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domingo, 12 de junho de 2011

Cinco mitos sobre o inferno

1: O Inferno é um lugar onde Satanás reina.

Muitos pensam no inferno como um lugar onde o Diabo reina. É visto como sua casa, ou castelo, ou uma bat-caverna em chamas onde ele elabora planos para destruir a igreja e dominar o mundo, tipo uma sala de guerra. Ou então é uma espécie de calabouço onde o Diabo tortura os que foram mandados lá para sofrer.
Mas o inferno não é o castelo do diabo, e ele não ocupa nenhuma posição de autoridade lá. O inferno é a ruína do diabo. É a sua futura prisão eterna e lugar de julgamento (Apocalipse 20:10, “e o Diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados pelos séculos dos séculos”). 
Um dos motivos por que é bom pensar que o diabo reina no inferno é porque, se ele está no inferno, não está em perto de nós. Então, se ele não está aqui, ele está , e aí não precisamos pensar muito nele. Mas o diabo está aqui, sim. Ele é um perigo muito real e presente. Pedro diz que o Diabo perambula por aí, procurando gente para devorar (1 Pedro 5:8, “Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar”, e Jó 1:7, “O Senhor perguntou a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela” ). Ele não reina no inferno, mas ele procura reinar sobre você e arruiná-lo.
Em tudo isso, nossa esperança e confiança no evangelho é que o diabo foi lançado fora (Lucas 10:17-20) e amarrado (Mateus 12:22-29) por meio do ministério de Jesus: ele é destruído pela obra de Cristo na cruz (Hebreus 2:14-15), e a igreja foi liberta da escravidão e do engano do diabo e acabará por esmagar o enganador sob seus pés (Romanos 16:20). O diabo foi derrotado, mas está esperando seu julgamento final. O inferno é o fim dele, não sua fortaleza.

2: O inferno é onde os pecadores se divertem. 
Ao falar sobre a morte e inferno, tem gente que se finge de besta e diz, em tom de brincadeira: “Eu prefiro me divertir no inferno com os meus amigos a ir para o céu vestir aqueles roupões brancos, junto com um monte de pessoas religiosas e reprimidas”Obviamente, isto é simplesmente uma reação que revela mais sobre a visão de si mesmos e das pessoas religiosas do que sobre a vida após a morte: uma maneira de desprezar as afirmações e promessas de Jesus. Só que o inferno não é um barzinho confortável e escuro onde você pode ficar com seus amigos, conversando sobre o significado da vida (ou do inferno) pelo resto da eternidade. O inferno também não é algum tipo de rave infinita, ao som de música eletrônica ensurdecedora e decorada com pulseiras reluzentes. O inferno não é uma festa. O inferno não é o que você quer que ele seja. Jesus descreve o inferno como um lugar de “choro e ranger de dentes” (Mateus 13.36-43). É um obscuro, eterno e sombrio lugar de julgamento (Mateus 25.41).
A Escritura nos diz que todos nós morreremos e iremos enfrentar julgamento (Hebreus 9.27). Como pecadores que transgrediram a Lei de Deus, sabemos que o Juiz nos considerará culpados e nos sentenciará àquele lugar de trevas. Nossa esperança não está em conseguir persuadir o juiz a ver as coisas da nossa maneira, ou nos dar um passe livre. Não há nenhuma esperança de regime condicional ou reabilitação após a morte. Nossa única esperança perante Deus é que ele olhe para nosso advogado, Jesus Cristo, o único que pode apresentar o perdão de pecados e a justiça – que nós não temos. Apesar de culpados, podemos ser julgados como justo em Jesus, e sermos resgatados do julgamento do inferno e levado à presença de Deus e de seu povo.

