Mostrando postagens com marcador ofertas alçadas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ofertas alçadas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Oferta de primícias? parem com isso!


Antes de se escandalizar com a montagem acima, pare e pense no absurdo da cena. Fiz isso para que você pense se não é o que estão fazendo com o Evangelho hoje em dia. Pense por um instante se Jesus e os apóstolos (os de verdade, não esses “ching-ling de hoje) fariam se naqueles tempos tivessem a mentalidade de alguns picaretas da atualidade. Provavelmente o que vemos na montagem acima. Não penso em outra coisa quando me deparo com quem defende ofertas alçadas e de primícias para a Igreja hoje em dia.
Além dos textos de que falei no artigo anterior, há ainda outro utilizado para afirmar que as primícias devem ser usufruídas pelo pastor, que está em Ezequiel 44:30 – “Igualmente as primícias de todos os primeiros frutos de tudo, e toda oblação de tudo, de todas as vossas oblações, serão para os sacerdotes; também as primeiras das vossas massas dareis ao sacerdote, para fazer repousar uma bênção sobre a vossa casa”. Isso não era nada novo, pois em Levítico 23:10 já existia essa ordem (“Quando houverdes entrado na terra que eu vos dou, e segardes a sua sega, então trareis ao sacerdote um molho das primícias da vossa sega”).
Ezequiel teve um importante papel nas reformas de Israel após a queda de Jerusalém, em 587 a.C. Lutou com todas as suas forças para reconstruir o judaísmo, ensinando o povo a adorar a Deus da forma correta, para que o mal não voltasse a assolá-los. Ele não criou regras para os israelitas mas sim as recuperou, pois foram “esquecidas” com o tempo. Mas daí a afirmar que os líderes religiosos atuais são esses sacerdotes é inaceitável! Se lermos I Pedro 2:9, veremos que todos nós somos sacerdotes (segundo a ordem de Melquisedeque, e não de Levi, como ocorria com os israelitas) e Cristo é o sumo sacerdote (Hebreus 6:20). De mais a mais, assumir que os pastores de hoje são sucessores dos sacerdotes judeus significa aceitar que a repreensão de Malaquias 3:8-10 (ladrões) é para esses pastores (Malaquias 1:6 e 2:1). 
Talvez você concorde que as primícias não são para os pastores ou afins, mas esteja ainda com uma dúvida: Então são ofertas destinadas ao templo? Para esclarecermos, vejamos o contexto histórico e social do povo hebreu.
Havia sete festas anuais: a Páscoa (Pesach), que compreendia a festa dos pães ázimos, a Páscoa propriamente dita e a festa das primícias; a festa de Pentecostes (Shavuot); e a festa dos Tabernáculos (Succot), que compreendia a festa das Trombetas, o dia da Expiação (Yom Kippur) e Tabernáculos propriamente dita.  Em cada uma, algo era oferecido a Deus, com um determinado objetivo (o sacrifício de um animal, para purificação; a entrega de cereais, como agradecimento pela colheita etc.). Assim, fica fácil entender que essas festas faziam parte da cultura do povo hebreu e por isso, tinham tanto destaque. 
Particularmente, como não sou judeu, não tenho que comemorar nenhuma dessas festas, embora entenda o seu significado histórico/cultural e até mesmo o sentido profético delas, que apontam para a vida e obra do Messias (estudaremos isso mais adiante, se Deus permitir). Mas muitos pseudo-cristãos insistem em pedir “oferta de primícias” em dinheiro, citando – como sempre – vários trechos do Antigo Testamento, retirados do contexto puramente hebreu.
Na sua fome por dinheiro, certos líderes inventam de citar Gênesis 4:3,4, com a seguinte justificativa:Deus não teria recebido a oferta de Caim por não ser a primeira parte  [primícias] dos frutos”. Ora, a Bíblia não relata o motivo da rejeição da oferta de Caim, o que dá margem para inúmeras interpretações. Obviamente, não faltaria a opinião de que a oferta foi rejeitada por não ser o primeiro fruto da terra. Porém não é o que o texto diz. Pelo contrário, a palavra “também” (“Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas”) sugere que ambos ofertaram as primícias do que produziram. Sendo assim, o motivo da não aceitação da oferta deve ter sido outro. Em I João 3:11,12 lemos: [Caim]...era do maligno”, e ainda: “as suas obras eram más”. Aqui temos uma “dica” importante: Caim tinha um coração corrompido, mau, e isso refletia em suas obras. Como Deus aceitaria uma oferta de alguém nessa situação? De qualquer forma, pelo fato de estarmos na Graça, essa discussão não é relevante para o nosso assunto.
