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domingo, 5 de junho de 2011

Cada um por si

Quando estudamos o livro de Juízes, nos deparamos com algumas situações que merecem nossa atenção.
Uma delas é que há, logo de cara, um contraste com o livro de Josué, que o precede. Josué mostra Israel vitoriosamente tomando posse da terra prometida, e Juízes mostra Israel já habitando na herança que Deus havia prometido. À primeira vista, ambos parecem tratar do mesmo assunto, mas Juízes deixa claro que os tempos mudaram. O período da conquista havia terminado; inicia-se uma fase de declínio que só vai mudar com Davi e Salomão, mais de 300 anos depois.
No geral o que acontecia era que o povo se desviava dos princípios celebrados com Deus, no tempo de Moises e de Josué. As novas gerações, que não viveram a travessia do Jordão e as primeiras conquistas, como a queda de Jericó e outros episódios memoráveis, se esqueceram ou não sabiam que deviam ser o povo escolhido por Deus para ser Sua testemunha na terra.
O capítulo 2 diz que, depois que Josué morreu (v. 8), a nova geração desconhecia o que Deus havia feito e não O temia (v. 10), e não apenas não exterminaram as nações idólatras como se misturaram com elas (v. 11-13). Deus então se irou e permitiu que Israel fosse oprimido; mas de vez em quando suscitava juízes que libertavam o povo de seus opressores (v. 16). Mesmo assim, logo que o juiz morria, o povo se desviava novamente (v.17-19), e novamente era oprimido, até que outro juiz viesse, ou um profeta que os admoestasse. Isso aconteceu várias vezes: desvio (apostasia)/opressão/livramento/novo desvio.
O resumo da ópera está nos caps. 17:6; 18:1; 19:1; e 21:25 – “Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos”. Aqui tiramos uma lição: essa “ausência” de um rei (falta de governo e de autoridade) e a “liberdade” para fazer o que se achar melhor parecem se repetir na vida da Igreja, hoje em dia.
Como naquele tempo, hoje não se vê qual é a direção para o povo de Deus. “Cada um fazia o que parecia bem”. Também hoje, cada um faz o que lhe dá na telha. Prova disto é que praticamente cada denominação decreta o seu “ano apostólico” ou “profético”, a seu bel-prazer e sem nenhuma testificação ou identificação com a congregação ali da esquina. Como pode cada parte do Corpo ir para um lado diferente? Onde está a orientação da Cabeça? O Corpo está andando sem a Cabeça?
Os filhos de Israel se tornaram uma frouxa confederação de clãs, com pouca ou nenhuma identidade entre si, que lhes pudesse caracterizar como uma nação. Isso também tem acontecido com a Igreja. As tribos viviam às turras umas com as outras, em conflitos constantes (cap. 20). Uma tribo inteira, Benjamim, quase foi exterminada, a ponto de os israelitas dizerem: “Hoje é cortada de Israel uma tribo” (21:6). Também a tribo de Dan arranjou confusão com as demais: não lutou contra o opressor Sísera (5:17), não tomou posse da herança (18:1), abriu espaço para a idolatria (18:30) e acabou destruindo seus próprios vizinhos (18:27-29).
Assim como as tribos brigavam entre si e se enfraqueceram, testemunhamos várias brigas entre denominações, às vezes com motivações que beiram o ridículo. Recentemente assistimos à picuinha das Assembléias de Deus, que comemoraram 100 anos com duas “convenções” acusando-se mutuamente e advogando-se “a verdadeira herdeira” dos missionários suecos. Já vimos esse filme antes: divisões entre renovados e tradicionais, batismo por imersão e por aspersão, históricos e pentecostais, calvinistas e arminianos, todas lembram “As Viagens de Gulliver”, onde duas cidades entraram em guerra porque uma dizia que para se comer um ovo devia-se-lhe quebrar a parte mais estreita, e a outra dizia que não, o certo era a parte mais larga. Oxalá não exterminemos “toda uma tribo” por causa de um ovo.
Assim como as novas gerações de israelitas, que desconheciam seu passado na dependência de Deus, suas vitórias sobre inimigos mais numerosos, a conquista do território, a travessia do Jordão, também a história recente da Igreja brasileira mostra sinais de afastamento do compromisso primitivo com Deus e Sua obra.