3: O inferno é temporário. 
Entre aquelas pessoas que levam o inferno um pouco mais a sério, há quem diga que o inferno é temporário, e não eterno. O raciocínio é que o inferno é a punição pelos pecados cometidos durante, no máximo, várias décadas e que a justiça não permitiria uma punição eterna para crimes cometidos ao longo do período de uma vida na terra. Depois que a punição for concluída, seja lá o que a punição divina exigir, ou a pessoa será recebida no céu ou será simplesmente aniquilada. Algumas igrejas ensinam isto. Por esse raciocínio, até mesmo o próprio Diabo poderia ir para o céu um dia.
Mas as Escrituras são bem claras a respeito da natureza eterna do inferno. É um lugar de destruição eterna (2 Timóteo 1:9), punição eterna (Mateus 25:46) e fogo eterno (Mateus 18:8). Não há um programa de libertação para trabalho nem a esperança de uma liberdade condicional no inferno.
Nós fomos criados como seres imortais e viveremos após a morte na presença de Deus e sua graça, ou experimentando sua justa e correta punição. Como pecadores incuráveis (2 Pedro 2:14) e habituais (1 João 3:8), nós continuamos em nossos pecados, ilegalidade e idolatria até mesmo no inferno – e assim o julgamento continua.
O inferno é um julgamento eterno, e nossa única esperança de escapar de tal maldição é confiando naquele que se tornou maldição por nós (Gálatas 3:13). Aqueles que são unidos a Jesus são libertos da condenação (Romanos 8:1,
“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”) e encontram a vida eterna (Mateus 25:46, “E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna”).

4: O inferno é ausência de Deus.
Você provavelmente já ouviu esse mito também. Mas a verdade é que não há lugar em que nosso Deus onipresente não esteja (Salmo 139). Por isso, o Inferno não é a ausência de Deus, mas a ausência da graça e misericórdia divinas. Deus é onipresente e está presente no inferno, mas para fazer perfeita justiça e julgamento. Nossa confiança no evangelho é que em Cristo nossos pecados foram pagos, e estamos em paz com Deus. Em Cristo temos a verdadeira e duradoura intimidade com Deus para a qual fomos criados. Portanto, a proximidade de Deus é algo bom (Salmos 73:28, “Mas para mim, bom é aproximar-me de Deus”) e podemos chegar para perto de Deus (Tiago 4:8, “Chegai-vos para Deus, e ele se chegará para vós”); já que ele está sentado sobre o trono da graça (Hebreus 4:16, “Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno”) e podemos esperar receber graça, e não julgamento.

5: O inferno é para os maus.
Este é o mais perigoso de todos os mitos sobre o inferno. Depende do que queremos dizer com “maus”. Na verdade, com “os maus” queremos dizer “os outros”. Pessoas que fizeram pior do que nós, pelo menos de acordo com nossa estimativa. O inferno é para os maus, os piores que nós, os piores de todos. O inferno é para Hitler e Saddam Hussein, Osama Bin Laden, o assassino de Realengo, os padres pedófilos. Não é para nós, pessoas normais. Boas pessoas.
O ponto em que nós devemos concordar com este mito é que o inferno é para “os maus”. Mas Jesus disse que ninguém é bom, a não ser Deus (Lucas 18:19). O apóstolo Paulo escreveu que ninguém é justo, todos viraram as costas para Deus e se tornaram inúteis (Romanos 3:10-18). Sim, nós somos todos maus e merecedores da condenação eterna. Enquanto uma mulher pode ser pior que uma outra em suas práticas, ou o pecado de um homem pode ser mais hediondo do que o pecado de um outro, nós somos todos igualmente pecadores e somos desesperadamente necessitados da misericórdia de Deus.
O inferno é para pessoas más, se por “pessoas más” nós estamos nos referindo a pessoas como nós. Nossa esperança não é que nós vamos nos tornar pessoas boas, ou mesmo pessoas melhores. Nossa esperança e confiança diante de Deus é o evangelho – as boas novas de que todos os que crêem em Jesus são unidos com Ele, considerados justos Nele, e perdoados de todo pecado, por meio Dele.
Se o inferno é para pessoas más, em outro sentido, o céu também é. O primeiro recebe aqueles que rejeitaram a verdade de Deus, enquanto o segundo recebe aqueles que receberam Jesus (João 1:12-13, “Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus”).
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Compilado e adaptado de joethorn.net

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Predestinação - os cinco pontos