Também tentam usar Êxodo 23:19, “As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à casa o SENHOR teu Deus...” e o já citado Provérbios 3:9,10, “Honra ao SENHOR com os teus bens, e com a primeira parte de todos os teus ganhos; e se encherão os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares”. Mas o fato é que ambas as passagens se referem, sem a menor sombra de dúvida, ao contexto dos hebreus, dos judeus, dos filhos de Israel. Nós, cristãos, estamos debaixo da Nova Aliança, e não estamos sujeitos à Lei, portanto esses textos jamais devem ser usados para nortear nossas ações. 
Na Lei havia promessas materiais; na Graça há promessas espirituais. Por isso a referência constante às janelas do céu (chuva para a colheita), aos gafanhotos devoradores (pragas naturais) etc. Porém, quem insiste que o Velho Testamento se aplica à Igreja, por que ignora os demais versículos? Leiamos também o versículo que antecede Êxodo 23:18, o já citado “As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à casa o SENHOR teu Deus”; leiamos o verso 18 de Êxodo 23 para verificar o contexto: “Não oferecerás o sangue do meu sacrifício com pão levedado, nem ficará da noite para a manhã a gordura da minha festa”. Algum pastor faz isso? Alguma igreja pratica isso? Portanto, só podem exigir primícias se também voltarem a oferecer sacrifícios de animais, com derramamento de sangue e pão levedado, e guardar o sábado, por exemplo. por que pegar só uma parte do mandamento sobre ofertas?
No período da lei mosaica (e até mesmo antes dela, como fez Abel), a consagração da primeira parte da produção a Deus era uma forma de reconhecer que Ele era o que tinham de mais precioso na vida. Era um exercício de fé - o que fez Abel - e ao mesmo tempo, um “lembrete” a um povo de coração duro: que Deus deve estar sempre em primeiro lugar. Quando Jesus veio ao mundo, deixou esse mesmo ensino (Mateus 6:33), porém, a diferença foi que jamais instituiu uma regra ou um rito para que provássemos isso. O “amar a Deus sobre todas as coisas” está baseado não na Lei (repleta de cerimônias), mas na Graça, que ensina obediência e entrega de frutos espirituais. 
Provérbios 3:9,10 ilustra bem a crença dos hebreus: ao santificarem ao Senhor as primícias, o restante da produção também ficaria santificada. Assim, a benção de Deus seria abundante entre eles. Há inúmeros outros textos que falam das primícias, porém, todos destinados aos israelitas: Neemias 10:34,35 e 13:31; II Crônicas 31:5; Números 15:17-21 e 18:12; Deuteronômio 18:3-5 e 26:10; etc.
Mas muitos pastores afirmam: “as primícias existem também no Novo Testamento, logo, é nosso dever entregá-las”. E citam Romanos 8:23, “E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”. Mas penso que só pode ser uma “pegadinha” alguém associar as primícias do Novo Testamento àquela oferta da Antiga Aliança. Só podem estar de brincadeira; o texto é muito claro. São primícias do Espírito! É como se essas primícias fossem uma “palhinha”, uma amostra de toda a Glória que nos espera, citada no versículo 18 (“Pois tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada”).
Também gostam de Romanos 11:16, “E, se as primícias são santas, também a massa o é; se a raiz é santa, também os ramos o são”. Aqui, novamente, não tem nada a ver com ofertas. Chegam ao absurdo de dizer que a oferta de primícia serve para “santificar o dízimo” (veja aqui se estou exagerando). Pelo contrário, o ensino de Paulo (em linguagem metafórica) envolve a salvação. Paulo diz que se os judeus, de início (representados pelas primícias, a matéria-prima), eram santos, também o serão os gentios que crerem (a massa pronta). Há ainda outra comparação, feita pelo apóstolo: os judeus seriam uma oliveira cultivada, que teria ramos tirados (os incrédulos); os gentios seriam uma oliveira silvestre (“brava”), mas enxertada na oliveira boa. Com isso, Paulo passou duas mensagens principais:
1 - Aqueles que aceitassem a mensagem de Jesus posteriormente (gentios) seriam tão santos quanto os que deram ouvidos a essa mensagem muito tempo antes (judeus convertidos);
- Os gentios que aceitaram o Evangelho não deveriam vangloriar-se e acharem-se melhores do que os judeus incrédulos, pois o que determinou a salvação deles foi a fé e não méritos pessoais (o “ser judeu” versus ser justo, seguir Cristo, ser fiel etc.).  Outros textos, como I Coríntios 15:20 e Tiago 1:18, dispensam comentários, pois o significado de “primícias” é bem claro e nada tem a ver com ofertas. 
