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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

2010, ano profético...

2010 vai chegando ao fim e para comemorar a centésima postagem, resolvi dar uma olhada nas últimas “palavras proféticas liberadas” pelos pseudo-apóstolos e semi-profetas que pululam na igreja brasileira, e veja o que encontrei.
A Renascer, na pessoa do “papai” Estevam, havia determinado o ano de 2006 como sendo “o ano de Isaque”, o ano da colheita. Em setembro daquele ano a Justiça bloqueou os (muitos) bens do “apóstolo”, que ficou foragido até 19 de dezembro. Só colheu problemas na Justiça. 2007 foi declarado “o ano de Elias”, mas o casal apostólico foi detido em Miami por portar U$56 mil e só ter declarado U$10 mil à alfândega. Ainda bem que Elias foi arrebatado antes para não presenciar esse mico profético. Melhor fez a Comunidade Igreja Apostólica de Jesus Cristo, que declarou 2007 como o ano de Neemias. Ninguém lê Neemias mesmo, então ficou de bom tamanho.
A mesma igreja - Apostólica de Jesus Cristo - espalhou que 2008 era o “ano de Gideão – o ano da revolução”. Eu não vi nenhuma revolução em 2008, talvez porque 2008 foi também “ano de Ester” para a Renascer: foi o ano de reinar sobre todas as coisas. Mas também não tive notícias de nenhuma reinação desse pessoal, a não ser nas páginas dos jornais, onde de fato reinaram absolutos. Sem mais delongas, o Tabernáculo das Nações disse que era o “ano apostólico de Moisés”. Engraçado, o que Gideão, Ester e Moisés têm a ver com apóstolo? 
Em 2009, o “ano de Davi” na Renascer, a conversa era a seguinte: “Deus realmente vai fazer a diferença nas nossas vidas. Ano de vitórias, ano de restauração, ano de restituição, ano de conquista, ano de ser aclamado rei”, vaticinou “papai” Estevam. E realmente fez uma baita diferença: depois que o teto de uma filial caiu e matou nove pessoas, a prefeitura de São Paulo apertou o cerco sobre igrejas que não tinham condições de funcionamento, entre elas, várias Renascer. Será que foi uruca da igreja católica? O cardeal-patriarca de Lisboa havia declarado esse ano como o ano apostólico... de São Paulo.
Em 2010, a Igreja Apostólica Cristã Renascer Carmesim (de Mato Grosso, sob a visão do apóstolo Paulo Zotareli e sua esposa, a pastora Silvana Daniela Sara Zotareli – viu só, Doa a Quem Doer é informação em primeiro lugar!), bom, essa igreja declarou que o corrente ano é o ano apostólico de José. Já a Comunidade da Graça e a Igreja Apostólica Novo Cântico estabeleceram profética e coincidentemente que 2010 é o ano de Josué. Pelo menos aqui a profecia testificou... Mas seus apóstolos, aparentemente, estavam precisando tocar mais no manto profético, voar mais alto ou então mergulhar mais fundo, tanto faz, e ambas as igrejas chegaram atrasadas: o Tabernáculo das Nações já havia declarado o ano de Josué em 2009.
Só que, apesar de o Tabernáculo solenemente propagar 2010 como o ano de Samuel, a Renascer apostolicamente determinou que não, 2010 não é nem de Samuel nem de José, de José foi em 2005, vocês não sabiam? Quem manda não escutar a rádio da Renascer? Nem de Josué coisa nenhuma, o ano é de Pedro e ponto final. Aliás, o ano de Josué da Renascer foi em 2005. Isso é que é revelamento profético, bem antes de todo mundo. É cabeça, e não cauda! Ora pois! E nisso a Comunidade Apostólica Igreja de Jesus Cristo concordou, para eles também o ano é de Pedro. Até que enfim mais alguém concorda com outro nesse negócio.
Mas agora como ficamos? 2010 é de José, de Samuel, de Pedro ou de Josué? Porque Pedro andou sobre as águas, mas com Josué as águas se abriram e ele passou a seco. Será que Pedro vai cair lá no fundo, esborrachando-se sobre Josué que calmamente vai caminhando sobre a areia, enquanto José observa tudo lá do Egito e as vacas magras engordam? Ou então fica cada um com um pedaço do ano. Assim até que seria legal, mas tem mais gente do Velho Testamento do que do novo, e aí é jugo desigual, não dá.
Enquanto isso, no mundo real o casal Hernandes entra na Justiça para processar o promotor do caso de 2007, alegando perseguição e apontando irregularidades nos processos que carregam nas costas. Não me lembro de ler na Bíblia que Pedro teria alguma vez processado o Sinédrio que o mandou prender, mas “papai” Hernandes já já arranja uma justificativa profética.
O engraçado disso tudo é que ninguém escolhe, por exemplo, Estêvão para “padroeiro do ano”: afinal, Estêvão era um discípulo destacado, um dos primeiros diáconos, escolhido para servir, mas acabou sendo perseguido e morto pelas autoridades... não, esse não, ia queimar o filme.
Então podiam escolher Jeremias, profeta, corajoso... mas foi ridicularizado pelo seu próprio povo e depois jogado num poço... não, esse também não dá.
Quem sabe Sansão? Foi um juiz de Israel – tinha autoridade! Separado desde o ventre da mãe – expressão das mais preferidas dos profetas apostólicos! Derrotou os filisteus várias vezes... mas aí acabou atrapalhado na carreira por um “rabo de saia”... é, esse também ia gerar uma imagem ruim. Marketing, sabe como é...
Uma coisa eu preciso confessar: até agora não entendi a razão, motivo, força ou circunstância da criação desses “anos apostólicos”, que nada acrescentam ao Reino de Deus. A não ser uma motivação ocasional, uma promoção de Marketing semelhante a um “dia das mães” ou “dia dos namorados”, cujo único efeito é uma agitação sazonal que logo depois é esquecida, até aparecer outra “liquidação”. Mas corra que é só até sábado, em todas as lojas da rede!
Por tudo isso, diante de todas essas coisas, como não tive inteligência para entender como a Cabeça pode ordenar a uma parte do Corpo que caminhe num sentido e outra parte em outra direção, formei uma opinião: só me resta crer que estamos vivendo, de fato, o ano profético de Balaão.
DOA A QUEM DOER! 

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