminemos “toda uma tribo” por causa de um ovo.
Assim como as novas gerações de israelitas, que desconheciam seu passado na dependência de Deus, suas vitórias sobre inimigos mais numerosos, a conquista do território, a travessia do Jordão, também a história recente da Igreja brasileira mostra sinais de afastamento do compromisso primitivo com Deus e Sua obra.
Métodos de crescimento numérico exponencial substituem o evangelismo, e técnicas de coaching e “liderança” tomam o lugar da Escola Dominical. A distribuição de literatura e folhetos evangelísticos perdeu o lugar para a venda de DVDs e livros, congressos e caravanas. O louvor e a adoração deram lugar a shows gospel: até reality-shows para escolher e premiar o “melhor adorador” (?) já tem na televisão.
Assim como Israel se misturou com as nações que os cercavam, crentes agora se associam com a mídia mundana: é um tal de ir no Faustão, no Raul Gil e no programa da Xuxa que não acaba mais. Até acordo com a Rede Globo e a Som Livre fizeram.
A Igreja parece que não depende mais de Deus. Ela prefere investir na própria sobrevivência e manutenção a longo prazo, apostando no enriquecimento e acúmulo de bens materiais: por isso a disseminação da “Teologia da Prosperidade”, forma fácil de arrecadar grana, muita grana. Assim como o sacerdote contratado por Mica, “líderes” evangélicos escolhem o caminho que lhes dará maior fama (cap. 18:18-20).
Do mesmo modo como os israelitas começaram a ficar cada vez mais parecidos com os povos ao seu redor, copiando seus costumes e seus hábitos, a Igreja hoje também vai ficando mais parecida com o mundo. Basta saber que há igrejas e pastores que apóiam a união civil gay. E nem estou falando de excrescências como a tal “igreja contemporânea”.  Há parlamentares evangélicos atolados até o pescoço em denúncias de nepotismo, desvios de verbas, tráfico de influência e outros escândalos políticos.
Como no tempo dos juízes, quando os filhos de Eli pintavam e bordavam, hoje vemos jovens pastores, herdeiros de verdadeiros feudos e impérios eclesiásticos, fazendo uma besteira atrás da outra, dizendo uma asneira em cima da outra, enquanto seus pais assistem calados e ficam deitados eternamente em berço esplêndido, deixando o barco correr. Parece que enquanto essa “nova geração” estiver enfiando o garfo na marmita e tirando o melhor pedaço, tudo bem conf. I Samuel 2:12-17. Talvez porque estamos vivendo dias como aqueles: “A palavra do Senhor era muito rara naqueles dias; as visões não eram freqüentes” (I Samuel 3:1).
A hora é propícia a uma chamada geral à unidade em torno da Palavra de Deus e não a doutrinas de “particular interpretação” (conf. II Pedro 1:20). Ao arrependimento pelos crimes e pecados da nação, e da Igreja, ao se associar com “as nações da terra”. É tempo de destruir os astarotes e baalins que erguemos dentro de nossos arraiais. Como as músicas dos cananeus, heteus, amorreus, perizeus, heveus e jebuseus (Juízes 3:5), que tocam tão alto que acabamos por incorporá-las aos nossos “períodos de louvor”, desprezando os nossos bons e velhos hinários. É o momento de apagar todo o fogo estranho.
No tempo dos juízes, havia um declínio geral: apostasia religiosa (caps. 10 e 17-18), decadência moral como Sodoma (cap. 16:1, cap. 19), disputa política (cap. 9), e cada tribo se caracterizava pelo quanto tolerava ou se submetia à presença dos inimigos em seu território. Na Igreja, igualmente, vemos um relaxamento da sã doutrina, permissividade, ganância política e financeira; a frouxidão é geral, talvez como resultado da frouxidão individual.
Cada cristão tem sua própria parcela de responsabilidade por essa situação.
Devemos perguntar a nós mesmos: “Qual é a minha responsabilidade? Qual tem sido o meu testemunho desde que me converti? Como estou contribuindo para o crescimento do Reino de Deus, e não para os reinozinhos particulares?”...
Estamos numa encruzilhada onde precisamos decidir qual caminho seguir. I Reis 18:21 diz: “E Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; mas se Baal, segui-o. O povo, porém, não lhe respondeu nada”.
A Igreja brasileira vive um momento ímpar, em que tanto o seu poder quanto suas bênçãos coletivas têm encolhido. Mas Deus não mudou. O poder divino ainda está disponível para cada crente, cada pastor, cada congregação. Espero que no futuro, as pessoas não olhem para o passado (hoje), e ao ver a que ponto chegamos, digam de nós, com espanto: “Nunca tal coisa se fez, nem se viu, desde o dia em que os filhos de Israel subiram da terra do Egito até o dia de hoje; ponderai isto, consultai, e dai o vosso parecer” (Juízes 19:30).

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