Negar-se a aceitar o dízimo e a oferta de primícias não é ser “mão de vaca”; é lutar pelo verdadeiro Evangelho, puro e simples. Alguns dizem que o motivo de alguns não concordarem com isso é o amor ao dinheiro, mas é justamente o contrário: quem cobra é que tem amor ao dinheiro! Se fossem pregados os ensinos de Jesus e dos apóstolos, as pessoas teriam convicção de sua fé, veriam que não há ganância por parte das igrejas e dariam suas ofertas com amor. Afinal, Deus jamais deixaria Sua obra perecer sem recursos. Devemos dar ofertas porque recebemos e nunca para recebermos (“princípio da semeadura”)!
Por que não entregamos as primícias dos frutos do espírito (citados em Gálatas 5:22) ao Senhor? Ou melhor, porque não dedicamos a totalidade desses frutos a Ele? Esse seria, com certeza, um ato louvável e que estaria de acordo com a Palavra de Deus. Ou somos judeus ou somos cristãos! Aceitar a Cristo e ficar preso à Lei não é o que o apóstolo Paulo nos ensinou. 
Alguns alegam que as ofertas voluntárias (essas sim têm apoio no Evangelho) são insuficientes para a manutenção do templo, para as atividades que a igreja mantém e para o sustento dos obreiros. Assim, jamais poderiam ensinar que o dízimo não é válido na atualidade (mesmo com todas as evidências) ou que não existe mais oferta de primícias. Ao contrário, insistem que devemos contribuir com a maior quantidade possível de dinheiro (e até impossível, como ocorre nos famigerados desafios), enchendo todos os envelopes que entregam (cada dia é uma oferta diferente, é primícia, é alçada, é de talento, de príncipe, “oferta teryman, de gratidão, etc.). Dessa forma, dizem, receberemos muito mais de Deus. Muitos rebaixam o Evangelho a isso, o que é lamentável, e inúmeras almas deixam de seguir a Cristo por causa desse “cristianismo às avessas”.
Apoio a idéia de que seja reduzido o tempo dos programas na TV (afinal, a maior parte deles é para pedir dinheiro ou para enrolar o povo, passando a mensagem que o indivíduo daquela igreja tem bom emprego, não tem problemas, recebe curas... e do que Jesus mandou pregar, nada!).  Vejam que as igrejas no Brasil já arrecadam mais de R$ 20 bilhões por ano, quase o que foi gasto com estádios e outras obras da Copa, tão criticados inclusive por muitos pastores! Por que não dão um exemplo à nação e usam essa grana toda para construir os tão desejados hospitais? Ou escolas, já que reclamam tanto da situação da Educação no País... ou para caridade, já que tanta gente se diz contra as bolsas e auxílios do Governo aos mais pobres... São R$ 20 bilhões! Penso que devemos parar de construir templos luxuosos, e também que não sejam pagas fortunas a cantores e para pregadores, e também que o salário dos pastores não esteja na casa de dezenas de salários mínimos. Posso garantir que, se fizermos isso, as ofertas espontâneas dos fiéis serão suficientes para a propagação do Evangelho, e melhor ainda: deixaremos de transgredir vários ensinos bíblicos.

Referências:
COLEMAN, WILLIAM L. Manual dos Tempos e Costumes Bíblicos. Editora Betânia, 1ª Edição, 1991.
Dicionário de Língua Portuguesa Michaelis
Doutrina da Oferta de Primícias – Debate 93 FM
http://theologizando.blogspot.com/2009/08/dizimos-ofertas-e-primicias-sao-para.html

409620

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Ofertas alçadas e primícias

Isto é para a Igreja?