Quando se fala em predestinação e livre-arbítrio, não há como não citar os famosos “cinco pontos do calvinismo” e sua alternativa, “os cinco pontos do arminianismo”. Penso que somente depois de entendermos esses tópicos seremos capazes de ter uma idéia mais completa sobre o tema, embora, repito, acho que nunca chegaremos a entendê-lo completamente.
Os Cinco Pontos do Calvinismo, (conhecidos pelo acróstico TULIP, referente às iniciais em inglês):
T otal Depravity = Total Depravação
U nconditional Election = Eleição Incondicional
L imited Atonement = Expiação Limitada
I rresistible Grace = Graça Irresistível
P erseverance of Saints = Perseverança dos Santos
São uma síntese do Sínodo de Dordrecht ou de Dort, uma querela acerca das doutrinas da Graça e da Predestinação. Seu eixo é a afirmação de que Deus é perfeitamente capaz de salvar cada pessoa que Ele queira, e que Seu trabalho não pode ser frustrado. De modo geral explicam-se assim:
Depravação total do homem - ou "depravação radical", "corrupção total" e "incapacidade total". Toda criatura humana, após a queda, é dominada pelo pecado, que a corrompe e contamina, incluindo a mente. Por isso, afirma-se que ninguém é capaz de realizar o que é bom aos olhos de Deus:  o ser humano é escravo do pecado, por natureza hostil e rebelde para com Deus, espiritualmente cego para a verdade, incapaz de salvar a si mesmo e de se preparar para a salvação. Só a intervenção direta de Deus pode mudar isto.
Eleição incondicional - é a escolha feita por Deus desde a eternidade, daqueles a quem ele concedeu a graça da salvação. Esta escolha não se baseia no simples mérito, ou na fé das pessoas que ele escolhe, mas em Sua decisão soberana e incondicional, irrevogável e insondável. Isso não significa que a mesma salvação final é incondicional, mas que a fé é concedida também pela graça de Deus, como seu presente para aqueles a quem Ele escolheu incondicionalmente.
Expiação limitada - ou "redenção particular" ou "redenção definida", significa que a obra redentora de Cristo visa a salvação apenas daqueles que são alvo da graça da salvação. A eficácia salvífica de Cristo, então, não é "universal" ou "potencialmente eficaz" para quem iria recebê-lo, mas especificamente designada para aqueles a quem Deus Pai escolheu. Os calvinistas não acreditam que a expiação é limitada em seu valor ou poder (se Deus o Pai quisesse, teria salvo todos os seres humanos sem exceção), mas sim que a expiação é limitada por ser destinada a alguns e não a todos.
Vocação eficaz (ou Graça Irresistível) - ou "graça eficaz", ensina que qualquer influência do Espírito Santo é irresistível, superando toda e qualquer resistência. Quando então, Deus soberanamente visa salvar alguém, o indivíduo não será bem sucedido se tentar resistir.
Perseverança dos santos - ou "preservação dos santos" ou "segurança eterna": aqueles a quem Deus chamou para a salvação, e depois, à comunhão eterna com Ele não podem cair em desgraça e perder sua salvação. Mesmo que o pecado os leve a renunciar à sua profissão de fé, eles (se são autênticos eleitos), mais cedo ou mais tarde, retornarão à comunhão. A salvação é obra de Deus do começo ao fim, Deus é fiel às Suas promessas, e nada nem ninguém pode impedir Seus propósitos soberanos. Isto é ligeiramente diferente do conceito de "uma vez salvos - salvos para sempre". No ensino tradicional calvinista, se uma pessoa cai em apostasia ou não mostra mais sinais de arrependimento genuíno, pode ser prova de que ele nunca foi realmente salvo, e, portanto, não fazia parte do número dos eleitos.
Isto posto, é necessário agora expor o contraponto feito pelo teólogo holandês Jacob Arminius, que estudou as doutrinas de Calvino e apresentou algumas objeções a certos pontos delas. No Sínodo de Dort, foi debatida a doutrina arminiana clássica na forma dos cinco pontos seguintes:
Eleição Condicional - Deus, por um eterno e imutável decreto em Cristo, antes da criação do mundo, determinou eleger, dentre a raça humana caída e pecadora, aqueles que pela graça crêem em Jesus Cristo e perseveram na fé e obediência. Contrariamente, Deus resolveu rejeitar os não convertidos e descrentes, reservando-lhes o sofrimento eterno (João 3:36).
Expiação Universal - Em conseqüência do decreto divino, Cristo, o salvador do mundo, morreu por todos os homens, de modo a garantir, pela morte na cruz, reconciliação e perdão para o pecado de todos os homens. Entretanto, essa salvação só é desfrutada pelos fiéis (João 3:16; I João 2:2).
Fé Salvadora - O homem não pode obter a fé salvadora por si mesmo ou pela força do seu livre-arbítrio, mas necessita da graça de Deus por meio de Cristo para ter sua vontade e seu pensamento renovados (João 15:5).
Graça Resistível - A graça é a causa do começo, do progresso e da completude da salvação do homem. Ninguém poderia crer ou perseverar na fé sem esta graça cooperante. Conseqüentemente, todas as boas obras devem ser creditadas à graça de Deus em Cristo. Com relação à operação desta graça, contudo, não é irresistível (Atos 7:51).