Métodos de crescimento numérico exponencial substituem o evangelismo, e técnicas de coaching e “liderança” tomam o lugar da Escola Dominical. A distribuição de literatura e folhetos evangelísticos perdeu o lugar para a venda de DVDs e livros, congressos e caravanas. O louvor e a adoração deram lugar a shows gospel: até reality-shows para escolher e premiar o “melhor adorador” (?) já tem na televisão.
Assim como Israel se misturou com as nações que os cercavam, crentes agora se associam com a mídia mundana: é um tal de ir no Faustão, no Raul Gil e no programa da Xuxa que não acaba mais. Até acordo com a Rede Globo e a Som Livre fizeram.
A Igreja parece que não depende mais de Deus. Ela prefere investir na própria sobrevivência e manutenção a longo prazo, apostando no enriquecimento e acúmulo de bens materiais: por isso a disseminação da “Teologia da Prosperidade”, forma fácil de arrecadar grana, muita grana. Assim como o sacerdote contratado por Mica, “líderes” evangélicos escolhem o caminho que lhes dará maior fama (cap. 18:18-20).
Do mesmo modo como os israelitas começaram a ficar cada vez mais parecidos com os povos ao seu redor, copiando seus costumes e seus hábitos, a Igreja hoje também vai ficando mais parecida com o mundo. Basta saber que há igrejas e pastores que apóiam a união civil gay. E nem estou falando de excrescências como a tal “igreja contemporânea”.  Há parlamentares evangélicos atolados até o pescoço em denúncias de nepotismo, desvios de verbas, tráfico de influência e outros escândalos políticos.
Como no tempo dos juízes, quando os filhos de Eli pintavam e bordavam, hoje vemos jovens pastores, herdeiros de verdadeiros feudos e impérios eclesiásticos, fazendo uma besteira atrás da outra, dizendo uma asneira em cima da outra, enquanto seus pais assistem calados e ficam deitados eternamente em berço esplêndido, deixando o barco correr. Parece que enquanto essa “nova geração” estiver enfiando o garfo na marmita e tirando o melhor pedaço, tudo bem conf. I Samuel 2:12-17. Talvez porque estamos vivendo dias como aqueles: “A palavra do Senhor era muito rara naqueles dias; as visões não eram freqüentes” (I Samuel 3:1).
A hora é propícia a uma chamada geral à unidade em torno da Palavra de Deus e não a doutrinas de “particular interpretação” (conf. II Pedro 1:20). Ao arrependimento pelos crimes e pecados da nação, e da Igreja, ao se associar com “as nações da terra”. É tempo de destruir os astarotes e baalins que erguemos dentro de nossos arraiais. Como as músicas dos cananeus, heteus, amorreus, perizeus, heveus e jebuseus (Juízes 3:5), que tocam tão alto que acabamos por incorporá-las aos nossos “períodos de louvor”, desprezando os nossos bons e velhos hinários. É o momento de apagar todo o fogo estranho.
No tempo dos juízes, havia um declínio geral: apostasia religiosa (caps. 10 e 17-18), decadência moral como Sodoma (cap. 16:1, cap. 19), disputa política (cap. 9), e cada tribo se caracterizava pelo quanto tolerava ou se submetia à presença dos inimigos em seu território. Na Igreja, igualmente, vemos um relaxamento da sã doutrina, permissividade, ganância política e financeira; a frouxidão é geral, talvez como resultado da frouxidão individual.
Cada cristão tem sua própria parcela de responsabilidade por essa situação.
Devemos perguntar a nós mesmos: “Qual é a minha responsabilidade? Qual tem sido o meu testemunho desde que me converti? Como estou contribuindo para o crescimento do Reino de Deus, e não para os reinozinhos particulares?”...
A hora é grave.
O momento é tenso.
Estamos numa encruzilhada onde precisamos decidir qual caminho seguir. I Reis 18:21 diz: “E Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; mas se Baal, segui-o. O povo, porém, não lhe respondeu nada”.
A Igreja brasileira vive um momento ímpar, em que tanto o seu poder quanto suas bênçãos coletivas têm encolhido. Mas Deus não mudou. O poder divino ainda está disponível para cada crente, cada pastor, cada congregação. Espero que no futuro, as pessoas não olhem para o passado (hoje), e ao ver a que ponto chegamos, digam de nós, com espanto:
“Nunca tal coisa se fez, nem se viu, desde o dia em que os filhos de Israel subiram da terra do Egito até o dia de hoje; ponderai isto, consultai, e dai o vosso parecer” (Juízes 19:30).

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