Eu achava bacana bandeiras de vários países penduradas algumas igrejas, como uma alusão a missões e o cumprimento do “Ide” (Marcos 16:15). Algumas têm só a bandeira de Israel, às vezes ao lado da do Brasil. A bandeira talvez represente amor e reverência à nação escolhida por Deus para, por meio dela, trazer a salvação à Humanidade; quem sabe até uma espécie de “troca” com Deus, pois Ele disse a Abraão: “Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àquele que te amaldiçoar” (Gênesis 12:3); então é bom negócio estar do lado de Israel, pensam. Só depois percebi a “judaização” que vem tomando conta do cristianismo evangélico tupiniquim, e até já escrevi algo sobre isso. Há controvérsias... mas é fato que muitos acabam retrocedendo na fé, ao adotar práticas judaicas (muitas delas, não nem mesmo os judeus atuais seguem). E isto vai além do uso dos elementos judaicos no culto. Engraçado é que tem alguns que até pretendem denunciar a “judaização evangélica”, mas seguem aceitando dízimo do povo...
Já falamos muito sobre o dízimo, uma prática que – doa a quem doer – pertence à lei mosaica. Mas existem também uns caras-de-pau que pedem ofertas “de primícias”, “alçadas” e outras, todas retiradas adivinha de onde? Acertou, da lei mosaica. Alguns são tão “espertos” que procuram confundir o povo, dizendo, por exemplo, que Isaque era as primícias de Abraão e que o patriarca o ofereceu a Deus (veja ao lado)... nada mais absurdo. Para começar, o primeiro filho de Abraão era Ismael, e não Isaque, e depois que essa história nada tem aver com oferta de primícias, que só veio com a Lei séculos depois. Então vejamos se essa é apenas mais uma das doutrinas dos “comerciantes da fé” ou se é, de fato, uma prática legítima da Igreja.
“Primícias” tem um significado de “princípio” ou de “parte inicial” de algo. O que é pregado hoje é que Deus exige as primícias de nossos bens materiais. A tática para arrancar dinheiro é diferente de quando o tema é o dízimo. Aqui não se lê Malaquias 3:8-10. Não.
Uma das bases para essa doutrina é que, através das primícias, o discípulo honra o líder e ganha o respeito de Deus, uma vez que está “liberando o sacerdote” para cuidar das coisas de Deus, sem se preocupar com coisas “elementares”, como seu sustento e o de sua família. Usam Ezequiel 44:30: “E as primícias de todos os primeiros frutos de tudo, e toda a oblação de tudo, de todas as vossas oblações, serão dos sacerdotes; também as primeiras das vossas massas dareis ao sacerdote, para que faça repousar a bênção sobre a tua casa”. Ora, se verificarmos direitinho, vemos que os sacerdotes eram figuras de Cristo, mas hoje nós temos um único sacerdote no sentido original do termo, que é Jesus (Hebreus 5:6; e os caps. 7 e 8). Assim, se há alguém ainda digno de receber as primícias, este se chama Jesus Cristo.
Pedro afirma: “sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (I Pedro 2:9). Tudo em nós pertence a Ele, pois somos sua propriedade exclusiva. Também somos todos sacerdotes e não há qualquer menção que indique entrega de primícias de um sacerdote a outro.
Jesus modificou a vida religiosa do Antigo Testamento quando afirmou: “Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi; porque um só é o vosso Mestre, e todos vós sois irmãos. E a ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque um só é o vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem queirais ser chamados guias; porque um só é o vosso Guia, que é o Cristo. Mas o maior dentre vós há de ser vosso servo. Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado” (Mateus 23:8-12). E “chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo; assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos” (Mateus 20:26-28).
Dessa forma, somos todos sacerdotes e irmãos, nosso Mestre, nosso Guia e nosso Senhor é um só, Jesus Cristo, e somente Ele é digno de ser honrado, não apenas com primícias, mas com tudo o que temos e somos eternamente. Nada de “honrar o líder com primícias”!
No “culto das primícias”, usam Provérbios 3:9,10 para incentivar os fiéis a “abrirem o bolso”. A idéia é que se deve entregar o equivalente a um dia de trabalho, ou seja, quem ganha R$ 1.000 por mês, leva cerca de R$ 33, dinheiro que em alguns lugares é dado para o pastor. O argumento é que devemos repartir nossos bens com aquele que nos instrui (Gálatas 6:6). 
O resultado disso? Enriquecimento dos líderes e uma busca desenfreada de se tornar líder também e ter o direito de ser “honrado com primícias”.
No dicionário, “repartir” é: “fazer em partes, dando a cada pessoa o que, por direito ou justiça, lhe pertence”. Pois bem, imagine uma igreja com 500 pessoas que recebem na média R$ 1.000 ao mês. Se cada uma der R$ 33 (o valor das “primícias”), o pastor ficará com R$ 16.500, enquanto os fiéis teriam que sobreviver com R$ 967 (sem contar os dízimos e as “N” ofertas pedidas). 