Indefinição Quanto à Perseverança - Os verdadeiros crentes têm força suficiente, por meio da graça divina, para lutar contra Satanás, contra o pecado e contra sua própria carne, e para vencê-los. Mas, se eles, em razão da negligência, podem ou não apostatar da fé verdadeira e vir a perder a alegria de uma boa consciência, caindo da graça, é uma questão que precisa ser melhor examinada à luz das Sagradas Escrituras.
Interpretação dos Cinco Pontos - O terceiro ponto sepulta qualquer pretensão de associar o arminianismo ao pelagianismo ou ao semi-pelagianismo. De fato, a doutrina de Armínio é perfeitamente compatível com a depravação total calvinista: em seu estado original o homem é herdeiro da natureza pecaminosa de Adão e totalmente incapaz, até mesmo, de desejar se aproximar de Deus. Nenhum homem nasce com o "livre-arbítrio", ou seja, com a capacidade de não resistir a Deus.
O quarto ponto demonstra claramente que é a graça preveniente que restaura no homem a sua capacidade de não resistir à Deus. Portanto, para Armínio, a salvação é pela graça somente e por meio da fé somente. Nesse sentido, os arminianos concordam com os calvinistas no sentido de que a regeneração, por meio da graça, precede a fé, e que até mesmo a fé salvadora seja um dom de Deus. A diferença está na compreensão da operação dessa graça. Para os calvinistas, a graça é concedida apenas aos eleitos, que a ela não podem resistir. Para os arminianos, a expiação por meio de Jesus Cristo é universal e comunica essa graça preveniente a todos os homens; mas ela pode ser resistida. Assim como o pecado entrou no mundo pelo primeiro Adão, a graça foi concedida ao mundo por meio de Cristo, o segundo Adão (conforme Romanos 5:18, João 1:9 etc.). Nesse sentido, os arminianos entendem que I Timóteo 4:10 aponta para duas salvações em Cristo: uma universal e uma especial para os que creem. A primeira corresponde à graça preveniente, concedida a todos os homens, que lhes restaura o arbítrio, ou seja, a capacidade de não resistir a Deus. Ela é distribuída a todos os homens porque Deus é amor (I João 4:8, João 3:16) e deseja que todos os homens se salvem (I Timóteo 2:4, II Pedro 3:9 etc.), conforme defendido no segundo ponto do arminianismo. A segunda é alcançada apenas pelos que não resistem à graça salvadora e creem em Cristo. Estes são os predestinados, segundo a visão arminiana de predestinação.
Portanto, embora a expressão "livre-arbítrio" seja comumente associada ao arminianismo, ela deve ser entendida como "arbítrio liberto" ou "vontade liberta" pela graça preveniente, convencedora, iluminadora e capacitante que torna possíveis o arrependimento e a fé. Sem a atuação da graça, nenhum homem teria livre-arbítrio.
Ao contrário dos calvinistas, os arminianos creem que essa graça preveniente, concedida a todos os homens, não é uma força irresistível, que leva o homem necessariamente à salvação. Para Armínio, tal graça irresistível violaria o caráter pessoal da relação entre Deus e o homem. Assim, todos os homens continuam a ter a capacidade de resistir à Deus, que já possuíam antes da operação da graça (conforme Atos 7:51, Lucas 7:30, Mateus 23:37 etc.), e dessa forma a responsabilidade do homem em sua salvação consiste em não resistir ao Espírito Santo. Este é o coração do sinergismo arminiano, o qual difere radicalmente dos sinergismos pelagiano e semi-pelagiano.
Quanto à perseverança dos santos, os arminianos não se posicionaram, já que deixaram a questão em aberto.
Para o Rev. André do Carmo Silvério, em http://www.monergismo.com/, a diferença crucial entre o Arminianismo e o Calvinismo se resume na palavra Soberania: “enquanto os calvinistas entendem que Deus opera a salvação na vida do ser-humano conforme a sua livre e soberana vontade, os arminianos salientam que o homem é capaz de por si só querer ou não ser salvo. Se partirmos da premissa que o homem está completamente morto diante de Deus como nos ensina Efésios 2:1, entenderemos porque a salvação depende tão somente da graça e da misericórdia do Senhor, pois ‘não depende de quem quer ou quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia’ (Romanos 9:16)”.
Eu acho que o principal problema deste tópico é a definição de livre-arbítrio. Para os calvinistas livre-arbítrio é a (in)capacidade de o Homem, em seu estado natural, isto é, não-salvo, escolher buscar a Deus; isto quer dizer que a depravação total impossibilita quem quer que seja de por sua própria iniciativa decidir servir a Deus, sendo o Homem totalmente inclinado para o Mal. Para os arminianos me parece que a melhor definição para o termo é a capacidade de o Homem decidir não-buscar a Deus, ou seja, ninguém nasce tão livre a ponto de poder resistir ou não a Deus (isto também é Depravação Total). O que capacita o Homem a fazer a escolha entre o Bem e o Mal é a Graça preveniente, oferecida a todos como uma capacitação para esta escolha. A partir daí o Homem pode aceitar ou rejeitar a salvação, sendo Deus, portanto, isento de qualquer culpabilidade pela condenação dos infiéis.
Para finalizar, gostaria de pedir que, por favor, dê uma olhada nesses dois arquivos que eu fiz: http://img502.imageshack.us/i/comparaopontos.pdf/ e http://img696.imageshack.us/i/comparaosistemas.pdf/ .
Deus te abençoe.