Mas o “repartir” ensinado por Paulo tinha outros objetivos: para que ninguém tivesse necessidade de nada (Atos 11:29; 24:17 e Romanos 15:26); e que os irmãos vivessem em igualdade. Na igreja hipotética do parágrafo anterior, se cada um contribuir com R$ 5 para o sustento de seu líder religioso (o que não faria falta a ninguém), haverá um pagamento digno a ele (estando de acordo com I Timóteo 5:17-18).
E a “dupla honra”, citada na carta a Timóteo, é um reconhecimento por parte dos irmãos e não uma imposição. Se foi Deus quem colocou uma pessoa para trabalhar em Sua obra, não tem por que esse indivíduo temer ou cobrar o seu sustento, pois o Senhor sempre cuida dos Seus. Porém, se está à frente de um rebanho devido à amizade ou parentesco com este ou aquele, terá que tomar cuidado para não passar fome mesmo, pois Deus não trabalha dessa forma.
E oferta alçada? Dizem por aí que além do dízimo devemos dar também “ofertas alçadas”, que seriam “mais valiosas” que o dízimo, pois “alçada” significa “mais alta”, “mais importante”, “mais significativa”.  Nada mais longe da verdade.
“Oferta alçada”, para começo de conversa, podia ser a parte de um animal sacrificado, no contexto dos rituais e cerimônias da lei. Números 29 fala que na Festa dos Tabernáculos, parte dos sacrifícios era para os sacerdotes, como “oferta alçada” (v. 27-28). Fica aqui então a idéia de, quando o pastor pedir sua “oferta alçada” ou de primícias, você pode trazer para ele o peito de uma novilha ou uma coxa de carneiro; assim estará seguindo à risca o mandamento. Mas só se você for judeu e seu pastor descendente da tribo de Levi, senão é abominação ao Senhor.
Em Números 18:26 lemos: Disse mais o Senhor a Moisés: Também falarás aos levitas, e lhes dirás: Quando dos filhos de Israel receberdes os dízimos, que deles vos tenho dado por herança, então desses dízimos fareis ao Senhor uma oferta alçada, o dízimo dos dízimos”. Nos versos 28 e 29 Deus manda Moisés dizer aos levitas: “Assim também oferecereis ao SENHOR uma oferta alçada de todos os vossos dízimos, que receberdes dos filhos de Israel, e deles dareis a oferta alçada do SENHOR a Arão, o sacerdote. De todas as vossas dádivas oferecereis toda a oferta alçada do SENHOR; de tudo o melhor deles, a sua santa parte”.
Isto é claro: a oferta alçada é um “dízimo do dízimo”, isto é, 10% do que o levita recebia (que era 10% da renda do povo). Então era ofertada apenas por quem era beneficiário do dízimo: levitas, sacerdotes, e os pobres, viúvas, necessitados em geral, para que não houvesse “entre ti pobre algum (pois o Senhor certamente te abençoará na terra que o Senhor teu Deus te dá por herança, para a possuíres)” (Levítico 25:35; Deuteronômio 15:4,7,11; 24:14,15 etc.).
Nesse caso, a “oferta da viúva” em Marcos 12:41-44 foi até mais que uma “oferta alçada” (e não dízimo, como querem alguns). Ela não deu 10% da sua renda, mas sim todo o seu sustento, que possivelmente teria recebido por ser viúva e pobre. Jesus a elogiou porque ela foi além dos fariseus: não deu 10% (o que caracterizaria como dízimo, e mesmo assim se o dízimo fosse aceito em dinheiro; nunca seria “oferta alçada” ou dízimo do dízimo), mas deu tudo que possuía. É esse o exemplo que fica para a Igreja, quando Jesus diz a seus seguidores que “Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” (Mateus 5:20).
Isso não quer dizer que devemos dar o dízimo e também oferta alçada, de primícia, de amor, de sacrifício e o que mais inventarem; mas sim que devemos ter em mente que somos apenas mordomos, e que tudo que “temos” de fato pertence a Ele. Por isso não devemos lamentar o ato de ofertar, pois estamos apenas entregando a Ele o que já Lhe pertence. Não precisamos ser admoestados todo domingo a dar dízimo, oferta disso e daquilo. Não. Já temos consciência de que a “obra de Deus” não é a construção do templo, nem a colocação de cadeiras estofadas e ar condicionado, uma nova aparelhagem de som, ou roupas para o ministério de dança. Não. A obra de Deus é outra coisa, sobre a qual falaremos em outra ocasião.
Alguns chegam a criar subdivisões das “ofertas alçadas” (neste link), citando Êxodo 35-36 (quando os israelitas dão tanta oferta que Moisés teve que pedir para pararem). Você verá que, propositalmente, eles dizem que essa oferta é obrigatória. Mas o texto é claro – a oferta, mesmo “alçada”, era voluntária: “Tomai de entre vós uma oferta para o Senhor; cada um cujo coração é voluntariamente disposto a trará por oferta alçada ao Senhor: ouro, prata e bronze” (Êxodo 25:2 e 35:5), enquanto o dízimo era obrigatório e determinado exatamente de quanto deveria ser: 10%, e sobre isto não resta dúvida.
Neemias 10:37-39 relata que quando os levitas recebessem os dízimos, trariam os dízimos dos dízimos (ofertas alçadas) à casa do tesouro. Já falamos antes, aqui, sobre a Casa do Tesouro e explicamos que isto não existe mais; na Igreja cristã não há Casa do Tesouro, doa a quem doer. Já falamos também sobre o que aconteceu quando os sacerdotes receberam os dízimos do povo e não os entregaram na Casa do Tesouro, para que houvesse mantimento para os levitas; ou então, quando entregavam, não davam o melhor, mas o refugo. Você pode ler sobre isso em Malaquias 1:8,13-14: é Deus falando aos sacerdotes...
Uma pausa para meditação: No livro de Malaquias 3:8, o Senhor alerta: Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas.
Observe: segundo a lei, quem recebia dízimos e ofertas alçadas, senão os sacerdotes  e levitas? Os ladrões aqui não são os que “deixam de doar”, mas justamente os que recebem os dízimos e as ofertas alçadas. Medite e tire a sua própria conclusão.


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Falácias evangélicas sobre o dízimo


Quando falamos sobre as novas revelações adotadas pela Igreja, mencionamos o retorno a práticas judaicas diversas. Vimos também que isso pode ser um reflexo de uma velha, antiga heresia, a dos ebionitas, os quais criam que a Lei Mosaica deveria permanecer vigente, mesmo depois de Jesus tê-la abolido (como lemos a carta aos Hebreus, etc.). Eles defendiam que os cristãos deveriam obedecer aos 613 mandamentos dados aos judeus na velha dispensação! Aproxima-se desse pessoal a maioria dos pastores evangélicos, que defende a prática do dízimo. É óbvio que eles insistam em cobrar de suas ovelhas essa mensalidade, pois é daí que tiram seu sustento, como profissionais da fé que se tornaram. Muitos até estudaram anos em um seminário, e investiram tempo e dinheiro na formação, como qualquer outro profissional: médicos, psiquiatras, engenheiros, publicitários, advogados, economistas, todos passam pelo mesmo processo. E depois é lógico que queiram viver da profissão que escolheram.
Mais ou menos, pois enquanto muitos estudaram em seminários por anos a fio, e fizeram pós-graduação, mestrado e doutorado em teologia, outros mal sabem assinar o próprio nome; têm dificuldade em redigir um documento, e não entendem nem mesmo o estatuto da igreja – se é que suas igrejas possuem estatuto.
Outro dia eu comentei num desses portais de notícias sobre uma suposta intolerância que alguns segmentos querem impingir aos evangélicos. Não concordo que evangélicos sejam intolerantes, pois embora pastores divirjam entre si sobre alguns assuntos, na maioria são unânimes. Em questões essenciais à fé, as igrejas de diferentes denominações, correntes e tendências geralmente cooperam umas com as outras. Emblemático – e talvez desconhecido para os mais novos – é o caso de quando o evangelista Billy Graham veio ao Rio de Janeiro, fazer uma de suas cruzadas. Todas as igrejas evangélicas da cidade se uniram em esforço comum, para a preparação do evento. Fizeram grandes campanhas de oração, distribuíram folhetos em massa, e como resultado, milhares se converteram, contribuindo significativamente para a diminuição da criminalidade histórica da região. Mas isso foi antes de as igrejas virarem impérios feudais particulares, onde é cada um por si e espera-se que Deus seja por todos. 