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sábado, 9 de maio de 2009

É bíblico o batismo infantil?

A igreja católica administra a seus fiéis os “sacramentos” – batismo, confirmação (ou crisma), confissão/penitência, eucaristia (na “missa” ou comunhão), ordenação (para os sacerdotes), o matrimônio e a extrema-unção.
Segundo o “Catecismo”, os “sacramentos” são "sinais sensíveis e eficazes da graça ... mediante os quais nos é concedida a vida divina” (nº. 224), e “não apenas supõem a fé como também, através das palavras e elementos rituais, a alimentam, fortificam e exprimem. Ao celebrá-los, a Igreja confessa a fé apostólica” (nº. 228).
Os “sacramentos” têm suas justificativas, expressas em compêndios, tratados, concílios e encíclicas, homilias, bulas e outros arrazoados filosóficos pseudo-apostólicos, sem falar em milhões de sermões pretensamente bíblicos.
Na verdade, apenas o batismo e aquilo que os católicos preferem chamar de comunhão (o compartilhamento do pão e do vinho na ceia do Senhor) são bíblicos, e verdadeiramente foram instituídos por Jesus. Mas os homens de preto – sempre eles – cercaram a ceia de misticismo, numa cerimônia extra-bíblica, a “missa”, resolvendo que o vinho é só para o sacerdote; mais uma interpretação diferente da Palavra de Deus. Nem Jesus nem os discípulos celebraram missas, erguendo o cálice, etc. E como no batismo também tinham que inventar alguma coisa, senão não ficariam satisfeitos, passaram a batizar recém-nascidos. Só que não se tem notícia de crianças sendo batizadas na Bíblia.
Para justificar esse costume, usam até textos bíblicos. Afirmam que o carcereiro de Filipos (Atos 16:19-34) foi batizado com “toda a sua casa” e provavelmente havia crianças pequenas, num exercício de imaginação, suposição e presunção, e não com uma exegese ou interpretação correta. Por exemplo, eu posso ir amanhã ao cinema “com toda a minha casa”: eu, minha esposa e meu filho adolescente. Não existe nenhuma “criança pequena” envolvida, como se poderia supor.
Na verdade, batizar crianças começou muito mais tarde, e quem o faz erra redondamente. “Santo” Agostinho, lá pelo ano 400, leu Marcos 16:16 (“O que crer e for batizado será salvo; o que, porém, não crer, será condenado”) e deduziu que as crianças que morressem sem batismo iriam para o inferno. Anselmo pensava que isto não era pior do que o estado de escravidão de crianças filhas de escravos – o que ele considerava razoável. A igreja católica depois suavizou essa doutrina criando, além do “purgatório”, um “departamento especial” para abrigar crianças falecidas sem batismo! Elas iriam para o tal “limbo” (infernus puerorum), e não para o inferno, e seu único sofrimento seria a dor da perda do paraíso. (Will Durant, in “A Idade da Fé” (História da Civilização, vol. IV), pág. 656, Ed. Record, 2ª edição). O limbo também foi defendido por Gregório, “o Teólogo”, e Tomás de Aquino: um lugar de “felicidade natural”, porém afastado da presença de Deus. Em 1905 Pio X afirmou textualmente que o limbo existia e as almas das crianças não-batizadas estavam lá. Mas, apesar de dizerem que o “papa” é infalível, esse aí vacilou, pois Bento XVI decretou que o limbo foi abolido; não existe mais. Ele acabou com o que nunca existiu; e quem estava lá, agora vai para onde? Vai entender... Desse “vô-num-vô” romanista, devemos sair fora!