E para provar que há tolerância entre os evangélicos, mostro que há um ponto em que a concordância é quase total: a cobrança do dízimo. Em algumas, mais moderadas, a cobrança é velada e dissimulada. Todo domingo, e se bobear, em todo culto, tem aquela parte da “liturgia” em que recolhem-se “dízimos e ofertas”. Se você freqüenta uma dessas igrejas, experimente ficar uns dois meses sem ir à frente depositar seu envelopinho. Aos poucos será alvo de bullying religioso; veja quanto tempo agüentará.
Em outras o processo é mais rápido, pois o dízimo é abertamente exigido de cada ouvinte, e nem mesmo os visitantes e “não-membros” escapam do assédio. Já vi pastores de grandes igrejas receberem visitas “ilustres” segundo o mundo, políticos, empresários, artistas e atletas famosos, e dizerem lá do púlpito que naquela ocasião a coleta seria muito boa! Não se importaram com a alma das celebridades, mas com o bolso... É o tipo de reunião onde o dinheiro – doa a quem doer – é a porta de entrada para um mundo idealizado de prosperidade financeira, fim do aluguel, saúde inabalável, fim das dívidas, casamento sem problemas, filhos obedientes, carro do ano e por aí vai.
Em resumo – o sujeito tendo diploma ou não, cobra o dízimo do mesmo jeito. E aí cabe à gente pensar: se uns cobram por ignorância, será que os outros cobram por esperteza? Cada um julgue como achar melhor.
Seja como for, esse é o tipo de gente que coloca na Internet a justificativa supostamente bíblica para continuar metendo a mão no bolso da pobre ovelha. Assim é que, com espanto, vemos um seminário que ensina seus alunos como serem bons publicanos, isto é, coletores de dinheiro com diploma. Ou a Lagoinha apresentando lista de 26 razões pelas quais você deve sustentar a mega-estrutura que montaram. Ou então essa tal Gestêmani, com suas 50 razões! O império contra-ataca! Já vejo pastores defendendo na Internet 8273133 e até 50 razões para te tomar dinheiro. Nesse ponto, se nivelam com os adeptos da igreja romana. Vejam aqui e aqui se é ou não é a mesma coisa. Farinha do mesmo saco! Será um passo rumo ao ecumenismo? O início da igreja de Satanás que existirá depois do arrebatamento? Pois já começam a tocar a melodia no mesmo tom.
Se você olhar direitinho, a maioria das citações que esse pessoal usa vem do Velho Testamento, quando a Igreja ainda não fora estabelecida na Terra. São mandamentos e ordenanças dados a Israel, no âmbito da Lei mosaica, a qual já foi abolida por Jesus quando disse “vim cumprir a Lei”(Mateus 5:17). Ele não a revogou, mas a cumpriu cabalmente. Com a Sua morte na cruz, todas aquelas 613 regras foram cumpridas. Se alguém insiste em cumprir ainda alguma dessas 613 leis, deve então cumprir todas as outras 612, pois “Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos” (Tiago 2:10). De modo que esta é apenas uma das razões para não ser dizimista!
Eles apresentam várias justificativas, mas todas são meras falácias, isto é, argumentos baseados em premissas equivocadas, que induzem a uma conclusão tendenciosa. Veja a seguir alguns desses argumentos toscos, nos quais só cai quem tem preguiça de pesquisar na Palavra.
Falácia nº 1 – “Quem diz que o dízimo é da Lei está errado, pois o dízimo é anterior à Lei”. Refutação: a circuncisão, o sábado e os animais puros e impuros também são anteriores à Lei, e nem por isso as igrejas adotam essas coisas. Só porque é antigo? Então também pode ter duas esposas, já que essa prática também é anterior à Lei?
Falácia nº 2 – “Os cristãos primitivos eram dizimistas”. Querem fundamentar essa falácia com Mateus 23:23 (“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas omitis as coisas mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fé. Importa-vos praticar estas coisas [dar o dízimo], mas sem omitir aquelas [a justiça, a misericórdia e a fé]) e Hebreus 7:5 [os levitas têm ordem de receber os dízimos do povo]. A refutação é simples: nessas passagens específicas, tanto Jesus como o escritor de Hebreus se dirigem a... Israel. Você por acaso é judeu? Vive sob a Lei mosaica? Mas eles vão adiante e dizem que como a maioria dos primeiros cristãos era judia, “provavelmente eram dizimistas”.  Sim, eram judeus. E tanto eram judeus que Paulo os instou a abandonar as práticas judaicas. Leia a epístola aos Gálatas.