O fato é que o Evangelho realmente ensina que “quem não crer será condenado”. Entretanto, criança não tem como exercer fé. Dessa forma, não pode crer nem receber batismo; e por oposição, a criança não pode “não crer” e por isso ser condenada. Basta ler Mateus 19:14 (também Marcos 10:13 e Lucas 18:16), quando Jesus explicou a situação das crianças: “Deixai os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino dos céus”. Ou seja, as crianças têm por assim dizer um “lugar garantido” no céu, até que atingem certa idade e deixam de ser crianças, adquirindo consciência do certo e do errado, do bem e do mal, da virtude e do pecado, exatamente como Adão e Eva. É aí que o homem deixa o estado de inocência, opta por ser independente de Deus e O rejeita; e o contato com Deus só pode ser restabelecido através de Jesus Cristo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, e ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6).
O ato seguinte ao de se reconhecer esta verdade é o batismo. Obviamente, crianças não podem decidir acerca dessas coisas, e por isso Deus providenciou a elas um tratamento diferente. A salvação é individual e depende de decisão pessoal!
“A alma que pecar, essa morrerá... mas se o ímpio se converter de todos os seus pecados que cometeu e guardar os meus estatutos e fizer juízo e justiça, certamente viverá; não morrerá... portanto, eu vos julgarei a cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor Jeová; vinde, e convertei-vos de todas as vossas transgressões, e a iniquidade não vos servirá de tropeço. Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e criai em vós um coração novo e um espírito novo; pois por que razão morreríeis, ó casa de Israel? Porque não tenho prazer na morte do que morre, diz o Senhor; convertei-vos, pois, e vivei” – Ezequiel 18:4, 21 e 30-32; todo o capítulo 18 fala sobre esse assunto). Não tenho como tomar uma decisão por outros, mandando batizar outra pessoa para garantir a salvação dela, e ela depois que “confirme” essa decisão. Isto não é bíblico. Por isso não posso impor a uma criança uma fé que ela talvez não queira exercer mais tarde. Podemos, sim ensiná-la a decidir de acordo com o que é correto (“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e até quando for velha não se desviará” – Provérbios 22:6). Mas não podemos decidir por ela.
Além do mais, o ensino de que o Espírito Santo nos regenera no batismo não tem base bíblica. Não existe Escritura que apóie essa doutrina.
O batismo infantil, que se pretende equivocadamente comparar com a circuncisão, não tem nada a ver. A circuncisão era feita independentemente se os meninos quisessem ou não; além do mais, se fôssemos seguir esse costume não batizaríamos as meninas.... Já o batismo é diferente: a pessoa é quem escolhe ser batizada. E isso só se faz conscientemente; por isto a Bíblia está cheia dos apelos “arrependei-vos” e “convertei-vos”. Pedro, que alguns insistem ter sido “papa”, e outros discípulos, foram unânimes em pregar essa mesma mensagem, cf. Atos 2:38: “Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados”, e 8:35-38: “Então Filipe tomou a palavra e, começando por esta escritura, anunciou-lhe a Jesus. E indo eles caminhando, chegaram a um lugar onde havia água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Felipe: é lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e Filipe o batizou”.
Se você foi batizado(a) quando era recém-nascido(a), sinto muito: não valeu nada. Você não estava crendo em nada naquela hora. Mas aí, por isso os homens de preto criaram mais uma invenção: a “confirmação” ou “crisma”, que também não existe na Bíblia... um abismo chama outro abismo...

DOA A QUEM DOER!