Falácia nº 3 – “Quem não dá o dízimo fica debaixo de maldição”, cf. Malaquias 3:9. Ora, a passagem de Malaquias é dirigida especificamente aos sacerdotes que retinham o dízimo e não o repassavam aos levitas, cf. 1:6 e 2:1. O fato de Deus dizer que a maldição atingiria toda a nação é justamente porque os sacerdotes representavam a nação, assim como o rei. Confira com II Samuel 24. Esse sistema sacerdotal acabou quando o véu do Templo se rasgou!
Falácia nº 4 – “Quem não dá o dízimo na igreja, dá na farmácia, no hospital, no mecânico. O devorador come mais do que os 10%”. Malaquias, assim como Joel 1:4 e 2:25, quando fala do devorador e outros tipos de pragas, refere-se a isso mesmo, as pragas da lavoura! Eram gafanhotos mesmo, e não demônios. Deus não vai mandar demônio comer o seu dinheiro se você “não ofertar”; Deus não vai fazer você ficar doente nem seu carro estragar por pirraça, porque você foi pão-duro. Isso é terrorismo espiritual. O cristão deve ser generoso, mão-aberta, e contribuir para a obra que é verdadeiramente de Deus: evangelização, missões, caridade, ajuda aos irmãos na fé; mas que “contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria” (II Coríntios 9:7). Para o pastor é fácil dar dízimo: o que ele deposita no gazofilácio volta para o próprio bolso na forma de salário! Desse jeito até eu viro dizimista! Se o pastor fosse dizimista para valer, se ele “amasse ofertar”, deveria dar o dízimo em outra igreja. Assim o dinheiro não voltaria para ele.
Falácia nº 5 – “Entre o povo de Israel, todos dizimavam. 10% é justo porque todos dão igual”. Outra falácia, pois o dízimo não era para “todo mundo”. Quem não tinha renda não dizimava, mas recebia dos que ofertavam. Parece que tentam ancorar essa falácia em Êxodo 30:15 – “O rico não dará mais, nem o pobre dará menos do que o meio siclo, quando derem a oferta do Senhor” ... mas a passagem continua: “para fazerdes expiação por vossas almas. Note o grifo: é claro que Deus aqui está ordenando uma “oferta pela expiação da alma” – o que obviamente Jesus já cumpriu! Afirmar o contrário disto é heresia da braba, pois então a Obra de Jesus está incompleta - ainda precisamos completar com uma graninha todo mês! Misericórdia!
Falácia nº6 - “... dai, pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:20; Marcos 12:17; Lucas 20:25). Muitos pregadores, ao discorrerem sobre a passagem acima, afirmam que “dar a César é pagar impostos, e dar a Deus é dizimar”. Mas se analisarmos essa passagem direito não vemos, em nenhum momento, qualquer dos evangelistas relacionando esta afirmação de Jesus ao dízimo. O contexto aqui é a tentativa dos fariseus de pegar Jesus em alguma contradição, para assim tirar-lhe a confiabilidade, ou então colocá-lo em apuros perante a autoridade romana. Eles perguntaram se os judeus deviam pagar impostos a Roma. Jesus, que não era bobo, percebeu a artimanha e acabou com a questão: “Me mostrem a moeda; de quem é esta cara estampada na moeda?” Os inquisidores responderam de pronto: “De César”. Então Jesus conclui: “Dai, pois a César o que lhe pertence, e a Deus o que é Dele”. Pelo mesmo raciocínio, olhe para as cédulas de dinheiro e as moedas. De quem é este brasão? Quem atribui valor a estas cédulas? Por outro lado, o que existe neste universo que possui estampada a imagem do Deus onipotente? O que Deus criou que possui a sua marca e que para Ele possui valor? A resposta: o ser humano! Deus não precisa de dinheiro, tudo é Dele. Ele não quer seu dinheiro; dê a Deus o que é Dele. E o que Ele quer é uma oferta da sua vida. Dê a Ele aquilo que possui Sua marca registrada. Pois é isso que Ele quer. Quer agradar à Deus? Dê a Ele uma oferta que Ele aceitará: entregue sua vida incondicionalmente a Ele!
Outras duas falácias - A igreja deve administrar o dízimo, e a Casa do Tesouro agora é a igreja, eu desmonto nas próximas postagens, se Deus permitir.

Fonte

233550